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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

II SEMINÁRIO DE FUTEBOL

Repetindo:

"Quem só teoriza não sabe
Quem só pratica repete
O saber nasce da conjugação
da teoria e da prática."

Manuel Sérgio


Parabenizo à todos os organizadores do ll seminário que ocorreu no fim desta semana no Grêmio FBPA. Pela qualidade e pela organização. Em especial os professores Thiago Duarte, Marcelo Koslowsky e Cícero Moraes.

Quanto aos temas, parabenizo os palestrantes espanhois, principalmente relativo ao assunto do Modelo de Jogo do Barcelona, do qual gosto muito e pude acrescentar muito na minha percepção sobre este fenômeno.

Também parabenizo os professores João Paulo Medina, que de fato é uma verdadeira lenda no nosso futebol, pela apresentação e qualidade com que passou seus conhecimentos, e em especial quero dar destaque ao professor Alberto Monteiro, pela grande qualidade do assunto que abordou, da forma como abordou e pela importância que vejo o mesmo ter em termos do contexto do futebol, mas também em coisas acima do jogo, como a questão dos valores, que vai a um encontro muito próximo da problemática que postarei abaixo. Os valores. Porém os valores irão depender de questões mais complexas que estão acima, numa espécie de efeito cascata que provocam. Questões estas que são a Percepção e a Reflexão.

E para finalizar e contextualizar meus comentários abaixo, que na verdade não são meus, e sim citações de outras pessoas, mas que vão ao encontro do que gostaria de salientar, quero parabenizar o professor Nuno Amieiro, pela profundidade que abordou a Periodização Tática, que de fato provoca muitos atritos e divergências, e para mim tudo vem de uma questão que é relativamente simples: Medo.

O medo do novo, o medo de não conseguir, de não aprender, de errar, o medo de refletir, medo de reorganizar, de Mudar. É compreensível este medo, e é pertinentes aqui dizer que este medo afasta muitas pessoas desta concepção metodológica.

Mas a raiz deste medo para mim não é esta questão metodológica, mas sim uma questão que abordei no post anterior, a questão da matriz filosófica digamos assim, a forma como se percebem os fenômenos. E ai, não adianta querer entender nada complexo, em qualquer área que seja, pois não haverá contexto mental para que isso seja entendido, para que algum entendimento aconteça (para alguns com menor resiliência), ou um "estranhar" positivo, para um futuro "entranhar" é necessário ter um pano de fundo do que sustenta esta metodologia, se não o que acontece é que este "estranhar" acaba sendo negativo, e passa a nem surgir o futuro "entranhar".
Vejamos:

" O Aspecto mais interessante da visão de mundo de uma sociedade é que os individuos que aderem a ela, na maior parte , são inconsciêntes de como ela afeta o seu modo de fazerem as coisas, de perceberem a realidade em torno deles. uma visão de mundo funciona na medida em que é tão internalizada, desde a infância, que permanece não questionada. Somos tão presosno nosso paradigma, que todos os outros modos de organizar nossos pensamentos parecem totalmente inaceitáveis."

Maria José Esteves de Vasconcellos - Pensamento Sistêmico: O novo paradigma da Ciência - 8ª Edição - 2009


Luis Esteves: O que é o Modelo de Jogo na sua Visão?

Jorge Maciel: essa é uma noção central para quem quer perceber o que é a Periodização Táctica. Aliás por norma há uma associação quase directa, por parte da generalidade das pessoas, entre a Periodização Táctica e a designação Modelo de Jogo. Contudo, penso não haver na generalidade das vezes uma correcta apreensão daquilo que representa e é o Modelo de Jogo para a Periodização Táctica. Penso mesmo que há uma banalização e consequente deturpar do conceito. Confunde-se muitas vezes Modelo de Jogo com a concepção de jogo, a organização estrutural da equipa, com o dito sistema de jogo e com outros aspectos. O principal motivo para tais equívocos resulta das pessoas, e também as instituições, estarem ainda muito presas ao convencionalismo científico. Mark Twain dizia que “para aqueles que têm apenas um martelo como ferramenta todos os problemas são pregos”, e é precisamente esse o problema que se coloca a quem quer seguir o caminho da Periodização Táctica, ou seja o caminho da complexidade. Por isso mesmo tomando-se tal decisão, tem de se ter consciência que se a nossa ferramenta é a complexidade então todos os problemas são complexos e requerem tratamento complexo. Portanto, quando nos referimos à noção de Modelo de Jogo cortamos com a ideia tradicional que resulta da modelação matemática, linear. Referimo-nos antes a uma concepção bem mais complexa e dinâmica da ideia de Modelo, o que implica a necessidade de conceber e tentar perceber a complexa noção de Modelo de Jogo de acordo com a ideia de Metamodelação ou Modelação Sistémica.

Luis Esteves - Entrevista com Jorge Maciel


Acho pertinente dizer que, ao incitar esta abertura de visão, digamos assim, não quero que amanha os jogadores, ou os diretores estejam falando sobre complexidade, sistemas complexos, pensamento complexo, nada disso, mas cabe a nós criarmos contextos para que os comportamentos sejam guiados para este lado.

Inclusive isso para mim fez parte da palestra do professor Alberto Monteiro, que entrou na questão dos valores e do maior câncer da sociedade atual para mim, que é a questão da relação processo-x-resultado, no futebol (e não só no futebol), mas a luz da filosofia e do pensamento de pessoas históricamente ligadas  a esta área, a quando se trás estas coisas para o futebol, grande parte das pessoas "do campo" tendem a entender isso como um maléfico "teorismo", chamando estas pessoas de "teóricos", o que para mim não existe.

Esta visão, este conhecimento adquirido também para mim foi colocado, em outras palavras pelo professor João Paulo Medina, no quadro em que descreveu um tipo de sequência de aprendizado, digamos assim, em que Dados nos levam a Informações, que ao serem absorvidas de forma verdadeira, nos levam a Conhecimento, e este consequentemente a reflexões que passam a ser Sabedoria, dentro da minha lógica de interpretação do que foi dito.

 Porém, acho que ter essa visão ajudaria muito os treinadores, preparadores, auxiliares, preparadores de goleiros, gerentes, que por gerirem o processo da equipe, possam ter como ferramenta principal uma forma muito mais coerente de ver a realidade do jogo de futebol, e todos os fenômenos complexos.

Grande abraço
Luis Esteves

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PERCEBER A DIFERENÇA

por Carlos Campos

Retirado de Nuno Amieiro em:

http://falemosfutebol.blogspot.com/search/label/OPINI%C3%83O

Ao realizar o ritual habitual de vasculhar memórias, felizmente ainda recentes, das aulas de Metodologia de Futebol do Professor Vítor Frade, encontrei uma crónica de Mourinho para a revista Record DEZ de 15 de Outubro de 2005 onde este procura desmontar uma série de conceitos chave em redor do seu entendimento acerca do Treino. Recordo-me bem de algumas polémicas geradas em torno destas questões, muitas dúvidas e mal-dizer que ainda hoje persistem naqueles que, por maldade ou incapacidade, não aceitam a diferença relativamente a uma forma de operacionalizar o processo de Treino. Depois disto já muita tinta correu, mas esta crónica não perdeu pertinência e este parece-me ser o espaço de eleição para a reavivar. Da minha parte atrevi-me a analisá-la à luz daquilo que acredito, interpreto e julgo saber.

“(...) Desculpem-me os que são crentes, mas para nós não passam de vocabulário desactualizado.

Refiro-me a conceitos como treino físico, preparação física, pastas de preparação física, entre outros. Não critico quem pensa desta forma. Critico quem compara o nosso processo com outros processos. Os processos de treino e competição são todos diferentes. Para nós é uma questão de concepção, mas mais do que isso é uma questão de “operacionalização”.

Começo por dizer o que tenho dito noutras alturas: não tenho preparador físico, pelo que não posso ter pastas de preparação física, pois como líder responsável pelo processo não teria pasta para lhe dar! Tenho sim colaboradores no processo de treino e jogo, com funções muito específicas, de acordo com as necessidades de gestão de uma época longa. Tudo se relaciona com a forma como treinamos. Não temos espaço para o treino físico, isto é, não temos espaço para os tradicionais treinos de resistência, força ou velocidade. É tudo uma questão de comportamentos! (...)”

Logo a abrir, Mourinho tem como primeira preocupação separar aquilo que é manifestamente oposto. Embora os mais distraídos ou menos lúcidos insistam em usar o mesmo rótulo para o treino de Mourinho e para o treino dos demais, isso encerra um erro tanto mais grave quantas mais são as vozes que procuram, pacientemente, explicar que existem diferenças abissais tais como as que permitem a distinção entre a densa Floresta Amazónica e o arenoso Deserto do Saara. Mesmo assim, a maioria continua a cair no erro de passear de camelo na Amazónia, daí a necessidade que Mourinho sentiu em, pela enésima vez, marcar aquilo que distingue a sua metodologia das demais.

Uma dessas marcas é, indubitavelmente, a ausência de “pastas de preparação física”, pois, na periodização do treino, Mourinho direcciona as suas preocupações noutra frequência. Contudo, esse referencial “físico” está de tal modo enraizado no treino desportivo em geral, e no Futebol em particular, que poucos são aqueles que conseguem entender, de uma vez por todas, que é possível haver alguém com sucesso estrondoso tendo como referência para o seu trabalho diário outra dimensão que não a física. E se são poucos os que entendem que é possível trabalhar desta forma, são ainda menos os que conseguem compreender o que está inerente a esta metodologia. E menos ainda aqueles que, depois de cumprirem as condições atrás enunciadas, conseguem operacionalizar o Treino segundo as demandas da Periodização Táctica. Reside aqui a explicação para o facto de Mourinho dizer que, antes de uma questão de operacionalização, é uma questão de concepção, pois a distância para o entendimento e aceitação desta metodologia é ainda de tal ordem gigantesca que não faz sequer sentido colocar a ênfase na operacionalização. Para se lá chegar ainda é preciso interiorizar que existe este conceito, esta metodologia, esta forma de pensar o Treino!

Os “colaboradores do processo de treino e de jogo” que Mourinho fala seguem a lógica de uma metodologia amplamente virada para a melhoria do “jogar” da equipa sendo a referência desse “jogar bem” o modelo de jogo definido e diariamente trabalhado. Isto é bem diferente de ter uma pessoa responsável pela componente física, pois aí a referência é outra e passamos a falar numa forma de periodizar o treino que nada tem a ver com aquilo que o então treinador de Chelsea defende. Não é somente uma questão de vocabulário. Não! É muito mais que isso!

“(...) Exercitamos o nosso modelo de jogo, exercitamos os nossos princípios e subprincípios de jogo, adaptamos os jogadores a ideias comuns a todos, de forma a estabelecer a mesma linguagem comportamental. Trabalhamos exclusivamente as situações de jogo que me interessam, fazemos a sua distribuição semanal de acordo com a nossa lógica de recuperação, treino e competição, progressividade e alternância. Criamos hábitos com vista à manutenção da forma desportiva da equipa, que se traduz por um frequente “jogar bem”. (...)”

O “jogar” torna-se, assim, o aspecto central de todo e qualquer processo metodológico e é em torno dele que tudo se desenvolve. A compartimentação de treino técnico, treino táctico e treino físico é algo que Mourinho não faz. O treino é sempre totalmente integral (o que é diferente de integrado!). Os ditos factores são integrados na medida em que todos os exercícios têm um objectivo táctico que os estrutura. A manipulação das condicionantes tempo, espaço, regras, etc, exercem também uma influência fundamental. Os fins estão sempre nos jogos! A predominância táctica é sempre trabalhada no contexto próximo da realidade e assim aparece o físico e o técnico mais específicos. A especificidade está presente quando, sendo capazes de caracterizar os princípios de jogo, o sistema que se vai privilegiar e as características dos jogadores que temos, actuamos sobre cada uma das nossas preocupações.

O modelo de jogo definido é constituído por princípios, subprincípios e sub-subprincípios de jogo e é sobre a melhoria destes comportamentos que se direcciona todo o processo de treino e aqui a melhoria diz respeito a tudo que os envolve sendo que, no final, o que se pretende é que todos os compreendam e interpretem eficazmente, traduzindo-se isso na “mesma linguagem comportamental” de que Mourinho fala. Esta lógica adquire uma complexidade tal que seria impensável estar a misturar isto com referenciais físicos.

A lógica de recuperação, treino e competição assenta na progressividade e alternância horizontal. Aprofundando ligeiramente estes dois conceitos podemos dizer que a ideia de progressão tem a ver com o modo como se passa de uns dias para os outros ser diverso, sendo que isso tem consequências evidentes. Isto resulta da circunstância de nos diferentes dias se trabalharem diferentes coisas, ou seja, há uma alternância, mas uma alternância horizontal: em cada dia trabalham-se coisas diferentes do “jogar” que se pretende.

O outro princípio que rege a Periodização Táctica é o princípio das propensões e consiste, sucintamente, na contextualização de determinadas coisas para que aquilo que se quer que aconteça, aconteça mais vezes. Isto é, concebe-se determinado contexto com o intuito de que ele conduza a determinado comportamento desejado.

O “jogar bem” de que nos fala Mourinho não é um “Jogar Bem” universal mas sim referenciado àquilo que se inscreve no seu modelo de jogo. Cada treinador almeja que a sua equipa jogue de determinada forma, contudo o caminho que cada um segue em busca do cumprimento dos comportamentos concordantes com o que o treinador pretende é que diverge substancialmente. Mourinho faz questão de assumir e explicar a metodologia que segue de modo a que as confusões e sobreposições indevidas desapareçam definitivamente.

“(...) Sei que é uma questão difícil de desmontar sob o ponto de vista cultural. Além do mais existem pessoas, por direito próprio, a pensar de forma radicalmente oposta. Mesmo para os que dizem treinar com situações de jogos reduzidos, porque mesmo esses vivem agarrados e obcecados com tempos de exercitação, de repouso, repetições, etc. Todas estas questões são para nós “acessórias”. O que é crucial é mesmo o conteúdo de princípios de jogo inerentes a cada exercício e a relação interactiva que estabelecemos com o mesmo. O que é mesmo fundamental é entender que aquilo que procuramos é a qualidade de trabalho e não a quantidade, treinar para jogar melhor.”

Culturalmente, e conforme já foi acima explicado, o referencial físico no treino é tido como universal e inquestionável, pois quase todos os trabalhos científicos publicados versam sobre esta temática. De facto, conforme diz Mourinho, existem “pessoas a pensar de forma radicalmente oposta”, mas importa salientar que a estrutura científica convida a trabalhos facilmente quantificáveis, de preferência com valores numéricos e, aí, entra o “publish or perish”, a pressão da publicação “obrigatória”. Tudo puxa para o mesmo lado e mesmo com o sucesso que Mourinho tem conseguido, poucos são os que realmente conseguem ir ao cerne da base que o sustenta, pois vivemos rodeados por conceitos bloqueadores de tal compreensão.

Por fim, Mourinho faz mais uma vez questão de deixar bem vincado que não tem nada contra as outras metodologias, sendo sua única intenção não permitir que essas se confundam com a “sua”. Neste contexto, surge a alusão ao treino integrado que, sistematicamente, surge como sendo aquilo que Mourinho faz. Os menos alertados para as questões desta metodologia julgam que arranjar um contexto jogado e, a partir daí, prolongá-lo mais ou menos tempo, intervalá-lo, promovendo alterações no espaço e no tempo visando solicitar mais ou menos este ou aquele sistema energético estão a operacionalizar a Periodização Táctica. Nada mais errado! Isto conduz-nos à ideia da preparação física com bola o que nos remete para o Treino Integrado onde a principal referência continua a ser o físico.

Quem efectivamente operacionaliza o treino segundo os pressupostos da Periodização Táctica tem como grande preocupação a operacionalização de uma ideia de jogo, ou seja, aquilo que mais marcadamente distingue a Periodização Táctica das demais é o facto de ter em conta o modelo de jogo o que, em termos de complexidade, ultrapassa largamente o ter em conta somente a modalidade. O entendimento de que, em competição, a organização de jogo é o que marca verdadeiramente a diferença. Daí que seja a dimensão táctica (não uma Táctica abstracta, mas os princípios de jogo) a coordenar todo o processo de treino semanal.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PADRÃO DE CONTRAÇÕES DIÁRIO, MUSCULAÇÃO E VITOR FRADE

"Parece não haver limites para o desempenho muscular."
BARBANTI, Página 32
Treinamento Esportivo
As capacidades motoras dos Esportistas
2010

"Em termos de treinamento, a especificidade do desporto ainda é a primeira regra a ser lembrada. Um exemplo de especificidade do exercício pode ser vista no uso de exercícios de alta resistência, aos quais resultam em um aumento da força máxima, mas apenas aumentos moderados no máximo índice de produção de força. Por outro lado, um programa de exercício criado para melhorar a força explosiva, melhora o índice de produção de força, com apens um aumento limitado da força máxima." 

BOMPA, Página 23
Treinamento de Potencia para o Esporte
2004

" A capacidade de aplicar força máxima e a capacidade de aplicar velocidades elevadas são capacidades motoras diferentes; por isso, é impróprio assumir que o desenvolvimento de grande força melhora necessariamente a velocidade. "
BARBANTI, Página 87
Treinamento Esportivo
As capacidades motoras dos Esportistas
2010


PADRÃO DE CONTRAÇÃO MUSCULAR SEGUIDO PELO MORFOCICLO DE JOSÉ MOURINHO E JOSÉ GUILHERME BASEADO EM UM JOGO APENAS NO DOMINGO - DIMENSÃO FÍSICA - RELAÇÃO ALTERNÃNCIA HORIZONTAL + PROPENSÃO:


 



ORGANIZAÇÃO FRACTAL HORIZONTAL E TRANSVERSAL DA OPERACIONALIZAÇÃO NA DIMENSÃO FÍSICA


Fonte: Adaptado de Prof. José Guilherme Oliveira (sem data)

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À CONVERSA COM VÍTOR FRADE

Por Nuno Amieiro


Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Mexer ou não mexer, eis a questão



Nuno Amieiro (NA): Professor, até que ponto faz sentido pensar-se em alterar a «configuração física» a um jogador para que este venha a ser algo mais do que aquilo que é? Isto é, no sentido de, por exemplo, o «engrossar» para ser mais resistente ao choque ou para ir ao encontro de um qualquer estereótipo corporal de defesa, médio ou avançado?



Vítor Frade (VF): Antes de mais, é necessário reflectir sobre a designação que está a utilizar, a expressão «configuração física». Por exemplo, diz-se muitas vezes o seguinte: “Aquele jogador não vai jogar porque tem um problema físico”. Será que quem diz isto está a querer dizer que lhe falta resistência ou qualquer outra coisa relacionada com o físico? Não. Por isso, para mim, o que o jogador tem é um problema clínico. É preciso algum cuidado com a terminologia para que o entendimento das coisas seja um determinado. Em relação à sua pergunta, parece-me mais ajustado falar em morfotipo do jogador e, no meu entender, pensar-se em o alterar é uma asneira de todo o tamanho. As exigências que regularmente o indivíduo vai enfrentando vão tornando-o mais resistente e mais capaz e não devemos querer ir mais longe do que isso, pois na tentativa de ganhar determinadas coisas, iremos perder uma série de outras coisas.



Não me custa nada reconhecer que, para certas posições e funções, o morfotipo e a estatura são relevantes, em termos de média. Mas, por exemplo, no caso do ponta-de-lança até menos do que no caso do defesa central. E mesmo aí todos nós conhecemos defesas centrais de top que são relativamente baixos, onde aquilo que os identifica como característico tem normalmente pouco a ver com o lado externo do morfotipo, aquilo que designou por «configuração física», e muito mais com a articulação e os timings de utilização de uma série de outras coisas. Veja, por exemplo, o caso do Liedson... Ele é «felino» e para ser «felino» e eficaz, tem de ser inteligente, tem de ser capaz de decifrar, de se antecipar... Mas vou-lhe dar outro exemplo. O Pepe tem uma entrevista recente, num jornal espanhol, onde diz que presentemente também está a fazer musculação para o trem superior, para o tronco, porque, refere-o ele, joga-se muito disputadamente, os pontas-de-lança são grandalhões, o tipo de jogo proporciona muitas disputas e, nesse sentido, ele sente a necessidade de ser espadaúdo para poder enfrentar essas circunstâncias. Mas também diz que se sente à nora quando lhe aparece um ponta-de-lança pequenino...



NA: O professor está a querer dizer que ele pode vir a perder algo do Pepe que conhecíamos?



VF: Ele já está a dizer que está a perder!!!... Porque, quando ele não era espadaúdo ou não ia para o ginásio com esse fim, ele foi capaz de ser vendido por 30 milhões de euros e penso nunca o ter ouvido afirmar que os jogadores pequeninos lhe davam problemas... Não sei... Mas, ao que parece, ele agora está a senti-las. Porque, e isto é que é importante que se perceba, a acentuação de qualquer uma que seja considerada como variável tem repercussões no peso que as outras tinham no padrão de relação que existia. E, pelo menos ao nível da formação, esta lógica de pensamento é um absurdo, embora eu também esteja em desacordo com ela no que se refere ao rendimento superior... Era admitir que seria vantajoso «engrossar» o Liedson... O Liedson nunca mais seria o Liedson! E, provavelmente, aquilo que o fez ser Liedson foi o facto de ele não ter esse arcaboiço.



Eu conheci o Anderson e, para mim, ele era potencialmente um dos melhores jogadores do mundo como médio interior. Eu estava convencido de que, a continuar na mesma posição e nas mesmas funções, ele seria do melhor. Precisamente na posição onde hoje é mais difícil de encontrar jogadores daquele tipo. Foi para o Manchester e passou a jogar mais atrás... Disseram logo que tinha de ganhar não sei o quê... E dizem agora que ganhou isto e aquilo... Ganhou o quê? A maioria das vezes eu nem o vejo a jogar. E o que perdeu sei eu muito bem. Dizem que ganhou capacidade defensiva, que está outro jogador e mais não sei o quê. Pois está! Está outro, sem aquilo que tinha e que, do meu ponto de vista, é o mais difícil de ter: capacidade de desequilibar no último terço, capacidade de deixar pronto no último terço, etc, etc... Ora, tudo isto tem origem em dois pontos de conhecimento: o conhecimento de jogo que se tem, ou melhor, que não se tem; e o conhecimento retrógrado, miúpe e mecânico que se tem do que é o Indivíduo. É necessário saber um pouco das duas coisas...



NA: Deixe-me pegar agora no exemplo do Cristiano Ronaldo... A generalidade das pessoas está claramente convencida de que o que ele é hoje enquanto jogador se deve em grande parte ao trabalho de ginásio que desenvolveu e provavelmente continua a desenvolver...



VF: Isso rebate-se com facilidade. O Cristiano tem um morfotipo e joga numa posição que pode permitir que o lado atlético seja um acrescento. Mas eu penso que a juventude dele e o facto de estar a jogar em Inglaterra ainda não o fez dar-se conta do desperdício que é o não uso tão regular da capacidade de drible, de simulação e de engano que ele tinha. E o jogo assente neste padrão atlético em que ele se está a viciar e do qual beneficiam os abdominais e o porte que ele tem, tirou-lhe algo que ele também tinha potencialmente, que era aquele poder de «ginga», que é mais o registo, por exemplo, do Messi. E eu pergunto, alguém no seu perfeito juízo é capaz de dizer que o Cristiano Ronaldo é melhor do que o Messi? Na melhor das hipóteses dirão que um é tão bom quanto o outro. E o Messi é exactamente o oposto em termos de morfotipo: é pequeno, enfezado,... E é doente, pois tem problemas metabólicos.



Acho que o que é fundamental é que o jogador tenha a capacidade de resistir e de ter força... Mas é importante que se perceba o que eu quero dizer com isto, pois não tem nada a ver com o entendimento comum... Repare na conversa que há pouco estávamos a ter sobre o Fábio Coentrão. O Coentrão, sendo um indivíduo débil, frágil, numa disputa de bola contra dois jogadores matulões do FC Porto, o Cissokho e o Rolando, conseguiu, com uma «ginga», sentar os dois e ir embora com a bola... Isto, para mim, é que é ter força. Ter capacidade de arrancar, travar, voltar a arrancar mas pelo lado contrário...



NA: O Fábio Coentrão é claramente o tipo de jogador que, normalmente, sente na pele este modo mutilador de pensar... «Ele é bom jogador, mas falta-lhe...»...



VF: Porque a lógica que está implantada é a lógica da burrice. A cada passo vemos e ouvimos apregoar uma série de slogans que vão ao encontro desse tipo de raciocínio. Até na escolha dos miúdos ao nível da formação se ouve, sistematicamente, coisas como «Eh pá, é habilidoso, mas é pequenino». É um absurdo. Por exemplo, o Liedson, não sendo um fora-de-série, ao nosso nível é um jogador fantástico e é pequenino, como o era o Romário e uma série de outros bons jogadores.



Mas o ridículo desta questão é fácil de constatar. Se nós formos perguntar aos indivíduos que fazem a apologia do físico, da altura, do corpo «engrossado» qual é o melhor jogador do Benfica, quase todos eles respondem que é o Aimar. Se perguntarmos em relação ao Sporting, quase todos eles dizem que é o Liedson e o João Moutinho. Se perguntarmos em relação ao FC Porto, quase todos eles referem o Lucho, que por acaso é alto, mas não é de cabeça que ele sobressai e é adelgaçado. Se perguntarmos em relação ao Barcelona, quase todos eles apontam o Messi, o Xavi e o Iniesta... Da mesma maneira que quando perguntaram a um ex-director técnico nacional do atletismo o que ele pensava do Usain Bolt, o campeão olímplico dos 100 metros, ele respondeu que era «um diamante em bruto». Um indivíduo que acaba de bater todos os recordes é «em bruto»? Está implícito na resposta dele que, quando o Usain Bolt fizer musculação e uma série de outras coisas, vai voar como os crocodilos... Mas, espere lá, os crocodilos não precisam de voar para serem crocodilos!... O que se deveria fazer era parar e pensar que a seguir ao Carl Lewis, todo o morfotipo que surgiu era de indivíduos estilo Caterpillar e que, agora, aparece este atleta com um morfotipo longilíneo a bater todos os recordes. Mas é o próprio Usain Bolt quem diz que não faz musculação, que treina na relva e que as únicas cargas que utiliza é ao fazer competições de 60 metros com um colega a puxar um pneu. E diz que dança muito por ser da terra do reggae!



Quem souber um bocadinho sobre aprendizagem motora, sobre coordenação motora, sobre timing de manifestação muscular e de coordenação muscular, etc, acaba por se afastar dessa forma de pensar que é mutiladora. Mas até aqui na faculdade há professores que dizem que o músculo é cego. Cegos são eles, porque o músculo é, manifestamente, muito mais, um orgão sensitivo do que um orgão gerador de potência. E, se calhar, ao mesmo tempo que dizem que o músculo é cego, defendem que é importante a proprioceptividade. Ou seja, não sabem o que estão a dizer. Porque a proprioceptividade é precisamente o que faz do músculo fundamentalmente um órgão sensitivo. Portanto, uma série de mecanoreceptores que se alteram para captarem, digamos assim, a evolução do corpo no tempo e no espaço. Ora, o futebol de qualidade, para qualquer posição, apresenta uma diversidade de agilidade e mobilidade que... Eu costumo dizer que a ignorância é atrevida pra caraças...



NA: Um dos argumentos de que eu me costumo servir para tentar evidenciar o quanto pode ser prejudicial querer «transformar» um jogador tem a ver com algo para o qual o professor alerta frequentemente... Eu, enquanto elemento da minha espécie ainda não estou totalmemente adaptado ao bipedismo e, portanto, muito menos preparado para jogar futebol. Ou seja, eu tenho uma história, para o caso «motora», que, em parte, partilho com a minha espécie e que, em parte, é pessoal, fruto das minhas vivências. Se pensar em ir «engrossar» ou tentar ganhar algo que, em termos corporais, não tenho, vou estar a interferir com essa história, que é património meu. Com isso, provavelmente, vou estar a hipotecar muito desse «património coordenativo» que o envolvimento a que estive sujeito durante anos me levou a adquirir «contra-natura» hominídea!



VF: Eu já não quis ir por aí, porque esse caminho levar-nos-ia a 3 ou 4 horas de conversa... Mas, repare, é também preciso perceber que à volta de tudo isto há um jogo de interesses muito grande. Por exemplo, qual é uma das indústrias mais ricas do mundo? É a indústria do armamento. E alguém fabrica o que quer que seja para não vender? Com certeza que se têm de criar condições para que as coisas se usem... E depois, no caso do futebol, a publicidade também assume um papel muito importante, pois vem dizer que uma série de coisas são indispensáveis, que é necessário fazer isto e aquilo para que se marque dois golos com um pontapé só, e servem-se de alguns exemplos que facilmente caem no absolutismo pela falta de conhecimento que as pessoas têm acerca do jogo e acerca do Indivíduo.



NA: Para acabar, uma pergunta muito directa: porque é que o facto de eu ir fazer musculação vai alterar aquela que é a minha história de relação com o corpo?



VF: De um modo muito simples, porque altera a relação do corpo com o corpo, ou seja,... Há dois tipos de timing. O timing coordenativo dos músculos entre si, que é a co-contractividade, portanto, vão existir cadeias que passam a degladiar-se, que se passam a estorvar umas às outras. Porque é uma coordenação que se coloca contrária à fluidez que sugere e solicita a espontaneidade do jogo de futebol. Para além disso, há outro tipo de timing, que tem a ver com o ajustamento muscular à alteração sistemática regular que o envolvimento coloca. Ao fazer musculação vai estar a bulir com isso, vai estar a enganar o sistema nervoso. Portanto, vai obstruir o leque de possibilidades de manifestação que o corpo tinha a jogar futebol. E se o fizer quando em desenvolvimento vai inclusivamente bloquear o crescimento, por exemplo, dos ossos e de outras estruturas. Vai hipertrofiar uma zona que é muscular quando nós sabemos que os tendões não se desenvolvem da mesma forma... Porque não é natural! É como aqueles indivíduos que tinham uns carrinhos pequeninos e lhes rebaixavam a colaça, colocavam umas jantes largas, uma suspensão mais dura, etc, para se armarem em corredores... Só que depois partiam os carros por outro lado...



Publicada por Nuno Amieiro em 21:09

Pode e deve ser visto em:


Grande abraço
Luis Esteves

domingo, 14 de março de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - 2ª Parte - O MORFOCICLO E OS PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS




PRINCÍPIOS

Antes de entrar no assumo principal, vou colocar algumas definições de princípios, também colocados por José Guilherme Oliveira, aos quais devemos saber diferenciar, existem diferentes tipos de princípios, e achei pertinante colocar isso aqui para gerar um melhor entendimento:

José Guilherme coloca:

Existem 3 tipos de princípios de jogo:

1- Princípios fundamentais

  • Recusa a inferioridade numérica

  • Evita a igualdade numérica

  • Cria a superioridade numérica

2- Princípios específicos ou culturais:


OFENSIVOS:

  • Penetração

  • Cobertura Ofensiva

  • Mobilidade

  • Espaço

DEFENSIVOS:

  • Contenção

  • Cobertura defensiva

  • Equilíbrio

  • Concentração

3- Princípios específicos relacionados ao MODELO DE JOGO:

  • Estes princípios são variáveis de modelo a modelo, dependem da idéia do treinador dentro dos quatro momentos do jogo.

Achei importante colocar estas definições, pois as vezes entramos em determinado assunto, sem ter passado por outros e isso pode gerar lacunas entre uma idéia e outra, coisa que devemos tentar preencher, muitas coisas não serão lembradas ou citadas, pois o futebol em seu treino e competição é muito complexo, mas esse post mesmo, é um post de risco, pois cito muitas coisas das quais não sou o inventor, nunca falei com Vitor Frade, não sou José Guilherme nem o Mourinho, porém acredito na filosofia que a Periodização Tática nos proporciona, e tento a cada dia descobrir mais e treinar melhor para jogar melhor e tenho visto isso acontecer, portanto o que digo aqui não é nenhuma verdade absoluta, é só um dos muitos caminhos que podemos seguir, inclusive na própria periodização tática, sem jamais deixar de ser específico.


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RELATÓRIO - FC PORTO

Bom, analizando um relatório que tenho sobre a equipe junior do FC Porto, cheguei a conclusão de que citar aqui, o que um dos principais utilizadores desta metodologia seria mais interessante do que citar meu próprio dia à dia, então, farei isso, colocarei o relatório que o estudante Bruno Marques Fernandes Pivetti elaborou, em Março de 2006, a partir de um estágio de observação, com a comissão técnica em treinos e jogos, com imagens e explicações bem definidas.

Vou fazer interpretações gráficas dos exercícios, e colocar as fotos retiradas pelo autor. Achei interessante este relatório, que acabou me ajudando a interpretar melhor uma sessão de treino em periodização tática, juntamente com literaturas atuais com a da Marisa Silva e Jorge Maciel. Isso será um assunto posterior.



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MORFOCICLO PADRÃO E OS PRINCÍPIOS DA ALTERNÂNCIA, PROPENSÕES E PROGRESSÃO.


O morfociclo padrão é a forma como organiza-se os treinsmentos da equipe semanalmente, visando sempre o jogo anterior e o próximo jogo. A diferenã entre Microciclo e Morfociclo é que, o microciclo em sí, são somente sessões, de determinado número, normalmente de 3 a 14 sessões, que a comissão programa, porém elas podem assumir diferentes formas, e levar a diferentes objetivos.

Já o Morfociclo se chama Morfo ( ¹Morfologia: Tratado das formas que a materia pode tomar) ou seja, queremos que tome forma o nosso modelo de jogo, e para isso acontecer existem alguns processos, dentre eles o da continuidade, a semana de treino em algumas dinãmicas será sempre a mesma, o que alterna são os assuntos que surgirão dentro dos problemas apresentados no jogo, por isso Morfociclo, porque queremos modelar a equipe a certa forma.

Alguns utilizadores desenvolveram o que chamam de morfociclo padrão, que é uma sequencia de uma semana de treinos, que leva em consideração apenas o jogo anterior e o próximo. Este morfociclo foi publicado algumas vezes em literatura como a de Oliveira, Amieiro, Resende 2006, e Barreto e Gomes 2008. Isso não significa que não exista um mesociclo ou um macrociclo, porém estes são apenas guias gerais de programação e planejamento, com menor interferência no processo de treino do que o morfociclo.

Este é:
MORFOCICLO PADRÃO SEMANAL

Basicamente podemos definir 5 dias de treino e um de folga, nestes 5 dias, três são aquisitivos e dois recuperaticos, em casos de categorias menores, por exemplo, em que não se treina sábado, seriam dois dias aquisitivos e um recuperativo, ou existe a possibilidade de se treinar na segunda-feira, cada treinador poderá moldar seu morfociclo da forma como achar mais adequado, o exemplo acima é só um molde para entendimento.
A cada dia, o morfociclo levará em consideração, através dos proncípios e das sub-dinâmicas físicas determinado objetivo, levando em consideração:
PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS - O GUIA DO TREINAMENTO
Todas as citações retiradas do PDF de José Guilherme Oliveira:
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PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE
Na Periodização Táctica a Especificidade é um princípiometodológico que contextualiza tudo o que é feito. Sóse considera algo Específico quando está relacionadocom o Modelo de Jogo que se está a criar.Desta forma, a Especificidade é sempre Substantiva.

O cumprimento do Princípio da Especificidade só érealmente atingido se durante o treino:

• Os jogadores mantiverem um elevado nível de concentração durante o exercício;

• O treinador intervier adequada e atempadamente perante o exercício.

• Os jogadores entenderem os objectivos e as finalidades do exercício;

O princípio da especificidade deve assumir uma organização fractal, os exercícios que criamos devem ser fractais do jogo que pretendemos.
PRINCÍPIO DA ALTERNÃNCIA HORIZONTAL
Alternãncia do tipo dos níveis de concentração e do tipo de esforço que os dias exigem, de acordo com o grau de recuperação e aquisição da equipe de acordo com o último jogo e com o próximo jogo.

Basicamente os exercícios irão apresentar 3 características de contração muscular que interagem, com mais ou menos densidade, são elas:
- Velocidade de contração
- Tensão de contração
- Duração de contração
A contração muscular pode ser excêntrica ou concêntrica, dependendo do dia, se estimula mais uma do que outra através dos exercícios propostos, porém esta sub-dinâmica é totalmente subordinada ao modelo de jogo e a dimensão tática.
PRINCÍPIO DA PROGRESSÃO COMPLEXA
“Montagem” e “Desmontagem” dos Princípios e dos Subprincípiose sua Hierarquização durante o PadrãoSemanal e ao longo dos Padrões Semanais, consoante aevolução da equipa.

PRINCÍPIO DAS PROPENSÕES:

Densidade de Princípios, Sub-princípios e Sub dos Subprincípi osque se pretende treinar e do tipo de esforço/sub-dinâmicas requisitados em cada dia dasemana.
  • Os problemas da equipe no último jogo
  • Os objetivos semanais
  • As características do adversário
DIAS DA SEMANA

Quadros explicativos são colocados para gerar melhor entendimento, eles levam em consideração 4 formas de manutenção do treino:

  • Tensão - É a tensão que a contração muscular será exposta. Quanto mais contrações excêntricas maior a tensão.
  • Duração - É a duração de contração muscular. Quanto mais longo o exercício maior a duração das contrações, em geral mais concêntricas.
  • Velocidade - É velocidade de contração muscular. Quanto mais rápida for solicitada a ação, mais rápida a contração, em situações curtas e velozes.
  • Desgaste Emocional - É o desgaste que o exercício irá proporcionar. Relacionado aos seguintes critérios:
  • Complexidade do(s) princípio(s)
  • Complexidade da dinâmica
  • Quantidade de jogadores
  • Espaço de jogo
  • tempo de diração do exercício

Descontínuo - É a duração do exercício, quanto mais descontínuo mais curto será.


TERÇA-FEIRA:

Primeiro dia de treino, caso a folga seja segunda, isso depende do treinador.

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam: Situações descontínuas, semelhantes ao jogo, mas comdensidades de “tensão”, “velocidade” e “duração” reduzidas das contracções musculares, com o objectivo de se promover arecuperação, fisiológica e emocional.

QUARTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações muito descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplemuma grande densidade de: acelerações e travagens, mudanças dedirecção e velocidade, saltos e quedas, remates,... (semprerelacionadas com os sub-princípios e os sub dos sub-princípios...).Devem ser realizados em espaços curtos, com um número reduzido dejogadores, e o tempo de exercitação do exercício também deve serreduzido.




QUINTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplemuma grande densidade (principio da propensão) decomportamentos relacionados com os princípios e sub-princípiosdo Modelo.Devem ser realizados em espaços grandes, com um númeroelevado de jogadores e o tempo de exercitação do exercício deveser “longo”.


SEXTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Acções descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplem umagrande densidade (princípio da propensão) de comportamentosrelacionados com os sub-princípios e os sub dos sub-princípios...Os exercícios devem promover uma elevada velocidade de decisãoe de execução.Devem ser realizados em espaços que permitam contemplar osobjectivos referidos. O tempo de duração dos exercícios deve serreduzido.



SÁBADO:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações muito descontínuas que possam contemplar tensão evelocidade de contracções musculares altas, mas com reduzidadensidade e duração.Os objectivos são promover a recuperação, fisiológica e emocional,e “pré-activar” a equipa e os jogadores para o jogo do dia seguinte.



Bom, no proximo post coloco o exemplo de operacionalização semanal que o José Guilherme utilizou, acho que será um bom exemplo, já que retirei o modelo de jogo citado do post anterior das citações dele mesmo.
Abraço
Luis Esteves
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GOMES, Marisa Silva; Do Pé como Técnica ao Pensamento Técnico dos Pés dentro da Caixa Preta da Periodização Táctica - Um estudo de caso - Monografia de Licenciatura apresentada na Faculdade de Desporto da UP - Porto. 2006, 111 p.
OLIVEIRA, Bruno; AMIEIRO, Nuno; RESENDE, Nuno; BARRETO, Ricardo; Mourinho: Porque tantas vitórias? Editora:Gradiva, Lisboa. 2006. 223p.
OLIVEIRA, José Guilherme Granja; Padrão Semanal - PDF - Sem data.
OLIVEIRA, José Guilherme Granja; Periodização Tática: Um modelo de treino. Universidade do Porto - PT . Sem data.
1 - SILVEIRA BUENO; Mini-Dicionário da lingua portuguesa. São Paulo - Editora: FTD . 2000