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quarta-feira, 18 de abril de 2012

ESMERO E OBSESSÃO

Publico hoje um belo texto que conheci no site: http://circulado.com.br/como-pep-se-tornou-guardiola-esmero-e-obsessao/

É sempre bom saber como se formam determinados fenômenos como o Guardiola e a atual equipe do FCBarcelona. E no final das contas parece ser uma questão de princípios, uma questão de amor "ao jogo".

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Texto sensacional publicado na Folha Ilustrada deste domingo sobre o grande treinador do Barcelona Pepe Guardiola. Sua história e como a obsessão pelo futebol bonito começou. Vale a pena cada linha.

ALEXANDRE GONZALEZ

TRADUÇÃO SOPHIE BERNARD

ILUSTRAÇÃO MARCELO COMPARINI



RESUMO

Símbolo do Barcelona por uma década, Josep Guardiola pendurou as chuteiras em 2006 com o projeto de ser treinador. Ao contrário da maioria dos ex-jogadores que trilham esse caminho, foi estudar e buscar as lições de seus mentores. Propondo um futebol mais de razão que de resultados, Pep já conquistou 13 dos 16 títulos que disputou como técnico do Barça.

“Meu pai diz que preciso me reconverter. Pergunta o que quero fazer da vida. Não sei o que dizer; talvez que não vá fazer nada. Mas ele insiste, quer que eu me mexa, para não passar a imagem de preguiçoso. Mas, pai, talvez eu não faça nada mesmo da vida…”

Em 2 de agosto de 2006, Josep Guardiola deu uma de suas últimas entrevistas. Poucas semanas antes, ainda jogava no desconhecido Dorados de Sinaloa, time mexicano cujo nome soa mais como uma franquia de beisebol de segunda divisão do que como um clube de futebol profissional.

O fim de carreira do meia catalão não foi à sua altura e, em suas palavras, sua reconversão também não parece lá muito bem encaminhada. Mas, atrás do discurso depressivo, o que Guardiola não diz é que passou o verão em Madri. E que sabe exatamente para onde vai.

DIPLOMA

O mês de julho de 2006 é intenso para o ex-capitão do Barça. Todo dia, ele vai até o subúrbio de La Rosas, rumo à Ciudad del Fútbol, na capital da Espanha. Lá, acompanha aulas com assiduidade, preparando-se para se diplomar treinador. O aluno é aplicado e talentoso.

“A escola nacional de futebol espanhola não tem ranking de classificação para os diplomados, mas posso dizer tranquilamente que Guardiola estava entre os três melhores da classe”, lembra Oscar Callejo, secretário da escola.

Com o diploma em mãos, Guardiola não se dá por satisfeito. Para completar a formação, aconselha-se com treinadores que admira.

“Ele ligou para mim e para um monte de outros treinadores. Hoje parece coisa de doido: ligar para falar de jogo, analisar, descascar. Ele tem uma sede insaciável de debater. Eu sabia quando começavam as conversas com ele, mas nunca quando iam terminar”, diz o técnico argentino Angel Cappa.

Ex-adjunto de César Luis Menotti e depois de Jorge Valdano no Real Madrid, treinador do Huracan e do River Plate -foi quem descobriu Javier Pastore-, Cappa foi para a casa de Guardiola em Barcelona no final de 2006. “Não sei se ele já pensava em ser treinador, mas para mim era óbvio. É raro um jogador querer tanto colocar um jogo numa mesa de dissecação.”

LA VOLPE

Obsessivo e perfeccionista, Pep lista os técnicos com quem os quais gostaria de conversar. O primeiro é um argentino de bigode ameaçador, desconhecido na Europa, Ricardo La Volpe.

Na Copa do Mundo de 2006, Guardiola escreveu no jornal “El País”, e suas análises dos jogos e reflexões sobre futebol deixaram muita gente desconcertada. Só uma seleção agrada ao catalão. Não é a Alemanha de Jürgen Klinsmann, nem a Itália de Marcello Lippi, mas o México de La Volpe.

Ele escreveu: “Johan Cruyff dizia: o mais importante no futebol é que os melhores jogadores sejam os zagueiros. Se você sai com a bola, consegue jogar; se não, não faz nada. Johan diz que a bola equilibra um time. Se perde a bola, o time se desequilibra; se perde pouco, consegue manter o equilíbrio. La Volpe decidiu que sua defesa saísse jogando, e não que começasse jogando, o que é diferente.

"Para La Volpe, começar a jogar é tocar a bola entre os zagueiros, sem maiores intenções. Mas La Volpe os obriga a fazer outra coisa. Ele os obriga a sair jogando, obriga os jogadores e a bola a avançarem juntos e ao mesmo tempo. Soube que, nos treinos, La Volpe pede aos zagueiros que corram com a bola por 30 minutos sem parar. Se alguém faz um passe errado, se o campo não é usado em toda a sua extensão, se um passe não é dado para o goleiro como manda o jogo, ele pede para recomeçar do zero.

“Ele corrige, grita, e tudo recomeça. Uma vez, depois outra. Cem vezes, se for preciso. E ver seu México jogar é fantástico.”

Nem mais nem menos do que uma declaração de amor.

Mesmo que isso não agrade a Guardiola e ao seu romantismo, La Volpe foi demitido após ser eliminado nas oitavas de final, apesar de os mexicanos terem dominado a Argentina durante todo o jogo; o futebol só vive de vitórias.

Pouco acostumado a falar com a imprensa, La Volpe declarou: “Sei que Guardiola mencionou meu nome várias vezes, dizendo que fui um dos que mais o influenciaram. Talvez se inspirasse em mim nas triangulações ao chegar à área adversária. E disseram que dedicou a mim a Liga dos Campeões de 2009 [Barcelona 2 x 0 Manchester United], mas ele nunca me disse isso.

“Acho que seguimos o mesmo caminho. Gostamos de tomar a iniciativa do jogo, que o jogador assuma a responsabilidade de conduzi-lo. É assim que se faz bom futebol. Ele faz isso e ainda vence. Alguns de nós foram criticados por tentar e não vencer, é a regra do jogo”.

La Volpe seria demitido do Boca Juniors (2006), do Vélez Sarsfield (2007), do Monterrey (2008) e da seleção da Costa Rica (2011). Apaixonado pelo método argentino, como mostram suas relações com Cappa e La Volpe, por fim Guardiola atravessa o Atlântico.

Aproveitou uma viagem a trabalho de seu amigo David Tureba, cineasta e escritor, para voar a Buenos Aires. Era outubro de 2006.

ARGENTINA

Na capital argentina, Pep deixou sua bagagem num hotel do bairro de Palermo. A primeira visita que fez não foi a um treinador, mas a um nerd louro, um Mark Zuckerberg argentino, de cabelo comprido. Matias Manna é o criador do blog Paradigma Guardiola (paradigmaguardiola.blogspot.com). Ele analisa, com vídeos, pausas e reflexões perspicazes, o futebol de Pep.

“Desde 2005, vou decifrando a maneira de pensar e as convicções futebolísticas de Guardiola”, diz Manna. Ele conta como começou sua amizade com o atual treinador do Barcelona: “Eu o contatei por e-mail e ele respondeu. Sempre se mostrou aberto. Um dia, disse que estava vindo à Argentina e propôs um encontro. Passamos um dia juntos. Falamos muito de futebol.

“Dei a ele o livro ‘Lo Suficientemente Loco’, uma biografia de Marcelo Bielsa. Ele me agradeceu e foi deixar as malas no quarto. Quando desceu, minutos depois, citou quatro ou cinco conceitos de jogo que estavam no livro. Isto é: no elevador, voltando do quarto, já tinha entendido a essência.”

No dia seguinte, Guardiola decidiu assistir a um River-Boca, no Monumental de Nuñez. Seu ex-colega no Dorados Angel “Matute” Morales, conseguiu um ingresso para ele. Pep se misturou à multidão e, na fila para entrar, foi parado por seguranças. “Não o reconheceram”, conta Morales. “Foi revistado como qualquer um, mas não disse uma palavra, não protestou.”

Seu caminho o levou a César Luis Menotti, técnico campeão do mundo em 1978 e técnico do “seu” Barça na temporada 1983-84.

Como um velho sábio, Menotti recebeu aquele que, por enquanto, era só um jovem aposentado do futebol. O encontro aconteceu num restaurante do bairro de Belgrano, em meio a uma nuvem de fumaça de cigarro e cheiro de uísque.

“Quando Pep me procurou, algo já o distinguia: ele tinha ideias claras. Não chegou como outros, que queriam que eu desse o caminho, como se fosse o Messias. Ele já sabia. Então disse a ele: ‘Quer ser treinador? Não tenha dúvidas, vá fundo. Seja treinador, e assim as críticas serão mais bem divididas, não vão mais ser só para mim’.”

Guardiola deixou-se seduzir e também tranquilizar pelo discurso radical do mentor de Maradona. O terceiro e último encontro irá confortá-lo ainda mais na sua decisão.

EREMITA

Maximo Paz, província de Santa Fe. Josep Guardiola marcou um encontro com o eremita do futebol argentino, “el loco” Marcelo Bielsa. Então afastado do futebol desde 2004, Bielsa vivia confinado em casa, sem dar sinais de vida.

Guardiola conseguiu o encontro graças a Lorenzo Buenaventura, seu treinador pessoal quando jogava na Itália e ex-adjunto de Luis Bonini, o braço direito de Bielsa. Hoje, Buenaventura é o preparador físico do Barcelona. A fascinação de Guardiola por Bielsa data da Copa do Mundo asiática de 2002, quando “el loco” treinava a seleção argentina.

Na época, Guardiola declarou: “Para mim, o time mais interessante do torneio é a Argentina, mesmo que não tenha passado da primeira fase. Jogou muito bem, apesar de vivermos num mundo onde, se você ganha, é bom, mesmo que não tenha ficado com a bola; e, se você perde, não importa se tentou, se teve a bola, se o time estava organizado e se tinha apostado no 3-4-3, como Bielsa fez. Você perde e é um fiasco. Vejo isso de outra forma.”

Por 12 horas, em volta de um “asado” (churrasco argentino), os dois conversaram, assistiram a trechos de jogos, debateram, brigaram, se reconciliaram e recomeçaram. Um tema, ou melhor, um homem os une acima de tudo: Louis van Gaal.

O técnico holandês é o único europeu que Bielsa já tomou como exemplo: “O modelo estrangeiro que mais me agrada é o do Ajax de Van Gaal. Ele tem um time flexível para compor suas linhas conforme as exigências do adversário na hora de recuperar a bola. O que interessa é que o time tenha um projeto de jogo próprio nos momentos ofensivos. Calculei que o Ajax dava uma média de 37 passes para trás. O torcedor via isso como recusa a jogar, mas esse passe para trás era o início de um novo ataque.”

No seu livro “Mi Gente, Mi Fútbol” (2001), Guardiola diz o mesmo de seu treinador: “Poucos times me seduziram tanto quanto o do Ajax de Van Gaal, com sua facilidade para criar o jogo da defesa, a velocidade dos jogadores das laterais e seu modo de passar a bola. Aquele Ajax conseguia resolver de maneira fantástica todos os ‘um contra um’ de um jogo. No ataque e na defesa. Assumiam todos os riscos que um time pode correr.

“Aquele Ajax tinha algo que me surpreendia, espantava, maravilhava. A disciplina do posicionamento. A posse de bola como ideia de base. O jogo constantemente sustentado. Os movimentos de dois toques… E eles faziam isso de forma tão simples quanto sublime. O Ajax de Van Gaal dava aulas de futebol aos que conheciam perfeitamente o jogo.”

‘SANGUE’

Nutrido pelo futebol total de Johan Cruyff, Guardiola consegue, acima de tudo, aplicar maravilhosamente bem os preceitos de Bielsa. “Procuro ocupar as laterais, porque a maioria das situações perigosas vem delas. O contrário significa centralizar o jogo. Qualquer estudo revela que 50% dos gols finalizados vêm das laterais. Se um treinador quer que o time domine o jogo, deve posicionar no mínimo dois jogadores por setor. Nunca posiciono os jogadores com o intuito de atacar usando o contra-ataque.

“Para mim, trata-se, antes de mais nada, de uma questão de posse de bola. Se der para ficar com ela, por que devolvê-la? Não preparo um time para esperar. Um grande time não é condicionado pelo rival. O fundamental é ocupar direito o campo, ter um time curto, com uma linha de defesa e uma de ataque separadas por no máximo 25 metros, e que nenhum zagueiro esteja ocupado marcando um adversário que não existe.”

Tocado pela sinceridade quase ingênua de Guardiola, Bielsa perguntou: “Você, que conhece toda a sujeira do mundo do futebol, o alto grau de desonestidade de certas pessoas, por que quer tanto voltar e treinar jogadores? Gosta tanto desse sangue?”. Guardiola respondeu: “Preciso desse sangue”.

O fato é que o catalão vai usar outro método de Bielsa, o de não entregar nada à imprensa. Recluso no seu silêncio há mais de uma década, o argentino havia justificado assim sua vontade de não falar: “Por que eu deveria dar entrevista a um jornalista poderoso e negá-la a um repórter do interior? Por que deveria participar de um programa que tem picos de audiência toda vez que apareço e não me deslocar até uma pequeno rádio local? Qual a lógica? Meu interesse?”.

Guardiola se apoderou da fórmula. Depois de virar treinador do Barça, não deu mais nenhuma entrevista individual. Só vai às coletivas obrigatórias do clube.

JOGO BONITO

Pep voltou à Espanha está seguro de si como nunca. Dias depois de deixar a Argentina, em 22 de outubro de 2006, declarou ao jornal “Marca”: “Por que não poderíamos ter treinadores que defendam o jogo bonito? Converso com muitos treinadores: ‘Como é esse jogador? Como faz aquele?’. Mas não tem receita. No futebol, ganha-se com estilos muito diferentes. Precisamos fazer as coisas como as sentimos. É a partir da bola que se constrói um time.”

Em 2006, Josep Guardiola tinha 35 anos, tinha ideias, mas continuava desempregado. “Seu” clube, embora fosse campeão europeu, estava desabando. Contagiado pela suficiência, o Barça de Frank Rijkaard vivia suas últimas horas de glória. Txiki Begiristain, diretor esportivo do Barcelona e braço direito de Joan Laporta, logo foi consultado por alguns dirigentes, sabendo das intenções de Guardiola.

Begiristain então decidiu, para que seu ex-colega se acostumasse, confiar a ele a direção da categoria de base e dar a Luís Enrique o Barça B. Desapontado, mas leal a seu clube de sempre, Pep aceitou. Só pediu um último encontro com Begiristain. “Pep me falou sobre sua vontade de treinar. Entendi que era o momento dele”, diz o ex-diretor dos esportes do Barça.

Em 21 de junho de 2007, seis meses depois da viagem à Argentina, Guardiola foi nomeado treinador do Barça B, que estava na terceira divisão do campeonato espanhol.

Munido de princípios e teorias, foi confrontado pela primeira vez com a realidade da vida de treinador. Alertado por amigos sobre as dificuldades das divisões inferiores, o primeiro trabalho do técnico “blau-grana” (azul e grená) consistiu na seleção de um grupo.

Ele tinha poucos dias para reduzir o número de jogadores de 50 a 23, destruindo o sonho de vários. As primeiras dúvidas surgiram logo no primeiro jogo, que acabou… em derrota. Guardiola se empenhou, construiu um time no qual um certo Sergio Busquets se impôs no meio do campo; no qual, na ponta direita, Pedro Rodriguez oferecia seu jogo feito de percussões.

Dois meses após o início do campeonato, Guardiola resumiu: “Ser treinador é fascinante. É por isso que os treinadores acham tão difícil parar. O trabalho traz uma sensação permanente de excitação, de que o cérebro gira o tempo todo a cem por hora. Começar na terceira divisão me tornará um treinador melhor, se um dia eu ocupar o banco de um profissional. Hoje sou melhor que dois meses atrás.

“Nunca tinha sido confrontado com 25 caras esperando que eu dissesse algo. Hoje posso ficar tranquilo na frente deles. Antes, no intervalo, não sabia o que dizer.”

NÚMERO UM

Guardiola sabia as palavras certas, seu time venceu o campeonato e o Barça B subiu para a segunda divisão.

Ao mesmo tempo, no andar de cima, Rijkaard deixou escapar para o Real, pela segunda vez seguida, uma liga que estava na mão. Laporta entendia que o holandês não tinha mais autoridade sobre um grupo dominado pelos egos de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o. Começou então uma disputa de poder nos bastidores do Camp Nou entre os conselheiros do presidente.

Laporta conta: “Minha ideia era que Johan [Cruyff] treinasse o time, tendo Pep como adjunto, e que, na temporada seguinte, ele virasse o número um. Johan não disse nada. Eu o conheço, sei que toma decisões rápido. Por fim, ele me disse que deveríamos nomear Pep logo. Txiki concordava: ‘Guardiola está pronto para ser treinador do primeiro time’. Propus essa solução numa reunião. Alguns eram a favor, outros queriam Mourinho. Falei: ‘Mourinho não, vai ser o Pep’.”

Em 8 de maio de 2008, menos de dois anos depois de receber o diploma de treinador, Guardiola foi nomeado técnico do time do qual fora capitão e símbolo por cerca de dez anos. Sua primeira medida foi impor o afastamento das três estrelas: Ronaldinho, Deco e Eto’o.

Os dois primeiros aceitaram; o camaronês ganhou uma temporada de descanso. No primeiro treino, Pep se dirigiu aos jogadores: “Não vou prometer que vamos ganhar títulos. Vamos tentar. Mas apertem bem os cintos, porque vocês vão passar ótimos momentos.”

Pep acabava de se tornar Guardiola.
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Publicado originalmente na revista francesa “So Foot”. Colaboraram Javier Prieto Santos e Aquiles Furlone, de Buenos Aires.

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Grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

HOLANDA - 1974

Estou colocando um belo documentário que tem como ênfase a análise da seleção holandesa de 1974. Parabéns ao autor e obrigado ao meu amigo Diego Gomes por me mostrar os vídeos.













Grande abraço a todos
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

sábado, 6 de agosto de 2011

CONVERSAS DE FUTEBOL - MATÍAS MANNA

 

"¿Qué es jugar bien? El arquero se la pasa al defensa, el defensa al mediocampo, el medio a los delanteros. Todo con buen ritmo de circulación de balón y encontrando superioridades en las líneas posteriores. Eso es jugar bien. Sin más. No hay secretos."

MATÍAS MANNA


ENTREVISTA
MATÍAS MANNA


Luis Esteves: Matias, gostaria de agradecer-lhe a disponibilidade de partilhar conosco seus conhecimentos sobre o FC Barcelona e os assuntos que o cercam, fico muito honrado em poder ajudar a publicar e disseminar a filosofia deste tipo de futebol.



Vamos às questões:

1. Luis Esteves: Como define a filosofia do FC Barcelona?

Matías Manna: La defino como uma manera de sentir una disciplina como El fútbol, pero que enmarca uma Idea de entender La misma vida. Cómo estructurar un club muchas veces determina de qué manera quieren vivir lãs personas. Es um lugar donde se aprende a vivir com El compañero, se aprende a vivir em colectivo y está muy bien que haya gente que puede sistematizar esta Idea y estructurarla em uma institución modelo como lo es El Barcelona.

2. Luis Esteves: Como o FC Barcelona chegou ao estágio atual? Quais foram as pedras fundamentais para esta filosofia enraizar na cultura do clube? Qual a importância de Johan Cruyff para o FC Barcelona?

Matías Manna: El contexto de país (catalunya) tiene mucho que ver em esto. Es más que um club, es um club com uma gran identidad a nível social. Eso genera más lazos. Los pequeños de Catalunya quieren jugar en El Barcelona, es su club y representa La Idea de nación catalana. Es uma identidad muy fuerte y que ayuda AL sistema y La estructura de ideas conceptuales que J.Cruyff y Carles Rexach inauguraron em La década Del 90. El Barcelona se dijo a si mismo: vamos a jugar de uma manera determinada. Antes vino Venables, Menotti, e intercambian lãs ideas de juego. Vino Cruyff y dijo seguiremos de esta manera. Hace 30 años que juegan así, La gente em El estádio pretende que esa Idea se desarrolle em El campo. No quiero outra, quiere esa. Guardiola lo siente así, y según Cruyff era La última esperanza, Allá por El 2001, cuando Guardiola persistia em El club. La única esperanza de volver a entender globalmente esse cúmulo de convicciones futbolísticas. Por suerte, retorno AL club, y esas ideas globalmente volvieron AL césped.

3. Luis Esteves: Existe relação entre a Holanda de 1974 e o FC Barcelona dos dias atuais?

Matías Manna: Le veo más relación AL Ajax de 1971 a 1973 com Rinus Michels y sobre todo com El rumano Kovacs. Hay uma revolución conceptual a través de los equipos, Ajax y Barcelona, que luego se exhiben em La selección. Por suerte, em 2010 em relación AL 1974, España pudo consagrarse campeona Del mundo.

La relación pasa porque a partir de esse Ajax, nacieron conceptos que hoy están presentes y potenciados por Guardiola em El Barcelona. Esse Ajax fue La génesis de entender a La disciplina de uma manera, atrevida, espectacular, ofensiva.

4. Luis Esteves: Como vê a importância do tipo de futebol que o FC Barcelona pratica hoje?

Matías Manna: Y esas ideas son importantes que se reflejen em um club ganador como lo es hoy El Barcelona de Pep. Yo apuesto por uma guardiolización global, que intenten e imiten a este equipo. A salir desde El fondo siempre y cada vez, a ordenarse com El balón, a intentar superioridades en todas lãs líneas, a que los centrales generen conducciones que derriben em superioridad em mediocampo, que los laterales terminen como extremos.

Es uma Idea de entender El fútbol que estaba em extinción. Es más fácil practicar y hacer um equipo com doble pivote y um 442 defensivo. Es más fácil destruir que crear. Y si como modelo se impone eso, El fútbol como juego se empobrece. Decae El espectáculo.

5. Luis Esteves: Quais são os princípios do FC Barcelona nos quatro momentos do jogo?

Matías Manna: Te cambio La pregunta. Que es jugar bien? Que El arquero se La pasa AL defensa, El defensa AL médio, El médio AL ataque, siempre com circulación y ritmo alto Del balón mediante pases generando superioridades em líneas posteriores.

Mediante esa Idea, se entiende AL equipo de Guardiola. Y no hay momentos autônomos, defensa y ataque. Si atacamos bien, defenderemos mejor. Guardiola entiende El juego de uma manera global, como um todo.

6. Luis Esteves: Gostaria que nos falasse sobre a “Posesión 74”, qual a orígem deste nome e quais os detalhes que caracterizam este comportamento?

Matías Manna: Em 5 grandes conceptos trate de sintetizar lãs ideas Del Barcelona. Usted nombra a los 5 em La siguientes preguntas.

Posesión 74 es a partir De que a través Del balón se ordena El equipo. A través de uma gran posesión Del balón (muchas veces El Barcelona termina El partido com 74% de posesión) y también uma muy buena posición de SUS jugadores. El juego de posición es clave. Le puse 74, em relación AL Holanda Del 1974, padre de entender El fútbol de esta manera.

7. Luis Esteves: Gostaria que nos falasse também da “Defesa Arriba” e seu funcionamento e objetivo no jogo.

Matías Manna: Es outro concepto primordial. La defensa se mueve como um todo com El ataque, defienden a 40, metros Del arco próprio, eso es defensa arriba. Achicar espacios, ahogar AL rival em su território, hacer uma trampa Del offside a 3 metros de La línea de mediocampo. Es brillante este concepto y por eso los defensores son vitales em El juego de posición Del Barcelona. Sino entienden esto no pueden jugar em El Barcelona.

8. Luis Esteves: Como define o “Abertos e profundos” qual a importância deste comportamento no jogo do FC Barcelona?

Matías Manna: Es um concepto que quedo um poço viejo. Guardiola es amante de los extremos. Los defendia mucho como jugador. Recuerdo manifestar su desencanto porque Overmars y Simao no tenían más minutos em sus últimos Barcelona como jugador. Em La tercera temporada creo que hubo um matiz importante em este concepto. Los abiertos y profundos son más los laterales que los extremos (Pedro y Villa) em este equipo teniendo em cuanta que los rivales se defienden mucho com um 442 o 451.

Pero siempre El barca agrande El campo em ofensivo com ellos. Si Guardiola no hubiera gustado Del “abierto y profundo”, no se hubiera dado cuenta de La importância de Pedrito, jugador que estaba casi afuera Del Barcelona B, a los poços dias de Haber entrado como entrenador Del Barcelona B em 2007. Lo vio rápido y dijo, necesito a Pedrio para ser a mi equipo abierto y profundo.

9. Luis Esteves: Como define a “Alta presión” e como o FC Barcelona concretiza este princípio?

Matías Manna: Es querer El balón cuando pierda La posesión de inmediato. Es atacar no teniendo La pelota. Es ahogar AL rival a metros de su salida, para recuperar antes y rápido y estar cerca Del arco rival y tener más chances de atacarlo. Es convencer a los delanteros que Sean los primeros defensores.

10. Luis Esteves: “Salir Jugando” significa o que no modelo de jogo do Barcelona?

Matías Manna: La veo como El concepto más trascendente y más subversivo de Guardiola. Todo El tiempo, em todos los campos y frente a todos los rivales, El Barcelona sale jugando desde El fondo. Lo practican continuamente. Es uma Idea trascendental em El juego. Es no queres rifar El balón, no dividirlo. Yo lo tengo, yo salgo com El desde Valdés o Pinto y pretendo llegar com El pase hasta La red rival. No hay outra manera. Lo aprendió mucho com Van Gaal, también mirando fútbol em México. Es um concepto novedades de esta época em El juego. Ahora algunos se atreven a presionarlo. Pero ahi, Guardiola y su equipo lo estudian más e igualmente pretenden salir así. Nadie hacía esto. Todos tiraban hacía arriba rápidamente por miedo a perderla em los primeros metros.

Lic. Matias Manna, creador de Paradigma Guardiola en el 2001, referencia del modelo Barça en latinoamerica.
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 Grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 27 de maio de 2011

CRIAÇÃO E ENTRADA NOS ESPAÇOS

" O futebol que eu defendo se baseia em alguns automatismos coletivos que estão acima das individualidades. 

O que é técnica? Controlar, passar, chutar, cabecear, driblar... E os espaços? Aqueles poucos que, se os tiveres, terás a vantagem. Os espaços Estão ai, mas é preciso cria-los. E para isso precisas dominar a técnica, o jogo de posições e o ritmo da bola. Jogar como equipe é obter o máximo de vantagem para os teus jogadores.Ataca bem e te defenderás com qualidade, atacas mal e sofrerás.

O barômetro esta no meio-campo, é ai que se decide o que fazer, se ataca mais ou menos, se defendes mais avançado ou atrás. Um meio-campo pode atacar e acercar-se da área, mas já não é mais meio campo. Ás suas costas,  outro deve ocupar o espaço que ele deixa. Teu adversário joga com 10. Admitamos uma falta a 30 metros. Poe dois jogadores abertos com possibilidade de receber o passe, o adversário terá de retirar dois defensores de sua área. Abre-se o espaço.

Tudo passa pelo passe simples. Não me refiro ao passe de 60 metros, que são raros, mas do passe fácil, de 10 metros, que esse acontece cem vezes num jogo. Se for feito em dois toques, no máximo, no pé e de frente, a vantagem será tua e o problema do adversário. Mas se receberes devagar e atrás, terás que parar e retroceder para controlar a bola. Adeus aos espaços, adeus as vantagens."

Johan Cruyff
ZERO HORA - Coluna de Ruy Carlos Ostermann
Sábado - 13/03/2004



Uma das coisas mais difíceis para as pessoas que trabalham com o futebol, e para os jogadores principalmente é a percepção do tempo, o tempo de fazer determinada ação. A percepção do tempo está dentro do momento digamos, do antes, do agora e do depois, a duração é relativa.

A maior parte dos jogadores só consegue "ver" o agora, só detecta os acontecimentos quando já estão neles, não conseguem antecipa-los, e essa falta de antecipação, normalmente gera dificuldades, principalmente quando jogamos contra equipes que sabem pressionar (no caso aqui falo do momento ofensivo, mais especificamente da 2ª e 3ª fase de posse e circulação, que seriam CRIAR ESPAÇOS + ENTRAR NESTES ESPAÇOS E FINALIZAR).

Reparei que a maior parte dos atletas só consegue se desmarcar por exemplo, quando são linhas de passe muito evidentes, linhas em primeira estação como dizem os portugueses, ou seja, aquele jogador da posição seguinte - Exemplo: Relação Zagueiro - Lateral.

Existe uma certa dificuldade de prever próximas ações, por exemplo, uma bola em posse com o 1º volante, em que este esteja com o corpo mais propenso a entrar para o lado direito (Jogando em um 1.4.4.2 Losango por exemplo), o atacante do lado esquerdo já ir buscar um ESPAÇO entre linhas que, pode em breve ser aproveitado. O que ocorre é que este jogador só busca um espaço, quando é muito evidente que a bola será passada para ele, e isso acaba sendo sempre uma referência de pressão, o que faz com que este jogador ao receber, tenha a bola sempre de costas, ou seja desarmado, pois a recepção de costas é uma referência de pressão para a maior parte das equipes que tenha a zona pressionante e a pressão como comportamento defensivo.

Portanto torna-se fundamental uma antecipação de ações ofensivas coletivas, com uma grande percepção de ações futuras, baseadas nas ações do momento.

Porém mais importante que perceber isso, é conhecer isso, e os jogadores, em níveis inferiores (Juvenis, Infantis, e até mesmo Juniores,e alguns jogadores profissionais também) não conhecem as possibilidades de criação e aproveitamento dos espaços.

Os espaços em breve serão tema de postagem maior, neste momento vou apenas citar de forma simples em um exercício onde pode-se encontrar espaços por exemplo, em uma linha de quatro jogadores com dois volantes a frente, e alguns comportamentos que ajudam no processo.

Uma questão é importante: Onde estão os espaços?

Para mim os espaços estão entre as linhas do adversário, nos locais não ocupados, no lado contrário ao lance, na profundidade, e a sua criação depende da mobilidade dos nossos jogadores sem a bola.



O jogador com a bola pode criar linhas de passe, fazendo uma condução por exemplo e criando superioridade em outra zona, exemplo: Meia com a bola em condução para a linha de defesa adversária acaba gerando superioridade ou igualdade numérica, princípio fundamental de ataque e defesa.

Lógico que o exercício abaixo proposto pode sofrer diversas alterações, inclusive com uma progressão de "sem oposição" para "com oposição". Porém para "ver" os espaços, acredito primeiro ser interessante retirar a oposição, e quando este entendimento estiver eficiente, ai a criação de oposição será útil, pois exigirá mais timming dos jogadores.

Alguns comportamentos-referência importantes:

- Jogo Frente / Costas: Utilizar esta referência simples de, se receber de costas, servir como apoio para que está de frente, dando velocidade a ação, e evitando a perda da bola por não ter a visão da goleira adversária. Ao ser solicitado neste jogo frente/costas tentar rapidamente criar uma nova linha para novas ações, de preferência de frente para a goleira.

- Jogo Entre Linhas: Utiliza-se essa referência para a entrada entre linhas, entre os setores, nos espaços vazios, de preferência nas costas dos marcadores. Por exemplo: O FC Barcelona faz isso com Messi, jogando praticamente com um 1.4.4.2 Losango, com dois pontas abertos e Messi criando superioridade no meio nas costas dos volantes, gerando 4 jogadores nesta zona. As vezes ele faz isso mais abaixo ainda, trocando de função com outros jogadores do setor. Este é um exemplo de Jogo entre linhas e de criação de superioridade na zona da bola.

- Infiltrações e Ultrapassagens: Situações de entrada nos espaços, de homens vindos de outro ou do mesmo setor para receber a bola em situação de finalização, também conhecido como homem surpresa.

- Mudança de direção com e sem bola: Situações de mudança de direção dos jogadores para receber (desmarcações) e a direção da bola em domínios ou conduções, buscando uma quebra de tendência, consequentemente a previsão do adversario do próximo lance. Para evitar que esta quebra também quebre as previsões da nossa equipe devemos ter um bom jogo posicional, que permite uma previsão de linhas de passe futuras, mais a frente, mais atrás, mais fechadas ou mais abertas.

- Criação de Linhas diagonais: Procurar sempre entrar em situação de progressão. Evitar bolas paralelas, ao lado, onde a bola não progride. Sempre que possível receber a bola uma linha a frente, para conseguir buscar o gol ou a assistência. Porém ai torna-se fundamentar o conceito de zona pressionada, é preciso verificar onde há pressão, e saber se dá ou não para entrar em determinado espaço.

- Cuidado com o tipo de passe, condução e domínio da bola: É fundamental que, para a visualização dos espaços, a bola seja rapidamente recebida, no pé, de preferência o dominante, e a frente, evitando o jogo de costas. O controle da bola, evitando divididas, e a condução se necessária também são importantes.

- Timming: Perceber o melhor momento de entrar, perceber o melhor momento de passar (no pé ou no espaço), onde esperar pela bola, o melhor momento de finalizar, é o timming, que é o segundo exato de fazer a ação, um segundo a mais ou a menos erra-se.

- Ritmo da bola: É fundamental manetra a bola em movimento. Os espaços também são vistos pelos adversários, e são eliminados normalmente quando a bola para, ou seja, os adversários normalmente, quando temos a bola, estão olhando para ela, é o centro do jogo, logo se mantivermos ela em movimento sempre, conseguiremos aproveitar os espaços.

SITUAÇÃO DE JOGO:


Representação da situação de jogo comum, de 5 x 7. Neste caso a superioridade defensiva pode atrapalhar a propensão do ataque em criar as situações de finalização. Então é fundamental em contextos iniciais que ocorra um sucesso maior ao que se quer treinar, gerando uma maior progressão com o desenvolvimento do coportamento desejado.

ALGUMAS POSSIBILIDADES DE AMPLITUDE E PROFUNDIDADE DE JOGO GERADAS  COM A MOBILIDADE DOS JOGADORES DENTRO DA ESTRUTURA:

 Abertura dos atacantes, podendo receber a bola no espaço entre os laterais e os zagueiros.

 Entrada de um volante nas costas do meia, neste caso é necessário um mecanismo de compensação pois o jogador irá se distanciar bastante da sua zona de ação e em casos de contra-ataque poderá haver uma exposição do setor.

 Entrada do meia no espaço entre os zagueiros, recebendo a bola na última linha do adversário.

EXERCÍCIO - CRIAÇÃO DE ESPAÇOS, APROVEITAMENTO E FINALIZAÇÃO:


Contexto do Exercício: Os jogadores estão posicionados em um 1.4.4.2 Losango, contra uma defesa em linha + dois volantes, representados pelas barreiras.

Pedagógicamente coloquei os cones brancos representado possibilidades de espaço, para que haja uma visualização dos mesmos antes do acontecimento.

Também para aproveitar o exercício, coloquei uma finalização extra para o meia ou volante, de preferência de fora da área, que ocorre após a finalização da jogada.

1 QUADRO: 


 Espaços para a assistência, em situação de finalização direta ou nova assistência.

2 QUADRO:


Locais mais propícios (por dentro) para a recepção da bola para efetuar o jogo frente costas, e servir como ponte de progressão de jogo.

3 QUADRO:
  

Exemplo de combinação. 


 FInalização da jogada e segunda finalização.

4 QUADRO:


Relação importante de busca e profundidade, um atacante descendo para receber a bola e servir como ligação, e outro atacante dando profundidade para receber a assistência.

Grande abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A IMPORTÂNCIA DE "TER" MODELOS


 

"No, ganar o perder no tiene nada que ver con jugar bien. Ni pasas a tener razón porque ganas, ni tampoco la pierdes por no salir vencedor."

Johan Cruyff
El Periódico

Quando um jogador inicia sua carreira na base do Santos Futebol Clube hoje, ele tem quem como modelo (principalmente os aspirantes a atacante)? Neymar, assim como Neymar teve Robinho, e Robinho teve Pelé, e Pelé teve seus modelos também.

O modelo é importante para nos dar um parâmetro de qualidade, do que achamos possível ser feito de forma que agrade a nós, e ao ambiente em que vivemos.

Vejo assim o FC Barcelona hoje, é um modelo de equipe, que apresenta determinadas caracteristicas possíveis de serem copiadas de forma positiva por outras equipes, afim de tornar o futebol em sí um jogo mais agradável de ser visto, um jogo mais coletivo, sem perder a qualidade individual.

O Shaktar Donetsky por exemplo, joga de uma forma muito parecida ao Barcelona, pelo menos me pareceu nos dois jogos da Liga dos Campeões, em que o Barcelona goleou, mas poderia ter sido goleado também.
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USANDO O MODELO

Vídeo em que apresentamos algumas situações pretendidas pela então equipe junior do EC Cruzeiro.

Num segundo momento coloquei uma edição de vídeo do FC Barcelona em que cito alguns comportamentos que a equipe apresenta e apresentou no decorrer do ano inteiro. A edição não é minha, não sei quem é o responsável pois não indica no vídeo.




Em outro momento vou utilizar este vídeo do EC Cruzeiro jovamente (vou refazer a postagem sobre organização ofensiva) pois acredito que fica fácil de verificar que conseguimos passar por todos os momentos do jogo (Iniciamos em Transição Defensiva após uma jogada, entramos em Organização Defensiva, entramos em Transição Ofensiva e Terminamos em Organização Ofensiva com o gol), dando ênfase na Organização Ofensiva, e dentro desta conseguindo ter êxito nas 3 fases que acreditamos serem pertinentes:

1 - Organização
2 - Criação de Superioridade"s" / Espaço"s"
3 - Aproveitamento dos espaços e Finalização

Junto com isso algumas coisas aparecem, como jogo frente costas, entre linhas, abertura e profundidade, criação de linhas, dentre outros.


Um assunto interessante é a reprodução deste modelo do FC Barcelona em outras equipes que não o próprio FC Barcelona. Neste vídeo dos juniores do Cruzeiro facilmente se identifica movimentos parecidos, e me pergunto, será correto "copiar" este tipo de modelo de jogo, com adaptações contextuais, claro, mas seguindo a mesma filosofia?


Cada vez mais acredito em minhas experiências de campo, que a maior parte dos erros cometidos pelos jogadores da base, principalmente em juvenis e juniores , ocorrem pela preocupação em ganhar o jogo, tornando este um jogo muito mais rápido do que a natureza do momento permite, um jogo descontrolado, e para mim, isso é culpa do modelo de valorização, que acaba condicionando os modelos de jogo das equipes destas idades.


Pensemos então, se valorizarmos modelos como o do Barcelona, do Shaktar Donetsky (pra não ficar só no Barcelona) não estaremos formando jogadores com menos pressa e com mais qualidade, vivendo mais o jogo?


É possivel fazer isso com outros modelos? É, porém, na maioria deles a participação dos jogadores se reduz com a bola, consequentemente a propensão de aprendizagem e participação ativa também cai, muitas vezes por nem dar tempo de tomar conciência do processo, é comum ver isso em categorias sub-10 ou sub-11 em que as equipes iniciam suas organizações com um balão do zagueiro, para um atacante que normalmente parte para um lance 1x1 e a partir dai o acaso toma conta. Porém o que leva os treinadores a acreditar nesse tipo de jogo? O resultado, um zagueiro pequeno em termos de idade ao tentar sair jogando por exemplo, pode errar pela sua falta de conhecimento sobre as opções, timmings, percepção e tomar o gol, e consequentemente a equipe pode perder por causa disso. Porem esse erro pode ser o inicio do acerto, o conhecimento e o aprendizado passam pelo erro, não podemos blindar os atletas, temos sim é que acreditar em "um" futebol independente da idade.


E para finalizar, será que o pessoal do FC Barcelona inventou este modelo? Ou apenas aperfeiçoou a cópia da seleção holandesa de 1974?

Alguns clubes tradicionais tem modelos diferentes deste acima proposto inclusive quase como estatutos do clube, muitas vezes até o oposto do que mostrei acima, porém se hoje a Inter de Milão, que foi Bi-campeâ Europeia com Helenio Herrera com o velho Catenaccio nos anos 60, (inclusive segundo alguns inventando á figura do Líbero e até mesmo da Defesa com 3 Zagueiros já que ele muitas vezes usava uma linha de 4 com um Líbero atrás, jogando com 5 alí), E Mourinho vencendo tudo na Itália jogando na maior parte das vezes com um 1.4.3.3 e um Losango bem ofensivo, e não me lembro de alguém ter dito que isso agrediu a cultura defensiva italiana gerada lá pelos resultados do Herrera.
 
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Grande abraço
Luis Esteves

sábado, 14 de maio de 2011

O NASCIMENTO DE UM MODELO


"Cuando yo llegue al Barça en el 88, el Madrid tenía el que para mí ha sido su mejor equipo en los últimos 40 años. La Quinta del Buitre. Llegué y llevaba tres ligas consecutivas. En Barcelona todos lloraban. Los árbitros tenían la culpa de todo. Madriditis, al fin y al cabo. Ellos eran mejor y, claro, ganaban. Lograron dos títulos mas, pero nosotros fuimos creciendo. Soportando que ellos fueran mejores, pero creciendo. Hasta que un día, jugando tan bien como ellos o incluso mejor, les ganamos. El Dream Team contra la Quinta.

Ganamos cuatro ligas consecutivas, pero ellos seguían siendo muy buenos. Y pudieron ganar dos de aquellas ligas. A un equipo fantástico, por muy fantástico que sea, lo puedes llegar a vencer jugando bien. Pero si eliges el camino equivocado, te puedes quedar sin nada."

Johan Cruyff
El Periódico
 

Todo nascimento é dolorido, o processo de nascer exige uma luta terrível da mãe para com o bebê para que este venha a nascer, o tempo é relativo demora mais para uns menos para outros, porém é sempre difícil, mas se houver paciência, se houver superação, e se o processo for respeitado, a criança nasce, cresce e tem sua vida, porém alguns morrem no parto. As vezes inclusive a mãe.

Para mim esse processo da natureza se dá também em organizações, em equipes de futebol, quando você estabelece um novo conceito, existe o nascimento deste, e se nas primeiras dificuldades, nos primeiros problemas, dores, desistirmos, o modelo morre na casca. Eis o problema dos valores. Eis os problemas dos diretores.

Gosto muito da hipótese do Garganta sobre a progressão dos modelos, e realmente acredito que elas sigam este caminho:
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MODELO RUDIMENTAR
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- Jogo estático, não orientado, jogadores centrados sobre a bola, excesso de verbalização.

- Os jogadores perseguem indiscriminadamente a bola, aglutinando-se sobre ela;
- Dificuldades na relação com a bola (Domínio, Controle, Proteção, Passe... etc.);
- Utilização sistemática da visão para olhar a bola, impossibilitando a "leitura" do jogo;
- Imobilismo dos jogadores sem bola, excesso de verbalização;
- A circulação da bola não é voluntária;
- Sucessão de ações isoladas e explosivas sobre a bola.

MODELO INTERMEDIÁRIO

- Jogo estático, orientado, jogadores centrados sobre o passe.

- Ocupação mais racional do terreno de jogo, embora pouco eficaz, pois é pouco móvel, estático;
- Existência de blocos de jogadores estáticos que trocam passes entre si;
- A visão (Central e Periférica) vai sendo aos poucos "libertada" para ler o jogo;
- Todo o encadeamento de ações necessita de uma paragem Bola-Jogador;
- Pouca agressividade ofensiva.

MODELO AVANÇADO

- Jogo dinâmico, orientado, jogadores centrados sobre a finalização - Gol

- Jogadores organizados em funções de finalidades diferentes;
- Agressividade ofensiva;
- O portador da bola joga de cabeça levantada para "ler" o jogo;
- Alternância do jogo em largura e profundidade;
- As ações são organizadas em função dos alvos – goleiras;
- As ações são encadeadas;
- Privilegia-se a Comunicação Motora, em detrimento da Gestual e Verbal. 

A questão é, respeitamos este processo? A metodologia nos possibilita os métodos, e os métodos vão nos deixar mais ou menos tempo em cada um destes níveis de modelo. Inevitavelmente iremos cair na questão do tempo e do resultado, os cânceres do nosso tempo.

Ah, mas alguns preferem a cesariana, mesmo que o parto normal seja em termos percentuais muito mais seguro para a mãe e para a criança.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

GARGANTA, J; Competência de ensino de jovens futebolistas. Universidade do Porto/ Faculdade de Ciência do Desporto e Educação Física. Rev. Digital, ano 8, fev. 2002.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

HISTÓRIAS DA BOLA

São Paulo adota tecnologia GPS em atletas para evitar "migué"

FONTE: TERRA
http://esportes.terra.com.br/futebol/copadobrasil/2011/noticias/0,,OI5115689-EI17245,00-Sao+Paulo+adota+tecnologia+GPS+em+atletas+para+evitar+migue.html



06 de maio de 2011 • 17h42
Notícia

Fernandinho aprova nova tecnologia do São Paulo
Foto: Luiz Pires/Vipcomm/Divulgação

O São Paulo vai receber nos próximos dias um relógio com tecnologia GPS para auxiliar os jogadores na preparação física durante os treinos e evitar uma possível falta de comprometimento dos jogadores nas atividades.

O objeto transmite a um computador a frequência cardíaca do atleta, o esforço na atividade, as distâncias percorridas com velocidade e se o trajeto pedido pelos preparadores físicos foi alterado. Ou seja: se um atleta quiser tentar enganar a preparação, logo será identificado.

O atacante Fernandinho gostou da ideia. "É bom para todos nós, pois vamos dar o máximo sempre", disse o atleta, que se recupera de contusão e já retornou aos treinamentos no gramado. Outros clubes do Brasil, como Cruzeiro e Criciúma, já fizeram uso dessa tecnologia importada.

OBSERVAÇÃO:

Minha dúvida é, será que o GPS irá evitar o migué no jogo?
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HISTÓRIAS DA BOLA
TEXTO RETIRADO E ADAPTADO DO MEU PRÓPRIO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
2008
A HOLANDA DE 1974




4.7.1. Origem

 
Em 1970 a seleção brasileira encantou o mundo com um futebol mágico, onde a movimentação e os contra ataque rápido, tanto utilizando de passes curtos como lançamentos eram a principal característica, pois havia jogadores com talento suficiente para isto, e a preparação física já tinha um papel determinante, principalmente após 1966. Então, como a maioria das evoluções que foram apresentadas na historia do futebol, talvez a maior de todas, aconteceu na copa do mundo da Alemanha, em 1974, e foi realizada pelo selecionado holandês, comandado pelo então treinador Rinus Michels.

Michels, que fora jogador do Ajax, era um centroavante, um artilheiro, e assim como Alf Hamsey que era defensor, trouxe de seus tempos de jogador a mentalidade ofensiva, que mais tarde se tornaria símbolo das equipes holandesas, uma escola que a partir dele, começou a ser desenhada como uma das maiores do mundo em termos culturais. Antes disso, o futebol holandês não tinha nenhuma expressão no futebol mundial.

Já no início dos anos 70, Michels conseguiu conquistas importantes na Holanda e na Europa, e acabou vencendo em 1971, 1972 E 1973 a Champions League, maior torneio de clubes do planeta. Então no ano de 1974 assumiu a seleção holandesa, a dois meses da copa, com a missão de tentar fazer apenas um bom trabalho e colocar a seleção num lugar honrado, já que ate então este país não tinha nenhuma tradição em copas do mundo. Dois meses depois o mundo veria o que a crônica esportiva chamou de “Futebol Total”, onde todos jogavam, todos atacavam e todos defendiam. Era a pelada organizada como diria Tostão.
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4.7.2. A formação da equipe

A concentração para formar a equipe começou dia 21 de maio de 1974. Michels utilizou uma metodologia de treinamento que valorizava muito a parte física, segundo Johann Cruyff , jogador e capitão daquela equipe, o método de trabalho utilizado por Michels foi diferente dos que se trabalhava na época. Deu ele ênfase a parte aeróbia, buscando uma resistência específica para o modelo de jogo que viria pela frente, este foi um dos pilares da construção daquela forma de se interpretar o futebol.
Cruyff (1974) cita:

"Nos primeiros dez dias fomos exigidos em fortes treinamentos. Michels nos fez correr, correr e correr, dar voltas e mais voltas, até um total de duas horas pela manhã e outro tanto de tarde, o que nos parecia exageradíssimo, tendo em conta que o ideal era treinar duramente no princípio, para depois ir fazendo decair o ritmo, mas que não teríamos tempo o suficiente para treinar forte (CRYFF, 1974 p. 33)."

Após essa seqüência de treinamentos a seleção holandesa fez uma série de amistosos e jogos-treino, onde em nenhum deles obteve um resultado satisfatório, com exceção de uma partida contra a Argentina, fora este todos os jogos foram muito ruins.

Michels e os jogadores, mesmo com os maus resultados sabiam os motivos. Primeiro, haviam treinado muito forte, e a força lhes fugia, e o fator mais importante: historicamente as equipes holandesas não tinham uma tradição respeitável, e a cada partida boa que faziam, correspondia a cinco ruins e eles sabiam disso, e chegaram à conclusão de que isso acontecia devido ao culto excessivo que os jogadores tinham em seus clubes de origem, a seleção era formada por cinco jogadores do Ajax, e mais quatro ou cinco jogadores do Feyjenord. Ambos jogavam em modelos diferentes e os atletas do Ajax não queriam aceitar o modelo do Feyjenord, nem estes o modelo de jogo do Ajax.


Então, segundo Cruyff (1974, p.34), “Michels reuniu os jogadores e disse qual ia ser a tática utilizada e quem estivesse de acordo e disposto a jogar conforme a sua tática podia permanecer na seleção, quem não estivesse poderia arrumar as malas e ir para a casa”. Os jogadores pensaram, e com a liderança de Cruyff, conseguiram formar um grupo voltado ao trabalho em equipe, onde o lema era ajudar o companheiro sempre que este precisasse. Na verdade esta cultura sempre esteve presente no sistema socio-econômico holandês.


Cruyff (1974) cita:



"A cabo de uma semana, perguntei aos companheiros, um por um, se aceitavam (a filosofia de Michels). E logo lhes explicava que, se aceitavam, tinha que ser com dedicação total, com espírito de colaboração e de luta, com moral de vitória, com mentalidade voltada para o trabalho que tínhamos por fazer. “Aquele que não está conosco, está contra nós”. Assim começou a se forjar o espírito do time, foram-se contornando as pequenas questões, e logo estávamos todos muito compenetrados e ansiosos de que tudo nos saísse na medida dos nossos desejos (CRUYFF, 1974 p. 34)."
E assim foi construído o espírito da equipe holandesa, segundo Cruyff (1974), uma equipe que estreou dia 15 de Junho, contra o Uruguai, em Hanôver, jogando um futebol novo, na equipe havia muitos homens jogando pela primeira vez nas posições, muitos improvisos, jogadores nervosos, mas ao entrar em campo conseguiram combinar com perfeição e jogaram um belo futebol, com uma movimentação intensa e inúmeras oportunidades de gol. A Holanda acabou vencendo por 2 x 0, mas deixou a impressão de que ali nascia uma nova concepção de jogo.

O curioso é que segundo o próprio Michels, em entrevista e um documentário sobre futebol, afirma que o Futebol Total, marca registrada de sua equipe talvez já fosse aplicado por seleções como a da Áustria, o Wunderteam e a Hungria de 1954. (HISTÓRIA DO FUTEBOL, 2005).


4.7.3.   Desenho do Sistema Holandês
4.7.4. Funcionamento

O fato é que esta seleção holandesa inventou uma nova maneira de jogar futebol, até então nunca vista, havia sim um pequeno rabisco deste estilo de jogo que foi desenvolvido pela seleção brasileira em 1970. Um time que jogava um futebol vistoso, entre toques rápidos e contra ataques, com bastante movimentação, mas a equipe holandesa elevou este estilo de jogo a sua cultura, uma cultura ofensiva de seu treinador. A equipe apresentava uma movimentação espantosa, em que poucos eram os jogadores que não apareciam para dar opções de passe, os jogadores não guardavam uma posição fixa como o de costume até então (especialização de posição), era comum ver o lateral esquerdo Krol no meio da área, ou Cruyff atuando na linha de defesa, era uma equipe polivalente, atacava em conjunto, e defendia também em conjunto.



Embora haja diversas versões para o sistema de jogo, o mais certo segundo Tostão (1997) é que a Holanda jogava em um 4.3.3 no qual as linhas atuavam bem perto uma da outra, no qual Cruyff ocupava a posição de atacante central, jogavam também com pontas bem abertos, costumavam também atuar avançados, pois segundo Rud Krol,lateral e um dos líderes desta seleção, era mais inteligente jogar no campo do adversário, pois só se corria 30, 40 metros, sendo que se tivesse que jogar o campo todo teria que se correr 70, 90 metros o que naturalmente cansaria mais, escola que perdura até os dias de hoje na Holanda. Mas isto era apenas um mero posicionamento, quando a bola rolava os jogadores se movimentavam e cobriam espaços deixados pelos companheiros, e isto deixava as defesas adversárias constantemente em apuros, ou em inferioridade numérica contra os holandeses.

4.7.5. O Pressing


Uma das principais características da seleção holandesa, era a forma como roubava a bola dos adversários. A equipe se compactava de tal modo que não dava espaços para o adversário jogar, e este era o pensamento do “Futebol Força” criado pela Inglaterra em 1966. Essa marcação foi chamada de Pressing, ou simplesmente Pressão, os jogadores adversário que recebiam a bola eram sempre pressionados por diversos holandeses, e quando estes roubavam a bola saiam rapidamente com o objetivo simples de fazer o gol, com toques curtos ou lançamentos, procurando fazer sempre ultrapassagens entre linhas do adversário, princípio que até hoje cultivam, e pode ser visto por exemplo no FC Barcelona dos dias atuais.

4.7.6. Triangulações

Outra característica apresentada pelo sistema holandês, era a forma como os jogadores faziam as aproximações, movimentos necessários para a troca de passes curtos. Segundo Johann Cruyff e Ruud Krol, o passe curto, de dez metros era o mais importante, juntamente com a movimentação em triângulos, pois segundo eles nesse tipo de movimentação é possível olhar no olho do companheiro e ver aonde vai à bola, sendo assim possível antever a jogada (CRUYFF, 1974).


4.7.8. O Futebol Total

A este futebol ficou conhecido como “Futebol Total” por exigir dos jogadores uma gama de qualidades no qual a maior delas, segundo o próprio Rinus Michels era a inteligência. Segundo eles oito dos seus onze jogadores possuíam uma inteligência acima da média, o que os possibilitava perceber e corrigir erros durante o jogo, em questão de segundos, improvisando e decidindo tudo rapidamente. Todos atacavam e todos defendiam, eis daí o termo Futebol Total.

O Futebol Total nasceu de uma junção do Futebol Força, jogado pelos europeus, e o Futebol Arte, jogado pelos sul-americanos, mas com um maior objetivo de vencer, deixando de lado dribles desnecessários e a falta de objetividade. É certo que este estilo de jogo influenciou o mundo todo, os jogadores começaram a ter uma maior polivalência de posições, a movimentação aumentou muito, buscando em outros esportes adquirindo ate características, como o Futsal e o Basquete, pois ao mesmo tempo em que os espaços em campo diminuíram muito com o aumento da capacidade de marcação, resultado de uma preparação física que permitia marcar e jogar, a única forma encontrada para ultrapassar esta barreira era a movimentação, a triangulação, o que a seleção holandesa executou com extrema eficiência. Essa movimentação na verdade foi uma resposta ao encurtamento de espaço oferecido pelo então Futebol Força, que tinha primeiro como objetivo não deixar jogar, para depois se preocupar em atacar e construir jogadas ofensivas.

Este estilo de jogo nunca mais foi repetido, (até o Dream Team do FC Barcelona dos anos 80/90 e u atual time do clube, treinado por Joseph Guardiola, que apresenta muitos traços desta equipe), talvez por nenhuma equipe após o fato ter contado com jogadores tão inteligentes, mas a influência causada pelos holandeses, e a escola criada a partir dali, esta sim, dura até os dias de hoje, e sempre terá influencia sobre a evolução do futebol. Michels em entrevistas diversas inúmeras vezes que um dos fatores determinantes dentro do sistema de jogo holandês e da filosofia proposta era a inteligência de seus jogadores, segundo ele oito ao menos de seus onze titulares tinham um QI acima da média, o que facilitava em muito o entendimento das movimentações e ocupações de espaço utilizado pela Holanda (ZERO HORA, 2003).

4.7.9. O 4.3.3 Clássico e o 4.3.3 Moderno

Após o aparecimento oficial do 4.3.3 em 1962, com a seleção brasileira na copa do mundo do Chile, ocorreram diversas modificações no funcionamento dos sistemas e modelos de jogo das equipes e seleções de alto nível. Portanto o 4.3.3 que pareceu em 1962, não é o mesmo 4.3.3 que a seleção holandesa utilizou em 1974, dentre os dois sistemas podemos identificar as seguintes mudanças segundo Drubscky (2003):


4.7.10.   Aplicação Prática

Na Figura 34 podemos identificar perfeitamente as linhas do sistema 4.3.3, com uma linha defensiva de quatro jogadores, uma linha média com três, e na frente uma linha com mais três jogadores (na foto não aparece o Ponta Esquerda). Esta e a configuração do sistema de jogo 4.3.3 Moderno, e também era a do 4.3.3 Clássico.


4.7.11. Evolução

Componente Tático:

• Desenvolvimento da Pressão ou Pressing, consequente aumento da capacidade física de resistir a uma maior intensidade de jogo;

• Futebol Total = Todos Atacam e todos defendem;

• Intensidade maior nas ultrapassagens e infiltrações;

• Utilização dos espaços vazios para futuras ocupações;

•Criação de superioridade numérica na zona da bola;

• Infiltrações de todos os lados, todos os jogadores eram homens surpresa, com algumas estruturas fixas;

• Abertura do jogo em amplitude e profundidade, em imagens e vídeos da seleção  holandesa percebe-se sempre jogadores bem abertos para dar opção de passe, e situações de retirada da pressão;

Componente Físico:

• Maior resistência, devido à maior intensidade nas movimentações e ultrapassagens.

• Jogadores de diferentes biotipos, alguns altos, outros baixos, mais adaptados a funções variadas, mas menos fortes que os do Futebol força.

Componente Técnico:

• Jogadores menos virtuosos, mas mais eficientes tecnicamente, com muito senso de precisão;

• Passes curtos, com menos de 10 metros davam ênfase ao modelo de jogo;

• Viradas de bola constantes;

• Bolas por cima da defesa em diagonal, buscando jogadores que entravam pelas costas da defesa;

Componente Psicológico:

• Maior valorização do espírito de grupo, muito mais coletividade;

• Ajuda mútua dentro da equipe, maior solidariedade.
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Grande abraço
Luis Esteves