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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

II SEMINÁRIO DE FUTEBOL

Repetindo:

"Quem só teoriza não sabe
Quem só pratica repete
O saber nasce da conjugação
da teoria e da prática."

Manuel Sérgio


Parabenizo à todos os organizadores do ll seminário que ocorreu no fim desta semana no Grêmio FBPA. Pela qualidade e pela organização. Em especial os professores Thiago Duarte, Marcelo Koslowsky e Cícero Moraes.

Quanto aos temas, parabenizo os palestrantes espanhois, principalmente relativo ao assunto do Modelo de Jogo do Barcelona, do qual gosto muito e pude acrescentar muito na minha percepção sobre este fenômeno.

Também parabenizo os professores João Paulo Medina, que de fato é uma verdadeira lenda no nosso futebol, pela apresentação e qualidade com que passou seus conhecimentos, e em especial quero dar destaque ao professor Alberto Monteiro, pela grande qualidade do assunto que abordou, da forma como abordou e pela importância que vejo o mesmo ter em termos do contexto do futebol, mas também em coisas acima do jogo, como a questão dos valores, que vai a um encontro muito próximo da problemática que postarei abaixo. Os valores. Porém os valores irão depender de questões mais complexas que estão acima, numa espécie de efeito cascata que provocam. Questões estas que são a Percepção e a Reflexão.

E para finalizar e contextualizar meus comentários abaixo, que na verdade não são meus, e sim citações de outras pessoas, mas que vão ao encontro do que gostaria de salientar, quero parabenizar o professor Nuno Amieiro, pela profundidade que abordou a Periodização Tática, que de fato provoca muitos atritos e divergências, e para mim tudo vem de uma questão que é relativamente simples: Medo.

O medo do novo, o medo de não conseguir, de não aprender, de errar, o medo de refletir, medo de reorganizar, de Mudar. É compreensível este medo, e é pertinentes aqui dizer que este medo afasta muitas pessoas desta concepção metodológica.

Mas a raiz deste medo para mim não é esta questão metodológica, mas sim uma questão que abordei no post anterior, a questão da matriz filosófica digamos assim, a forma como se percebem os fenômenos. E ai, não adianta querer entender nada complexo, em qualquer área que seja, pois não haverá contexto mental para que isso seja entendido, para que algum entendimento aconteça (para alguns com menor resiliência), ou um "estranhar" positivo, para um futuro "entranhar" é necessário ter um pano de fundo do que sustenta esta metodologia, se não o que acontece é que este "estranhar" acaba sendo negativo, e passa a nem surgir o futuro "entranhar".
Vejamos:

" O Aspecto mais interessante da visão de mundo de uma sociedade é que os individuos que aderem a ela, na maior parte , são inconsciêntes de como ela afeta o seu modo de fazerem as coisas, de perceberem a realidade em torno deles. uma visão de mundo funciona na medida em que é tão internalizada, desde a infância, que permanece não questionada. Somos tão presosno nosso paradigma, que todos os outros modos de organizar nossos pensamentos parecem totalmente inaceitáveis."

Maria José Esteves de Vasconcellos - Pensamento Sistêmico: O novo paradigma da Ciência - 8ª Edição - 2009


Luis Esteves: O que é o Modelo de Jogo na sua Visão?

Jorge Maciel: essa é uma noção central para quem quer perceber o que é a Periodização Táctica. Aliás por norma há uma associação quase directa, por parte da generalidade das pessoas, entre a Periodização Táctica e a designação Modelo de Jogo. Contudo, penso não haver na generalidade das vezes uma correcta apreensão daquilo que representa e é o Modelo de Jogo para a Periodização Táctica. Penso mesmo que há uma banalização e consequente deturpar do conceito. Confunde-se muitas vezes Modelo de Jogo com a concepção de jogo, a organização estrutural da equipa, com o dito sistema de jogo e com outros aspectos. O principal motivo para tais equívocos resulta das pessoas, e também as instituições, estarem ainda muito presas ao convencionalismo científico. Mark Twain dizia que “para aqueles que têm apenas um martelo como ferramenta todos os problemas são pregos”, e é precisamente esse o problema que se coloca a quem quer seguir o caminho da Periodização Táctica, ou seja o caminho da complexidade. Por isso mesmo tomando-se tal decisão, tem de se ter consciência que se a nossa ferramenta é a complexidade então todos os problemas são complexos e requerem tratamento complexo. Portanto, quando nos referimos à noção de Modelo de Jogo cortamos com a ideia tradicional que resulta da modelação matemática, linear. Referimo-nos antes a uma concepção bem mais complexa e dinâmica da ideia de Modelo, o que implica a necessidade de conceber e tentar perceber a complexa noção de Modelo de Jogo de acordo com a ideia de Metamodelação ou Modelação Sistémica.

Luis Esteves - Entrevista com Jorge Maciel


Acho pertinente dizer que, ao incitar esta abertura de visão, digamos assim, não quero que amanha os jogadores, ou os diretores estejam falando sobre complexidade, sistemas complexos, pensamento complexo, nada disso, mas cabe a nós criarmos contextos para que os comportamentos sejam guiados para este lado.

Inclusive isso para mim fez parte da palestra do professor Alberto Monteiro, que entrou na questão dos valores e do maior câncer da sociedade atual para mim, que é a questão da relação processo-x-resultado, no futebol (e não só no futebol), mas a luz da filosofia e do pensamento de pessoas históricamente ligadas  a esta área, a quando se trás estas coisas para o futebol, grande parte das pessoas "do campo" tendem a entender isso como um maléfico "teorismo", chamando estas pessoas de "teóricos", o que para mim não existe.

Esta visão, este conhecimento adquirido também para mim foi colocado, em outras palavras pelo professor João Paulo Medina, no quadro em que descreveu um tipo de sequência de aprendizado, digamos assim, em que Dados nos levam a Informações, que ao serem absorvidas de forma verdadeira, nos levam a Conhecimento, e este consequentemente a reflexões que passam a ser Sabedoria, dentro da minha lógica de interpretação do que foi dito.

 Porém, acho que ter essa visão ajudaria muito os treinadores, preparadores, auxiliares, preparadores de goleiros, gerentes, que por gerirem o processo da equipe, possam ter como ferramenta principal uma forma muito mais coerente de ver a realidade do jogo de futebol, e todos os fenômenos complexos.

Grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A ORGANIZAÇÃO DO JOGO

Tenho o prazer de publicar o artigo enviado a mim pelo professor Thiago Duarte. Conheci o professor num destes momentos em que não há uma idéia planejada e o acaso simplesmente acontece mesmo acreditando que as coisas não acontecem por acaso, e através de algumas particularidades tive a possibilidade de ir até o Grêmio FBPA em 2009 e lá conversar com os professores Lucas Oliveira, Rafael Vieira e Thiago Duarte. Fui até lá e em meio a conversar sobre meu Gerenciador chegamos ao assunto periodização tática. Vale dizer que o pessoal citado, formavam (e ainda forma, com exceção do professor Rafael Vieira que hoje esta na seleção brasileira) na época a equipe da CDD do Grêmio, responsável pela análise de desempenho da equipe profissional, dentre outros serviços ao clube. Ao conversarmos sobre periodização tática, Lucas, Thiago e eu, falamos de diversos sub-assuntos e essa conversa para mim pessoalmente foi uma verdadeira descoberta guiada, pois dali retirei posteriormente a idéia de construir esse blog. Então tenho uma verdadeira gratidão a estas pessoas pela abertura e a disponibilidade de desenvolver conhecimento dentro de uma área tão competitiva como é o futebol. Obrigado Rafael,  Thiago e Lucas por aquela conversa. As imagens são por minha conta.

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ARTIGO DE REFLEXÃO


Organização ou Organiza"ação"

Thiago C. Duarte
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"...quem não sente, não entende!"
" Um treinador de futebol que só sabe de futebol é um péssimo treinador de futebol"
Vitor Frade

Organização é o resultado da relação/interação entre ordem e desordem em um sistema, que formam por si só só um novo sistema organizado e organizante.

Difícil é estabelecer o equilíbrio entre ordem e desordem a fim e se criar um sistema organizado. Portanto tendo em vista a construção de uma organização, o que causa inquietação e indagação é a sua p´ropria construção: A organização deverá ser construída a partir do todo (A partir da ordem), ou se ela deverá ser construída a partir da interação das suas partes (a partir da desordem)?

Se a organização que se pretende é uma organização complexa (flexível e regenerável) tende-se a edificar a partir da interação de suas partes. Caso pretenda-se uma organização rígida e estável tende-se a construir a partir do todo pretendido. dentro do futebol é possível visualizar essa afirmativa muito claramente.
"O que a organização perde em coesão e rigidez ao se complexificar, ela ganha em flexibilidade, em aptidão a se regenerar, a jogar com o acontecimento, com o acaso, com as perturbações"
Edgar Morin



Quando há um encontro entre equipes "Desorganizadas" versus "Organizadas" , pensamos a priori que este confronto irá favorecer as equipes "organizadas". Mas, comumente, não é isso que acontece. Desorganizar uma organização desorganizada ( baseada em ações que que se ordenam e não na ordem pela ordem)  é muito mais complexo do que desorganizar uma organização organizada. Talvez seja por isso que é muito mais fácil quebrar um copo de vidro do que um copo de plástico, pois as moléculas do vidro estão mais rígidas e mais ordenadas em suas ligações, do que as de plástico. Neste caso o equilíbrio entre ordem e desordem, inclina-se muito mais para a ordem que à desordem.

Abalar o equilíbrio entre ordem e desordem é o que desorganiza qualquer tipo de organização. Seja ela organizada ou desorganizada. O difícil é encontrar a ordem na organização desorganizada com o intúito de desorganizá-la (...como é difícil encontrar padrão na maioria das equipes do futebol brasileiro).

Encontrar um padrão nas equipes desorganizadas, achar ordem na estrutura que pondera muito mais para a desordem, é muito complexo. Dentro de campo, talvez isto seja possível apenas com atletas que consigam ler o jogo, interpretar o que as interações do Futebol estão à dizer naquele momento. Verdadeiramente assim conseguiremos abalar a estrutura de qualquer organização, esta simbiose dicotômica entre ordem e desordem. Ter aquele(s) atleta(s) que tenha(m) a capacidade, inata ou adquirida, de abalar o equilíbrio instável da organização dentro do jogo.


"Em momentos de construção de um time, temos que ter princípios fundamentais e ele representa todos estes princípios: Ambição, Disciplina e Solidariedade."
José Mourinho, AS - 01/10/10

Uma equipe organizada no Futebol é flexível ao momento para manter sua rigidez. No qual em determinado momento do jogo (ofensivo, defensivo e transição) ela tem que ser flexível para manter a rigidez da equipe. Todavia, o atleta precisa ser criativo e ter liberdade, dentro desta organização que se pretende, afim de cumprir esta estabilidade necessária, neste momento.

No futebol, eu diria que a organização de uma equipe é o encadeamento das relações/interações entre cada atleta que produz uma unidade complexa/sistema. Porém não podemos esquecer que o Futebol é o confronto de duas equipes, ou seja, de dois sistemas, por via, de duas organizações. Assim esse encontro causa uma nova organização entre dois sistemas. Ao final essa organização será favorável à uma equipe ou outra.

Toda organização (no Futebol ou não) comporta diversos níveis de subordinação quanto aos seus componentes. No entanto, o desenvolvimento dessa organização não significa necessariamente crescimento das imposições, das leis impostas sobre os atletas; a verdadeira organização, dita complexa, se estabelece nas "liberdades" dos indivíduos que constituem a equipe de Futebol.  Há sempre, em todos os sistemas (E digo aqui o futebol como um sistema), mesmo nos que excitam criatividade, ligações entre as partes, coerções, que impõem graus de restrições e servidões. O todo assim, neste sentido, é menos que a soma das suas partes. Pois no futebol determinamos e desenvolvemos especializações e hierarquizações, servidões e repressões.
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" En el campo, el Barcelona é lo mismo de antes. Pero en el club en habido cambios y la cuéstion és que no afecten a un modelo que tanto éxitos ha dado y que el mundo entero admira, mejor no tocarlo"
Cruyff
2010


Portanto, o Sistema Futebol é ao mesmo tempo mais, menos e diferente que a soma dos seus atletas (suas partes). Mas também é verdade que fora do Sistema Futebol, os atletas são menos, eventualmente mais, de que qualquer forma do que ele seriam dentro da equipe de Futebol. Mas por quê? Porque cada atleta tem uma dupla identidade (Iniesta é sempre Iniesta, porém há muitos Iniestas, um que interage com Xavi, outro que interage com Touré, assim como outro que joga na seleção espanhola com Xabi Alonso). Uma identidade dentro do Sistema Futebol e outra fora do Sistema Futebol. Ele tem uma identidade própria e participa da identidade da equipe (o jogar que se pretende). Por mais diferentes que a identidade de cada atleta possam ser, eles ao constituírem um sistema têm pelo menos uma identidade comum de vinculação à identidade da equipe e de obediência as regras organizacionais.

Por exemplo, nas sociedades humanas, o indivíduo tem a dupla identidade, pessoal, profissional, e familiar. Não nos comportamos da mesma forma em nosso ambiente de trabalho, com os amigos, com o cônjugue, etc. Mas isso não quer dizer que somos falsos ou qualquer coisa do tipo. Isso quer dizer que em cada ambiente social temos restrições e servidões diferentes, pois as interações que temos com o meio e com as pessoas que constituem o ambiente faz com que tenhamos estes comportamentos distintos e diversos (Constrangimentos coletivos; tarefa, meio e do envolvimento).

"Por fuera todo parece igual. Pero por dentro no lo es."
Cruyff
2010



O que é necessário compreender são as características de cada atleta. A equipe deve ser uma unidade, pois ela é formada por atletas que são diferentes, porém inter-relacionados. Cada atleta dispõe de qualidades próprias e irredutíveis, mas elas devem ser construídas e organizadas (Por isso é importante pensar a ordem através da ação a Organiza"ação" e não a ação através da ordem).


"O segredo do bom futebol actual é, os jogadores mesmo em posições diferentes em campo, pensarem a mesma coisa, ao mesmo tempo, em cada situação de jogo, não distinguindo a defesa e o ataque (e missões) de forma tão clara pelos seus intérpretes. Começar a atacar (recuperada a bola) pelos defesas e começar a defender (perdida a bola) pelos avançados. Viverem no mesmo território de elite apesar de terem vindo de "planetas" diferentes."
Lobo
2010



Com isto, não se pretende total subordinação das ações individuais às coletivas, ou seja, o que se quer é que cada atleta encontre dentro desta concepção de organização coletiva o espaço necessário para refletir a sua própria personalidade/identidade, improvisação e criatividade. Pretende-se assim assegurar a coordenação e cooperação dos seus comportamentos, pois parece ser este o aspecto que consubstancía o aumento da eficácia da equipe.

Contudo, "Não necessariamente a maior eficiência leva a eficácia" . Aliás um dos problemas mais complexos que determinam a eficácia de qualquer estrutura de uma equipe de Futebol é a forma como os atletas desenvolvem a sua ação dentro da organização da própria equipe.




"Sim Mister, ele faz isso, sim. E vai fazer outra vez neste jogo. Mas...Quando?"

"FORMAR (Criar situações para que a equipe forma a sua identidade) e não FORMATAR (Impor uma identidade."

 "É preciso pensar o futebol a partir da bola"
Vitor Frade.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PESSOAIS:

EQUIPES ORGANIZADAS X EQUIPES DESORGANIZADAS

Concordo com o professor quando diz que é muito dificil desorganizar algo que já esta desorganizado, é mais difícil do que desorganizar algo organizado, pelo simples fato de que é possível criar uma estratégia para isso, ou seja, quando se prevê um comportamento, é possivel criar previsões de um contra-comportamento, mas quando não existe um padrão de comportamento isso se torna muito mais imprevisível.

FORMATAÇÃO X FORMAÇÃO

Esse é pra mim um ponto importante de discussão. Formar ou formatar? Eu atualmente tento formar equipes, porém dentro de uma formatação prevista. Ou seja, formo pois a equipe em sí tem seus componentes e eles ao interagirem acabam Formando um novo sistema, porém este sistema precisa ser formatado por um determinado comportamento pré-estabelecido, porém flexível, e certamente em meio a esta Formação, alguns conceitos em termos hierárquicos podem sofrer alterações, ou seja, coisas perdem e ganham importância com determinados jogadores. Porém acredito que não deva haver uma prostituição do treinador, se um treinador é contratado por um clube, existe a lógica de que ele foi contratado por um histórico, então, não há sentido em mudar tudo, porém pequenos ajustes obrigatóriamente precisam ser feitos pelo simples processo histórico do clube.

AS INTERAÇÕES DO SISTEMA

É outro ponto interessante. Considerando uma escalação, não devemos subestimar a estrutura de jogo. Embora ela seja menos importante do que o Modelo, e seja possivel usar estruturas parecidas em modelos diferentes, a estrutura proporciona em sí a maior parte das interações entre os elementos do sistema. Portanto é diferente colocar por exemplo um jogador em uma ponta direita, por exemplo, que terá interações com os jogadores que jogam por ali, pode facilitar ou não o jogo deste jogador, por isso a estrutra também deve ser muito valorizada e consequentemente os contatos de interação que irão gerar os jogadores de posições próximas, além da facilitação ou não de determinados comportamentos do modelo.

A DESORGANIZAÇÃO ORGANIZADA

Ao meu ver, quando jogamos contra equipes sem padrão em termos mais aprofundados, pois acredito que sempre exista um padrão, mesmo que o padrão seja não ter padrão. E ai entramos na pergunta: Como jogar contra uma equipe que não apresenta um comportamento lógico? A meu ver a unica solução é ter um Modelo de Jogo flexível, a ponto de mesmo não mudando, se ajustar a determinados processo e e desta forma conseguir impor o seu tipo de jogo. Ou seja, a unica coisa que eu acho que não deva ocorrer é a modificação do comportamento em molde do constrangimento proposto pelo adversário. É fundamental acreditar no modelo, porém também é fundamental que este modelo seja variado a ponto de prever diversos tipos de jogo.

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Grande abraço
Luis Esteves

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PROMOÇÃO GERÊNCIADOR!



Estou fazendo duas promoções do dia 13 até o dia 31 de Dezembro de 2010 relacionada ao gerenciador que venho comercializando no blog. Estarei dando o desconto do envio para qualquer lugar do Brasil. Ou seja, até a data acima citada o gerenciador terá o custo de 100 reais. Após esta data o preço volta ao normal e o valor passa novamente a 100 reais + o preço do envio.


A segunda promoção é que nestes gerenciadores comercializados nesta data estarei enviando junto, dentro do programa o Caderno de Organização para Treinadores e profissionais do futebol, que pode ser visto em:


( O caderno neste caso será enviado por PDF e deverá ser impresso).

Sobre este assunto contacte diretamente em:
la_futeboll@hotmail.com

domingo, 7 de novembro de 2010

UMA INTERPRETAÇÃO SOBRE SISTEMAS DENTRO DE SISTEMAS


Critérios do pensamento sistêmico:

Talvez seja conveniente, neste ponto, resumir as cerectaristicas-chave do pensamento sistêmico. O primeiro critério, e o mais geral, é a mudança das partes para o todo. Os sistemas vivos são totalidades integradas cuja propriedade não podem ser reproduzidas às de partes menores. Suas propriedades essenciais, ou "sistêmicas" são propriedades do todo, que nenhuma das partes possui. Elas surges das "relações de organização" das partes - isto é, de uma configuração de relações ordenadas que é característica dessa determinada classe de organismos ou sistemas. As propriedades sistêmicas são destruidas quando um sistema e dissecado em elementos isolados.

Outro critério-chave do pensamento sistêmico é a sua capacidade de deslocar a própria atenção de um lado para o outro entre níveis sistêmicos - por exemplo, um conceito de estresse a um organismo, a uma cidade ou a uma economia - podemos, muitas vezes obter importantes introvisões. Por outro lado também temos que reconhecer que, em geral diferentes níveis sistêmicos representam diferentes níveis de complexidade. Em cada nível, os fenômenos observados, exibem propriedades que não existem em níveis inferiores. As propriedades sistêmicas de um determinado nível são denominadas propriedades "emergentes", uma vez que emergem deste nível em particular.

Na mudança do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico, a relação entre as partes e o todo foi invertida.

CAPRA
1997

AOS AMIGOS QUE FREQUENTAM ESTE BLOG, ACONSELHO A LEITURA DOS LIVROS:

O PONTO DE MUTAÇÃO

E a continuação deste...

A TEIA DA VIDA
Uma nova compreensão científica dos sistemas vivos


(Este livro em especial é fantástico)

Os dois livros de Fritjof Capra
Livros de ótima qualidade para o melhor entendimento sobre sistemas vivos


BRINCANDO DE SISTEMAS

COMPLEXIDADE DOS ELEMENTOS GENÉTICOS DO JOGADOR



COMPLEXIDADE DOS ELEMENTOS ADQUIRIDOS DO JOGADOR



COMPLEXIDADE DOS ELEMENTOS DA EQUIPE



COMPLEXIDADE DOS ELEMENTOS DA SOCIEDADE FUTEBOL



Um grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A RELAÇÃO COMPLEXIDADE X PERIODIZAÇÃO TÁTICA

A contribuição da teoria da complexidade à modelagem de sistemas

Maria Silene Alexandre Leite (UFSC) leite@eps.ufsc.br

Antonio Cesar Bornia(UFSC) cesar@eps.ufsc.br

Christianne Coelho de S. R. Coelho (UFSC) CCSRC@uol.com

Resumo

Este artigo discute algumas questões pertinentes a modelagem de sistemas. Aborda-se diferenças essenciais entre os distintos tipos de sistemas e a intervenção apropriada, diantedas características particulares de cada um. Para isso, descreve-se a abordagem cartesiana,a abordagem holística, a abordagem dos sistemas complicados e a abordagem dos sistemas complexos. O objetivo é evidenciar as diferenças entre as abordagens apresentadas e mostrarque a modelagem aplicada ao sistema deve considerar as peculiaridades de cada abordagem.

Palavras-chave: modelagem, sistema, complexidade.

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1. INTRODUÇÃO

É comum a afirmação de que a sociedade atual possui um funcionamento mais complexo doque as sociedades que a antecederam. A percepção do acelerado aumento de problemas nasrelações individuais, sociais e culturais associado à crescente incerteza do ambiente, leva abusca de novas alternativas de intervenção neste ambiente mais complexo e mutável. As alternativas de intervenção começam pelo seguinte questionamento:

Como o observador percebe o sistema analisado?

O observador é o sujeito que intervêm no sistema, delimitando e determinando-lhe objetivos. Assim, de acordo com sua visão o sistema será modelado.A modelagem, por sua vez, assume, mais freqüentemente, o caráter analítico não respondendo, eficientemente, as necessidades dessa sociedade mais complexa.Os modelos analíticos subdividem os problemas para dominá-los. A modelagem analítica busca explicar os problemas, isolando-os da realidade global. Só assim é possível controlar as interferências externas e conseguir resultados precisos e certos. Esta abordagem proporcionou o desenvolvimento da ciência e possibilitou ao homem avançar seus conhecimentos sobre o funcionamento do universo.

Contudo, os modelos analíticos desconsideram a interferência do global no particular e vice-versa, o que impede o completo entendimento dos mecanismos reguladores e das repercussões alcançadas pelo sistema estudado. Isto reduz a riqueza do sistema a uma visão cartesiana da realidade. Sendo assim, os modelos sistêmicos, da mesma forma que os sistemas analíticos, também subdividem os problemas para estudá-los, mas consideram a parte subdividida integrada aocontexto global da qual foi recortada. A abordagem sistêmica busca compreender o contextodo problema para, a partir disto, criar uma realidade inteligível. Esta abordagem entende que o risco e a incerteza fazem parte do contexto e que a intervenção humana apenas a reduz. É importante ressaltar, que, o mundo civilizado ocidental foi construído a partir de modelos analíticos. Por isso, a própria educação desintegra as áreas da ciência umas das outras, dandoa impressão errônea, de que são separadas e sem comunicação. O objetivo desse artigo é mostrar as diferentes abordagens para modelar um sistema eapresentar a importância da teoria da complexidade neste processo.

2. Breve abordagem da teoria da complexidade

O termo complexidade é de difícil conceituação. Existem muitas definições de complexidade, algumas enfatizam a complexidade do comportamento do sistema, outras enfatizam a estrutura interna do sistema, seu funcionamento. Por outro lado, o conceito complexidade pode ser encontrado em vários campos, desde os sistemas naturais, representados pelos sistemas biológicos, físicos e químicos aos sistemas artificiais, tais como sistemas computacionais e estruturas organizacionais.

Gell-Mann (1996) discute a questão da simplicidade e da complexidade relacionadas respectivamente a complicação e a complexidade. Ele diz que simplicidade se refere à ausência (ou quase ausência) de complexidade. Enquanto a primeira palavra é derivada de uma expressão que significa “que já foi dobrado”, a última vem de uma expressão que significa “trançados juntos”. Nota-se que plic para dobrar e plex para trançado vem da mesma raiz indo-européia plek. A palavra original complexus significa “entrelaçado”, “torcido junto”.

Segundo Heylighen(1988) para ter a complexidade é necessário que o sistema possua:

(1) duas ou maispartes ou elementos diferentes;

(2) que as partes ou elementos sejam conectadas.

Pode-se perceber que a definição básica de complexidade apresenta um aspecto dual, ao mesmo tempo em que apresenta partes diferentes são unidas pelas interações. Os termos teoria da complexidade, teoria do caos, teoria das catástrofes, geometria fractal e a física quântica são chamadas de novas ciências. Elas apresentam em comum o conceito de complexidade como guia de seu funcionamento. São, também, denominadas de novas ciências por considerarem a incerteza e imprevisibilidade que conectam os fenômenos.

Esta abordagem se opõe à visão tradicional do pensamento organizacional, que pressupõe relações lineares de causa e efeito aplicando os conceitos da física de Newton á gestão das empresas. No entanto, o limite entre uma teoria e outra, nem sempre, é apresentado com clareza na literatura. Todas elas estão ligadas, de certa forma, pela essência do conceito de complexidade. A história da teoria da complexidade no decorrer do século XX pode ser descrita, segundo Abraham (2002), pela associação de três campos da ciência: a cibernética, a teoria dos sistemas e os sistemas dinâmicos. A cibernética é um campo interdisciplinar, surgido oficialmente em 1946 em New York, por um grupo de oito cientistas que vinham de áreas diferentes. Da matemática: Norbert Wiener,Jonh Von Neumann, Walter Pitts. Da engenharia: Julian Bigelow e Claude Shannon. Da Neurobiologia: Rafael Lorente de No, Arturo Rosenbluenth e Warren McCulloch. Mais adiante, se juntaram a este grupo antropólogos e cientistas sociais. Alguns dos assuntos estudos pelo grupo foram: redes de feedback, inteligência artificial, comunicação, entre outros.

A teoria geral dos sistemas foi reconhecida, no meio cientifico, como o contraponto europeu ao movimento cibernético americano. Seu surgimento oficial ocorreu em 1956, com a criação por Ludwig Von Bertalanffy da sociedade para a pesquisa do sistema geral, em Stanford. Ele migrou, em 1950, de Vienna para América do Norte, tendo como principais idéias: holismo,organicismo e sistemas abertos. A teoria dos sistemas dinâmicos é um amplo ramo da matemática criado por Isaac Newton eatualizado por Poincaré em 1880. Após 1975, tornou-se conhecida como teoria do Caos, seguindo o impacto da revolução dos computadores e a descoberta dos atratores caóticos. A aplicação da teoria dos sistemas dinâmicos engloba a matemática, a biologia, a medicina e asciências sociais.

Deste o surgimento dos computadores analógicos e digitais, no século XX, sua aplicação se expandiu e ganhou importância. Sua difusão deve-se, principalmente, aostrabalhos de Jay Forrester e seu grupo no M.I.T.Entre os três campos anteriormente descritos, podem existir várias e diferentes conexões deacordo com os objetivos do estudo. As ligações entre as comunidades interdisciplinarescrescem em número e intensidade, difundido a importância de usar as teorias dacomplexidade , como foram denominadas as conexões criadas entre a cibernética, a teoriageral dos sistemas e a teoria dos sistemas dinâmicos, no estudo dos sistema complexos. A teoria da complexidade pode apresentar importante contribuição ao estudo dos sistemas complexos. Ela dispõe de esquemas apropriados à representação de sistemas que convivemcom a dialógica partes distintas - unidas pelas interações.

3. O conceito de Sistema

Definir o termo sistema não é uma tarefa fácil. Existem muitos conceitos e usos do termo.Inicia-se a discussão pela dissertação feita por Morin (1977) a respeito da co-existência dos sistemas. Ele busca disseminar o conceito de sistema, mostrando que o ser humano é um sistema constituído por vários sub-sistemas e integrante de outros sistemas maiores. A maioria das definições de sistema, do século XVII até o surgimento da teoria geral dos sistemas com Von Bertalanffy (1956), reconhecia como características para identificação de um sistema o aspecto global e o aspecto da inter-relação dos elementos. Isto, devido ainfluência recebida dos matemáticos que consideravam o sistema como um conjunto de elementos em interação.

Morin (1977) diz que estes dois aspectos se complementam e se sobrepõem sem jamais realmente se contradizer. Assim, cita-se alguns conceitos de sistemaspara exemplificar.Um sistema “ é um conjunto de partes” (LEIBNIZ,1666 apud MORIN,1977); um sistema “ étodo conjunto definível de componentes” (MATURANA e VARELA, 1997); um sistema “é um conjunto de unidades em inter-relações mútuas”( VON BERTALANFFY, 1968);umsistema “é a unidade resultando das partes em interação mútuas”(ACKOFF,1960 apudMORIN,1977); um sistema “ é um todo que funciona como todo em virtude dos elementosque o constituem” (RAPPORT,1968 apud MORIN,1977). Um sistema “ é um conjunto deelementos em interação.” (THOM,1974). Um sistema “ é uma representação de um recorte darealidade que se possa analisar como uma totalidade organizada, no sentido de ter um funcionamento característico”(GARCÍA,2002).

Observando os conceitos citados anteriormente, pode-se notar que o conceito de organização não aparece em nenhum deles. Morin (1977) diz que a incorporação da organização ao conceito de sistema foi introduzido por Saussure, em 1931, na seguinte definição: “ o sistema é uma totalidade organizada, feita de elementos solidários só podendo ser definidos uns em relação aos outros em função de seu lugar nesta totalidade.”Assim, podemos conceber um sistema como uma unidade global organizada de inter-relaçõesentre elementos, ações e indivíduos. (MORIN,1977) Por outro lado, não basta somente conhecer os conceitos de Sistema é necessário conhecer, também, os tipos de sistemas. Os sistemas lineares foram os mais desenvolvidos e utilizados,dado a sua facilidade de intervenção e o desenvolvimento e difusão dos princípios da ciência clássica, tendo seu apogeu com a física de Newton, da qual derivou todas as metodologias cartesianas, determinísticas e reducionistas. Esses sistemas são baseados em hipóteses reducionistas da realidade, tais como: a previsibilidade, a otimização global e a precisão dos dados.

Já os sistemas dinâmicos representados por equações diferenciais não-lineares são baseados na diversidade, na imprevisibilidade e na incerteza presentes na realidade. ElesConsideram a complexidade existente em todos os sistemas vivos. Assim, segundo Capra(1996) alguns cientistas começaram a perceber que as soluções dadas pelas equações deNewton estavam restritas a fenômenos simples, regulados e complicados, enquanto acomplexidade de várias áreas pareciam esquivar-se de qualquer modelagem mecanicista oureducionista. Para Prigogine (1997) iniciava-se, um questionamento sobre a aplicação damecânica Newtoniana ao desenvolvimento dos seres vivos.A visão Newtoniana do mundo, apesar de suas limitações comprovadas, resiste até hoje dentro de determinados graus de intervenção. Contudo, sabe-se que, diante da incerteza do mercado, da concorrência crescente, do rápido fluxo de informações e das novas formas de organizações empresariais, é preciso incorporar à gestão aspectos como: a incerteza, a imprevisibilidade, a não linearidade e a complexidade inerente aos sistemas. Nesse sentido, a teoria da complexidade pode contribuir com uma base científica mais apropriada às novas tendências organizacionais. As abordagens determinísticas e cartesianas são apropriadas aos sistemas complicados, mas apresentam muitas limitações quando aplicadas aos sistemas complexos.

Segundo Snowden (2003), um sistema complicado é constituído de inúmeros componentes que podem ser identificados e definidos. As relações entre esses componentes também podem ser identificadas e definidas. Dessa forma, as causas e os efeitos podem ser separados e, compreendendo suas ligações, é possível controlar os resultados. O sistema pode ser melhorado pela otimização de suas partes, uma vez que o todo não é mais nem menos que a soma delas. Já os sistemas naturais e humanos são complexos. Um sistema complexo inclui muitos agentes que interagem entre si. Axerold e Cohen (2000) tratam os agentes como sistemas que possuem a habilidade de interagir com seu ambiente, incluindo outros agentes. Um agente pode responder ao que acontece em sua volta e realizar ações com maior ou menor propósito. É natural que, ao se pensar em agente, imagine-se uma pessoa. Contudo, observando esta definição, pode-se perceber que um agente não é necessariamente uma pessoa. A família, os negócios, ou um país inteiro pode, também, ser um agente. Mesmo um computador interagindo com outro pode ser considerado um agente. Nota-se a necessidade de observar o sistema, buscando perceber suas características, suas partes, as propriedades de cada parte e as conexões que as unem. Após, equacionar as peculiaridades do sistema estudado à forma de intervenção mais adequada.

4. Os sistemas, a complexidade e os métodos de modelagem

A complexidade de um sistema é, freqüentemente, relacionada a seu número de componentes,seus relacionamentos e os diversos fatores associados ao observador. Para ser complexo o sistema precisa possuir duas ou mais partes diferentes com conexões entre as partes que dificulte a sua separação. O conceito de sistema complexo traz a dualidade distinto-conexo. Esta dualidade estimulou o estudo dos tipos de intervenções adequadas a sistemas com tais características.

Heylighen (1988) diz que não é possível analisar um sistema complexo separando seus componentes em elementos independentes, sem que este sistema seja destruído. Logo, o método reducionista não pode ser usado para compreender um sistema complexo. O método reducionista não é adequado a modelagem de sistemas complexos por que não considerar as conexões entre os componentes, desconsidera-as para simplificar o problema. Esta constatação conduziu ao desenvolvimento do método holístico, o qual se opõe ao reducionismo, por considerar o sistema complexo como um todo, desconsiderando as partes distintas que o compõe, vendo o sistema como um todo único, sem, portanto diferir em suas partes. A abordagem holista, também não é adequada a modelagem dos sistemas complexos, por desconsiderar uma característica essencial: as partes distintas.

Outras abordagens podem ser citadas como a e Weaver(1948) apud Wu (1999) que identificou três escalas da complexidade: simplicidade organizada, complexidade organizada e complexidade desorganizada que corresponde a classificação de Weinberg’s, de 1975, em sistema com pequeno número de elementos, médio número de elementos e grande número de elementos. A simplicidade organizada caracteriza sistemas com pequeno número de significativos componentes que interagem de forma determinística e podem ser analisados pelos métodos reducionistas, cartesianos. A complexidade desorganizada ocorre quando o sistema possui um grande número de significativos componentes que demonstram alto grau de comportamento aleatório, podendo ser analisados por métodos estatísticos. A complexidade organizada caracteriza sistemas que envolvem muitos componentes, mas somente um limitado número de componentes são significativos ao objetivo do sistema. Para estes sistemas os métodos reducionistas e estatísticos são inadequados à sua análise, no primeiro caso por possuírem mais componentes do que os métodos reducionistas podem analisar, no segundo caso porpossuírem poucos componentes para alimentar os métodos estatísticos e, ainda,comportamento não aleatório impossibilitando o uso de métodos estatísticos tradicionais. A abordagem apresentada por Le Moigne (1977) diz que a complexidade implica imprevisibilidade, a emergência do novo e da mudança no interior do sistema. Para um observador o fenômeno é complexo quando apresenta uma certa imprevisibilidade potencial dos comportamentos. Já a complicação pode ser determinada, prevista e extinta. Snowden(2003) diz que num sistema complicado seus milhares de componentes e relações são passíveis de identificação e definição e podem ser catalogados.

Causa e efeito podem ser separados e, pela compreensão de suas ligações, é possível controlar os resultados. Em um sistema complexo, os componentes e suas interações estão em constante mudança e nunca épossível estabelecê-los completamente. O sistema não pode ser reduzido. Causa e efeito não podem ser separados porque estão fortemente interligados.

Complementando, Iarozinski(2001) diz que um aspecto chave da percepção do complexo reside na diferença entre a variedade do observador e a variedade do fenômeno observado. Se esta diferença é igual a infinito (todo o estado é possível) o fenômeno será percebido como complexo. Se esta diferença é finita (nem todos os estados são conhecidos, mas podem serdescritos) o fenômeno será percebido como complicado. Se ela é igual a zero (o observador conhece todos os estados) o fenômeno será percebido como simples. Pode-se perceber que enquanto os sistemas foram considerados lineares, com relações diretas de causa e efeito os métodos cartesianos de intervenção eram adaptáveis. No momento em que houve a percepção dos diferentes tipos de sistema, observou-se que determinados tipos,os complexos, necessitavam, de um método que considerasse a sua dualidade partes distintas conexões.Para os sistemas complexos é adequado método sistêmico. Apesar, dessa percepção a visão cartesiana dos fenômenos continua se sobrepondo comométodo intelectual de análise e intervenção dos fenômenos. Isto ocorre devido a maior facilidade de intervenção oferecida pelos métodos cartesianos. Eles consideram os problemas como sistemas complicados que podem ser simplificados e explicados. Enquanto as metodologias sistêmicas consideram os problemas como sistemas complexos, sendo modelados e compreendido ao mesmo tempo.

A compreensão ocorre por meio da construção edo conhecimento da inteligibilidade do problema. Os métodos cartesianos são adequados à pesquisa em sistemas complicados, como as máquinas e os computadores, mais insuficientes para pesquisar os sistemas caracterizados pela complexidade, como os sistemas sociais e humanos. Iarozinski (2001) diz que nos sistemas simples ou complicados o controle pode ser total. Estessistemas podem ser controlados a partir de uma base de regras programada, já que a suaevolução é conhecida e previsível. O funcionamento e a evolução destes sistemas estãolimitados pelo grau de sofisticação do sistema de controle.Nesse sentido, Le Moigne (1977) diz que a passagem da complicação à complexidade implica um limiar, uma mudança de método intelectual. Os sistemas que precisam ser representados e operacionalizados, já não são apenas tecidos por redes complicadas que ligam elementos identificáveis. A diferenciação e a diferença estão no mundo real e avariedade dos sistemas a conhecer torna-se incomensurável. Simon (1981) diz que os sistemas complexos apresentam uma estrutura hierárquica em formade caixas-dentro-de-caixas ou de múltiplos níveis. Os níveis são formados por sistemas e subsistemas interligados por interações. Pode-se distinguir as fronteiras do sistema pela intensidade das interações dentro dos subsistemas e entre os subsistemas. Assim, as ligações entre os componentes dos subsistemas são, geralmente, mais fracas que as ligações dentro dos subsistemas. Esta é denominada por Simon como arquitetura quase decomponível.A esse respeito, Snowden (2003) diz que é necessário uma nova ciência para lidar com os sistemas complexos. O paradigma atual do pensamento empresarial tem suas origens nas idéias de Frederick Taylor, que aplicou os conceitos da física de Newton à gestão dasempresas. A atual complexidade das relações e conexões exigem métodos mais apropriados,flexíveis e adaptáveis à realidade.Nessa exposição apresentou-se a necessidade de conhecer a interligação entre as partes do sistema, sua complexidade e sua interações para modelá-lo de forma mais adequada.

5. Conclusão

O argumento inicial deste artigo, foi o de que a sociedade atual apresenta problemas mais complexos do que os problemas das sociedades que o antecederam. A percepção do aumento da complexidade é um bom sinal, para a percepção de que nem todos os problemas podem ser solucionados pelos mesmos métodos. Os sistema podem ser complicados ou complexos. Os complicados podem ser modelados pelos métodos cartesianos, com relações de causa-efeito lineares, pois suas conexões podem ser desconsideradas sem destruir o sistema. Os complexos não podem ser modelados por métodos cartesianos, pois suas relações são dinâmicas e as conexões entre suas diferentes partes, se desativadas, destroem o sistema. Resumidamente, o quadro 5.1 apresenta os principais tipos de sistema e a forma de intervenção adequada a suas características. Apresentou-se, também, outras abordagens consideradas na literatura, tais como: o métodoholístico, a simplicidade organizada, a complexidade desorganizada e a complexida deorganizada. A abordagem holística desconsidera as partes diferentes do sistema por vê osistema como um todo único indissociável. A simplicidade organizada pode ser representadapelos métodos cartesianos, por reduzir o sistema a um pequeno número de componentes. Acomplexidade desorganizada é representada por métodos estatísticos por ser composta degrande número de componentes e possuir comportamento aleatório. A complexidadeorganizada necessita de modelagem sistêmica, por apresentar comportamento não aleatório epossuir partes distintas em conexão.Por fim, buscou-se mostrar a importância da compreensão da complexidade para identificarum sistema complexo e procurar a forma mais adequada de modelagem.

Referências

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NOTA PESSOAL:

Este artigo não envolve o futebol, pelo menos não intencionalmente, mas para um bom entendedor, meia palavra basta. É de 2004, mas para quem busca informações sobre a teoria da complexidade, um dos pilares da periodização tática que vê o fenoômeno futebol com a mesma ótica, é bem atual.

Abraço

Luis Esteves

la_futeboll@hotmail.com