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quarta-feira, 18 de abril de 2012

ESMERO E OBSESSÃO

Publico hoje um belo texto que conheci no site: http://circulado.com.br/como-pep-se-tornou-guardiola-esmero-e-obsessao/

É sempre bom saber como se formam determinados fenômenos como o Guardiola e a atual equipe do FCBarcelona. E no final das contas parece ser uma questão de princípios, uma questão de amor "ao jogo".

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Texto sensacional publicado na Folha Ilustrada deste domingo sobre o grande treinador do Barcelona Pepe Guardiola. Sua história e como a obsessão pelo futebol bonito começou. Vale a pena cada linha.

ALEXANDRE GONZALEZ

TRADUÇÃO SOPHIE BERNARD

ILUSTRAÇÃO MARCELO COMPARINI



RESUMO

Símbolo do Barcelona por uma década, Josep Guardiola pendurou as chuteiras em 2006 com o projeto de ser treinador. Ao contrário da maioria dos ex-jogadores que trilham esse caminho, foi estudar e buscar as lições de seus mentores. Propondo um futebol mais de razão que de resultados, Pep já conquistou 13 dos 16 títulos que disputou como técnico do Barça.

“Meu pai diz que preciso me reconverter. Pergunta o que quero fazer da vida. Não sei o que dizer; talvez que não vá fazer nada. Mas ele insiste, quer que eu me mexa, para não passar a imagem de preguiçoso. Mas, pai, talvez eu não faça nada mesmo da vida…”

Em 2 de agosto de 2006, Josep Guardiola deu uma de suas últimas entrevistas. Poucas semanas antes, ainda jogava no desconhecido Dorados de Sinaloa, time mexicano cujo nome soa mais como uma franquia de beisebol de segunda divisão do que como um clube de futebol profissional.

O fim de carreira do meia catalão não foi à sua altura e, em suas palavras, sua reconversão também não parece lá muito bem encaminhada. Mas, atrás do discurso depressivo, o que Guardiola não diz é que passou o verão em Madri. E que sabe exatamente para onde vai.

DIPLOMA

O mês de julho de 2006 é intenso para o ex-capitão do Barça. Todo dia, ele vai até o subúrbio de La Rosas, rumo à Ciudad del Fútbol, na capital da Espanha. Lá, acompanha aulas com assiduidade, preparando-se para se diplomar treinador. O aluno é aplicado e talentoso.

“A escola nacional de futebol espanhola não tem ranking de classificação para os diplomados, mas posso dizer tranquilamente que Guardiola estava entre os três melhores da classe”, lembra Oscar Callejo, secretário da escola.

Com o diploma em mãos, Guardiola não se dá por satisfeito. Para completar a formação, aconselha-se com treinadores que admira.

“Ele ligou para mim e para um monte de outros treinadores. Hoje parece coisa de doido: ligar para falar de jogo, analisar, descascar. Ele tem uma sede insaciável de debater. Eu sabia quando começavam as conversas com ele, mas nunca quando iam terminar”, diz o técnico argentino Angel Cappa.

Ex-adjunto de César Luis Menotti e depois de Jorge Valdano no Real Madrid, treinador do Huracan e do River Plate -foi quem descobriu Javier Pastore-, Cappa foi para a casa de Guardiola em Barcelona no final de 2006. “Não sei se ele já pensava em ser treinador, mas para mim era óbvio. É raro um jogador querer tanto colocar um jogo numa mesa de dissecação.”

LA VOLPE

Obsessivo e perfeccionista, Pep lista os técnicos com quem os quais gostaria de conversar. O primeiro é um argentino de bigode ameaçador, desconhecido na Europa, Ricardo La Volpe.

Na Copa do Mundo de 2006, Guardiola escreveu no jornal “El País”, e suas análises dos jogos e reflexões sobre futebol deixaram muita gente desconcertada. Só uma seleção agrada ao catalão. Não é a Alemanha de Jürgen Klinsmann, nem a Itália de Marcello Lippi, mas o México de La Volpe.

Ele escreveu: “Johan Cruyff dizia: o mais importante no futebol é que os melhores jogadores sejam os zagueiros. Se você sai com a bola, consegue jogar; se não, não faz nada. Johan diz que a bola equilibra um time. Se perde a bola, o time se desequilibra; se perde pouco, consegue manter o equilíbrio. La Volpe decidiu que sua defesa saísse jogando, e não que começasse jogando, o que é diferente.

"Para La Volpe, começar a jogar é tocar a bola entre os zagueiros, sem maiores intenções. Mas La Volpe os obriga a fazer outra coisa. Ele os obriga a sair jogando, obriga os jogadores e a bola a avançarem juntos e ao mesmo tempo. Soube que, nos treinos, La Volpe pede aos zagueiros que corram com a bola por 30 minutos sem parar. Se alguém faz um passe errado, se o campo não é usado em toda a sua extensão, se um passe não é dado para o goleiro como manda o jogo, ele pede para recomeçar do zero.

“Ele corrige, grita, e tudo recomeça. Uma vez, depois outra. Cem vezes, se for preciso. E ver seu México jogar é fantástico.”

Nem mais nem menos do que uma declaração de amor.

Mesmo que isso não agrade a Guardiola e ao seu romantismo, La Volpe foi demitido após ser eliminado nas oitavas de final, apesar de os mexicanos terem dominado a Argentina durante todo o jogo; o futebol só vive de vitórias.

Pouco acostumado a falar com a imprensa, La Volpe declarou: “Sei que Guardiola mencionou meu nome várias vezes, dizendo que fui um dos que mais o influenciaram. Talvez se inspirasse em mim nas triangulações ao chegar à área adversária. E disseram que dedicou a mim a Liga dos Campeões de 2009 [Barcelona 2 x 0 Manchester United], mas ele nunca me disse isso.

“Acho que seguimos o mesmo caminho. Gostamos de tomar a iniciativa do jogo, que o jogador assuma a responsabilidade de conduzi-lo. É assim que se faz bom futebol. Ele faz isso e ainda vence. Alguns de nós foram criticados por tentar e não vencer, é a regra do jogo”.

La Volpe seria demitido do Boca Juniors (2006), do Vélez Sarsfield (2007), do Monterrey (2008) e da seleção da Costa Rica (2011). Apaixonado pelo método argentino, como mostram suas relações com Cappa e La Volpe, por fim Guardiola atravessa o Atlântico.

Aproveitou uma viagem a trabalho de seu amigo David Tureba, cineasta e escritor, para voar a Buenos Aires. Era outubro de 2006.

ARGENTINA

Na capital argentina, Pep deixou sua bagagem num hotel do bairro de Palermo. A primeira visita que fez não foi a um treinador, mas a um nerd louro, um Mark Zuckerberg argentino, de cabelo comprido. Matias Manna é o criador do blog Paradigma Guardiola (paradigmaguardiola.blogspot.com). Ele analisa, com vídeos, pausas e reflexões perspicazes, o futebol de Pep.

“Desde 2005, vou decifrando a maneira de pensar e as convicções futebolísticas de Guardiola”, diz Manna. Ele conta como começou sua amizade com o atual treinador do Barcelona: “Eu o contatei por e-mail e ele respondeu. Sempre se mostrou aberto. Um dia, disse que estava vindo à Argentina e propôs um encontro. Passamos um dia juntos. Falamos muito de futebol.

“Dei a ele o livro ‘Lo Suficientemente Loco’, uma biografia de Marcelo Bielsa. Ele me agradeceu e foi deixar as malas no quarto. Quando desceu, minutos depois, citou quatro ou cinco conceitos de jogo que estavam no livro. Isto é: no elevador, voltando do quarto, já tinha entendido a essência.”

No dia seguinte, Guardiola decidiu assistir a um River-Boca, no Monumental de Nuñez. Seu ex-colega no Dorados Angel “Matute” Morales, conseguiu um ingresso para ele. Pep se misturou à multidão e, na fila para entrar, foi parado por seguranças. “Não o reconheceram”, conta Morales. “Foi revistado como qualquer um, mas não disse uma palavra, não protestou.”

Seu caminho o levou a César Luis Menotti, técnico campeão do mundo em 1978 e técnico do “seu” Barça na temporada 1983-84.

Como um velho sábio, Menotti recebeu aquele que, por enquanto, era só um jovem aposentado do futebol. O encontro aconteceu num restaurante do bairro de Belgrano, em meio a uma nuvem de fumaça de cigarro e cheiro de uísque.

“Quando Pep me procurou, algo já o distinguia: ele tinha ideias claras. Não chegou como outros, que queriam que eu desse o caminho, como se fosse o Messias. Ele já sabia. Então disse a ele: ‘Quer ser treinador? Não tenha dúvidas, vá fundo. Seja treinador, e assim as críticas serão mais bem divididas, não vão mais ser só para mim’.”

Guardiola deixou-se seduzir e também tranquilizar pelo discurso radical do mentor de Maradona. O terceiro e último encontro irá confortá-lo ainda mais na sua decisão.

EREMITA

Maximo Paz, província de Santa Fe. Josep Guardiola marcou um encontro com o eremita do futebol argentino, “el loco” Marcelo Bielsa. Então afastado do futebol desde 2004, Bielsa vivia confinado em casa, sem dar sinais de vida.

Guardiola conseguiu o encontro graças a Lorenzo Buenaventura, seu treinador pessoal quando jogava na Itália e ex-adjunto de Luis Bonini, o braço direito de Bielsa. Hoje, Buenaventura é o preparador físico do Barcelona. A fascinação de Guardiola por Bielsa data da Copa do Mundo asiática de 2002, quando “el loco” treinava a seleção argentina.

Na época, Guardiola declarou: “Para mim, o time mais interessante do torneio é a Argentina, mesmo que não tenha passado da primeira fase. Jogou muito bem, apesar de vivermos num mundo onde, se você ganha, é bom, mesmo que não tenha ficado com a bola; e, se você perde, não importa se tentou, se teve a bola, se o time estava organizado e se tinha apostado no 3-4-3, como Bielsa fez. Você perde e é um fiasco. Vejo isso de outra forma.”

Por 12 horas, em volta de um “asado” (churrasco argentino), os dois conversaram, assistiram a trechos de jogos, debateram, brigaram, se reconciliaram e recomeçaram. Um tema, ou melhor, um homem os une acima de tudo: Louis van Gaal.

O técnico holandês é o único europeu que Bielsa já tomou como exemplo: “O modelo estrangeiro que mais me agrada é o do Ajax de Van Gaal. Ele tem um time flexível para compor suas linhas conforme as exigências do adversário na hora de recuperar a bola. O que interessa é que o time tenha um projeto de jogo próprio nos momentos ofensivos. Calculei que o Ajax dava uma média de 37 passes para trás. O torcedor via isso como recusa a jogar, mas esse passe para trás era o início de um novo ataque.”

No seu livro “Mi Gente, Mi Fútbol” (2001), Guardiola diz o mesmo de seu treinador: “Poucos times me seduziram tanto quanto o do Ajax de Van Gaal, com sua facilidade para criar o jogo da defesa, a velocidade dos jogadores das laterais e seu modo de passar a bola. Aquele Ajax conseguia resolver de maneira fantástica todos os ‘um contra um’ de um jogo. No ataque e na defesa. Assumiam todos os riscos que um time pode correr.

“Aquele Ajax tinha algo que me surpreendia, espantava, maravilhava. A disciplina do posicionamento. A posse de bola como ideia de base. O jogo constantemente sustentado. Os movimentos de dois toques… E eles faziam isso de forma tão simples quanto sublime. O Ajax de Van Gaal dava aulas de futebol aos que conheciam perfeitamente o jogo.”

‘SANGUE’

Nutrido pelo futebol total de Johan Cruyff, Guardiola consegue, acima de tudo, aplicar maravilhosamente bem os preceitos de Bielsa. “Procuro ocupar as laterais, porque a maioria das situações perigosas vem delas. O contrário significa centralizar o jogo. Qualquer estudo revela que 50% dos gols finalizados vêm das laterais. Se um treinador quer que o time domine o jogo, deve posicionar no mínimo dois jogadores por setor. Nunca posiciono os jogadores com o intuito de atacar usando o contra-ataque.

“Para mim, trata-se, antes de mais nada, de uma questão de posse de bola. Se der para ficar com ela, por que devolvê-la? Não preparo um time para esperar. Um grande time não é condicionado pelo rival. O fundamental é ocupar direito o campo, ter um time curto, com uma linha de defesa e uma de ataque separadas por no máximo 25 metros, e que nenhum zagueiro esteja ocupado marcando um adversário que não existe.”

Tocado pela sinceridade quase ingênua de Guardiola, Bielsa perguntou: “Você, que conhece toda a sujeira do mundo do futebol, o alto grau de desonestidade de certas pessoas, por que quer tanto voltar e treinar jogadores? Gosta tanto desse sangue?”. Guardiola respondeu: “Preciso desse sangue”.

O fato é que o catalão vai usar outro método de Bielsa, o de não entregar nada à imprensa. Recluso no seu silêncio há mais de uma década, o argentino havia justificado assim sua vontade de não falar: “Por que eu deveria dar entrevista a um jornalista poderoso e negá-la a um repórter do interior? Por que deveria participar de um programa que tem picos de audiência toda vez que apareço e não me deslocar até uma pequeno rádio local? Qual a lógica? Meu interesse?”.

Guardiola se apoderou da fórmula. Depois de virar treinador do Barça, não deu mais nenhuma entrevista individual. Só vai às coletivas obrigatórias do clube.

JOGO BONITO

Pep voltou à Espanha está seguro de si como nunca. Dias depois de deixar a Argentina, em 22 de outubro de 2006, declarou ao jornal “Marca”: “Por que não poderíamos ter treinadores que defendam o jogo bonito? Converso com muitos treinadores: ‘Como é esse jogador? Como faz aquele?’. Mas não tem receita. No futebol, ganha-se com estilos muito diferentes. Precisamos fazer as coisas como as sentimos. É a partir da bola que se constrói um time.”

Em 2006, Josep Guardiola tinha 35 anos, tinha ideias, mas continuava desempregado. “Seu” clube, embora fosse campeão europeu, estava desabando. Contagiado pela suficiência, o Barça de Frank Rijkaard vivia suas últimas horas de glória. Txiki Begiristain, diretor esportivo do Barcelona e braço direito de Joan Laporta, logo foi consultado por alguns dirigentes, sabendo das intenções de Guardiola.

Begiristain então decidiu, para que seu ex-colega se acostumasse, confiar a ele a direção da categoria de base e dar a Luís Enrique o Barça B. Desapontado, mas leal a seu clube de sempre, Pep aceitou. Só pediu um último encontro com Begiristain. “Pep me falou sobre sua vontade de treinar. Entendi que era o momento dele”, diz o ex-diretor dos esportes do Barça.

Em 21 de junho de 2007, seis meses depois da viagem à Argentina, Guardiola foi nomeado treinador do Barça B, que estava na terceira divisão do campeonato espanhol.

Munido de princípios e teorias, foi confrontado pela primeira vez com a realidade da vida de treinador. Alertado por amigos sobre as dificuldades das divisões inferiores, o primeiro trabalho do técnico “blau-grana” (azul e grená) consistiu na seleção de um grupo.

Ele tinha poucos dias para reduzir o número de jogadores de 50 a 23, destruindo o sonho de vários. As primeiras dúvidas surgiram logo no primeiro jogo, que acabou… em derrota. Guardiola se empenhou, construiu um time no qual um certo Sergio Busquets se impôs no meio do campo; no qual, na ponta direita, Pedro Rodriguez oferecia seu jogo feito de percussões.

Dois meses após o início do campeonato, Guardiola resumiu: “Ser treinador é fascinante. É por isso que os treinadores acham tão difícil parar. O trabalho traz uma sensação permanente de excitação, de que o cérebro gira o tempo todo a cem por hora. Começar na terceira divisão me tornará um treinador melhor, se um dia eu ocupar o banco de um profissional. Hoje sou melhor que dois meses atrás.

“Nunca tinha sido confrontado com 25 caras esperando que eu dissesse algo. Hoje posso ficar tranquilo na frente deles. Antes, no intervalo, não sabia o que dizer.”

NÚMERO UM

Guardiola sabia as palavras certas, seu time venceu o campeonato e o Barça B subiu para a segunda divisão.

Ao mesmo tempo, no andar de cima, Rijkaard deixou escapar para o Real, pela segunda vez seguida, uma liga que estava na mão. Laporta entendia que o holandês não tinha mais autoridade sobre um grupo dominado pelos egos de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o. Começou então uma disputa de poder nos bastidores do Camp Nou entre os conselheiros do presidente.

Laporta conta: “Minha ideia era que Johan [Cruyff] treinasse o time, tendo Pep como adjunto, e que, na temporada seguinte, ele virasse o número um. Johan não disse nada. Eu o conheço, sei que toma decisões rápido. Por fim, ele me disse que deveríamos nomear Pep logo. Txiki concordava: ‘Guardiola está pronto para ser treinador do primeiro time’. Propus essa solução numa reunião. Alguns eram a favor, outros queriam Mourinho. Falei: ‘Mourinho não, vai ser o Pep’.”

Em 8 de maio de 2008, menos de dois anos depois de receber o diploma de treinador, Guardiola foi nomeado técnico do time do qual fora capitão e símbolo por cerca de dez anos. Sua primeira medida foi impor o afastamento das três estrelas: Ronaldinho, Deco e Eto’o.

Os dois primeiros aceitaram; o camaronês ganhou uma temporada de descanso. No primeiro treino, Pep se dirigiu aos jogadores: “Não vou prometer que vamos ganhar títulos. Vamos tentar. Mas apertem bem os cintos, porque vocês vão passar ótimos momentos.”

Pep acabava de se tornar Guardiola.
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Publicado originalmente na revista francesa “So Foot”. Colaboraram Javier Prieto Santos e Aquiles Furlone, de Buenos Aires.

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Grande abraço
Luis Esteves

sábado, 6 de agosto de 2011

CONVERSAS DE FUTEBOL - MATÍAS MANNA

 

"¿Qué es jugar bien? El arquero se la pasa al defensa, el defensa al mediocampo, el medio a los delanteros. Todo con buen ritmo de circulación de balón y encontrando superioridades en las líneas posteriores. Eso es jugar bien. Sin más. No hay secretos."

MATÍAS MANNA


ENTREVISTA
MATÍAS MANNA


Luis Esteves: Matias, gostaria de agradecer-lhe a disponibilidade de partilhar conosco seus conhecimentos sobre o FC Barcelona e os assuntos que o cercam, fico muito honrado em poder ajudar a publicar e disseminar a filosofia deste tipo de futebol.



Vamos às questões:

1. Luis Esteves: Como define a filosofia do FC Barcelona?

Matías Manna: La defino como uma manera de sentir una disciplina como El fútbol, pero que enmarca uma Idea de entender La misma vida. Cómo estructurar un club muchas veces determina de qué manera quieren vivir lãs personas. Es um lugar donde se aprende a vivir com El compañero, se aprende a vivir em colectivo y está muy bien que haya gente que puede sistematizar esta Idea y estructurarla em uma institución modelo como lo es El Barcelona.

2. Luis Esteves: Como o FC Barcelona chegou ao estágio atual? Quais foram as pedras fundamentais para esta filosofia enraizar na cultura do clube? Qual a importância de Johan Cruyff para o FC Barcelona?

Matías Manna: El contexto de país (catalunya) tiene mucho que ver em esto. Es más que um club, es um club com uma gran identidad a nível social. Eso genera más lazos. Los pequeños de Catalunya quieren jugar en El Barcelona, es su club y representa La Idea de nación catalana. Es uma identidad muy fuerte y que ayuda AL sistema y La estructura de ideas conceptuales que J.Cruyff y Carles Rexach inauguraron em La década Del 90. El Barcelona se dijo a si mismo: vamos a jugar de uma manera determinada. Antes vino Venables, Menotti, e intercambian lãs ideas de juego. Vino Cruyff y dijo seguiremos de esta manera. Hace 30 años que juegan así, La gente em El estádio pretende que esa Idea se desarrolle em El campo. No quiero outra, quiere esa. Guardiola lo siente así, y según Cruyff era La última esperanza, Allá por El 2001, cuando Guardiola persistia em El club. La única esperanza de volver a entender globalmente esse cúmulo de convicciones futbolísticas. Por suerte, retorno AL club, y esas ideas globalmente volvieron AL césped.

3. Luis Esteves: Existe relação entre a Holanda de 1974 e o FC Barcelona dos dias atuais?

Matías Manna: Le veo más relación AL Ajax de 1971 a 1973 com Rinus Michels y sobre todo com El rumano Kovacs. Hay uma revolución conceptual a través de los equipos, Ajax y Barcelona, que luego se exhiben em La selección. Por suerte, em 2010 em relación AL 1974, España pudo consagrarse campeona Del mundo.

La relación pasa porque a partir de esse Ajax, nacieron conceptos que hoy están presentes y potenciados por Guardiola em El Barcelona. Esse Ajax fue La génesis de entender a La disciplina de uma manera, atrevida, espectacular, ofensiva.

4. Luis Esteves: Como vê a importância do tipo de futebol que o FC Barcelona pratica hoje?

Matías Manna: Y esas ideas son importantes que se reflejen em um club ganador como lo es hoy El Barcelona de Pep. Yo apuesto por uma guardiolización global, que intenten e imiten a este equipo. A salir desde El fondo siempre y cada vez, a ordenarse com El balón, a intentar superioridades en todas lãs líneas, a que los centrales generen conducciones que derriben em superioridad em mediocampo, que los laterales terminen como extremos.

Es uma Idea de entender El fútbol que estaba em extinción. Es más fácil practicar y hacer um equipo com doble pivote y um 442 defensivo. Es más fácil destruir que crear. Y si como modelo se impone eso, El fútbol como juego se empobrece. Decae El espectáculo.

5. Luis Esteves: Quais são os princípios do FC Barcelona nos quatro momentos do jogo?

Matías Manna: Te cambio La pregunta. Que es jugar bien? Que El arquero se La pasa AL defensa, El defensa AL médio, El médio AL ataque, siempre com circulación y ritmo alto Del balón mediante pases generando superioridades em líneas posteriores.

Mediante esa Idea, se entiende AL equipo de Guardiola. Y no hay momentos autônomos, defensa y ataque. Si atacamos bien, defenderemos mejor. Guardiola entiende El juego de uma manera global, como um todo.

6. Luis Esteves: Gostaria que nos falasse sobre a “Posesión 74”, qual a orígem deste nome e quais os detalhes que caracterizam este comportamento?

Matías Manna: Em 5 grandes conceptos trate de sintetizar lãs ideas Del Barcelona. Usted nombra a los 5 em La siguientes preguntas.

Posesión 74 es a partir De que a través Del balón se ordena El equipo. A través de uma gran posesión Del balón (muchas veces El Barcelona termina El partido com 74% de posesión) y también uma muy buena posición de SUS jugadores. El juego de posición es clave. Le puse 74, em relación AL Holanda Del 1974, padre de entender El fútbol de esta manera.

7. Luis Esteves: Gostaria que nos falasse também da “Defesa Arriba” e seu funcionamento e objetivo no jogo.

Matías Manna: Es outro concepto primordial. La defensa se mueve como um todo com El ataque, defienden a 40, metros Del arco próprio, eso es defensa arriba. Achicar espacios, ahogar AL rival em su território, hacer uma trampa Del offside a 3 metros de La línea de mediocampo. Es brillante este concepto y por eso los defensores son vitales em El juego de posición Del Barcelona. Sino entienden esto no pueden jugar em El Barcelona.

8. Luis Esteves: Como define o “Abertos e profundos” qual a importância deste comportamento no jogo do FC Barcelona?

Matías Manna: Es um concepto que quedo um poço viejo. Guardiola es amante de los extremos. Los defendia mucho como jugador. Recuerdo manifestar su desencanto porque Overmars y Simao no tenían más minutos em sus últimos Barcelona como jugador. Em La tercera temporada creo que hubo um matiz importante em este concepto. Los abiertos y profundos son más los laterales que los extremos (Pedro y Villa) em este equipo teniendo em cuanta que los rivales se defienden mucho com um 442 o 451.

Pero siempre El barca agrande El campo em ofensivo com ellos. Si Guardiola no hubiera gustado Del “abierto y profundo”, no se hubiera dado cuenta de La importância de Pedrito, jugador que estaba casi afuera Del Barcelona B, a los poços dias de Haber entrado como entrenador Del Barcelona B em 2007. Lo vio rápido y dijo, necesito a Pedrio para ser a mi equipo abierto y profundo.

9. Luis Esteves: Como define a “Alta presión” e como o FC Barcelona concretiza este princípio?

Matías Manna: Es querer El balón cuando pierda La posesión de inmediato. Es atacar no teniendo La pelota. Es ahogar AL rival a metros de su salida, para recuperar antes y rápido y estar cerca Del arco rival y tener más chances de atacarlo. Es convencer a los delanteros que Sean los primeros defensores.

10. Luis Esteves: “Salir Jugando” significa o que no modelo de jogo do Barcelona?

Matías Manna: La veo como El concepto más trascendente y más subversivo de Guardiola. Todo El tiempo, em todos los campos y frente a todos los rivales, El Barcelona sale jugando desde El fondo. Lo practican continuamente. Es uma Idea trascendental em El juego. Es no queres rifar El balón, no dividirlo. Yo lo tengo, yo salgo com El desde Valdés o Pinto y pretendo llegar com El pase hasta La red rival. No hay outra manera. Lo aprendió mucho com Van Gaal, también mirando fútbol em México. Es um concepto novedades de esta época em El juego. Ahora algunos se atreven a presionarlo. Pero ahi, Guardiola y su equipo lo estudian más e igualmente pretenden salir así. Nadie hacía esto. Todos tiraban hacía arriba rápidamente por miedo a perderla em los primeros metros.

Lic. Matias Manna, creador de Paradigma Guardiola en el 2001, referencia del modelo Barça en latinoamerica.
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 Grande abraço
Luis Esteves

terça-feira, 31 de maio de 2011

A CULTURA, O CONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO

 
" Um menino caminha
e caminhando chega num muro...
E ali logo em frente a esperar pela gente
o futuro está...

E o futuro, é uma astronave
que tentamos pilotar...
não tem tempo, nem piedade
nem tem hora, de chegar
sem pedir licença muda a nossa vida
e depois convida à rir ou chorar

Nesta estrada
não nos cabe conhecer ou ver
o que virá...
O fim dela
ninguém sabe bem ao certo
onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela
que um dia enfim
descolorirá."

Toquinho
Aquarela


Alguns momentos da história são verdadeiros divisores do tempo, isso vale para todos os setores da humanidade, economia, arte, saúde, guerras, etc... e no esporte vale a mesma lei. Em 1974 quem já havia nascido e tinha idade suficiente para entender o futebol de forma mais complexa acompanhou a seleção holandesa e se apaixonou. Em 1982 o Brasil gerou o mesmo sentimento. E agora em 2011 o FC Barcelona nos propicia outro novo paradigma.



É comum dois comportamentos quando esses fenómenos acontecem:

1 - A CÓPIA: Os que copiam o fenómeno de forma reprodutora, sem conhecimento, pela "febre" do momento, e acabam fracassando por motivos diversos, e passam a entrar pro segundo grupo.

2 - A LENDA: Os que dizem que isso nunca irá se repetir, pois não tem os jogadores para isso, ou que o clube não tem essa cultura, ou que só aquela equipe poderia fazer tal coisa.

Para mim as duas coisas são na verdade falta de conhecimento sobre o fenómeno que se quer produzir, o que é diferente de reproduzir.



A CULPA DA CULTURA

Cheguei a conclusão de que a cultura do clube hoje é uma das desculpas que se dá para se acomodar em formas antigas de se ver o futebol, principalmente aqui no Brasil. É comum se colocar a culpa na cultura.

CONCEITO SIMPLES DE CULTURA

Wikipédia:

Cultura (do latim colere, que significa cultivar) é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, segundo a qual cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

A CULTURA, A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO

Como vemos, a cultura é uma composição de variáveis que se influenciam, interagem, dentre elas o conhecimento, ou seja, quando determinada cultura nasce ela depende do que se conhece, ela nasce da composição de conhecimento de determinada sociedade. Logo uma nova informação pode mudar esta cultura. Essa mudança antes era muito mais lenta, pois as informações chegavam muito depois de acontecer em outras culturas, por exemplo: o WM quando chegou no Brasil, e acabou gerando a Diagonal com Flávio Costa, chegou muitos anos depois de ser desenvolvido por Herbert Chapman no Arsenal, pois na época a globalização da internet não fazia parte da cultura de nenhuma sociedade.


Portanto o que fez Flávio Costa gerar a Diagonal, foi a informação, ao fazer jogos amistosos contra equipes argentinas e ser goleado, Flávio entendeu esta nova informação, teve acesso e desenvolveu um novo conhecimento, que acabou gerando a Diagonal, que por sua vez acabou com adaptações futuras do 4.2.4 gerando o 4.4.2 quadrado, e modificando toda a história do futebol brasileiro, pois do 4.2.4 surgiu o 4.3.3 do velho Zagallo que fechava o meio, estrutura essa que deu (não dando todo o crédito a isso, mas ajudou) ao Brasil dois títulos em 58 e 62, e tornou-o conhecido após isso como "o pais do futebol". Eu me pergunto, será que se Flávio Costa não tivesse sido goleado pelos argentinos, adaptado essa estrutura ao Flamengo, e modificado nosso contexto, será que seríamos hoje o que somos em termos de importância no futebol mundial?

O MEDO DE ERRAR TRAVA A EVOLUÇÃO

Para mim o problema maior não esta na cultura, e sim na cabeça dos treinadores, na valorização das coisas. O FC Barcelona só chegou neste ponto, de jogar como joga e ganhar, porquê primeiro se preocupou em jogar bem, jogar bem da sua forma, como vemos hoje, foi isso que treinaram e treinaram muito e jamais se contentaram em apenas ganhar. Só se preocuparam com isso depois que sabiam como jogar bem. É acreditar em uma ideia e não modifica-la por causa dos obstáculos. Porém nem sempre ganharam. Lógico que fazer isso em um altíssimo nível é impossível, porém falo aqui dos baixos níveis, das escolinhas, das categorias pequenas, da formação.

Eu pergunto, qual clube que não quer ter a cultura de jogar bem e ganhar? (existem muitas formas de jogar bem, mas convenhamos que a forma de jogar bem do Barcelona é hoje considerado pela maioria dos jogadores e treinadores como a mais bonita)

Qual o clube hoje no mundo não queria ser o Barcelona (em dimensões de sucesso)? 

Se Rinus Michels tivesse medo de errar em 1974 teria feito um bloco ultra baixo contra Argentina, Uruguai, Brasil, e teria saído da Copa como entrou, sem nenhuma moral no futebol mundial. É preciso assumir o risco, mas só assume quem acredita no que quer.



O CONTEXTO GERA A CULTURA E A CULTURA GERA O CONTEXTO

Guardiola não tinha em sua equipe Cruyff, Neskens, Van Hanegen, Falcão, , Romário, Stoichkov, Koeman, Zico ou Sócrates. Tinha apenas a ideia de que, aquele jogo, aquele modelo que encantou tantas pessoas em 1974, em 1982, e no Dream Team de Cruyff, e que foi conservada nas últimas décadas, amadurecida até chegar neste ponto, porém um dia, um preciso dia essa ideia nasceu, alguém tem que começar. Ai alguém vai dizer, mas tem o Xavi, o Iniesta, mas estes jogadores só existem hoje, porquê a 15 anos atrás eles já buscavam esta forma de jogar, e o contexto acabou produzindo estes atletas, tenho certeza absoluta que se o contexto fosse privilegiar o resultado final, estes atletas nem entrariam na escolinha do Barcelona, pois vão totalmente contra a ideia do futebol competitivo, ainda mais o pregado na década de 80/90 em que a força e o nível atlético dos jogadores foram transferidos ao atletismo e aos esportes individuais. A cultura gera o contexto, porém o contexto pode mudar se colocarmos novas informações vindas de novos conhecimentos, geramos assim um novo contexto, e este contexto irá gerar novas pessoas.


ALGUÉM PRECISA COMEÇAR

Quando Cruyff e Michels chegaram no Barcelona, o clube não tinha esta cultura, se estes por sua vez tivessem se adaptado totalmente a cultura vigente, hoje, não teríamos o atual Barcelona. Lógico que há o respaldo, o crédito, o tempo (mais de 30 anos). Certa vez o professor Afonso Gomes, em uma das diversas cadeiras que tive com ele disse: quando chegamos em um ambiente temos que ser "agentes modificadores" desse ambiente, não podemos nos adaptar a ele totalmente, a adaptação tem que ser apenas ao ponto da sobrevivência.

PRECISAMOS SER MENOS SUPERFICIAIS

Então minha esperança é que a febre do FC Barcelona se espalhe pelo sistema circulatório do futebol mundial, e que sistemicamente o futebol melhore, e que a hierarquia também melhore, o melhor não ganha sempre, mas normalmente joga melhor. E quando falo de começar, não é no Manchester ou no Real Madrid, é nas escolinhas, nos pequenos clubes de base, onde o futebol começa, lá este modelo de jogar o futebol deve ser adotado, pois é o modelo mais coletivo e qualificado demonstrado até hoje, de forma global, é um modelo que propicia o aparecimento das qualidades de cada um em prol do todo da equipe, por isso é fundamental que a partir desta ideia os treinadores elaborem seus conceitos, variáveis, mas seguindo esta qualidade, esta filosofia, não teremos outros Barcelonas, mas quem sabe não teremos jogadores melhores, equipes melhores, competições melhores, modas melhores.

Grande abraço
Luis Esteves

quinta-feira, 7 de abril de 2011

EXERCÍCIO - FINALIZAÇÃO

EXERCÍCIO
CIRCULAÇÃO E FINALIZAÇÃO

FC BARCELONA
2009


DESENHO DO EXERCÍCIO


CIRCÚITO DE PASSES E FINALIZAÇÃO

Este exercício embora simples, tem seu valor em termos de fundamentos e pequenos detalhes que podem ser considerados, por exemplo no modelo de jogo do FC Barcelona. Nota-se a preocupação com as seguintes situações no exercício:

- Condução próxima do pé - conduzir para criar linha de passe
- Passe diagonal
- Jogo frente/costas - jogador de costas já devolve a quem distribui a bola
- Formação de triangulo
- Infiltrações / Ultrapassagens
- Finalização

No desenho acima reproduzi a movimentação do vídeo. Embora o desenho possa parecer complexo, a situação é bem simples, as trocas entre cones seguem o ritmo da bola, e estão assinaladas pelas setas vermelhas no desenho.

Embora não seja um exercício que possa se basear uma metodologia inteira, os exercícios deste tipo em circúito tem seu valor semanal, e acredito ser útil em dias de recuperação ou movimentos mais rápidos, em situações com maior exigência de velocidade. Neste caso nota-se uma preocupação em utilizar pequenos sprints em meio e ao final da participação, inclusive com pequenos saltos entre um dos sprints, intercalando a velocidade cíclica e acíclica no mesmo exercício. É sempre importante levar em consideração o contexto.

Grande abraço
Luis Esteves

segunda-feira, 28 de março de 2011

POSSE TOTAL


"Eles apenas são exímios em fechar espaços e em tirar a bola do adversário, sem a necessidade de trombar."
Falcão
Zero Hora
Hoje irei reproduzir a coluna de Paulo Roberto Falcão, do jornal ZERO HORA, do dia 13 de Março de 2011, na qual este cita o FC Barcelona e sua filosofia de jogo frente ao Arsenal pelas oitavas de final da liga dos campeões da UEFA.


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PAULO ROBERTO FALCÃO
ZERO HORA
13 DE MARÇO DE 2011

POSSE TOTAL

Os holandeses de 1974 assombraram o mundo com o futebol total do técnico Rínus Michels, um esquema de jogo revolucionário, com jogadores sem posição fixa, circulando pelo campo, fazendo pressão e utilizando a linha de impedimento como arma defensiva. O chamado carrossel holandes foi uma ideia inteligente, nascida num pais de pouco mais de 15 milhões de habitantes, sem grande tradição futebolística. Pois agora, ao que parece, estamos presenciando outra revolução, protagonizada pelo Barcelona do técnico Joseph Guardiola e que pode ser resumida também em duas palavras: Posse Total.

Essa característica ficou evidenciada no último jogo do time catalão pela Liga dos Campeões, contra o Arsenal. Foi o colunista do jornal Lance, André Kfouri, que melhor registrou o fenômeno num artigo intitulado Não Chutarás. No texto ele desdobra com dados estatísticos um registro que já havia chamado a atenção de todos que viram o jogo - o tempo de posse de bola do Barcelona.

Contra o Arsenal, os companheiros de Messi estiveram com a bola nos pés 68% do tempo. Isso que o Arsenal lutou muito para retoma-la. No jogo de ida em Londres, o Barça já havia feito algo semelhante, ficando com a bola durante 61% do tempo, mesmo na casa do adversário. E contra o Rubin Kazan, na fase de grupos, os catalães estiveram com a bola 74% do tempo - uma coisa extraordinária.

E o dado assombroso não é exatamente a posse de bola, mas a sua consequência: O Arsenal não chutou uma só vez no gol do Barcelona. Não chutou mesmo, nem da direção do gol, nem por cima, nem pelos lados. Simplesmente não teve oportunidade de ataque.

Na sua pesquisa, André Kfouri constatou ainda que no segundo jogo das semi-finais da Liga dos Campeões do ano passado, a Inter de Milão deu apenas um chute no gol do Barcelona. E era a Inter, com todo o seu poderio.

O Arsenal marcou um gol contra o Barcelona, mas foi contra.

VOLANTES

O curioso desta equipe do Barcelona que se apossa da bola e quase não deixa mais o adversário tocar nela é que joga com apenas um volante. Significa que um bom esquema defensivo não precisa ter três ou quatro volantes, como muita gente ainda defende por aqui. O Barcelona tem três atacantes (Messi, Pedro e Villa) e três jogadores de meio campo, mas Iniesta e Xavi não são marcadores títpicos. Eles apenas são exímios em fechar espaços e em tirar a bola do adversário, sem a necessidade de trombar. E quando o Barcelona retoma a bola, troca passes, avança na direção do gol adversário com paciência e objetividade.

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ALGUMAS CONCLUSÕES

- Não são necessários muitos defensores para defender bem, porém o ideal é ter muitos jogadores defendendo, por questões básicas de superioridade numérica na zona da bola.

- Não é necessário estar sem a bola para se defender, será que a posse e circulação da bola não é também um mecanismo defensivo?

- Não é necessário ter jogadores exclusivamente defensivos, toscos, ou sem qualidade técnica para compensar jogadores menores com qualidade, é necesário sim ter uma linguagem coletiva, com liberdade para o aparecimento das individualidades.
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Grande abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A COMPLEXIDADE DOS MODELOS DE JOGO

Mesmo tendo ficado dois anos a frente do FC Internazionale, o modelo de jogo da Inter nos jogos de alto nível era normalmente um modelo mais rígido, pra não dizer simples. O placar, embora não seja um indicativo claro, nos possibilita ver que a Inter tinha um nível baixo de gols marcados.

Mensagem pós-postagem: Ao iniciar esta postagem falar apenas sobre a complexidade dos modelos, mas logo entrei na parte estratégica e depois até a arte da guerra entrou na história, então peço desculpas pela confusão.

COMPLEXIDADE

Vamos então ao conceito  para percebermos o que se considera complexo:
 
" O que é complexidade? A primeira vista é um fenômeno quantitativo, a extrema quantidade de interações e de interferências em um número muito grande de unidades. De fato, todo o sistema auto-organizador (vivo), mesmo o mais simples, combinam um número muito grande de unidades da ordem de bilhões, seja de moléculas numa célula, seja de células no organismo (mais de 10 bilhões de células no cérebro human, mais de 30 bilhões para o organismo).

Mas complexidade não compreende apenas quantidades de unidades em interações que desafiam nossa possibilidade de cálculo: ela compreende também incertezas, indeterminações, fenômenos aleatórios. A complexidade em certo sentido sempre tem relação com o acaso."

Morin
2007 
Pela citação de Morin, percebemos então que a complexidade surge das interações dos elementos de um sistema em seus diferentes níveis de organização, porém mais do que isso também a relação destas organizações perante outras organizações, geradores de incertezas e situações aleatórias, que geram uma nova organização, novas relações e interações.

A COMPLEXIDADE DO MODELO DE JOGO

Torna-se importante então verificar que a complexidade que queremos que o modelo se origine nasce da relação que estabelecemos entre os elementos que compôem determinado sistema. Acredito que muitas variáveis são importantes para que isso seja influenciado, vou tentar citar algumas delas:

1 - Cultura do clube;
2 - Momento do clube;
3 - Jogadores disponíveis;
4 - Estrutura disponível;
5 - Competição a jogar;
6 - Capacidade dos adversários;
7 - Conhecimento do treinador;
8 - Densidade competitiva;

FC INTERNAZIONALE X FC BARCELONA - 2010
  
"O guerreiro vence os combates não cometendo erros. Não cometer erros é o que dá a certeza da vitória, pois significa conquistar um inimigo já derrotado".

Sun Tzu
 O JOGO

 " A rapidez é a essência da guerra. Tire partido da falta de preparação do inimigo, marche por caminhos onde não é esperado e ataque pontos desprotegidos."
Sun Tzu
Em um jogo de equipes deste nível é difícil apontar um favorito. Embora o FC Barcelona tenha entrado com um leve favoritismo pela fase anterior todos sabiam que a Internazionale era melhor do que na 1ª fase e historicamente equipes que vencem antes, normalmente perdem depois.
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Porém o que importa são os modelos em questão e suas complexidades. Ví neste jogo a aposta de José Mourinho em um modelo de jogo muito menos complexo do que suas antigas equipes do FC Porto e do Chelsea. Menos complexa por não valorizar tanto a circulação e a procura pelo passe. 90% das bolas recebidas neste jogo no setor de meio campo eram lançadas verticalmente para Milito.
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Era um automatismo. Nitidamente a função ofensiva de Cambiasso era o lançamento em profundidade para Milito, que de tão acionado aos 24 minutos do 2º tempo já acusava cãibras, acho que este foi um dos pontos de desequilíbrio embora os passes fundamentais terem sido no 2º e 3º gol de Pandev e Motta. Acho que a função ofensiva de Cambiasso foi fundamental e não teve a procupação do Barcelona em anular este detalhe, derrepente por não ter tempo para isso já que os lances eram de extrema velocidade.
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José Mourinho sempre disse que suas equipes possuem transições muito fortes, e de fato esse para mim foi o ponto fundamental do Modelo da Internazionale, as transições. Foi até abaixo da média do alto nível europeu a "quantidade" de circulação de Inter (quantidade máxima de 6 passes, contra lances de 23 passes do Barcelona), porém a qualidade foi fundamental no resultado.
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ESTRATÉGIA DO JOGO - PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS DA ARTE DA GUERRA

"O guerreiro inteligente impõe a sua vontade ao inimigo, porém não permite que ele lhe imponha a sua. Mantendo a vantagem sobre ele, pode levar o inimigo a um acordo, ou, infligindo perdas, pode tornar impossível o inimigo chegar perto. No primeiro caso, você deve atraí-lo com um engodo; no segundo caso, deve atacar num ponto importante, que o inimigo será obrigado a defender."
Sun Tzu

Estratégicamente também a Inter foi perfeita, outro ponto fundamental do modelo de Mourinho. Uma simples ocupação de espaço originada por Sneijder nas costas de Daniel Alves gerou dois gols. Qualquer analista de jogo percebe que Daniel Alves é um Foco de organização ofensiva do Barcelona, Pedro abre o espaço entrando em diagonal pelo meio e Daniel entra como um ponta. Pandev anulou isso e seu desgaste era nítido quando saiu para entrar Stankovic. Pandev anulava a subida de Daniel pressionando-o e evitandio que recebesse bolas em profundidade, coisa que o Barcelona não teve nesse jogo, bolas em profundidade.

A Transição defensiva da Inter retirava a profundidade do Barcelona e obrigava-o a circular a bola para zonas favoráveis, é o controle do jogo. Ao mesmo tempo com bola Sneijder ocupava as costas de Daniel, ficando muitas vezes 2x1 nesta zona, o primeiro gol da Inter foi assim, uma indefinição de Daniel Alves que saiu de posição para acompanhar Pandev acabou deixando Sneijder livre. Não foi coincidência.

"O guerreiro inteligente procura o efeito da energia combinada e não exige muito dos indivíduos. Leva em conta o talento de cada um e utiliza cada homem de acordo com sua capacidade. Não exige perfeição dos sem talento".
Sun Tzu
Estratégicamente a Inter foi muito superior, até porque o FC Barcelona não parece ter essa preocupação, sabem os pontos fortes do adversário, lógico, não consigo ver uma equipe de top sem esse elemento, mas, acredito que a crença no próprio modelo é tanta que não se adaptam a nada.
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O Barcelona fez seu jogo de sempre, o jogo que encanta muita gente hoje, inclusive eu. Porém era nítido a dificuldade em ser preciso em determinados momentos, parecia que os jogadores exitavam, talvez pela importância do jogo, ou talvez não. Mais uma vez acredito que foi uma questão estratégica:

Guardiola em entrevista a UEFA após o jogo declarou:

Josep Guardiola, treinador do Barcelona
"Não temos desculpas. Eles procuraram sempre aparecer nas nossas costas e têm avançados muito rápidos. Jogaram no seu estilo, enquanto nós não fomos tão eficazes quanto noutros encontros. O relvado fazia com que a bola corresse muito rápida e demos o nosso melhor. Eles não facilitaram em nada a nossa missão.


Apesar de termos aberto o activo não fomos suficientemente eficientes na primeira parte. Claro que tivemos uma longa viagem, mas a vontade de chegar à final supera tudo. Temos uma nova hipótese no jogo da segunda mão e vamos dar tudo que temos. Vamos tentar jogar ao ataque como é nosso hábito em casa e trocar a bola com maior velocidade do que fizemos neste jogo."
Ou seja, acredito que Mourinho condicionou a circulação do Barcelona a um jogo mais lento do que o normal, exatamente pela velocidade que o gramado imprimia a bola. Os passes então acabavam por ser mais lentos, o primeiro toque na bola em gramados molhados é mais dificil, necessita de maior atenção, atenção essa retirada do próximo pensamento, do próximo passe, dando maior tempo a recompactação da Inter e até mesmo aos mecanismos de dobra, principalmente em Messi. Para o Barcelona isso pesou muito.

XAVI


Xavi é o termómetro do risco do Barcelona. E quando Iniesta não joga acaba sendo ainda mais. Sem seus passes em profundidade o Barcelona acaba dependendo demais do jogo combinado em tabelas em frente a área, coisa que nesse jogo dificilmente iria acontecer, pois a inter controlava o Barcelona, que por sua vez tinha um dominio superficial, mas tinha.
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MESSI
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Teve que sair do bloco da Inter, e acabou ficando longe do gol. O bloco do FC Internazionale foi tão coeso que acabou expelindo Messi e Xavi, e fizeram com que os dois acabassem jogando praticamente na linha do Busquets.


Quando Messi conseguia receber a bola dentro do espaço interior da Inter ou pelos lados, a marcação era sem tentativas de desarme em 1x1, normalmente Zanetti (Pelos lados) ou Cambiasso e Motta (pelo meio) acabavam sempre levando vantagem pois no momento em que um cercava, outro imediatamente fazia uma dobra por tráz, e uma segunda dobra surgia pelas costas de Messi, normalmente com Eto´o ou Sneijder muitas vezes.


Em resumo a bola era espantada e não roubada de Messi.


MILITO


É repetitivo, mas acredito ser fundamental citar a utilização de Milito de uma forma adequada. Se Milito jogasse no Barcelona, talvez fosse reserva pois é um atacante com dificuldades no 1º toque, porém, é um artilheiro nato. Neste jogo em especial teve uma atuação fora do normal em termos de mobilidade. Durante todo o jogo foi acionado, ora em lançamentos em profundidade, ora em tiros de meta onde notodamente era a referência de primeira bola. Saiu para a entrada de Baloteli que modificou a caracteristica do ataque, que passou a reter mais a bola, acredito que esta substituição já era prevista.


SNEIJDER


Melhor jogador da Liga dos Campeões mais uma vez foi fundamental, porém de uma forma diferente, já que normalmente era ele que dava as assistências a Milito e Eto´o. Neste jogo foi um atacante, e Cambiasso ficou com a responsabilidade de dar os passes em profundidade.


CAMBIASSO


Fundamental junto com Motta e depois Stankovic em primeiro evitar os passes verticais do Barcelona, o que acabou afastando a circulação dos mesmos próximo ao gol da Inter. Quando tinha a bola de imediato lançava Milito, na maioria das vezes perdia a bola, porém, nitidamente o objetivo era esse: Profundidade e transições rápidas.


MOTIVO DOS COMPORTAMENTOS




Ví esse jogo da Inter como uma espécie de antídoto para os comportamentos do Barcelona. Primeiro acredito que José Mouinho assumiu que sua equipe era inferior.


Mourinho percebeu os pontos fortes do Barcelona:


- Posse e circulação, principalmente atraindo o adversário em um jogo entre linhas em que Messi recebe de frente


- Daniel Alves recebe pelo lado após Pedro atrair o jogo pro meio. Usou um contra veneno que foi gerar um 2x1 nessa zona, já que Busquets não acompanhava Sneijder, acabavam ficando Pandev e Sneijder contra Daniel Alves. Figura abaixo:

- Xavi verticaliza e aprofunda o jogo quando recebe no segundo terço do campo, principalmente se estiver sem pressão na intermediária ofensiva.


- Transição Defensiva alta, rápida para recuperar logo a bola desde o momento da perda.


Estes são os pontos mais fortes do Barcelona. Mourinho percebendo isso conseguiu para mim duas coisas que definiram o resultado:




1 - Conseguiu retirar a zona pressionante do Barcelona através da transição rápida com jogo direto em profundidade, o que acabava não dando tempo do Barcelona pressionar no campo da Inter. Foi o jogo dos 3 passes.


2 - Conseguiu controlar e retirar de dentro do bloco Messi e Xavi, o que reduziu muito as possibilidades de finalização. Mourinho acabou eliminando a 3ª fase de organização ofensiva do Barcelona, ou seja, eles Organizavam, Criavam espaços, mas não conseguiam finalizar.




ANÁLISE DOS GOLS - FC INTERNAZIONALE 3 X 1 FC BARCELONA


GOL DO FC BARCELONA


O LANCE

O gol do FC Barcelona surgiu de um erro individual da defesa da Internazionale, Lúcio em um momento de indefinição ao ser pressionado deu um passe fora do contexto e acabou facilitando o desarme de Keita, que rapidamente valorizou a posse e iniciou uma circulação de 10 passes, com muita participação de Xavi, aliás neste lance a transição defensiva da Inter foi boa, porém a organização defensiva cometeu novamente um erro individual com Maicon e em uma jogada individual Maxwell conseguiu um lance de fundo e com facilidade cruzou para uma linha de trás, Pedro pelo centro finalizou.

O MODELO

O interessante neste lance é que se coloca em prática a ideia de futebol do FC Barcelona de uma forma bem nítida. O lance poderia ter sido muito mais rápido se Keitá tivesse aproveitado o fundo ao interceptar a bola de Lúcio, porém preferiu a valorização (estava no campo de ataque e por isso não tinha muita profundidade, mas tinha o lado livre se quisesse). O passe para Xavi temporizou a organização ofensiva do Barcelona, e também a transição defensiva da Inter. Mesmo assim trocaram 10 passes antes de entrar pelo lado em uma clássica abertura de espaço de Keitá para a ocupação de Maxwell quando a defesa da Inter já estava totalmente reposta. Chamo a atenção pela participação dos jogadores Maxwell, Xavi, Keitá e Messi. 

Curiosidades: Dos quatro semi-finalistas o Bayern de Munique e FC Barcelona eram os únicos com posse acima de 50% nos jogos.
 
Aos 20 minutos do primeiro tempo a UEFA apontava:


Distância percorrida: Internazionale 29 Km Barcelona 31.5 Km
Posse de bola: Internazionale 37% contra 63% do Barcelona


Aos 35:00 do segundo marcavam:


33% de Posse para a Internazionale de Milão
67% de Posse para o FC Barcelona


GOL DA FC INTERNAZIONALE
 

O LANCE

Dos gols que a Internazionale fez neste jogo este foi o mais circulado. Porém mesmo assim foi um gol que procurou valorizar a transição ofensiva, e utilizou apenas 6 passes. Após uma falta lateral próxima ao meio, Motta cobra curto para Sneijder que vira uma bola longa para Eto´o que escora, Maicon recebe, temporiza e novamente passa a Eto´o, que cruza de forma errada, porém cai no pé de Milito, que visualiza a entrada de Sneijder pelo lado, onde Pandev saiu e atraiu consigo Daniel Alves. Figura:



O MODELO

Visualização da zona de pressão, retirada da pressão e entrada pelo lado fraco. Méritos para Milito que identificou a entrada do Sneijder. Mais uma vez o lado estratégico foi fundamental, tenho certeza que isso foi treinado especificamente, o que levou Milito a não finalizar e sim passar a bola a um jogador melhor colocado.
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O LANCE

Resultado de um desarme rápido, ou seja, Zanetti desarmou passando e imprimiu velocidade a transição como foi durante todo o jogo. O Barcelona não conseguiu transitar defensivamente de forma eficiente como costumeiramente faz, pois Pandev vence o 1x1 e conseguiu conduzir a bola para uma zona vazia, já que o bloco de meio do FC Barcelona se encontrava todo proximo a bola. Após isso conseguiu um passe em pro para Milito, em diagonal para fora, que conduziu para a área e cruzou fraco para trás onde Maicon estratégicamente entrou para finalizar.
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O MODELO

O modelo do FC Barcelona é tão complexo que por vezes necessita de um feeling muito grande do jogador para perceber a situação, é uma rede de relações muito grande que acontece e isso pode gerar uma confusão momentânea. Neste gol acredito que deveria haver uma escala melhor no setor de meio, para evitar que em um lance de vantagem em 1x1 o jogador da Inter não se livrasse de todos os jogadores de meio do Barcelona. Porém neste jogo o mais costumeiro foi ver Busquets como meia e Xavi como Volante, o que acabava por vezes deixando todos muito próximos muito a frente ou muito atrás.

Quando tiveram que fazer a transição defensiva para pressionar Pandev, não conseguiram exatamente por estarem perto demais e não terem dobras as costas para um possível fracasso no 1x1, mérito para a Inter que conseguiu expelir o Xavi de dentro do seu bloco através da pressão de Motta e Cambiasso.

Legítimo gol do modelo. em 3 passes Maicon fez o gol, transição rápida e eficaz. Quanto ao Barcelona, não tiveram tempo.
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O LANCE

Motta interceptou com um carrinho um passe, e rapidamente ligou ao ataque com Eto´o. Este por sua vez cruzou e Sneijder escorou para Milito que finalizou.

O MODELO

Mais uma vez a transição ganha o lance. Primeiro na pressão (rara neste jogo) alta no momento do desarme do Motta. O automatismo simples do lance acabou gerando um gol muito ´rápido, mais uma vez em três passes.


FINAL - INTERNAZIONALE X BAYERN
OUTRO JOGO
PORÉM OS MESMOS COMPORTAMENTOS

No vídeo acima dá pra ver facilmente como é objetiva a circulação da Internazionale, portanto necessita de menos opções, é um jogo direto apoiado. Como citei no inicio da postagem, o professor Rodrigo Vicenzi nos colocou que acreditava que José Mourinho escolhera esse modelo pois proporcionava uma facilitação na recuperação mental e fisica dos atletas. Olhando a equipe da Inter jogar notamos que tem outro ponto fundamental diferente das outras de José Mourinho, ela não pressiona alto. Primeiro por que isso retiraria a profundidade do campo, o que dificultaria a transição ofensiva em profundidade com Milito, Eto´o e Pandev.

Segundo, isso iria fadigar a equipe, pois o jogo seria alucinante demais se pressionasse alto, e logo saísse em profundidade novamente. Não seria possível fazer isso nem mesmo por um tempo completo. Ou se pressiona alto, recupera-se a bola e se descansa com ela, ou se descansa, recupera-se a bola e transita rápido, é necessário contínuas reposições energéticas, descansos em meio ao jogo, caso contrário o organismo da equipe entra em  curto circuito.

Entao é uma lógica seguida, abriu-se mão da complexidade do jogo estético, para que o jogo de resultados entrasse em evidência e fosse eficaz.

INDÍCIOS DA COMPLEXIDADE DOS MODELOS


 Avaliando o quadro acima percebemos que as ações do Barcelona pela maior alternância de passes e participação, necessita uma maior percepção espaço-temporal dos lances. Com uma média de 5 passes por lance o Barcelona tem a tendência de construir o ataque a partir do ataque organizado, o que necessita interações mais complexas.

Já a Inter, com uma média de 3 passes gera seus ataques pelas transições ofensivas, aproveitando sempre o momento ofensivo do Barcelona. Basicamente a transição é elaborada em 3 rápidos momentos:

1 - Desarme se possível passando;

2 - Escora (pontes de ligação - jogo frente costas) deixando a bola no feitio para o lançamento;

3 - lançamento.
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No quadro acima nota-se q quantidade de passes das duas equipes, na maior parte do jogo o FC Barcelona foi superior, porém, na maior parte do jogo o FC Internazionale esteve ganhando o jogo. Quantidade de passes em termos de posse, volume de posse podem ser considerados um indicativo de complexidade de um modelo?


Média de passes por numero de ações coletivas. A coerência a proposta marcou a equipe da Inter, que teve pouca alternância no jogo, já o Barcelona teve alternâncias bruscas de comportamento, muitas vezes entrou no jogo de transições da Inter. Será então que a complexidade do modelo esta relacionada a possibilidade de impor este ao adversário? Quanto mais complexo, mais difícil de impor o modelo?


Concluimos então que (ou não):

A complexidade do modelo de jogo esta diretamente relacionada com a possibilidades de escolha que o jogador tem em determinado lance, quanto mais variável, mais desgastante mentalmente pois necessita de uma maior percepção e velocidade decisional, pois se tenho 3 opções e analiso e escolho, demoro mais que se tiver apenas 2, ou 1.

Logo se preciso pensar para escolher 3 opções, preciso pensar muito mais rápido pois o número de variáveis é maior, o que me leva am desgaste maior para as escolhas do jogo.


Grande abraço
Luis Esteves