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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

DIVERSOS


Gostaria de parabenizar a iniciativa do seminário de futebol realizado pelo Grêmio FBPA através do professor Thiago Duarte e a ESEF através do professor Cícero. Certamente um evento de alta qualidade com profissionais de top, que possibilitou grande crescimento de todos as pessoas presentes, e não foram poucas. ESPERAMOS PELO SEGUNDO.



Aula prática do professor José Guilherme.


Aula prática do professor José Guilherme.




Parabéns aos palestrantes Thiago Duarte, Rafael Vieira, Israel Teoldo, Júlio Garganta e José Guilherme.



Gostaria de mandar um Grande abraço aos amigos que fizemos no evento, em especial os professores Rodrigo, Alberto, Leandro e Guilherme, que além de ótimos profissionais que se revelaram através de suas opiniões sobre o jogo, também se mostraram ótimas pessoas, um grande abraço e sejam sempre bem vindos a Porto Alegre.

Gostaria de agradecer as pessoas que no evento me procuraram, e falaram sobre o blog, fico feliz mesmo de saber que de uma forma ou de outra estamos conseguindo ajudar e ser ajudado. Pegando o gancho quero agradecer a todos que frequentam esta página pelas 30 mil visitas nestes 15 meses, agradeço a participação de todos do fundo do coração.


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EXERCÍCIO INTERSETORIAL E COLETIVO



 A equipe amarela tem 4 jogadores contra 4 jogadores azuis no quadrado. Ali representei o espaço pressionado com a área vermelha. O azul deve pressionar a zona e ao desarmar procurar rapidamente retirar a bola da pressão com o 1 volante que esta entre os dois quadrados, este por sua vez conecta ao outro campo, onde ocorre uma pequena circulação. Na imagem eu não coloquei, mas dá pra colocar dois jogadores ali naquela zona verde, representando uma zona não pressionada em que temos clara superioridade. O amarelo deve tentar chegar rapidamente ate o atacante de centro, representado entre os dois quadrados.


A partir deste segundo momento, o time azul inicia um ataque organizado e tenta finalizar, a equipe amarela tenta retomar a posse e transitar rapidamente em profundidade no jogador que esta no centro representando o atacante de centro.


Neste momento os dois corredores da equipe estão trabalhando juntos, e a equipe deve perceber se é possível entrar em profundidade rápido para aproveitar alguma desorganização, ou se deve iniciar um ataque organizado.

Grande abraço
Luis Esteves

terça-feira, 12 de outubro de 2010

FEEDBACK

"Treinar bem é resultado de comunicações eficientes."
Leith
2002


O treino é (ou deveria ser)  um processo de ensino/aprendizagem contínuo (treino à treino, interligados em um plano macro) programado e guiado por um determinado modelo de jogo, e pela interação jogador/exercício/treinador. Para haver sucesso no que diz respeito a evolução da equipe dentro deste modelo, e consequentemente de seus jogadores, alguns elementos pedagógicos são muito importantes, dentre estes o Feedback.

O conceito de feedback surgiu a partir do desenvolvimento da teoria da Cibernética, ciência esta que busca estudar e potencializar a capacidade de comunicação, tanto humana quanto mecânica. (BUENO, 2000). Sendo assim, em interação com outras teorias , a Cibernética veio a contribuir com alguns conceitos e termos pertinentes a alguns elementos do sistema futebol, dentre eles o feedback.

Curiosidade: Fed em inglês significa "alimentados" e Back significa "voltar". No caso a palavra é normalmente citada com dois Es, porém pode ter ocorrido uma mutação e a palavra original ser Fedback, o que seria um "Voltar alimentados".


 CUNHA (SEM DATA) cita: 

"McGOWN (1991), entende por feedback a informação que se obtém após uma resposta, e é geralmente vista como a mais importante variável que determina a aprendizagem, logo a seguir à prática propriamente dita. Segundo GODINHO, MENDES e BARREIROS (1995, p. 217) feedback " é a expressão genérica que identifica o mecanismo de retro-alimentação de qualquer sistema processador de informação". É o retorno de informação que permite ao sistema avaliar o quanto foi cumprido os objetivos, é uma condição obrigatória para ocorrer aprendizagem. Sem essa informação de retorno o sistema comporta-se como se estivesse cego, ou seja, não existe uma auto-avaliação e as respostas defasadas, continuarão ocorrendo, tanto em termos espaciais como temporais. MARTENIUK (1986) define o feedback como sendo uma resposta produzida pelo movimento realizado, obtendo informações cinéticas e cinemáticas do mesmo. SCHMIDT (1993) afirma que feedback é qualquer tipo de informação sensorial sobre o movimento, não exclusivamente com referência a erros."

BARCELOS, ANDRADE e FILHO, (2005) citam: 

"Feedback, conceito emprestado do pensamento sistêmico, e por conseguinte da cibernética e engenharia de controle, para descrever uma aprendizagem social e um processo de resolução de problemas que gera aprendizagem. Segundo Kolb (1984, p.22): Este feedback de informação provê a base para um processo contínuo de ação dirigida por objetivos e avaliação das conseqüências daquela ação."






Portanto , claramente podemos associar o feedback como o elemento chave para que a especificidade do exercício/treino em relação ao desenvolvimento do conhecimento específico entranhe no jogador perante o modelo objetivado e treinado em todas as dimensões que interagem no modelo. Á luz da Periodização Tática, através das suas maiores referências atuais, tem como ponto de partida para a formatação de uma equipe, alguns elementos, dentre eles o modelo de jogo, e só é possível operacionalizar este modelo de forma adequada se o treino for específico. o Princípio da Especificidade torna-se o mais importante, chegando a ser considerado por alguns como um Supra-princípio, pois os outros princípios estruturais metodológicos surgem depois deste.  

Segundo GUILHERME OLIVEIRA (2004) O cumprimento do Princípio da Especificidade só é atingido em toda a sua magnitude quando durante o treino os atletas entendam os objectivos e as finalidades da situação,os atletas mantenham um elevado nível de concentração durante toda a situação, o treinador intervenha adequada e atempadamente perante a situação. Uma das formas de intervenção é justamente o feedback. Pode-se concluir então que a especificidade do exercício também está na utilização de feedbacks adequados as particularidades do modelo dentro de todas as suas dimensões e individualmente no jogador através da sua função nos quatro momentos do jogo.

CUNHA (Sem data) coloca alguns motivos importantes para o fornecimento de feedbacks aos jogadores: insuficiência ou errónea interpretação das informações sobre determinado exercício ou comportamento, falta de concentração seletiva aos estímulos que facilitam a atuação e o controle do exercício, carência de informações necessárias sobre alguns aspectos de execução difíceis ou impossíveis de obter por sí mesmo.


O LIMIAR DA AUTONOMIA

Entramos ai em um ponto importante no desenvolvimento global do jogador. Ao mesmo tempo que é importante intervir de forma adequada através de feedbacks, acredito que não podemos resolver os problemas do jogo para o jogador, esse caminho deve ser seguido pelo próprio, através de sua própria capacidade de criação. Este processo gera um melhor aproveitamento cognitivo, uma melhor aprendizagem, é um processo de descoberta pessoal no qual tem um maior marcador no que diz respeito a autonomia de resolução de problemas, ou seja, intervir não significa resolver, significa guiar, significa tirar o que não é necessário, mas deixar os jogadores descobrirem o que é necessário, e o porquê é necessário.


Autonomia: Faculdade de se governar por sí próprio, Independência (BUENO, 2000). É fundamental que o feedback não se torne um vício, e que seja dado em momentos cruciais do exercício ou de qualquer assunto que envolva o ambiente da equipe. Intervir bem significa colocar no caminho o jogador e o grupo quando esse se desvirtua, porém, não podemos (ou não deveríamos) seguir o caminho por eles, Mourinho em OLIVEIRA, AMIEIRO, RESENDE e  BARRETO (2006) cita algo interessante quando entra no assunto "Descoberta Guiada":



"Não é fácil passar da teoria para a prática, sobretudo com jogadores de top, que não aceitam o que lhes é dito apenas pela autoridade de quem o diz. É preciso provar lhes que estamos certos. Comigo o trabalho tático não é apenas um trabalho onde de um lado está o emissor e do outro o receptor. Eu chamo-lhe de "Descoberta Guiada", ou seja os jogadores vão descobrindo coisas a partir de pistas que lhes vou dando. Para isso construo situações de treino que os levem a determinado caminho. Eles começam a sentir isso, falamos, discutimos e chegamos a conclusões. Muitas vezes paro o treino e pergunto-lhes o que estão a sentir. Respondem, por exemplo, que sentem o defesa direito muito longe do defesa central. "Esta bem, vamos então aproximar os dois defesas e ver como funciona." E experimentamos uma, duas, três vezes, até lhes voltar a perguntar como se sentem. E assim, até todos em conjunto, chegamos á uma conclusão.


OLIVEIRA, AMIEIRO, RESENDE e BARRETO (2006) Ainda citam:


" O objetivo é que os jogadores percebam e acreditem no modelo de jogo, é fazerem algo por crença própria, por sentirem que é a melhor forma de o fazerem, e não por que alguém lhes disse "Vamos fazer assim". O diálogo estabelecido com os jogadores é importante ao nível desta "Descoberta Guiada" mas com consciência plena daquilo que pretende atingir. Eu sei para aonde eu quero ir e aonde eu quero que eles cheguem. Não são os jogadores que, pela  sua conversa comigo nos vão fazer chegar a um determinado local. Eu sei onde é que eu quero chegar. Agora, em vez de lhes dizer "nós vamos para alí" quero que sejam eles a descobrir este caminho. No fundo, o nosso diálogo é um diálogo que esta controlado e é um diálogo que vai sendo direcionado num determinado sentido: a minha ideia de jogo."


Nesta passagem percebe-se claramente a presença de um tipo de feedback, Mourinho cita que para o treino e pergunta, portanto exige que ocorra um feedback intrínseco, logo seguida de um feedback extínseco, que normalmente surge dos p´roprios jogadores, ele como mediador guia a equipe a determinada decisão já prevista pelo Modelo de Jogo. Este no fundo é o melhor método para o desenvolvimento da aprendizagem, pois coloca o jogador ativamente no processo de construção do jogo, gera uma familiarização com a identidade do que está sendo feito portanto marca com maior eficiência o aprendizado do jogador sobre qualquer assunto. Porém é válido salientar que, como citado, não é porque o jogador irá opinar sobre isso ou aquilo, que irá ocorrer uma nova moldagem a uma nova ideia de jogo, ela já existe, só tem que ser sentida e aprovada pelos jogadores, afim de gerar uma crença pessoal, uma determinada autonomia no processo de criação da equipe.
Ainda CUNHA (Sem data) adverte sobre o excesso de feedbacks:

 CUNHA (Sem data) cita a possibilidade de dois tipos de feedback, o Intrínseco e o Extínseco:

"Para SCHMIDT (1993) e FRANCO (2002) o feedback pode ser dividido em intrínseco e extrínseco.
 Feedback Intrínseco: Segundo SCHMIDT (1993) é a informação fornecida como uma conseqüência natural da realização de uma ação. Todos os aspectos dos movimentos intrínsecos à tarefa podem ser percebidos mais ou menos diretamente, sem métodos ou aparelhos, ou seja, através dos órgãos sensoriais e proprioceptivos. 
Feedback Extrínseco: SCHMIDT (1993) afirma que este tipo de feedback é constituído por informação do resultado medido da performance, que é a resposta informada ao executante por algum meio artificial, seja verbal, visual ou sonoro.  
Deste modo, o feedback extrínseco é fornecido após o feedback intrínseco.Se fornecido muito feedback, pode ocorrer uma tendência da pessoa não desenvolver a capacidade de detecção e correção de erros de forma eficiente, formando a referência de maneira muito pobre."

Torna-se importante identificar tipos diferentes de feedback, diferentes modelos surgem em diferentes áreas e ciências. Alguns com o mesmo significado mas com nomenclaturas diferentes. Seguirei o conceito proposto por CUNHA (Sem data) que coloca o seguinte:

Portanto conclui-se que o exercício em sí deve proporcionar um feedback intrinseco, com um tipo de aprendizado pico-somático específico, daí a evolução por arrasto de todas as dimensões do exercício, com uma seguinte análise informativa (Extrínseco) sobre o que ocorreu, através de variados canais de aprendizado, podendo estes ser: visual, verbal ou cinestésico.
Cita ainda:

"De qualquer forma, o feedback pode produzir uma função de dependência, que melhora a performance quando está presente, mas permite que se deteriore quando for retirado tardiamente. Isto é muito bom enquanto a orientação está presente, mas o aluno ou atleta pode aprender a depender desta orientação. Por este motivo é que se deve levar em conta a forma, a periodicidade, à freqüência, à magnitude, a direção e a precisão na estruturação do feedback, de modo a minimizar a dependência (SCHMIDT, 1993)."



DIFERENTES FEEDBACKS

Cunha ainda cita que dentro do feedback extrínseco, existe uma sub-divisão sobre a forma como se dirige a informação ao jogador, seriam estes:


1 - Conhecimento do Resultado;

2 - Conhecimento da Performance;


 Primeiro, o conceito de Conhecimento do resultado, assume uma importância muito grande no processo pedagógico, pois fornece informações preciosas relacionadas a direção do erro, a magnitude do erro e a direção e magnitude do erro, ou seja em outras palavras o que errou, porquê errou e o que este erro gerou no exercício para a equipe, é necessária ai muitas vezes a intervenção do treinador, principalmente em processos iniciais de formação de equipes, onde determinado modelo de jogo ainda não esta inserido na cultura da equipe, posteriormente, a equipe deve reconhecer estes erros e por só só corrigi-los rapidamente, porém nem sempre existirão jogadores com conhecimento específico suficiente sobre determinado modelo no exercício para que em interação com o colega que errou, solucionem rapidamente o erro. Pela minha interpretação, achei muito parecido o Conhecimento do resultado com o Conhecimento da performance no que diz respeito ao erro, porém, acredito que o Conhecimento do resultado esteja mais ligado a intervenção ao final do exercício, e o Conhecimento da Performance durante o exercícios, como veremos agora.


 Conhecimento da Performance pode ser fornecido através de três fontes diferentes, porém simultâneas:


- Motivação
- Reforço
- Informação


A motivação inserida no feedback diz respeito a potencialização de participação e vontade de realizar determinado exercício, ou seja, para existir o "querer fazer" é necessário motivos para isso, um deles é o feedback sobre a performance do jogador, o que tem feito de melhor, o que deve potencializar. A forma como o feedback é dado também é fundamental, ou seja, tom de voz, gestos e postura são, sub-conscientemente absorvidos pelo jogador podendo levar a resultados negativos ou positivos, ou seja, pode-se dizer algo querendo motivar, porém o tom de voz e a postura gestual podem seguir um caminho totalmente desmotivante.


Quanto ao reforço diz respeito ao comportamento que se quer, se esta dentro ou não dos limites do modelo, ou seja é a dita propensão do exercício. Marcadores somáticos devem ser criados frequentemente nos exercícios para que haja um reforço contínuo sobre o que se quer para a equipe, segundo Cunha (sem data) o entusiasmo que o indivíduo se empenha na aprendizagem depende essencialmente da utilização do reforço.


Quanto a informação diz respeito ao que é essencial e necessário. Acredito na informação como forma verbal, visual ou cinestésica resumida, como auxílio para ajustes no p´roximo exercício.


ESPECIFICIDADE INDIVIDUAL DO FEEDBACK - CANAIS DE APRENDIZADO / PERCEPÇÃO
Guilherme Oliveira (2004) Canais de aprendizado.

Um dos assuntos que considero importante, quando há determinada intervenção, antes, durante ou depois do exercício, é o método que utilizamos para faze-lo. Um dos pontos mais batidos do treinamento hoje é o da individualidade biológica, não existem dois seres iguais no mundo, portanto é fundamental individualizar o processo de ensino. Como também é impossível treinar em esportes coletivos um atleta de cada vez, devemos ter em mãos diferentes formas de passar estes feedbacks. Acredito que utilizando diferentes métodos, as vezes simultâneamente podemos conseguir um maior êxito. Estes métodos seriam:


- Visual (Explicar):  Que tem a ver com a visualização do feedback, através de materiais gráficos ou através de gestos práticos.


Exemplo: Quadro Magnético, demonstração do professor, cartilhas demonstrativas.


- Auditivo (Orientar): Tem a ver com o repasse de informação mais comum, apenas com frases faladas pelo treinador ou colega de equipe.


Exemplo: Em meio ao exercício o treinador dá determinado feedback sobre o tipo de passe que está sendo feito.


- Cinestésico (Demonstrar): Relacionado a atividade prática em sí, com menor complexidade.


Exemplo: Um atleta erra a finalização por determinado motivo, e o treinador para e realiza um feedback seguido de uma nova realização da ação.


Fiz uma ligação do que até hoje percebi na prática, com o quadro acima desenvolvido pelo professor José Guilherme Oliveira, no qual ele coloca a eficiência dos diferentes métodos de ensino. Esta é uma interpretação pessoal minha.

CUNHA (Sem data) cita que sem um feedback extrinseco que possibilitasse um conhecimento do resultado os indivíduos envolvidos na atividade foram incapazes de melhorar a tarefa proposta.


Exemplo de Feedforward - Feedback que ocorre antes do exercício ou jogo - Preleção.


ESTRUTURAÇÃO DO FEEDBACK


Pontos importantes citados por CUNHA (Sem data) para um melhor aproveitamento dos feedbacks:
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- Quantidade:


Diz respeito a quantidade de palavras, a utilização de palavras chave, a redução da informação para o mais importante, para focalizar melhor o entendimento do jogador sobre a informação repassada.
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-Variação:


Focalizar em um ou dois erros, porém evitar terminar sempre em erros, usar a palavra "mas" como ponte entre erros e acertos. Exemplo: Você esta dominando a bola longe do pé, precisa amortecer melhor, mas seu passe está muito bom! O jogador irá continuar ou melhorar a qualidade no passe e terá agora uma preocupação em melhorar também o primeiro toque. É muito importante também a precisão da informação repassada.
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- Programação:


A programação do feedback diz respeito a densidade do mesmo durante o exercício. Pode seguir vários tipos de proposta:

- Decrescente - Ir reduzindo a quantidade de informações com o passar do exercício.
- Frequente - Usa-lo até que o atleta consiga identificar os objetivos.

CUNHA (Sem data) ainda cita que o ideal é usar o feedback até no máximo 5 segundos após o erro do jogador, aproveitando ainda que o mesmo esta na sua memória consciente.



O NÍVEL DO FEEDBACK - A RELAÇÃO DIRETA COM A PROGRESSÃO COMPLEXA
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Quando se trata de ensinar algo, devemos respeitar os níveis de conhecimento do jogador e da equipe. Alguns autores colocam um determinado processo pedagógico, que diz respeito a algumas fases de desenvolvimento do jogador sobre determinado assunto, são eles:
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- Fase cognitiva:
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Fase em que o jogador passa a entender o que o exercício objetiva, partindo de que aquilo é desconhecido para ele. Após determinado tempo de treinamento contínuo essa fase perde importância em relação aos exercícios, mas nunca em relação aos princípios, que torna-se mais complexos com o desenvolvimento do modelo. Basicamente o jogador nesse momento consegue trabalhar em atenção concentrada, ou seja, em pequenas metas com pouca relação com o todo do exercício, tem quebras de concentração, e pequenas pausas no rendimento.
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Exemplo: O Jogador precisa aprender que tipo de passe é interessante para que o modelo de jogo tenha sucesso.
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- Fase associativa:
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Fase em que o jogador ainda despende grande concentração para o desenvolvimento do exercício porém, já começa a desenvolver estratégias para atingir o objetivo do exercício. O desenvolvimento dessa fase vai de acordo também com o nível de complexidade em que a equipe se encontra. Por exemplo, em uma equipe novata parte-se de um princípio de que, com a bola em circulação os passes devem ser de tal forma com tal característica. Em uma fase posterior isso já esta interiorizado e parte-se para objetivos mais complexos, que vão levando por arrasto estes objetivos primitivos que o exercício proporcionava. Passa a ter uma maior cacidade de atenção difusa, porém ainda dependente da concentrada. Porém a continuidade dos processo de de rendimento aumentam.
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Exemplo: O Jogador já consegue identificar o porque determinado tipo de passe faz parte do modelo de jogo, e passa a pratica-lo porém com variação de eficiência.
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- Fase Atônoma:
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Fase em que o indivíduo consegue ver o exercício como um todo, entendendo os princípios e os objetivos e a partir daí consegue proporcionar maior energia para a criação de situações novas, solucionando de forma criativa os constrangimentos do exercício. Embora a atenção concentrada esteja sempre presente, o jogador que tem uma atenção difusa melhor treinada tem maior capacidade coletiva pois consegue entender as possibilidades coletivas que as situações proporcionam. Sendo o futebol um jogo coletivo, isso é fundamental, neste ponto os feedbacks são mais complexos, pois a equipe e os jogadores já estão am níveis maiores.
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Exemplo: O jogador já não pensa mais no tipo de passe, porém somáticamente o corpo dele já o faz, ele conscientemente já pensa em movimentações inerentes a sua função ofensiva, com inúmeros sub-princípios que estão presentes na Organização Ofensiva e no Princípio da Posse e Circulação.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

OLIVEIRA, Bruno; AMIEIRO, Nuno; RESENDE, Nuno; BARRETO, Ricardo; Mourinho: Porque tantas vitórias? Editora:Gradiva, Lisboa. 2006. 223p.

OLIVEIRA, José Guilherme; Uma concepção de treino: Periodização Tática - FCDEUP - Universidade do Porto - Porto. Junho de 2004.

CUNHA, Fábio Aires da; Feedback como Instrumento pedagógico. Sem data.



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A ESPECIFICIDADE DO EXERCÍCIO


Carlos Campos: A repetição sistemática dos princípios assenta em três pilares fundamentais: o princípio da progressão complexa, o princípio da alternância horizontal em especificidade e o princípio das propensões. De acordo com a sua experiência concorda que este último é o mais complexo, o que exige melhor conhecimento do jogo, o que contribui de forma mais efectiva para o “jogar” específico que pretende?

Mestre Guilherme Oliveira: Penso que não! Penso que a complexidade surge da interacção que tem que haver entre os três princípios. Penso que a maior dificuldade e a maior complexidade surge dessa interacção uma vez que são os três extremamente importantes em termos de evolução do jogo, tanto em termos colectivos como em termos individuais e, quando se treina como nós treinamos há a necessidade de ter os três permanentemente em consideração, caso contrário poderá haver alguns problemas. Se nós, por exemplo, dermos grande importância ao princípio das propensões e não estivermos a dar tanta importância ao princípio da alternância horizontal, aquilo que pode acontecer é ter jogadores lesionados, ter a equipa cansada e a equipa não estar a jogar com os comportamentos que nós desejamos por um cansaço acumulado. Se nós não dermos alternância por exemplo ao princípio da progressão, aquilo que acontece muitas vezes é quase que um acomodar a nível de comportamentos, não existe depois, por parte da equipa e dos jogadores, uma evolução em termos de determinado comportamento geral.

Muitas das vezes aquilo que acontece é nós apresentarmos as nossas ideias aos nossos jogadores, eles assimilarem algumas das nossas ideias e nós não aproveitarmos a interacção entre aquilo que são as nossas ideias e aquilo que são as capacidades, características e recriação dessas nossas ideias e depois não existe muito a noção que nós podemos aproveitar essa interacção entre jogador e ideias do treinador. Por isso o que acho é que todos esses princípios metodológicos são de extrema importância para o jogar como nós pretendemos e não há uns mais complexos que outros. A complexidade surge da interacção dos três e temos de os ter permanentemente em consideração.

CAMPOS (2007)



Dentro do processo competitivo já é consenso que a preparação modela a participação de equipes no quadro competitivo, portanto torna-se muito importante a figura do treino. Quanto maior o nível de exigência, menor é a diferenciação qualitativa, e mais importância assuma o elemento "detalhe". O detalhe na preparação faz a diferença, porém acredito que isso ocorra em todas as categorias, quando se tem em mãos os detalhes e o conhecimento para utiliza-los, a vantagem é muito grande.

Um detalhe fundamental é a "especificidade" no treino. Normalmente confundida com a especificidade do desporto, esse princípio assume em metodologias e métodos atuais o principal norteador da formatação dos exercícios.

Sabe-se segundo Mourinho, Garganta, Frade, José Guilherme Oliveira, Carvalhal, Marisa Gomes, Rui Faria, etc... que a especificidade do desporto não significa ser específico, para isso é necessário evidenciar uma contextualização a uma forma de jogo específica, no caso um modelo.

Deste modo, torna-se fundamental ter este modelo em teoria definido, saber retira-lo do vago, saber operacionaliza-lo. Ai entra os detalhes do exercício.

Os exercícios apresentam muitos tipos de configuração, muitas variedades e objetivos, porém, podem existir exercícios ótimos para um modelo, e o mesmo exercício não ter nenhuma congruência a outro modelo, mantendo exatamente as mesmas formatações.

José Guilherme aponta que os exercícios são apenas potencialmente específicos, porém precisam ser ajustados, entendidos e guiados conforme a intervenção pontual do treinador quando este achar pertinente faze-la, num processo que o Mourinho chama de "Descoberta Guiada", que nada mais é do que fazer os jogadores chegarem a determinada conclusão, em conjunto comissão-exercício-jogadores, sobre o melhor, dentro da ideia do modelo, facilitando assim o processo de aprendizagem, partindo do princípio que só é possível aprender algo (realmente) quando se tem a noção exata de pra que isso serve no momento aprendido, porém, aprender apenas algo fisicamente falando, não significa que isso será realmente habituado pelo jogador, ele precisa aprender e aprender para que serve e qual a importância disso no processo do modelo, ai entra (uma das) a importância do treinador na preparação da equipe e dos exercícios dentro de um morfociclo semanal, ou seja é diferente do processo de ensino tradicional emissor-receptor, havendo participação ativa do jogador no processo de evolução da equipe, envolvendo assim emocionalmente os jogadores, provocando uma verdadeira aprendizagem, pois a participação do processo torna o mesmo muito mais marcante. Poucos conseguem aprender seguindo ordens, reproduzindo ideias, portanto é fundamental a personalidade e a identidade do jogador na realização das ações, produzindo, porém não deixando de ter uma ordem nessa desordem, a ordem essa chamada Modelo de Jogo.

MODELO, MORFOCICLO E O EXERCÍCIO

Quando monto um exercício basicamente penso no princípio que quero treinar, para isso já tenho um Morfociclo padrão e nele encaixo determinados tipos de exercício.

Atualmente me guio por esse Morfociclo, periodicamente vou mudando conforme minha ideia sobre futebol muda, porém, nada muito brusco, apenas tiro ou coloco um detalhe. Acho importante a preparação jogo á jogo e não acredito em preparação a longo prazo visando metas longas, pode até funcionar, porém, semana à semana eu acho muito mais válido, pois é na semana que vemos os verdadeiros problemas, podendo agir imediatamente na resolução dos mesmos.


Morfociclo - Sub14 - EC Cruzeiro - Luis Esteves

O princípio esta já previamente pré-disposto no Modelo, visualizado antes quando surge um conceito de futebol, a ideia de jogadores e depois o Modelo que se pode atingir (inatingível, e constantemente mutável) em determinado momento. O Modelo pra mim pode vir de dois caminhos opostos:

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    Modelo - Sub-14 - EC Cruzeiro - Luis Esteves
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    Sub-princípios relacionados ao Modelo nos quatro grandes princípios - um por momento
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  • Primeiro caminho, o de clubes menores, neste Modelo primeiro vem a ideia do "que se tem" para depois gerar um modelo realista e possível de ser praticado em jogos oficiais.


  • Depois temos o caminho do "que se quer" que é diferente e esta subjugado a clubes com maior poder aquisitivo que podem escolher os jogadores que se adaptam mais a um conceito de jogo ideal para o treinador.


Como esse segundo caminho é possível de ser seguido por um percentual muito baixo da população do futebol mundial, precisamos ser realistas e saber como treinar e escolher um Modelo de Jogo. Para isso é fundamental ter um determinado conhecimento de futebol, história do mesmo, estruturas, coisas que já foram feitas e a origem delas, saber o porquê determinados comportamentos surgem em virtude do que, e com qual objetivo, quais jogadores se tem e como usa-los em uma estrutura que potencialize o que os mesmos tem de melhor, é necessário saber o que eles tem de melhor, o que tem de pior , esconder isso, enfim, o Modelo é uma ideia vaga, como diria Vitor Frade, porém precisa existir, e depois disso precisa ser operacionalizado corretamente.

Neste momento entram os exercícios. Aqui durante minha experiência pessoal e vendo outros profissionais identifiquei alguns problemas. A escolha dos exercícios, em sua maioria, muitas vezes não seguem um contexto, ou são exercícios que não trazem a ideia do treinador, isto é, muitos exercícios são apenas cópias.


Isso não quer dizer que por ser cópia o exercício não possua qualidade. Possui, porém talvez não esteja especificamente contextualizado ao modelo do treinador. Então chegamos a conclusão que antes de se usar, copiar ou inventar um exercício, deve-se ter em mente um modelo de jogo mais definido possível, para somente depois buscar os comportamentos que se quer nesse modelo nos respectivos exercícios.


A CRIAÇÃO E A CONFIGURAÇÃO DOS EXERCÍCIOS ATRAVÉS DOS PRINCÍPIOS - PROPENSÃO

 A criação dos exercícios, após a identificação de um modelo de jogo é relativamente simples. Os exercícios seguem, em um Morfociclo Padrão, uma ordem fundamentada pelos princípios metodológicos da periodização tática. Portanto estes princípios devem ser conhecidos e entendidos afim de facilitar a densidade das diferentes dimensões afim de não gerar um treino não aquisitivo em termos de forma desportiva (Não confundir com a recuperação) , e nem um sobretreinamento, que seria o oposto em termos de densidade.

Os princípios metodológicos da periodização tática já foram aqui citados diversas vezes, são eles:

PRINCÍPIO DAS PROPENSÕES;


Irá regular a valorização de determinado princípio / comportamento dentro do exercício, ou seja, isso tem que acontecer muitas vezes, com mais ou menos sucesso para ser vivenciado e posteriormente virar um hábito.
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PRINCÍPIO DA PROGRESSÃO COMPLEXA


Irá regular os níveis de desgaste emocional de cada dia, ou seja, para determinado dia existem complexidades em termos táticos e princípios, e níveis de esforço em termos fisiológicos. É a fragmentação do modelo, a Des(integração) de princípios.


Também esta relacionado com a progressão da equipe, dos princípios em termos de acréscimos de novos elementos, valorização de comportamentos mais difíceis, isso ocorre graças a aquisição do que antes era mais importante, e agora já é hábito.


A progressão complexa também esta relacionada a progressão que os exercícios devem tomar, nas sessões e na temporada, em termos de dificuldade, podem gerar diferentes tipos de emoções e sentimentos, é necessário tentar regular isso afim de atingir diferentes objetivos.
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PRINCÍPIO DA ALTERNÂNCIA HORIZONTAL;

Alternância de complexidade de princípios de forma individual, setorial, intersetorial e coletiva, havendo uma relação direta com a progressão complexa, pois evita desgastes fora de lugar. Fisiologicamente permite uma variação de tipos de contração, como já foi citado aqui em postagens anteriores, baseados em Tensão, Duração e Velocidade de Contração.

 
PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE;

Princípio relacionado ao Modelo, diferente do conceito padrão de especificidade, que esta ligado ao desporto, somente exercícios de futebol não são o suficientes para serem específicos, é preciso uma contextualização muito íntima com o modelo de jogo.

A CONFIGURAÇÃO DOS EXERCÍCIOS

"Os Exercícios devem ser Fractais do Jogo que pretendemos."

Guilherme Oliveira

A configuração dos exercícios então deve levar em conta todos os princípios guiados pela especificidade do modelo.  Como apontou Campos (2007) citando Guilherme Oliveira, a complexidade dos princípios esta exatamente na relação entre eles no desenvolvimento dos exercícios.

É fundamental entender os parâmetros de regulação de densidade de comportamentos:


Segundo Guilherme Oliveira (2004) a modelação dos exercícios devem estar relacionados com:

- O Modelo de Jogo da equipa;

- Os princípios, sub-princípios e sub-princípios dos sub-princípios;

- Os diferentes momentos do jogo;

- Organização estrutural e funcional da equipa;

- O padrão semanal de esforço e de recuperação.


Segundo Guilherme Oliveira (2004), o cumprimento do Princípio da Especificidade só é atingido em toda a sua magnitude quando durante o treino:

- Os atletas entenderem os objectivos e as finalidades da situação;

- Os atletas mantiverem um elevado nível de concentração durante toda a situação;

- O treinador intervier adequada e atempadamente perante a situação.
 
COMPLEXIDADE TÁTICA DOS EXERCÍCIOS PROPOSTA POR GUILHERME OLIVEIRA (SEM DATA)
 
- Complexidade do ou dos Princípios;
- Complexidade da Dinâmica;
- Quantidade de Jogadores;
- Espaço de Jogo;
- Tempo de Duração dos Exercícios;
 
Estes elementos interagem entre sí, e naturalmente causam influência direta e indireta no objetivo do exercício:
 
 

Proposta de Interatividade que os exercícios devem proporcionar.


EXEMPLO DE CRIAÇÃO DE EXERCÍCIO





Exemplo de um exercício criado por mim para melhora da posse e circulação e pressão. Inevitavelmente este exercício carrega todos os grandes princípios. O que pode torna-lo mais ou menos complexo é as possibilidades de interação. Como são 6 x 3 reduz em muito a possibilidade de tomada de decisão, e a relação com a setorização. Embora seja interessante a setorização, ela também é um gerador de complexidade, principalmente quando existem funções relacionadas a posição incluídas.

 A modificação / valorização de determinado elemento que esta dentro do contexto do exercício automaticamente irá gerar influências em outros elementos, abaixo cito o exemplo que Sá (2001) verificou através de Bangsboo. Neste exemplo foi realizado um exercício em meio campo, com 7x7, e quando houve a modificação de "apenas 2 toques por jogador" ocorreu um acréscimo de 11 batimentos por minuto, ou seja, através de um elemento técnico foi registrado uma influência fisiológica significativa.




SÁ (2001) Cita acréscimo de 11 batimentos cardíacos por minuto em um mesmo exercício com variação de número de toques na bola.


EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DA DINÂMICA
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A dinâmica ( movimentação, regras e objetivos ) tem uma influência muito grande na propensão que o exercício irá proporcionar. Um exercício de 6x6 em jogo normal, com delimitação de espaço, tem grande diferença se for, por exemplo, retirado o desarme, buscando apenas interceptações, então, a dinâmica do exercício é muito importante.


EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DO ESPAÇO DE JOGO


O espaço de jogo afeta diretamente a propensão de determinado comportamento. Por exemplo, o mesmo exercício acima foi realizado em espaços diferentes, isso ajustado a determinados outros elementos como o tempo, e a algum princípio, pode gerar diferentes tipos de esforço, pois a participação do jogador é totalmente influenciada, junto com os outros elementos.

EXEMPLO DA DESINTEGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO  DOS PRINCÍPIOS E SEUS SUB-PRINCÍPIOS








É fundamental, pois o mais importante é sempre o Modelo de Jogo. Portanto não se deve super valorizar tempos e espaços, ou outros elementos colocando-os acima dos princípios do Modelo de Jogo. O mais importante é que exista uma fragmentação e que em diferentes dias da semana os jogadores vivenciem diferentes fragmentos do Modelo chegando de forma crescente aos mais complexo no meio da semana.

É muito importante que assim seja, pois a diferença entre o treino Integrado e a Periodização Tática esta justamente ai, ou seja, no que valorizar. Não adianta ser extremamente preocupado com os tempos de aquisição e recuperação se não houver a presença do Modelo de Jogo de forma concentrada no exercício, a preocupação fisiológica esta totalmente inserida no comportamento tático, ou seja, um jogador desconcentrado automaticamente não irá criar linha, ao criar linhas ele precisa de determinada movimentação espacial, que irá lhe gerar determinada ativação metabólica e determinado tipo de contração muscular em maior quantidade, junto com elementos relacionados com a tomada de decisão, colocação espacial, interação com outros jogadores em termos posicionais, setoriais e intersetoriais etc... ou seja, esta subjugado ao Modelo o esforço que o jogador irá realizar, porém, se não estiver concentrado e participativo, ele não terá aquisições suficientes para se habituar a determinado nível de rendimento, o que no jogo lhe colocará em um patamar abaixo de atletas melhor treinados.

EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DA QUANTIDADE DE JOGADORES


Ao modificar a quantidade de jogadores aumenta-se ou diminui-se a interação entre eles. Essa interação pode ser apenas comportamental (Individual) ou pode ser setorial, intersetorial ou coletiva, quanto mais jogadores, de forma mais setorizada, mais complexo é o exercício, pois aumentam as relações entre elementos do sistema. Além da dimensão física que é afetada juntamente com o manuseio do espaço e duração.
A duração influencia diretamente na concentração que o jogador deverá despender para realizar o exercício com sucesso. Quanto mais tempo ele precisar fazer isso, maior será o desgaste em termos de fadiga mental. Mentalmente o jogador pode ter um desgaste maior, e fisicamente não, depende do ambiente em que esta inserido. Portanto a duração do exercício esta intimamente ligada a complexidade do dia, e a sub-dinâmica fisiológica que diz respeito a valorização de um determinado tipo de contração, no caso, quinta-feira, será um dia de desgaste físico não tão grande, com poucas recuperações, porém que exigirá um comportamento tático muito grande, com isso se traz por arrasto uma série de componentes mentais que geram uma fadiga diferente da fadiga de quarta-feira por exemplo, que em termos fisiológicos será mais aguda. Portanto o tempo de quinta-feira em exercícios é maior, e tem uma incidência mais aeróbia do que anaeróbia. É o que eu chamo de resistência ao modelo, pois gera-se uma resistência específica dentro do contexto do modelo de jogo.

EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DA DURAÇÃO DO EXERCÍCIO




É importante lembrar que, não é por ter um tempo pré-definido de 3 minutos de exercício, que isso ocorrerá de forma mecânica. Vão existir exercícios que em 30 segundos terão que ser parados e terá que haver uma intervenção pois os princípios idealizados não estão sendo atingidos e não há uma tendência para que isso ocorra, aí entra a intervenção do treinador, de preferência de forma a estimular a descoberta dos jogadores, através de comportamentos da dinâmica, não através de informações mastigadas. Na base algumas vezes os jogadores, por não terem ainda um repertório mental grande de situações vivenciadas não sabem descobrir soluções, isso é possível através da Lógica ( Ciência que estuda as leis do raciocínio, coerência BUENO, 2000), ou seja, qual a coisa mais lógica a fazer para resolver determinado constrangimento, após isso novos caminhos surgirão através do conhecimento adquirido.
Carlos Campos: A repetição sistemática dos princípios assenta em três pilares fundamentais: o princípio da progressão complexa, o princípio da alternância horizontal em especificidade e o princípio das propensões. De acordo com a sua experiência concorda que este último é o mais complexo, o que exige melhor conhecimento do jogo, o que contribui de forma mais efectiva para o "jogar" específico que pretende? 
Rui Faria: É fundamental perceber a relação que existe entre os três bem como a complexidade do exercício que se cria. No exercício vão aparecer determinados princípios e sub-princípios que queremos evidenciar porque são parte da nossa forma de jogar mas há que ter em conta que não podemos nem queremos isolar esses aspectos de outros que surgem por inerência. O importante é perceber a complexidade daquilo que se pede e enquadrar isso numa lógica de trabalho semanal que permita que a aquisição seja facilitada. Portanto, não podemos exigir a evidenciação de determinados princípios com grande complexidade quando os jogadores estão ainda em processo de recuperação mental e emocional, ou seja, é decisivo que a exigência do que queremos seja feita em função da relação que existe entre o desempenho e a recuperação. Não podemos pensar num desses três princípios sem pensar nos outros uma vez que o padrão de exigências tem que ser enquadrado na sua organização semanal no melhor momento para que haja sucesso na aquisição desse mesmo princípio.
CAMPOS (2007)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


SÁ, Pedro João Ramos Amorim (2001); Exercícios Complexos de Treino: Influência das variáveis espaço, tempo e número de jogadores na intensidade do esforço de um exercício de treino - Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre em Ciências de Desporto, na área de especialização de Treino em Alto Rendimento, realizada sob a orientação do Professor Doutor António Natal (FCDEF-UP).

CAMPOS, Carlos (2007); A Singularidade da Intervenção do Treinador como a sua «Impressão Digital» na… Justificação da Periodização Táctica como uma «fenomenotécnica». Porto: C. Campos. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Sob orientação do Professor Doutor Vitor Frade.

BUENO, Silveira (2000); Minidicionário da língua portuguesa. Edição revista e atualizada. Editora FTD- São Paulo - SP.

OLIVEIRA, José Guilherme (2004); Uma concepção de treino: Periodização Tática. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física - Universidade do Porto - Gabinete de Futebol - Mestradode Alto RendimentoDesportivo.

Grande Abraço

Luis Esteves