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terça-feira, 6 de abril de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINAMENTO - QUINTA-FEIRA

CONTINUAÇÃO DA SÉRIE - MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - NARRAÇÃO BRUNO PIVETTI - PENÚLTIMA POSTAGEM:


TREINO 4: 16/03/06 - QUINTA-FEIRA


Segundo o microciclo semanal de treino, este dia estava reservado para os propósitos em regime de elevada velocidade de contracção muscular. Assim sendo, os exercícios seleccionados para este dia preconizavam a velocidade máxima, a curta duração e a tensão não máxima das contracções musculares. Vale ressaltar, que este treino de elevada velocidade de contracção, tem por objectivo reduzir a densidade de contracções excêntricas, fazendo com que se diminua a tensão de contracção das fibras musculares. Esta unidade de treino pode ser caracterizada como descontínua, porém não pode ser comparada em termos de descontinuidade com o treino de tensão específica, sendo este um treino bem mais fragmentado.


As densidades das acções de locomoção foram muito intensas, e incidiram sobre a velocidade de execução dos gestos motores, sem atentar muito à tomada de decisão para um determinado movimento. Podemos dizer que esta unidade de treino requeria um alto dinamismo para solução motriz e nem tanto para o processo táctico de tomada de decisão. Esta estratégia se justificava pelo intuito de poupar o estado mental-emocional, já que este fora altamente exigido na unidade de treino anterior (dinâmica específica).

Aquecimento:


O aquecimento teve início às 16:05 e terminou às 16:12. Foi conduzido pelo adjunto Raul. O treino inicial de flexibilidade foi incorporado ao aquecimento, sendo realizado em simultâneo. Exercícios:



• Rotação da articulação coxo-femoral de modo externo e interno;
• Alongamento dos posteriores da coxa e tríceps sural;
• Alongamento do músculo quadríceps;
• Elevação frontal do membro inferior de forma dinâmica;
• Elevação lateral do membro inferior de forma dinâmica;
• Alongamento dos abdutores da coxa;
• Novamente, alongamento do quadríceps


Orientação inicial:

Dados introdutórios sobre o conteúdo do treino aos jogadores e orientação a cerca dos primeiros exercícios a serem efectuados. Esta orientação durou cerca de um minuto.


Flexibilidade:


Após a execução do primeiro exercício, os jogadores tinham dentre do período de recuperação, aproximadamente dois minutos, de executar exercícios de flexibilidade. Grupos musculares alongados:

• Adutores da coxa;
• Posterior da coxa;
• Tríceps sural;
• Quadríceps.



Segundo Exercício:




Exercício em nada diferente do primeiro, com a excepção de agora os jogadores terem limitado para um o número de toques a serem dados na bola. Este exercício teve a duração de quatro minutos.

Flexibilidade:

Após a execução do primeiro exercício, os jogadores tinham dentre do período de recuperação, aproximadamente dois minutos, de executar exercícios de flexibilidade. Grupos musculares alongados:

• Adutores da coxa;
• Posterior da coxa;

Orientação:
Durou cerca de um minuto e tinha por objectivo a orientação do treinador com relação a segunda parte do treino.

Observação: Enquanto os jogadores de linha trabalhavam e eram orientados pelo Professor Guilherme e pelos adjuntos Raul e Paulinho Santos, os guarda-redes realizavam um trabalho paralelo com o preparador de guarda-redes.
 

Terceiro Exercício:


Existiam oitos estações ao redor de uma metade do campo com o intuito de se treinar a organização ofensiva. Podemos dizer que era um 10x1, objectivando um treino posicional de sincronismo da equipa e tendo como sub-princípios o treino de finalização e de infiltração dos adversários pela lateral do campo. O sistema de jogo utilizado neste exercício era o 1-4-4-2 com o meio de campo formando a figura de um losango. Este treino teve a duração aproximada de 20 minutos. Todas as jogadas eram iniciadas ora na esquerda, ora na direita do campo de jogo.

A jogada se iniciava no meio campo com os jogadores defensivos da equipa, estes ora passavam a bola para os laterais, ora para os pivôs e ora para o ponta de lança. Aos jogadores que recebiam a bola dos defesas cabia a organização do ataque, estes deveriam passar a bola com o intuito de uma jogada de infiltração ser realizada. Quando a bola chegava à linha de fundo era cruzada para área ora pelos extremos, ora pelos laterais (dependendo da arquitectura da jogada trabalhada). Três jogadores penetravam na área, os atacantes deveriam entrar em diagonal e o meio deveria entrar em paralelo. Quando a bola era passada directamente aos ponta de lança, estes eram instruídos a ir de encontro com a bola, nunca esperar estaticamente que esta chegasse em seus pés.

Após a conclusão de uma jogada, Raul e Paulinho Santos que estavam posicionados atrás da baliza, rolavam a bola para que os jogadores do meio pudessem finalizar. Assim, chamavam o nome do jogador e lhes enviava a bola.

Em seguida, ao invés da jogada começar no meio de campo com os defesas, esta começava com os laterais em situação de tiro de canto (lateral). Foram treinadas diversas jogadas inerentes a esta situação de jogo.



Orientação:
Orientação rápida (um minuto) a respeito do quarto exercício a ser efectuado neste treino e divisão do grupo de jogadores em duas equipas.

Quarto Exercício:



Actividade relativa a jogadas específicas de tiros de canto. O plantel de jogadores foi dividido em duas equipas de dez jogadores e, em situação de tiro de canto, uma tinha por objectivo defender a meta e a outra finalizar à meta. Assim, primeiramente, a equipa amarela cobrava o tiro de canto e a azul defendia a meta. Após sete minutos, trocava-se a equipe que cobrava o tiro de canto.

Quando a equipa que defendia a meta recuperava a posse de bola, esta deveria sair para o jogo e executar, se possível, a finalização a meta oposta adversária posicionada no meio campo de jogo. Assim a equipa que em um primeiro momento detinha a posse de bola, quando à perdia, deveria realizar pressão alta zonal à bola. Este exercício teve duração de quinze minutos e os tiros de canto ora eram executados da esquerda do campo de jogo, ora da direita.


Quinto Exercício:



O último exercício desta unidade de treino era de jogo reduzido 10X10, em um terreno de jogo de aproximadamente 400 m2. A equipa que detinha a posse de bola permanecia sempre aberta e circulava a bola a todo momento. Contrariamente, a equipa que visava retomar a posse de bola jogava de modo fechado, realizando pressão zonal alta à bola.


As equipas estavam organizadas no sistema 1-4-4-2 com o meio de campo formando um losango. O Professor Guilherme coordenava o jogo, estipulando aonde seria o local de saída de bola, quando esta saia pela lateral ou pela meta. O jogo teve dois tempos de 5 minutos, com um minuto de recuperação entre cada tempo.



A equipa azul venceu o jogo por dois golos a zero e coube a equipa amarela desmontar o terreno de jogo.


Observação: O treino terminou às 17:15, deste horário, até às 17:30, os jogadores realizaram à volta à calma.


Parte Final:


Treino de flexibilidade. Execução de alongamentos passivos, através do auxílio dos companheiros. Trabalho de abdominal (recto e oblíquo) e de lombar. Alguns jogadores também executaram flexão de braço.

OBSERVAÇÕES:

- Dia de situações em velocidade de raciocínio e movimento, mental e fisiologicamente o jogador tem que ser rápido.

- Participações curtas, sem desgaste fisiológico alto.

- Valorização baixa das contrações excêntricas, não deve ter muitas mudanças de direção, saltos ou qualquer impecilho ao movimento.


Abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com
____________



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFIGA

PIVETTI, Bruno Marques Fernandes; RELATÓRIO DE ESTÁGIO NOS JUNIORES DO FC PORTO - ESCALÃO SUB 20-A - Ministrado pelo treinador José Guilherme Oliveira. Porto - Portugal. 2006

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - QUARTA-FEIRA

O mais importante na defesa (...) é ser capaz de «virar o feitiço contra o
feiticeiro», ou seja, é conseguirmos, mesmo sem ter a bola, mandar no jogo.”



J. Garganta

CONTINUAÇÃO DA SÉRIE: NARRAÇÃO BRUNO PIVETTI - (AGRADEÇO A AUTORIZAÇÃO (POSTERIOR) DO RELATÓRIO AO PROFESSOR BRUNO).


TREINO 3: 15/03/06 - QUARTA-FEIRA



Conforme o princípio da alternância horizontal em especificidade, o treino deste dia implicou em um regime menos descontínuo. Sendo assim, podemos dizer que o padrão de contracção muscular dominante cresceu em duração e diminuiu em termos de velocidade e tensão. Os jogadores, nesta altura, já se encontravam recuperados física e mentalmente do jogo do fim-de-semana, o que viabilizava a execução de exercícios que exigiam um alto grau de concentração. As actividades propostas foram realizadas em espaços mais amplos, duração mais alargada, maior número de jogadores implicados, o que propiciou, desta forma, uma vivenciação dos grandes princípios do modelo de jogo proposto pelo treinador.

No caso específico deste treino, os exercícios privilegiaram a organização defensiva e ofensiva colectiva. Alguns dos aspectos principais trabalhados nesta sessão de treino foram a sincronização ofensiva da equipa com esta em posse de bola, o comportamento defensivo na saída de bola com a equipa sofrendo o pressing alto zonal, pressing alto zonal por parte da equipa que não detinha a posse de bola, acertos posicionais com relação ao sistema utilizado pelo treinador (1-4-4-2, com a formação de um losango no meio de campo), dobras e circulação de bola, por exemplo. As ditas técnicas básicas (passe, recepção, desarme, finalização, cruzamentos, domínio da bola, drible, etc) inerentes ao futebol foram treinadas no contexto táctico.


Esta unidade de treino pode ser caracterizada como um regime de dinâmica específica, pois o trabalho de alicerces de organização defensiva e ofensiva, a transição ataque-defesa, a transição defesa-ataque – e sua articulação, exigiam um alto grau de concentração aos jogadores, fazendo com que os mesmos assimilassem de forma específica aquilo que teriam de fazer em termos defensivos e ofensivos no jogo propriamente dito.

No microciclo semanal de treino esta unidade pode ser considerada como a mais desgastante, dado o cansaço mental-emocional provocado pela complexidade decisional das acções no vivenciar dos grandes princípios de jogo.


Aquecimento:

Infelizmente neste treino cheguei 15 minutos atrasado por perder a boleia do Professor Guilherme por um descuido momentâneo. Tive que ir ao centro de treino de metro e camioneta. Sendo assim, não pude acompanhar os exercícios de aquecimento realizados neste dia.


Flexibilidade:


Infelizmente neste treino cheguei 15 minutos atrasado por perder a boleia do Professor Guilherme por um descuido momentâneo. Tive que ir ao centro de treino de metro e camioneta. Sendo assim, não pude acompanhar os exercícios de flexibilidade iniciais realizados neste dia.


Primeiro Exercício:


Este exercício visava principalmente o treino de circulação de bola tendo em vista os fundamentos de passe, recepção e domínio de bola. Os aspectos tácticos trabalhados foi a realização de tabelas no meio campo, tendo como pano de fundo o modelo de jogo estabelecido pelo treinador. Teve-se o cuidado de trabalhar a bi-lateralidade, sendo exigido dos jogadores que estes fizessem o exercício no sentido horário e anti horário.

Assim, um losango era demarcado através de discos e duas estações iniciais eram demarcadas na linha de cada ponta do losango. Os jogadores posicionados na estação inicial realizavam passe para os que estavam alocados na ponta do losango, estes recebiam a bola e giravam para efectuar o passe para o companheiro posicionado na extremidade do losango (foi realizado passe em um primeiro momento para a extremidade direita e em um segundo momento para a extremidade esquerda). Os atletas posicionados na extremidade executavam o passe em direcção ao centro do losango para que os jogadores da ponta pudessem vir de encontro com a bola, estes ao encontrar com a bola no centro do losango à lançavam, em profundidade para o atletas da extremidade que agora iriam se posicionar na segunda estação inicial. Concluindo, portanto, uma tabela entre os jogadores das estações da ponta e da extremidade do losango. Os jogadores realizavam sempre um rodízio entre as estações demarcadas através dos discos. A ordem era: primeira estação inicial – ponta do losango – extremidade direita/esquerda do losango – segunda estação inicial.



 
Flexibilidade:


Na fase de recuperação dos jogadores aos exercícios anteriores, Raul conduziu exercícios de flexibilidade, a execução dos mesmos teve duração de aproximadamente 3 minutos. A realização do alongamento estático tinha duração de 20 a 30 segundos por exercício.

Grupo muscular alongado:
• Posterior de coxa (membros em total abdução com as mãos tocando se possível o solo através de uma flexão de tronco);

• Tríceps sural e posterior de coxa (perna estendida e pés em dorsiflexão acentuada; mão correspondente à perna estendida segurava o pé em flexão dorsal; a outra perna se encontrava semi-flexionada);
• Abdutores e Adutores;

• Quadríceps (contacto de um joelho com solo; outra perna em posicionada em 90º fémur-tíbia, com os pés apoiados no chão; a mão segurava o pé correspondente a perna que tinha a articulação do joelho apoiada no chão).



Orientação do treinador aos jogadores em relação à segunda parte do treino:

Introdução aos jogadores a respeito do início do trabalho de dinâmica específica. Esta orientação teve uma duração de aproximadamente 4 minutos.



Segundo Exercício:

Este exercício, essencialmente tinha por objectivo a sincronização da equipa e o seu posicionamento/comportamento quando em posse da bola. Foi preconizada a táctica de organização ofensiva neste treino posicional. Ainda, as jogadas em profundidade, o cruzamento à área, penetração de jogadores e finalizações foram treinados em perspectiva da táctica ofensiva empregada pela equipa.


Os jogadores foram dispostos em campo de jogo formando um 10X1, ou seja, não havia oponentes, somente o trabalho de organização da equipa estando esta em posse de bola. O único jogador que tentava evitar o golo da equipa era o guarda-redes. Os atletas eram sempre instruídos à circular a bola, esta em nenhum momento parava no pé de algum jogador.

Foram formadas duas equipas de jogo, actuando estas, uma em cada metade do campo. Em uma metade o Professor Guilherme foi quem conduziu o treino, na outra o Professor Paulinho Santos é quem tinha a incumbência de orientar os jogadores. Como haviam apenas 19 jogadores treinando, o Professor Raul ocupou a posição de defesa direito de uma das equipas.


O treinador principal sempre instruía os jogadores a atentar para a qualidade dos passes e das finalizações, ainda requeria dos atletas trocas posicionais constantes para facilitar a infiltração pelas laterais do campo. Foram realizados duas séries de 5 minutos, com troca de campo das equipas no fim de cada tempo.

Como não poderia ser diferente a equipa era disposta de forma aberta a fim de ocupar com máxima eficiência toda a largura do campo de forma a facilitar as jogadas pelas laterais de campo.


Muitos erros de finalização foram observados e os jogadores ao final foram repreendidos quanto a qualidade observada nesta unidade de treino.




Organização ofensiva, Organização defensiva, Transição ataque – defesa, transição defesa – ataque, com confronto de duas equipas.

Terceiro Exercício:



Tal exercício tinha por principal característica o trabalho de dinâmica específica de jogo, por este motivo era de vital importância a total concentração dos jogadores em todo momento da actividade. Os jogadores foram divididos em duas equipas de dez jogadores (novamente Raul assumiu a posição de defesa em uma das equipas dado o número impar de jogadores no treino). Havia uma equipa preocupada em realizar a transição defesa – ataque e outra tinha por objectivo retomar a posse da bola através do pressing alto zonal. Sendo assim, uma equipe em posse de bola deveria sair para o jogo estando sobre pressão constante e a outra deveria retomar a posse de bola e efectuar a finalização quando possível. As duas equipas foram organizadas segundo o sistema de jogo 1-4-4-2 em losango. Podia-se observar que quando a bola era colocada no meio, o losango da equipa que não detinha a posse de bola, esta se fechava realizando um pressing zonal no pivô da equipa adversária. O trabalho de circulação de bola era constante com sucessivas viradas de jogo e passes a longa distância.

Quando a bola estava na lateral de campo, cabia ao jogador do meio decidir ou não pelo pressing porém não se podia deixar que a bola fosse passada para frente. Já que se a bola fosse passada ao meio, uma dobra era passível de ser realizada.


Esta actividade teve duração de aproximadamente dez minutos.




Nova orientação do treinador:

O treinador agora transmitiu informações aos jogadores a cerca do segundo exercício essencialmente de dinâmica específica a ser realizado. Esta foi uma orientação relativamente rápida pelo exercício ser semelhante com o último executado.

Quarto Exercício:


A actividade referida, como a última executada nesta sessão de treino, era de carácter essencialmente de dinâmica específica, sendo requerido, ainda, um alto grau de concentração por parte dos jogadores. Diferente do outro exercício, agora a posse de bola é da equipa que se encontra no sector ofensivo de jogo (equipa azul). Cabia a equipa que estava na zona defensiva retomar a posse de bola (equipa amarela).

Assim, a equipa azul primava pela circulação constante da posse de bola e se posicionava no terreno de jogo de modo bem aberto, ocupando toda largura do campo afim de facilitar as infiltrações pelas laterais no adversário. O objectivo era finalizar ao golo quando possível. À equipa amarela restava fechar-se no campo defensivo e realizar o pressing zonal para retomada de bola.


Este exercício também durou cerca de dez minutos e as equipas tinham dez jogadores, com os adjuntos Paulinho Santos (defesa direito) e Raul jogando (extremo direito) para cada uma das equipas. A equipa azul iniciava o jogo com a posse de bola através do guarda-redes, obrigando este a saber como jogar com os pés.




Parte Final:

Treino de flexibilidade. Execução de alongamentos passivos, através do auxílio dos companheiros. Trabalho de abdominal (recto e oblíquo) e de lombar. Alguns jogadores também executaram flexão de braço. Início: 17:11 e fim às 17:30.






Abraço

Luis Esteves


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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFIGA

PIVETTI, Bruno Marques Fernandes; RELATÓRIO DE ESTÁGIO NOS JUNIORES DO FC PORTO - ESCALÃO SUB 20-A - Ministrado pelo treinador José Guilherme Oliveira. Porto - Portugal. 2006

segunda-feira, 22 de março de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - SEGUNDA-FEIRA

Acredito que consegui corrigir o erro de configuração que estava me atrapalhando no blog.

Então iniciarei a semana de treinos, seguindo o que havia dito, vou reproduzir uma semana de treino com imagens do FC Porto- categoria Junior, que tinha na época José Guilherme Oliveira como treinador. Este é um dos treinadores que representam a Periodização Tática hoje a n´vel competitivo e acadêmico, ao qual acredito que seja uma das melhores referências para os treinadores que querem entender a Perodização Tática no contexto da sua operacionalização.

Para relembrar, existe um morfociclo padrão, ele é adaptável a quantidade de jogos, vamos usar o padrão para 1 jogo em cada fim de semana. Esta semana começa na segunda, pois o jogo será no sábado, portanto segue a dinãmica Segunda, Terça, Quarta, Quinta e Sexta como dias de treino. Em uma semana normal se treinaria de terça a sábado, para jogar Domingo.

Relembrando a configuração do dia: Sub-princípios e Micro-Princípios através de dinãmica de recuperação ativa.

 


Através da recuperação ativa psicológica e emocional, com situações de curta duração, baixa complexidade e bastante intervalos de recuperação ativa, com alongamentos e hidratação por exemplo.


Exemplo de sessão de treino:


TREINO 1: 13/03/06 – SEGUNDA FEIRA


Narração: Bruno Pivetti

Devido ao jogo no Sábado (11/03/06), o treino deste dia foi de carácter recuperativo, ou seja, seguida a recuperação passiva realizada no Domingo, no dia de hoje objectivou-se recuperar os atletas de forma activa em especificidade (em contexto táctico).

Foram observados exercícios de complexidade de baixa a moderada, sem no entanto, deixar a perspectiva de modelo de jogo do treinador em segundo plano, obedecendo a lógica da alternância horizontal em especificidade. Desde já observamos a execução do modo de treino intitulado “Periodização Táctica”, uma vez que os jogadores foram sempre incentivados a pensar o jogo de forma colectiva e a organização da equipa em terreno de jogo era uma constante observada nas actividades.

Em suma podemos dizer que os jogadores pareciam descobrir uma forma própria de jogar, sendo no fundo guiados pelo modelo e princípios de jogo previamente elaborado pelo treinador. Sendo assim, depreendemos uma hierarquização dos princípios e sub princípios de jogo, uma progressão complexa específica do que o treinador almejava para equipa.

O treino começou pontualmente às 16 horas e terminou de forma efectiva às 17 horas e 16 minutos. Sendo que a parte final foi conduzida até às 17 horas e 30 minutos. O local onde se deu esta unidade de treino foi no relvado sintético. O treino foi formado por 19 jogadores, sendo dois guarda-redes. Os guarda-redes realizaram o treino táctico técnico em conjunto com os demais jogadores, só no treino de finalização é que diferenciaram-se em função dos atletas de linha. Dois jogadores treinaram em separado devido a lesões.


Aquecimento:

O aquecimento teve duração de dez minutos no total e foi conduzido pelo treinador adjunto Raul. Enquanto os jogadores se aqueciam o treinador permaneceu na linha da intermediária acompanhado por dois outros treinadores adjuntos.




Exercícios:



• Corrida descontraída a volta da grande área;


• Alongamento dinâmico dos membros inferiores (elevação dos membros inferiores com rotação interna – dois para um lado e dois para outro);


• Corrida lateral (dois para um lado e dois para outro);


• Corrida de costas;


• Corrida em zig-zag.


Obs: As trocas de exercícios eram realizadas em resposta a um estímulo sonoro (palmas).


Flexibilidade:



Os exercícios de flexibilidade foram propostos por Raul e a execução dos mesmos teve duração de aproximadamente 3 minutos. A realização do alongamento estático tinha duração de 20 a 30 segundos por exercício.

 
Grupo muscular alongado:
 
• Posterior de coxa (membros em total abdução com as mãos tocando se possível o solo através de uma flexão de tronco);



• Tríceps sural e posterior de coxa (perna estendida e pés em dorsiflexão acentuada; mão correspondente à perna estendida segurava o pé em flexão dorsal; a outra perna se encontrava semi-flexionada);



• Abdutores e Adutores;



• Quadríceps (contacto de um joelho com solo; outra perna em posicionada em 90º fémur-tíbia, com os pés apoiados no chão; a mão segurava o pé correspondente a perna que tinha a articulação do joelho apoiada no chão).


Orientação do treino:






Dados introdutórios e explicações sobre o conteúdo do treino expostos pelo Professor José Guilherme aos jogadores.




Primeiro Exercício:






Objectivos: treinar recepção e passe. A recepção era efectuada de forma a dinamizar o serviço do passe (os jogadores recebiam já direccionando a bola para execução do passe).


O exercício era realizado em dois losangos dispostos ao longo de meio campo de jogo. A demarcação foi efectuada através de discos laranjas e azuis. Em cada estação (formada por um disco) ficavam dois jogadores. Os passes eram executados para a estação disposta em diagonal e o jogador que recebia a bola, dinamicamente realizava o passe para a estação diagonal seguinte. A ordem do losango foi seguida no sentido horário e anti horário.

Segundo Exercício:





A ideia desta actividade era a mesma da primeira, diferenciando-se pelo aumento do grau de dificuldade e complexidade. Houve uma interrupção por parte do treinador que não admitia os erros iniciais (dificuldade de assimilação) observados por parte dos jogadores. Uma cobrança por qualidade e atenção foi efectuada.

Agora o jogador 1 passava a bola para o companheiro disposto na estação diagonal esquerda (jogador 2), estes ajeitavam a bola ao centro para o jogador 1. Então um passe era efectuado ao jogador (3) disposto na ponta extrema do losango, este passava para a estação diagonal esquerda e o jogador 4 finalmente enviava a bola, através de um passe longo, para o jogador posicionado na ponta extrema do losango posicionado ao lado.


Interrupção do treino (descanso – flexibilidade)


Conduzida por Raul – uma palma: troca de exercícios; duas palmas: término da sessão de flexibilidade.


Grupo muscular alongado:

• Posterior de coxa (membros em total abdução com as mãos tocando se possível o solo através de uma flexão de tronco);



• Tríceps sural e posterior de coxa (perna estendida e pés em dorsiflexão acentuada; mão correspondente à perna estendida segurava o pé em flexão dorsal; a outra perna se encontrava semi-flexionada);


• Abdutores e Adutores;


• Quadríceps (contacto de um joelho com solo; outra perna em posicionada em 90º fémur-tíbia, com os pés apoiados no chão; a mão segurava o pé correspondente a perna que tinha a articulação do joelho apoiada no chão).


Novas instruções:

Circulo de jogadores ao centro do gramado.


Terceiro Exercício:



Aumento maior da complexidade. Exercício de carácter abrangente, trabalho de passes, recepções, jogo em profundidade pelas laterais, cruzamento e finalização. Trabalho do sincronismo da equipa, guia para o funcionamento colectivo da mesma.


Segundo os princípios da Periodização Táctica os jogadores devem saber sobre o saber fazer, ou seja, devem guiar suas acções com base nas funções e comportamentos dos companheiros, segundo o modelo de jogo estabelecido pelo treinador.


Com base em minha opinião este foi um exercício de organização ofensiva pelas laterais do campo. Sendo a jogada iniciada nas laterais da porção central do campo e o cruzamento efectuado na lateral profunda oposta ao início da jogada.


Quarto Exercício:


Objectivo semelhante ao primeiro, porém, agora, via-se uma entrada pelos centrais e estes realizavam passes directamente para os médios ou pivôs. Era função dos jogadores analisarem a melhor opção e executarem a solução motriz segundo a estratégia definida pelo mesmo. O treinador aqui estabeleceu um certo grau de liberdade aos jogadores, para que estes pudessem desenvolver não só o tempo de realização de um determinado gesto, como também a tomada de consciência e decisão para a realização do mesmo. Podemos dizer que os jogadores descobrem por si só a maneira de se jogar para a equipa, através de uma descoberta guiada pelos princípios de jogo e treino do treinador.



Pausa no treino e troca de baliza (treino de flexibilidade):

Enquanto os jogadores, orientados por Raul, realizam nova sessão de flexibilidade, o Prof. José Guilherme prepara novo exercício. Nova orientação.



Quinto Exercício:

Exercício de carácter de organização ofensiva, incluindo cruzamentos curtos e finalizações há curtas distâncias da baliza. Dois jogadores permaneciam dispostos na lateral do campo na altura da grande área. Um realizava passe para o outro e este executava um cruzamento para área. Três jogadores entravam na área para finalizar, um na primeira baliza, um na segunda e um pelo centro. Em um primeiro momento os cruzamentos eram executados ao chão e em um segundo momento a trajectória da bola era aérea.

Podia-se observar a execução de corta-luz, rebotes dos guarda-redes, e muitas outras estratégias de finalização. O modo como se finalizava era particular em cada caso. Cabia os jogadores se comunicarem e acharem o melhor modo de arremate à baliza. Houve três trocas entre a dupla de jogadores que preparava os cruzamentos, demonstrando uma variação de função.


Parte Final:

Treino de flexibilidade. Execução de alongamentos passivos, através do auxílio dos companheiros. Trabalho de abdominal (recto e oblíquo) e de lombar. Alguns jogadores também executaram flexão de braço.

OBSERVAÇÕES - Luis Esteves:

-  Neste dia os exercícios são de curta duração de 3 a 5 minutos em média, com intervalos de recuperação relativamente iguais ao tempo de execução, com alongamento ou hidratação. recuperação fisiológica e Mental, esta mais lenta, só estará relativamente recuperada pela quarta-feira (no caso deste morfociclo que iniciou segunda).

- Nota-se a falta de oposição nos exercícios, a progressão de situações relaticas a circulação curta em losango, a aquisição do hábito do jogo de aproximações com passes curtos frontais e diagonais, situações relacionadas a exercícios quase analíticos para a melhora gestual de finalização, passes, domínios, etc, com ganhos de confiança sem a complexidade do adversário.

- Alguns exercícios, coloquei o desenho de forma não idêntica ao proposto, pois vai muito da interpretação e do que eu pretendo para o exercício, porém todos são direcionados a mesma situação.

- Todo o texto relatado por Bruno Pivetti.

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Abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFIGA

PIVETTI, Bruno Marques Fernandes; RELATÓRIO DE ESTÁGIO NOS JUNIORES DO FC PORTO - ESCALÃO SUB 20-A - Ministrado pelo treinador José Guilherme Oliveira. Porto - Portugal. 2006.