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terça-feira, 10 de novembro de 2009

EXERCÍCIO ESPECÍFICO


Repito que o que cansa no futebol, são as transições, no campo, as equipes caso estejam errando, estarão em constantes transições, e isso vai gerar um stress, reclamações, cobranças pela manutenção da posse.
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Fora, haverá uma recuperação mental das duas equipes, e uma delas estará em recuperação fisica, recuperação mental é fundamental para depois ao entrar no campo novamente, exista um ganho em relação a cultura do modelo de jogo, que é não perder a bola, para poder recuperar com ela, porém sem nunca perder o objetivo do gol.
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Este exercício tem como sub-objetivo a resistência específica, ao modelo de jogo, quanto maior for a eficiência da equipe, em relação a manutenção da posse, menos precisará de resistência as transições no jogo.
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Abraço
Luis Esteves

domingo, 1 de novembro de 2009

MODELANDO O MODELO DE JOGO...FASES QUE DEVEM SER LEVADAS EM CONSIDERAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO




O modelo de jogo, como já citei aqui no blog é a pedra fundamental na Periodização Tática, porquê? por que é nele que está a especificidade que será gerada nos treinos, buscando a sonhada cultura de comportamentos que a metodologia produz.


Vamos definir MODELO DE JOGO então, até pra ser mais fácil de explicar pra pessoas acostumadas a nomenclatura proporcionada pelos treinos convencionais.


Modelo de Jogo: Plano tático-físico-técnico-psicológico-estratégico objetivado por um treinador, ou mais,que visa um determinado padrão de comportamento, que acaba por se tornar uma cultura, na qual o jogador tem como guia de comportamentos; definindo limites para as decisões que serão tomadas nos jogos. O Modelo de jogo é definidor, pois dele surge o grande princípio da Especificidade, pois só é possível ser específico se ao treinar, seja reproduzido pequenos ou grandes fractais do modelo de jogo, e para isso tem que se ter um Modelo pré-definido, para saber onde se quer chegar.


Bom, isto é repetitivo, mas é importante, pois muitos amigos treinadores, preparadores físicos estão me perguntando sobre periodização tática, como comparativo as outras metodologias, sempre visando o lado físico inicialmente, as valências, como ter ganho de força, velocidade etc.. por que a segurança vem daí, dos dados, do palpável, sendo que isso na verdade apenas nos engana, temos uma ilusão de ter tudo sob controle...mas tenho dito que não, não temos, não tem nada a ver com isso, muito menos com não ter treinos físicos, ou muito menos com o modismo José Mourinho , Periodizar Taticamente é muito complexo, e eu mesmo tenho corrigido muitas coisas no dia-á-dia, pois tudo é qualitativo, exige conhecimentos de diversas áreas, que trabalham juntas e ao mesmo tempo, pois não é possível ter crescimento qualitativo, em determinado modelo de jogo separando as dimensões do jogo, pois ai não será mais o jogo, e ai está a complexidade (Ver teoria da Complexidade). E nosso maior erro é achar que ser específico, é poder determinada situação e trabalhar apenas ela, de forma isolada e descontextualizada...é um erro.


Para o entendimento dos colegas, vou colocar um exemplo prático de como o modelo de jogo é importante, no processo de criação do treino e da Especificidade.


Meu Modelo de Jogo, Basicamente falando:


ORGANIZAÇÃO OFENSIVA:

-Manutenção da Posse e Circulação
-Mobilidade Ofensiva
-Definição / Finalização
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TRANSIÇÃO DEFENSIVA:

-Compactação Rápida
-Movimentação Diagonal
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ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA:

-Pressão ao jogador com bola, e opções próximas
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TRANSIÇÃO OFENSIVA:

-Abertura - Profundidade e Amplitude
-Valorização da Posse
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Para o entendimento do processo à seguir, é preciso entender que, nestes momentos contém os princípios do meu modelo de jogo, ou seja, como eu quero que minha equipe se comporte... e isso não é padrão, é uma individualidade da minha equipe, e nunca será igual a outra, mesmo que se coloque princípios idênticos. Cada modelo de jogo é único. Mas todos tem os quatro momentos.


Bom, vamos a problemática ...minha equipe é sub-15, e consegue, treinando, atingir os princípios que coloco à eles, dentro dos exercícios, de forma como idealizo, mas em alguns jogos tenho tido um problema, a fadiga física...

- Alguns jogadores relatam que estão cansando com 15 minutos do 2º tempo, sendo que jogamos 2x30...

O primeiro pensamento que lhe vem a mente é qual? esta treinando pouco...Tem que aumentar o volume do treino...tem que treinar mais minutos....tem que trotar após o treino, tiros láticos, aláticos etc etc...e isso de nada tem a ver, o que tem a ver é o modelo de jogo.


Minha equipe, em jogos de pressão comete um erro, ela muda de modelo, por MEDO, talvez por ser uma equipe nova, existe a cerca de 8 meses, pois formamos a base do clube este ano, e em jogos em que pegamos times "rodados" jogando contra, acabamos por temer, e jogar de forma diferente a qual treinamos. E ai está o problema.


Quando se tem medo, acaba-se por não querer a bola, equipes medrosas não querem jogar, querem apenas que o tempo passe, que o jogo acabe logo e se der com um gol de escanteio ganha-se o jogo, este modelo de jogo, se encaixa no Modelo de Transições, pois se dá valor maior as transições ofensivas e defensivas, com a bola joga-se verticalmente, sem quebras de ritmo e direção, e sem ela, fica-se na espera, do erro do adversário, ou se pressiona errado, de forma afoita ou individual.


É normal equipes menores utilizarem este modelo, quando enfrentam equipes maiores, porém não quando as equipes são do mesmo nível, ou não quando existe uma mudança de comportamento pelo medo. Mas isso é compreensível quando se trabalha com jogadores novos, que estão ganhando ainda experiências, estão recheando seus marcadores somáticos de situações positivas e negativas. mas voltando ao assunto...porque minha equipe cansa fisicamente com 15 do 2º tempo nestes jogos difíceis...?


Simples, porque não respeita o modelo de jogo, que é um modelo de organizações, e passa a jogar em um modelo de transições..e um modelo de transições exige um suporte fisiológico diferente do modelo de organizações. O cansaço é maior, pois seguidamente temos que dar sprints para retornar a posição inicial, por perder a posse da bola, não conseguimos descansar com a bola, temos que ficar sempre correndo cerca de 15,30 , 50 metros, para evitar que o adversário entre aqui ou ali com a bola, e quando a temos, logo lançamos verticalmente, e em cerca de 5 ou 10 segundos já estamos sem a bola. Portanto esse é o erro, e não a resistência da equipe, e sim a resistência específica ao modelo de jogo.


E porque isso ocorre? Por que na escolha do modelo temos que levar em conta 3 critérios principais:


- Histórico do clube - Alguns clubes e torcidas tem horror a determinados modelos..e para haver uma adaptação a isso, tem que se ganhar sempre e como isso é muito dificil..

- Qualidade dos jogadores ( e isto envolve todas as dimensões, ou seja de nada adianta um jogador muito técnico, sem suporte mental para desenvolver determinado modelo de jogo..qualidade individual é fundamental)

- Estrutura do local - Tem modelos de exercício que alguns clubes não suportam, pela falta de materiais, e estruturação.


Então, no meu modelo, não respeitei um destes critérios, que é o da Individualidade do Jogador, pois alguns atletas meus, não conseguem em determinados momentos de pressão, ainda, ter o comportamento que meu modelo indica, mas isso é treinável, porém alguns podem nunca atingir determinado nível.


Portanto, é complexo demais o futebol, e o treinamento desportivo, para vendo esse problema, apenas aumentar o volume de treinamento..


DETALHES IMPORTANTES QUANTO A PROGRESSÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO MODELO DE JOGO E DOS JOGADORES PERANTE O MESMO


O Professor Júlio Garganta coloca uma sequência de progressão do modelo de jogo, dividida em 3 fases básicas, é importante saber isso, para entender o processo de aprendizagem/ensino da equipe, e dos jogadores. Não há uma velocidade específica de ensino, pois cada equipe tem um tipo de resposta aos estímulos propostos, mas dependem muito dos critérios que eu citei acima.


GARGANTA (2002, página 3 e 4)


MODELO RUDIMENTAR

- Jogo estático, não orientado, jogadores centrados sobre a bola, excesso de verbalização.

  • Os jogadores perseguem indiscriminadamente a bola, aglutinando-se sobre ela.
  • Dificuldades na relação com a bola (Domínio, Controle, Proteção, Passe...etc).
  • Utilização sistemática da visão para olhar a bola, impossibilitando a "leitura" do jogo.
  • Imobilismo dos jogadores sem bola, excesso de verbalização.
  • A circulação da bola não é voluntária.
  • Sucessão de ações isoladas e explosivas sobre a bola.



  • MODELO INTERMEDIÁRIO

    - Jogo estático, orientado, jogadores centrados sobre o passe.

  • Ocupação mais racional do terreno de jogo, embora pouco eficaz, pois é pouco móvel, estática.
  • Existência de blocos de jogadores estáticos que trocam passes entre si.
  • Circulação da bola de forma periférica, pelos lados do campo.
  • A visão (Central e Periférica) vai sendo aos poucos "libertada" para ler o jogo.
  • Todo o encadeamento de ações necessita de uma paragem Bola-Jogador.
  • Pouca acutilância ofensiva.
  • MODELO AVANÇADO

    - Jogo dinâmico, orientado, jogadores centrados sobre a finalização - Gol
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  • Jogadores organizados em funções de finalidades diferentes.
  • Acutilância Ofensiva.
  • O portador da bola joga de cabeça levantada para "ler" o jogo.
  • Alternância do jogo em largura e profundidade.
  • As ações são organizadas em função dos alvos - Goleiras.
  • As ações são encadeadas.
  • Privilegia-se a Comunicação Motora, em detrimento da Gestual e Verbal.

  • Então, é importante saber que além da escolha do modelo, temos que saber respeitar o processo de progressão qualitativo do modelo de jogo, isso não tem tempo certo, depende da equipe, como já disse antes, e da especificidade do treino, portanto, não é de um dia para o outro, e com qualquer jogador que se joga como o FC Barcelona, por exemplo, que tem um modelo de jogo muito complexo, embora simples.

    CONCLUSÕES BÁSICAS
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    - É preciso saber que modelo de jogo seguir, para depois saber o que treinar.
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    - É preciso ter jogadores para realizar esse modelo.
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    - É preciso saber respeitar os momentos em que a equipe se encontra, para evitar o erro de mudar de modelo toda a hora, por que isso ou aquilo não dá certo, tudo tem seu tempo, mas para chegar a alguns pontos é necessário ser específico.
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    - É preciso dominar bem o modelo de jogo que se quer alcançar, mas sabendo que provavelmente ele nunca será alcançado, porque no decorrer do caminho ele sofrerá novas mudanças, é uma utopia.
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    - Se alguém souber o que significa acutilância , por favor, me avise..hehehe...pois o Garganta citou isso e eu não sei o que é, acredito que seja algo com Volume, criação, mas...
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    Abraço
    Luis Esteves
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    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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    GARGANTA, Júlio; Competência de ensino de jovens futebolistas. Universidade do Porto / Faculdade de Ciência do Desporto e Educação Física. Revista Digital - Ano 8 - www.efdeportes.com - fevereiro 2002. 18 Páginas.

    sábado, 24 de outubro de 2009

    EXERCÍCIO ESPECÍFICO - CIRCÚITO DE MINI-JOGOS (REVISÃO)

    Este exercício já foi postado, porêm fiz alterações visando uma maior especificidade em relação ao modelo de jogo que sigo, então, ai está.

    Abraço
    Luis Esteves
    la_futeboll@hotmail.com

    segunda-feira, 19 de outubro de 2009

    A IMPORTÂNCIA DO MODELO DE JOGO COMO GUIA DA EPECIFICIDADE

    “(…)O êxito no futebol tem mil receitas . O treinador deve crer numa,
    e com ela seduzir os seus jogadores”

    (Jorge Valdano)



    Quando se fala em treinamento, em especificidade, em congruência de exercícios, é impossível fazer uma avaliação de especificidade, se não houver uma avaliação do modelo de jogo proposto. Tudo gira em torno do modelo de jogo, independente dos princípios, só é possível periodizar se houver conhecimento do que treinar, e de onde se quer chegar (GOMES 2006, p.07)

    Campos 2007 cita:

    "Há uma necessidade permanente do modelo estar sempre presente em todo o instante de forma a que as coisas se direccionem sempre como eu pretendo que aconteçam". (Guilherme Oliveira, 2006) citado por (CAMPOS, 2007,p.07)

    Campos 2007 também cita:

    "Exercitamos o nosso Modelo de Jogo, exercitamos os nossos princípios e sub-princípios de jogo, adaptamos os jogadores a idéias comuns a todos, de forma a estabelecer a mesma linguagem comportamental. Trabalhamos exclusivamente as situações de jogo que me interessam, fazemos a sua distribuição semanal de acordo com a nossa lógica de recuperação, treino e competição, progressividade e alternância. Criamos hábitos com vista à manutenção da forma desportiva da equipa, que se traduz por um frequente «jogar bem»" (Mourinho, 2005) citado por (CAMPOS,2007, P.07).

    Ou seja, só é possível criar a cultura de jogo prevista pela aquisição de comportamentos que a Periodização Tática prevê, se houver um modelo de jogo bem definido,que guie todo o processo de treinamento. Ou seja: Para onde vamos??

    "A pertinência desta questão parece-nos fundamental para desenvolver um processo direccionado para um determinado «jogar» ou seja, para um processo Intencional. A partir dele criam-se um conjunto de referências que definem a organização da equipa e jogadores nos vários momentos de jogo. Deste modo, o modelo orienta o processo para um jogar concreto através dos princípios colectivos e individuais em função do que é pretendido. Neste sentido, trata-se de desenvolver um jogar Específico e não um jogar qualquer." (GOMES, 2006, p.28)

    Mourinho, citado por Oliveira, Resende, Amieiro e Barreto 2006:

    "Assumir sempre os jogos, não se descaracterizar perante os adversários, é uma característica das minhas equipes. Já era quando eu treinava o União de leiria, que era uma equipe que não tinha essa obrigação."

    "Quero uma alta circulação de bola, e para que isso aconteça tem que existir um bom jogo posicional, isto é, todos os jogadores tem de saber que em determinada posição há um jogador, que sob o ponto de vista geométrico há algo construído no terreno de jogo que lhes permita antecipar a ação. Campo grande a atacar, linhas juntas a defender, uma reação forte a perda da posse de bola; uma estrutura fixa em termos posicionais e uma estrutura móvel, ou seja, há jogadores que por sua dinâmica tem mobilidade, apesar de ter que haver sempre um equilíbrio posicional."

    "Para além da posse e circulação da bola, outro grande princípio que facilmente se identifica nas minhas equipes é o "pressing alto zonal". E para mim o pressing não é mais que um meio para recuperar a posse da bola, e só faz sentido depois de a equipe souber fazer uso dessa posse".(OLIVEIRA, RESENDE, AMIEIRO e BARRETO, 2006. p.192 e 193)


    Percebemos que o modelo de jogo é individual, de cada treinador, e nunca será igual, por mais que seja parecido.


    ABAIXO SEGUE UM EXEMPLO SIMPLES DE MODELO DE JOGO:



    Indo mais afundo no processo do modelo de jogo, podemos verificar a importância do modelo na formatação do grupo, como cita Gomes 2006, p.28"Faria (1999, p. 49) para quem "o Modelo de Jogo condiciona um modelo de treino, um modelo de exercícios e, necessariamente, um modelo de jogador."

    Portanto verifica-se a importância de ter este Ponto bem definido, antes mesmo da temporada iniciar, pois um determinado modelo de jogo, pode não ser cabível a determinado grupo de jogadores, ou a determinada estrutura, ou a determinada categoria, por isso a avaliação de qual modelo seguir deve ser feita, e o mesmo deverá ser estruturado levando em conta estes fatores.


    A COMPOSIÇÃO DO MODELO DE JOGO:


    Como já citado acima, o modelo de jogo inevitavelmente será composto por momentos, independente do modelo, serão, segundo Gomes 2006:


    ORGANIZAÇÃO OFENSIVA
    TRANSIÇÃO DEFENSIVA (ATAQUE - DEFESA)
    ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA
    TRANSIÇÃO OFENSIVA (DEFESA - ATAQUE)

    Além disso, alguns estudiosos como Carvalhal, e Queiróz (O qual não tenho referências aqui)colocam a bola parada como um quinto momento dentro dos quatro principais, eu utilizo essa referência também.

    Guilherme Oliveira, na época treinador do sub-20 do FC Porto cita em Gomes 2006:

    "De uma forma simples, que isso é um bocado complicado, pretendo que seja uma equipa de posse de bola, mas com uma posse de bola com objectivo de desorganizar a estrutura defensiva adversária. Ou seja, é uma posse de bola que pretende ser objectiva e inteligente para conseguir resolver os problemasque a outra equipa em termos defensivos nos vai colocando e objectiva no sentido de quando aparece a desorganização da equipa adversária, nós podermos aproveitar essa mesma desorganização. Esse aproveitamento procura a desorganização através da circulação de bola, de posse de bola. Em termos de transição ataque - defesa é uma equipa que procura ser muito decidida na transição. Nós perdemos a posse de bola e procuramos logo ganhar a posse de bola e fechar a equipa logo de imediato para que se não conseguirmos ganhar a posse da bola, quando entrarmos em organização defensiva, já estarmos fechados, já estarmos compactos. Normalmente todas as equipas que jogam contra nós ou a grande parte das equipas que jogam contra nós, jogam fundamentalmente para aproveitar esse momento para sair em contra-ataque. E por isso, neste momento treinamos muito para não permitir que esse contra-ataque seja feito pelas equipas contrárias, sermos muito agressivos quando perdemos a posse da bola para não permitir esse contra-ataque. Se entrarmos em organização defensiva, somos uma equipa que defendemos à zona. E aquilo que procuramos em organização defensiva é fazer com que a equipa adversária jogue em função daquilo que nós queremos. Quer dizer, nós sem posse de bola tentarmos mandar, direccionar a outra equipa. Se quisermos que a jogue longe, pressionamos mais à frente para ganhar a bola em determinados momentos. Se quisermos que a equipa jogue mais perto, deixamos a equipa subir para depois, estrategicamente em determinadas zonas ganhar a posse de bola. Por isso, tentamos mandar na equipa adversária mesmo sem posse da bola. Somos uma equipa que defendemos à zona e tenta ser o mais agressiva possível quer dizer, não está à espera do erro do adversário mas tenta provocar o erro ao adversário para ganhar a posse de bola. Em transição defesa-ataque somos uma equipa que fundamentalmente queremos ficar com a bola ou seja, não privilegiamos o contra-ataque, privilegiamos ficar com a bola. Se for possível dar profundidade em segurança, por isso, o contra-ataque com segurança nós fazemo-lo. Se não for possível, nós queremos ficar com a bola e iniciar o processo ofensivo. Não gostamos de entrar em jogos em que as transições sejam constantes, de perde- ganha porque é um jogo quase de «flippers» e não gostamos. Gostamos de mandar mais no jogo porque num jogo de transições ninguém manda no jogo. Nós gostamos de ficar com a bola e por isso, se der para dar profundidade em segurança, damos. Se não der, ficamos com a bola e jogamos. Estes são os grandes princípios e depois há muitos sub-princípios que se articulam juntamente com estes. "(GOMES, 2006, Anexo1 XVI, XVII).

    Dentro destes momentos, existem Princípios (Grandes), Sub-Princípios, Sub-Princípios de Sub-Princípios, os quais eu nomeei Micro-Princípios, por representarem uma importância menor na hierarquia do Modelo de jogo.

    HIERARQUIA DOS PRINCÍPIOS:
    MOMENTO:
    PRINCÍPIO
    SUB-PRINCÍPIO
    SUB-PRINCÍPIO DE SUB-PRINCÍPIO (MICRO-PRINCÍPIO)


    Gomes 2006 cita, referente a capacidade de decisão do jogador, que esta tomada de decisão deve ser feita sempre levando em consideração (muitas vezes inconciente) os Princípios hierarquizados:

    "A tomada de decisão não é algo aleatório ou seja, apesar das particularidades do contexto, o jogador é sobrecondicionado a decidir em função do projecto de jogo da equipa e portanto, dos seus princípios. Assim, o modelo de jogo permite condicionar as escolhas dos jogadores para um padrão de possibilidades ou seja, orienta as decisões dos jogadores ". (GOMES,2006p.28)

    EXEMPLO SIMPLES DE UM PRINCÍPIO HIERARQUIZADO EM UM MOMENTO:




    "os princípios são bases comuns para que os jogadores "falem" a mesma língua, permitindo exprimirem-se num estilo diferente" (Franz cit. por Castelo, 1994, p. 155).

    "os princípios são as condições a respeitar e os elementos a tomar em consideração para que o comportamento seja eficaz" (Grehaigne cit. por Castelo, 1994, p. 155).

    "A propósito da definição de princípios de jogo, Guilherme Oliveira (2006) opina que o princípio é o início de um comportamento que um treinador quer que a equipa assuma em termos colectivos e os jogadores em termos individuais. Importa assim dissecar que mecanismos estarão eventualmente por detrás deste potenciamento de determinados comportamentos." (CAMPOS,2007, p.21).


    Guilherme Oliveira (Gomes,2006.p.Anexo 1XVII) cita:

    "Não, os princípios não assumem todos a mesma importância. Os subprincípios estão subjugados aos grandes princípios e por isso, há uma hierarquização de princípios. Mas somos nós que criamos a hierarquia desses princípios e sub-princípios, dando-lhe uma configuração própria. Se nós quiséssemos que determinados princípios se sobrepusessem a outros, dava um jogo completamente diferente e temos de ter essa consciência. Por isso, num processo de treino há sempre princípios que se sobrepõem a outros. Agora uma coisa muito importante é a interacção desses mesmos princípios. Eles devem estar todos relacionados entre si porque estando interrelacionados entre si, não pode haver princípios que não consigam interagir com outros."

    Dentro do proposto acima, chego à conclusão que, para haver uma periodizaçao ideal é necessário ter um modelo de jogo, e a partir daí criar exercícios congruentes ao mesmo, gerando na equipe uma cultura sistemático-complexa de comportamentos, muitas vezes inconscientes, proporcionando ao jogador direcionar a concentração à dimensão mais complexa do jogo, que é a dimensão tática. Portanto o treinamento, a partir das colocações relatadas só será específico, se retratar o modelo de jogo empregado a equipe, e é tão importante quanto ter um modelo, hierarquiza-lo de forma que os jogadores possam entender e realizar os princípios e sub-princípios propostos pelo modelo.


    Luis Esteves
    Treinador de Futebol
    la_futeboll@hotmail.com


    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


    OLIVEIRA, Bruno; AMIEIRO, Nuno; RESENDE, Nuno; BARRETO, Ricardo; Mourinho: Porque tantas vitórias? Editora:Gradiva, Lisboa. 2006. 223p.


    GOMES, Marisa Silva; Do Pé como Técnica ao Pensamento Técnico dos Pés dentro da Caixa Preta da Periodização Táctica - Um estudo de caso - Monografia de Licenciatura apresentada na Faculdade de Desporto da UP - Porto. 2006, 111 p.


    CASTELO, Jorge. Futebol modelo técnico-táctico do jogo: identificação e caracterização das grandes tendências evolutivas das equipas de rendimento superior.FMH, Lisboa. 1994.


    CAMPOS, Carlos César Araújo. A Singularidade da Intervenção do Treinador como a sua«Impressão Digital» na… Justificação da Periodização Táctica como uma «fenomenotécnica». Monografia de Licenciatura apresentada na Faculdade de Desporto da UP - Porto. 2007, 102.p.