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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

O NASCIMENTO DE UM MODELO


"Cuando yo llegue al Barça en el 88, el Madrid tenía el que para mí ha sido su mejor equipo en los últimos 40 años. La Quinta del Buitre. Llegué y llevaba tres ligas consecutivas. En Barcelona todos lloraban. Los árbitros tenían la culpa de todo. Madriditis, al fin y al cabo. Ellos eran mejor y, claro, ganaban. Lograron dos títulos mas, pero nosotros fuimos creciendo. Soportando que ellos fueran mejores, pero creciendo. Hasta que un día, jugando tan bien como ellos o incluso mejor, les ganamos. El Dream Team contra la Quinta.

Ganamos cuatro ligas consecutivas, pero ellos seguían siendo muy buenos. Y pudieron ganar dos de aquellas ligas. A un equipo fantástico, por muy fantástico que sea, lo puedes llegar a vencer jugando bien. Pero si eliges el camino equivocado, te puedes quedar sin nada."

Johan Cruyff
El Periódico
 

Todo nascimento é dolorido, o processo de nascer exige uma luta terrível da mãe para com o bebê para que este venha a nascer, o tempo é relativo demora mais para uns menos para outros, porém é sempre difícil, mas se houver paciência, se houver superação, e se o processo for respeitado, a criança nasce, cresce e tem sua vida, porém alguns morrem no parto. As vezes inclusive a mãe.

Para mim esse processo da natureza se dá também em organizações, em equipes de futebol, quando você estabelece um novo conceito, existe o nascimento deste, e se nas primeiras dificuldades, nos primeiros problemas, dores, desistirmos, o modelo morre na casca. Eis o problema dos valores. Eis os problemas dos diretores.

Gosto muito da hipótese do Garganta sobre a progressão dos modelos, e realmente acredito que elas sigam este caminho:
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MODELO RUDIMENTAR
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- Jogo estático, não orientado, jogadores centrados sobre a bola, excesso de verbalização.

- Os jogadores perseguem indiscriminadamente a bola, aglutinando-se sobre ela;
- Dificuldades na relação com a bola (Domínio, Controle, Proteção, Passe... etc.);
- Utilização sistemática da visão para olhar a bola, impossibilitando a "leitura" do jogo;
- Imobilismo dos jogadores sem bola, excesso de verbalização;
- A circulação da bola não é voluntária;
- Sucessão de ações isoladas e explosivas sobre a bola.

MODELO INTERMEDIÁRIO

- Jogo estático, orientado, jogadores centrados sobre o passe.

- Ocupação mais racional do terreno de jogo, embora pouco eficaz, pois é pouco móvel, estático;
- Existência de blocos de jogadores estáticos que trocam passes entre si;
- A visão (Central e Periférica) vai sendo aos poucos "libertada" para ler o jogo;
- Todo o encadeamento de ações necessita de uma paragem Bola-Jogador;
- Pouca agressividade ofensiva.

MODELO AVANÇADO

- Jogo dinâmico, orientado, jogadores centrados sobre a finalização - Gol

- Jogadores organizados em funções de finalidades diferentes;
- Agressividade ofensiva;
- O portador da bola joga de cabeça levantada para "ler" o jogo;
- Alternância do jogo em largura e profundidade;
- As ações são organizadas em função dos alvos – goleiras;
- As ações são encadeadas;
- Privilegia-se a Comunicação Motora, em detrimento da Gestual e Verbal. 

A questão é, respeitamos este processo? A metodologia nos possibilita os métodos, e os métodos vão nos deixar mais ou menos tempo em cada um destes níveis de modelo. Inevitavelmente iremos cair na questão do tempo e do resultado, os cânceres do nosso tempo.

Ah, mas alguns preferem a cesariana, mesmo que o parto normal seja em termos percentuais muito mais seguro para a mãe e para a criança.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

GARGANTA, J; Competência de ensino de jovens futebolistas. Universidade do Porto/ Faculdade de Ciência do Desporto e Educação Física. Rev. Digital, ano 8, fev. 2002.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O MODELO DE JOGO COMO "NORTEADOR" NA FORMAÇÃO DE ATLETAS


Rodrigo Vicenzi Casarin

Luis Esteves



"Não é possível compreender e explicar a complexidade dos JD, enquanto sistema de transformação, senão apelando a modelos que integrem as noções de ordem, desordem, integração e organização"

Gréhaigne (1992).
O processo e o emergir de talentos se estabelece a partir da criação de estratégias acentuadas com base em sistemas auto-organizados e longevos, ou seja, trata-se de um desenvolvimento a longo prazo que pressupõem no investimento da inteligência, criatividade, autonomia, educação e variabilidade (BENTO, 2004; FRADE, 1979).

Os projetos de formação são de suma importância para a criação de uma cultura futebolística, com princípios e regras coerentes e bem definidas, que tenham por base um modelo de jogo que, por sua vez, orientará a concepção de um modelo de treino, um modelo de jogador e até mesmo um modelo de treinador (LEAL e QUINTA 2001).

Na concepção de Garganta (2007), o futebol só faz sentindo entendido dentro de uma proposta tática, com o treino visando a implementação de uma “cultura para jogar”. Para o autor, a forma de jogar é construída e o treino consiste em modelar os comportamentos e atitudes de jogadores/equipes, através de um projeto orientado para o conceito de jogo/competição. Carvalhal (2001) confirma esse pressuposto, afirmando que o modelo de jogo deve ser o “cerne” de todo processo de treino.

Entende-se por modelo de jogo um corpo de idéias, relacionados como uma determinada forma de jogar, constituindo assim como um “perfil” de jogo da equipe (GRAÇA e OLIVEIRA, 1994). O mesmo consiste no mapeamento de um conjunto de referências necessárias para balizar a organização dos processos de organização ofensiva e defensiva e transições ofensivas e defensivas, respeitando os princípios definidos (CASTELO, 1994; MORBAERTS 1991).

Neste seguimento, Oliveira (2004) refere que o modelo é essencial para arquitetar e desenvolver um processo coerente e específico preocupado em criar um jogar. Desta forma, Leandro (2003) menciona também que cada concepção de jogo produz um modelo de jogo próprio, uma vez que as idéias inerentes a uma determinada cultura de jogo se diferenciam. Castelo (1996) refere que cada modelo de jogo compreende a sua evolução dinâmica e criativa ao longo do seu processo de desenvolvimento. Portanto, Frade (2006) afirma que o modelo de jogo é a maneira como uma equipe irá jogar, é a cultura de clube, é a relação com a FORMAÇÃO... enfim é TUDO.

Assim, sabe-se que, quando um treinador chega a um clube, além de analisar sua condição física-estrutural-planejamental (materiais, campos, recursos financeiros, competições), observa seus jogadores e pensa na melhor forma de pô-los a jogar (sua concepção de jogo) em cima da cultura de futebol do clube. Essa é a lógica. Certo ou errado? Errado. Poucos dos nossos clubes e treinadores respeitam suas questões históricas e culturais, e a cada semestre modificam sua forma de jogar, não adquirindo uma cultura de clube necessária para criar uma identidade futebolística. Essa constatação é um dos vários “cancros” do nosso futebol e acaba refletindo nas categorias de base.

Oliveira (2008) confirma essa idéia afirmando que, quando um treinador é contrato por um determinado clube, trás consigo sua concepção de jogo, porém, terá que se adaptar a cultura de clube que poderá ter um Modelo de Jogo padronizado a todas as categorias. Assim, o treinador terá que adaptar suas idéias de jogo em cima desse modelo preconizado. Na concepção de Pinto (1996), é a existência de uma cultura de jogo comum a todos os jogadores que os distingue de outros, sendo essa mesma cultura de jogo a responsável pela diferenciação de várias equipes, apresentando-se como uma “impressão digital” de cada equipe.

Nesse entendimento, parece que as idéias do treinador não são importantes para a idealização do modelo?

Evidente que são, mas para serem válidas e relevantes, as mesmas devem ser contextualizados com a cultura de jogo, modelo de treino e o modelo de jogadores pertencentes ao clube. Frade (2004) deixa explicito que o treinador tem uma ação decisiva em todo processo evolutivo da equipe, já que aplica um conjunto de conhecimentos prévios (seu conhecimento sobre o jogo) e que se informou e vai adquirindo diariamente sobre o clube que gere (conhecimento sobre a cultura de clube).

Assim, o treinador, no momento de construção do modelo de jogo da sua equipe, além de considerar as suas idéias de jogo, deve respeitar as questões culturais do clube e as sócio-culturais dos jogadores (PINTO e GARGANTA, 2006).

Portanto, o treinador não está sozinho; por mais claro e evidente seja aquilo que deseja (sua concepção de jogo), o mesmo lidará com fatores importantes que afetarão no desenvolvimento do modelo de jogo.

Na concepção de Mourinho (2001), para elaboração de um modelo de jogo é importante conhecer:

 O clube em questão; características históricas, sociais e culturais do clube;

 A equipe e o respectivo nível de jogo;

 O nível e as características individuais dos jogadores;

 O calendário competitivo;

 Os objetivos a atingir;

 Organização funcional ou articulação princípios, sub-princípios e sub-sub-princípios estabelecidos nos momentos do jogo;

 Organização estrutural ou sistemas táticos;

 Realidade estrutural e financeira.

Também, como se refere Oliveira (2008 cit. por Lemos 2008), deve-se considerar outros aspectos relevantes:

 Modelo de Clube (estilo de jogo marcante); se é compatível com minhas futuras idéias;

 Número de Jogadores no plantel;

 Número de treinadores ou integrantes da comissão técnica;

 Número de treinos semanais.

Desta forma, a construção de um modelo de jogo deverá evidenciar uma construção fractal única, aberta as contingências das interações entre os diferentes agentes (aspectos históricos, torcedores, treinadores, jogadores...) e ao respectivo envolvimento cultural que esse jogar emergirá (OLIVEIRA, 2004).

Torna-se ainda mais claro após as exposições acima, que, para que tal seja exeqüível, deve-se ter em conta um fio condutor, isto é, um padrão cultural (modelo de clube), um modelo de treino e modelo de jogador, cujas articulações sejam devidamente efetuadas entre as categorias de base, inspirando-se no plantel profissional, nas idéias de jogo deste (MACIEL, 2008).

Dessa maneira, todas as equipes devem procurar padronizar seu futebol, construindo um modelo de jogo a ser utilizado em todas as categorias. Assim, o processo de formação ficará completo e o jogador, ao chegar à equipe profissional, estará preparado para desempenhar seu papel (em sua determinada posição) de uma forma satisfatória, já que sua experiência na base lhe dará condições para vivenciar padrões comportamentais similares aos do futuro.

Mas deve-se ter em mente as caracterizações que cada faixa-etária exige. O mesmo modelo de jogo será utilizado em todas as categorias, mas os exercícios, as sessões semanais, o tempo das sessões, as exigências pelo resultado e pelo cumprimento dos padrões pé-determinado táticos-técnicos-psicologicos-físicos, deverão diferenciar-se, já que não se pode confundir o futebol-base com o futebol-profissional. Neste contexto, o Modelo de Jogo não pode ser rígido, devendo ser variável dependendo do contexto em que se insere (CARDOSO, 2006).

Para Silva (2008), o processo de treino deve pautar-se por princípios que modelem o jogo no sentido de uma concretização equilibradora entre o ser que joga e o jogo que é jogado. Ou seja, por um lado a modelação do jogo deve considerar a criança, o jovem, sua singularidade, e, por outro lado, deve considerar o jogo com inteireza inquebrantável.

Nesse contexto, Garganta (2002) coloca uma seqüência de progressão do modelo de jogo, dividida em três fases básicas; é importante saber isso para entender o processo de aprendizagem/ensino da equipe e dos jogadores. Não há uma velocidade específica de ensino, pois cada equipe tem um tipo de resposta aos estímulos propostos.


MODELO RUDIMENTAR

 - Jogo estático, não orientado, jogadores centrados sobre a bola, excesso de verbalização.

 Os jogadores perseguem indiscriminadamente a bola, aglutinando-se sobre ela;
 Dificuldades na relação com a bola (Domínio, Controle, Proteção, Passe... etc.);
 Utilização sistemática da visão para olhar a bola, impossibilitando a "leitura" do jogo;
 Imobilismo dos jogadores sem bola, excesso de verbalização;
 A circulação da bola não é voluntária;  Sucessão de ações isoladas e explosivas sobre a bola.


MODELO INTERMEDIÁRIO

 - Jogo estático, orientado, jogadores centrados sobre o passe.

 Ocupação mais racional do terreno de jogo, embora pouco eficaz, pois é pouco móvel, estático;
 Existência de blocos de jogadores estáticos que trocam passes entre si;
 A visão (Central e Periférica) vai sendo aos poucos "libertada" para ler o jogo;
 Todo o encadeamento de ações necessita de uma paragem Bola-Jogador;
 Pouca agressividade ofensiva.

MODELO AVANÇADO

 - Jogo dinâmico, orientado, jogadores centrados sobre a finalização - Gol

 Jogadores organizados em funções de finalidades diferentes;
 Agressividade ofensiva;
 O portador da bola joga de cabeça levantada para "ler" o jogo;
 Alternância do jogo em largura e profundidade;
 As ações são organizadas em função dos alvos – goleiras;
 As ações são encadeadas;
 Privilegia-se a Comunicação Motora, em detrimento da Gestual e Verbal.

Então, é importante respeitar o processo de progressão qualitativo do modelo de jogo; isso não tem tempo certo, depende da categoria, da maturação dos atletas, da especificidade do treino. Portanto, não é de um dia para o outro que os atletas estarão prontos para integrarem o grupo profissional. O processo só ficará completo se a progressão lógica e o roteiro hierárquico das fases de aprendizado ao modelo de jogo forem vivenciados inteiramente pelos atletas.

Desta forma, podemos observar que o treinar deve ser perspectivado através de níveis de complexidade diferentes e crescentes, determinado por um padrão (modelo de jogo) que evoluirá qualitativamente, tornando-se um hábito não estanque e mecânico, gerador de automatismos libertadores.


Corroborando essa idéia, Faria (1999) afirma que esse hábito de jogar de determinada maneira só poderá acontecer se os princípios do modelo de jogo estiverem claramente definidos, forem trabalhados de forma sistemática e evidenciarem uma idéia coletiva de jogo. Poucos clubes no mundo encontram-se com uma cultura de formação orientada por um modelo de jogo, devidamente organizada e operacionalizada. Um exemplo clássico é o Barcelona, onde certamente o grande sucesso nas últimas décadas deve-se a sua cultura de formação.

Evidente que o Barcelona não é parâmetro para ninguém aqui em nosso país, mas pode ser espelho para clubes que estão buscando uma mudança de mentalidade. Assim, sugere-se nesta estruturação do departamento de base, a unificação de um modelo de jogo e a contratação de profissionais que se identifiquem com esta proposta.

Esses preceitos acima citados, certamente proporcionarão uma formação qualificada e ajudarão a romper a crise tático-técnica-psicologia, (a dimensão física não foi citada, em virtude da hiper-valorização da mesma nos departamentos de base) e econômica pelo qual os clubes estão passando. Assim, os clubes terão jogadores qualificados, não apenas para serem negociados, mas para jogarem no clube, sem necessitar a cada ano contratar jogadores que não se identificam com o clube e que contribuem demasiadamente para os gastos.

Por fim, o modelo de jogo deve ser entendido com um sistema auto-organizado e autopoiético, algo em aberto e dinâmico, contemplando mudança, um aspecto determinante para emergi-lo da criatividade dentro do sistema, que, tendo subjacente um determinado padrão, permite ao jogar e aos potenciais talentos, evoluírem para níveis de complexidade mais elevados, sem perda de identidade (MACIEL, 2008).

Assim, fica latente esse preceito de começar a utilizar o modelo de jogo como referência para formação de atletas aqui no Brasil. Mas deve-se perceber a interdependência dos conceitos de modelo de clube, modelo de treinamento e modelo de jogador, dentre outras variáveis, para chegar ao resultado final: modelo de jogo.

Os paradigmas estão em constante mutação; evidente que seus conceitos levarão algum tempo para serem aceitos, considerados normais e válidos, principalmente nesse mundo “monopolizado” do futebol. Friedrich Nietzsche retrata muito bem esse panorama ao afirmar que “não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”.



REFERÊNCIAS

BENTO, J.O; Conceito de Formação. In TANI, G.; BENTO, J; PETERSON, R. (Eds.), Pedagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

CARDOSO, F; A necessidade de contextualizar a dimensão táctica no Futebol. FADEUP. 2006.

CARVALHAL, C; No treino de futebol de rendimento superior: a recuperação é… muitíssimo mais que recuperar. Braga: Liminho, 2001.

CASTELO, J; Futebol, a organização do jogo; edição do autor; Lisboa, 1996.

CASTELO, J; Futebol: modelo técnico-táctico do jogo. Lisboa: Edições FMH-UTL

Mombaerts, E. (1991). Football de l´analyse du jeu à la formation du joueur. Ed. Actio. Joinville-le-Pont. France. 1994.

FARIA R; Periodização Táctica. Um imperativo Concepto-metedológico do Rendimento Superior em Futebol. FADEUP,1999.

FRADE, V; Disciplina de "Opções - Futebol". Esboço analítico de programa. Universidade do Porto. 1979.

FRADE, V; Apontamentos das aulas de metodologia aplicada I, opção de futebol. Porto. FADEUP, 2004.

FRADE, V. Apontamentos das aulas de metodologia aplicada I, opção de futebol. Porto. FADEUP, 2006.

GARGANTA, J; Competência de ensino de jovens futebolistas. Universidade do Porto/ Faculdade de Ciência do Desporto e Educação Física. Rev. Digital, ano 8, fev. 2002. Disponível em .

GARGANTA, J. Modelação Táctica em Jogos Desportivos: A Desejável Cumplicidade entre Pesquisa, Treino e Competição. I Congresso Internacional Jogos Desportivos. FADEUP. 2007.

GRAÇA, A.; OLIVEIRA, J; O ensino dos jogos desportivos. Centro de Estudos dos jogos Desportivos. FADEUP.1994.

LEAL, M.; QUINTA R; O treino de futebol: uma concepção para a formação. Braga: APPACDM

LEANDRO, T; Modelo de Clube: da concepção a operacionalização. Um estudo de caso no futebol clube do porto.FADEUP. 2003.

LEMOS R; Periodização táctica: um aprofundamento e uma explicação para a conotação de modelização sistêmica. Curso de animação e gestão desportiva. 2008.

MACIEL, J; A incorporacção precoce dum jogar de qualidade como necessidade (eco)antroposocialtotal: Futebol um Fenómeno AntropoSocial Total, que primeiro se estranha e depois se entranha e logo, logo, ganha-se! FADEUP. 2008.

MOURINHO, J; "Programação e periodização do treino em futebol" in palestra realizada na ESEL, no âmbito da disciplina de POAEF. 2001.

OLIVEIRA, G. J; O conhecimento especifico em futebol. Contributos para a definição da uma matriz dinâmica do processo de ensino-aprendizagem /treino do jogo. Tese de Mestrado (não publicada), FADEUP. 2004.

OLIVEIRA, G. J; Entrevista. O desenvolvimento do jogar segundo a periodização tática. FADEUP. 2006.

PINTO, J; A táctica no futebol: abordagem conceptual e implicações na formação. In: J. Oliveira e F. Tavares (Ed.). Estratégia e táctica nos jogos desportivos colectivos. FADEUP. 1996.

PINTO J.; GARGANTA, J; Contributo da modelação da competição e do treino para a evolução do nível de jogo no futebol. In: Oliveira J, Tavares F. Estratégia e táctica nos jogos desportivos colectivos. Porto: FADEUP. 1996.

SILVA, R; A pluridimensionalização de uma aprendizagem que, sendo futebolística, é uma emergência funcionalmente específica, como objecto de conhecimento futebolístico-científico! : abordagem a uma era pós futebol de rua pela radiografia do talentizar, num futebol que forma, não deforma! FADEUP. 2008.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A RELAÇÃO COMPLEXIDADE X PERIODIZAÇÃO TÁTICA

A contribuição da teoria da complexidade à modelagem de sistemas

Maria Silene Alexandre Leite (UFSC) leite@eps.ufsc.br

Antonio Cesar Bornia(UFSC) cesar@eps.ufsc.br

Christianne Coelho de S. R. Coelho (UFSC) CCSRC@uol.com

Resumo

Este artigo discute algumas questões pertinentes a modelagem de sistemas. Aborda-se diferenças essenciais entre os distintos tipos de sistemas e a intervenção apropriada, diantedas características particulares de cada um. Para isso, descreve-se a abordagem cartesiana,a abordagem holística, a abordagem dos sistemas complicados e a abordagem dos sistemas complexos. O objetivo é evidenciar as diferenças entre as abordagens apresentadas e mostrarque a modelagem aplicada ao sistema deve considerar as peculiaridades de cada abordagem.

Palavras-chave: modelagem, sistema, complexidade.

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1. INTRODUÇÃO

É comum a afirmação de que a sociedade atual possui um funcionamento mais complexo doque as sociedades que a antecederam. A percepção do acelerado aumento de problemas nasrelações individuais, sociais e culturais associado à crescente incerteza do ambiente, leva abusca de novas alternativas de intervenção neste ambiente mais complexo e mutável. As alternativas de intervenção começam pelo seguinte questionamento:

Como o observador percebe o sistema analisado?

O observador é o sujeito que intervêm no sistema, delimitando e determinando-lhe objetivos. Assim, de acordo com sua visão o sistema será modelado.A modelagem, por sua vez, assume, mais freqüentemente, o caráter analítico não respondendo, eficientemente, as necessidades dessa sociedade mais complexa.Os modelos analíticos subdividem os problemas para dominá-los. A modelagem analítica busca explicar os problemas, isolando-os da realidade global. Só assim é possível controlar as interferências externas e conseguir resultados precisos e certos. Esta abordagem proporcionou o desenvolvimento da ciência e possibilitou ao homem avançar seus conhecimentos sobre o funcionamento do universo.

Contudo, os modelos analíticos desconsideram a interferência do global no particular e vice-versa, o que impede o completo entendimento dos mecanismos reguladores e das repercussões alcançadas pelo sistema estudado. Isto reduz a riqueza do sistema a uma visão cartesiana da realidade. Sendo assim, os modelos sistêmicos, da mesma forma que os sistemas analíticos, também subdividem os problemas para estudá-los, mas consideram a parte subdividida integrada aocontexto global da qual foi recortada. A abordagem sistêmica busca compreender o contextodo problema para, a partir disto, criar uma realidade inteligível. Esta abordagem entende que o risco e a incerteza fazem parte do contexto e que a intervenção humana apenas a reduz. É importante ressaltar, que, o mundo civilizado ocidental foi construído a partir de modelos analíticos. Por isso, a própria educação desintegra as áreas da ciência umas das outras, dandoa impressão errônea, de que são separadas e sem comunicação. O objetivo desse artigo é mostrar as diferentes abordagens para modelar um sistema eapresentar a importância da teoria da complexidade neste processo.

2. Breve abordagem da teoria da complexidade

O termo complexidade é de difícil conceituação. Existem muitas definições de complexidade, algumas enfatizam a complexidade do comportamento do sistema, outras enfatizam a estrutura interna do sistema, seu funcionamento. Por outro lado, o conceito complexidade pode ser encontrado em vários campos, desde os sistemas naturais, representados pelos sistemas biológicos, físicos e químicos aos sistemas artificiais, tais como sistemas computacionais e estruturas organizacionais.

Gell-Mann (1996) discute a questão da simplicidade e da complexidade relacionadas respectivamente a complicação e a complexidade. Ele diz que simplicidade se refere à ausência (ou quase ausência) de complexidade. Enquanto a primeira palavra é derivada de uma expressão que significa “que já foi dobrado”, a última vem de uma expressão que significa “trançados juntos”. Nota-se que plic para dobrar e plex para trançado vem da mesma raiz indo-européia plek. A palavra original complexus significa “entrelaçado”, “torcido junto”.

Segundo Heylighen(1988) para ter a complexidade é necessário que o sistema possua:

(1) duas ou maispartes ou elementos diferentes;

(2) que as partes ou elementos sejam conectadas.

Pode-se perceber que a definição básica de complexidade apresenta um aspecto dual, ao mesmo tempo em que apresenta partes diferentes são unidas pelas interações. Os termos teoria da complexidade, teoria do caos, teoria das catástrofes, geometria fractal e a física quântica são chamadas de novas ciências. Elas apresentam em comum o conceito de complexidade como guia de seu funcionamento. São, também, denominadas de novas ciências por considerarem a incerteza e imprevisibilidade que conectam os fenômenos.

Esta abordagem se opõe à visão tradicional do pensamento organizacional, que pressupõe relações lineares de causa e efeito aplicando os conceitos da física de Newton á gestão das empresas. No entanto, o limite entre uma teoria e outra, nem sempre, é apresentado com clareza na literatura. Todas elas estão ligadas, de certa forma, pela essência do conceito de complexidade. A história da teoria da complexidade no decorrer do século XX pode ser descrita, segundo Abraham (2002), pela associação de três campos da ciência: a cibernética, a teoria dos sistemas e os sistemas dinâmicos. A cibernética é um campo interdisciplinar, surgido oficialmente em 1946 em New York, por um grupo de oito cientistas que vinham de áreas diferentes. Da matemática: Norbert Wiener,Jonh Von Neumann, Walter Pitts. Da engenharia: Julian Bigelow e Claude Shannon. Da Neurobiologia: Rafael Lorente de No, Arturo Rosenbluenth e Warren McCulloch. Mais adiante, se juntaram a este grupo antropólogos e cientistas sociais. Alguns dos assuntos estudos pelo grupo foram: redes de feedback, inteligência artificial, comunicação, entre outros.

A teoria geral dos sistemas foi reconhecida, no meio cientifico, como o contraponto europeu ao movimento cibernético americano. Seu surgimento oficial ocorreu em 1956, com a criação por Ludwig Von Bertalanffy da sociedade para a pesquisa do sistema geral, em Stanford. Ele migrou, em 1950, de Vienna para América do Norte, tendo como principais idéias: holismo,organicismo e sistemas abertos. A teoria dos sistemas dinâmicos é um amplo ramo da matemática criado por Isaac Newton eatualizado por Poincaré em 1880. Após 1975, tornou-se conhecida como teoria do Caos, seguindo o impacto da revolução dos computadores e a descoberta dos atratores caóticos. A aplicação da teoria dos sistemas dinâmicos engloba a matemática, a biologia, a medicina e asciências sociais.

Deste o surgimento dos computadores analógicos e digitais, no século XX, sua aplicação se expandiu e ganhou importância. Sua difusão deve-se, principalmente, aostrabalhos de Jay Forrester e seu grupo no M.I.T.Entre os três campos anteriormente descritos, podem existir várias e diferentes conexões deacordo com os objetivos do estudo. As ligações entre as comunidades interdisciplinarescrescem em número e intensidade, difundido a importância de usar as teorias dacomplexidade , como foram denominadas as conexões criadas entre a cibernética, a teoriageral dos sistemas e a teoria dos sistemas dinâmicos, no estudo dos sistema complexos. A teoria da complexidade pode apresentar importante contribuição ao estudo dos sistemas complexos. Ela dispõe de esquemas apropriados à representação de sistemas que convivemcom a dialógica partes distintas - unidas pelas interações.

3. O conceito de Sistema

Definir o termo sistema não é uma tarefa fácil. Existem muitos conceitos e usos do termo.Inicia-se a discussão pela dissertação feita por Morin (1977) a respeito da co-existência dos sistemas. Ele busca disseminar o conceito de sistema, mostrando que o ser humano é um sistema constituído por vários sub-sistemas e integrante de outros sistemas maiores. A maioria das definições de sistema, do século XVII até o surgimento da teoria geral dos sistemas com Von Bertalanffy (1956), reconhecia como características para identificação de um sistema o aspecto global e o aspecto da inter-relação dos elementos. Isto, devido ainfluência recebida dos matemáticos que consideravam o sistema como um conjunto de elementos em interação.

Morin (1977) diz que estes dois aspectos se complementam e se sobrepõem sem jamais realmente se contradizer. Assim, cita-se alguns conceitos de sistemaspara exemplificar.Um sistema “ é um conjunto de partes” (LEIBNIZ,1666 apud MORIN,1977); um sistema “ étodo conjunto definível de componentes” (MATURANA e VARELA, 1997); um sistema “é um conjunto de unidades em inter-relações mútuas”( VON BERTALANFFY, 1968);umsistema “é a unidade resultando das partes em interação mútuas”(ACKOFF,1960 apudMORIN,1977); um sistema “ é um todo que funciona como todo em virtude dos elementosque o constituem” (RAPPORT,1968 apud MORIN,1977). Um sistema “ é um conjunto deelementos em interação.” (THOM,1974). Um sistema “ é uma representação de um recorte darealidade que se possa analisar como uma totalidade organizada, no sentido de ter um funcionamento característico”(GARCÍA,2002).

Observando os conceitos citados anteriormente, pode-se notar que o conceito de organização não aparece em nenhum deles. Morin (1977) diz que a incorporação da organização ao conceito de sistema foi introduzido por Saussure, em 1931, na seguinte definição: “ o sistema é uma totalidade organizada, feita de elementos solidários só podendo ser definidos uns em relação aos outros em função de seu lugar nesta totalidade.”Assim, podemos conceber um sistema como uma unidade global organizada de inter-relaçõesentre elementos, ações e indivíduos. (MORIN,1977) Por outro lado, não basta somente conhecer os conceitos de Sistema é necessário conhecer, também, os tipos de sistemas. Os sistemas lineares foram os mais desenvolvidos e utilizados,dado a sua facilidade de intervenção e o desenvolvimento e difusão dos princípios da ciência clássica, tendo seu apogeu com a física de Newton, da qual derivou todas as metodologias cartesianas, determinísticas e reducionistas. Esses sistemas são baseados em hipóteses reducionistas da realidade, tais como: a previsibilidade, a otimização global e a precisão dos dados.

Já os sistemas dinâmicos representados por equações diferenciais não-lineares são baseados na diversidade, na imprevisibilidade e na incerteza presentes na realidade. ElesConsideram a complexidade existente em todos os sistemas vivos. Assim, segundo Capra(1996) alguns cientistas começaram a perceber que as soluções dadas pelas equações deNewton estavam restritas a fenômenos simples, regulados e complicados, enquanto acomplexidade de várias áreas pareciam esquivar-se de qualquer modelagem mecanicista oureducionista. Para Prigogine (1997) iniciava-se, um questionamento sobre a aplicação damecânica Newtoniana ao desenvolvimento dos seres vivos.A visão Newtoniana do mundo, apesar de suas limitações comprovadas, resiste até hoje dentro de determinados graus de intervenção. Contudo, sabe-se que, diante da incerteza do mercado, da concorrência crescente, do rápido fluxo de informações e das novas formas de organizações empresariais, é preciso incorporar à gestão aspectos como: a incerteza, a imprevisibilidade, a não linearidade e a complexidade inerente aos sistemas. Nesse sentido, a teoria da complexidade pode contribuir com uma base científica mais apropriada às novas tendências organizacionais. As abordagens determinísticas e cartesianas são apropriadas aos sistemas complicados, mas apresentam muitas limitações quando aplicadas aos sistemas complexos.

Segundo Snowden (2003), um sistema complicado é constituído de inúmeros componentes que podem ser identificados e definidos. As relações entre esses componentes também podem ser identificadas e definidas. Dessa forma, as causas e os efeitos podem ser separados e, compreendendo suas ligações, é possível controlar os resultados. O sistema pode ser melhorado pela otimização de suas partes, uma vez que o todo não é mais nem menos que a soma delas. Já os sistemas naturais e humanos são complexos. Um sistema complexo inclui muitos agentes que interagem entre si. Axerold e Cohen (2000) tratam os agentes como sistemas que possuem a habilidade de interagir com seu ambiente, incluindo outros agentes. Um agente pode responder ao que acontece em sua volta e realizar ações com maior ou menor propósito. É natural que, ao se pensar em agente, imagine-se uma pessoa. Contudo, observando esta definição, pode-se perceber que um agente não é necessariamente uma pessoa. A família, os negócios, ou um país inteiro pode, também, ser um agente. Mesmo um computador interagindo com outro pode ser considerado um agente. Nota-se a necessidade de observar o sistema, buscando perceber suas características, suas partes, as propriedades de cada parte e as conexões que as unem. Após, equacionar as peculiaridades do sistema estudado à forma de intervenção mais adequada.

4. Os sistemas, a complexidade e os métodos de modelagem

A complexidade de um sistema é, freqüentemente, relacionada a seu número de componentes,seus relacionamentos e os diversos fatores associados ao observador. Para ser complexo o sistema precisa possuir duas ou mais partes diferentes com conexões entre as partes que dificulte a sua separação. O conceito de sistema complexo traz a dualidade distinto-conexo. Esta dualidade estimulou o estudo dos tipos de intervenções adequadas a sistemas com tais características.

Heylighen (1988) diz que não é possível analisar um sistema complexo separando seus componentes em elementos independentes, sem que este sistema seja destruído. Logo, o método reducionista não pode ser usado para compreender um sistema complexo. O método reducionista não é adequado a modelagem de sistemas complexos por que não considerar as conexões entre os componentes, desconsidera-as para simplificar o problema. Esta constatação conduziu ao desenvolvimento do método holístico, o qual se opõe ao reducionismo, por considerar o sistema complexo como um todo, desconsiderando as partes distintas que o compõe, vendo o sistema como um todo único, sem, portanto diferir em suas partes. A abordagem holista, também não é adequada a modelagem dos sistemas complexos, por desconsiderar uma característica essencial: as partes distintas.

Outras abordagens podem ser citadas como a e Weaver(1948) apud Wu (1999) que identificou três escalas da complexidade: simplicidade organizada, complexidade organizada e complexidade desorganizada que corresponde a classificação de Weinberg’s, de 1975, em sistema com pequeno número de elementos, médio número de elementos e grande número de elementos. A simplicidade organizada caracteriza sistemas com pequeno número de significativos componentes que interagem de forma determinística e podem ser analisados pelos métodos reducionistas, cartesianos. A complexidade desorganizada ocorre quando o sistema possui um grande número de significativos componentes que demonstram alto grau de comportamento aleatório, podendo ser analisados por métodos estatísticos. A complexidade organizada caracteriza sistemas que envolvem muitos componentes, mas somente um limitado número de componentes são significativos ao objetivo do sistema. Para estes sistemas os métodos reducionistas e estatísticos são inadequados à sua análise, no primeiro caso por possuírem mais componentes do que os métodos reducionistas podem analisar, no segundo caso porpossuírem poucos componentes para alimentar os métodos estatísticos e, ainda,comportamento não aleatório impossibilitando o uso de métodos estatísticos tradicionais. A abordagem apresentada por Le Moigne (1977) diz que a complexidade implica imprevisibilidade, a emergência do novo e da mudança no interior do sistema. Para um observador o fenômeno é complexo quando apresenta uma certa imprevisibilidade potencial dos comportamentos. Já a complicação pode ser determinada, prevista e extinta. Snowden(2003) diz que num sistema complicado seus milhares de componentes e relações são passíveis de identificação e definição e podem ser catalogados.

Causa e efeito podem ser separados e, pela compreensão de suas ligações, é possível controlar os resultados. Em um sistema complexo, os componentes e suas interações estão em constante mudança e nunca épossível estabelecê-los completamente. O sistema não pode ser reduzido. Causa e efeito não podem ser separados porque estão fortemente interligados.

Complementando, Iarozinski(2001) diz que um aspecto chave da percepção do complexo reside na diferença entre a variedade do observador e a variedade do fenômeno observado. Se esta diferença é igual a infinito (todo o estado é possível) o fenômeno será percebido como complexo. Se esta diferença é finita (nem todos os estados são conhecidos, mas podem serdescritos) o fenômeno será percebido como complicado. Se ela é igual a zero (o observador conhece todos os estados) o fenômeno será percebido como simples. Pode-se perceber que enquanto os sistemas foram considerados lineares, com relações diretas de causa e efeito os métodos cartesianos de intervenção eram adaptáveis. No momento em que houve a percepção dos diferentes tipos de sistema, observou-se que determinados tipos,os complexos, necessitavam, de um método que considerasse a sua dualidade partes distintas conexões.Para os sistemas complexos é adequado método sistêmico. Apesar, dessa percepção a visão cartesiana dos fenômenos continua se sobrepondo comométodo intelectual de análise e intervenção dos fenômenos. Isto ocorre devido a maior facilidade de intervenção oferecida pelos métodos cartesianos. Eles consideram os problemas como sistemas complicados que podem ser simplificados e explicados. Enquanto as metodologias sistêmicas consideram os problemas como sistemas complexos, sendo modelados e compreendido ao mesmo tempo.

A compreensão ocorre por meio da construção edo conhecimento da inteligibilidade do problema. Os métodos cartesianos são adequados à pesquisa em sistemas complicados, como as máquinas e os computadores, mais insuficientes para pesquisar os sistemas caracterizados pela complexidade, como os sistemas sociais e humanos. Iarozinski (2001) diz que nos sistemas simples ou complicados o controle pode ser total. Estessistemas podem ser controlados a partir de uma base de regras programada, já que a suaevolução é conhecida e previsível. O funcionamento e a evolução destes sistemas estãolimitados pelo grau de sofisticação do sistema de controle.Nesse sentido, Le Moigne (1977) diz que a passagem da complicação à complexidade implica um limiar, uma mudança de método intelectual. Os sistemas que precisam ser representados e operacionalizados, já não são apenas tecidos por redes complicadas que ligam elementos identificáveis. A diferenciação e a diferença estão no mundo real e avariedade dos sistemas a conhecer torna-se incomensurável. Simon (1981) diz que os sistemas complexos apresentam uma estrutura hierárquica em formade caixas-dentro-de-caixas ou de múltiplos níveis. Os níveis são formados por sistemas e subsistemas interligados por interações. Pode-se distinguir as fronteiras do sistema pela intensidade das interações dentro dos subsistemas e entre os subsistemas. Assim, as ligações entre os componentes dos subsistemas são, geralmente, mais fracas que as ligações dentro dos subsistemas. Esta é denominada por Simon como arquitetura quase decomponível.A esse respeito, Snowden (2003) diz que é necessário uma nova ciência para lidar com os sistemas complexos. O paradigma atual do pensamento empresarial tem suas origens nas idéias de Frederick Taylor, que aplicou os conceitos da física de Newton à gestão dasempresas. A atual complexidade das relações e conexões exigem métodos mais apropriados,flexíveis e adaptáveis à realidade.Nessa exposição apresentou-se a necessidade de conhecer a interligação entre as partes do sistema, sua complexidade e sua interações para modelá-lo de forma mais adequada.

5. Conclusão

O argumento inicial deste artigo, foi o de que a sociedade atual apresenta problemas mais complexos do que os problemas das sociedades que o antecederam. A percepção do aumento da complexidade é um bom sinal, para a percepção de que nem todos os problemas podem ser solucionados pelos mesmos métodos. Os sistema podem ser complicados ou complexos. Os complicados podem ser modelados pelos métodos cartesianos, com relações de causa-efeito lineares, pois suas conexões podem ser desconsideradas sem destruir o sistema. Os complexos não podem ser modelados por métodos cartesianos, pois suas relações são dinâmicas e as conexões entre suas diferentes partes, se desativadas, destroem o sistema. Resumidamente, o quadro 5.1 apresenta os principais tipos de sistema e a forma de intervenção adequada a suas características. Apresentou-se, também, outras abordagens consideradas na literatura, tais como: o métodoholístico, a simplicidade organizada, a complexidade desorganizada e a complexida deorganizada. A abordagem holística desconsidera as partes diferentes do sistema por vê osistema como um todo único indissociável. A simplicidade organizada pode ser representadapelos métodos cartesianos, por reduzir o sistema a um pequeno número de componentes. Acomplexidade desorganizada é representada por métodos estatísticos por ser composta degrande número de componentes e possuir comportamento aleatório. A complexidadeorganizada necessita de modelagem sistêmica, por apresentar comportamento não aleatório epossuir partes distintas em conexão.Por fim, buscou-se mostrar a importância da compreensão da complexidade para identificarum sistema complexo e procurar a forma mais adequada de modelagem.

Referências

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NOTA PESSOAL:

Este artigo não envolve o futebol, pelo menos não intencionalmente, mas para um bom entendedor, meia palavra basta. É de 2004, mas para quem busca informações sobre a teoria da complexidade, um dos pilares da periodização tática que vê o fenoômeno futebol com a mesma ótica, é bem atual.

Abraço

Luis Esteves

la_futeboll@hotmail.com