Mostrando postagens com marcador Exercício Específico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Exercício Específico. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de maio de 2012

A CONDICIONANTE DO TEMPO E RESULTADO

Fonte: Getty Images

O tempo é um elemento fundamental no futebol. O menuseio do mesmo em treinos, mais especificamente em exercícios nos proporciona determinadas propensões, em qualquer dimensão.

Bem como o resultado, este condiciona comportamentos, condicionamentos estes que podem ser negativos, modificando caracteristicas importantes da equipe e dos jogadores, o que é comum acontecer.
Assistindo o jogo Manchester City x Queens Park Rangers (QPR) pela última rodada do campeonato inglês, mais uma vez percebi a importância da influência do tempo nas ações da equipe, e como isso pode prejudicar ou não o jogo que se idealiza, e principalmente, como a equipe deve estar treinada para saber se comportar sobre a condicionante de estar perdendo, e tendo poucos minutos para empatar ou virar o jogo.

Nesta partida a equipe do Manchester City dependia apenas de uma vitória simples para vencer o campeonato, e a equipe do QPR dependia de uma vitória, ou alguns resultados combinados para fugir do rebaixamento. Estas condicionantes já geram um determinado tipo de jogo anormal para as duas equipes, principalmente para o Manchester City pela contexto histórico de anos sem um título nacional.

Um jogo fantástico pelo que representou e pela forma como terminou. De certo modo nos dá um exemplo para outros setores da vida. Acreditar sempre até o final, adaptando-se a situação, mas sem perder as convicções.



Fonte: Getty Images

Bom, vou publicar dois exercícios em que o tempo é o principal elemento condicionador:
EXERCÍCIO 1
INTERSETORIAL 5 X 5 +G


Exercício de 5 contra 5 + o goleiro, sendo que o objetivo é fazer o gol, e ficar em campo. Pode-se deixar duas equipes por lado, no sentido de ataque contra defesa, ou pode-se colocar uma certa aleatoriedade, ou seja, as equipes que estão fora revezam na entrada, independente do lado, , neste caso a equipe amarela é composta por dois zagueiros, dois laterais e um volante, bem como a equipe azul é composta com dois meias, dois volantes e um atacante.
A regra é simples, determinado tempo é estipulado, podendo variar de acordo com a propensão que se deseja do exercício, sendo que o objetivo da equipe é ficar em campo. Para isso deve fazer o gol primeiro. Outro detalhe é o número de goleiras da equipe defensiva: pode-se reduzir, pois a tendência desta equipe é pontuar mais.
EXERCÍCIO 2
COLETIVO 10 X 10 + G

Este exercício é interessante. Tanto para quem trabalha com muitos jogadores, no caso grupos de 30 atletas ou mais, quanto para quem trabalha com grupo pequeno, com apenas duas equipes. No caso acima esta desenhado o exercício com três equipes, porém pode-se fazer com apenas duas alterando a dinâmica.

O objetivo assim como o exercício acima, é ficar no campo atacando a goleira grande.

Para isso neste caso entra o detalhe da "vantagem" no placar. A Equipe que defende a goleira grande (Amarelo) entra em campo vencendo por 1x0. Para ficar em campo basta segurar o resultado, ou matar o jogo fazendo um gol nas goleirinhas.
Já a equipe verde para ficar em campo deve obrigatoriamente fazer um gol.

Sempre que uma equipe vencer, ou pelo gol ou pelo tempo, ela passa a atacar a goleira grande, se ja estava atacando, permanece atacando. A Equipe que entra de fora, passa a defender a goleira grande e inicia vencendo por 1x0. Ou seja, quem vem de fora do campo sempre tem a vantagem.

Caso só existam duas equipes, a ideia permanece, só revezando quem defende a goleira grande baseado na pontuação.
O tempo também varia, depende dos objetivos do planejamento do treinador.

DETALHES IMPORTANTES

Neste tipo de treino muitas coisas aparecem, dentre elas:

- Formas diferentes de atacar e chegar ao gol baseado na postura do adversário que tem a vantagem;

- Atitude nas transições, normalmente muitas não são coerentes com o resultado, por exemplo é comum a equipe que esta ganhando ter pressa quando recupera a bola;

- Comunicação, existe sempre um certo desespero de quem perde, o que possibilita modelar isso para o jogo;


Grande abraço.
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com







 

sábado, 7 de abril de 2012

EXERCÍCIOS

" Quando eu tinha dezessete anos lembro de ter lido algo como:
"Se você vive cada dia como se fosse o último,
um dia você acerta"
Isto me impressionou.
E desde então ao passar de trinta e três anos,
eu olhei no espelho toda manhâ me perguntando:

Se esse fosse o meu último dia de vida,
eu desejaria fazer o que farei hoje?
Quando a resposta foi não por dias demais,
eu soube que precisava mudar algo."

Discurso de Steve Jobs  para a turma de formandos de 2005 da Stanford University.
______________________________________________________________________

Peço desculpas pelas poucas postagens, mas ultimamente tenho tido menos tempo para elas, porém este blog continuará sempre em atualização mais ou menos regular, não buscando a quantidade, mas sim a qualidade em termos de postagem. Agradeço a todos os que continuam acompanhando este blog.

EXERCÍCIOS

Vou postar três exercícios interessantes que utilizamos nos últimos tempos aqui no EC Pelotas. Créditos ao professor Martinho Inácio (Preparador Físico do EC Pelotas) pela realização dos exercícios, ao qual na verdade se não estão ai da forma original, sofreram pequenas adaptações apenas.

EXERCÍCIO 1

Situação de finalização:

Exercício simples de finalização, em situações diversas. Basicamente três filas de jogadores, cerca de 3 ou 4 por fila, dependendo da recuperação desejada, onde cada fila possui um número, e cada número poe dentro do campo determinada equipe, que podem variar diversos confrontos, dentre eles 1x1, 2x2, 3x3, 2x1, 2x2, 3x2, 3x3, 3x1.



Este exercício exige grande concentração, pois o que define a situação é o comando de voz do treinador. Ao dizer uma sequência de números, determinado grupo de jogadores irá sair e jogar.

Por exemplo: O treinador fala 1, 2, 4, e 6, então estes jogadores saem e jogam.  (Neste caso citado, seria uma situação 3 contra 1).

Bom, vamos ao exemplo do gráfico acima:

No caso ocorreu uma situação de 3 contra 2, onde o time azul possui a superioridade Não considerando o goleiro), desta forma deve atacar a goleira grande. A equipe verde, em inferioridade deve ao recuperar a bola e rapidamente procurar sair da pressão azul buscando uma das goleiras pequenas.

Porém, quando o treinador usar a palavra TODOS, ou até mesmo citar todos os números, ou quando citar sequências em que haja igualdade numérica, como 1x1, 2x2, as duas equipes devem finalizar na goleira grande. No caso de 2x2, ou 3x3 pode-se colocar um número de passes mínimos como 1 ou 2 passes antes de finalizar para haver alguma circulação, ou até mesmo deixar livre para finalizar assim que recuperar a posse da bola.


EXERCÍCIO 2

Retirada da Pressão:

Exercício interessante para buscar uma transição ofensiva rápida e objetiva. Dois grandes grupos com uma goleira no centro do campo, o objetivo é finalizar, porém não antes de uma retirada da zona de pressão no jogador coringa do outro lado, após isso a equipe pode finalizar normalmente.



Exemplo: Acima o grupo verde tem a bola, e neste espaço de campo, a superioridade do coringa (jogador vermelho) é desta equipe, cabendo a estes buscar o gol. Já a equipe amarela deve tentar recuperar a bola e buscar o jogador coringa que esta isolado do outro lado do campo, e a partir dai buscar finalizar ao gol, cabendo ao verde ir recuperar a bola imediatamente.

para haver uma aleatoriedade na disposição dos campos de ataque das equipe, deve-se, a cada finalização, manter a bola com a equipe que finalizou, porém, sempre no outro lado do campo, dessa forma as equipes sempre estarão atacando em campos diferentes, evitando a fixação do campo de ataque e defesa. 


EXERCÍCIO 3

Bobinhos com alternância de campo:

Exercício em que dois, três ou até mesmo quatro campos são colocados em distâncias que podem variar de 10 a 20 metros, até mais dependendo dos objetivos do treino.


Exemplo acima: São neste caso 3 campos, onde jogam 8 jogadores, sendo 3 por fora e 2 por dentro. O objetivo de cada equipe que esta por fora, em cada campo é trocar determinado número de passes, ou simplesmente fazer um passe por dentro da dupla que está no meio, fica a critério do treinador, pois o número de passes estimulará mais a circulação, já a passagem da bola pelo meio, estimulará mais o fechamento de espaços da dupla que defende.

Se algum jogador que esta por fora, errar o passe, imediatamente ele e o jogador ao lado direito devem se deslocar para o campo seguinte, sendo a partir daí a dupla de meio deste campo. Caso o grupo que esta por fora com 6 jogadores consiga o seu objetivo, a dupla que esta no meio deve seguir para o próximo campo e continuar no meio como bobo.

Pode acontecer em alguns momentos uma dupla chegar e outra ainda estar no campo, nesse caso, uma alternativa é um comando de voz da dupla que esta chegando, fazendo imediatamente a dupla que esta dentro, caso ainda não tenha atingido seu objetivo, saia e passe para o outro campo.

 ______________________________

LIVRO


Com enorme satisfação que publico aqui o livro do professor Bruno Pivetti, direcionado especificamente a Periodização Tática. Merece destaque pela qualidade. Já publiquei aqui em 2010 um relatório do próprio Bruno, no qual ele descreve o estágio que fez no FC do Porto com o então treinador e professor José Guilherme Oliveira.


Este relatório pode ser visto em:


Inclusive aproveito para anunciar que em breve estarei publicando uma entrevista com o próprio Bruno Pivetti, relacionada a Periodização Tática e outros assuntos do contexto do futebol.

O livro pode ser adquirido em:


____________________________


TREINADOR DESTAQUE


Gostaria de aproveitar e parabenizar a campanha que o professor Fabiano Daitx vem fazendo no Guarany, clube de Camaquã, pela segunda divisão do estado, onde com uma grande campanha vem liderando seu grupo, a frente de clubes maiores, com mais tradição e investimento que o Guarany. Parabéns Fabiano e a comissão técnica do Guarany, bem como o grupo de jogadores.





__________________________
Um grande abraço
Feliz páscoa a todos.

Luis Esteves

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

AQUECIMENTO


Aquecimento que desenvolvi para jogos. É bastante simples, agradável para os jogadores e funcional para qualquer categoria.

Deve-se no vestiário dividir o grupo de jogo em 3:

5 jogadores de defesa
5 jogadores de ataque
6 reservas
2 goleiros (com o preparador de goleiros, e posteriormente entram em um dos exercícios)

A demarcação de cores irá ajudar a comunicação e a velocidade na troca entre os exercícios, bem como a divisão de equipes no aquecimento.

o Tempo total de aquecimento varia de 20 à 30 minutos, portanto deve-se valorizar mais ou menos determinado exercício de acordo com o contexto em que se encontra, exemplo:

- Clima
- Espaço
- Local
- Tempo disponível

O alongamento ativo estático deve ser rápido, com movimentos de 10 segundos, apenas para um aumento articular, evitando um estiramento grande muscular. O efeito psicológico também é importante, já que alguns profissionais não utilizam o alongamento antes dos jogos, pelos indicios científicos atuais dos prós e contras do mesmo. A colocação do mesmo antes ou depois do alongamento balístico fica a critério de cada um.


 Estrutura geral do aquecimento, com distribuição de campos, bolas e circúito.


+ou- 3 minutos: Primeiro momento, coordenativo para aumento de mobilidade articular, com diferentes movimentos conhecidos pelos atletas. É válido iniciar em movimentos de pouca amplitude e explosão passando gradativamente para movimentos de maior amplitude e explosão muscular.

+ou- 2 minutos: Após este momento, ocorre a primeira parte do alongamento ativo estático, valorizando a musculatura adutora, abdutora e flexora da coxa.

 +ou- 3 Minutos: Segundo momento, circulação livre de passes independente de cor, com muita comunicação e participação em todo o espaço.

+ou- 2 Minutos: Neste mesmo espaço, em um terceiro momento, os jogadores que não irão começar o jogo servirão de apoio segurando as bolas do campo, arremessando-as aos jogadores que irão começar o jogo para que os mesmos cabeceiem de volta, de forma aleatória.

+ou- 2 minutos: Após este momento, ocorre o segundo alongamento passico estático, valorizando a musculatura extensora da coxa, extensores e flexores do quadril, e extensores e flexores da perna.


+ou- 3 Minutos: O próximo momento é dado ênfase a circulação rápida de bola em superioridade, com toque liberado para possiveis fintas ou dribles, porém dando velocidade a circulação da bola. Neste exercício em que 4 ficam por fora e 1 pelo meio, a regra é simples, quem erra o passe vai ao meio, fica mais uma rodada se acontecer um passe cruzado por dentro do quadrado, ou uma troca de passes acima de 10 passes.

O grupo que não inicia o jogo fica com 6 atletas, sendo dois por dentro.


+ ou- 5 minutos: Após isso, as 3 equipes se direcionam para a área onde ocorre um pequeno jogo de 5 contra 5 + 6 apoios. A regra fica a critério do preparador, pode-se utilizar a referência de número de passes, ou a utilização de um apoio pelo menos antes de finalizar, ou até mesmo deixar livre.

+ou- 3 minutos: No último momento os dois grupos que irão iniciar o jogo passam em um circuito de mobilidade e velocidade para uma maior estimulação neural. Os movimentos podem ser variados, porém multidirecionais, utilizando os dois lados, frente e costas.

O grupo que não inicia o jogo vai novamente para o exercício de 4x2.

_____________________________________________________
Grande abraço
Luis Esteves

terça-feira, 7 de junho de 2011

EXERCÍCIO - MANUTENÇÃO DO BLOCO


"Se se pudesse estabelecer uma lista de mandamentos sobre o futebol, um dos primeiros deveria dizer algo como: "A pressão de exercer-se sobre a bola, não sobre o jogador." "
Johan Cruyff - 2002



Um problema que surge com frequência em inicio de trabalhos é a manutenção da proximidade das linhas das equipes, ou seja, um bloco próximo. O que acontece é que quando consegue-se sair de uma zona de pressão, em situações verticais por exemplo, a linha defensiva demora para sair e acaba gerando espaços entre linhas, que dificultam futuramente tanto as ações ofensivas (circulação, retirada da pressão, superioridade na zona da bola, dentre outras) e as ações defensivas (pressão imediata na perda da bola, zona pressionante, etc...) pois não existe proximidade, e as relações entre jogadores ficam muito comprometidas.
.
Este é um hábito muito forte principalmente nos setores defensivos, que tem pouca participação nas ações de ataque, e acabam ficando perto da goleira, para um futuro contra-ataque, não considerando sua importância (goleiros e zagueiros) na construção de jogadas de gol, e na manutenção da articulação dos princípios de organização ofensiva, o que acaba comprometendo a circulação da bola tanto em profundidade quanto em largura, e consequentemente a manutenção da posse da bola.
 .
A orígem deste comportamento para mim tem como fonte a forma de pressão que se utiliza. E é de costume ver as equipes pressionando os jogadores e não a bola, e a sua respectiva zona. Vejamos alguns conceitos sobre pressão e sobre a pressão me bola e no jogador:
.
Pressão = Forma como irá se comportar perante um adversário em situações de 1x1, portanto é uma ação individual, isso ocorre tanto quando se pressiona o jogador, quanto a bola. Tem como objetivo desarmar, fazer errar ou acelerar o processo de ataque, tentando recuperar a bola.
.
Pressing ou zona pressionante = Ação coletiva de pressão em que juntamente com o jogador que tem a bola, a equipe se coloca de forma pressionante, tentando evitar a retirada da bola de determinada zona, estabelecer algum erro, forçar situações para recuperar a bola o mais rápido possível. Existem algumas variantes, inclusive a própria seleção holandesa de 1974 utilizava um pressing individual por setor na maior parte do tempo, do que um pressing zonal, portanto ainda assim havia uma modelação sobre o adversário.
.
Vejamos a diferença entre fazer este pressing sobre a bola e sobre o jogador:
.
Ao pressionar o jogador (os jogadores da equipe quando esta tem a bola, o famoso encaixe) temos o seguinte problema:
.
- Nos modelamos a eles e consequentemente ficaremos abertos, pois as equipes que tem a bola tendem a abrir no campo, se fizermos uma pressão sobre o jogador, por setor, teremos que abrir também.
.
- Nos modelando ao adversário seremos atraidos para zonas favoráveis a ele e isso irá gerar uma abertura de espaço que será futuramente explorada por outros jogadores.
.
- Parece ser mais fácil pois não é necessário grande percepção, basta igualar numericamente por exemplo: 4 no meio para 4, volante com meia, meia com volante. Divide-se a responsabilidade e consequentemente a "culpa" em lances em que determinado jogador estava sem pressão.
.
A pressão sobre a bola permite que:
.
- Crie-se superioridade na zona da bola;
- Permaneça com a equipe organizada em momento defensivo;
- Mantenha os espaços internos do campo protegidos;
.
Parece ser mais dificil pois alguns jogadores estarão "livres". Lógico, se não houver pressão sobre a "bola" existe tempo para tomada de decisão, se não houver dobras existe desequilíbrios quando acontecerem lances em que o jogador da pressão foi superado, o adversário levará vantagem pois poderá retirar a bola da pressão, poderá dar assistências ou ter ações que prejudiquem a nossa equipe, porém isso pode acontecer em qualquer tipo de sistema defensivo, é preciso que a articulação do princípio seja completa.
.
Consequentemente a equipe quando pressiona a bola, tende a sair junta e quando faz a defesa costuma sair em "linha" o que muitas vezes provoca a crítica sobre a "linha burra" que acaba gerando a possibilidade de jogadores adversários saírem na cara do gol sem adversários, pois em um único lançamento pode-se ultrapassar todos os defensores caso estes estejam "em linha".
____________________________________________________


“(...) alguns consideram que o fora de jogo prejudica as equipas mais ofensivas (...). Pessoalmente, a regra do fora de jogo nunca me pareceu um obstáculo ou um instrumento defensivo. Pelo contrário, considero que se trata de uma arma ofensiva, pela simples razão de que te obriga a juntar as linhas da equipa e isso facilita o movimento da bola (...).”

Johan Cruyff
2002
A LINHA DE IMPEDIMENTO
A saída da defesa para esta manutenção do bloco é chamada de "linha de impedimento" o que de fato acontece, mas este não é o principal propósito, é na verdade uma consequência da articulação de sentido do princípio da Posse e Circulação.

O objetivo é exatamente o de manter a equipe próxima no momento da transição ofensiva, mas isso não vale apenas para a defesa, mas também para o ataque em momentos de transição defensiva e organização defensiva. Ao iniciar este processo de saída é aconselhável que a "linha" sirva como estrutura pois dá uma garantia a todos os defensores de que não haverá alguém dando condições de jogo a um jogador mais adiantado com esta postura alta, o que costuma acontecer, e isso exige grande concentração e comunicação, assim como inteligência, o que torna a linha de impedimento burra não é a linha, e sim quem aplica a mesma, principamente sem treinos congruêntes a isso.

Em 1974 Rinus Michels já usava a linha de impedimento, mas sem se preocupar com isso, ela acontecia, mas era na verdade um sub-princípio da pressão que se exercia sobre a bola. Minelli também fez isso no Internacional da década de 70 em que a manutenção da linha era coordenada pelo Figueiroa.
Acho pertinente situar esta "linha". Podemos entender ela como esta estrutura que permite com que a defesa saia em segurança, sem a dúvida de que alguém do setor ficou dando condições, ou podemos entender ela como uma estrutura estática que permite que, com uma simples ultrapassagem todos os jogadores já estejam fora do lance, no setor de defesa, sobrando apenas o goleiro. Então eu vejo dois momentos distintos de aplicação desta linha:


- Na transição ofensiva;
- Na transição defensiva;

Na imagem acima percebemos a linha alta do FC Barcelona em um momento em que houve a superação de um jogador no momento defensivo, o que acaba gerando um desequilíbrio. Neste momento a manutenção da linha pode ser prejudicial, pois certamente uma equipe treinada irá aproveitar a profundidade do campo e jogará ali, como ocorreu neste momento pela Internazionale de Milão.

Neste momento a linha pode se desfazer e a "sobra" torna-se fora da linha, tentando ganhar espaço num futuro lançamento, ou seja, tentar chegar antes, cerca de 2 ou 3 metros de vantagem.

A diferença está em ter ou não a bola, se temos não corremos risco e se não temos, ai, precisamos nos adaptar ao que o adversário nos proporciona em determinada situação. Então a linha de impedimento ao ser usada em momentos de transição ofensiva é totalmente benéfica pois faz parte do processo de manutenção equilibrada do bloco, já quando o adversário tem a bola, para fazer a manutenção desta linha e ser eficiente precisamos perceber se o adversário tem:

- Pressão e condicionamento no homem da bola;
- Liberdade para o homem da bola;

 A verificação da altura desta linha para ocorrer o impedimento varia de acordo com o lance, se há ou não há pressão sobre o homem da bola, se há, manten-se a linha alta, exatamente para haver dobras atrás do homem da pressão na zona da bola, se não há deve haver um retorno visando a profundidade dos lançamentos nas costas da linha, juntamente com o condicionamento de algum defensor mais próximo do lance. Este timing de ficar ou voltar depende da percepção espacial e gestual do adversario e deve ser treinado para melhorar a tomada de decisão neste instante do jogo.


O exercício abaixo propôe a manutenção do bloco, alto e este timing de retorno, quando não há pressão.


Descrição do exercício:

Duas equipes se confrontam em um campo de espaço + ou - 50 x 40 dividido ao meio em que cada equipe tem em seu campo a superioridade de 8 jogadores contra 6.

O objetivo é marcar o gol na transição ofensiva, porém com a condicionante de que para finalizar todos os jogadores já devem estar no campo de ataque. Dificilmente o gol sairá de forma mais rápida, o tempo de saída da zaga e o tempo de chegada da pressão serão mais ou menos iguais, porém o objetivo principal é exatamente:

- Manutenção do bloco próximo na transição, para se caso não finalize inicie um ataque organizado com todos os setores inclusive o goleiro.

- Percepção da linha sobre o lance, para efetuar o retorno no momento da transição defensiva, baseado em haver ou não pressão no homem da bola.

O único jogador que pode jogar fora da delimitação do campo é o goleiro. Este tem papel fundamental na organização defensiva da última linha e na comunicação com a saída do bloco, e até mesmo o aviso da ocupação completa do campo do adversário para que se possa finalizar. Com a bola também tem papel fundamental no inicio da construção do ataque, e como referência de retirada da pressão dos zagueiros e laterais.

Grande Abraço
______________________
Luis Esteves
CREF: 015116-G/RS

sexta-feira, 27 de maio de 2011

CRIAÇÃO E ENTRADA NOS ESPAÇOS

" O futebol que eu defendo se baseia em alguns automatismos coletivos que estão acima das individualidades. 

O que é técnica? Controlar, passar, chutar, cabecear, driblar... E os espaços? Aqueles poucos que, se os tiveres, terás a vantagem. Os espaços Estão ai, mas é preciso cria-los. E para isso precisas dominar a técnica, o jogo de posições e o ritmo da bola. Jogar como equipe é obter o máximo de vantagem para os teus jogadores.Ataca bem e te defenderás com qualidade, atacas mal e sofrerás.

O barômetro esta no meio-campo, é ai que se decide o que fazer, se ataca mais ou menos, se defendes mais avançado ou atrás. Um meio-campo pode atacar e acercar-se da área, mas já não é mais meio campo. Ás suas costas,  outro deve ocupar o espaço que ele deixa. Teu adversário joga com 10. Admitamos uma falta a 30 metros. Poe dois jogadores abertos com possibilidade de receber o passe, o adversário terá de retirar dois defensores de sua área. Abre-se o espaço.

Tudo passa pelo passe simples. Não me refiro ao passe de 60 metros, que são raros, mas do passe fácil, de 10 metros, que esse acontece cem vezes num jogo. Se for feito em dois toques, no máximo, no pé e de frente, a vantagem será tua e o problema do adversário. Mas se receberes devagar e atrás, terás que parar e retroceder para controlar a bola. Adeus aos espaços, adeus as vantagens."

Johan Cruyff
ZERO HORA - Coluna de Ruy Carlos Ostermann
Sábado - 13/03/2004



Uma das coisas mais difíceis para as pessoas que trabalham com o futebol, e para os jogadores principalmente é a percepção do tempo, o tempo de fazer determinada ação. A percepção do tempo está dentro do momento digamos, do antes, do agora e do depois, a duração é relativa.

A maior parte dos jogadores só consegue "ver" o agora, só detecta os acontecimentos quando já estão neles, não conseguem antecipa-los, e essa falta de antecipação, normalmente gera dificuldades, principalmente quando jogamos contra equipes que sabem pressionar (no caso aqui falo do momento ofensivo, mais especificamente da 2ª e 3ª fase de posse e circulação, que seriam CRIAR ESPAÇOS + ENTRAR NESTES ESPAÇOS E FINALIZAR).

Reparei que a maior parte dos atletas só consegue se desmarcar por exemplo, quando são linhas de passe muito evidentes, linhas em primeira estação como dizem os portugueses, ou seja, aquele jogador da posição seguinte - Exemplo: Relação Zagueiro - Lateral.

Existe uma certa dificuldade de prever próximas ações, por exemplo, uma bola em posse com o 1º volante, em que este esteja com o corpo mais propenso a entrar para o lado direito (Jogando em um 1.4.4.2 Losango por exemplo), o atacante do lado esquerdo já ir buscar um ESPAÇO entre linhas que, pode em breve ser aproveitado. O que ocorre é que este jogador só busca um espaço, quando é muito evidente que a bola será passada para ele, e isso acaba sendo sempre uma referência de pressão, o que faz com que este jogador ao receber, tenha a bola sempre de costas, ou seja desarmado, pois a recepção de costas é uma referência de pressão para a maior parte das equipes que tenha a zona pressionante e a pressão como comportamento defensivo.

Portanto torna-se fundamental uma antecipação de ações ofensivas coletivas, com uma grande percepção de ações futuras, baseadas nas ações do momento.

Porém mais importante que perceber isso, é conhecer isso, e os jogadores, em níveis inferiores (Juvenis, Infantis, e até mesmo Juniores,e alguns jogadores profissionais também) não conhecem as possibilidades de criação e aproveitamento dos espaços.

Os espaços em breve serão tema de postagem maior, neste momento vou apenas citar de forma simples em um exercício onde pode-se encontrar espaços por exemplo, em uma linha de quatro jogadores com dois volantes a frente, e alguns comportamentos que ajudam no processo.

Uma questão é importante: Onde estão os espaços?

Para mim os espaços estão entre as linhas do adversário, nos locais não ocupados, no lado contrário ao lance, na profundidade, e a sua criação depende da mobilidade dos nossos jogadores sem a bola.



O jogador com a bola pode criar linhas de passe, fazendo uma condução por exemplo e criando superioridade em outra zona, exemplo: Meia com a bola em condução para a linha de defesa adversária acaba gerando superioridade ou igualdade numérica, princípio fundamental de ataque e defesa.

Lógico que o exercício abaixo proposto pode sofrer diversas alterações, inclusive com uma progressão de "sem oposição" para "com oposição". Porém para "ver" os espaços, acredito primeiro ser interessante retirar a oposição, e quando este entendimento estiver eficiente, ai a criação de oposição será útil, pois exigirá mais timming dos jogadores.

Alguns comportamentos-referência importantes:

- Jogo Frente / Costas: Utilizar esta referência simples de, se receber de costas, servir como apoio para que está de frente, dando velocidade a ação, e evitando a perda da bola por não ter a visão da goleira adversária. Ao ser solicitado neste jogo frente/costas tentar rapidamente criar uma nova linha para novas ações, de preferência de frente para a goleira.

- Jogo Entre Linhas: Utiliza-se essa referência para a entrada entre linhas, entre os setores, nos espaços vazios, de preferência nas costas dos marcadores. Por exemplo: O FC Barcelona faz isso com Messi, jogando praticamente com um 1.4.4.2 Losango, com dois pontas abertos e Messi criando superioridade no meio nas costas dos volantes, gerando 4 jogadores nesta zona. As vezes ele faz isso mais abaixo ainda, trocando de função com outros jogadores do setor. Este é um exemplo de Jogo entre linhas e de criação de superioridade na zona da bola.

- Infiltrações e Ultrapassagens: Situações de entrada nos espaços, de homens vindos de outro ou do mesmo setor para receber a bola em situação de finalização, também conhecido como homem surpresa.

- Mudança de direção com e sem bola: Situações de mudança de direção dos jogadores para receber (desmarcações) e a direção da bola em domínios ou conduções, buscando uma quebra de tendência, consequentemente a previsão do adversario do próximo lance. Para evitar que esta quebra também quebre as previsões da nossa equipe devemos ter um bom jogo posicional, que permite uma previsão de linhas de passe futuras, mais a frente, mais atrás, mais fechadas ou mais abertas.

- Criação de Linhas diagonais: Procurar sempre entrar em situação de progressão. Evitar bolas paralelas, ao lado, onde a bola não progride. Sempre que possível receber a bola uma linha a frente, para conseguir buscar o gol ou a assistência. Porém ai torna-se fundamentar o conceito de zona pressionada, é preciso verificar onde há pressão, e saber se dá ou não para entrar em determinado espaço.

- Cuidado com o tipo de passe, condução e domínio da bola: É fundamental que, para a visualização dos espaços, a bola seja rapidamente recebida, no pé, de preferência o dominante, e a frente, evitando o jogo de costas. O controle da bola, evitando divididas, e a condução se necessária também são importantes.

- Timming: Perceber o melhor momento de entrar, perceber o melhor momento de passar (no pé ou no espaço), onde esperar pela bola, o melhor momento de finalizar, é o timming, que é o segundo exato de fazer a ação, um segundo a mais ou a menos erra-se.

- Ritmo da bola: É fundamental manetra a bola em movimento. Os espaços também são vistos pelos adversários, e são eliminados normalmente quando a bola para, ou seja, os adversários normalmente, quando temos a bola, estão olhando para ela, é o centro do jogo, logo se mantivermos ela em movimento sempre, conseguiremos aproveitar os espaços.

SITUAÇÃO DE JOGO:


Representação da situação de jogo comum, de 5 x 7. Neste caso a superioridade defensiva pode atrapalhar a propensão do ataque em criar as situações de finalização. Então é fundamental em contextos iniciais que ocorra um sucesso maior ao que se quer treinar, gerando uma maior progressão com o desenvolvimento do coportamento desejado.

ALGUMAS POSSIBILIDADES DE AMPLITUDE E PROFUNDIDADE DE JOGO GERADAS  COM A MOBILIDADE DOS JOGADORES DENTRO DA ESTRUTURA:

 Abertura dos atacantes, podendo receber a bola no espaço entre os laterais e os zagueiros.

 Entrada de um volante nas costas do meia, neste caso é necessário um mecanismo de compensação pois o jogador irá se distanciar bastante da sua zona de ação e em casos de contra-ataque poderá haver uma exposição do setor.

 Entrada do meia no espaço entre os zagueiros, recebendo a bola na última linha do adversário.

EXERCÍCIO - CRIAÇÃO DE ESPAÇOS, APROVEITAMENTO E FINALIZAÇÃO:


Contexto do Exercício: Os jogadores estão posicionados em um 1.4.4.2 Losango, contra uma defesa em linha + dois volantes, representados pelas barreiras.

Pedagógicamente coloquei os cones brancos representado possibilidades de espaço, para que haja uma visualização dos mesmos antes do acontecimento.

Também para aproveitar o exercício, coloquei uma finalização extra para o meia ou volante, de preferência de fora da área, que ocorre após a finalização da jogada.

1 QUADRO: 


 Espaços para a assistência, em situação de finalização direta ou nova assistência.

2 QUADRO:


Locais mais propícios (por dentro) para a recepção da bola para efetuar o jogo frente costas, e servir como ponte de progressão de jogo.

3 QUADRO:
  

Exemplo de combinação. 


 FInalização da jogada e segunda finalização.

4 QUADRO:


Relação importante de busca e profundidade, um atacante descendo para receber a bola e servir como ligação, e outro atacante dando profundidade para receber a assistência.

Grande abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

terça-feira, 3 de maio de 2011

EXERCÍCIO


EXERCÍCIO
FINALIZAÇÃO


Exercício para finalização após pequena circulação com jogo frente costas.

Grande abraço
Luis Esteves

quinta-feira, 7 de abril de 2011

EXERCÍCIO - FINALIZAÇÃO

EXERCÍCIO
CIRCULAÇÃO E FINALIZAÇÃO

FC BARCELONA
2009


DESENHO DO EXERCÍCIO


CIRCÚITO DE PASSES E FINALIZAÇÃO

Este exercício embora simples, tem seu valor em termos de fundamentos e pequenos detalhes que podem ser considerados, por exemplo no modelo de jogo do FC Barcelona. Nota-se a preocupação com as seguintes situações no exercício:

- Condução próxima do pé - conduzir para criar linha de passe
- Passe diagonal
- Jogo frente/costas - jogador de costas já devolve a quem distribui a bola
- Formação de triangulo
- Infiltrações / Ultrapassagens
- Finalização

No desenho acima reproduzi a movimentação do vídeo. Embora o desenho possa parecer complexo, a situação é bem simples, as trocas entre cones seguem o ritmo da bola, e estão assinaladas pelas setas vermelhas no desenho.

Embora não seja um exercício que possa se basear uma metodologia inteira, os exercícios deste tipo em circúito tem seu valor semanal, e acredito ser útil em dias de recuperação ou movimentos mais rápidos, em situações com maior exigência de velocidade. Neste caso nota-se uma preocupação em utilizar pequenos sprints em meio e ao final da participação, inclusive com pequenos saltos entre um dos sprints, intercalando a velocidade cíclica e acíclica no mesmo exercício. É sempre importante levar em consideração o contexto.

Grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 1 de abril de 2011

EXERCÍCIO


EXERCÍCIO
MANUTENÇÃO DA DISTÂNCIA DAS LINHAS DO BLOCO
ORGANIZAÇÃO OFENSIVA E TRANSIÇÃO DEFENSIVA

OBJETIVO:

Fazer com que a equipe esteja permanentemente próxima, possibilitando um jogo apoiado de circulação, e em caso de perda da bola, uma rápida pressão com os jogadores mais próximos. A referência de aproximação do bloco são os quadros horizontais, que possibilitam a existência de 4 quartos no campo.

REGRA:

A equipe deve ocupar apenas dois quartos do campo, usando como referência o homem que tem a bola, independente de circulação curta ou longa.

1º MOMENTO

A equipe inicia a circulação no seu campo de defesa, com máxima abertura e profundidade, organizando a estrutura de forma muito posicional. Neste momento a bola se encontra no 1º quarto, e a equipe se encontra entre os dois primeiros quadros.


 2º MOMENTO

A equipe escolhe um local, após a criação de espaços pelo lado ou pelo centro, ao escolher entra e avança com a bola circulando. Neste momento a bola se encontra no 2º quarto, e a equipe deve perceber a evolução da bola e não deixar as linhas entre jogadores abrirem demais, para facilitar uma futura transição defensiva.


3º MOMENTO

A equipe continua progredindo e criando linhas diagonais, principalmente com os jogadores de meio, e a variação entre pontas e laterais. Salientar que a equipe deve avançar como bloco, ocupando apenas dois quadros. Pode-se avançar de forma curta, ou pode-se utilizar bolas em profundidade por cima da linha de defesa, independente da forma como a equipe vai entrar no campo adversário, é necessário existir a ocupação de apenas dois quadros.


4º MOMENTO

A equipe neste momento deve criar os espaços para finalizar pelo lado ou pelo meio, de acordo com a movimentação e os mecanismos previstos e finalizar, sempre com o bloco próximo, se por ventura o azul recuperar a bola, deverá trocar certo número de passes, ou então pode-se colocar mais jogadores, como um ou dois atacantes atrás da linha de centro, e caso o azul retome a bola, deve fazer uma ligação rápida por cima da linha, naturalmente o vermelho deverá eliminar isso com uma pressão rápida ao jogador que estiver com a bola.

Grande abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com