"McGOWN (1991), entende por feedback a informação que se obtém após uma resposta, e é geralmente vista como a mais importante variável que determina a aprendizagem, logo a seguir à prática propriamente dita. Segundo GODINHO, MENDES e BARREIROS (1995, p. 217) feedback " é a expressão genérica que identifica o mecanismo de retro-alimentação de qualquer sistema processador de informação". É o retorno de informação que permite ao sistema avaliar o quanto foi cumprido os objetivos, é uma condição obrigatória para ocorrer aprendizagem. Sem essa informação de retorno o sistema comporta-se como se estivesse cego, ou seja, não existe uma auto-avaliação e as respostas defasadas, continuarão ocorrendo, tanto em termos espaciais como temporais. MARTENIUK (1986) define o feedback como sendo uma resposta produzida pelo movimento realizado, obtendo informações cinéticas e cinemáticas do mesmo. SCHMIDT (1993) afirma que feedback é qualquer tipo de informação sensorial sobre o movimento, não exclusivamente com referência a erros."
"Feedback, conceito emprestado do pensamento sistêmico, e por conseguinte da cibernética e engenharia de controle, para descrever uma aprendizagem social e um processo de resolução de problemas que gera aprendizagem. Segundo Kolb (1984, p.22): Este feedback de informação provê a base para um processo contínuo de ação dirigida por objetivos e avaliação das conseqüências daquela ação."
O LIMIAR DA AUTONOMIA
Autonomia: Faculdade de se governar por sí próprio, Independência (BUENO, 2000). É fundamental que o feedback não se torne um vício, e que seja dado em momentos cruciais do exercício ou de qualquer assunto que envolva o ambiente da equipe. Intervir bem significa colocar no caminho o jogador e o grupo quando esse se desvirtua, porém, não podemos (ou não deveríamos) seguir o caminho por eles, Mourinho em OLIVEIRA, AMIEIRO, RESENDE e BARRETO (2006) cita algo interessante quando entra no assunto "Descoberta Guiada":
"Não é fácil passar da teoria para a prática, sobretudo com jogadores de top, que não aceitam o que lhes é dito apenas pela autoridade de quem o diz. É preciso provar lhes que estamos certos. Comigo o trabalho tático não é apenas um trabalho onde de um lado está o emissor e do outro o receptor. Eu chamo-lhe de "Descoberta Guiada", ou seja os jogadores vão descobrindo coisas a partir de pistas que lhes vou dando. Para isso construo situações de treino que os levem a determinado caminho. Eles começam a sentir isso, falamos, discutimos e chegamos a conclusões. Muitas vezes paro o treino e pergunto-lhes o que estão a sentir. Respondem, por exemplo, que sentem o defesa direito muito longe do defesa central. "Esta bem, vamos então aproximar os dois defesas e ver como funciona." E experimentamos uma, duas, três vezes, até lhes voltar a perguntar como se sentem. E assim, até todos em conjunto, chegamos á uma conclusão.
OLIVEIRA, AMIEIRO, RESENDE e BARRETO (2006) Ainda citam:
" O objetivo é que os jogadores percebam e acreditem no modelo de jogo, é fazerem algo por crença própria, por sentirem que é a melhor forma de o fazerem, e não por que alguém lhes disse "Vamos fazer assim". O diálogo estabelecido com os jogadores é importante ao nível desta "Descoberta Guiada" mas com consciência plena daquilo que pretende atingir. Eu sei para aonde eu quero ir e aonde eu quero que eles cheguem. Não são os jogadores que, pela sua conversa comigo nos vão fazer chegar a um determinado local. Eu sei onde é que eu quero chegar. Agora, em vez de lhes dizer "nós vamos para alí" quero que sejam eles a descobrir este caminho. No fundo, o nosso diálogo é um diálogo que esta controlado e é um diálogo que vai sendo direcionado num determinado sentido: a minha ideia de jogo."
Nesta passagem percebe-se claramente a presença de um tipo de feedback, Mourinho cita que para o treino e pergunta, portanto exige que ocorra um feedback intrínseco, logo seguida de um feedback extínseco, que normalmente surge dos p´roprios jogadores, ele como mediador guia a equipe a determinada decisão já prevista pelo Modelo de Jogo. Este no fundo é o melhor método para o desenvolvimento da aprendizagem, pois coloca o jogador ativamente no processo de construção do jogo, gera uma familiarização com a identidade do que está sendo feito portanto marca com maior eficiência o aprendizado do jogador sobre qualquer assunto. Porém é válido salientar que, como citado, não é porque o jogador irá opinar sobre isso ou aquilo, que irá ocorrer uma nova moldagem a uma nova ideia de jogo, ela já existe, só tem que ser sentida e aprovada pelos jogadores, afim de gerar uma crença pessoal, uma determinada autonomia no processo de criação da equipe.
"Para SCHMIDT (1993) e FRANCO (2002) o feedback pode ser dividido em intrínseco e extrínseco.
Feedback Intrínseco: Segundo SCHMIDT (1993) é a informação fornecida como uma conseqüência natural da realização de uma ação. Todos os aspectos dos movimentos intrínsecos à tarefa podem ser percebidos mais ou menos diretamente, sem métodos ou aparelhos, ou seja, através dos órgãos sensoriais e proprioceptivos.
Feedback Extrínseco: SCHMIDT (1993) afirma que este tipo de feedback é constituído por informação do resultado medido da performance, que é a resposta informada ao executante por algum meio artificial, seja verbal, visual ou sonoro.
Deste modo, o feedback extrínseco é fornecido após o feedback intrínseco.Se fornecido muito feedback, pode ocorrer uma tendência da pessoa não desenvolver a capacidade de detecção e correção de erros de forma eficiente, formando a referência de maneira muito pobre."
DIFERENTES FEEDBACKSCita ainda:
"De qualquer forma, o feedback pode produzir uma função de dependência, que melhora a performance quando está presente, mas permite que se deteriore quando for retirado tardiamente. Isto é muito bom enquanto a orientação está presente, mas o aluno ou atleta pode aprender a depender desta orientação. Por este motivo é que se deve levar em conta a forma, a periodicidade, à freqüência, à magnitude, a direção e a precisão na estruturação do feedback, de modo a minimizar a dependência (SCHMIDT, 1993)."
1 - Conhecimento do Resultado;
2 - Conhecimento da Performance;
Primeiro, o conceito de Conhecimento do resultado, assume uma importância muito grande no processo pedagógico, pois fornece informações preciosas relacionadas a direção do erro, a magnitude do erro e a direção e magnitude do erro, ou seja em outras palavras o que errou, porquê errou e o que este erro gerou no exercício para a equipe, é necessária ai muitas vezes a intervenção do treinador, principalmente em processos iniciais de formação de equipes, onde determinado modelo de jogo ainda não esta inserido na cultura da equipe, posteriormente, a equipe deve reconhecer estes erros e por só só corrigi-los rapidamente, porém nem sempre existirão jogadores com conhecimento específico suficiente sobre determinado modelo no exercício para que em interação com o colega que errou, solucionem rapidamente o erro. Pela minha interpretação, achei muito parecido o Conhecimento do resultado com o Conhecimento da performance no que diz respeito ao erro, porém, acredito que o Conhecimento do resultado esteja mais ligado a intervenção ao final do exercício, e o Conhecimento da Performance durante o exercícios, como veremos agora.
Conhecimento da Performance pode ser fornecido através de três fontes diferentes, porém simultâneas:
- Motivação
- Reforço
- Informação
A motivação inserida no feedback diz respeito a potencialização de participação e vontade de realizar determinado exercício, ou seja, para existir o "querer fazer" é necessário motivos para isso, um deles é o feedback sobre a performance do jogador, o que tem feito de melhor, o que deve potencializar. A forma como o feedback é dado também é fundamental, ou seja, tom de voz, gestos e postura são, sub-conscientemente absorvidos pelo jogador podendo levar a resultados negativos ou positivos, ou seja, pode-se dizer algo querendo motivar, porém o tom de voz e a postura gestual podem seguir um caminho totalmente desmotivante.
Quanto ao reforço diz respeito ao comportamento que se quer, se esta dentro ou não dos limites do modelo, ou seja é a dita propensão do exercício. Marcadores somáticos devem ser criados frequentemente nos exercícios para que haja um reforço contínuo sobre o que se quer para a equipe, segundo Cunha (sem data) o entusiasmo que o indivíduo se empenha na aprendizagem depende essencialmente da utilização do reforço.
Quanto a informação diz respeito ao que é essencial e necessário. Acredito na informação como forma verbal, visual ou cinestésica resumida, como auxílio para ajustes no p´roximo exercício.
ESPECIFICIDADE INDIVIDUAL DO FEEDBACK - CANAIS DE APRENDIZADO / PERCEPÇÃO
- Visual (Explicar): Que tem a ver com a visualização do feedback, através de materiais gráficos ou através de gestos práticos.
Exemplo: Quadro Magnético, demonstração do professor, cartilhas demonstrativas.
- Auditivo (Orientar): Tem a ver com o repasse de informação mais comum, apenas com frases faladas pelo treinador ou colega de equipe.
Exemplo: Em meio ao exercício o treinador dá determinado feedback sobre o tipo de passe que está sendo feito.
- Cinestésico (Demonstrar): Relacionado a atividade prática em sí, com menor complexidade.
Exemplo: Um atleta erra a finalização por determinado motivo, e o treinador para e realiza um feedback seguido de uma nova realização da ação.
Fiz uma ligação do que até hoje percebi na prática, com o quadro acima desenvolvido pelo professor José Guilherme Oliveira, no qual ele coloca a eficiência dos diferentes métodos de ensino. Esta é uma interpretação pessoal minha.
Pontos importantes citados por CUNHA (Sem data) para um melhor aproveitamento dos feedbacks:
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Diz respeito a quantidade de palavras, a utilização de palavras chave, a redução da informação para o mais importante, para focalizar melhor o entendimento do jogador sobre a informação repassada.
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Focalizar em um ou dois erros, porém evitar terminar sempre em erros, usar a palavra "mas" como ponte entre erros e acertos. Exemplo: Você esta dominando a bola longe do pé, precisa amortecer melhor, mas seu passe está muito bom! O jogador irá continuar ou melhorar a qualidade no passe e terá agora uma preocupação em melhorar também o primeiro toque. É muito importante também a precisão da informação repassada.
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A programação do feedback diz respeito a densidade do mesmo durante o exercício. Pode seguir vários tipos de proposta:
- Decrescente - Ir reduzindo a quantidade de informações com o passar do exercício.
- Frequente - Usa-lo até que o atleta consiga identificar os objetivos.
CUNHA (Sem data) ainda cita que o ideal é usar o feedback até no máximo 5 segundos após o erro do jogador, aproveitando ainda que o mesmo esta na sua memória consciente.
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OLIVEIRA, José Guilherme; Uma concepção de treino: Periodização Tática - FCDEUP - Universidade do Porto - Porto. Junho de 2004.
CUNHA, Fábio Aires da; Feedback como Instrumento pedagógico. Sem data.




