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quarta-feira, 18 de abril de 2012

ESMERO E OBSESSÃO

Publico hoje um belo texto que conheci no site: http://circulado.com.br/como-pep-se-tornou-guardiola-esmero-e-obsessao/

É sempre bom saber como se formam determinados fenômenos como o Guardiola e a atual equipe do FCBarcelona. E no final das contas parece ser uma questão de princípios, uma questão de amor "ao jogo".

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Texto sensacional publicado na Folha Ilustrada deste domingo sobre o grande treinador do Barcelona Pepe Guardiola. Sua história e como a obsessão pelo futebol bonito começou. Vale a pena cada linha.

ALEXANDRE GONZALEZ

TRADUÇÃO SOPHIE BERNARD

ILUSTRAÇÃO MARCELO COMPARINI



RESUMO

Símbolo do Barcelona por uma década, Josep Guardiola pendurou as chuteiras em 2006 com o projeto de ser treinador. Ao contrário da maioria dos ex-jogadores que trilham esse caminho, foi estudar e buscar as lições de seus mentores. Propondo um futebol mais de razão que de resultados, Pep já conquistou 13 dos 16 títulos que disputou como técnico do Barça.

“Meu pai diz que preciso me reconverter. Pergunta o que quero fazer da vida. Não sei o que dizer; talvez que não vá fazer nada. Mas ele insiste, quer que eu me mexa, para não passar a imagem de preguiçoso. Mas, pai, talvez eu não faça nada mesmo da vida…”

Em 2 de agosto de 2006, Josep Guardiola deu uma de suas últimas entrevistas. Poucas semanas antes, ainda jogava no desconhecido Dorados de Sinaloa, time mexicano cujo nome soa mais como uma franquia de beisebol de segunda divisão do que como um clube de futebol profissional.

O fim de carreira do meia catalão não foi à sua altura e, em suas palavras, sua reconversão também não parece lá muito bem encaminhada. Mas, atrás do discurso depressivo, o que Guardiola não diz é que passou o verão em Madri. E que sabe exatamente para onde vai.

DIPLOMA

O mês de julho de 2006 é intenso para o ex-capitão do Barça. Todo dia, ele vai até o subúrbio de La Rosas, rumo à Ciudad del Fútbol, na capital da Espanha. Lá, acompanha aulas com assiduidade, preparando-se para se diplomar treinador. O aluno é aplicado e talentoso.

“A escola nacional de futebol espanhola não tem ranking de classificação para os diplomados, mas posso dizer tranquilamente que Guardiola estava entre os três melhores da classe”, lembra Oscar Callejo, secretário da escola.

Com o diploma em mãos, Guardiola não se dá por satisfeito. Para completar a formação, aconselha-se com treinadores que admira.

“Ele ligou para mim e para um monte de outros treinadores. Hoje parece coisa de doido: ligar para falar de jogo, analisar, descascar. Ele tem uma sede insaciável de debater. Eu sabia quando começavam as conversas com ele, mas nunca quando iam terminar”, diz o técnico argentino Angel Cappa.

Ex-adjunto de César Luis Menotti e depois de Jorge Valdano no Real Madrid, treinador do Huracan e do River Plate -foi quem descobriu Javier Pastore-, Cappa foi para a casa de Guardiola em Barcelona no final de 2006. “Não sei se ele já pensava em ser treinador, mas para mim era óbvio. É raro um jogador querer tanto colocar um jogo numa mesa de dissecação.”

LA VOLPE

Obsessivo e perfeccionista, Pep lista os técnicos com quem os quais gostaria de conversar. O primeiro é um argentino de bigode ameaçador, desconhecido na Europa, Ricardo La Volpe.

Na Copa do Mundo de 2006, Guardiola escreveu no jornal “El País”, e suas análises dos jogos e reflexões sobre futebol deixaram muita gente desconcertada. Só uma seleção agrada ao catalão. Não é a Alemanha de Jürgen Klinsmann, nem a Itália de Marcello Lippi, mas o México de La Volpe.

Ele escreveu: “Johan Cruyff dizia: o mais importante no futebol é que os melhores jogadores sejam os zagueiros. Se você sai com a bola, consegue jogar; se não, não faz nada. Johan diz que a bola equilibra um time. Se perde a bola, o time se desequilibra; se perde pouco, consegue manter o equilíbrio. La Volpe decidiu que sua defesa saísse jogando, e não que começasse jogando, o que é diferente.

"Para La Volpe, começar a jogar é tocar a bola entre os zagueiros, sem maiores intenções. Mas La Volpe os obriga a fazer outra coisa. Ele os obriga a sair jogando, obriga os jogadores e a bola a avançarem juntos e ao mesmo tempo. Soube que, nos treinos, La Volpe pede aos zagueiros que corram com a bola por 30 minutos sem parar. Se alguém faz um passe errado, se o campo não é usado em toda a sua extensão, se um passe não é dado para o goleiro como manda o jogo, ele pede para recomeçar do zero.

“Ele corrige, grita, e tudo recomeça. Uma vez, depois outra. Cem vezes, se for preciso. E ver seu México jogar é fantástico.”

Nem mais nem menos do que uma declaração de amor.

Mesmo que isso não agrade a Guardiola e ao seu romantismo, La Volpe foi demitido após ser eliminado nas oitavas de final, apesar de os mexicanos terem dominado a Argentina durante todo o jogo; o futebol só vive de vitórias.

Pouco acostumado a falar com a imprensa, La Volpe declarou: “Sei que Guardiola mencionou meu nome várias vezes, dizendo que fui um dos que mais o influenciaram. Talvez se inspirasse em mim nas triangulações ao chegar à área adversária. E disseram que dedicou a mim a Liga dos Campeões de 2009 [Barcelona 2 x 0 Manchester United], mas ele nunca me disse isso.

“Acho que seguimos o mesmo caminho. Gostamos de tomar a iniciativa do jogo, que o jogador assuma a responsabilidade de conduzi-lo. É assim que se faz bom futebol. Ele faz isso e ainda vence. Alguns de nós foram criticados por tentar e não vencer, é a regra do jogo”.

La Volpe seria demitido do Boca Juniors (2006), do Vélez Sarsfield (2007), do Monterrey (2008) e da seleção da Costa Rica (2011). Apaixonado pelo método argentino, como mostram suas relações com Cappa e La Volpe, por fim Guardiola atravessa o Atlântico.

Aproveitou uma viagem a trabalho de seu amigo David Tureba, cineasta e escritor, para voar a Buenos Aires. Era outubro de 2006.

ARGENTINA

Na capital argentina, Pep deixou sua bagagem num hotel do bairro de Palermo. A primeira visita que fez não foi a um treinador, mas a um nerd louro, um Mark Zuckerberg argentino, de cabelo comprido. Matias Manna é o criador do blog Paradigma Guardiola (paradigmaguardiola.blogspot.com). Ele analisa, com vídeos, pausas e reflexões perspicazes, o futebol de Pep.

“Desde 2005, vou decifrando a maneira de pensar e as convicções futebolísticas de Guardiola”, diz Manna. Ele conta como começou sua amizade com o atual treinador do Barcelona: “Eu o contatei por e-mail e ele respondeu. Sempre se mostrou aberto. Um dia, disse que estava vindo à Argentina e propôs um encontro. Passamos um dia juntos. Falamos muito de futebol.

“Dei a ele o livro ‘Lo Suficientemente Loco’, uma biografia de Marcelo Bielsa. Ele me agradeceu e foi deixar as malas no quarto. Quando desceu, minutos depois, citou quatro ou cinco conceitos de jogo que estavam no livro. Isto é: no elevador, voltando do quarto, já tinha entendido a essência.”

No dia seguinte, Guardiola decidiu assistir a um River-Boca, no Monumental de Nuñez. Seu ex-colega no Dorados Angel “Matute” Morales, conseguiu um ingresso para ele. Pep se misturou à multidão e, na fila para entrar, foi parado por seguranças. “Não o reconheceram”, conta Morales. “Foi revistado como qualquer um, mas não disse uma palavra, não protestou.”

Seu caminho o levou a César Luis Menotti, técnico campeão do mundo em 1978 e técnico do “seu” Barça na temporada 1983-84.

Como um velho sábio, Menotti recebeu aquele que, por enquanto, era só um jovem aposentado do futebol. O encontro aconteceu num restaurante do bairro de Belgrano, em meio a uma nuvem de fumaça de cigarro e cheiro de uísque.

“Quando Pep me procurou, algo já o distinguia: ele tinha ideias claras. Não chegou como outros, que queriam que eu desse o caminho, como se fosse o Messias. Ele já sabia. Então disse a ele: ‘Quer ser treinador? Não tenha dúvidas, vá fundo. Seja treinador, e assim as críticas serão mais bem divididas, não vão mais ser só para mim’.”

Guardiola deixou-se seduzir e também tranquilizar pelo discurso radical do mentor de Maradona. O terceiro e último encontro irá confortá-lo ainda mais na sua decisão.

EREMITA

Maximo Paz, província de Santa Fe. Josep Guardiola marcou um encontro com o eremita do futebol argentino, “el loco” Marcelo Bielsa. Então afastado do futebol desde 2004, Bielsa vivia confinado em casa, sem dar sinais de vida.

Guardiola conseguiu o encontro graças a Lorenzo Buenaventura, seu treinador pessoal quando jogava na Itália e ex-adjunto de Luis Bonini, o braço direito de Bielsa. Hoje, Buenaventura é o preparador físico do Barcelona. A fascinação de Guardiola por Bielsa data da Copa do Mundo asiática de 2002, quando “el loco” treinava a seleção argentina.

Na época, Guardiola declarou: “Para mim, o time mais interessante do torneio é a Argentina, mesmo que não tenha passado da primeira fase. Jogou muito bem, apesar de vivermos num mundo onde, se você ganha, é bom, mesmo que não tenha ficado com a bola; e, se você perde, não importa se tentou, se teve a bola, se o time estava organizado e se tinha apostado no 3-4-3, como Bielsa fez. Você perde e é um fiasco. Vejo isso de outra forma.”

Por 12 horas, em volta de um “asado” (churrasco argentino), os dois conversaram, assistiram a trechos de jogos, debateram, brigaram, se reconciliaram e recomeçaram. Um tema, ou melhor, um homem os une acima de tudo: Louis van Gaal.

O técnico holandês é o único europeu que Bielsa já tomou como exemplo: “O modelo estrangeiro que mais me agrada é o do Ajax de Van Gaal. Ele tem um time flexível para compor suas linhas conforme as exigências do adversário na hora de recuperar a bola. O que interessa é que o time tenha um projeto de jogo próprio nos momentos ofensivos. Calculei que o Ajax dava uma média de 37 passes para trás. O torcedor via isso como recusa a jogar, mas esse passe para trás era o início de um novo ataque.”

No seu livro “Mi Gente, Mi Fútbol” (2001), Guardiola diz o mesmo de seu treinador: “Poucos times me seduziram tanto quanto o do Ajax de Van Gaal, com sua facilidade para criar o jogo da defesa, a velocidade dos jogadores das laterais e seu modo de passar a bola. Aquele Ajax conseguia resolver de maneira fantástica todos os ‘um contra um’ de um jogo. No ataque e na defesa. Assumiam todos os riscos que um time pode correr.

“Aquele Ajax tinha algo que me surpreendia, espantava, maravilhava. A disciplina do posicionamento. A posse de bola como ideia de base. O jogo constantemente sustentado. Os movimentos de dois toques… E eles faziam isso de forma tão simples quanto sublime. O Ajax de Van Gaal dava aulas de futebol aos que conheciam perfeitamente o jogo.”

‘SANGUE’

Nutrido pelo futebol total de Johan Cruyff, Guardiola consegue, acima de tudo, aplicar maravilhosamente bem os preceitos de Bielsa. “Procuro ocupar as laterais, porque a maioria das situações perigosas vem delas. O contrário significa centralizar o jogo. Qualquer estudo revela que 50% dos gols finalizados vêm das laterais. Se um treinador quer que o time domine o jogo, deve posicionar no mínimo dois jogadores por setor. Nunca posiciono os jogadores com o intuito de atacar usando o contra-ataque.

“Para mim, trata-se, antes de mais nada, de uma questão de posse de bola. Se der para ficar com ela, por que devolvê-la? Não preparo um time para esperar. Um grande time não é condicionado pelo rival. O fundamental é ocupar direito o campo, ter um time curto, com uma linha de defesa e uma de ataque separadas por no máximo 25 metros, e que nenhum zagueiro esteja ocupado marcando um adversário que não existe.”

Tocado pela sinceridade quase ingênua de Guardiola, Bielsa perguntou: “Você, que conhece toda a sujeira do mundo do futebol, o alto grau de desonestidade de certas pessoas, por que quer tanto voltar e treinar jogadores? Gosta tanto desse sangue?”. Guardiola respondeu: “Preciso desse sangue”.

O fato é que o catalão vai usar outro método de Bielsa, o de não entregar nada à imprensa. Recluso no seu silêncio há mais de uma década, o argentino havia justificado assim sua vontade de não falar: “Por que eu deveria dar entrevista a um jornalista poderoso e negá-la a um repórter do interior? Por que deveria participar de um programa que tem picos de audiência toda vez que apareço e não me deslocar até uma pequeno rádio local? Qual a lógica? Meu interesse?”.

Guardiola se apoderou da fórmula. Depois de virar treinador do Barça, não deu mais nenhuma entrevista individual. Só vai às coletivas obrigatórias do clube.

JOGO BONITO

Pep voltou à Espanha está seguro de si como nunca. Dias depois de deixar a Argentina, em 22 de outubro de 2006, declarou ao jornal “Marca”: “Por que não poderíamos ter treinadores que defendam o jogo bonito? Converso com muitos treinadores: ‘Como é esse jogador? Como faz aquele?’. Mas não tem receita. No futebol, ganha-se com estilos muito diferentes. Precisamos fazer as coisas como as sentimos. É a partir da bola que se constrói um time.”

Em 2006, Josep Guardiola tinha 35 anos, tinha ideias, mas continuava desempregado. “Seu” clube, embora fosse campeão europeu, estava desabando. Contagiado pela suficiência, o Barça de Frank Rijkaard vivia suas últimas horas de glória. Txiki Begiristain, diretor esportivo do Barcelona e braço direito de Joan Laporta, logo foi consultado por alguns dirigentes, sabendo das intenções de Guardiola.

Begiristain então decidiu, para que seu ex-colega se acostumasse, confiar a ele a direção da categoria de base e dar a Luís Enrique o Barça B. Desapontado, mas leal a seu clube de sempre, Pep aceitou. Só pediu um último encontro com Begiristain. “Pep me falou sobre sua vontade de treinar. Entendi que era o momento dele”, diz o ex-diretor dos esportes do Barça.

Em 21 de junho de 2007, seis meses depois da viagem à Argentina, Guardiola foi nomeado treinador do Barça B, que estava na terceira divisão do campeonato espanhol.

Munido de princípios e teorias, foi confrontado pela primeira vez com a realidade da vida de treinador. Alertado por amigos sobre as dificuldades das divisões inferiores, o primeiro trabalho do técnico “blau-grana” (azul e grená) consistiu na seleção de um grupo.

Ele tinha poucos dias para reduzir o número de jogadores de 50 a 23, destruindo o sonho de vários. As primeiras dúvidas surgiram logo no primeiro jogo, que acabou… em derrota. Guardiola se empenhou, construiu um time no qual um certo Sergio Busquets se impôs no meio do campo; no qual, na ponta direita, Pedro Rodriguez oferecia seu jogo feito de percussões.

Dois meses após o início do campeonato, Guardiola resumiu: “Ser treinador é fascinante. É por isso que os treinadores acham tão difícil parar. O trabalho traz uma sensação permanente de excitação, de que o cérebro gira o tempo todo a cem por hora. Começar na terceira divisão me tornará um treinador melhor, se um dia eu ocupar o banco de um profissional. Hoje sou melhor que dois meses atrás.

“Nunca tinha sido confrontado com 25 caras esperando que eu dissesse algo. Hoje posso ficar tranquilo na frente deles. Antes, no intervalo, não sabia o que dizer.”

NÚMERO UM

Guardiola sabia as palavras certas, seu time venceu o campeonato e o Barça B subiu para a segunda divisão.

Ao mesmo tempo, no andar de cima, Rijkaard deixou escapar para o Real, pela segunda vez seguida, uma liga que estava na mão. Laporta entendia que o holandês não tinha mais autoridade sobre um grupo dominado pelos egos de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o. Começou então uma disputa de poder nos bastidores do Camp Nou entre os conselheiros do presidente.

Laporta conta: “Minha ideia era que Johan [Cruyff] treinasse o time, tendo Pep como adjunto, e que, na temporada seguinte, ele virasse o número um. Johan não disse nada. Eu o conheço, sei que toma decisões rápido. Por fim, ele me disse que deveríamos nomear Pep logo. Txiki concordava: ‘Guardiola está pronto para ser treinador do primeiro time’. Propus essa solução numa reunião. Alguns eram a favor, outros queriam Mourinho. Falei: ‘Mourinho não, vai ser o Pep’.”

Em 8 de maio de 2008, menos de dois anos depois de receber o diploma de treinador, Guardiola foi nomeado técnico do time do qual fora capitão e símbolo por cerca de dez anos. Sua primeira medida foi impor o afastamento das três estrelas: Ronaldinho, Deco e Eto’o.

Os dois primeiros aceitaram; o camaronês ganhou uma temporada de descanso. No primeiro treino, Pep se dirigiu aos jogadores: “Não vou prometer que vamos ganhar títulos. Vamos tentar. Mas apertem bem os cintos, porque vocês vão passar ótimos momentos.”

Pep acabava de se tornar Guardiola.
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Publicado originalmente na revista francesa “So Foot”. Colaboraram Javier Prieto Santos e Aquiles Furlone, de Buenos Aires.

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Grande abraço
Luis Esteves

sábado, 6 de agosto de 2011

CONVERSAS DE FUTEBOL - MATÍAS MANNA

 

"¿Qué es jugar bien? El arquero se la pasa al defensa, el defensa al mediocampo, el medio a los delanteros. Todo con buen ritmo de circulación de balón y encontrando superioridades en las líneas posteriores. Eso es jugar bien. Sin más. No hay secretos."

MATÍAS MANNA


ENTREVISTA
MATÍAS MANNA


Luis Esteves: Matias, gostaria de agradecer-lhe a disponibilidade de partilhar conosco seus conhecimentos sobre o FC Barcelona e os assuntos que o cercam, fico muito honrado em poder ajudar a publicar e disseminar a filosofia deste tipo de futebol.



Vamos às questões:

1. Luis Esteves: Como define a filosofia do FC Barcelona?

Matías Manna: La defino como uma manera de sentir una disciplina como El fútbol, pero que enmarca uma Idea de entender La misma vida. Cómo estructurar un club muchas veces determina de qué manera quieren vivir lãs personas. Es um lugar donde se aprende a vivir com El compañero, se aprende a vivir em colectivo y está muy bien que haya gente que puede sistematizar esta Idea y estructurarla em uma institución modelo como lo es El Barcelona.

2. Luis Esteves: Como o FC Barcelona chegou ao estágio atual? Quais foram as pedras fundamentais para esta filosofia enraizar na cultura do clube? Qual a importância de Johan Cruyff para o FC Barcelona?

Matías Manna: El contexto de país (catalunya) tiene mucho que ver em esto. Es más que um club, es um club com uma gran identidad a nível social. Eso genera más lazos. Los pequeños de Catalunya quieren jugar en El Barcelona, es su club y representa La Idea de nación catalana. Es uma identidad muy fuerte y que ayuda AL sistema y La estructura de ideas conceptuales que J.Cruyff y Carles Rexach inauguraron em La década Del 90. El Barcelona se dijo a si mismo: vamos a jugar de uma manera determinada. Antes vino Venables, Menotti, e intercambian lãs ideas de juego. Vino Cruyff y dijo seguiremos de esta manera. Hace 30 años que juegan así, La gente em El estádio pretende que esa Idea se desarrolle em El campo. No quiero outra, quiere esa. Guardiola lo siente así, y según Cruyff era La última esperanza, Allá por El 2001, cuando Guardiola persistia em El club. La única esperanza de volver a entender globalmente esse cúmulo de convicciones futbolísticas. Por suerte, retorno AL club, y esas ideas globalmente volvieron AL césped.

3. Luis Esteves: Existe relação entre a Holanda de 1974 e o FC Barcelona dos dias atuais?

Matías Manna: Le veo más relación AL Ajax de 1971 a 1973 com Rinus Michels y sobre todo com El rumano Kovacs. Hay uma revolución conceptual a través de los equipos, Ajax y Barcelona, que luego se exhiben em La selección. Por suerte, em 2010 em relación AL 1974, España pudo consagrarse campeona Del mundo.

La relación pasa porque a partir de esse Ajax, nacieron conceptos que hoy están presentes y potenciados por Guardiola em El Barcelona. Esse Ajax fue La génesis de entender a La disciplina de uma manera, atrevida, espectacular, ofensiva.

4. Luis Esteves: Como vê a importância do tipo de futebol que o FC Barcelona pratica hoje?

Matías Manna: Y esas ideas son importantes que se reflejen em um club ganador como lo es hoy El Barcelona de Pep. Yo apuesto por uma guardiolización global, que intenten e imiten a este equipo. A salir desde El fondo siempre y cada vez, a ordenarse com El balón, a intentar superioridades en todas lãs líneas, a que los centrales generen conducciones que derriben em superioridad em mediocampo, que los laterales terminen como extremos.

Es uma Idea de entender El fútbol que estaba em extinción. Es más fácil practicar y hacer um equipo com doble pivote y um 442 defensivo. Es más fácil destruir que crear. Y si como modelo se impone eso, El fútbol como juego se empobrece. Decae El espectáculo.

5. Luis Esteves: Quais são os princípios do FC Barcelona nos quatro momentos do jogo?

Matías Manna: Te cambio La pregunta. Que es jugar bien? Que El arquero se La pasa AL defensa, El defensa AL médio, El médio AL ataque, siempre com circulación y ritmo alto Del balón mediante pases generando superioridades em líneas posteriores.

Mediante esa Idea, se entiende AL equipo de Guardiola. Y no hay momentos autônomos, defensa y ataque. Si atacamos bien, defenderemos mejor. Guardiola entiende El juego de uma manera global, como um todo.

6. Luis Esteves: Gostaria que nos falasse sobre a “Posesión 74”, qual a orígem deste nome e quais os detalhes que caracterizam este comportamento?

Matías Manna: Em 5 grandes conceptos trate de sintetizar lãs ideas Del Barcelona. Usted nombra a los 5 em La siguientes preguntas.

Posesión 74 es a partir De que a través Del balón se ordena El equipo. A través de uma gran posesión Del balón (muchas veces El Barcelona termina El partido com 74% de posesión) y también uma muy buena posición de SUS jugadores. El juego de posición es clave. Le puse 74, em relación AL Holanda Del 1974, padre de entender El fútbol de esta manera.

7. Luis Esteves: Gostaria que nos falasse também da “Defesa Arriba” e seu funcionamento e objetivo no jogo.

Matías Manna: Es outro concepto primordial. La defensa se mueve como um todo com El ataque, defienden a 40, metros Del arco próprio, eso es defensa arriba. Achicar espacios, ahogar AL rival em su território, hacer uma trampa Del offside a 3 metros de La línea de mediocampo. Es brillante este concepto y por eso los defensores son vitales em El juego de posición Del Barcelona. Sino entienden esto no pueden jugar em El Barcelona.

8. Luis Esteves: Como define o “Abertos e profundos” qual a importância deste comportamento no jogo do FC Barcelona?

Matías Manna: Es um concepto que quedo um poço viejo. Guardiola es amante de los extremos. Los defendia mucho como jugador. Recuerdo manifestar su desencanto porque Overmars y Simao no tenían más minutos em sus últimos Barcelona como jugador. Em La tercera temporada creo que hubo um matiz importante em este concepto. Los abiertos y profundos son más los laterales que los extremos (Pedro y Villa) em este equipo teniendo em cuanta que los rivales se defienden mucho com um 442 o 451.

Pero siempre El barca agrande El campo em ofensivo com ellos. Si Guardiola no hubiera gustado Del “abierto y profundo”, no se hubiera dado cuenta de La importância de Pedrito, jugador que estaba casi afuera Del Barcelona B, a los poços dias de Haber entrado como entrenador Del Barcelona B em 2007. Lo vio rápido y dijo, necesito a Pedrio para ser a mi equipo abierto y profundo.

9. Luis Esteves: Como define a “Alta presión” e como o FC Barcelona concretiza este princípio?

Matías Manna: Es querer El balón cuando pierda La posesión de inmediato. Es atacar no teniendo La pelota. Es ahogar AL rival a metros de su salida, para recuperar antes y rápido y estar cerca Del arco rival y tener más chances de atacarlo. Es convencer a los delanteros que Sean los primeros defensores.

10. Luis Esteves: “Salir Jugando” significa o que no modelo de jogo do Barcelona?

Matías Manna: La veo como El concepto más trascendente y más subversivo de Guardiola. Todo El tiempo, em todos los campos y frente a todos los rivales, El Barcelona sale jugando desde El fondo. Lo practican continuamente. Es uma Idea trascendental em El juego. Es no queres rifar El balón, no dividirlo. Yo lo tengo, yo salgo com El desde Valdés o Pinto y pretendo llegar com El pase hasta La red rival. No hay outra manera. Lo aprendió mucho com Van Gaal, también mirando fútbol em México. Es um concepto novedades de esta época em El juego. Ahora algunos se atreven a presionarlo. Pero ahi, Guardiola y su equipo lo estudian más e igualmente pretenden salir así. Nadie hacía esto. Todos tiraban hacía arriba rápidamente por miedo a perderla em los primeros metros.

Lic. Matias Manna, creador de Paradigma Guardiola en el 2001, referencia del modelo Barça en latinoamerica.
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 Grande abraço
Luis Esteves

domingo, 3 de julho de 2011

CONVERSAS DE FUTEBOL - XAVI HERNANDEZ

"Eu sou um romântico", diz Xavi, coração do Barcelona e Espanha, Xavi, que visita o Arsenal com o Barça na próxima semana, fala em sua educação de futebol, Cesc Fábregas e a grandeza de Paul Scholes.

SID Lowe
O Guardian
Sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


Muitos descreveram o Barcelonaa na vitória de 5-0 sobre o Real Madrid em novembro passado como o maior desempenho de sempre. Mesmo Wayne Rooney admitiu que ele levantou-se em sua sala de estar e começou a aplaudir.

[Cara de Xavi acende-se]. Sim? Realmente? Rooney? Isso me deixa orgulhoso. Rooney, Uau! Rooney é extraordinário, ele poderia jogar para o Barcelona. E antes das pessoas imaginarem manchetes como "Xavi diz a Rooney para juntar-se a Barcelona" – embora, eu adore ele! – o que quero dizer é que ele é nosso tipo de jogador. Esse jogo foi maravilhoso, o melhor que eu joguei. O sentimento de superioridade foi incrível – e contra o Real Madrid! Eles não tocaram na bola. Madre mía, que jogo! No camarim, demos a nós mesmos uma ovação de pé.

Você menciona a dominância do Barcelona, da posse. É tentador para concluir que nunca vimos uma equipe com uma identidade – para melhor ou pior- tão clara como as equipas do Barcelona e Espanha atuais. É tudo sobre posse. E que é sua identidade – que parece ter se tornado dominante.

É bom que o ponto de referência para o mundo do futebol é agora Barcelona, que se trata de Espanha. Não porque ele é a nossa, mas por causa do que é. Porque é um futebol ofensivo, não é especulativo, nós não esperamos. Sob pressão, você quer posse, você deseja atacar. Algumas equipes não podem ou não passam a bola. O que você está jogando? O que é o ponto? Isso não é futebol. Combinar, transmitir, reproduzir. Que é futebol -para mim, pelo menos. Para treinadores, assim, eu não sei, Clemente [Javier] ou [Fabio] Capello, existe outro tipo de futebol. Mas é bom que o estilo de Barcelona é agora um modelo, que não.

Mas alguns reclamaram da Espanha, que foram chatos na Copa do mundo. Mantinhan-se vencendo por 1-0.

Estão se confundindo. Não é que nós estávamos chatos, é a outra equipe que foi. O que a Holanda procurava? Sanções. Ou [Arjen] Robben no contra-ataque. BAM, bam, bam. Claro, estávamos chatos -a oposição fez dessa forma. Paraguai? O que eles fizeram? Construiu um sistema defensivo espetacularmente bom e esperou que as chances – de bolas mortas. Até vai, bola rebatida, solta. É mais difícil do que as pessoas pensam quando você tem um cara atrás de você, que é de dois metros de altura e à direita em cima de você.

Então, qual é a solução?

Acho que rapidamente, procurar espaços. Isso é o que eu faço: Procuro por espaços. Todos os dias. Estou sempre procurando. Todos os dias, todos os dias. [Xavi começa forte gesticulação como se ele estivesse olhando ao redor, balançando a cabeça]. Aqui? Não. Lá? Não. As pessoas que não tenho jogado sempre não percebem que é difícil. Espaço, espaço, espaço. É como estar no PlayStation. Eu acho que merda, o defensor aqui, jogá-lo lá. Eu vejo o espaço e passo. Isso é o que eu faço.

Este é o cerne do modelo do Barcelona e corre todo o caminho através do clube, não é mesmo? Quando você bate o Madrid, oito dos onze iniciais foram produtos do time juvenil e todos os três finalistas na bola de ouro deste ano foram também - Lionel Messi, Andrés Iniesta e você.

Algumas academias de jovens se preocupam com a vitória, nós nos preocupamos com educação. Você vê um garoto que levanta a cabeça, que dá o passe de primeira , pum, e pensa, 'Sim, ele vai fazer'. Trazemos, treinamos ele. Nosso modelo foi imposto por [Johan] Cruyff; é um modelo do Ajax. É tudo sobre rondos [Bobo no meio]. Rondo, rondo, rondo. Cada. Só. Dias. É o melhor exercício que existe. Você aprende a responsabilidade para não perder a bola. Se você perder a bola, você vai no meio. PUM-pum-pum-pum, sempre um toque. Se você ir pro meio, é humilhante, o resto aplaudi e ri de você.

Seu companheiro de equipe no Barcelona Dani Alves disse que você não joga para a execução, você faz a corrida, obrigando os companheiros de equipa à mover-se em determinadas áreas. "Xavi," ele disse, "joga no futuro."

Eles tornam mais fácil. Meu futebol está passando, mas, Uau, se eu tiver Dani, Iniesta, Pedro, [David] Villa … há tantas opções. Às vezes, acho mesmo que a mesmo: o homem, Fulano de tal vai ficar chateado porque eu joguei três passes e ainda não lhe dei a bola ainda. Eu daria melhor esse próximo para Dani porque ele foi até a ala três vezes. Quando Leo [Messi] não se envolve, é como se ele ficasse irritado.. … e o próximo passe é para ele.

Você está falando sobre o estilo de maior sucesso, mas não só podem ir juntos,  eles têm que ir juntos, não é? Arsenal joga um futebol grande, Arsène Wenger é um treinador extremamente respeitado, mas não ganha nada há anos. Poderia acontecer em Barcelona?

Quase impossível. Se você passar dois anos sem ganhar, tudo tem de mudar. Mas você altera os nomes, não identidade. A filosofia não pode ser perdida. Nossos fãs não iriam entender uma equipe que sentou e jogou no contra-ataque. Infelizmente, as pessoas olham apenas equipes através de sucesso. Agora, o sucesso validou nossa abordagem. Eu estou feliz porque, do ponto de vista egoísta, seis anos atrás eu estava extinto; Futebolistas como eu estavam em perigo de desaparecer. Eram todos: dois metros alto, poderoso, em média, knockdowns, segundas bolas, rebotes … mas agora vejo Arsenal e Villarreal e jogam como nós.

Você se vê como um defensor da fé? Um ideólogo?

Era isso ou morrer. Eu sou um romântico. Eu gosto do fato de que o talento, a habilidade técnica, é mais valorizada do que a condição física agora. Fico feliz que essa é a prioridade; se não fosse, não seria o mesmo espetáculo. O futebol é jogado para vencer, mas a nossa satisfação é dupla. Outras equipes vencem e eles estão felizes, mas não é o mesmo. A identidade está faltando. O resultado é um impostor no futebol. Você pode fazer coisas muito, muito bem - no ano passado estávamos melhor do que a Inter de Milão -, mas não vencemos. Há algo maior do que o resultado, mais duradouro. Um legado. Inter ganhou a Liga dos Campeões, mas ninguém fala sobre eles. As pessoas descobriram à mim desde o Euro 2008, mas eu estive jogando da mesma maneira há anos. É verdade, porém, que eu tenho crescido na confiança e tranquilidade. E que vem com o sucesso. 

O futebol Inglês sofreu por abraçar uma cultura futebolística diferente?

Ela mudou, o estilo é um pouco mais técnico. Mas antes era direto, era sobre a segunda bola, o No9 típico era um Crouch ou um Heskey e não houve futebol. Carragher boom,, em cima; Terry, boom, lá em cima. Eu acho que está mudando: Barry, Lampard, Gerrard, Carrick ... eles são jogadores que tratam bem a bola. Você vê-los agora e pensa, Cristo, eles estão tentando jogar.

Paul Scholes é o Xavi Inglês?

[Interrompe Xavi, quase explodindo de entusiasmo] Paul Scholes! Um modelo a seguir. Para mim - e eu realmente quero dizer isso - ele é o melhor meio-campista central, que eu vi nos últimos 15 anos, 20 anos. Eu falei com Xabi Alonso a respeito dele. Ele é espetacular, ele tem tudo: a última passagem, os objetivos, ele é forte, ele não perde a bola, visão. Se ele tivesse sido Espanhol ele poderia ter sido mais bem avaliado. Os jogadores o amam.

A Inglaterra parece ter desconfiança de jogadores técnicos.

É uma pena. Talento tem que ser a prioridade. Capacidade técnica. Sempre, sempre. Claro, você pode ganhar sem ele, mas é o talento que faz a diferença. Olhe para as equipes: Juventus, que faz a diferença? Krasic. Del Piero. Liverpool? Gerrard, Torres ou antes. Talento. Talento. Quando você olha para os jogadores e pergunta-se quem é o melhor: talento. Cesc, Nasri, Ryan Giggs - esse cara é uma alegria incrível. Olhando para trás, eu amei John Barnes e Chris Waddle foi Buenísimo. [Open-boca, os olhos brilhando] Le Tissier! Embora seu estilo era diferente eu gostei Roy Keane e Paul Ince juntos, também. Que a equipe do United foi ótima - minha equipe Inglêsa. Se eu tivesse ido em qualquer lugar, teria sido lá.


Na Inglaterra nós superestimamos os jogadores físicos? Você menciona Carragher, Terry ...

Whoa! Espere! Tenha cuidado. Eles são fundamentais. Temos Puyol. Tecnicamente ele pode não ser o melhor, mas é incrível a maneira como ele defende. Carragher e Terry são necessários, brilhantes, mas eles têm de se adaptar ao futebol técnico [não o contrário]. Para mim, isso vem naturalmente - ou para Messi, Iniesta ou Rooney. Outros têm que trabalhar para isso. Para eles é mais difícil de levantar a cabeça dar um passe -, mas eles têm.

Mas quando um jogador é oferecido a um clube, a primeira pergunta é: "quão alto é ele?"

Você já viu [o winger do Villarreal] Santi Cazorla? Você acha que eu sou pequeno, ele está batendo aqui em mim [Xavi sinaliza o peito]. E ainda assim ele é brilhante. Messi é o mesmo e ele é o melhor jogador do mundo. Talvez seja a cultura, eu não sei, mas na Inglaterra você está guerreando. Você assiste Liverpool Carragher e ganha a bola e chuta para as arquibancadas e os torcedores aplaudem. Há um rugido! Eles nunca aplaudiriam isso aqui.

Na próxima semana você joga novamente com o Arsenal na Liga dos Campeões . São diferentes? Uma espécie de Barcelona-lite?

Arsenal é uma grande equipe. Quando eu assisto Arsenal, vejo Barça. Vejo Cesc carregar o jogo, Nasri, Arshavin. A diferença entre eles e nós é que temos mais jogadores que pensam antes de jogar, mais rápido. Educação é a chave. Os jogadores tiveram 10 ou 12 anos aqui. Quando chegam ao Barça a primeira coisa que ensinan-lhe é: pensar. Pense, pense, pense. Rapidamente. [Xavi começa a fazer as ações, olhando em torno de si.] Levante sua cabeça para cima, mover, ver, pensar. Olhe antes de pegar a bola. Se você está recebendo este passar, olhar para ver se o cara está livre. Pum. Primeira vez. Olhar [Sergio] Busquets - o melhor meio-campista não joga com mais de um toque. Ele não precisa mais. Ele controla, analisa e passa em um toque. Alguns precisam de dois ou três e, dada a rapidez com que o jogo é, isso é muito lento. Alves, um toque. Iniesta, um toque. Messi, um toque. Piqué, um toque. Busi [Busquets], eu ... sete ou oito jogadores com um toque. Rápido. Na verdade, [o treinador de jovens] Charly [Rexach] costumava dizer: um toc mig. Metade de um toque.


Arsenal-Barcelona sempre provoca dúvidas sobre o futuro de Cesc Fábregas. 

Se eu já tivesse ido para outro clube, e estivesse pensando sobre o Barcelona - a ligação é forte. O mesmo está acontecendo com ele. Mas agora há um problema: agora ele é caro. Mas acho que um jogador de futebol acaba jogando onde ele quer. Ele tem que acabar aqui.

Isso não é o que os fãs querem ouvir no Arsenal e alguns acusaram jogadores do Barcelona, ​​você inclusive, criando problemas. No verão passado houve tantas observações supostamente saindo de Barcelona ...

Realmente? Eu quase não soube então. Imagino que não teria gostado disso. [Xavi pausas, acrescentando em voz baixa, quase envergonhada] Você sabe, muitas vezes jogadores de futebol não pensam. Somos egoístas, nós não percebemos. Eu também digo isso porque eu estou pensando em Cesc. Ele quer vir para cá. Barcelona sempre foi seu sonho. Mas é claro que ele é o capitão do Arsenal, o porta-estandarte, um líder. Esta situação é uma putada [bummer] para ele. Ele está em um clube que joga com seu estilo de Wenger que tratou-o bem, ensinou-lhe, levantou-o. Cesc respeita-o. Se ele tivesse sido, digamos, do Blackburn que poderia ter sido mais fácil para sair. Olha, a verdade é: Eu quero que ele venha aqui. É claro. Barcelona tem um estilo muito claro e não caibam muitos jogadores de futebol. Não é fácil. Mas Cesc, se encaixa perfeitamente.

Será que ele irá substituí-lo?

Eu não vejo jogadores novos como uma ameaça, eu não digo "este é o meu patch". Eu sou mais: "trazê-los aqui, deixá-los jogar". Quanto mais talento no meio, melhor. Quatro ou cinco anos atrás, [as pessoas diziam] eu e Iniesta não pôdemos jogar juntos. Não podemos jogar juntos? Veja como acabou.

No ano passado, você bateu o Arsenal confortavelmente ...

Sim, mas este ano eles estão muito melhor. Eu acho que é uma desvantagem para nós que tocamos no ano passado. Eles tinham [também] muito respeito por nós. Era como se eles nos dessem a bola, nós sempre tivemos, em casa e fora. O jogo em Londres poderia ter sido um 4-0 de tanto domínio - mas terminou 2-2. Este ano será diferente.

Qual foi sua reação ao sorteio?

Eu estava feliz. Eu gosto do fato de que veremos um grande jogo. Arsenal não é o tipo de equipe que vem para tentar putear você [te chatear, acabar com o jogo, destruir o jogo]. Se fosse o Chelsea, você poderia pensar Madre mía, eles vão deixar a iniciativa para você, espere profunda, close-up, jogar no contra-ataque com Drogba e Malouda. Mas, não, eu acho que o Arsenal vai querer a bola. Haverá mais de um jogo. Como fã eu definitivamente pagaria por um bilhete para ver este jogo. Manchester United ou Chelsea iria jogar de uma forma mais especulativa. Eles nos deixariam a bola. Arsenal não.
Será que o futebol Inglês pode atrai-lo? Jogadores espanhóis sempre voltam de lá delirando sobre ele.

É incrível. Um passo. Agora que é o futebol. Inglaterra é realmente o berço, o coração ea alma do futebol. Se Barcelona tinha torcedores do Liverpool, ou do Arsenal, ou United, nós teríamos que ganhou 20 Ligas dos Campeões, hahaha! OK, então isso é um exagero, mas eu nunca vi nada parecido. Vencemos por 3-1 em Liverpool uma vez e fomos aplaudidos tanto fora de campo. Na Inglaterra, os jogadores são respeitados mais, o jogo é mais nobre, não é menos batota. Todos os espanhóis que vão amam- e volta um jogador melhor. Se eu já tivesse deixado o Barcelona, teria sido para a Inglaterra.

A final será em Wembley, o que torna ainda mais especial para o Barcelona, ​​não é? No ano passado foi especial porque foi no Bernabéu, mas Wembley é o cenário da Copa do Dream Team de um europeu. E este se sente como um ano em que vocês estão sendo constantemente comparado a eles ...

Em 1992, eu tinha 12 anos e meus irmãos foram mas meus pais não me deixaram. Eu estava em lágrimas, mas não fazia diferença. Eu adoraria jogar em Wembley. É especial para o Barça - e para todos no futebol. O ano passado foi mais morbosa [sobre a rivalidade com o Real Madrid, quase um pouco sujo, titillating]. Este ano é mais nostálgico, mais clássico. E eu sou mais um nostálgico. Quanto a mim? Eu sou um romântico.


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Grande abraço
Luis Esteves

terça-feira, 31 de maio de 2011

A CULTURA, O CONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO

 
" Um menino caminha
e caminhando chega num muro...
E ali logo em frente a esperar pela gente
o futuro está...

E o futuro, é uma astronave
que tentamos pilotar...
não tem tempo, nem piedade
nem tem hora, de chegar
sem pedir licença muda a nossa vida
e depois convida à rir ou chorar

Nesta estrada
não nos cabe conhecer ou ver
o que virá...
O fim dela
ninguém sabe bem ao certo
onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela
que um dia enfim
descolorirá."

Toquinho
Aquarela


Alguns momentos da história são verdadeiros divisores do tempo, isso vale para todos os setores da humanidade, economia, arte, saúde, guerras, etc... e no esporte vale a mesma lei. Em 1974 quem já havia nascido e tinha idade suficiente para entender o futebol de forma mais complexa acompanhou a seleção holandesa e se apaixonou. Em 1982 o Brasil gerou o mesmo sentimento. E agora em 2011 o FC Barcelona nos propicia outro novo paradigma.



É comum dois comportamentos quando esses fenómenos acontecem:

1 - A CÓPIA: Os que copiam o fenómeno de forma reprodutora, sem conhecimento, pela "febre" do momento, e acabam fracassando por motivos diversos, e passam a entrar pro segundo grupo.

2 - A LENDA: Os que dizem que isso nunca irá se repetir, pois não tem os jogadores para isso, ou que o clube não tem essa cultura, ou que só aquela equipe poderia fazer tal coisa.

Para mim as duas coisas são na verdade falta de conhecimento sobre o fenómeno que se quer produzir, o que é diferente de reproduzir.



A CULPA DA CULTURA

Cheguei a conclusão de que a cultura do clube hoje é uma das desculpas que se dá para se acomodar em formas antigas de se ver o futebol, principalmente aqui no Brasil. É comum se colocar a culpa na cultura.

CONCEITO SIMPLES DE CULTURA

Wikipédia:

Cultura (do latim colere, que significa cultivar) é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, segundo a qual cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

A CULTURA, A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO

Como vemos, a cultura é uma composição de variáveis que se influenciam, interagem, dentre elas o conhecimento, ou seja, quando determinada cultura nasce ela depende do que se conhece, ela nasce da composição de conhecimento de determinada sociedade. Logo uma nova informação pode mudar esta cultura. Essa mudança antes era muito mais lenta, pois as informações chegavam muito depois de acontecer em outras culturas, por exemplo: o WM quando chegou no Brasil, e acabou gerando a Diagonal com Flávio Costa, chegou muitos anos depois de ser desenvolvido por Herbert Chapman no Arsenal, pois na época a globalização da internet não fazia parte da cultura de nenhuma sociedade.


Portanto o que fez Flávio Costa gerar a Diagonal, foi a informação, ao fazer jogos amistosos contra equipes argentinas e ser goleado, Flávio entendeu esta nova informação, teve acesso e desenvolveu um novo conhecimento, que acabou gerando a Diagonal, que por sua vez acabou com adaptações futuras do 4.2.4 gerando o 4.4.2 quadrado, e modificando toda a história do futebol brasileiro, pois do 4.2.4 surgiu o 4.3.3 do velho Zagallo que fechava o meio, estrutura essa que deu (não dando todo o crédito a isso, mas ajudou) ao Brasil dois títulos em 58 e 62, e tornou-o conhecido após isso como "o pais do futebol". Eu me pergunto, será que se Flávio Costa não tivesse sido goleado pelos argentinos, adaptado essa estrutura ao Flamengo, e modificado nosso contexto, será que seríamos hoje o que somos em termos de importância no futebol mundial?

O MEDO DE ERRAR TRAVA A EVOLUÇÃO

Para mim o problema maior não esta na cultura, e sim na cabeça dos treinadores, na valorização das coisas. O FC Barcelona só chegou neste ponto, de jogar como joga e ganhar, porquê primeiro se preocupou em jogar bem, jogar bem da sua forma, como vemos hoje, foi isso que treinaram e treinaram muito e jamais se contentaram em apenas ganhar. Só se preocuparam com isso depois que sabiam como jogar bem. É acreditar em uma ideia e não modifica-la por causa dos obstáculos. Porém nem sempre ganharam. Lógico que fazer isso em um altíssimo nível é impossível, porém falo aqui dos baixos níveis, das escolinhas, das categorias pequenas, da formação.

Eu pergunto, qual clube que não quer ter a cultura de jogar bem e ganhar? (existem muitas formas de jogar bem, mas convenhamos que a forma de jogar bem do Barcelona é hoje considerado pela maioria dos jogadores e treinadores como a mais bonita)

Qual o clube hoje no mundo não queria ser o Barcelona (em dimensões de sucesso)? 

Se Rinus Michels tivesse medo de errar em 1974 teria feito um bloco ultra baixo contra Argentina, Uruguai, Brasil, e teria saído da Copa como entrou, sem nenhuma moral no futebol mundial. É preciso assumir o risco, mas só assume quem acredita no que quer.



O CONTEXTO GERA A CULTURA E A CULTURA GERA O CONTEXTO

Guardiola não tinha em sua equipe Cruyff, Neskens, Van Hanegen, Falcão, , Romário, Stoichkov, Koeman, Zico ou Sócrates. Tinha apenas a ideia de que, aquele jogo, aquele modelo que encantou tantas pessoas em 1974, em 1982, e no Dream Team de Cruyff, e que foi conservada nas últimas décadas, amadurecida até chegar neste ponto, porém um dia, um preciso dia essa ideia nasceu, alguém tem que começar. Ai alguém vai dizer, mas tem o Xavi, o Iniesta, mas estes jogadores só existem hoje, porquê a 15 anos atrás eles já buscavam esta forma de jogar, e o contexto acabou produzindo estes atletas, tenho certeza absoluta que se o contexto fosse privilegiar o resultado final, estes atletas nem entrariam na escolinha do Barcelona, pois vão totalmente contra a ideia do futebol competitivo, ainda mais o pregado na década de 80/90 em que a força e o nível atlético dos jogadores foram transferidos ao atletismo e aos esportes individuais. A cultura gera o contexto, porém o contexto pode mudar se colocarmos novas informações vindas de novos conhecimentos, geramos assim um novo contexto, e este contexto irá gerar novas pessoas.


ALGUÉM PRECISA COMEÇAR

Quando Cruyff e Michels chegaram no Barcelona, o clube não tinha esta cultura, se estes por sua vez tivessem se adaptado totalmente a cultura vigente, hoje, não teríamos o atual Barcelona. Lógico que há o respaldo, o crédito, o tempo (mais de 30 anos). Certa vez o professor Afonso Gomes, em uma das diversas cadeiras que tive com ele disse: quando chegamos em um ambiente temos que ser "agentes modificadores" desse ambiente, não podemos nos adaptar a ele totalmente, a adaptação tem que ser apenas ao ponto da sobrevivência.

PRECISAMOS SER MENOS SUPERFICIAIS

Então minha esperança é que a febre do FC Barcelona se espalhe pelo sistema circulatório do futebol mundial, e que sistemicamente o futebol melhore, e que a hierarquia também melhore, o melhor não ganha sempre, mas normalmente joga melhor. E quando falo de começar, não é no Manchester ou no Real Madrid, é nas escolinhas, nos pequenos clubes de base, onde o futebol começa, lá este modelo de jogar o futebol deve ser adotado, pois é o modelo mais coletivo e qualificado demonstrado até hoje, de forma global, é um modelo que propicia o aparecimento das qualidades de cada um em prol do todo da equipe, por isso é fundamental que a partir desta ideia os treinadores elaborem seus conceitos, variáveis, mas seguindo esta qualidade, esta filosofia, não teremos outros Barcelonas, mas quem sabe não teremos jogadores melhores, equipes melhores, competições melhores, modas melhores.

Grande abraço
Luis Esteves

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A IMPORTÂNCIA DE "TER" MODELOS


 

"No, ganar o perder no tiene nada que ver con jugar bien. Ni pasas a tener razón porque ganas, ni tampoco la pierdes por no salir vencedor."

Johan Cruyff
El Periódico

Quando um jogador inicia sua carreira na base do Santos Futebol Clube hoje, ele tem quem como modelo (principalmente os aspirantes a atacante)? Neymar, assim como Neymar teve Robinho, e Robinho teve Pelé, e Pelé teve seus modelos também.

O modelo é importante para nos dar um parâmetro de qualidade, do que achamos possível ser feito de forma que agrade a nós, e ao ambiente em que vivemos.

Vejo assim o FC Barcelona hoje, é um modelo de equipe, que apresenta determinadas caracteristicas possíveis de serem copiadas de forma positiva por outras equipes, afim de tornar o futebol em sí um jogo mais agradável de ser visto, um jogo mais coletivo, sem perder a qualidade individual.

O Shaktar Donetsky por exemplo, joga de uma forma muito parecida ao Barcelona, pelo menos me pareceu nos dois jogos da Liga dos Campeões, em que o Barcelona goleou, mas poderia ter sido goleado também.
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USANDO O MODELO

Vídeo em que apresentamos algumas situações pretendidas pela então equipe junior do EC Cruzeiro.

Num segundo momento coloquei uma edição de vídeo do FC Barcelona em que cito alguns comportamentos que a equipe apresenta e apresentou no decorrer do ano inteiro. A edição não é minha, não sei quem é o responsável pois não indica no vídeo.




Em outro momento vou utilizar este vídeo do EC Cruzeiro jovamente (vou refazer a postagem sobre organização ofensiva) pois acredito que fica fácil de verificar que conseguimos passar por todos os momentos do jogo (Iniciamos em Transição Defensiva após uma jogada, entramos em Organização Defensiva, entramos em Transição Ofensiva e Terminamos em Organização Ofensiva com o gol), dando ênfase na Organização Ofensiva, e dentro desta conseguindo ter êxito nas 3 fases que acreditamos serem pertinentes:

1 - Organização
2 - Criação de Superioridade"s" / Espaço"s"
3 - Aproveitamento dos espaços e Finalização

Junto com isso algumas coisas aparecem, como jogo frente costas, entre linhas, abertura e profundidade, criação de linhas, dentre outros.


Um assunto interessante é a reprodução deste modelo do FC Barcelona em outras equipes que não o próprio FC Barcelona. Neste vídeo dos juniores do Cruzeiro facilmente se identifica movimentos parecidos, e me pergunto, será correto "copiar" este tipo de modelo de jogo, com adaptações contextuais, claro, mas seguindo a mesma filosofia?


Cada vez mais acredito em minhas experiências de campo, que a maior parte dos erros cometidos pelos jogadores da base, principalmente em juvenis e juniores , ocorrem pela preocupação em ganhar o jogo, tornando este um jogo muito mais rápido do que a natureza do momento permite, um jogo descontrolado, e para mim, isso é culpa do modelo de valorização, que acaba condicionando os modelos de jogo das equipes destas idades.


Pensemos então, se valorizarmos modelos como o do Barcelona, do Shaktar Donetsky (pra não ficar só no Barcelona) não estaremos formando jogadores com menos pressa e com mais qualidade, vivendo mais o jogo?


É possivel fazer isso com outros modelos? É, porém, na maioria deles a participação dos jogadores se reduz com a bola, consequentemente a propensão de aprendizagem e participação ativa também cai, muitas vezes por nem dar tempo de tomar conciência do processo, é comum ver isso em categorias sub-10 ou sub-11 em que as equipes iniciam suas organizações com um balão do zagueiro, para um atacante que normalmente parte para um lance 1x1 e a partir dai o acaso toma conta. Porém o que leva os treinadores a acreditar nesse tipo de jogo? O resultado, um zagueiro pequeno em termos de idade ao tentar sair jogando por exemplo, pode errar pela sua falta de conhecimento sobre as opções, timmings, percepção e tomar o gol, e consequentemente a equipe pode perder por causa disso. Porem esse erro pode ser o inicio do acerto, o conhecimento e o aprendizado passam pelo erro, não podemos blindar os atletas, temos sim é que acreditar em "um" futebol independente da idade.


E para finalizar, será que o pessoal do FC Barcelona inventou este modelo? Ou apenas aperfeiçoou a cópia da seleção holandesa de 1974?

Alguns clubes tradicionais tem modelos diferentes deste acima proposto inclusive quase como estatutos do clube, muitas vezes até o oposto do que mostrei acima, porém se hoje a Inter de Milão, que foi Bi-campeâ Europeia com Helenio Herrera com o velho Catenaccio nos anos 60, (inclusive segundo alguns inventando á figura do Líbero e até mesmo da Defesa com 3 Zagueiros já que ele muitas vezes usava uma linha de 4 com um Líbero atrás, jogando com 5 alí), E Mourinho vencendo tudo na Itália jogando na maior parte das vezes com um 1.4.3.3 e um Losango bem ofensivo, e não me lembro de alguém ter dito que isso agrediu a cultura defensiva italiana gerada lá pelos resultados do Herrera.
 
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Grande abraço
Luis Esteves

terça-feira, 19 de abril de 2011

CONVERSAS DE FUTEBOL - CARLES REXACH

"Não existe vento favorável para aquele que não sabe para onde vai." 

Arthur Schopenhauer




Dedico esta postagem ao amigo professor Alberto Tenan, que me enviou esta entrevista, que posteriormente encontrei no site do El Pais, e também por me lembrar desta história ocorrida num destes torneios que participamos. Grande abraço Alberto! Assim como o professor Michel Huff que será citado no fim da postagem, vale à pena conferir o trabalho do Alberto e suas publicações.
 
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ENTREVISTA:

FÚTBOL - Mañana se entrega el Balón de Oro

 CARLES REXACH Ex jugador y entrenador del Barcelona

"Michels lo cambió todo. Lo más difícil fue defender la idea, demostrar que servía"

09/01/2011
Entró en el club con 12 años, estuvo cinco en la cantera, 17 en el primer equipo y durante 22 en el cuerpo técnico, incluida la etapa en que fue ayudante de Cruyff en el 'dream team', precursor del Barça de Guardiola. Ahora analiza el podio azulgrana en el Balón de Oro

Nació en Pedralbes, barrio al norte de Barcelona, en 1947 y hasta 1997 vivió a un kilómetro y medio del Camp Nou. Estuvo un año en Japón y al volver Carles Rexach se hizo cargo del primer equipo durante una cruda etapa en la que el Barça perdió la semifinal de la Copa de Europa ante el Real Madrid. Charly no es cualquiera para el Barcelona. No corrió nunca, ni para ser Pichichi, galardón que ganó con 17 goles en 1971, y no solo jugó con una mano por pie sino que le bastó mover la cintura para sacar un regate. Tan listo era que cuando jugaba en El Plantío se cambiaba de banda en la media parte para seguir en la zona en que daba el sol, siempre seca. En 1988 montó el despacho con Cruyff encima de una pelota; hoy no se hablan. Guardiola les dedicó el último 50 al Real Madrid por patentar la idea.

Pregunta. Luis Suárez es el único español que...

Respuesta. ¡No me extraña! El mejor, elegante, fino, listo. Era mi ídolo. Él y Kocsis. La selección no tuvo cultura futbolística, ni fue un verdadero equipo hasta hace 15 años. El Madrid ganaba la Copa de Europa, pero el crack siempre era extranjero y el premio fue para Di Stéfano, Kopa. Los buenos eran ellos. Luego, 25 años sin que un equipo español ganara la Copa de Europa. Ahora todos los equipos son competitivos.

P. Guardiola les dedicó a usted y a Cruyff el 50 al Madrid.

R. Siempre te gusta que se acuerden de ti, pero el que lo cambió todo de verdad, en 1973, fue Michels: la manera de jugar y de entrenar. Cambió lo de subir escaleras, correr y saltar con balones que pesaban una barbaridad por la pelota, los rondos, la conservación del balón. Después empezó a venir un entrenador cada año, un alemán, un inglés, H. H... Y cada año el Barça jugaba de una manera. Pero Michels nos dejó aquel gusto. Hasta que volvió Cruyff en 1988, hicimos foc nou (tabla rasa), y buscamos jugar como queríamos, más o menos. Pero, por encima de todo, nuestro mérito fue demostrar que de esa manera se podía ganar. Porque no todo el mundo nos daba la razón, muchos pensaban que no se podía jugar así. Tuvimos que demostrar que esa filosofía funcionaba y lo conseguimos.

P. ¿Recuerda qué le dijo Johan como punto de partida?

R. Que necesitábamos futbolistas, gente que jugaran al fútbol. Sabíamos lo que queríamos, cómo nos gustaba jugar y estábamos seguros de que funcionaría. Me acuerdo de que buscando jugadores le dije: 'Hay un tío que se llama Eusebio en el Atlético de Madrid que juega muy bien pero tiene poco nombre'. Nos fuimos a verle a un amistoso con la selección. Johan me dijo: '¿Estás seguro de que es bueno? ¡No la ha tocado!'. Pero sabíamos lo que queríamos. Yo sabía que en casa había gente: Milla, Amor, Roura... Nuestro éxito fue que empezamos poco a poco. Dijimos dónde jugaba cada número y qué tenían que hacer: 'Mirad: el 2 hace esto, el 3 esto... Y quietos paraos, cada uno en su sitio y aquí no se mueve ni Dios'. Lo importante no era quién jugaba, sino dónde y a qué.

P. ¿Por eso pusieron a Zubizarreta de 11 en un entrenamiento?

R. Sí, para dejar claro que más allá de las calidades individuales, que ya las ajustaríamos, lo importante era que todos supieran qué tenían que hacer. Luego empezamos a moverlos. Primero dos: Laudrup se cambiaba con Stoichkov; Laudrup hacía de 9 y Hristo de 11. Luego, tres: incorporabas a Txiki, que era el 10. Entonces giraban tres y cada uno podía hacer lo del otro. Luego el lateral... Ya eran cuatro. Queríamos que cada uno ocupara una parcela del campo e hiciera su trabajo en relación al otro. Pero, para empezar, en vez de eso de tocas y te vas nosotros dijimos lo contrario. En el fondo la idea es sumar la calidad al colectivo.

P. Lo de Guardiola es la sublimación de esa idea...

R. Ha puesto sus cosas, muchas. Pep es muy listo. Este equipo defiende muy bien y nosotros defendíamos peor. Pero se ha encontrado con una ventaja: la gente que sube ahora ya sabe cómo tiene que jugar, nosotros casi lo tuvimos que enseñar. Ha tenido problemas con la gente a la que se lo ha tenido que enseñar, porque no es tan fácil aceptar según qué cosas. Con Ibra, por ejemplo.

P. ¿Aceptar qué cosas?

R. Está claro. Nadie puede decir que Ibra sea malo, porque es muy bueno. Y lo sabe él y lo sabe Pep. Pero llega aquí, Pep le empieza a decir que si patatín patatán y él piensa: 'A mí qué me explica este tío si yo siempre soy el mejor'. Él quiere jugar a su manera y el del Barça es un estilo donde todos deben interpretar el mismo fútbol. La gente sabe que primero es el nosotros y luego el yo. Eso lo tiene claro hasta Messi, porque Messi sabe que gracias a sus compañeros él es mejor.

P. ¿Usted cuando era pequeño iba a Les Corts?

R. Sí, con mi padre. Pero era muy pequeño, me acuerdo más del Camp Nou, con 10 años. Yo me acuerdo de Kubala, claro, pero también de Suárez, Kocsis, de Czibor, Villaverde, Eulogio Martínez. Czibor hacía locuras con la pelota, tenía un regate terrible. En esta casa siempre han gustado los buenos futbolistas. El Barcelona de mi infancia jugaba muy bien. Luego tuve mala suerte: llegó un fútbol oscuro, triste, físico. Sin imaginación alguna, era correr y correr, y si no corrías no jugabas. Yo me cansé de oír eso de sudar la camiseta, pelear... "Hay que morir por la camiseta", nos decían. Y yo pensaba 'oiga, yo lo que quiero es jugar y pasármelo bien, ¡no me quiero morir que tengo 20 años, hombre!'. 'Hay que manchar la camiseta', decían. ¡Uns collons! Al fútbol se juega de pie, cuanto menos te ensucies mejor, señal de que has podido jugar más y te has podido pasar la pelota. En el fondo, de lo que más orgulloso estoy es de que se haya convertido en realidad lo que pensé toda mi vida: que jugando bien al fútbol también se gana, que no es necesario ni morder, ni morir, ni chorradas. Que siendo pequeño se podía jugar estaba demostrado hacía muchos años. Mira Simonsen. Si no pones al bueno, no juega. Tengo que acabar de creerme que la gente lo ha entendido... Luis y Del Bosque lo entendieron hace años y se subieron a este carro del Barça, lo completaron con muy buenos jugadores y ganaron porque jugaron muy bien. La selección perdió el tiempo hablando de furia porque, a chocar y a correr, a un alemán no le ganas, ni antes ni ahora. Me cansé de oír: mira ese que bueno, lástima que sea tan bajito. ¿Y qué?

P. Usted tuvo muchos entrenadores. ¿Solo le marcó Michels?

R. ¡Muchos! Sin moverme de aquí tuve a Buckimgham, Kubala, Olsen, H. H., Artigas, Weissweiler... Uno me decía una cosa, el otro otra. Yo, al final, pensé: si uno me dice una cosa y el otro, otra, uno de los dos me enreda. La ventaja de Pep es que creció escuchando una versión. En el Barça hace 50 años que le hablan al jugador de cantera de una idea.

P. ¿Ese sello es exportable?

R. Se puede copiar, pero nosotros llevamos 30 años de ventaja, esa es nuestra suerte.

P. Tres jugadores del Barcelona compiten mañana por el Balón de Oro. ¿A quién se lo daría?

R. A los tres. Depende de qué se elija. Si es el mejor futbolista, a Messi. Si se premia a la idea, una manera de entender el fútbol, a Xavi. Y si es una mezcla, el mejor del año, si atiendes al Mundial... a Iniesta. Los tres se merecen ser reconocidos como el mejor del mundo. Pero lo más importante es que en el once del año hay cinco del Barça. Es evidente que se premia el estilo del Barcelona, a esta idea...

P. Usted descubrió a Messi...

R. No, yo le vi jugar cinco minutos cuando ya estaba aquí y vi que era bueno. Lo sabía hasta la pelota. No sé si el mejor, pero nadie dio más en menos tiempo. Es como lo de la relación calidad precio, ¿no? Su rendimiento es superior al de cualquiera. Incluso si lo comparas con Di Stéfano, porque el Barcelona siempre fue un equipo al que le costó mucho ganar. Y Messi ya lo ha ganado todo varias veces en cinco años. Y ha metido más goles que nadie. Y ha hecho cosas que nadie... Ya ha pulverizado todas las expectativas. Messi es la piedra filosofal de la idea del barcelonismo.

FONTE:

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CONTOS DA BOLA

O LIVRO DO MOURINHO

"Estava eu, na arquibancada assistindo à final de uma competição destas de base, em que se aproveitam as datas de pausa escolar, quando do nada me deparei com uma cena que me fez refletir sobre a nossa conduta teórica perante diretores e coordenadores, e os pontos que realmente valem à pena serem ditos ou expostos para pessoas que não fazem a menor questão de refletir sobre paradigmas novos ou antigos no futebol ou fora dele.

O caso foi o seguinte: em meio a "grande" final , chovendo, final de jogo, placar mais ou menos definido (2x0) substituições feitas sem o resultado desejado (empate) porém, a equipe com maior volume de jogo, atacando, pressionando, jogando bem... mas perdendo... mas estava jogando bem...

Mas o "presidente" do clube não achava isso. E no auge de um erro qualquer de um jogador qualquer, quando já não havia mais como ganhar o jogo, ele se levanta da arquibancada em um movimento agressivo, se não me engano até mesmo portava uma daquelas "vuvuzelas" (o indivíduo se encontrava ao meu lado praticamente, e havia passado o jogo todo "cornetiando" o meu pobre amigo treinador, assim como eu tantas vezes fui "cornetiado") e solta a célebre frase:  Treinador filho da (...) tu vai ve desgraçado hoje  "cai" tu e o teu livro do Mourinho."
E assim se foi mais um treinador.

Fim.

Moral da história: Se você é o treinador, e você tem um suposto "livro do Mourinho" * tenha muito cuidado com quem vai ver que você tem o tal livro do Mourinho. É melhor falar sobre isso somente após ganhar a competição... pode acreditar.

* = Como se José Mourinho, atual treinador do Real Madrid Já tivesse escrito algum livro...
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BLOG DO PROFESSOR MICHEL HUFF


Blog do professor Michel Huff, atualmente preparador do FC Metalist da Ucrânia. Em uma das suas últimas postagens ele trata sobre o tema das metodologias que envolvem o futebol. Vale a pena acompanhar o trabalho deste grande profissional.

http://blogmichelhuff.blogspot.com
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Venho informar que em uma das próximas postagens devo fazer a troca de título deste blog.

Grande abraço
Luis Esteves