segunda-feira, 22 de março de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - SEGUNDA-FEIRA

Acredito que consegui corrigir o erro de configuração que estava me atrapalhando no blog.

Então iniciarei a semana de treinos, seguindo o que havia dito, vou reproduzir uma semana de treino com imagens do FC Porto- categoria Junior, que tinha na época José Guilherme Oliveira como treinador. Este é um dos treinadores que representam a Periodização Tática hoje a n´vel competitivo e acadêmico, ao qual acredito que seja uma das melhores referências para os treinadores que querem entender a Perodização Tática no contexto da sua operacionalização.

Para relembrar, existe um morfociclo padrão, ele é adaptável a quantidade de jogos, vamos usar o padrão para 1 jogo em cada fim de semana. Esta semana começa na segunda, pois o jogo será no sábado, portanto segue a dinãmica Segunda, Terça, Quarta, Quinta e Sexta como dias de treino. Em uma semana normal se treinaria de terça a sábado, para jogar Domingo.

Relembrando a configuração do dia: Sub-princípios e Micro-Princípios através de dinãmica de recuperação ativa.

 


Através da recuperação ativa psicológica e emocional, com situações de curta duração, baixa complexidade e bastante intervalos de recuperação ativa, com alongamentos e hidratação por exemplo.


Exemplo de sessão de treino:


TREINO 1: 13/03/06 – SEGUNDA FEIRA


Narração: Bruno Pivetti

Devido ao jogo no Sábado (11/03/06), o treino deste dia foi de carácter recuperativo, ou seja, seguida a recuperação passiva realizada no Domingo, no dia de hoje objectivou-se recuperar os atletas de forma activa em especificidade (em contexto táctico).

Foram observados exercícios de complexidade de baixa a moderada, sem no entanto, deixar a perspectiva de modelo de jogo do treinador em segundo plano, obedecendo a lógica da alternância horizontal em especificidade. Desde já observamos a execução do modo de treino intitulado “Periodização Táctica”, uma vez que os jogadores foram sempre incentivados a pensar o jogo de forma colectiva e a organização da equipa em terreno de jogo era uma constante observada nas actividades.

Em suma podemos dizer que os jogadores pareciam descobrir uma forma própria de jogar, sendo no fundo guiados pelo modelo e princípios de jogo previamente elaborado pelo treinador. Sendo assim, depreendemos uma hierarquização dos princípios e sub princípios de jogo, uma progressão complexa específica do que o treinador almejava para equipa.

O treino começou pontualmente às 16 horas e terminou de forma efectiva às 17 horas e 16 minutos. Sendo que a parte final foi conduzida até às 17 horas e 30 minutos. O local onde se deu esta unidade de treino foi no relvado sintético. O treino foi formado por 19 jogadores, sendo dois guarda-redes. Os guarda-redes realizaram o treino táctico técnico em conjunto com os demais jogadores, só no treino de finalização é que diferenciaram-se em função dos atletas de linha. Dois jogadores treinaram em separado devido a lesões.


Aquecimento:

O aquecimento teve duração de dez minutos no total e foi conduzido pelo treinador adjunto Raul. Enquanto os jogadores se aqueciam o treinador permaneceu na linha da intermediária acompanhado por dois outros treinadores adjuntos.




Exercícios:



• Corrida descontraída a volta da grande área;


• Alongamento dinâmico dos membros inferiores (elevação dos membros inferiores com rotação interna – dois para um lado e dois para outro);


• Corrida lateral (dois para um lado e dois para outro);


• Corrida de costas;


• Corrida em zig-zag.


Obs: As trocas de exercícios eram realizadas em resposta a um estímulo sonoro (palmas).


Flexibilidade:



Os exercícios de flexibilidade foram propostos por Raul e a execução dos mesmos teve duração de aproximadamente 3 minutos. A realização do alongamento estático tinha duração de 20 a 30 segundos por exercício.

 
Grupo muscular alongado:
 
• Posterior de coxa (membros em total abdução com as mãos tocando se possível o solo através de uma flexão de tronco);



• Tríceps sural e posterior de coxa (perna estendida e pés em dorsiflexão acentuada; mão correspondente à perna estendida segurava o pé em flexão dorsal; a outra perna se encontrava semi-flexionada);



• Abdutores e Adutores;



• Quadríceps (contacto de um joelho com solo; outra perna em posicionada em 90º fémur-tíbia, com os pés apoiados no chão; a mão segurava o pé correspondente a perna que tinha a articulação do joelho apoiada no chão).


Orientação do treino:






Dados introdutórios e explicações sobre o conteúdo do treino expostos pelo Professor José Guilherme aos jogadores.




Primeiro Exercício:






Objectivos: treinar recepção e passe. A recepção era efectuada de forma a dinamizar o serviço do passe (os jogadores recebiam já direccionando a bola para execução do passe).


O exercício era realizado em dois losangos dispostos ao longo de meio campo de jogo. A demarcação foi efectuada através de discos laranjas e azuis. Em cada estação (formada por um disco) ficavam dois jogadores. Os passes eram executados para a estação disposta em diagonal e o jogador que recebia a bola, dinamicamente realizava o passe para a estação diagonal seguinte. A ordem do losango foi seguida no sentido horário e anti horário.

Segundo Exercício:





A ideia desta actividade era a mesma da primeira, diferenciando-se pelo aumento do grau de dificuldade e complexidade. Houve uma interrupção por parte do treinador que não admitia os erros iniciais (dificuldade de assimilação) observados por parte dos jogadores. Uma cobrança por qualidade e atenção foi efectuada.

Agora o jogador 1 passava a bola para o companheiro disposto na estação diagonal esquerda (jogador 2), estes ajeitavam a bola ao centro para o jogador 1. Então um passe era efectuado ao jogador (3) disposto na ponta extrema do losango, este passava para a estação diagonal esquerda e o jogador 4 finalmente enviava a bola, através de um passe longo, para o jogador posicionado na ponta extrema do losango posicionado ao lado.


Interrupção do treino (descanso – flexibilidade)


Conduzida por Raul – uma palma: troca de exercícios; duas palmas: término da sessão de flexibilidade.


Grupo muscular alongado:

• Posterior de coxa (membros em total abdução com as mãos tocando se possível o solo através de uma flexão de tronco);



• Tríceps sural e posterior de coxa (perna estendida e pés em dorsiflexão acentuada; mão correspondente à perna estendida segurava o pé em flexão dorsal; a outra perna se encontrava semi-flexionada);


• Abdutores e Adutores;


• Quadríceps (contacto de um joelho com solo; outra perna em posicionada em 90º fémur-tíbia, com os pés apoiados no chão; a mão segurava o pé correspondente a perna que tinha a articulação do joelho apoiada no chão).


Novas instruções:

Circulo de jogadores ao centro do gramado.


Terceiro Exercício:



Aumento maior da complexidade. Exercício de carácter abrangente, trabalho de passes, recepções, jogo em profundidade pelas laterais, cruzamento e finalização. Trabalho do sincronismo da equipa, guia para o funcionamento colectivo da mesma.


Segundo os princípios da Periodização Táctica os jogadores devem saber sobre o saber fazer, ou seja, devem guiar suas acções com base nas funções e comportamentos dos companheiros, segundo o modelo de jogo estabelecido pelo treinador.


Com base em minha opinião este foi um exercício de organização ofensiva pelas laterais do campo. Sendo a jogada iniciada nas laterais da porção central do campo e o cruzamento efectuado na lateral profunda oposta ao início da jogada.


Quarto Exercício:


Objectivo semelhante ao primeiro, porém, agora, via-se uma entrada pelos centrais e estes realizavam passes directamente para os médios ou pivôs. Era função dos jogadores analisarem a melhor opção e executarem a solução motriz segundo a estratégia definida pelo mesmo. O treinador aqui estabeleceu um certo grau de liberdade aos jogadores, para que estes pudessem desenvolver não só o tempo de realização de um determinado gesto, como também a tomada de consciência e decisão para a realização do mesmo. Podemos dizer que os jogadores descobrem por si só a maneira de se jogar para a equipa, através de uma descoberta guiada pelos princípios de jogo e treino do treinador.



Pausa no treino e troca de baliza (treino de flexibilidade):

Enquanto os jogadores, orientados por Raul, realizam nova sessão de flexibilidade, o Prof. José Guilherme prepara novo exercício. Nova orientação.



Quinto Exercício:

Exercício de carácter de organização ofensiva, incluindo cruzamentos curtos e finalizações há curtas distâncias da baliza. Dois jogadores permaneciam dispostos na lateral do campo na altura da grande área. Um realizava passe para o outro e este executava um cruzamento para área. Três jogadores entravam na área para finalizar, um na primeira baliza, um na segunda e um pelo centro. Em um primeiro momento os cruzamentos eram executados ao chão e em um segundo momento a trajectória da bola era aérea.

Podia-se observar a execução de corta-luz, rebotes dos guarda-redes, e muitas outras estratégias de finalização. O modo como se finalizava era particular em cada caso. Cabia os jogadores se comunicarem e acharem o melhor modo de arremate à baliza. Houve três trocas entre a dupla de jogadores que preparava os cruzamentos, demonstrando uma variação de função.


Parte Final:

Treino de flexibilidade. Execução de alongamentos passivos, através do auxílio dos companheiros. Trabalho de abdominal (recto e oblíquo) e de lombar. Alguns jogadores também executaram flexão de braço.

OBSERVAÇÕES - Luis Esteves:

-  Neste dia os exercícios são de curta duração de 3 a 5 minutos em média, com intervalos de recuperação relativamente iguais ao tempo de execução, com alongamento ou hidratação. recuperação fisiológica e Mental, esta mais lenta, só estará relativamente recuperada pela quarta-feira (no caso deste morfociclo que iniciou segunda).

- Nota-se a falta de oposição nos exercícios, a progressão de situações relaticas a circulação curta em losango, a aquisição do hábito do jogo de aproximações com passes curtos frontais e diagonais, situações relacionadas a exercícios quase analíticos para a melhora gestual de finalização, passes, domínios, etc, com ganhos de confiança sem a complexidade do adversário.

- Alguns exercícios, coloquei o desenho de forma não idêntica ao proposto, pois vai muito da interpretação e do que eu pretendo para o exercício, porém todos são direcionados a mesma situação.

- Todo o texto relatado por Bruno Pivetti.

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Abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFIGA

PIVETTI, Bruno Marques Fernandes; RELATÓRIO DE ESTÁGIO NOS JUNIORES DO FC PORTO - ESCALÃO SUB 20-A - Ministrado pelo treinador José Guilherme Oliveira. Porto - Portugal. 2006. 

sábado, 20 de março de 2010

ZONAS DE DESCONFORTO

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado"

Albert Einstein







A ideia é simples.

Criar situações que gerem um stress mental, um desconforto, para haver uma progressão. É a criação de zonas de desconforto, me surgiu essa idéia após ler citações do Mourinho e do Bernardinho. A do Mourinho era relacionada a um tipo de exercício que ele fazia que sempre dava certo em um quadado de 30x30, porém ele reduzia pra 20x20 e já não dava certo, gerava um stress, conflitos, discussões. Já o Bernardinho citou que certa vez foi treinar num estacionamento, com a equipe campeã mundial, a contragosto dos atletas, exatamente para proporcionar a eles sentimentos, ou relembrar sentimentos e sensações de dificuldade que estes passaram ao longo de suas vidas para chegar até lá.

As vezes estas discussões podem trazer novas soluções, mais complexas, e isso vai depender do princípio da progressão, do nível em que se encontra a equipe. As vezes essa zona de desconforto vai gerar um sentimento de dúvida, de desconfiança, que pode ser benéfico em uma equipe que está confiante demais.

OBS: O blogspot é complicado de postar, depois da minha última postagem o editor de postagens se modificou e alguns quesitos sairam, o que não me permite configurar bem a postagem, estou tentando resolver isso o mais rápido possível, para terminar a 3ª parte da última postagem. Basta ver a configuração desta postagem.



Abraço

Luis Esteves

domingo, 14 de março de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - 2ª Parte - O MORFOCICLO E OS PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS




PRINCÍPIOS

Antes de entrar no assumo principal, vou colocar algumas definições de princípios, também colocados por José Guilherme Oliveira, aos quais devemos saber diferenciar, existem diferentes tipos de princípios, e achei pertinante colocar isso aqui para gerar um melhor entendimento:

José Guilherme coloca:

Existem 3 tipos de princípios de jogo:

1- Princípios fundamentais

  • Recusa a inferioridade numérica

  • Evita a igualdade numérica

  • Cria a superioridade numérica

2- Princípios específicos ou culturais:


OFENSIVOS:

  • Penetração

  • Cobertura Ofensiva

  • Mobilidade

  • Espaço

DEFENSIVOS:

  • Contenção

  • Cobertura defensiva

  • Equilíbrio

  • Concentração

3- Princípios específicos relacionados ao MODELO DE JOGO:

  • Estes princípios são variáveis de modelo a modelo, dependem da idéia do treinador dentro dos quatro momentos do jogo.

Achei importante colocar estas definições, pois as vezes entramos em determinado assunto, sem ter passado por outros e isso pode gerar lacunas entre uma idéia e outra, coisa que devemos tentar preencher, muitas coisas não serão lembradas ou citadas, pois o futebol em seu treino e competição é muito complexo, mas esse post mesmo, é um post de risco, pois cito muitas coisas das quais não sou o inventor, nunca falei com Vitor Frade, não sou José Guilherme nem o Mourinho, porém acredito na filosofia que a Periodização Tática nos proporciona, e tento a cada dia descobrir mais e treinar melhor para jogar melhor e tenho visto isso acontecer, portanto o que digo aqui não é nenhuma verdade absoluta, é só um dos muitos caminhos que podemos seguir, inclusive na própria periodização tática, sem jamais deixar de ser específico.


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RELATÓRIO - FC PORTO

Bom, analizando um relatório que tenho sobre a equipe junior do FC Porto, cheguei a conclusão de que citar aqui, o que um dos principais utilizadores desta metodologia seria mais interessante do que citar meu próprio dia à dia, então, farei isso, colocarei o relatório que o estudante Bruno Marques Fernandes Pivetti elaborou, em Março de 2006, a partir de um estágio de observação, com a comissão técnica em treinos e jogos, com imagens e explicações bem definidas.

Vou fazer interpretações gráficas dos exercícios, e colocar as fotos retiradas pelo autor. Achei interessante este relatório, que acabou me ajudando a interpretar melhor uma sessão de treino em periodização tática, juntamente com literaturas atuais com a da Marisa Silva e Jorge Maciel. Isso será um assunto posterior.



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MORFOCICLO PADRÃO E OS PRINCÍPIOS DA ALTERNÂNCIA, PROPENSÕES E PROGRESSÃO.


O morfociclo padrão é a forma como organiza-se os treinsmentos da equipe semanalmente, visando sempre o jogo anterior e o próximo jogo. A diferenã entre Microciclo e Morfociclo é que, o microciclo em sí, são somente sessões, de determinado número, normalmente de 3 a 14 sessões, que a comissão programa, porém elas podem assumir diferentes formas, e levar a diferentes objetivos.

Já o Morfociclo se chama Morfo ( ¹Morfologia: Tratado das formas que a materia pode tomar) ou seja, queremos que tome forma o nosso modelo de jogo, e para isso acontecer existem alguns processos, dentre eles o da continuidade, a semana de treino em algumas dinãmicas será sempre a mesma, o que alterna são os assuntos que surgirão dentro dos problemas apresentados no jogo, por isso Morfociclo, porque queremos modelar a equipe a certa forma.

Alguns utilizadores desenvolveram o que chamam de morfociclo padrão, que é uma sequencia de uma semana de treinos, que leva em consideração apenas o jogo anterior e o próximo. Este morfociclo foi publicado algumas vezes em literatura como a de Oliveira, Amieiro, Resende 2006, e Barreto e Gomes 2008. Isso não significa que não exista um mesociclo ou um macrociclo, porém estes são apenas guias gerais de programação e planejamento, com menor interferência no processo de treino do que o morfociclo.

Este é:
MORFOCICLO PADRÃO SEMANAL

Basicamente podemos definir 5 dias de treino e um de folga, nestes 5 dias, três são aquisitivos e dois recuperaticos, em casos de categorias menores, por exemplo, em que não se treina sábado, seriam dois dias aquisitivos e um recuperativo, ou existe a possibilidade de se treinar na segunda-feira, cada treinador poderá moldar seu morfociclo da forma como achar mais adequado, o exemplo acima é só um molde para entendimento.
A cada dia, o morfociclo levará em consideração, através dos proncípios e das sub-dinâmicas físicas determinado objetivo, levando em consideração:
PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS - O GUIA DO TREINAMENTO
Todas as citações retiradas do PDF de José Guilherme Oliveira:
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PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE
Na Periodização Táctica a Especificidade é um princípiometodológico que contextualiza tudo o que é feito. Sóse considera algo Específico quando está relacionadocom o Modelo de Jogo que se está a criar.Desta forma, a Especificidade é sempre Substantiva.

O cumprimento do Princípio da Especificidade só érealmente atingido se durante o treino:

• Os jogadores mantiverem um elevado nível de concentração durante o exercício;

• O treinador intervier adequada e atempadamente perante o exercício.

• Os jogadores entenderem os objectivos e as finalidades do exercício;

O princípio da especificidade deve assumir uma organização fractal, os exercícios que criamos devem ser fractais do jogo que pretendemos.
PRINCÍPIO DA ALTERNÃNCIA HORIZONTAL
Alternãncia do tipo dos níveis de concentração e do tipo de esforço que os dias exigem, de acordo com o grau de recuperação e aquisição da equipe de acordo com o último jogo e com o próximo jogo.

Basicamente os exercícios irão apresentar 3 características de contração muscular que interagem, com mais ou menos densidade, são elas:
- Velocidade de contração
- Tensão de contração
- Duração de contração
A contração muscular pode ser excêntrica ou concêntrica, dependendo do dia, se estimula mais uma do que outra através dos exercícios propostos, porém esta sub-dinâmica é totalmente subordinada ao modelo de jogo e a dimensão tática.
PRINCÍPIO DA PROGRESSÃO COMPLEXA
“Montagem” e “Desmontagem” dos Princípios e dos Subprincípiose sua Hierarquização durante o PadrãoSemanal e ao longo dos Padrões Semanais, consoante aevolução da equipa.

PRINCÍPIO DAS PROPENSÕES:

Densidade de Princípios, Sub-princípios e Sub dos Subprincípi osque se pretende treinar e do tipo de esforço/sub-dinâmicas requisitados em cada dia dasemana.
  • Os problemas da equipe no último jogo
  • Os objetivos semanais
  • As características do adversário
DIAS DA SEMANA

Quadros explicativos são colocados para gerar melhor entendimento, eles levam em consideração 4 formas de manutenção do treino:

  • Tensão - É a tensão que a contração muscular será exposta. Quanto mais contrações excêntricas maior a tensão.
  • Duração - É a duração de contração muscular. Quanto mais longo o exercício maior a duração das contrações, em geral mais concêntricas.
  • Velocidade - É velocidade de contração muscular. Quanto mais rápida for solicitada a ação, mais rápida a contração, em situações curtas e velozes.
  • Desgaste Emocional - É o desgaste que o exercício irá proporcionar. Relacionado aos seguintes critérios:
  • Complexidade do(s) princípio(s)
  • Complexidade da dinâmica
  • Quantidade de jogadores
  • Espaço de jogo
  • tempo de diração do exercício

Descontínuo - É a duração do exercício, quanto mais descontínuo mais curto será.


TERÇA-FEIRA:

Primeiro dia de treino, caso a folga seja segunda, isso depende do treinador.

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam: Situações descontínuas, semelhantes ao jogo, mas comdensidades de “tensão”, “velocidade” e “duração” reduzidas das contracções musculares, com o objectivo de se promover arecuperação, fisiológica e emocional.

QUARTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações muito descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplemuma grande densidade de: acelerações e travagens, mudanças dedirecção e velocidade, saltos e quedas, remates,... (semprerelacionadas com os sub-princípios e os sub dos sub-princípios...).Devem ser realizados em espaços curtos, com um número reduzido dejogadores, e o tempo de exercitação do exercício também deve serreduzido.




QUINTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplemuma grande densidade (principio da propensão) decomportamentos relacionados com os princípios e sub-princípiosdo Modelo.Devem ser realizados em espaços grandes, com um númeroelevado de jogadores e o tempo de exercitação do exercício deveser “longo”.


SEXTA-FEIRA:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Acções descontínuas, semelhantes ao jogo, que contemplem umagrande densidade (princípio da propensão) de comportamentosrelacionados com os sub-princípios e os sub dos sub-princípios...Os exercícios devem promover uma elevada velocidade de decisãoe de execução.Devem ser realizados em espaços que permitam contemplar osobjectivos referidos. O tempo de duração dos exercícios deve serreduzido.



SÁBADO:

Exercícios (relacionados com o Modelo) que promovam:Situações muito descontínuas que possam contemplar tensão evelocidade de contracções musculares altas, mas com reduzidadensidade e duração.Os objectivos são promover a recuperação, fisiológica e emocional,e “pré-activar” a equipa e os jogadores para o jogo do dia seguinte.



Bom, no proximo post coloco o exemplo de operacionalização semanal que o José Guilherme utilizou, acho que será um bom exemplo, já que retirei o modelo de jogo citado do post anterior das citações dele mesmo.
Abraço
Luis Esteves
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GOMES, Marisa Silva; Do Pé como Técnica ao Pensamento Técnico dos Pés dentro da Caixa Preta da Periodização Táctica - Um estudo de caso - Monografia de Licenciatura apresentada na Faculdade de Desporto da UP - Porto. 2006, 111 p.
OLIVEIRA, Bruno; AMIEIRO, Nuno; RESENDE, Nuno; BARRETO, Ricardo; Mourinho: Porque tantas vitórias? Editora:Gradiva, Lisboa. 2006. 223p.
OLIVEIRA, José Guilherme Granja; Padrão Semanal - PDF - Sem data.
OLIVEIRA, José Guilherme Granja; Periodização Tática: Um modelo de treino. Universidade do Porto - PT . Sem data.
1 - SILVEIRA BUENO; Mini-Dicionário da lingua portuguesa. São Paulo - Editora: FTD . 2000

quinta-feira, 11 de março de 2010

MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - Parte 1

"Todo o organismo é movido por uma tendência inerente a desenvolver todas as suas potencialidades e a desenvolvê-las de maneira a favorecer sua conservação e enriquecimento. (...) A tendência atualizante não visa somente (...) a manutenção das condições elementares de subsistência como as necessidades de ar, alimentação, etc. Ela preside, igualmente, atividades mais complexas e mais evoluídas tais como a diferenciação crescente dos órgãos e funções; a revalorização do ser por meio de aprendizagens de ordem intelectual, social, prática..."


(Rogers, 1977).



Já fiz um post parecido com este.


Bom, vamos a montagem de uma semana de treinos, dentro de uma perspectiva do que eu considero Periodização Tática e do que normalmente faço no dia á dia mesmo, é a teoria da prática.


Montar uma semana, ou periodizar, ou planejar, ou pensar, seja lá como chame, é muito complexo, porquê depende de algumas variáveis, dentre elas o modelo de jogo. Algumas pessoas podem ler isto, e copiar, o que eu não acho errado, pois eu copio muitas coisas também, porém sempre colocando minha contribuição junto, já que como diria o Mourinho, " a cópia nunca é tão boa quanto a original", portanto, melhor que copiar, é entender, pensar e produzir. Mas vamos lá.


Para tentar programar esta semana, vamos seguir os seguintes passos (este post será longo hehehe):


- Definição de um modelo de jogo

- Exemplo de um jogo

- Exemplo de planejamento de treinos da semana, conforme um morfociclo de 1 jogo


Sendo para isso, preciso definir um modelo de jogo, vamos a ele então, de forma simplificada, tentando definir nos momentos os princípios e sub-princípios.


MODELO DE JOGO


Definindo modelo de jogo: Modelo de jogo pode ser considerado como conjunto de comportamentos idealizados por nós que desejamos ver nossa equipe realizar durante o jogo, dentro de todas as dimensões que o futebol apresenta, sendo elas tática, técnica, psicológica, física dentre outras que também podem ser inseridas nestas, ou podem ser valorizadas tanto quanto estas, a exemplo das dimensões afetiva, e social.



"Entendendo Modelo de Jogo como uma ideia / conjectura de jogo constituída por princípios, sub-princípios, sub-princípios dos sub-princípios..., representativos dos diferentes momentos / fases do jogo, que se articulam entre si, manifestando uma organização funcional própria, ou seja, uma identidade. Esse Modelo, como Modelo que é, assume-se sempre como uma conjectura e está permanentemente aberto aos acrescentos individuais e colectivos, por isso, em contínua construção, nunca é, nem será, um dado adquirido. O Modelo final é sempre inatingível, porque está sempre em reconstrução, em constante evolução. "

José Guilherme Oliveira


É importante definir que, todo e qualquer treinador tem um modelo de jogo, mesmo que não saiba que tenha, pois qualquer comportamento apresentado por uma equipe leva a um modelo, existem modelos mais e menos evoluídos, dentro de uma filosofia de qualidade, mas não sei se pode-se definir uma escala, o mais evoluído de hoje, pode não ser o de amanhã, hoje posso citar como modelo de jogo evoluidíssimo, o do FC Barcelona.


ORGANIZAÇÃO OFENSIVA





Acredito que hoje, este é o futebol mais evoluído, dentro da minha filosofia de jogo de futebol.


Bom, para entender como se monta um modelo de jogo, você tem que entender que, para facilitar a análise do jogo de futebol, alguns pensadores do jogo nos proporcionaram uma boa ideia, dividiram o jogo em MOMENTOS. Estes momentos são:


- Organização Ofensiva

- Transição Defensiva ou Ataque/Defesa

- Organização Defensiva

- Transição Ofensiva ou Defesa/Ataque


Estes momentos acontecem a todo momento no futebol, as vezes de forma cíclica, as vezes não, por exemplo:


Sua equipe tem a posse de bola em uma zona de ataque, ela esta em ORGANIZAÇÃO OFENSIVA, porém ela circula e em determinado momento perde a posse, neste momento ela entra em TRANSIÇÃO DEFENSIVA, após isso ela reage de determinada forma a esta transição e de algum modo rouba novamente a bola, ela acaba de entrar em TRANSIÇÃO OFENSIVA, a partir daí ela terá um comportamento que irá acarretar na ORGANIZAÇÃO OFENSIVA novamente.


Também vale citar um ponto colocado pelo José Guilherme, quanto as possibilidades de fragmentação dos momentos entre:


- individual;

- sectorial (ou grupal);

- intersectorial;

- colectiva.

Então partindo destes momentos, iremos estabelecer o comportamento que queremos para a equipe, mas antes deve-se levar em conta os seguintes critérios para a definição de um modelo:


- Estrutura do clube ou local

- Histórico do clube ou local

- Objetivos do clube

- Grupo de jogadores

- Comissão técnica

- Competições

- Categoria


Porquê é importante levar isso em consideração, por que muitos ao assumir um time pequeno assistem a jogos da Uefa Champions League e querem reproduzir o mesmo modelo de jogo (um modelo de jogo similar, pois o mesmo nunca será possível) não levando em consideração que esta batendo de frente com estes critérios de escolha de modelo, o que acaba levando ao fracasso e a uma frustração muito grande, e o pior, as vezes levando a demissão.


Bom, vou definir um modelo básico, e muitas vezes o básico é o melhor para o entendimento dos jogadores, é natural reações emocionais dos jogadores quando se trabalha nessa perspectiva, muitos não assimilam, não entendem e isso gera emoções negativas, e reações agressivas, portanto deve-se levar isso em consideração até mesmo como prevenção de possíveis problemas relacionais, mas este é outro assunto.


Vamos ao modelo :


Vou pegar o exemplo do meu time do ano passado.


Estrutura do clube:


A estrutura do clube era precária, tínhamos um campo de treino, ao qual utilizávamos pela parte da manhã, alguns treinos eram a tarde no próprio clube.

Histórico do clube:


O clube se encontra na 2ª divisão do estado, e no ano anterior havia sido vice-campeão gaúcho júnior, o que aumentou bastante a responsabilidade do grupo, e da comissão, entrei apenas ao término da primeira fase , onde surpreendentemente o clube acabou em 1º lugar, deixando clubes mais estruturados atrás.


Objetivos do clube:

Ser campeão gaúcho junior.
Vender jogadores jovens.
Grupo de Jogadores:


Era um time de boa qualidade, tinha uma mescla boa de técnica e pegada.

também tinha a característica da união, cobrança positiva e da auto-motivação.

Tinha cerca de 33 Jogadores, 3 por posição.


Portanto a escolha dos atletas dentro das limitações é muito importante e tem que ser congruente a uma filosofia, eu por exemplo queria uma equipe com posse de bola, com circulação, com amplitude e profundidade, com mobilidade ofensiva, com pressão,


Comissão Técnica:


Tínhamos uma comissão técnica composta por:


Treinador

Preparador Físico

Preparador de Goleiros


Competições:


Campeonato Gaúcho Júnior


Baseado nesta ideia montamos um modelo de jogo bem comum, e bem utilizado hoje:


OBSERVAÇÂO: O modelo segue uma organização fractal de princípios, hierarquizados de forma a levar em consideração a importância do comportamento. A palavra fractal tem o significado de Fragmento, portanto o modelo de jogo é fragmentado em ordem, posteriormente para poder ser treinado de forma contextualizada, só assim não é mais abstrato como normalmente se é em outras definições.
É IMPORTANTE SALIENTAR QUE, QUANDO SE MONTA DETERMINADO MODELO DE JOGO, DEVE-SE SEGUIR UMA LINHA ÚNICA, SEM PRINCÍPIOS QUE BATAM CONTRA OUTROS PRINCÍPIOS, ISSO GERA UM PROBLEMA GRANDE DE ASSIMILAÇÃO!
ORGANIZAÇÃO OFENSIVA:


Princípio: Posse e circulação de bola

Sub-Princípio: Equilíbrio Posicional = Amplitude e profundidade

Sub-Princípio de Sub-Princípio: Antecipação do pensamento pelo mapeamento tático da equipe = VELOCIDADE COLETIVA

Sub-Princípio: Técnica do passe e domínio.



Princípio: Mobilidade Ofensiva

Sub-Princípio: Zonas de Criação

Sub-Princípio de Sub-princípio: Utilização do espaço entre as linhas adversárias.


Princípio: Preparação para a Finalização

Sub-princípio: Momentos da finalização

Sub-princípio de Sub-princípio:

1- Abertura de espaços

2- Visualização dos espaços

3- Utilização dos espaços / passe

4- Finalização


TRANSIÇÃO DEFENSIVA:


Princípio: Pressão imediata a perda da posse

Sub-Princípio: Direcionamento da bola para a zona mais adequada a pressão.

Sub-princípio de Sub-princípio: Movimentação Diagonal



ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA:


Princípio: Compactação

Sub-Princípio: Fechamento de linhas e definição de bloco de pressão.

Sub-princípio de Sub-princípios: Aproximação e Equilíbrio entre as linhas


Princípio: Pressão

Sub-Princípio: Pressão zonal

Sub-princípio de sub-princípio: Definição do tipo de pressão nos 3 ou 4 setores do campo.

Sub-Princípio: Desarme

Sub-princípio de sub-princípio: Técnica do desarme.



TRANSIÇÃO OFENSIVA:


Princípio: Valorização da posse da bola e retirada da zona de pressão.

Sub-princípio: Mecanismos de saída

Sub-princípio de sub-princípio: Articulação intersetorial entre defesa e meio ou defesa e ataque.


A partir daí se repetem os momentos.



Bom, encerro aqui esta primeira parte, no próximo post coloco uma simulação de problemas apresentados no jogo, e um exemplo de morfociclo.



Abraço.

Luis Esteves



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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


OLIVEIRA, José Guilherme; Organização do jogo de uma equipa de Futebol. Aspectos metodológicos na abordagem da sua organização estrutural e funcional. PDF. 23 Páginas. Sem data.

GERENCIADOR

GERENCIADOR - L.A.FuTeBoll:

Panilha desenvolvida para o Gerenciamento simples de equipe e treinamento, para treinadores de futebol. É feita em Excel e de simples manuseio.


Layout do Programa:





Possui diversas funções, dentre elas:
Cadastro de jogadores:


Cadastro de contato de diversos tipos de profissionais:


Editor de exercícios - não animado:


Armazenador de exercícios com 100 espaços, que pode ser ampliado:

Modelo de folhas de controle de exercício no campo, scouts de diferentes tipos de análise (Técnica e Tática), Avaliações físicas, Modelo de Microciclo, Mesociclo controle de posições por estrutura de jogo, dentre outras funções:
Planilha de avaliação de percentual de gordura com gráfico:




Para maiores informações, entre em contato que envio um PDF que contém todas as informações sobre o programa.


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Contato:
la_futeboll@hotmail.com
Abraço
Luis Esteves

quarta-feira, 10 de março de 2010

EXERCÍCIO SITUACIONAL

"Se você conhece o adversário e conhece a mesmo,
vencerá todas as batalhas.
Se você conhece a mesmo, mas não conhece o adversário,
para cada vitória sofrerá uma derrota.
Mas se você não conhece nem o adversário,
nem a você mesmo, perderá todas as batalhas"

Sun Tzu
A Arte da Guerra
EXERCÍCIO SITUACIONAL



Considero situacional porquê representa apenas uma pequena partícula do jogo, que fica isolada, é interessante em certos momentos trabalhar dessa forma, ou para recuperar ou para treinar determinado movimento afim de ganhar fluidez e confiança nas ações.

Porém é necessário dizer que uma metodologia baseada neste tipo de exercício certamente terá problemas quanto a tomada de decisão, pois o jogo é muito mais complexo do que isso, mas também é preciso alicerçar a confiança para que a tomada de decisão seja correta.
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Abraço
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Em especial um abraço aos velhos e novos amigos do grupo de estudos do CDD, para mim é uma honra participar deste grupo.
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Luis Esteves
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OBS: Peço desculpas pelos erros de português que seguidamente apresento no blog, me esforço, uso o corretor do blog, mas é complicado, o que me alegra é que sou treinador de futebol, e não professor de português...hehehe um abraço.

terça-feira, 2 de março de 2010

O PODER DAS EMOÇÕES

"Não me entrego sem lutar
tenho ainda coração
não aprendi a me render
que caia o inimigo então".
Legião Urbana
Metal contra as nuvens



Hoje vou falar sobre um assunto em que não colocarei nenhuma referência literária, vou apenas expressar minha opinião empírica, obtida nestes poucos anos como treinador e ser humano, nos campos e fora deles. Vou falar sobre isso pois vejo que muitas pessoas estão acessando este blog, e na sua maioria procuram informações científicas, procuram métodos que possam seguir, princípios e fundamentos palpáveis para chegar a determinado ponto, para atingir determinado objetivo. Periodização Tática está ligada profundamente ao fenômeno José Mourinho, pois foi ele quem à colocou na mídia, muito embora outros treinadores antes dele já a utilizassem, foi ele, com suas vitórias em sequência que alavancou esse pensamento de treino, e muitos ao ver estes resultados, estas conquistas todas em tão pouco tempo querem segui-lo, querem imita-lo, inconscientemente com a ideia de que terão o mesmo sucesso.



Mourinho é um acadêmico, é um professor, e em suas entrevistas sempre pregou a sustentabilidade de sua metodologia a alguns pontos científicos, a estudos, a ideias, a princípios técnicos e pedagógicos, porém, na minha opinião o que o torna diferenciado não é isso, e sim como lida com as emoções, para mim é esse o responsável pelo sucesso deste treinador. Digo isso baseado não apenas nele, mas em como vejo as coisas acontecendo a minha volta e nos meios de comunicação. Acima de tudo, Mourinho é um apaixonado, e paixão é uma emoção, Mourinho é apaixonado pelo que faz, faz bem exatamente por isso, sabe fazer, mas poderia saber, e não ser apaixonado, mas ele é, a paixão nos leva ao perfeccionismo, ao cuidado, a disciplina, ao querer fazer.

Vamos mais longe, pois o importante aqui não é o Mourinho, e sim as emoções que ele gera e que ele domina, ao assistir Inter x Chelsea, pela Copa dos campeões esses dias vi ele, ao fazer um gol aos 3 minutos do primeiro tempo, com Milito, não comemorar, fazendo apenas um biquinho sentado no banco de reservas, mas tenho certeza absoluta, naquele momento, após 3 eliminações consecutivas, jogando contra seu ex-clube, aos 3 minutos de jogo, em casa, com o estádio lotado, tenho certeza que ele queria explodir, como fez aquela vez contra o Barcelona no Nou Camp, em que deu uma deslizada de joelhos na grama. Mas não, ele ficou quieto, ele dominou a sua emoção, pois estravasa-la ali poderia gerar outras emoções que talvez ele alí achasse desinteressante.

Cheguei nesse assunto porque fiz uma reflexão sobre minha equipe ano passado, e ganhando poucos jogos, em comparação ao ano anterior em que estivemos em várias decisões, conclui que, o diferencial entre minhas equipes foi esta, a emoção, ou as emoções. Todos nós precisamos de metas, e além disso, precisamos acreditar nas metas, e querer chegar nelas. para isso é necessário um envolvimento com o processo, uma paixão, ambição, inspiração, precisamos de gasolina para movimentar nossa pessoa complexa, e esse combustível é a emoção.

Vamos a um exemplo, quem quer jogar de graça em um time da Nova Zelândia?

A princípio, eu não iria querer, ainda mais se fosse Rúgby, mas tem gente que quer, e vou mostrar no vídeo abaixo:


Quando comecei a ver este vídeo, achei muito estranho, as emoções que tive foram de alegria, eu achei graça, ri, achei estranho, porque não estou inserido na cultura desses jogadores, mas após entender porque fazem isso, o porquê tem este ritual, consegui perceber o porquê que esta equipe é mais do que uma equipe, é uma lenda. Agora imagina você fazendo isso em frente ao adversário e os caras parados olhando, gera medo, ou imagine você alí no meio é emoção transbordando pelos ouvidos, gera inúmeras emoções, uma motivação muito forte.

É apenas um exemplo, eles jogam não por dinheiro ou algo material, lógico que isso importa, mas jogam porque querem, e porque defendem uma cultura, o estádio inteiro pára para ouvir as frases e a dança dos jogadores, é algo que está acima do treino, acima das preleções, acima dos sistemas de jogo, é o algo a mais.

Michael Jordam coloca no inicio do seu livro " Dedico este livro aos meus amigos mais próximos e a minha família, pela inspiração e apoio que me proporcionaram. E aos meus pais, pelo amor e pela orientação que me ofereceram ao longo de toda a minha vida. Eles são a minha verdadeira fonte de inspiração."

Mais uma vez estão subliminarmente colocadas as emoções, quem viu Michael Jordam jogando achava que era um fenômeno, e de fato era, porque dominava suas emoções, e porque era um apaixonado, pelo treino e tinha como forte fonte de inspiração seus laços familiares. Diversas vezes fala sobre o medo de errar, o medo do fracasso, de como não pensava nisso, mesmo que tivesse isso em sua cabeça. É a inteligência emocional. Seria injusto se não citasse Ayrton Senna, Luis Felipe Scolari, dentre outros que não me lembro agora.

Portanto pra finalizar se eu tivesse que apostar em uma equipe para ser a campeã apostaria na melhor treinada, na que conseguir dominar melhor as emoções do jogo, e na mais apaixonada pelas suas metas, na que faz da equipe mais do que uma equipe, uma família, acho que, claro, com o talento, e esses ingredientes qualquer equipe é a campeã.

Abraço

Luis Esteves

la_futeboll@hotmail.com