sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO

“ Meu Deus, agradeço por me dar forças e convicção para cumprir a tarefa que me confiou.
Obrigado por me guiar sem hesitar através de muitos obstáculos em meu caminho e por me manter determinado quando o mundo parecia perdido.
Agradeço sua proteção e seus sinais ao longo do caminho.
Obrigado pelo bem que eu possa ter feito e lamento muito pelo mal.
Combati o bom combate, terminei a corrida, mantive a fé!”

Tomóteo, II carta - Capítulo 4 Versículo 7.

“A fé é a minha flor de luz no campo da escuridão, o que me dá forças para seguir em frente”

O livro de Eli





FELIZ ANO NOVO A TODOS!

AGRADEÇO A DEUS POR TUDO.

AGRADEÇO A TODOS QUE PARTICIPARAM NO DECORRER DO ANO AS POSTAGENS DESTE BLOG.

AGRADEÇO A TODOS QUE COMPRARAM E GOSTARAM DO GERENCIADOR.

MUITO OBRIGADO!

AGRADECIMENTO ESPECIAL AOS AMIGOS QUE FIZERAM PARTE DE PERTO DAS ALEGRIAS E DAS TRISTEZAS DESTE ANO, MINHA FAMÍLIA GUIDO, KÁTIA, FRANSCISCO, EDUARDO E SABRINA, IVETE, ADÁLIA, ADRIANA, VANDERLI, LUIS FERNANDO, JAINE, BRENO E BIA(UM BEIJO ESPECIAL), AOS AMIGOS DO CRUZEIRO EDUARDO E KELLY, LUIZ ANTÒNIO , JULIAN (AGRADECIMENTO ESPECIAL POR TODO O APOIO, PROFISSIONALISMO E QUALIDADE DEMONSTRADA NESTE ANO INTEIRO, PARABÉNS), MARCOS, TOCO, DIEGÃO, DIEGO, MARCELO, CEZAR, LEANDRO, LEANDRO, MATHEUS, VINÍCIUS, PAVÃO, ANDRÉ ,E MEUS ATLETAS (AQUELES QUE SEGURARAM A BRONCA ATÉ O FINAL), AOS PROFESSORES DO GRÊMIO PELO TRATAMENTO QUE RECEBÍ EDSON, MAURO, CRISTIAN, VINICIUS, FELIPE, MÁRIO, ROGÉRIO, PAULO, EMA, TÚLIO, SEU OSMÂ E SEU EGÍDIO, AOS AMIGOS DO GRUPO DE ESTUDOS DO GRÊMIO CÍCERO, THIAGO, RAFAEL, DANIEL, FELIPE E LUCAS. AOS AMIGOS DO SÃO JOSÉ, RODRIGO, SÉRGIO, PINTO, NILTON, MAICON, PIT, E TODOS QUE LÁ ESTÃO.

AOS AMIGOS DO GRUPO DE ESTUDOS DA PUC, RODRIGO, BERNARDO E ANDERSON. AO AMIGO DE PUBLICAÇÃO, RODRIGO CAZARIN. A PROFESSORA SABRINA, E A TODOS QUE EM ALGUM MOMENTO AJUDARAM NESTE ANO MESMO QUE NÃO ME LEMBRE NO MOMENTO, GRANDE ABRAÇO E FELIZ ANO NOVO QUE TODOS SEJAM FELIZES NOS CAMINHOS QUE POR VENTURA VENHAM SEGUIR.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

EXERCÍCIO - CIRCÚITO DE JOGOS DE TENSÃO

"Se o Pep me dissesse para eu me atirar do terceiro anel do Camp Nou eu pensaria: 'Deve ter algo bom lá embaixo'."


Daniel Alves, sobre Pep Guardiola
Site da FIFA





POSSE E CIRCULAÇÃO:

Preocupação com a organização ofensiva

Neste campo jogam 4x4+1. A Equipe com goleiro deve fazer o gol em uma das goleiras pequenas, a equipe sem goleiro deve fazer o gol na goleira grande. O mais importante neste campo é manter a posse, portanto para efetuar a finalização na goleira grande é necessário realizar no mínimo 5 passes, quem faz o gol na goleira pequena pode pontuar a qualquer momento. O objetivo é se manter finalizando na goleira grande, ou seja caso pontue em uma das goleiras pequenas, troca-se de meta, se por ventura houver gols na goleira grande, se mantém atacando na mesma a equipe que pontuou.

ZONA PRESSIONANTE:

Preocupação com a organização defensiva

Neste campo jogam 4x4 em um quadrado com 4 goleiras nas pontas. O objetivo do jogo é pressionar o mais alto possível, fazendo uma retirada da pressão curta e um gol em uma das goleiras distantes da mais´próxima a que a bola foi roubada.

RETIRADA DA PRESSÃO:

Preocupação com a transição ofensiva

Neste campo ocorre um confronto 2x2 no centro, com apoios de 4 jogadores por fora. Os apoios só podem jogar em segurança, e a retirada da pressão deve ser feita pelos jogadores do centro, forçando uma maior criação de linhas de frente para as metas, se não o normal é um comodismo com a retirada da pressão pelos apoios que não tem pressão contra, ou tem maior liberdade para pensar. O Objetivo do exercício é retirar a bola da pressão entrando e pontuando em metas do lado oposto. Exigir dobras próximas evitando ficar um de cada lado do campo.

RECOMPACTAÇÃO:

Maior preocupação com a transição defensiva

Neste campo existe uma relação setorial ou intersetorial, nos outros isso pode ocorrer também, porém neste há uma maior preocupação com a transição. Jogam 4x4, de forma que fique uma linha contra um losango, o objetivo do losango é finalizar em uma das goleiras, o objetivo da linha é retomar a posse e trocar 3 ou 5 passes, se conseguir isso passa a atacar e o outro grupo defender. A cada desarme e tentativa de circulação deverá haver uma reação rápida a perda da posse concentrando no fecho de espaços das goleiras. Isso deve gerar uma maior responsabilidade em relação aos espaços entre linhas e dobras setoriais. Todos os mecanismos ofensivos e defensivos do setor podem ser treinados neste exercício.

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GRÊMIO TEM MAIS UM NA SELEÇÃO SUB-20



Lucas de Oliveira será analista de desempenho

Depois das convocações do zagueiro Saimon e do volante Fernando, o Grêmio cede mais um profissional para a Seleção Brasileira Sub-20 que disputa em janeiro, no Peru, o Campeonato Sul-Americano da categoria. Lucas Martins de Oliveira foi chamado para exercer a função de Analista de Desempenho da Seleção do técnico Ney Franco.

Lucas é um dos profissionais do Grêmio que trabalha no CDD (Central de Dados Digitais) do clube, local onde foi revelado também Rafael Vieira, hoje Analista de Desempenho da Seleção Brasileira profissional comandada por Mano Menezes.

Nesta temporada, o CDD do Grêmio foi citado mais de uma vez pelo goleiro Victor. Durante o Campeonato Brasileiro, ele defendeu cinco penaltis, resultado do minucioso trabalho realizado dentro do CDD.

Funções do CDD :
a) Analisar através de imagens os próximos adversários a nível técnico e tático
b) Analisar através de imagens e por pesquisas os atletas oferecidos ao clube
c) Preparar material audiovisual com as características dos atletas que serão adversários
d) Fazer os scouts das partidas
e) Preparar o material para ser utilizado nas Palestras de treinos e Jogos
f) Monitorar todos os atletas que atuam em todas as Séries do Campeonato Brasileiro
g) Monitorar os atletas brasileiros que estão atuando no exterior
h) Monitorar os atletas estrangeiros

Lucas Oliveira viaja no dia 3 de janeiro e fica com a Seleção Brasileira até a metade de fevereiro.
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Parabéns professor!
Grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!

Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, do amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Então é Natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom Natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho, pra paz afinal.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Então é Natal, o que a gente fez?
O ano termina, e começa outra vez.
E Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, o amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Harehama, Há quem ama.
Harehama, ha...
Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Hiroshima, Nagasaki, Mururoa...
É Natal, É Natal, É Natal.




Desejo a todos um feliz natal, espero que esta data tenha um significado de recomeço positivo para todos nós baseados na avaliação da nossa própria natureza. Agradeço a todos a participação nas postagens e visualizações deste blog.

Agradeço a todos que adquiriram o meu Gerenciador nos últimos dias e nos dias anteriores, e relembro que o mesmo está em promoção até o dia 31 com desconto em relação a taxa de envio, após esta data o valor volta ao normal.

Um grande abraço e mais uma vez feliz natal.

Luis Esteves

domingo, 19 de dezembro de 2010

EXERCÍCIOS EM PEQUENOS GRUPOS


Variações de exercícios em espaço curto, com propensão a circulação e seus sub-princípios, zona pressionante e seus sub-princípios, retirada da pressão e seus sub-princípios, e recompactação e seus sub-princípios. Estes exercícios são variadíssimos no que diz respeito a possibilidade de propensão destes comportamentos.

VEJAMOS:

6+2 CONTRA 1:

Aqui existem 3 equipes de 3 jogadores. Dentro ficam um jogador por equipe, formando um trio em 3 cores. O sentido do jogo é a Posse, com muita circulação e retirada da pressão, evitando passes entre apoios. Vai haver uma superioridade de 2 x 1 no meio, que será variável e dependerá do erro de passe, ou seja, se errar o passe ou for desarmado, passa a ficar em inferioridade, assim como o apoio, se o apoio da cor do jogador que esta no centro errar, ele automaticamente passa a ser a inferioridade numérica.

4+2 CONTRA 2 COM GOLEIRAS:

Neste exercício jogam 4 jogadores no centro, e 4 jogadores por fora como apoios. O Objetivo é circular de forma a finalizar nas goleiras. É possível objetivar determinado números de passes antes de finalizar se quiser, eu prefiro liberar isso. Outro ponto importante é colocar a regra única de ao roubar a bola, ter que pelo menos retirar uma vez a bola da pressão nos apoios para após isso buscar linhas para fazer o gol. É importante salientar que quanto mais exercícios tiverem a possibilidade de finalização, independente da qualidade, melhor. É preciso saber que a manutenção da posse é boa, porém só tem sentido se for para fazer o gol.

6 CONTRA 3 (Retirar os jogadores azuis da figura, contando com dois trios apenas por fora - Verde e Vermelho):

Este é um tipo de bobinho, porém com objetivos muito claros e uma alta intensidade de concentração para haver sucesso. Jogam 6 jogadores por fora, e 3 por dentro.

Os que estão por dentro tem dois objetivos:

1 - Pressionar alto nas extremidades, tentando roubar bolas.
2 - Fechar o espaço interior, evitando bolas cruzadas entre a estrutura.

O grupo que está por fora, tem também dois objetivos:

1 - Circular determinado número de passes.
2 - Entrar com passes verticais dentro da estrutura do trio de pressão.

4 CONTRA DOIS COM CONES:

Neste exercício ocorre uma propensão a cobertura da zona pressionante buscando seguidas dobras diagonais. Quem esta pelo meio em dupla deve pressionar alto, e tentar desarmar, contando a pontuação pelos desarmes. Quem está por fora deve circular a bola a fim de derrubar os cones que se encontrar no centro do campo. É importante a paciência para achar o melhor espaço para derrubar o cone, para isso deve ocorrer constantes retiradas da pressão com certa qualidade.



Quanto a propensão da sub-dinâmica física fica a critério do dia de escolha, porém existe na maioria dos exercícios uma maior propensão para quarta-feira pelo fato do espaço ser reduzido, o número de jogadores no meio relativamente igual, e a solicitação alta, porém, dependerá os tempos de exercitação, dos intervalos, e da pressão, se será ativa (Alta e agressiva) ou semi-ativa ( Média e sem desarme direto, roubando na interceptação).
Grande abraço

Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A ORGANIZAÇÃO DO JOGO

Tenho o prazer de publicar o artigo enviado a mim pelo professor Thiago Duarte. Conheci o professor num destes momentos em que não há uma idéia planejada e o acaso simplesmente acontece mesmo acreditando que as coisas não acontecem por acaso, e através de algumas particularidades tive a possibilidade de ir até o Grêmio FBPA em 2009 e lá conversar com os professores Lucas Oliveira, Rafael Vieira e Thiago Duarte. Fui até lá e em meio a conversar sobre meu Gerenciador chegamos ao assunto periodização tática. Vale dizer que o pessoal citado, formavam (e ainda forma, com exceção do professor Rafael Vieira que hoje esta na seleção brasileira) na época a equipe da CDD do Grêmio, responsável pela análise de desempenho da equipe profissional, dentre outros serviços ao clube. Ao conversarmos sobre periodização tática, Lucas, Thiago e eu, falamos de diversos sub-assuntos e essa conversa para mim pessoalmente foi uma verdadeira descoberta guiada, pois dali retirei posteriormente a idéia de construir esse blog. Então tenho uma verdadeira gratidão a estas pessoas pela abertura e a disponibilidade de desenvolver conhecimento dentro de uma área tão competitiva como é o futebol. Obrigado Rafael,  Thiago e Lucas por aquela conversa. As imagens são por minha conta.

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ARTIGO DE REFLEXÃO


Organização ou Organiza"ação"

Thiago C. Duarte
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"...quem não sente, não entende!"
" Um treinador de futebol que só sabe de futebol é um péssimo treinador de futebol"
Vitor Frade

Organização é o resultado da relação/interação entre ordem e desordem em um sistema, que formam por si só só um novo sistema organizado e organizante.

Difícil é estabelecer o equilíbrio entre ordem e desordem a fim e se criar um sistema organizado. Portanto tendo em vista a construção de uma organização, o que causa inquietação e indagação é a sua p´ropria construção: A organização deverá ser construída a partir do todo (A partir da ordem), ou se ela deverá ser construída a partir da interação das suas partes (a partir da desordem)?

Se a organização que se pretende é uma organização complexa (flexível e regenerável) tende-se a edificar a partir da interação de suas partes. Caso pretenda-se uma organização rígida e estável tende-se a construir a partir do todo pretendido. dentro do futebol é possível visualizar essa afirmativa muito claramente.
"O que a organização perde em coesão e rigidez ao se complexificar, ela ganha em flexibilidade, em aptidão a se regenerar, a jogar com o acontecimento, com o acaso, com as perturbações"
Edgar Morin



Quando há um encontro entre equipes "Desorganizadas" versus "Organizadas" , pensamos a priori que este confronto irá favorecer as equipes "organizadas". Mas, comumente, não é isso que acontece. Desorganizar uma organização desorganizada ( baseada em ações que que se ordenam e não na ordem pela ordem)  é muito mais complexo do que desorganizar uma organização organizada. Talvez seja por isso que é muito mais fácil quebrar um copo de vidro do que um copo de plástico, pois as moléculas do vidro estão mais rígidas e mais ordenadas em suas ligações, do que as de plástico. Neste caso o equilíbrio entre ordem e desordem, inclina-se muito mais para a ordem que à desordem.

Abalar o equilíbrio entre ordem e desordem é o que desorganiza qualquer tipo de organização. Seja ela organizada ou desorganizada. O difícil é encontrar a ordem na organização desorganizada com o intúito de desorganizá-la (...como é difícil encontrar padrão na maioria das equipes do futebol brasileiro).

Encontrar um padrão nas equipes desorganizadas, achar ordem na estrutura que pondera muito mais para a desordem, é muito complexo. Dentro de campo, talvez isto seja possível apenas com atletas que consigam ler o jogo, interpretar o que as interações do Futebol estão à dizer naquele momento. Verdadeiramente assim conseguiremos abalar a estrutura de qualquer organização, esta simbiose dicotômica entre ordem e desordem. Ter aquele(s) atleta(s) que tenha(m) a capacidade, inata ou adquirida, de abalar o equilíbrio instável da organização dentro do jogo.


"Em momentos de construção de um time, temos que ter princípios fundamentais e ele representa todos estes princípios: Ambição, Disciplina e Solidariedade."
José Mourinho, AS - 01/10/10

Uma equipe organizada no Futebol é flexível ao momento para manter sua rigidez. No qual em determinado momento do jogo (ofensivo, defensivo e transição) ela tem que ser flexível para manter a rigidez da equipe. Todavia, o atleta precisa ser criativo e ter liberdade, dentro desta organização que se pretende, afim de cumprir esta estabilidade necessária, neste momento.

No futebol, eu diria que a organização de uma equipe é o encadeamento das relações/interações entre cada atleta que produz uma unidade complexa/sistema. Porém não podemos esquecer que o Futebol é o confronto de duas equipes, ou seja, de dois sistemas, por via, de duas organizações. Assim esse encontro causa uma nova organização entre dois sistemas. Ao final essa organização será favorável à uma equipe ou outra.

Toda organização (no Futebol ou não) comporta diversos níveis de subordinação quanto aos seus componentes. No entanto, o desenvolvimento dessa organização não significa necessariamente crescimento das imposições, das leis impostas sobre os atletas; a verdadeira organização, dita complexa, se estabelece nas "liberdades" dos indivíduos que constituem a equipe de Futebol.  Há sempre, em todos os sistemas (E digo aqui o futebol como um sistema), mesmo nos que excitam criatividade, ligações entre as partes, coerções, que impõem graus de restrições e servidões. O todo assim, neste sentido, é menos que a soma das suas partes. Pois no futebol determinamos e desenvolvemos especializações e hierarquizações, servidões e repressões.
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" En el campo, el Barcelona é lo mismo de antes. Pero en el club en habido cambios y la cuéstion és que no afecten a un modelo que tanto éxitos ha dado y que el mundo entero admira, mejor no tocarlo"
Cruyff
2010


Portanto, o Sistema Futebol é ao mesmo tempo mais, menos e diferente que a soma dos seus atletas (suas partes). Mas também é verdade que fora do Sistema Futebol, os atletas são menos, eventualmente mais, de que qualquer forma do que ele seriam dentro da equipe de Futebol. Mas por quê? Porque cada atleta tem uma dupla identidade (Iniesta é sempre Iniesta, porém há muitos Iniestas, um que interage com Xavi, outro que interage com Touré, assim como outro que joga na seleção espanhola com Xabi Alonso). Uma identidade dentro do Sistema Futebol e outra fora do Sistema Futebol. Ele tem uma identidade própria e participa da identidade da equipe (o jogar que se pretende). Por mais diferentes que a identidade de cada atleta possam ser, eles ao constituírem um sistema têm pelo menos uma identidade comum de vinculação à identidade da equipe e de obediência as regras organizacionais.

Por exemplo, nas sociedades humanas, o indivíduo tem a dupla identidade, pessoal, profissional, e familiar. Não nos comportamos da mesma forma em nosso ambiente de trabalho, com os amigos, com o cônjugue, etc. Mas isso não quer dizer que somos falsos ou qualquer coisa do tipo. Isso quer dizer que em cada ambiente social temos restrições e servidões diferentes, pois as interações que temos com o meio e com as pessoas que constituem o ambiente faz com que tenhamos estes comportamentos distintos e diversos (Constrangimentos coletivos; tarefa, meio e do envolvimento).

"Por fuera todo parece igual. Pero por dentro no lo es."
Cruyff
2010



O que é necessário compreender são as características de cada atleta. A equipe deve ser uma unidade, pois ela é formada por atletas que são diferentes, porém inter-relacionados. Cada atleta dispõe de qualidades próprias e irredutíveis, mas elas devem ser construídas e organizadas (Por isso é importante pensar a ordem através da ação a Organiza"ação" e não a ação através da ordem).


"O segredo do bom futebol actual é, os jogadores mesmo em posições diferentes em campo, pensarem a mesma coisa, ao mesmo tempo, em cada situação de jogo, não distinguindo a defesa e o ataque (e missões) de forma tão clara pelos seus intérpretes. Começar a atacar (recuperada a bola) pelos defesas e começar a defender (perdida a bola) pelos avançados. Viverem no mesmo território de elite apesar de terem vindo de "planetas" diferentes."
Lobo
2010



Com isto, não se pretende total subordinação das ações individuais às coletivas, ou seja, o que se quer é que cada atleta encontre dentro desta concepção de organização coletiva o espaço necessário para refletir a sua própria personalidade/identidade, improvisação e criatividade. Pretende-se assim assegurar a coordenação e cooperação dos seus comportamentos, pois parece ser este o aspecto que consubstancía o aumento da eficácia da equipe.

Contudo, "Não necessariamente a maior eficiência leva a eficácia" . Aliás um dos problemas mais complexos que determinam a eficácia de qualquer estrutura de uma equipe de Futebol é a forma como os atletas desenvolvem a sua ação dentro da organização da própria equipe.




"Sim Mister, ele faz isso, sim. E vai fazer outra vez neste jogo. Mas...Quando?"

"FORMAR (Criar situações para que a equipe forma a sua identidade) e não FORMATAR (Impor uma identidade."

 "É preciso pensar o futebol a partir da bola"
Vitor Frade.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PESSOAIS:

EQUIPES ORGANIZADAS X EQUIPES DESORGANIZADAS

Concordo com o professor quando diz que é muito dificil desorganizar algo que já esta desorganizado, é mais difícil do que desorganizar algo organizado, pelo simples fato de que é possível criar uma estratégia para isso, ou seja, quando se prevê um comportamento, é possivel criar previsões de um contra-comportamento, mas quando não existe um padrão de comportamento isso se torna muito mais imprevisível.

FORMATAÇÃO X FORMAÇÃO

Esse é pra mim um ponto importante de discussão. Formar ou formatar? Eu atualmente tento formar equipes, porém dentro de uma formatação prevista. Ou seja, formo pois a equipe em sí tem seus componentes e eles ao interagirem acabam Formando um novo sistema, porém este sistema precisa ser formatado por um determinado comportamento pré-estabelecido, porém flexível, e certamente em meio a esta Formação, alguns conceitos em termos hierárquicos podem sofrer alterações, ou seja, coisas perdem e ganham importância com determinados jogadores. Porém acredito que não deva haver uma prostituição do treinador, se um treinador é contratado por um clube, existe a lógica de que ele foi contratado por um histórico, então, não há sentido em mudar tudo, porém pequenos ajustes obrigatóriamente precisam ser feitos pelo simples processo histórico do clube.

AS INTERAÇÕES DO SISTEMA

É outro ponto interessante. Considerando uma escalação, não devemos subestimar a estrutura de jogo. Embora ela seja menos importante do que o Modelo, e seja possivel usar estruturas parecidas em modelos diferentes, a estrutura proporciona em sí a maior parte das interações entre os elementos do sistema. Portanto é diferente colocar por exemplo um jogador em uma ponta direita, por exemplo, que terá interações com os jogadores que jogam por ali, pode facilitar ou não o jogo deste jogador, por isso a estrutra também deve ser muito valorizada e consequentemente os contatos de interação que irão gerar os jogadores de posições próximas, além da facilitação ou não de determinados comportamentos do modelo.

A DESORGANIZAÇÃO ORGANIZADA

Ao meu ver, quando jogamos contra equipes sem padrão em termos mais aprofundados, pois acredito que sempre exista um padrão, mesmo que o padrão seja não ter padrão. E ai entramos na pergunta: Como jogar contra uma equipe que não apresenta um comportamento lógico? A meu ver a unica solução é ter um Modelo de Jogo flexível, a ponto de mesmo não mudando, se ajustar a determinados processo e e desta forma conseguir impor o seu tipo de jogo. Ou seja, a unica coisa que eu acho que não deva ocorrer é a modificação do comportamento em molde do constrangimento proposto pelo adversário. É fundamental acreditar no modelo, porém também é fundamental que este modelo seja variado a ponto de prever diversos tipos de jogo.

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Grande abraço
Luis Esteves

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PROMOÇÃO GERÊNCIADOR!



Estou fazendo duas promoções do dia 13 até o dia 31 de Dezembro de 2010 relacionada ao gerenciador que venho comercializando no blog. Estarei dando o desconto do envio para qualquer lugar do Brasil. Ou seja, até a data acima citada o gerenciador terá o custo de 100 reais. Após esta data o preço volta ao normal e o valor passa novamente a 100 reais + o preço do envio.


A segunda promoção é que nestes gerenciadores comercializados nesta data estarei enviando junto, dentro do programa o Caderno de Organização para Treinadores e profissionais do futebol, que pode ser visto em:


( O caderno neste caso será enviado por PDF e deverá ser impresso).

Sobre este assunto contacte diretamente em:
la_futeboll@hotmail.com

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

EXERCÍCIO 6 X 3 INTERSETORIAL


Jogo de posições baseado em manutenção da posse através de circulação setorial, com o objetivo de trocar determinado número de passes. pode-se também utilizar a goleira após determinado numero de passes no campo demarcado. Já a equipe de 3 deve pressionar alto, e caso consiga roubar a bola, retirar a mesma da pressão para o campo em que tem 3 apoios na espera.

Tempos de pressão em média de 1:30 á 3:00 minutos.

É um exercício que provoca uma maior tensão nos 3 jogadores da pressão, por isso, para haver agressividade e intensidade, deve ser descontínuo, para que possa ocorrer uma manutenção da qualidade da pressão, intercalando com tempos de recuperação. É possivel revezar o trio pressionante, exemplo: Na próxima pressão vão os que nesta estavam no apoio.

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PROMOÇÃO - GERENCIADOR LA FUTEBOL

Estou fazendo duas promoções do dia 13 até o dia 31 de Dezembro de 2010 relacionada ao gerenciador que venho comercializando no blog. Estarei dando o desconto do envio para qualquer lugar do Brasil. Ou seja, até a data acima citada o gerenciador terá o custo de 100 reais. Após esta data o preço volta ao normal e o valor passa novamente a 100 reais + o preço do envio. A segunda promoção é que nestes gerenciadores comercializados nesta data estarei enviando junto, dentro do programa o Caderno de Organização para Treinadores e profissionais do futebol, que pode ser visto em: http://periodizacaotatica.blogspot.com/p/caderno-organizador-mensal.html

( O caderno neste caso será enviado por PDF e deverá ser impresso).

Grande abraço.

Sobre este assunto contacte diretamente em:

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

EXERCÍCIO PARA AQUECIMENTO


AQUECIMENTO - ZONA PRESSIONANTE

Desenvolvi este exercício para uma propensão a zona pressionante desde o aquecimento.

Todos ficam no espaço interior do quadrado, sendo que separados em pequenos grupos de quatro jogadores, um grupo com bolas (1 por dupla) circulando, e outros dois grupos sem bola, fazendo apenas movimentos balísticos coordenativos. Após sinal sonoro o grupo que está em fase de aquecimento articular pressiona o jogador que tem a bola com dois objetivos:

1 - Desarmar e ficar com a bola em posse;
2 - Retirar a bola das limitações do quadrado;

Após determinado tempo, troca-se o quarteto com bola, fazendo todos passarem pela pressão. Intercalar com alongamentos nas trocas de grupos.

Grande Abraço
Luis Esteves

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

EXERCÍCIO 5 x 3 - 6 x 5


Este exercício segue um contexto Intersetorial. Existe a Intersetorização Defesa/Meio e a Meio/Ataque.

Neste caso quero dar uma ênfase a mecanismos de organização ofensiva da 1ª fase, que se baseia como em uma das últimas postagens que fiz em organizar e criar espaços para entrar em situações frontais com uma bola nos meias que ali são representados pelas goleiras. Detalhe que as goleiras estão de perfil para o lateral, e o mesmo exemplo pode ser colocado pro volante, representando uma entrada de bola frontal no meia.

Quanto a equipe verde, está equipe tem como ênfase dois momentos:

G+5 x 3

1 Momento - Pressão alta, que consiste em ir buscar a bola de forma relativamente organizada, com constantes dobras e uma zona pressionante realmente em conjunto. Na figura a pressão inicial é feita pelo trio de ataque (Verde).

6 x 5 +G

2 Momento - Se conseguir o desarme, lateral, ou falta, imediatamente entram os atletas vermelhos, que representam alí o setor de meio campo. A partir daí o jogo passa a ser 6 x 5. A equipe de 6 tenta finalizar em organização na goleira grande.

Ao concluir o objetivo, volta o início e a pressão inicial é feita pelo vermelho, deixando o verde na espera.


 
Grande abraço
Luis Esteves


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ESTÁGIO - GRÊMIO FBPA - JUNIORES



Tive a oportunidade de estagiar do dia 1º ao dia 10 de novembro nos juniores do Grêmio FBPA, categoria esta comandada pelo treinador Cristian de Souza. Gostaria de agradecer a recepção de todos os profissionais que tive a oportunidade de conviver nestes dias, onde pude observar treinos e um jogo, tendo um grande crescimento na minha formação profissional e pessoal sem dúvida, afinal jamais havia participado da realidade diária de um clube gigante como o Grêmio FBPA, ainda mais em uma categoria junior.

Agradeço então aos professores Mário, Felipe, Rogério, Vinícius e Cristian, o pessoal do juvenil que tive a oportunidade de ter rápidas conversas Ema, Marcelo e Túlio, além dos profissionais Jéferson ,Egíidio e Seu Osmã, além do pessoal da direção nas figuras do Paulo Araújo, Rogério, Mauro Rocha, Edson Aguiar e João Antônio, agradeço a todos pela atenção, abertura e recepção, e parabenizo pelo exelênte trabalho.



Abaixo irei colocar alguns exercícios e fotos que representam algumas ideias do professor Cristian e da sua comissão assim como do clube, demonstrando que existe uma congruência entre treino e jogo, entre planejamento e ações dentro de um Modelo de Jogo previsto pelo treinador e pelo clube:



É importante salientar alguns pontos para reduzir a margem de descontextualização:

  • A equipe se reapresentou nesta exata semana.
  • Esta semana foi utilizada como readaptação ao esforço.
  • Semana aberta para avaliações com futuros reforços para competições previstas.
  • Acompanhei na maioria dos dias somente um turno dos treinos.
  • Não vou colocar os tempos de exercitação  e recuperação, porém é importante salientar que todos os exercícios seguiram a lógica de aquisição e recuperação respeitando também as sub-dinâmicas físicas força, resistência e velocidade.
Exercício de 2x2 - Ocorreram muitas variações deste tipo de exercício com grande preocupação em correções individuais sobre diversos elementos do Modelo de Jogo.

EXERCÍCIO 1


Aquecimento - Muitas variações com coordenativos em escada, pequenos circúitos e alguns exercícios técnicos.
Exercícios intersetoriais - Variações sempre buscando a circulação desde o goleiro, e movimentações previstas de acordo com o jogador que possui a bola.

EXERCÍCIO 2



Exercício Intersetorial

EXERCÍCIO 3

Treinamento de Goleiros - Preocupação com o Modelo de Jogo e o entendimento dos goleiros no processo.
EXERCÍCIO 4


Centro de Treinamentos de Eldorado - Um verdadeiro paraíso para o treinamento de uma equipe de futebol, poucos tem uma estrutura como essa.

Um grande abraço
Luis Esteves

domingo, 28 de novembro de 2010

ENCONTRO DE PAIS DA CATEGORIA SUB-15

Noticia pode ser vista em:

O sábado foi bastante movimentado para os pais dos atletas da categoria sub-15 do Grêmio. Organizado pelo setor biopsicossocial das Categorias de Base, o encontro iniciou no Salão Nobre Patrono Fernando Kroeff do Conselho Deliberativo, no Estádio Olímpico.

O encontro abordou temas como a filosofia das Categorias de Base do Grêmio, a relação de comportamento dos atletas, os hábitos alimentares dos jogadores, o papel da fisiologia na formação esportiva, análises de desempenho, táticas, questões jurídicas e médicas.

O evento foi prestigiado pelo assessor do Departamento de Futebol para as Categorias de Base, Cel. Élvio Pires, e os coordenadores Edson Aguiar e Mauro Rocha.

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OPINIÃO PESSOAL

Me chamou atenção esta notícia do site do Grêmio FBPA sobre uma reunião de pais, na qual foram abordados muitos assuntos relacionados a formação dos atletas acredito eu. Não vou me apegar muito a esta reunião pois eu não estava presente, mas o que me espanta é um clube do tamanho do Grêmio se preocupar em fazer esse tipo de reunião, porém me espanta de uma forma muito positiva (e posso estar exagerando, pois derrepente isto é uma coisa normal no clube) já que eu particularmente sempre apoiei e utilizei deste método para um maior entendimento dos pais sobre o processo em que seus filhos participam.

Digo que me espanta pois me lembro do meu início de carreira, quando assumi uma equipe e um jogador me falou sobre uma preleção de um treinador de um clube grande aqui do estado, e o treinador dizia "Não quero saber de pais falando comigo, eu odeio pais" para mim era engraçado mas eu entendia que por estar no topo do processo este treinador não necessitava da participação direta dos pais no processo de evolução do jogador, mas os tempos mudaram.

Este tipo de reunião é muito costumeira em clubes pequenos, que não tem possibilidades financeiras maiores, e que "precisam" dos pais no processo de formação do jogador, já que costumeiramente precisam fazer eventos para comprar bolas, pagar aluguél de campo, comprar fardamentos, ajudar em diversos outros assuntos, essa é uma realidade comum a maior parte dos clubes pequenos que são a formação da formação pois dali muitos atletas acabam saindo para outros clubes maiores entrando em um circuito mais competitivo.

Muitos clubes de ponta, os que tem o poder estrutural e cultural, acabaram com o passar dos anos e com a evolução empresarial do futebol gerando uma ruptura com os pais dos atletas, já que não existia mais a preocupação de perder jogadores, principalmente quando se está no topo, o que dispensa a participação dos pais, e os remete a meros torcedores nos jogos, sem nenhuma participação (como se isso fosse possível) no processo de formação. Esta falta de participação, o medo de dispensas, um certo desconhecimento dos pais sobre as fases e o processo de crescimento do jogador, esta falta de contato ou este contato muito limitado acabaram gerando um novo elemento no sistema, os "empresários" nas categorias de base.

Como diz o professor Vitor Frade, "Toda a generalização é perigosa, inclusive esta" é dificil generalizar esta classe, pois como em tudo existem os bons e ruins, porém hoje a maior parte dos que se dizem "empresários" na verdade são apenas exploradores de menores com o objetivo de conseguir dinheiro fácil em futuras negociações, e isso acaba gerando um grande problema no futebol.

Equipes do nível do Grêmio FBPA, São paulo FC, SC Internacional tem uma cultura muito rica, muito tradicional, o que exige mais do que um simples jogo de futebol, quando se joga num time destes é preciso jogar o futebol desta equipe, como dizem os portugueses sobre o FC Porto um futebol "Á Porto", pois cada equipe tem a sua identificação, a sua forma de jogar, e muitas vezes em meio ao processo de formação a aquisição deste comportamento é quebrada exatamente pelos empresários (não esquecendo que existem pais empresários também).

São quebradas a cada constrangimento (natural) que aparece em meio ao processo. Um jogador por exemplo quando é destaque em certas categorias menores acaba muitas vezes por motivos maturacionais tendo um destaque menor em anos seguintes, indo parar na reserva da equipe, sendo que com o acompanhamento necessário e o tempo correto, acabará por retornar a níveis altos, porém lá esta o empresário para simplesmente pegar o jogador e levar para outra equipe na qual ele irá supostamente ter destaque, ou por uma oferta material mais interessante, o que acaba tornando os clubes hoje verdadeiros clubes de aluguél, clubes de leilão, gerando no final jogadores sem nenhuma cultura futebolística.

A alguns meses o SC Internacional chegou a publicar que não participaria mais de competições de certo porte na base pois os empresários acabavam aliciando os jogadores para futuras transferências, o que acaba prejudicando todo o processo de formação pois a competição é algo fundamental para o rendimento e para a educação do jogador no sucesso e no insucesso.

Por isso mais uma vez venho parabenizar a iniciativa (talves não tão nova) do Grêmio FBPA na figura dos coordenadores Mauro Rocha e Edson Aguiar e o setor Biopsicosocial do clube, sobre esta aproximação e educação dos pais na base. Se houver uma aproximação, esclarecimento, planejamento, trocas de informação de forma clara, certamente o papel dos empresários será reduzido apenas ao setor profissional, onde apenas os verdadeiros empresários terão acesso a negociações em que o clube seja devidamente pago pelo desenvolvimento do jogador no decorrer de todos os anos de formação, acabando com esta palhaçada que vem se tornando as categorias de base.

Um Grande abraço
Luis Esteves

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

DIVERSOS


Gostaria de parabenizar a iniciativa do seminário de futebol realizado pelo Grêmio FBPA através do professor Thiago Duarte e a ESEF através do professor Cícero. Certamente um evento de alta qualidade com profissionais de top, que possibilitou grande crescimento de todos as pessoas presentes, e não foram poucas. ESPERAMOS PELO SEGUNDO.



Aula prática do professor José Guilherme.


Aula prática do professor José Guilherme.




Parabéns aos palestrantes Thiago Duarte, Rafael Vieira, Israel Teoldo, Júlio Garganta e José Guilherme.



Gostaria de mandar um Grande abraço aos amigos que fizemos no evento, em especial os professores Rodrigo, Alberto, Leandro e Guilherme, que além de ótimos profissionais que se revelaram através de suas opiniões sobre o jogo, também se mostraram ótimas pessoas, um grande abraço e sejam sempre bem vindos a Porto Alegre.

Gostaria de agradecer as pessoas que no evento me procuraram, e falaram sobre o blog, fico feliz mesmo de saber que de uma forma ou de outra estamos conseguindo ajudar e ser ajudado. Pegando o gancho quero agradecer a todos que frequentam esta página pelas 30 mil visitas nestes 15 meses, agradeço a participação de todos do fundo do coração.


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EXERCÍCIO INTERSETORIAL E COLETIVO



 A equipe amarela tem 4 jogadores contra 4 jogadores azuis no quadrado. Ali representei o espaço pressionado com a área vermelha. O azul deve pressionar a zona e ao desarmar procurar rapidamente retirar a bola da pressão com o 1 volante que esta entre os dois quadrados, este por sua vez conecta ao outro campo, onde ocorre uma pequena circulação. Na imagem eu não coloquei, mas dá pra colocar dois jogadores ali naquela zona verde, representando uma zona não pressionada em que temos clara superioridade. O amarelo deve tentar chegar rapidamente ate o atacante de centro, representado entre os dois quadrados.


A partir deste segundo momento, o time azul inicia um ataque organizado e tenta finalizar, a equipe amarela tenta retomar a posse e transitar rapidamente em profundidade no jogador que esta no centro representando o atacante de centro.


Neste momento os dois corredores da equipe estão trabalhando juntos, e a equipe deve perceber se é possível entrar em profundidade rápido para aproveitar alguma desorganização, ou se deve iniciar um ataque organizado.

Grande abraço
Luis Esteves

sábado, 20 de novembro de 2010

FASES DE ORGANIZAÇÃO OFENSIVA


" Antes de qualquer aula, o professor deve perguntar a sí mesmo: Qual o tipo de pessoa que eu quero que nasça da aula que vou lhe ensinar, e depois entra na aula. "

Manuel Sergio




Começo aqui uma série de cinco postagens (Que serão subdivididas). Serão baseadas nos quatro momentos do jogo e em sub-momentos de bola parada. Iniciarei com a Organização Ofensiva, após isso virão Transição Defensiva, Organização Defensiva e Transição Ofensiva, após colocarei alguns exemplos de bola parada de diferentes tipos. O objetivo destas postagens é identificar mecanismos (dinâmicas) de sucesso dos princípios, em equipes que conseguem fazer isso como comportamento padrão.


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ORGANIZAÇÃO OFENSIVA
PRINCÍPIO DA POSSE E CIRCULAÇÃO


Ter a bola e gostar dela, e conseguir mante-la em posse é uma verdadeira arte, pois depende demais dos timmings e da capacidade de criação  tomada de decisão individual de cada jogador, dentre outros elementos do sistema, dentro da estrutura e principalmente do modelo da equipe, pois para mim o modelo é como uma linguagem, e se um dos jogadores não falar a mesma lingua, acaba comprometendo toda a conversa.

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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE!
JUSTIFICATIVA PARA DETERMINADOS COMPORTAMENTOS


A NECESSIDADE DE UMA ESPECIFICIDADE PRECOCE
Como referência no assunto tomarei o exemplo do FC Barcelona, equipe hoje que constantemente apresenta a maior e melhor posse de bola em equipes de alto nível na minha opinião. Porém gostaria de salientar o seguinte: Atualmente eu trabalho com uma equipe de base, ou seja, trata-se de futebol formação/educação, e não futebol rendimento, embora o rendimento faça parte do processo, os dois tipos de jogo torna-se diferentes pela forma como se hierarquiza as importâncias, os conceitos e os ideais. Na base o rendimento é secundário, costumeiramente pode ser irregular, e o processo deve ser sempre de tranquilidade e paciência, com o menor teor possível de pressão por resultados, e o foco deve estar totalmente no processo do jogo, ou seja jogar e gostar do jogo. E isso não ocorre normalmente em equipes de base que vejo e jogo muitas vezes contra. 
Por exemplo, é costumeiro ver um jogador dar um balão, retirando a bola do estádio e vibrar com isso. Não digo que isso seja errado ou certo, porém, em termos hierárquicos devemos colocar os comportamentos que queremos sempre mais valorizados, ou seja, vai haver um momento em que uma bola deverá ser rebatida, porém, se a cada 10 bolas que meu jogador recebe, 8 ele rebate e duas ele consegue dominar e ficar com a posse, tenho determinado tipo de hierarquia de conceitos.

Portanto quando tomo o FC Barcelona como exemplo, sei que os campos de base são ruins, as bolas ruins, os adversários não querem jogar, o jogo é em maior parte de lançamentos, esta realidade é comum para mim nos últimos 8 anos, porém, admitindo que o processo que eu quero é o de formação e educação do jogador, afim de criar nele um núcleo duro de filosofia sobre futebol que privilegie o futebol bem jogado, limpo, com a única preocupação em jogar com prazer e qualidade no máximo limite de concentração possível, não posso mudar mesmo que em alguns momentos eu saiba que os elementos do ambiente irão prejudicar a nossa proposta de jogo. Porém é fundamental que o treinador esteja em um nível profissional em que ganhar um jogo já não é mais importante do que formar jogadores, e isso não significa que não gosto de ganhar, porém há muitas formas de ganhar e quando se esta formando pessoa deve-se ter muito cuidado com isso, pois dali a 5 ou 6 anos, podemos estar definindo como será ou não o futuro do jogador graças as experiências que ele adquiriu nos anos anteriores, graças a hierarquia de valores que ajudamos a criar na sua estrutura mental.

Sabemos que hoje o futebol de alto rendimento, o futebol de top é um grande negócio, que movimenta a paixão e a economia de muitas sociedades, não tem mais cabimento formar jogadores acostumados apenas a ganhar, pois ganhar na base é diferente de ganhar em níveis maiores, daí a explicação do porquê muitos jogadores destaques na base não conseguem o mesmo rendimento em categorias maiores, exatamente pelo processo que foi estimulado, ou seja é preciso haver um equilíbrio, sabendo que é muito importante ganhar e formar pessoas vencedoras, mas na base o caminho até a vitória sempre será mais importante que o resultado, se não fosse assim não haveriam casos de jogadores campeões de Efipan, Santiago, Copa Nike, Copa São Paulo, que chega na equipe profissional e não consegue se manter, para mim isso é resultado de um processo imediatista que assume o resultado como ponto principal do processo, eu pessoalmente acredito que o resultado é apenas o feedback de um caminho construido.
Assumindo então esta importância em termos de espetáculo, só há um caminho para a base, formar jogadores de alta qualidade e concentração nos quatro momentos do jogo, com raizes conceituais muito fortes a ponto de, quando chegarem em níveis de estress e pressão absurdas do futebol de top, nacional e internacional, consigam, através desta raiz conceitual, expressar todo o seu jogo com a velocidade e a qualidade que o futebol de rendimento necessita. Eis aqui a justificativa para este modelo de pensamento, formar para jogar e depois para ganhar é diferente de formar para ganhar e depois para jogar.

ORGANIZAÇÃO DOS DIFERENTES MOMENTOS DA POSSE E CIRCULAÇÃO

Dentro desta ideia, venho tentando desenvolver mecanismos (Mecanismos não-mecânicos, este nome não é de fato o melhor nome para descrever estas interações, porém ainda não encontrei nenhum outro nome para isso) facilitadores da posse e circulação, que se estabelecem dentro de 3 fases básicas de Organização Ofensiva. Seriam eles:

1ª Fase: Organização e Criação dos Espaços
2ª Fase: Aproveitamento dos espaços
3ª Fase: Finalização da Jogada



É importante dizer, mesmo sendo lógico, que os mecanismos de cada fase estão muito ligados a estrutura que se utiliza e neste caso será usado o 1.4.3.3.

Além destes mecanismos, outro elemento fundamental para haver sincronismos de ações são os conceitos. Estes conceitos/princípios permitem que os jogadores possam antever a próxima jogada de acordo com a situação que surge pelo imprevisto do jogo. Estes conceitos estão inseridos em cada momento do jogo, e servem como guia comportamental da equipe.

Bom, primeiro vou destacar alguns pontos que considero importantes nestas 3 Fases:


OBJETIVO :
Organizar a equipe em largura e muita profundidade, afim de gerar espaços para haver uma saída com a bola dominada, para posteriormente entrar na 2ª fase.
1 FASE: ORGANIZAÇÃO E CRIAÇÃO DE ESPAÇOS


Nesta primeira fase ocorre a saída de bola, normalmente com o goleiro. Esta fase se caracteriza por um maior espaço, o que possibilita uma circulação mais controlada, com maior domínio de ações.

É comum ter superioridade numérica nesta fase, então é necessário saber aproveitar isso gerando linhas sempre disponíveis de passe em relação ao jogador que tem a bola.

LINHAS DE PASSE

Todos os jogadores são linhas de passe, porém, existem linhas mais seguras que outras, e estas eu chamo de linhas fundamentais para a circulação, e estão representadas no quadro abaixo:


Como comportamento então devemos estimular os jogadores a identificar onde a bola está, com quem está, e a partir daí devem criar possibilidades de recepção de bola, usando conceitos que veremos mais a frente, baseado no comportamento que o adversário irá proporcionar, ou seja, não é uma modelação, é sim uma adaptação estrutural sem modificar no entanto o modelo da equipe, trata-se somente de pequenas movimentações multi-direcionais buscando espaços para recepção.

É necessário identificar as linhas seguras e as linhas de perigo. Exemplo:

- Linha do Zagueiro ao Lateral do mesmo lado - Normalmente segura
- Linha do Lateral ao Lateral - Normalmente perigosa

TIPO DE PASSE

É um conceito básico, porém importante salientar. Outro elemento fundamental é a direção do passe. Sempre procurar jogar em diagonais, isso é muito importante, pois possibilita um passe em segurança, diferente de passes paralelos, como no exemplo abaixo:


 
Além da direção, vale a pela salientar que o passe deve apresentar as seguintes características:

- Precisão - No pé dominante;
- Local - No espaço vazio ou no jogador;
- Velocidade - Deve ser rápido e seco, evitando demoras para chegar no ponto desejado;
- Tensão - Deve ser um passe que possibilite se necessário um direcionamento ou um passe de primeira, portanto deve ter tensão;
- Variação - Curto e longo
- Variação - Rasteiro ou Alto

CRIAÇÃO DE ESPAÇOS

O maior objetivo desta fase é gerar espaços, principalmente para que o 1º volante ou os laterais, recebam a bola com possibilidade de passa-la a um dos meias para que esse consiga receber a bola de frente para o jogo e sem estar pressionado.

Para que isso ocorra, existem mecanismos que os meias podem utilizar para gerar estes espaços, um deles esta descrito no quadro abaixo:


Na figura identifica-se o espaço gerado pelo avanço dos meias. É necessário um timming bom para que simultaneamente os meias retornem e já estejam disponíveis no momento em que o volante ou o lateral recebam a bola de frente para esse. Algumas vezes o adversário acompanha os meias até bem próximo da ultima linha, o que gera um espaço melhor, equipes que marcam de forma individual ou mista fazem isso. Outras equipes não acompanham, se isso ocorre, também é bom, pois gera uma superioridade numérica próxima da última linha, o que pode ser interessante - Figuras abaixo:

COM ESPAÇO:


SEM ESPAÇO:


Estes mecanismos dependem de uma comunicação gestual muito forte, ou seja os jogadores precisam ter os tempos de entrada, precisam de determinados sincronismos para possibilitar a circulação sem pressão, pois um ou dois segundos antes ou depois, o passe já pode sair errado ou pressionado. Exemplo da entrada dos meias no espaço gerado quando a bola entra no volante ou laterais:




Caso ocorra um acompanhamento da marcação junto aos meias, um novo espaço se abre, para o atacante de centro receber e fazer o jogo frente/costas para um dos meias:


Outro mecanismo utilizado é a criação de uma espécie de 3º zagueiro por conta do 1º volante. Isso ocorre quando determinado tipo de pressão acontece, retirando espaços demais do interior, evitando assim que a bola chegue no volante com possibilidades de progressão.
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Aproveito para exemplificar de forma prática este mecanismo. Coincidentemente em meio a produção desta postagem estive conversando com o professor Cristian de Souza, treinador dos juniores do Grêmio FBPA (adaptado de uma forma diferente ao da figura acima, pois ele joga atualmente em um 1.4.5.1 com dois volantes e 3 meias) , e ele me revelou utilizar este mecanismo em determinados momentos como opção de entrada da 1ª para a 2ª fase de organização ofensiva, isso pode ser visto na imagem abaixo:



Em resumo, esta fase deve fazer com que a bola chegue em condições frontais para um dos meias criar situações a partir da 2ª fase, buscando a finalização.

ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES NA ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

CONDUÇÃO PARA CRIAR LINHAS

Conceito interessante muito utilizado pelo Guardiola atualmente no FC Barcelona. Diz respeito a conduzir, atrair o adversário e gerar uma linha nova, muitas vezes através de um jogador que ficou livre por causa dessa atração. Ele chama esse princípio também de Provocar para atrair. Junto a este comportamento ele coloca também o princípio do Homem Livre, que seria o jogador que ficou livre para ir pressionar esse jogador que atraiu com a condução.

JOGO FRENTE COSTAS

Conceito fundamental na manutenção da posse e na conexão entre setores, quem esta de costas para a defesa serve como apoio para quem vem de frente. É uma questão de visão de jogo, visão do adversário e das possibilidades de espaço. São estações de conexão entre setores, jogadores de apoio, ou seja os que estão de costas para o adversário servem como apoio a quem está de frente.

JOGO ENTRE LINHAS

Conceito fundamental que é representado pela mobilidade entre linhas do adversário. Movimentar significa sair de uma zona e ir para outra, esta movimentação poderá ser "entre linhas". Entre linhas em forma horizontal e entre linhas em forma vertical. É fundamental para receber a bola sem pressão, e para gerar novos espaços que serão aproveitados por jogadores da equipe criando estações de ligação entre setores.

VELOCIDADE COLETIVA

É a velocidade de sincronismos entre equipe e a bola. É a velocidade de circulação, velocidade em que a bola percorre um lado ao outro do campo, velocidade de movimentos em pequenos e grandes grupos. Se dá pela fluidez do jogo de forma horizontal, diagonal e vertical.

MUDANÇA DE RITMO

É muito importante pois é comum confundir velocidade com pressa, e para isso muitas vezes para ser rápido é necessário parar a bola para que outras coisas aconteçam. As vezes jogar em dois toques é bom, as vezes em um toque, as vezes é necessário conduzir e as vezes é necessário dribles, o que não é necessário é a linearidade. Normalmente modelos diferentes apresentam zonas mais favoráveis para determinado tipo de ritmo.

VARIAÇÃO DE ENTRADAS

Diz respeito a situações programadas que são previamente organizadas a fim de gerar um plano previsível ao jogador, ou seja, os jogadores estão ali e sabem que determinada ação pode ocorrer e assim por diante.

TIMMING DE DESMARCAÇÃO E PASSE

É talvez uma das coisas mais difíceis de conseguir, pois depende muito da sensibilidade do jogador e do conhecimento específico, e só pode ser conseguido através do treino específico do modelo. Diz respeito ao momento exato de sair de um lugar, e ir receber a bola em outro sem pressão. Mas não é tão simples assim, pois o passe dado pode ser no pé ou em um espaço vazio. É baseado em uma comunicação gestual na maioria das vezes e necessita de percepção e temporização dos jogadores, tanto do que vai se desmarcar, quanto o que vai passar.

PRÓXIMAS POSTAGENS:

2ª FASE: APROVEITAMENTO DOS ESPAÇOS
3ª FASE: FINALIZAÇÃO DA JOGADA

Grande abraço
Luis Esteves