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domingo, 18 de abril de 2010

PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS - PROPENSÕES

"Todos são fundamentais, porém ninguém é insubstituível"

Princípio relacionado ao modelo de equipe do
Modelo de Formação do FC Porto



Bom, estava eu pensando no jogo de hoje, nas situações ocorridas para a montagem da próxima semana de treinos, e percebi que até hoje, em meio a diversos assuntos, nunca falei sobre os princípios metodológicos que guiam a Periodização Tática dentro do Morfociclo Padrão.

Eles não são novidades:

Princípio da Especificidade
Princípio da Montagem e desmontagem dos Princípios do Modelo de Jogo
Princípio da Alternância Horizontal
Princípio da Progressão Complexa
Princípio das Propensões

É de certa forma errado nunca ter falado disso, pois não se pode operacionalizar bem uma semana de treinos sem dominar o conceito destes princípios.

Não vou seguir a ordem acima e vou começar falando sobre o PRINCÍPIO DAS PROPENSÔES:

Propensão segundo alguns dicionários significa estar inclinado, ter uma tendência, e é exatamente isso que este princípio vai buscar na semana de treinos e nos exercícios.

Jogamos hoje, e segundo uma avaliação qualitativa chegamos a seguinte conclusão:



Bom, após esta avaliação escolhemos dentro da semana dias mais propícios a determinados princípios, sub-princípios e sub-sub-princípios, por exemplo:

Posso treinar as dobras de pressão  através dos seguintes exercícios:

- As dobras consistem em se formar triangulos em relação ao homem que porta a bola, para que logo haja uma pressão ao homem da bola e logo atrás uma pressão as opções de passe próximas. também pode ser uma pressão vinda do lado oposto ao jogador que tem a bola, prensando o mesmo nas duas direções, frente e costas. É um sub-princípio da ZONA PRESSIONANTE.

Bom, podemos solicitar este comportamento de forma individual, setorizada, intersetorizada e coletiva. Antes de mais nada é válido lembrar que todos os princípios atual junto ao mesmo tempo e não tem sentido em separado, por exemplo, quando se cria situações de propensão a determinado comportamento se leva em consideração a propensão fisica, técnica e psicológica, além da alternãncia horizontal, que irá refletir os estímulos de intensidade de concentração e contração muscular solicitada, que por sua vez serão influenciadas pela progressão complexa, que será determinante para a escolha dos exercícios e dos objetivos em todas as sub-dimensões, por fim, todos estes princípios só tem sentido se zentes com a especificidade do modelo de jogo.

Quando se cria um exercício visando o princípio das propensões, deve-se pensar que o objetivo é tentar fazer que determinado comportamento que queira ser treinado ocorra muitas vezes neste exercício para que a vivencia seja absorvida pelo jogador, ou seja se quero melhorar as dobras de pressão, devo fazer com que isso ocorra muitas vezes, e que as intervenções ocorram sempre levando a este objetivo, lógico que outros sub-princípios irão ocorrer ao mesmo tempo, porém a atenção deve ser canalizada ao que a propensão idealiza.


Terça-feira

Exemplo de um exercício em que posso exigir dobras de pressão de forma a gerar um comportamento individual.

1 contra 1, 2 contra 2 em espaço reduzido


Exercícios de tempo médio/curto ( ações menores que 30/60 segundos), podendo ser com apenas aproximações sem desarme, ou desarmando apenas na interceptação, com preocupações mais relacionadas ao comportamento individual.

Recuperação ativa, ou seja, exercício bem travado, com pausas de recuperação dentro do exercício e intervalos de recuperação com alongamento ou hidratação. Poucas contrações excêntricas, baixa velocidade, duração e tensão de contrações.


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Quarta-Feira

Exemplo de um exercício intersetorizado que posso provocar a ocorrencia de muitas dobras de pressão, dentre outros Sub-princípios e Princípios.

4 contra 4 ou 5 contra 5 em espaço reduzido

Maior complexidade em termos de densidade de princípios = maior preocupação com a inter-relação aos companheiros, setor, função.

Maior quantidade de contrações excêntricas (tensão de contração) = maior desgaste fisiológico pelo espaço reduzido com médio número de jogadores, ou seja, alta solicitação do jogador em curtos espaços = muitas mudanças de direção, travagens e comportamentos de choque corpo a corpo.


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Quinta-Feira

Exemplo de exercício complexo em que posso exigir o mesmo comportamento, de forma coletiva:

10 contra 7, 10 contra, 8, 10 contra 10 em espaços grandes

Com solicitação de grandes princípios do modelo de jogo, dando propensão as dobras de pressão dentro da zona pressionante. Maior solicitação de duração de contração , tempos de exercício maiores, cerca de 10 a 20 minutos, com uma organização coletiva presente, buscando grandes comportamentos soncronizados pelo modelo.


Sexta-feira

Exercícios de aquisição de comportamentos individuais, ou setorizado:

5 contra 1, com pressão a circulação da bola, podendo fazer de diferentes formas 5x3, 6x3, 6x2..

Exercício em alta velocidade de contração e tempos de exercício bem travados = descontínuos. Poucas contrações excêntricas comparado a quarta-feira, e visando a recuperação do jogo do fim de semana.


Exemplo de divisão de Princípios e sub-princípios na semana, relacionados com a sua complexidade:


Quanto mais complexo for o princípio, mais para o meio da semana deve ficar, pois o desgaste emocional é maior, e isso é mais dificil de recuperar, podendo afetar diretamente o desempenho no jogo, por isso é importante colocar os sub-princípios e micro-princípios nas extremidades da semana, pois estes são mentalmente e fisiologicamente mais fáceis de recuperar.

Bom, continuarei falando dos outros princípios na sequência, acredito que este deva ter ficado mais claro.

Grande abraço
Luis Esteves

quarta-feira, 14 de abril de 2010

RETIRADA DA BOLA DA ZONA DE PRESSÃO - UM EXERCÍCIO ESPECÍFICO?

Visto que muitos são os princípios que podemos seguir, para a criação de um modelo de jogo, vamos a retirada da bola da zona de pressão, exemplificando um exercício que realizei hoje mesmo.

A retirada da pressão pode seguir o conceito:

- Princípio que visa valorizar a posse, evitando perder a bola imediatamente após a sua recuperação, ou em meio a posse e circulação, evitando em determinadas zonas, o confronto direto, procurando sempre um jogador nosso em espaço vazio para a manutenção da posse.

EXERCÍCIO

VAMOS BASEAR EM 4 MOMENTOS O OBJETIVO DO EXERCÍCIO:

1º MOMENTO- O MICRO-CONFRONTO:


Como disse o professor Cícero, amigo do grupo de estudos do CDD, em uma palestra sobre Periodização Tática a algum tempo, o futebol não deixa de ser um jogo de Micro-confrontos, dentro de um macro-confronto, vão sempre ocorrer duelos de diversos números 1x1, 2x2, 3x1, 3x5, etc...

Aproveitamos este princípio do jogo, o da Inferioridade numérica para criar uma situação de inferioridade da equipe principal, que possui 10 jogadores. Dois jogadores desta equipe, jogam contra 6 jogadores de uma equipe adversária, que posteriormente irá defender a goleira, estes 6 jogadores tem o objetivo de trocar 10 passes, afim de fechar 1 ponto. Já os dois jogadores titulares( Amarelo no campo), devem o mais rápido possivel, desarmar a equipe de 6 (Azul no campo). Neste momento podemos trabalhar pequenos sub ou micro princípios que nos interessem, tipo dobras, pressão em conjunto, dentre outras coisas setoriais.


2º MOMENTO - OPÇÕES DEVEM SER CRIADAS COM PEQUENOS DESLOCAMENTOS DIAGONAIS - CRIAÇÃO DE LINHAS DE PASSE

Baseado no conceito do prncípio, devemos ter, para manter a posse, opções estratégicas de passe circundando os jogadores na pressão, afim de que ao roubar esta bola, estes jogadores possam retira-la da pressão em segurança. No campo todos devem ser opções, algumas com mais outras com menos risco, porém todos devem ser opções. Neste caso, o jogador dependendo da zona entra em outro Micro-princípio da manutenção da posse: O tipo de passe - Seguro ou de risco? depende do treinador...




3º MOMENTO - RETIRADA DA PRESSÃO - VALORIZANDO A POSSE

Após o desarme, e as opções criadas, por fim o jogador tira essa bola da zona pressionante, e a partir daí a equipe abre mais, ocupando o máximo de campo e circulando até chegar ao gol adversário, repare que os 6 jogadores  adversários que estavam no campo pequeno, acabam se posicionando a frente da área, ou onde o treinador quiser, depende do que quiser treinar - Princípio das Propensões.



4º MOMENTO - MANUTENÇÃO, CIRCULAÇÃO E FINALIZAÇÃO

A circulação acontece, dentro dos mecanismos ofensivos, e movimentações, até a finalização. Bom este é um exercício específico senhores...ao meu modelo de jogo.

Variantes:

- Colocar o goleiro para circular quando colocar os zagueiros no micro-confronto.
- Colocar 3 ou mais jogadores no micro-confronto
- Variar o adversário com 6 para uma coluna verticar com 2 - 2 - 2 para dificultar mais a circulação horizontal da equipe, e ter uma pressão maior a circulação nos zagueiros.
- Aumentar para 7, 8 , 9 ou 10 Oponentes no exercício.
- Limitar o número de passes.
- Aumentar o tamanho do campo de micro-confronto ( maior desgaste da dupla de pressão)

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GRANDE ABRAÇO.
LUIS ESTEVES

domingo, 14 de março de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - 2ª Parte - O MORFOCICLO E OS PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS




PRINCÍPIOS

Antes de entrar no assumo principal, vou colocar algumas definições de princípios, também colocados por José Guilherme Oliveira, aos quais devemos saber diferenciar, existem diferentes tipos de princípios, e achei pertinante colocar isso aqui para gerar um melhor entendimento:

José Guilherme coloca:

Existem 3 tipos de princípios de jogo:

1- Princípios fundamentais

  • Recusa a inferioridade numérica

  • Evita a igualdade numérica

  • Cria a superioridade numérica

2- Princípios específicos ou culturais:


OFENSIVOS:

  • Penetração

  • Cobertura Ofensiva

  • Mobilidade

  • Espaço

DEFENSIVOS:

  • Contenção

  • Cobertura defensiva

  • Equilíbrio

  • Concentração

3- Princípios específicos relacionados ao MODELO DE JOGO:

  • Estes princípios são variáveis de modelo a modelo, dependem da idéia do treinador dentro dos quatro momentos do jogo.

Achei importante colocar estas definições, pois as vezes entramos em determinado assunto, sem ter passado por outros e isso pode gerar lacunas entre uma idéia e outra, coisa que devemos tentar preencher, muitas coisas não serão lembradas ou citadas, pois o futebol em seu treino e competição é muito complexo, mas esse post mesmo, é um post de risco, pois cito muitas coisas das quais não sou o inventor, nunca falei com Vitor Frade, não sou José Guilherme nem o Mourinho, porém acredito na filosofia que a Periodização Tática nos proporciona, e tento a cada dia descobrir mais e treinar melhor para jogar melhor e tenho visto isso acontecer, portanto o que digo aqui não é nenhuma verdade absoluta, é só um dos muitos caminhos que podemos seguir, inclusive na própria periodização tática, sem jamais deixar de ser específico.


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RELATÓRIO - FC PORTO

Bom, analizando um relatório que tenho sobre a equipe junior do FC Porto, cheguei a conclusão de que citar aqui, o que um dos principais utilizadores desta metodologia seria mais interessante do que citar meu próprio dia à dia, então, farei isso, colocarei o relatório que o estudante Bruno Marques Fernandes Pivetti elaborou, em Março de 2006, a partir de um estágio de observação, com a comissão técnica em treinos e jogos, com imagens e explicações bem definidas.

Vou fazer interpretações gráficas dos exercícios, e colocar as fotos retiradas pelo autor. Achei interessante este relatório, que acabou me ajudando a interpretar melhor uma sessão de treino em periodização tática, juntamente com literaturas atuais com a da Marisa Silva e Jorge Maciel. Isso será um assunto posterior.



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MORFOCICLO PADRÃO E OS PRINCÍPIOS DA ALTERNÂNCIA, PROPENSÕES E PROGRESSÃO.


O morfociclo padrão é a forma como organiza-se os treinsmentos da equipe semanalmente, visando sempre o jogo anterior e o próximo jogo. A diferenã entre Microciclo e Morfociclo é que, o microciclo em sí, são somente sessões, de determinado número, normalmente de 3 a 14 sessões, que a comissão programa, porém elas podem assumir diferentes formas, e levar a diferentes objetivos.

Já o Morfociclo se chama Morfo ( ¹Morfologia: Tratado das formas que a materia pode tomar) ou seja, queremos que tome forma o nosso modelo de jogo, e para isso acontecer existem alguns processos, dentre eles o da continuidade, a semana de treino em algumas dinãmicas será sempre a mesma, o que alterna são os assuntos que surgirão dentro dos problemas apresentados no jogo, por isso Morfociclo, porque queremos modelar a equipe a certa forma.

Alguns utilizadores desenvolveram o que chamam de morfociclo padrão, que é uma sequencia de uma semana de treinos, que leva em consideração apenas o jogo anterior e o próximo. Este morfociclo foi publicado algumas vezes em literatura como a de Oliveira, Amieiro, Resende 2006, e Barreto e Gomes 2008. Isso não significa que não exista um mesociclo ou um macrociclo, porém estes são apenas guias gerais de programação e planejamento, com menor interferência no processo de treino do que o morfociclo.

Este é:
MORFOCICLO PADRÃO SEMANAL

Basicamente podemos definir 5 dias de treino e um de folga, nestes 5 dias, três são aquisitivos e dois recuperaticos, em casos de categorias menores, por exemplo, em que não se treina sábado, seriam dois dias aquisitivos e um recuperativo, ou existe a possibilidade de se treinar na segunda-feira, cada treinador poderá moldar seu morfociclo da forma como achar mais adequado, o exemplo acima é só um molde para entendimento.
A cada dia, o morfociclo levará em consideração, através dos proncípios e das sub-dinâmicas físicas determinado objetivo, levando em consideração:
PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS - O GUIA DO TREINAMENTO
Todas as citações retiradas do PDF de José Guilherme Oliveira:
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PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE
Na Periodização Táctica a Especificidade é um princípiometodológico que contextualiza tudo o que é feito. Sóse considera algo Específico quando está relacionadocom o Modelo de Jogo que se está a criar.Desta forma, a Especificidade é sempre Substantiva.

O cumprimento do Princípio da Especificidade só érealmente atingido se durante o treino:

• Os jogadores mantiverem um elevado nível de concentração durante o exercício;

• O treinador intervier adequada e atempadamente perante o exercício.

• Os jogadores entenderem os objectivos e as finalidades do exercício;

O princípio da especificidade deve assumir uma organização fractal, os exercícios que criamos devem ser fractais do jogo que pretendemos.
PRINCÍPIO DA ALTERNÃNCIA HORIZONTAL
Alternãncia do tipo dos níveis de concentração e do tipo de esforço que os dias exigem, de acordo com o grau de recuperação e aquisição da equipe de acordo com o último jogo e com o próximo jogo.

Basicamente os exercícios irão apresentar 3 características de contração muscular que interagem, com mais ou menos densidade, são elas:
- Velocidade de contração
- Tensão de contração
- Duração de contração
A contração muscular pode ser excêntrica ou concêntrica, dependendo do dia, se estimula mais uma do que outra através dos exercícios propostos, porém esta sub-dinâmica é totalmente subordinada ao modelo de jogo e a dimensão tática.
PRINCÍPIO DA PROGRESSÃO COMPLEXA
“Montagem” e “Desmontagem” dos Princípios e dos Subprincípiose sua Hierarquização durante o PadrãoSemanal e ao longo dos Padrões Semanais, consoante aevolução da equipa.

PRINCÍPIO DAS PROPENSÕES:

Densidade de Princípios, Sub-princípios e Sub dos Subprincípi osque se pretende treinar e do tipo de esforço/sub-dinâmicas requisitados em cada dia dasemana.
  • Os problemas da equipe no último jogo
  • Os objetivos semanais
  • As características do adversário
DIAS DA SEMANA

Quadros explicativos são colocados para gerar melhor entendimento, eles levam em consideração 4 formas de manutenção do treino:

  • Tensão - É a tensão que a contração muscular será exposta. Quanto mais contrações excêntricas maior a tensão.
  • Duração - É a duração de contração muscular. Quanto mais longo o exercício maior a duração das contrações, em geral mais concêntricas.
  • Velocidade - É velocidade de contração muscular. Quanto mais rápida for solicitada a ação, mais rápida a contração, em situações curtas e velozes.
  • Desgaste Emocional - É o desgaste que o exercício irá proporcionar. Relacionado aos seguintes critérios:
  • Complexidade do(s) princípio(s)
  • Complexidade da dinâmica
  • Quantidade de jogadores
  • Espaço de jogo
  • tempo de diração do exercício

Descontínuo - É a duração do exercício, quanto mais descontínuo mais curto será.


TERÇA-FEIRA:

Primeiro dia de treino, caso a folga seja segunda, isso depende do treinador.

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam: Situações descontínuas, semelhantes ao jogo, mas comdensidades de “tensão”, “velocidade” e “duração” reduzidas das contracções musculares, com o objectivo de se promover arecuperação, fisiológica e emocional.

QUARTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações muito descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplemuma grande densidade de: acelerações e travagens, mudanças dedirecção e velocidade, saltos e quedas, remates,... (semprerelacionadas com os sub-princípios e os sub dos sub-princípios...).Devem ser realizados em espaços curtos, com um número reduzido dejogadores, e o tempo de exercitação do exercício também deve serreduzido.




QUINTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplemuma grande densidade (principio da propensão) decomportamentos relacionados com os princípios e sub-princípiosdo Modelo.Devem ser realizados em espaços grandes, com um númeroelevado de jogadores e o tempo de exercitação do exercício deveser “longo”.


SEXTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Acções descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplem umagrande densidade (princípio da propensão) de comportamentosrelacionados com os sub-princípios e os sub dos sub-princípios...Os exercícios devem promover uma elevada velocidade de decisãoe de execução.Devem ser realizados em espaços que permitam contemplar osobjectivos referidos. O tempo de duração dos exercícios deve serreduzido.



SÁBADO:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações muito descontínuas que possam contemplar tensão evelocidade de contracções musculares altas, mas com reduzidadensidade e duração.Os objectivos são promover a recuperação, fisiológica e emocional,e “pré-activar” a equipa e os jogadores para o jogo do dia seguinte.



Bom, no proximo post coloco o exemplo de operacionalização semanal que o José Guilherme utilizou, acho que será um bom exemplo, já que retirei o modelo de jogo citado do post anterior das citações dele mesmo.
Abraço
Luis Esteves
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GOMES, Marisa Silva; Do Pé como Técnica ao Pensamento Técnico dos Pés dentro da Caixa Preta da Periodização Táctica - Um estudo de caso - Monografia de Licenciatura apresentada na Faculdade de Desporto da UP - Porto. 2006, 111 p.
OLIVEIRA, Bruno; AMIEIRO, Nuno; RESENDE, Nuno; BARRETO, Ricardo; Mourinho: Porque tantas vitórias? Editora:Gradiva, Lisboa. 2006. 223p.
OLIVEIRA, José Guilherme Granja; Padrão Semanal - PDF - Sem data.
OLIVEIRA, José Guilherme Granja; Periodização Tática: Um modelo de treino. Universidade do Porto - PT . Sem data.
1 - SILVEIRA BUENO; Mini-Dicionário da lingua portuguesa. São Paulo - Editora: FTD . 2000

sábado, 28 de novembro de 2009

MONTAGEM DA PRELEÇÃO - UMA OPINIÃO SOBRE A MONTAGEM NA SEMANA

O futebol nos responde tudo...se soubermos como perguntar.
Júlio Garganta citado por Prof. Cícero e Rafael
Seminário sobre Periodização Tática

Um dos fatores determinantes na semana de um time é a preleção, e quando falo preleção posso estar sendo conceitualmente errado, pois considero preleção uma junção de informações que o jogador recebe em uma semana de trabalho, que culmina no jogo e inicia na avaliação do jogo anterior, envolvendo diretamente a parte estratégica do jogo e da competição, e levando em primeiro lugar a preocupação com o proprio modelo da equipe.

Para exemplificar, vou colocar um exemplo meu de algumas situações de preleção que faço ou fiz.

Começando, se temos um Modelo de jogo, temos uma avaliação pós-jogo, que chamamos de RELATÓRIO DE JOGO, juntamente com uma AVALIAÇÃO DE GRUPO, que é feita imediatamente após a saída dos jogadores do campo.

São estas, RELATÓRIO E AVALIAÇÃO:

RELATÓRIO DE JOGO



AVALIAÇÃO DA EQUIPE




Lógico que estas avaliações só tem sentido se partirem de uma ideia de jogo, quem vem do modelo, como temos um definido, podemos avaliar de forma qualitativa na comissão e jogadores, o resultado que obtivemos em termos de produção no jogo, se são ou não os que buscamos da equipe.

Após isso, chegamos as conclusões de que princípios temos que melhorar dentro dos momentos, e pelo principio das propensões, montamos a semana de treino, buscando determinado resultado ou crescimento para o próximo jogo.

Mas voltando a semana de treino, para a preleção, após o jogo, iniciada a semana de treino, podemos iniciar a preleção, por exemplo, terça-feira na representação, podemos fazer uma avaliação qualitativa do rendimento, podendo colocar situações quantitativas para auxilio, como passes errados ou número de finalizações no jogo.

Com a interação dos jogadores, o que é fundamental, chega-se ao final da avaliação do jogo anterior. Passamos então a recuperação ativa para o treino de terça, ou alguma aquisição, depende do planejamento da comissão, e para o próximo jogo.

Aqui colocarei um exemplo, de um jogo nosso pela categoria júnior, já pela estreia da 3ª fase, onde haviam apenas 8 equipes, nossos grupo era composto por:


-*CE Aimoré (Não classificou)

-*EC Cruzeiro (Acabou em 5º lugar no geral)

-AE Garibaldi (Acabou em 3º lugar no geral)

-SC Internacional (Acabou sendo o campeão)

*Na fase anterior, estivemos no mesmo grupo do CE Aimoré, onde classificamos em 2º lugar atrás exatamente do CE Aimoré, não classificaram EC Novo Hamburgo e EC São Luiz - Ijuí.


PRELEÇÃO - EC CRUZEIRO X CE AIMORÉ

3ª FASE CAMPEONATO ESTADUAL 2009


TERÇA-FEIRA

Na terça-feira, como se iniciou uma nova fase, podemos colocar novas metas, neste caso as metas foram definidas pela equipe, em conjunto com a comissão técnica. Pode-se colocar imagens do jogo anterior, como erros e acertos de determinaram o resultado, dentro das previsões do modelo de jogo.


QUARTA-FEIRA

Na quarta-feira, podemos colocar em forma de vídeo no projetor com imagens, situações relacionadas ao adversário, como posicionamento, equipe base, sistemas pontos fortes e fracos , de forma rápida e objetiva, como segunda opção pode-se utilizar um quadro magnético grande para realizar isso, ou até mesmo um quadro com folhas, tanto faz, o importante é, que a equipe tenha conhecimento dos setores, sistema e cultura de jogo do adversário. Podendo até mesmo formular opiniões e soluções para determinada situação, levando em conta o modelo de jogo que já existe, o nosso. Ou seja, neste dia definimos como podemos ganhar ou perder o jogo.


OBSERVAÇÃO: No caso deste jogo, tínhamos súmulas que ficam disponíveis no site da FGF e dois vídeos do Aimoré, dos dois jogos anteriores a este contra nós, aos quais em São Leopoldo perdemos por 2x0 e no último jogo da fase, no qual empatamos em Porto Alegre por 2x2, nestes dois jogos minha equipe apresentava um 3.5.2 / 3.6.1, sendo que tentei colocar um 4.4.2 na estreia, mas tive que mudar ainda no primeiro tempo, pois a equipe se encontrava adaptada demais a uma forma de jogar, bem diferente da minha, então modifiquei minha filosofia. A equipe do EC Cruzeiro tinha uma característica de molde ao adversário presente ao seu modelo, com marcação individual e contra-ataques, princípios estes que eu não utilizo, porém me adaptei a situação.


OBSERVAÇÃO: O Slide acima contém dois erros, um a nomenclatura do Meia, que está como 2º volante, e outro o momento, está como O.D. (Organização Defensiva) e era na verdade O. O. (Organização Ofensiva).
OBSERVAÇÃO: Fizemos uma análise do CE Aimoré, baseado em vídeos (02) de jogos contra nossa equipe, e percebemos que eles apresentavam características de comportamento de um modelo de jogo mais rudimentar, era uma equipe com pouca circulação, com muita dificuldade em armação de jogadas pelo meio, porém com bolas laterais/verticais chatas, e descobriu nisso a fórmula de ganhar da nossa equipe, no primeiro jogo já que jogávamos com 3 zagueiros e dois alas (deixando um espaço laterai a zaga) , e de criar muitas situações de finalização no segundo jogo. Além disso tinha bons jogadores no setor ofensivo, em especial o número 10 e 9, jogadores que já estavam na categoria profissional, e que desciam para jogar pelos juniores.

Eles marcavam de forma zona, sem pressão, bem compactados, em um 4.4.2 quadrado, e com a bola em transição passavam para um losango, com o meia virando um 3º atacante. Desta forma nos ganharam na estréia da 2ª fase, e empataram na nossa casa, por 2x2, jogando de forma idêntica, com uma pequena diferença no posicionamento do bloco de marcação, fora de casa era bem defensivo, em casa era médio. Porém por saberem que nossa equipe jogava na maioria das vezes com apenas um atacante, mais lento e centralizado, e assim jogou os dois jogos, eles encaixavam uma marcação dos dois zagueiros e liberavam os dois laterais, já que o jogo dessa equipe era totalmente concentrado pelo lado em que a bola se encontrava, raríssimas vezes um dos volantes fazia uma virada de lado. Ver imagens acima.


Quarta-feira é o primeiro dia aquisitivo, muitos morfociclos indicam um treino de resistência de força, ou força específica neste dia, colocadas por arrasto na divisão dos sub-princípios que se pode treinar, ai é problema da comissão e do treinador achar exercícios para isto. Lembrando que, pode-se formular o exercício que quiser, levando em consideração determinada situação do adversário, JÁ QUE TEMOS O MODELO DE JOGO DO MESMO, OU PELO MENOS PENSAMOS QUE TEMOS.


QUINTA-FEIRA


Quinta-Feira é o melhor dia, temos o maior ganho pois há a globalização da equipe, já que normalmente setorizamos os exercícios na terça, quarta e sexta, pela menor complexidade e exigência mental na resolução de problemas e informações. Neste dia sim, a complexidade do treino é máxima, entramos na composição da própria equipe, e da equipe adversária, utilizando exercícios que proporcionem a situação que julgamos que irá ocorrer no jogo, corrigindo e potencializado nossos pontos fortes em relação ao jogo que esta por vir.


OBSERVAÇÃO: Então neste jogo coloquei minha ideia de sistema, já vínhamos utilizando alguns princípios como manutenção da posse, compactação, abertura, dentre outros, porém alguns princípios eram prejudicados por o sistema em uso não apresentar geometricamente uma estrutura mais adequada a realização dos mesmos em termos de equilíbrio posicional no campo.


Então para este jogo utilizei um 4.5.1 / 4.3.3 e troquei a funções de dois jogadores de ataque, buscando o aproveitamento do espaço que o CE Aimoré dava nas costas dos dois laterais, já que seguindo um pensamento lógico, nosso time jogava com apenas um atacante, e para isso dois zagueiros eram o suficiente, eles então liberavam os dois laterais, e concentravam os ataques por ali. Então decidi que liberaria a marcação dos dois zagueiros do CE Aimoré, e com isso liberei mais um sobra, ou sejá, além de um dos zagueiros que normalmente sobra (Esta equipe era muito dependente da sobra em todos os lances) tínhamos do lado da bola mais um sobra, o lateral. Com a decida quando necessário de um dos atacantes de ponta normalmente tínhamos superioridade numérica no meio e nos lados, detalhe que a dupla de zaga do CE Aimoré não tinha potencial de subida com bola, o que facilitou essa estratégia.


Para a infiltração no espaço que a dupla de laterais deixava, criamos um mecanismo que visava o seguinte: Tínhamos para este jogo um jogador rápido e pequeno (REBOLLO), ao qual posicionei entre os dois zagueiros, o que a princípio parece absurdo, já que este não tem imposição física, e coloquei em uma das pontas, o centroavante, mais lento e alto (JONAS), fazendo que, quando estivéssemos com a posse da bola, o atleta REBOLLO saísse em velocidade para receber a bola em qualquer um dos lados, e JONAS infiltrasse no seu espaço para finalizar, junto com a movimentação dos outros jogadores, dentre eles JORTER que era um meia aberto, que também infiltrava pelo meio.


SEXTA-FEIRA

Na sexta-feira a complexidade é baixa, a oposição também e voltamos a setorização, as vezes treino a bola parada na sexta, sem oposição. Neste jogo nossa preocupação com a bola parada do CE Aimoré era pequena, pois não tinham eles grande eficácia nesse princípio. Más nossa preocupação com nossa própria bola parada era grande, como verão em seguida.

Finalizamos a semana com algumas informações mais detalhadas, quase individuais.







RESUMO DO JOGO:

E.C.CRUZEIRO 3 X 2 C.E.AIMORÉ



Primeiro gol: aos 6 minutos, Rebollo recebe uma bola pelo lado esquerdo do nosso ataque, e sofre falta. Cruzamento no primeiro poste, e Dalmoro devia a marca 1x0.

Segundo gol: Pressão e bola roubada no meio de ataque, bola enfiada dentro da área entre o espaço do zagueiro e lateral, e Jorter marca, 2x0.

Terceiro gol: Bola roubada na nossa lateral esquerda, virada até o meio, circulada cerca de 7 passes até chegar na entrada da área, onde Cleivan finaliza e faz 3x1.

Acredito que, a análise e o planejamento deste adversário tenha sido fundamental para nossa equipe ganhar o jogo.



OS SLIDES ACIMA FORAM APRESENTADOS ANTES DO JOGO, CERCA DE 11:00 DA MANHÃ, ANTES DO ALMOÇO DOS JOGADORES.

OU SEJA, FIZEMOS UMA REVISÃO DE TODA A SEMANA, ANTES DO JOGO. É PRECISO TER CUIDADO COM O EXCESSO DE INFORMAÇÕES E COM O TEMPO!

NESTA MESMA COMPETIÇÃO UTILIZAMOS ALGUMAS VEZES VÍDEOS MOTIVACIONAIS, NÃO SOU MUITO ADEPTO DISSO, MAS ACREDITO QUE EM ALGUNS JOGOS AJUDOU A CONCENTRAR A EQUIPE, DENTRE ELES:

EC NOVO HAMBURGO 0X2 EC CRUZEIRO - JOGO QUE NOS CLASSIFICOU PARA A 3º FASE.

CE AIMORÉ 0 X 4 EC CRUZEIRO - JOGO ESTE QUE DEFINIU A CLASSIFICAÇÃO, SENDO QUE TÍNHAMOS QUE GANHAR POR 3 GOLS DE DIFERENÇA, E TORCER PARA QUE O INTERNACIONAL GANHASSE POR 2 GOLS DO GARIBALDI, INFELIZMENTE GANHAMOS POR 4X0 PORÉM O INTER ACABOU PERDENDO EM CASA POR 1XO, O QUE NOS ELIMINOU POR TABELA, CLASSIFICANDO O GARIBALDI.

EM OUTRO POST COLOCAREI VÍDEOS QUE FORAM MONTADOS EM DIFERENTES PRELEÇÕES. NEM TODAS AS PRELEÇÕES SEGUEM ESTE PROTOCOLO. NESTA MESMA EQUIPE TIVEMOS PRELEÇÕES DIVIDIDAS EM DUAS OU ATÉ TRÊS PARTES, SENDO UMA TÁTICA E OUTRA MOTIVACIONAL, OU UMA TÁTICA, OUTRA MOTIVACIONAL E OUTRA ESTRATÉGICA, DEPENDE DO PLANEJAMENTO DA COMISSÃO.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: SÁBADO E SEGUNDA FOLGAMOS, MAS EM CASO DE TREINO SEGUNDA PODERÍAMOS SEPARAR MELHOR O CONTEÚDO DE INFORMAÇÕES, ISSO NÃO É FIXO VAI DO BOM SENSO DA COMISSÃO EM SENTIR A DISPONIBILIDADE DE CONCENTRAÇÃO DO GRUPO.

Um abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com