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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

HOLANDA - 1974

Estou colocando um belo documentário que tem como ênfase a análise da seleção holandesa de 1974. Parabéns ao autor e obrigado ao meu amigo Diego Gomes por me mostrar os vídeos.













Grande abraço a todos
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

sexta-feira, 6 de maio de 2011

HISTÓRIAS DA BOLA

São Paulo adota tecnologia GPS em atletas para evitar "migué"

FONTE: TERRA
http://esportes.terra.com.br/futebol/copadobrasil/2011/noticias/0,,OI5115689-EI17245,00-Sao+Paulo+adota+tecnologia+GPS+em+atletas+para+evitar+migue.html



06 de maio de 2011 • 17h42
Notícia

Fernandinho aprova nova tecnologia do São Paulo
Foto: Luiz Pires/Vipcomm/Divulgação

O São Paulo vai receber nos próximos dias um relógio com tecnologia GPS para auxiliar os jogadores na preparação física durante os treinos e evitar uma possível falta de comprometimento dos jogadores nas atividades.

O objeto transmite a um computador a frequência cardíaca do atleta, o esforço na atividade, as distâncias percorridas com velocidade e se o trajeto pedido pelos preparadores físicos foi alterado. Ou seja: se um atleta quiser tentar enganar a preparação, logo será identificado.

O atacante Fernandinho gostou da ideia. "É bom para todos nós, pois vamos dar o máximo sempre", disse o atleta, que se recupera de contusão e já retornou aos treinamentos no gramado. Outros clubes do Brasil, como Cruzeiro e Criciúma, já fizeram uso dessa tecnologia importada.

OBSERVAÇÃO:

Minha dúvida é, será que o GPS irá evitar o migué no jogo?
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HISTÓRIAS DA BOLA
TEXTO RETIRADO E ADAPTADO DO MEU PRÓPRIO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
2008
A HOLANDA DE 1974




4.7.1. Origem

 
Em 1970 a seleção brasileira encantou o mundo com um futebol mágico, onde a movimentação e os contra ataque rápido, tanto utilizando de passes curtos como lançamentos eram a principal característica, pois havia jogadores com talento suficiente para isto, e a preparação física já tinha um papel determinante, principalmente após 1966. Então, como a maioria das evoluções que foram apresentadas na historia do futebol, talvez a maior de todas, aconteceu na copa do mundo da Alemanha, em 1974, e foi realizada pelo selecionado holandês, comandado pelo então treinador Rinus Michels.

Michels, que fora jogador do Ajax, era um centroavante, um artilheiro, e assim como Alf Hamsey que era defensor, trouxe de seus tempos de jogador a mentalidade ofensiva, que mais tarde se tornaria símbolo das equipes holandesas, uma escola que a partir dele, começou a ser desenhada como uma das maiores do mundo em termos culturais. Antes disso, o futebol holandês não tinha nenhuma expressão no futebol mundial.

Já no início dos anos 70, Michels conseguiu conquistas importantes na Holanda e na Europa, e acabou vencendo em 1971, 1972 E 1973 a Champions League, maior torneio de clubes do planeta. Então no ano de 1974 assumiu a seleção holandesa, a dois meses da copa, com a missão de tentar fazer apenas um bom trabalho e colocar a seleção num lugar honrado, já que ate então este país não tinha nenhuma tradição em copas do mundo. Dois meses depois o mundo veria o que a crônica esportiva chamou de “Futebol Total”, onde todos jogavam, todos atacavam e todos defendiam. Era a pelada organizada como diria Tostão.
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4.7.2. A formação da equipe

A concentração para formar a equipe começou dia 21 de maio de 1974. Michels utilizou uma metodologia de treinamento que valorizava muito a parte física, segundo Johann Cruyff , jogador e capitão daquela equipe, o método de trabalho utilizado por Michels foi diferente dos que se trabalhava na época. Deu ele ênfase a parte aeróbia, buscando uma resistência específica para o modelo de jogo que viria pela frente, este foi um dos pilares da construção daquela forma de se interpretar o futebol.
Cruyff (1974) cita:

"Nos primeiros dez dias fomos exigidos em fortes treinamentos. Michels nos fez correr, correr e correr, dar voltas e mais voltas, até um total de duas horas pela manhã e outro tanto de tarde, o que nos parecia exageradíssimo, tendo em conta que o ideal era treinar duramente no princípio, para depois ir fazendo decair o ritmo, mas que não teríamos tempo o suficiente para treinar forte (CRYFF, 1974 p. 33)."

Após essa seqüência de treinamentos a seleção holandesa fez uma série de amistosos e jogos-treino, onde em nenhum deles obteve um resultado satisfatório, com exceção de uma partida contra a Argentina, fora este todos os jogos foram muito ruins.

Michels e os jogadores, mesmo com os maus resultados sabiam os motivos. Primeiro, haviam treinado muito forte, e a força lhes fugia, e o fator mais importante: historicamente as equipes holandesas não tinham uma tradição respeitável, e a cada partida boa que faziam, correspondia a cinco ruins e eles sabiam disso, e chegaram à conclusão de que isso acontecia devido ao culto excessivo que os jogadores tinham em seus clubes de origem, a seleção era formada por cinco jogadores do Ajax, e mais quatro ou cinco jogadores do Feyjenord. Ambos jogavam em modelos diferentes e os atletas do Ajax não queriam aceitar o modelo do Feyjenord, nem estes o modelo de jogo do Ajax.


Então, segundo Cruyff (1974, p.34), “Michels reuniu os jogadores e disse qual ia ser a tática utilizada e quem estivesse de acordo e disposto a jogar conforme a sua tática podia permanecer na seleção, quem não estivesse poderia arrumar as malas e ir para a casa”. Os jogadores pensaram, e com a liderança de Cruyff, conseguiram formar um grupo voltado ao trabalho em equipe, onde o lema era ajudar o companheiro sempre que este precisasse. Na verdade esta cultura sempre esteve presente no sistema socio-econômico holandês.


Cruyff (1974) cita:



"A cabo de uma semana, perguntei aos companheiros, um por um, se aceitavam (a filosofia de Michels). E logo lhes explicava que, se aceitavam, tinha que ser com dedicação total, com espírito de colaboração e de luta, com moral de vitória, com mentalidade voltada para o trabalho que tínhamos por fazer. “Aquele que não está conosco, está contra nós”. Assim começou a se forjar o espírito do time, foram-se contornando as pequenas questões, e logo estávamos todos muito compenetrados e ansiosos de que tudo nos saísse na medida dos nossos desejos (CRUYFF, 1974 p. 34)."
E assim foi construído o espírito da equipe holandesa, segundo Cruyff (1974), uma equipe que estreou dia 15 de Junho, contra o Uruguai, em Hanôver, jogando um futebol novo, na equipe havia muitos homens jogando pela primeira vez nas posições, muitos improvisos, jogadores nervosos, mas ao entrar em campo conseguiram combinar com perfeição e jogaram um belo futebol, com uma movimentação intensa e inúmeras oportunidades de gol. A Holanda acabou vencendo por 2 x 0, mas deixou a impressão de que ali nascia uma nova concepção de jogo.

O curioso é que segundo o próprio Michels, em entrevista e um documentário sobre futebol, afirma que o Futebol Total, marca registrada de sua equipe talvez já fosse aplicado por seleções como a da Áustria, o Wunderteam e a Hungria de 1954. (HISTÓRIA DO FUTEBOL, 2005).


4.7.3.   Desenho do Sistema Holandês
4.7.4. Funcionamento

O fato é que esta seleção holandesa inventou uma nova maneira de jogar futebol, até então nunca vista, havia sim um pequeno rabisco deste estilo de jogo que foi desenvolvido pela seleção brasileira em 1970. Um time que jogava um futebol vistoso, entre toques rápidos e contra ataques, com bastante movimentação, mas a equipe holandesa elevou este estilo de jogo a sua cultura, uma cultura ofensiva de seu treinador. A equipe apresentava uma movimentação espantosa, em que poucos eram os jogadores que não apareciam para dar opções de passe, os jogadores não guardavam uma posição fixa como o de costume até então (especialização de posição), era comum ver o lateral esquerdo Krol no meio da área, ou Cruyff atuando na linha de defesa, era uma equipe polivalente, atacava em conjunto, e defendia também em conjunto.



Embora haja diversas versões para o sistema de jogo, o mais certo segundo Tostão (1997) é que a Holanda jogava em um 4.3.3 no qual as linhas atuavam bem perto uma da outra, no qual Cruyff ocupava a posição de atacante central, jogavam também com pontas bem abertos, costumavam também atuar avançados, pois segundo Rud Krol,lateral e um dos líderes desta seleção, era mais inteligente jogar no campo do adversário, pois só se corria 30, 40 metros, sendo que se tivesse que jogar o campo todo teria que se correr 70, 90 metros o que naturalmente cansaria mais, escola que perdura até os dias de hoje na Holanda. Mas isto era apenas um mero posicionamento, quando a bola rolava os jogadores se movimentavam e cobriam espaços deixados pelos companheiros, e isto deixava as defesas adversárias constantemente em apuros, ou em inferioridade numérica contra os holandeses.

4.7.5. O Pressing


Uma das principais características da seleção holandesa, era a forma como roubava a bola dos adversários. A equipe se compactava de tal modo que não dava espaços para o adversário jogar, e este era o pensamento do “Futebol Força” criado pela Inglaterra em 1966. Essa marcação foi chamada de Pressing, ou simplesmente Pressão, os jogadores adversário que recebiam a bola eram sempre pressionados por diversos holandeses, e quando estes roubavam a bola saiam rapidamente com o objetivo simples de fazer o gol, com toques curtos ou lançamentos, procurando fazer sempre ultrapassagens entre linhas do adversário, princípio que até hoje cultivam, e pode ser visto por exemplo no FC Barcelona dos dias atuais.

4.7.6. Triangulações

Outra característica apresentada pelo sistema holandês, era a forma como os jogadores faziam as aproximações, movimentos necessários para a troca de passes curtos. Segundo Johann Cruyff e Ruud Krol, o passe curto, de dez metros era o mais importante, juntamente com a movimentação em triângulos, pois segundo eles nesse tipo de movimentação é possível olhar no olho do companheiro e ver aonde vai à bola, sendo assim possível antever a jogada (CRUYFF, 1974).


4.7.8. O Futebol Total

A este futebol ficou conhecido como “Futebol Total” por exigir dos jogadores uma gama de qualidades no qual a maior delas, segundo o próprio Rinus Michels era a inteligência. Segundo eles oito dos seus onze jogadores possuíam uma inteligência acima da média, o que os possibilitava perceber e corrigir erros durante o jogo, em questão de segundos, improvisando e decidindo tudo rapidamente. Todos atacavam e todos defendiam, eis daí o termo Futebol Total.

O Futebol Total nasceu de uma junção do Futebol Força, jogado pelos europeus, e o Futebol Arte, jogado pelos sul-americanos, mas com um maior objetivo de vencer, deixando de lado dribles desnecessários e a falta de objetividade. É certo que este estilo de jogo influenciou o mundo todo, os jogadores começaram a ter uma maior polivalência de posições, a movimentação aumentou muito, buscando em outros esportes adquirindo ate características, como o Futsal e o Basquete, pois ao mesmo tempo em que os espaços em campo diminuíram muito com o aumento da capacidade de marcação, resultado de uma preparação física que permitia marcar e jogar, a única forma encontrada para ultrapassar esta barreira era a movimentação, a triangulação, o que a seleção holandesa executou com extrema eficiência. Essa movimentação na verdade foi uma resposta ao encurtamento de espaço oferecido pelo então Futebol Força, que tinha primeiro como objetivo não deixar jogar, para depois se preocupar em atacar e construir jogadas ofensivas.

Este estilo de jogo nunca mais foi repetido, (até o Dream Team do FC Barcelona dos anos 80/90 e u atual time do clube, treinado por Joseph Guardiola, que apresenta muitos traços desta equipe), talvez por nenhuma equipe após o fato ter contado com jogadores tão inteligentes, mas a influência causada pelos holandeses, e a escola criada a partir dali, esta sim, dura até os dias de hoje, e sempre terá influencia sobre a evolução do futebol. Michels em entrevistas diversas inúmeras vezes que um dos fatores determinantes dentro do sistema de jogo holandês e da filosofia proposta era a inteligência de seus jogadores, segundo ele oito ao menos de seus onze titulares tinham um QI acima da média, o que facilitava em muito o entendimento das movimentações e ocupações de espaço utilizado pela Holanda (ZERO HORA, 2003).

4.7.9. O 4.3.3 Clássico e o 4.3.3 Moderno

Após o aparecimento oficial do 4.3.3 em 1962, com a seleção brasileira na copa do mundo do Chile, ocorreram diversas modificações no funcionamento dos sistemas e modelos de jogo das equipes e seleções de alto nível. Portanto o 4.3.3 que pareceu em 1962, não é o mesmo 4.3.3 que a seleção holandesa utilizou em 1974, dentre os dois sistemas podemos identificar as seguintes mudanças segundo Drubscky (2003):


4.7.10.   Aplicação Prática

Na Figura 34 podemos identificar perfeitamente as linhas do sistema 4.3.3, com uma linha defensiva de quatro jogadores, uma linha média com três, e na frente uma linha com mais três jogadores (na foto não aparece o Ponta Esquerda). Esta e a configuração do sistema de jogo 4.3.3 Moderno, e também era a do 4.3.3 Clássico.


4.7.11. Evolução

Componente Tático:

• Desenvolvimento da Pressão ou Pressing, consequente aumento da capacidade física de resistir a uma maior intensidade de jogo;

• Futebol Total = Todos Atacam e todos defendem;

• Intensidade maior nas ultrapassagens e infiltrações;

• Utilização dos espaços vazios para futuras ocupações;

•Criação de superioridade numérica na zona da bola;

• Infiltrações de todos os lados, todos os jogadores eram homens surpresa, com algumas estruturas fixas;

• Abertura do jogo em amplitude e profundidade, em imagens e vídeos da seleção  holandesa percebe-se sempre jogadores bem abertos para dar opção de passe, e situações de retirada da pressão;

Componente Físico:

• Maior resistência, devido à maior intensidade nas movimentações e ultrapassagens.

• Jogadores de diferentes biotipos, alguns altos, outros baixos, mais adaptados a funções variadas, mas menos fortes que os do Futebol força.

Componente Técnico:

• Jogadores menos virtuosos, mas mais eficientes tecnicamente, com muito senso de precisão;

• Passes curtos, com menos de 10 metros davam ênfase ao modelo de jogo;

• Viradas de bola constantes;

• Bolas por cima da defesa em diagonal, buscando jogadores que entravam pelas costas da defesa;

Componente Psicológico:

• Maior valorização do espírito de grupo, muito mais coletividade;

• Ajuda mútua dentro da equipe, maior solidariedade.
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Grande abraço
Luis Esteves

terça-feira, 19 de abril de 2011

CONVERSAS DE FUTEBOL - CARLES REXACH

"Não existe vento favorável para aquele que não sabe para onde vai." 

Arthur Schopenhauer




Dedico esta postagem ao amigo professor Alberto Tenan, que me enviou esta entrevista, que posteriormente encontrei no site do El Pais, e também por me lembrar desta história ocorrida num destes torneios que participamos. Grande abraço Alberto! Assim como o professor Michel Huff que será citado no fim da postagem, vale à pena conferir o trabalho do Alberto e suas publicações.
 
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ENTREVISTA:

FÚTBOL - Mañana se entrega el Balón de Oro

 CARLES REXACH Ex jugador y entrenador del Barcelona

"Michels lo cambió todo. Lo más difícil fue defender la idea, demostrar que servía"

09/01/2011
Entró en el club con 12 años, estuvo cinco en la cantera, 17 en el primer equipo y durante 22 en el cuerpo técnico, incluida la etapa en que fue ayudante de Cruyff en el 'dream team', precursor del Barça de Guardiola. Ahora analiza el podio azulgrana en el Balón de Oro

Nació en Pedralbes, barrio al norte de Barcelona, en 1947 y hasta 1997 vivió a un kilómetro y medio del Camp Nou. Estuvo un año en Japón y al volver Carles Rexach se hizo cargo del primer equipo durante una cruda etapa en la que el Barça perdió la semifinal de la Copa de Europa ante el Real Madrid. Charly no es cualquiera para el Barcelona. No corrió nunca, ni para ser Pichichi, galardón que ganó con 17 goles en 1971, y no solo jugó con una mano por pie sino que le bastó mover la cintura para sacar un regate. Tan listo era que cuando jugaba en El Plantío se cambiaba de banda en la media parte para seguir en la zona en que daba el sol, siempre seca. En 1988 montó el despacho con Cruyff encima de una pelota; hoy no se hablan. Guardiola les dedicó el último 50 al Real Madrid por patentar la idea.

Pregunta. Luis Suárez es el único español que...

Respuesta. ¡No me extraña! El mejor, elegante, fino, listo. Era mi ídolo. Él y Kocsis. La selección no tuvo cultura futbolística, ni fue un verdadero equipo hasta hace 15 años. El Madrid ganaba la Copa de Europa, pero el crack siempre era extranjero y el premio fue para Di Stéfano, Kopa. Los buenos eran ellos. Luego, 25 años sin que un equipo español ganara la Copa de Europa. Ahora todos los equipos son competitivos.

P. Guardiola les dedicó a usted y a Cruyff el 50 al Madrid.

R. Siempre te gusta que se acuerden de ti, pero el que lo cambió todo de verdad, en 1973, fue Michels: la manera de jugar y de entrenar. Cambió lo de subir escaleras, correr y saltar con balones que pesaban una barbaridad por la pelota, los rondos, la conservación del balón. Después empezó a venir un entrenador cada año, un alemán, un inglés, H. H... Y cada año el Barça jugaba de una manera. Pero Michels nos dejó aquel gusto. Hasta que volvió Cruyff en 1988, hicimos foc nou (tabla rasa), y buscamos jugar como queríamos, más o menos. Pero, por encima de todo, nuestro mérito fue demostrar que de esa manera se podía ganar. Porque no todo el mundo nos daba la razón, muchos pensaban que no se podía jugar así. Tuvimos que demostrar que esa filosofía funcionaba y lo conseguimos.

P. ¿Recuerda qué le dijo Johan como punto de partida?

R. Que necesitábamos futbolistas, gente que jugaran al fútbol. Sabíamos lo que queríamos, cómo nos gustaba jugar y estábamos seguros de que funcionaría. Me acuerdo de que buscando jugadores le dije: 'Hay un tío que se llama Eusebio en el Atlético de Madrid que juega muy bien pero tiene poco nombre'. Nos fuimos a verle a un amistoso con la selección. Johan me dijo: '¿Estás seguro de que es bueno? ¡No la ha tocado!'. Pero sabíamos lo que queríamos. Yo sabía que en casa había gente: Milla, Amor, Roura... Nuestro éxito fue que empezamos poco a poco. Dijimos dónde jugaba cada número y qué tenían que hacer: 'Mirad: el 2 hace esto, el 3 esto... Y quietos paraos, cada uno en su sitio y aquí no se mueve ni Dios'. Lo importante no era quién jugaba, sino dónde y a qué.

P. ¿Por eso pusieron a Zubizarreta de 11 en un entrenamiento?

R. Sí, para dejar claro que más allá de las calidades individuales, que ya las ajustaríamos, lo importante era que todos supieran qué tenían que hacer. Luego empezamos a moverlos. Primero dos: Laudrup se cambiaba con Stoichkov; Laudrup hacía de 9 y Hristo de 11. Luego, tres: incorporabas a Txiki, que era el 10. Entonces giraban tres y cada uno podía hacer lo del otro. Luego el lateral... Ya eran cuatro. Queríamos que cada uno ocupara una parcela del campo e hiciera su trabajo en relación al otro. Pero, para empezar, en vez de eso de tocas y te vas nosotros dijimos lo contrario. En el fondo la idea es sumar la calidad al colectivo.

P. Lo de Guardiola es la sublimación de esa idea...

R. Ha puesto sus cosas, muchas. Pep es muy listo. Este equipo defiende muy bien y nosotros defendíamos peor. Pero se ha encontrado con una ventaja: la gente que sube ahora ya sabe cómo tiene que jugar, nosotros casi lo tuvimos que enseñar. Ha tenido problemas con la gente a la que se lo ha tenido que enseñar, porque no es tan fácil aceptar según qué cosas. Con Ibra, por ejemplo.

P. ¿Aceptar qué cosas?

R. Está claro. Nadie puede decir que Ibra sea malo, porque es muy bueno. Y lo sabe él y lo sabe Pep. Pero llega aquí, Pep le empieza a decir que si patatín patatán y él piensa: 'A mí qué me explica este tío si yo siempre soy el mejor'. Él quiere jugar a su manera y el del Barça es un estilo donde todos deben interpretar el mismo fútbol. La gente sabe que primero es el nosotros y luego el yo. Eso lo tiene claro hasta Messi, porque Messi sabe que gracias a sus compañeros él es mejor.

P. ¿Usted cuando era pequeño iba a Les Corts?

R. Sí, con mi padre. Pero era muy pequeño, me acuerdo más del Camp Nou, con 10 años. Yo me acuerdo de Kubala, claro, pero también de Suárez, Kocsis, de Czibor, Villaverde, Eulogio Martínez. Czibor hacía locuras con la pelota, tenía un regate terrible. En esta casa siempre han gustado los buenos futbolistas. El Barcelona de mi infancia jugaba muy bien. Luego tuve mala suerte: llegó un fútbol oscuro, triste, físico. Sin imaginación alguna, era correr y correr, y si no corrías no jugabas. Yo me cansé de oír eso de sudar la camiseta, pelear... "Hay que morir por la camiseta", nos decían. Y yo pensaba 'oiga, yo lo que quiero es jugar y pasármelo bien, ¡no me quiero morir que tengo 20 años, hombre!'. 'Hay que manchar la camiseta', decían. ¡Uns collons! Al fútbol se juega de pie, cuanto menos te ensucies mejor, señal de que has podido jugar más y te has podido pasar la pelota. En el fondo, de lo que más orgulloso estoy es de que se haya convertido en realidad lo que pensé toda mi vida: que jugando bien al fútbol también se gana, que no es necesario ni morder, ni morir, ni chorradas. Que siendo pequeño se podía jugar estaba demostrado hacía muchos años. Mira Simonsen. Si no pones al bueno, no juega. Tengo que acabar de creerme que la gente lo ha entendido... Luis y Del Bosque lo entendieron hace años y se subieron a este carro del Barça, lo completaron con muy buenos jugadores y ganaron porque jugaron muy bien. La selección perdió el tiempo hablando de furia porque, a chocar y a correr, a un alemán no le ganas, ni antes ni ahora. Me cansé de oír: mira ese que bueno, lástima que sea tan bajito. ¿Y qué?

P. Usted tuvo muchos entrenadores. ¿Solo le marcó Michels?

R. ¡Muchos! Sin moverme de aquí tuve a Buckimgham, Kubala, Olsen, H. H., Artigas, Weissweiler... Uno me decía una cosa, el otro otra. Yo, al final, pensé: si uno me dice una cosa y el otro, otra, uno de los dos me enreda. La ventaja de Pep es que creció escuchando una versión. En el Barça hace 50 años que le hablan al jugador de cantera de una idea.

P. ¿Ese sello es exportable?

R. Se puede copiar, pero nosotros llevamos 30 años de ventaja, esa es nuestra suerte.

P. Tres jugadores del Barcelona compiten mañana por el Balón de Oro. ¿A quién se lo daría?

R. A los tres. Depende de qué se elija. Si es el mejor futbolista, a Messi. Si se premia a la idea, una manera de entender el fútbol, a Xavi. Y si es una mezcla, el mejor del año, si atiendes al Mundial... a Iniesta. Los tres se merecen ser reconocidos como el mejor del mundo. Pero lo más importante es que en el once del año hay cinco del Barça. Es evidente que se premia el estilo del Barcelona, a esta idea...

P. Usted descubrió a Messi...

R. No, yo le vi jugar cinco minutos cuando ya estaba aquí y vi que era bueno. Lo sabía hasta la pelota. No sé si el mejor, pero nadie dio más en menos tiempo. Es como lo de la relación calidad precio, ¿no? Su rendimiento es superior al de cualquiera. Incluso si lo comparas con Di Stéfano, porque el Barcelona siempre fue un equipo al que le costó mucho ganar. Y Messi ya lo ha ganado todo varias veces en cinco años. Y ha metido más goles que nadie. Y ha hecho cosas que nadie... Ya ha pulverizado todas las expectativas. Messi es la piedra filosofal de la idea del barcelonismo.

FONTE:

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CONTOS DA BOLA

O LIVRO DO MOURINHO

"Estava eu, na arquibancada assistindo à final de uma competição destas de base, em que se aproveitam as datas de pausa escolar, quando do nada me deparei com uma cena que me fez refletir sobre a nossa conduta teórica perante diretores e coordenadores, e os pontos que realmente valem à pena serem ditos ou expostos para pessoas que não fazem a menor questão de refletir sobre paradigmas novos ou antigos no futebol ou fora dele.

O caso foi o seguinte: em meio a "grande" final , chovendo, final de jogo, placar mais ou menos definido (2x0) substituições feitas sem o resultado desejado (empate) porém, a equipe com maior volume de jogo, atacando, pressionando, jogando bem... mas perdendo... mas estava jogando bem...

Mas o "presidente" do clube não achava isso. E no auge de um erro qualquer de um jogador qualquer, quando já não havia mais como ganhar o jogo, ele se levanta da arquibancada em um movimento agressivo, se não me engano até mesmo portava uma daquelas "vuvuzelas" (o indivíduo se encontrava ao meu lado praticamente, e havia passado o jogo todo "cornetiando" o meu pobre amigo treinador, assim como eu tantas vezes fui "cornetiado") e solta a célebre frase:  Treinador filho da (...) tu vai ve desgraçado hoje  "cai" tu e o teu livro do Mourinho."
E assim se foi mais um treinador.

Fim.

Moral da história: Se você é o treinador, e você tem um suposto "livro do Mourinho" * tenha muito cuidado com quem vai ver que você tem o tal livro do Mourinho. É melhor falar sobre isso somente após ganhar a competição... pode acreditar.

* = Como se José Mourinho, atual treinador do Real Madrid Já tivesse escrito algum livro...
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BLOG DO PROFESSOR MICHEL HUFF


Blog do professor Michel Huff, atualmente preparador do FC Metalist da Ucrânia. Em uma das suas últimas postagens ele trata sobre o tema das metodologias que envolvem o futebol. Vale a pena acompanhar o trabalho deste grande profissional.

http://blogmichelhuff.blogspot.com
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Venho informar que em uma das próximas postagens devo fazer a troca de título deste blog.

Grande abraço
Luis Esteves


segunda-feira, 28 de março de 2011

POSSE TOTAL


"Eles apenas são exímios em fechar espaços e em tirar a bola do adversário, sem a necessidade de trombar."
Falcão
Zero Hora
Hoje irei reproduzir a coluna de Paulo Roberto Falcão, do jornal ZERO HORA, do dia 13 de Março de 2011, na qual este cita o FC Barcelona e sua filosofia de jogo frente ao Arsenal pelas oitavas de final da liga dos campeões da UEFA.


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PAULO ROBERTO FALCÃO
ZERO HORA
13 DE MARÇO DE 2011

POSSE TOTAL

Os holandeses de 1974 assombraram o mundo com o futebol total do técnico Rínus Michels, um esquema de jogo revolucionário, com jogadores sem posição fixa, circulando pelo campo, fazendo pressão e utilizando a linha de impedimento como arma defensiva. O chamado carrossel holandes foi uma ideia inteligente, nascida num pais de pouco mais de 15 milhões de habitantes, sem grande tradição futebolística. Pois agora, ao que parece, estamos presenciando outra revolução, protagonizada pelo Barcelona do técnico Joseph Guardiola e que pode ser resumida também em duas palavras: Posse Total.

Essa característica ficou evidenciada no último jogo do time catalão pela Liga dos Campeões, contra o Arsenal. Foi o colunista do jornal Lance, André Kfouri, que melhor registrou o fenômeno num artigo intitulado Não Chutarás. No texto ele desdobra com dados estatísticos um registro que já havia chamado a atenção de todos que viram o jogo - o tempo de posse de bola do Barcelona.

Contra o Arsenal, os companheiros de Messi estiveram com a bola nos pés 68% do tempo. Isso que o Arsenal lutou muito para retoma-la. No jogo de ida em Londres, o Barça já havia feito algo semelhante, ficando com a bola durante 61% do tempo, mesmo na casa do adversário. E contra o Rubin Kazan, na fase de grupos, os catalães estiveram com a bola 74% do tempo - uma coisa extraordinária.

E o dado assombroso não é exatamente a posse de bola, mas a sua consequência: O Arsenal não chutou uma só vez no gol do Barcelona. Não chutou mesmo, nem da direção do gol, nem por cima, nem pelos lados. Simplesmente não teve oportunidade de ataque.

Na sua pesquisa, André Kfouri constatou ainda que no segundo jogo das semi-finais da Liga dos Campeões do ano passado, a Inter de Milão deu apenas um chute no gol do Barcelona. E era a Inter, com todo o seu poderio.

O Arsenal marcou um gol contra o Barcelona, mas foi contra.

VOLANTES

O curioso desta equipe do Barcelona que se apossa da bola e quase não deixa mais o adversário tocar nela é que joga com apenas um volante. Significa que um bom esquema defensivo não precisa ter três ou quatro volantes, como muita gente ainda defende por aqui. O Barcelona tem três atacantes (Messi, Pedro e Villa) e três jogadores de meio campo, mas Iniesta e Xavi não são marcadores títpicos. Eles apenas são exímios em fechar espaços e em tirar a bola do adversário, sem a necessidade de trombar. E quando o Barcelona retoma a bola, troca passes, avança na direção do gol adversário com paciência e objetividade.

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ALGUMAS CONCLUSÕES

- Não são necessários muitos defensores para defender bem, porém o ideal é ter muitos jogadores defendendo, por questões básicas de superioridade numérica na zona da bola.

- Não é necessário estar sem a bola para se defender, será que a posse e circulação da bola não é também um mecanismo defensivo?

- Não é necessário ter jogadores exclusivamente defensivos, toscos, ou sem qualidade técnica para compensar jogadores menores com qualidade, é necesário sim ter uma linguagem coletiva, com liberdade para o aparecimento das individualidades.
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Grande abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com