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quarta-feira, 21 de abril de 2010

EXERCÍCIO - PRESSÃO

“Quando vemos os avançados a correr tanto,
a disputar cada bola como eles o fizeram,
isso levou-nos a dar o nosso melhor também” 
Esteban Cambiasso
Após o jogo - FC Internacionale 3x1  FC Barcelona

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EXERCÍCIO - PRESSÃO


Consiste em deixar a defesa da equipe verde sair jogando, e assim que o primeiro toque do goleiro for dado deve-se pressionar todos os jogadores na zona do QUADRADO em que se encontra a bola. Princípios Importantes:

Organização Defensiva: Pressão zonal alta
Transição Ofensiva: Retirada da pressão com abertura máxima no campo
Organização Ofensiva: Posse e Circulação buscando espaços para finalização
Transição Defensiva: Reconpactação rápida

A equipe Verde, com 6 jogadores pode sofrer variações com o aumento da complexidade, de 6 para 8, 9, ou 10, depende da progressão que se deseja para a equipe, ou do nível que se encontra a equipe.

Grande abraço
Luis Esteves

quinta-feira, 11 de março de 2010

MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - Parte 1

"Todo o organismo é movido por uma tendência inerente a desenvolver todas as suas potencialidades e a desenvolvê-las de maneira a favorecer sua conservação e enriquecimento. (...) A tendência atualizante não visa somente (...) a manutenção das condições elementares de subsistência como as necessidades de ar, alimentação, etc. Ela preside, igualmente, atividades mais complexas e mais evoluídas tais como a diferenciação crescente dos órgãos e funções; a revalorização do ser por meio de aprendizagens de ordem intelectual, social, prática..."


(Rogers, 1977).



Já fiz um post parecido com este.


Bom, vamos a montagem de uma semana de treinos, dentro de uma perspectiva do que eu considero Periodização Tática e do que normalmente faço no dia á dia mesmo, é a teoria da prática.


Montar uma semana, ou periodizar, ou planejar, ou pensar, seja lá como chame, é muito complexo, porquê depende de algumas variáveis, dentre elas o modelo de jogo. Algumas pessoas podem ler isto, e copiar, o que eu não acho errado, pois eu copio muitas coisas também, porém sempre colocando minha contribuição junto, já que como diria o Mourinho, " a cópia nunca é tão boa quanto a original", portanto, melhor que copiar, é entender, pensar e produzir. Mas vamos lá.


Para tentar programar esta semana, vamos seguir os seguintes passos (este post será longo hehehe):


- Definição de um modelo de jogo

- Exemplo de um jogo

- Exemplo de planejamento de treinos da semana, conforme um morfociclo de 1 jogo


Sendo para isso, preciso definir um modelo de jogo, vamos a ele então, de forma simplificada, tentando definir nos momentos os princípios e sub-princípios.


MODELO DE JOGO


Definindo modelo de jogo: Modelo de jogo pode ser considerado como conjunto de comportamentos idealizados por nós que desejamos ver nossa equipe realizar durante o jogo, dentro de todas as dimensões que o futebol apresenta, sendo elas tática, técnica, psicológica, física dentre outras que também podem ser inseridas nestas, ou podem ser valorizadas tanto quanto estas, a exemplo das dimensões afetiva, e social.



"Entendendo Modelo de Jogo como uma ideia / conjectura de jogo constituída por princípios, sub-princípios, sub-princípios dos sub-princípios..., representativos dos diferentes momentos / fases do jogo, que se articulam entre si, manifestando uma organização funcional própria, ou seja, uma identidade. Esse Modelo, como Modelo que é, assume-se sempre como uma conjectura e está permanentemente aberto aos acrescentos individuais e colectivos, por isso, em contínua construção, nunca é, nem será, um dado adquirido. O Modelo final é sempre inatingível, porque está sempre em reconstrução, em constante evolução. "

José Guilherme Oliveira


É importante definir que, todo e qualquer treinador tem um modelo de jogo, mesmo que não saiba que tenha, pois qualquer comportamento apresentado por uma equipe leva a um modelo, existem modelos mais e menos evoluídos, dentro de uma filosofia de qualidade, mas não sei se pode-se definir uma escala, o mais evoluído de hoje, pode não ser o de amanhã, hoje posso citar como modelo de jogo evoluidíssimo, o do FC Barcelona.


ORGANIZAÇÃO OFENSIVA





Acredito que hoje, este é o futebol mais evoluído, dentro da minha filosofia de jogo de futebol.


Bom, para entender como se monta um modelo de jogo, você tem que entender que, para facilitar a análise do jogo de futebol, alguns pensadores do jogo nos proporcionaram uma boa ideia, dividiram o jogo em MOMENTOS. Estes momentos são:


- Organização Ofensiva

- Transição Defensiva ou Ataque/Defesa

- Organização Defensiva

- Transição Ofensiva ou Defesa/Ataque


Estes momentos acontecem a todo momento no futebol, as vezes de forma cíclica, as vezes não, por exemplo:


Sua equipe tem a posse de bola em uma zona de ataque, ela esta em ORGANIZAÇÃO OFENSIVA, porém ela circula e em determinado momento perde a posse, neste momento ela entra em TRANSIÇÃO DEFENSIVA, após isso ela reage de determinada forma a esta transição e de algum modo rouba novamente a bola, ela acaba de entrar em TRANSIÇÃO OFENSIVA, a partir daí ela terá um comportamento que irá acarretar na ORGANIZAÇÃO OFENSIVA novamente.


Também vale citar um ponto colocado pelo José Guilherme, quanto as possibilidades de fragmentação dos momentos entre:


- individual;

- sectorial (ou grupal);

- intersectorial;

- colectiva.

Então partindo destes momentos, iremos estabelecer o comportamento que queremos para a equipe, mas antes deve-se levar em conta os seguintes critérios para a definição de um modelo:


- Estrutura do clube ou local

- Histórico do clube ou local

- Objetivos do clube

- Grupo de jogadores

- Comissão técnica

- Competições

- Categoria


Porquê é importante levar isso em consideração, por que muitos ao assumir um time pequeno assistem a jogos da Uefa Champions League e querem reproduzir o mesmo modelo de jogo (um modelo de jogo similar, pois o mesmo nunca será possível) não levando em consideração que esta batendo de frente com estes critérios de escolha de modelo, o que acaba levando ao fracasso e a uma frustração muito grande, e o pior, as vezes levando a demissão.


Bom, vou definir um modelo básico, e muitas vezes o básico é o melhor para o entendimento dos jogadores, é natural reações emocionais dos jogadores quando se trabalha nessa perspectiva, muitos não assimilam, não entendem e isso gera emoções negativas, e reações agressivas, portanto deve-se levar isso em consideração até mesmo como prevenção de possíveis problemas relacionais, mas este é outro assunto.


Vamos ao modelo :


Vou pegar o exemplo do meu time do ano passado.


Estrutura do clube:


A estrutura do clube era precária, tínhamos um campo de treino, ao qual utilizávamos pela parte da manhã, alguns treinos eram a tarde no próprio clube.

Histórico do clube:


O clube se encontra na 2ª divisão do estado, e no ano anterior havia sido vice-campeão gaúcho júnior, o que aumentou bastante a responsabilidade do grupo, e da comissão, entrei apenas ao término da primeira fase , onde surpreendentemente o clube acabou em 1º lugar, deixando clubes mais estruturados atrás.


Objetivos do clube:

Ser campeão gaúcho junior.
Vender jogadores jovens.
Grupo de Jogadores:


Era um time de boa qualidade, tinha uma mescla boa de técnica e pegada.

também tinha a característica da união, cobrança positiva e da auto-motivação.

Tinha cerca de 33 Jogadores, 3 por posição.


Portanto a escolha dos atletas dentro das limitações é muito importante e tem que ser congruente a uma filosofia, eu por exemplo queria uma equipe com posse de bola, com circulação, com amplitude e profundidade, com mobilidade ofensiva, com pressão,


Comissão Técnica:


Tínhamos uma comissão técnica composta por:


Treinador

Preparador Físico

Preparador de Goleiros


Competições:


Campeonato Gaúcho Júnior


Baseado nesta ideia montamos um modelo de jogo bem comum, e bem utilizado hoje:


OBSERVAÇÂO: O modelo segue uma organização fractal de princípios, hierarquizados de forma a levar em consideração a importância do comportamento. A palavra fractal tem o significado de Fragmento, portanto o modelo de jogo é fragmentado em ordem, posteriormente para poder ser treinado de forma contextualizada, só assim não é mais abstrato como normalmente se é em outras definições.
É IMPORTANTE SALIENTAR QUE, QUANDO SE MONTA DETERMINADO MODELO DE JOGO, DEVE-SE SEGUIR UMA LINHA ÚNICA, SEM PRINCÍPIOS QUE BATAM CONTRA OUTROS PRINCÍPIOS, ISSO GERA UM PROBLEMA GRANDE DE ASSIMILAÇÃO!
ORGANIZAÇÃO OFENSIVA:


Princípio: Posse e circulação de bola

Sub-Princípio: Equilíbrio Posicional = Amplitude e profundidade

Sub-Princípio de Sub-Princípio: Antecipação do pensamento pelo mapeamento tático da equipe = VELOCIDADE COLETIVA

Sub-Princípio: Técnica do passe e domínio.



Princípio: Mobilidade Ofensiva

Sub-Princípio: Zonas de Criação

Sub-Princípio de Sub-princípio: Utilização do espaço entre as linhas adversárias.


Princípio: Preparação para a Finalização

Sub-princípio: Momentos da finalização

Sub-princípio de Sub-princípio:

1- Abertura de espaços

2- Visualização dos espaços

3- Utilização dos espaços / passe

4- Finalização


TRANSIÇÃO DEFENSIVA:


Princípio: Pressão imediata a perda da posse

Sub-Princípio: Direcionamento da bola para a zona mais adequada a pressão.

Sub-princípio de Sub-princípio: Movimentação Diagonal



ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA:


Princípio: Compactação

Sub-Princípio: Fechamento de linhas e definição de bloco de pressão.

Sub-princípio de Sub-princípios: Aproximação e Equilíbrio entre as linhas


Princípio: Pressão

Sub-Princípio: Pressão zonal

Sub-princípio de sub-princípio: Definição do tipo de pressão nos 3 ou 4 setores do campo.

Sub-Princípio: Desarme

Sub-princípio de sub-princípio: Técnica do desarme.



TRANSIÇÃO OFENSIVA:


Princípio: Valorização da posse da bola e retirada da zona de pressão.

Sub-princípio: Mecanismos de saída

Sub-princípio de sub-princípio: Articulação intersetorial entre defesa e meio ou defesa e ataque.


A partir daí se repetem os momentos.



Bom, encerro aqui esta primeira parte, no próximo post coloco uma simulação de problemas apresentados no jogo, e um exemplo de morfociclo.



Abraço.

Luis Esteves



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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


OLIVEIRA, José Guilherme; Organização do jogo de uma equipa de Futebol. Aspectos metodológicos na abordagem da sua organização estrutural e funcional. PDF. 23 Páginas. Sem data.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

MECANISMO DE INTERCONEXÃO DE SETORES

“ Quem só teoriza, não sabe. Quem só pratica, repete. O saber nasce da conjugação da teoria e da prática.”

Manuel Sérgio


O objetivo deste tópico é colocar um mecanismo simples de conexão de setor. Quando estamos com a bola no setor defensivo, com um dos zagueiros por exemplo, muitas vezes vemos uma circulação horizontal, que é boa, porém o objetivo do jogo é progredir com a bola, até o gol adversário, e para isso existem alguns tipos de saída, pelo meio, lado ou longa. Aqui vou colocar um exemplo simples de saída pelo meio que costumeiramente se pode ver o FC Barcelona fazendo, é bem simples. Porque se chama mecanismo? porque é uma movimentação coletiva previamente treinada, porém não mecãnica, ela depende da situação que ocorre, a qual não temos como prever exatamente, mas podemos tentar prever as hipóteses, preparando a decisão correta para acontecer, como disse não existe somente este tipo de conexão, pode-se fazer o mesmo com o lateral, ou com um atacante buscando, ou com uma bola cavada no fundo, tanto faz, mas vamos ao exemplo.

MOMENTO: Transição Ofensiva (Ao retomar a bola)
PRINCÍPIO: Retirada da bola da zona de pressão (Setor defensivo)
SUB-PRINCÍPIO: Mecanismo de Interconexão de setores

Aqui se vê a equipe posicionada com setores demarcados para melhor entendimento.


O Momento é a Transição Ofensiva, considero a equipe chegando a Organização Ofensiva apenas após a retirada da bola da zona de pressão, antes disso ainda considero Transição Ofensiva, mesmo que fique vários segundos com a bola. No caso o zagueiro direito, ou Zagueiro Central (2) está com a bola e fará a retirada da mesma do setor de pressão, para isso precisa de uma aproximação do volante do seu lado, o que eu chamo de Busca da bola.


O volante busca, ele pode receber ou não. Se receber a bola desmarcado vira e conecta o setor de meio ao ataque, ele pode também apenas chegar tocando, ou como se fala em campo, carimbando a bola e retornando ela devolta ao zagueiro, ao fazer isso ele muda a direção, e busca uma diagonal ofensiva, abrindo um espaço onde estava ocupando.



Gera-se então um espaço vazio, este espaço poderá ser ocupado de diversas formas, uma delas é a nossa prevista aqui, outra poderia ser a saída do próprio zagueiro com a bola, poderia ser a busca do meia paea receber.




No caso utilizaremos o volante do lado oposto para ocupar este espaço e fazer a conexão do setor, ele recebe, desmarcado e vira, conectando o meia ou o volante.




Movimentação triangular dos jogadores de Meio, por alguns instantes existem dois meias, após determinada definição de lance volta-se aos dois volantes.





Movimentação ocorrida, conexão feita, a partir daí entra-se em novos princípios.

Abraço.
Luis Esteves

terça-feira, 17 de novembro de 2009

EXERCÍCIO ESPECÍFICO

"Não acredito, no futebol de hoje, em equipes bem fisicamente e outras mal. (...) há equipes adaptadas, ou não, a forma de jogar do seu treinador. O que nós procuramos é que a equipe consiga se adaptar ao tipo de esforço que a nossa forma de jogar exige."


José Mourinho
Citado por ROMANO (2007) Página 13


Esqueci de colocar as regras do exercício em espaço longo.

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O objetivo é a circulação qualificada e o jogo apoiado, ou seja com aproximações sem perder a posse, já criando uma mentalidade de recuperação fisica com a posse de bola, variando entre bolas curtas e longas, pois obviamente a circulação curta em um dos quadrados irá por vezes ser contrangida a ponto de ter que acontecer uma virada longa, ai já estaremos a treinar mais um princípio o da abertura, e uma refer~encia de virada, no caso do 4.3.3 os pontas, no caso do 4.4.2 os laterais..ou o jogador que se achar interessante pra isso.

No caso, existem duas goleiras por lado, e apenas 1 goleiro, que tem que defender as duas goleiras, isso também irá gerar uma situação, a de atrair de um lado, para tentar entrar pelo outro... pode-se cortar o campo horizontalmente para efetuar dois tipos de marcação (mas sem desarme, pois o desarme intensifica o desgaste fisiológico) a marcação zona e a pressão com dobras, e as dobras, meu time esta com problema nesse ponto hoje, pressiona em todas as partes, faz faltas próximas a nossa área, pois quer roubar a bola, sendo que entre o jogador e a bola existe o adversário e ele não pode ser encostado para que a bola seja roubada, ai se torna importante a dobra de pressão, que nada mais é do que a pressão vinda do outro lado, portanto é interessante as vezes não pressionar, para haver uma re-organização, seguida de uma pressão bem feita. As linhas definem as zonas em que eles devem realizar cada tipo de marcação.
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Quanto a linha vertical, coloquei ali pelo motivo de, caso se roube a bola (na interceptação apenas, se assim terão que criar linhas de passe ou serão constantemente interceptados) terão que fazer o gol, na goleira contrária ao quadrado que se está, isso obriga a utilização de viradas curtas e longas. Também serve esta linha como guia de compactação em relação a amplitude da equipe, pois é interessante ocupar defensivamente o lado do quadrado em que a equipe está defendendo.
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Ai coloquei 3 times, dá pra fazer até com 4 times, no caso a ideia inicial era que dois times ficassem no campo largo recuperando ativamente, enquanto dois times ficasse, no campo curto em um 5x5, é possível fazer isso também. Fisiologicamente a ideia e estimular a força, colocamos pequenos circuitos de força ao lado dos mini-campos, revezando estímulo específico e estímulo fisiológico, para a recuperação mental e interessante o fisiológico, o campo largo se encarregar-á de recuperar a parte fisiológica depois. Pode-se fazer isso de diferentes formas, ou circula-se as equipes, ou forma-se grupos e ficam certo tempo em cada situação, ver o que é mais interessante.
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NO CAMPO GRANDE, COLOCAR OS PRINCÍPIOS RELATIVOS AO MODELO DE JOGO, ATENÇÃO AO FOCO DO EXERCÍCIO, EM RELAÇÃO AOS TOQUES NA BOLA, EM CAMPO PEQUENO 2 TOQUES (É NECESSÁRIO INTENSIDADE MÁXIMA FISIOLÓGICA NESTA PARTE), NO CAMPO GRANDE LIBERADO, POIS EXISTE A NECESSIDADE DE PENSAR E NÃO É INTERESSANTE USAR A CONCENTRAÇÃO (INTENSIDADE MÁXIMA RELATIVA NOS PRINCÍPIOS) NA CONTAGEM DO NÚMERO DE TOQUES NA BOLA.

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Um abraço
Luis Esteves