terça-feira, 29 de junho de 2010

EXERCÍCIO - 4X1

EXERCÍCIO
4X1

CIRCULAÇÃO E PRESSÃO
VELOCIDADE ESPECÍFICA


Créditos ao Professor José Guilherme Oliveira

Este exercício é relativamente simples e não necessita grande quantidade de materiais. Treinamos princípios relacionados a velocidade de ação e execução. Mentalmente o desgaste é pequeno, pois treina-se com objetivos simples relacionados a um modelo que quer circulação e posse, e pressão ao homem da bola. Fisiologicamente o jogador que pressiona treina em grande intensidade física, com uma média de 190 Bpm, segundo testes nossos mesmo no EC Cruzeiro.

O tempo de exercitação depende do dia, podendo variar de 15 à 1:30 por jogador no centro, sabemos que, dependendo do tempo utiliza-se diferentes meios para haver o suporte energético que a intensidade requer, portanto é válido lembrar disso.

Variantes são interessantes, como a do vídeo, no qual existem 4 x 2, em que a preocupação dos que estão no centro já se torna mais complexa, em termos de escolha, pois enquanto um pressiona, o outro deve ficar numa diagonal, condicionando o próximo movimento de desarme, ou seja, ai já existem mais escolhas, portanto é mais complexo.

No vídeo em questão a velocidade do primeiro exercício da Internazionale é mais relacionada a uma resistência de velocidade específica com valorização do metabolismo lático, resistência esta relacionada a determinado tipo de pressão, com um tempo relativamente maior de 30 segundos a 1:30 ou mais, já no segundo exercício o do FC Barcelona, a velocidade é mais cíclica, com gestos em velocidade relacionados ao modelo, tais como passe e finalização, e tem como principal fonte energética o sistema alático - ATP/CP, e com tempos de recuperação dentro do próprio exercício (jogadores de espera).

EXERCÍCIO


Exemplo de exercício que foi retirado do relatório de Bruno Pivetti, sobre a equipe sub 20 do FC Porto do professor José Guilherme Oliveira. Os tempos de exercitação não são necessariamente os mesmos.

DESENHO DO EXERCÍCIO

RELAÇÃO DESGASTE / RECUPERAÇÃO FISIOLÓGICA


VÍDEO - EXERCÍCIO 4X2

video

INTENSIDADE FISIOLÓGICA DO EXERCÍCIO BASEADO EM UMA PRESSÃO AGRESSIVA AO HOMEM DA BOLA BUSCANDO O DESARME - 4X1




REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BOMPA, Tudor O; Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento. Quarta Edição. Phorte Editora - São Paulo - SP. 2002 - 424 Páginas.

PIVETTI, Bruno Marques Fernandes; RELATÓRIO DE ESTÁGIO NOS JUNIORES DO FC PORTO - ESCALÃO SUB 20-A - Ministrado pelo treinador José Guilherme Oliveira. Porto - Portugal. 2006.
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COMISSÃO TÉCNICA
SUB 14 EC CRUZEIRO
2010

Julian Tobar, eu e Marcos Zambiase, faltou o Marcelo que neste dia não estava.
Profissionais de extrema qualidade sem dúvida, três que estão entre os melhores profissionais que já conheci.

Um grande abraço.
Luis Esteves

domingo, 27 de junho de 2010

EXERCÍCIO - GRANDES PRINCÍPIOS


INVICTUS

De dentro da noite que me rodeia,
Negra como um poço, de lado a lado,
Eu agradeço aos deuses que existem,
Pela minha alma indomável.

Na garra cruel das circunstâncias,
Eu não tremo, ou me desespero.
Sob os duros golpes da sorte,
Minha cabeça sangra...mas não se curva.

Além deste lugar de ira e lágrimas
Paira somente o Horror da sombra.
E ainda assim a ameaça do tempo
Vai me encontrar
E deve me achar... destemido.

Não importa se o portão é estreito,
Não importa o tamanho do castigo,
Eu sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.

William E. Henley
Nelson Mandela


EXERCÍCIO COMPLEXO PARA GRANDES PRINCÍPIOS

Exercício 11x11 para o desenvolvimento de grandes princípios em regime de resistência específica. Complexidade muito alta pelo alto grau de possibilidade de tomada de decisão entre jogadores, adversários, espaços, estrutura, momentos, princípios, etc...



VÍDEO - JOSÉ MOURINHO FOR KIDS

video

Tempos de Aquisição: de 10 à 20 Minutos, com Intervenções entre o exercício quando necessário.
Recuperação: 5 / 8 Minutos.
Melhor dia: Quinta-Feira, pela recuperação do último e do próximo jogo, tanto mentalmente como fisiologicamente.
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EQUIPES


SELEÇÃO SUB-13 - E.C.SÃO JOSÉ

2008/2009

Grande abraço
Luis Esteves

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PADRÃO DE CONTRAÇÕES DIÁRIO, MUSCULAÇÃO E VITOR FRADE

"Parece não haver limites para o desempenho muscular."
BARBANTI, Página 32
Treinamento Esportivo
As capacidades motoras dos Esportistas
2010

"Em termos de treinamento, a especificidade do desporto ainda é a primeira regra a ser lembrada. Um exemplo de especificidade do exercício pode ser vista no uso de exercícios de alta resistência, aos quais resultam em um aumento da força máxima, mas apenas aumentos moderados no máximo índice de produção de força. Por outro lado, um programa de exercício criado para melhorar a força explosiva, melhora o índice de produção de força, com apens um aumento limitado da força máxima." 

BOMPA, Página 23
Treinamento de Potencia para o Esporte
2004

" A capacidade de aplicar força máxima e a capacidade de aplicar velocidades elevadas são capacidades motoras diferentes; por isso, é impróprio assumir que o desenvolvimento de grande força melhora necessariamente a velocidade. "
BARBANTI, Página 87
Treinamento Esportivo
As capacidades motoras dos Esportistas
2010


PADRÃO DE CONTRAÇÃO MUSCULAR SEGUIDO PELO MORFOCICLO DE JOSÉ MOURINHO E JOSÉ GUILHERME BASEADO EM UM JOGO APENAS NO DOMINGO - DIMENSÃO FÍSICA - RELAÇÃO ALTERNÃNCIA HORIZONTAL + PROPENSÃO:


 



ORGANIZAÇÃO FRACTAL HORIZONTAL E TRANSVERSAL DA OPERACIONALIZAÇÃO NA DIMENSÃO FÍSICA


Fonte: Adaptado de Prof. José Guilherme Oliveira (sem data)

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À CONVERSA COM VÍTOR FRADE

Por Nuno Amieiro


Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Mexer ou não mexer, eis a questão



Nuno Amieiro (NA): Professor, até que ponto faz sentido pensar-se em alterar a «configuração física» a um jogador para que este venha a ser algo mais do que aquilo que é? Isto é, no sentido de, por exemplo, o «engrossar» para ser mais resistente ao choque ou para ir ao encontro de um qualquer estereótipo corporal de defesa, médio ou avançado?



Vítor Frade (VF): Antes de mais, é necessário reflectir sobre a designação que está a utilizar, a expressão «configuração física». Por exemplo, diz-se muitas vezes o seguinte: “Aquele jogador não vai jogar porque tem um problema físico”. Será que quem diz isto está a querer dizer que lhe falta resistência ou qualquer outra coisa relacionada com o físico? Não. Por isso, para mim, o que o jogador tem é um problema clínico. É preciso algum cuidado com a terminologia para que o entendimento das coisas seja um determinado. Em relação à sua pergunta, parece-me mais ajustado falar em morfotipo do jogador e, no meu entender, pensar-se em o alterar é uma asneira de todo o tamanho. As exigências que regularmente o indivíduo vai enfrentando vão tornando-o mais resistente e mais capaz e não devemos querer ir mais longe do que isso, pois na tentativa de ganhar determinadas coisas, iremos perder uma série de outras coisas.



Não me custa nada reconhecer que, para certas posições e funções, o morfotipo e a estatura são relevantes, em termos de média. Mas, por exemplo, no caso do ponta-de-lança até menos do que no caso do defesa central. E mesmo aí todos nós conhecemos defesas centrais de top que são relativamente baixos, onde aquilo que os identifica como característico tem normalmente pouco a ver com o lado externo do morfotipo, aquilo que designou por «configuração física», e muito mais com a articulação e os timings de utilização de uma série de outras coisas. Veja, por exemplo, o caso do Liedson... Ele é «felino» e para ser «felino» e eficaz, tem de ser inteligente, tem de ser capaz de decifrar, de se antecipar... Mas vou-lhe dar outro exemplo. O Pepe tem uma entrevista recente, num jornal espanhol, onde diz que presentemente também está a fazer musculação para o trem superior, para o tronco, porque, refere-o ele, joga-se muito disputadamente, os pontas-de-lança são grandalhões, o tipo de jogo proporciona muitas disputas e, nesse sentido, ele sente a necessidade de ser espadaúdo para poder enfrentar essas circunstâncias. Mas também diz que se sente à nora quando lhe aparece um ponta-de-lança pequenino...



NA: O professor está a querer dizer que ele pode vir a perder algo do Pepe que conhecíamos?



VF: Ele já está a dizer que está a perder!!!... Porque, quando ele não era espadaúdo ou não ia para o ginásio com esse fim, ele foi capaz de ser vendido por 30 milhões de euros e penso nunca o ter ouvido afirmar que os jogadores pequeninos lhe davam problemas... Não sei... Mas, ao que parece, ele agora está a senti-las. Porque, e isto é que é importante que se perceba, a acentuação de qualquer uma que seja considerada como variável tem repercussões no peso que as outras tinham no padrão de relação que existia. E, pelo menos ao nível da formação, esta lógica de pensamento é um absurdo, embora eu também esteja em desacordo com ela no que se refere ao rendimento superior... Era admitir que seria vantajoso «engrossar» o Liedson... O Liedson nunca mais seria o Liedson! E, provavelmente, aquilo que o fez ser Liedson foi o facto de ele não ter esse arcaboiço.



Eu conheci o Anderson e, para mim, ele era potencialmente um dos melhores jogadores do mundo como médio interior. Eu estava convencido de que, a continuar na mesma posição e nas mesmas funções, ele seria do melhor. Precisamente na posição onde hoje é mais difícil de encontrar jogadores daquele tipo. Foi para o Manchester e passou a jogar mais atrás... Disseram logo que tinha de ganhar não sei o quê... E dizem agora que ganhou isto e aquilo... Ganhou o quê? A maioria das vezes eu nem o vejo a jogar. E o que perdeu sei eu muito bem. Dizem que ganhou capacidade defensiva, que está outro jogador e mais não sei o quê. Pois está! Está outro, sem aquilo que tinha e que, do meu ponto de vista, é o mais difícil de ter: capacidade de desequilibar no último terço, capacidade de deixar pronto no último terço, etc, etc... Ora, tudo isto tem origem em dois pontos de conhecimento: o conhecimento de jogo que se tem, ou melhor, que não se tem; e o conhecimento retrógrado, miúpe e mecânico que se tem do que é o Indivíduo. É necessário saber um pouco das duas coisas...



NA: Deixe-me pegar agora no exemplo do Cristiano Ronaldo... A generalidade das pessoas está claramente convencida de que o que ele é hoje enquanto jogador se deve em grande parte ao trabalho de ginásio que desenvolveu e provavelmente continua a desenvolver...



VF: Isso rebate-se com facilidade. O Cristiano tem um morfotipo e joga numa posição que pode permitir que o lado atlético seja um acrescento. Mas eu penso que a juventude dele e o facto de estar a jogar em Inglaterra ainda não o fez dar-se conta do desperdício que é o não uso tão regular da capacidade de drible, de simulação e de engano que ele tinha. E o jogo assente neste padrão atlético em que ele se está a viciar e do qual beneficiam os abdominais e o porte que ele tem, tirou-lhe algo que ele também tinha potencialmente, que era aquele poder de «ginga», que é mais o registo, por exemplo, do Messi. E eu pergunto, alguém no seu perfeito juízo é capaz de dizer que o Cristiano Ronaldo é melhor do que o Messi? Na melhor das hipóteses dirão que um é tão bom quanto o outro. E o Messi é exactamente o oposto em termos de morfotipo: é pequeno, enfezado,... E é doente, pois tem problemas metabólicos.



Acho que o que é fundamental é que o jogador tenha a capacidade de resistir e de ter força... Mas é importante que se perceba o que eu quero dizer com isto, pois não tem nada a ver com o entendimento comum... Repare na conversa que há pouco estávamos a ter sobre o Fábio Coentrão. O Coentrão, sendo um indivíduo débil, frágil, numa disputa de bola contra dois jogadores matulões do FC Porto, o Cissokho e o Rolando, conseguiu, com uma «ginga», sentar os dois e ir embora com a bola... Isto, para mim, é que é ter força. Ter capacidade de arrancar, travar, voltar a arrancar mas pelo lado contrário...



NA: O Fábio Coentrão é claramente o tipo de jogador que, normalmente, sente na pele este modo mutilador de pensar... «Ele é bom jogador, mas falta-lhe...»...



VF: Porque a lógica que está implantada é a lógica da burrice. A cada passo vemos e ouvimos apregoar uma série de slogans que vão ao encontro desse tipo de raciocínio. Até na escolha dos miúdos ao nível da formação se ouve, sistematicamente, coisas como «Eh pá, é habilidoso, mas é pequenino». É um absurdo. Por exemplo, o Liedson, não sendo um fora-de-série, ao nosso nível é um jogador fantástico e é pequenino, como o era o Romário e uma série de outros bons jogadores.



Mas o ridículo desta questão é fácil de constatar. Se nós formos perguntar aos indivíduos que fazem a apologia do físico, da altura, do corpo «engrossado» qual é o melhor jogador do Benfica, quase todos eles respondem que é o Aimar. Se perguntarmos em relação ao Sporting, quase todos eles dizem que é o Liedson e o João Moutinho. Se perguntarmos em relação ao FC Porto, quase todos eles referem o Lucho, que por acaso é alto, mas não é de cabeça que ele sobressai e é adelgaçado. Se perguntarmos em relação ao Barcelona, quase todos eles apontam o Messi, o Xavi e o Iniesta... Da mesma maneira que quando perguntaram a um ex-director técnico nacional do atletismo o que ele pensava do Usain Bolt, o campeão olímplico dos 100 metros, ele respondeu que era «um diamante em bruto». Um indivíduo que acaba de bater todos os recordes é «em bruto»? Está implícito na resposta dele que, quando o Usain Bolt fizer musculação e uma série de outras coisas, vai voar como os crocodilos... Mas, espere lá, os crocodilos não precisam de voar para serem crocodilos!... O que se deveria fazer era parar e pensar que a seguir ao Carl Lewis, todo o morfotipo que surgiu era de indivíduos estilo Caterpillar e que, agora, aparece este atleta com um morfotipo longilíneo a bater todos os recordes. Mas é o próprio Usain Bolt quem diz que não faz musculação, que treina na relva e que as únicas cargas que utiliza é ao fazer competições de 60 metros com um colega a puxar um pneu. E diz que dança muito por ser da terra do reggae!



Quem souber um bocadinho sobre aprendizagem motora, sobre coordenação motora, sobre timing de manifestação muscular e de coordenação muscular, etc, acaba por se afastar dessa forma de pensar que é mutiladora. Mas até aqui na faculdade há professores que dizem que o músculo é cego. Cegos são eles, porque o músculo é, manifestamente, muito mais, um orgão sensitivo do que um orgão gerador de potência. E, se calhar, ao mesmo tempo que dizem que o músculo é cego, defendem que é importante a proprioceptividade. Ou seja, não sabem o que estão a dizer. Porque a proprioceptividade é precisamente o que faz do músculo fundamentalmente um órgão sensitivo. Portanto, uma série de mecanoreceptores que se alteram para captarem, digamos assim, a evolução do corpo no tempo e no espaço. Ora, o futebol de qualidade, para qualquer posição, apresenta uma diversidade de agilidade e mobilidade que... Eu costumo dizer que a ignorância é atrevida pra caraças...



NA: Um dos argumentos de que eu me costumo servir para tentar evidenciar o quanto pode ser prejudicial querer «transformar» um jogador tem a ver com algo para o qual o professor alerta frequentemente... Eu, enquanto elemento da minha espécie ainda não estou totalmemente adaptado ao bipedismo e, portanto, muito menos preparado para jogar futebol. Ou seja, eu tenho uma história, para o caso «motora», que, em parte, partilho com a minha espécie e que, em parte, é pessoal, fruto das minhas vivências. Se pensar em ir «engrossar» ou tentar ganhar algo que, em termos corporais, não tenho, vou estar a interferir com essa história, que é património meu. Com isso, provavelmente, vou estar a hipotecar muito desse «património coordenativo» que o envolvimento a que estive sujeito durante anos me levou a adquirir «contra-natura» hominídea!



VF: Eu já não quis ir por aí, porque esse caminho levar-nos-ia a 3 ou 4 horas de conversa... Mas, repare, é também preciso perceber que à volta de tudo isto há um jogo de interesses muito grande. Por exemplo, qual é uma das indústrias mais ricas do mundo? É a indústria do armamento. E alguém fabrica o que quer que seja para não vender? Com certeza que se têm de criar condições para que as coisas se usem... E depois, no caso do futebol, a publicidade também assume um papel muito importante, pois vem dizer que uma série de coisas são indispensáveis, que é necessário fazer isto e aquilo para que se marque dois golos com um pontapé só, e servem-se de alguns exemplos que facilmente caem no absolutismo pela falta de conhecimento que as pessoas têm acerca do jogo e acerca do Indivíduo.



NA: Para acabar, uma pergunta muito directa: porque é que o facto de eu ir fazer musculação vai alterar aquela que é a minha história de relação com o corpo?



VF: De um modo muito simples, porque altera a relação do corpo com o corpo, ou seja,... Há dois tipos de timing. O timing coordenativo dos músculos entre si, que é a co-contractividade, portanto, vão existir cadeias que passam a degladiar-se, que se passam a estorvar umas às outras. Porque é uma coordenação que se coloca contrária à fluidez que sugere e solicita a espontaneidade do jogo de futebol. Para além disso, há outro tipo de timing, que tem a ver com o ajustamento muscular à alteração sistemática regular que o envolvimento coloca. Ao fazer musculação vai estar a bulir com isso, vai estar a enganar o sistema nervoso. Portanto, vai obstruir o leque de possibilidades de manifestação que o corpo tinha a jogar futebol. E se o fizer quando em desenvolvimento vai inclusivamente bloquear o crescimento, por exemplo, dos ossos e de outras estruturas. Vai hipertrofiar uma zona que é muscular quando nós sabemos que os tendões não se desenvolvem da mesma forma... Porque não é natural! É como aqueles indivíduos que tinham uns carrinhos pequeninos e lhes rebaixavam a colaça, colocavam umas jantes largas, uma suspensão mais dura, etc, para se armarem em corredores... Só que depois partiam os carros por outro lado...



Publicada por Nuno Amieiro em 21:09

Pode e deve ser visto em:


Grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 18 de junho de 2010

RUI FARIA



“Sistemas não podem evoluir (gerar novos padrões) em estados de equilíbrio ou próximos do equilíbrio.”

Ilya Prigogine

Eis ai a importãncia da progressão complexa. A equipe nunca pode estabilizar, já dizia o professor Élio Carraveta em nossas aulas de Treinamento Desportivo que, o treinamento é um desorganizar para reorganizar novamente da forma como queremos.




Erro meu, nos posts todos que coloquei até hoje, citar muito pouco o professor Rui Faria, que no papel de "Preparador Físico" tem acompanhado o Mourinho desde os tempos de Leiria. De fato, é muito difícil achar um profissional deste nível, que concebe o treinamento desportivo de forma complexa tal como o ser humano e respeita todas as dimensões do mesmo, sabendo que o treino não é um processo linear nem mecânico, e que o princípio da especificidade não esta somente relacionado a exercícios dentro do campo.


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REFERÊNCIA

Mourinho, José; VÍDEO - Seleção Modelo - Football for Kids - by José Mourinho
Agradecendo ao Professor Julian Tobar pela disponibilidade desde vídeo, que pode ser adquirido em diversos sites portugueses.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O GRANDE JOGO



Ensinar a vencer é bom, mas não é o mais importante, e quando se percebe isso ganha-se ainda mais. A preocupação excessiva com a vitória nos limita.

Um dia os jogos, os campeonatos terminam, consequentemente as vitórias também, e cada um segue o seu caminho, e ai a autonomia que estimulamos nas pessoas que nos cercam, essa sim, nunca termina.

Saber escolher é mais importante do que saber jogar.

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“Nosso maior medo não é o de sermos pouco importantes. Nosso maior medo é sermos poderosos demais além da conta. É nossa luz, não nossas trevas, que mais nos apavora. Ser pequeno não serve em nada ao mundo, não há nada de sábio em se encolher para que as outras pessoas não se sintam inseguras ao seu redor. Nós todos fomos feitos para brilhar como as crianças. Nos perguntamos, 'Quem sou eu para ser brilhante, grandioso, talentoso e famoso?' Na verdade, quem não somos? Nascemos para manifestarmos a glória de Deus dentro de nós. Não apenas em alguns de nós; mas em todos nós. E quando deixarmos nossa própria luz brilhar, conscientemente daremos às pessoas permissão para fazerem o mesmo. Quando tivermos nos libertado de nosso medo, nossa presença automaticamente libertará aos outros.”

Nelson Mandela


Um grande abraço
Boa sorte.
Luis Esteves

Esporte Clube Cruzeiro
Seleção Sub-14
2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A RELAÇÃO ENTRE O DOMÍNIO,O CONTROLE DO JOGO, JOSÉ MOURINHO E SUN TZU...


"Antigamente os combatentes aguerridos se tornavam invencíveis. Depois aguardavam que seus adversários ficassem vulneráveis, e jamais se engajavam em guerras que previam ter desfecho desfavorável.

Tinham como princípio que só pode ser vencido por erro próprio, e só se atinge a vitória por erro do inimigo.

Conhecer os meios que asseguram a vitória não significa obtê-la. É por isso que um exercíto pode saber como vencer (e vencer) determinado adversário sem ter forças para isso.

A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante."


Sun Tzu
A arte da guerra



Dominar o jogo é diferente de controlar o jogo. Posso controlar sem dominar, porém se domino posso não estar controlando.

Vamos a um exemplo, uma equipe mais fraca joga contra uma equipe mais forte. Neste contexto normalmente  equipe mais forte terá o domínio do jogo, porém a equipe mais fraca pode ter o controle, e sair vencedora, mesmo sendo mais fraca e sendo dominada.

Definição de conceitos:

Domínio do Jogo - Situação em que se consegue manter a posse no campo do adversário, conseguindo criar situações favoráveis a nossa equipe com frequência.

Controle do Jogo - Situação em que temos a bola em posse e circulação, porém não conseguimos infiltrar no campo do adversário com frequência.

Controle do Adversário - Situação em que o adversário tem a bola, porém não consegue gerar desta posse situações de gol, pois nossa equipe não possibilita estas situações. Muitas vezes deixamos que o adversário tenha a posse e condicionamos esta posse a uma falsa sensação de domínio, quando na verdade isso nada mais é do que um condicionalismo, pois queremos que a bola circule bem longe do nosso gol, isso é típico de equipes com qualidade inferior, jogador à menos ou algum outro problema.

Em muitos casos buscando a recuperação ativa com a posse da bola se mantém a posse sem risco de perde-la em jogadas de profundidade, reduzindo assim o desgaste físico/mental que é proporcionado pelas transições ofensivas e defensivas decorrentes de perdas de bola.

Controlar um adversário mais forte é muito difícil, principalmente quando este adversário possúi um modelo de jogo evoluido em termos de princípios, Exemplo: FC Barcelona.

Um caso clássico foi a semi-final da liga dos campeões deste ano. José Mourinho situou a equipe da FC Internazionale de forma extremamente defensiva no Camp Nou (Sun Tzu -Antigamente os combatentes aguerridos se tornavam invencíveis. Depois aguardavam que seus adversários ficassem vulneráveis, e jamais se engajavam em guerras que previam ter desfecho desfavorável). , já que tinha a possibilidade de perder por 1 gol de diferença. Praticamente abdicou do ataque, e deixou que o FC Barcelona dominasse o jogo, porém conseguiu (com um pouco de sorte é verdade) controlar a equipe do FC Barcelona, que fez apenas um gol, sendo assim eliminada em casa.(Sun Tzu - Conhecer os meios que asseguram a vitória não significa obtê-la. É por isso que um exercíto pode saber como vencer (e vencer) determinado adversário sem ter forças para isso).É de fato uma estratégia muito arriscada, e exige muita concentração (Sun Tzu -Tinham como princípio que só pode ser vencido por erro próprio, e só se atinge a vitória por erro do inimigo), pois o mínimo erro individual ou coletivo gera gols, e estes gols podem desativar toda a estratégia, modificando todo o planejamento, o que certamente irá gerar problemas para retomar o resultado da partida (Sun Tzu - A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante).



É interessante que, Sun Tzu, em seu manual de estratégia militar a muitos anos atras já dizia que: É possivel se saber como conquistar um adversário sem ter forças para o mesmo. Isso nada mais é do que controlar um adversário superior, forçando-o a fazer o que você espera que ele faça, e dentro dos momentos favoráveis, aproveitar e pontuar buscando a vitória.

Grande abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com

sábado, 5 de junho de 2010

CARTA ABERTA AO DOUTOR JOSÉ MOURINHO

Saber mais é ser mais, não é repetir o que está nos livros. Dizia o Padre António Vieira: “isso não é saber, é lembrar-se”.

Manuel Sérgio

 

Há nos jogadores da Inter o culto não de uma arrogância truculenta e agressiva, mas de um futebol que é sinal de inteligência e de vontade e de criatividade.

Caro amigo e colega,

Quando escrevi o prefácio do primeiro livro do nosso querido Luís Lourenço, sobre o meu amigo, logo adiantei, sem receio, que o José Mourinho seria para o treino e orientação, de uma equipe de futebol, o que foram, para a prática deste jogo, o Pelé e o Maradona.

Eu sei que, por vezes, quando me refiro à sua pessoa, posso acentuar excessivamente (para os meus leitores) a riqueza da sua personalidade, descurando a dimensão relacional, ou seja, esqueço que o seu pai, o Manuel Fernandes, o Bobby Robson, o Louis Van Gaal, foram seus mestres na arte de bem liderar uma equipe de futebol.

Emmanuel Levinas, no livro Totalidade e Infinito, afirma que a transcendência só é possível quando saímos do absoluto do mesmo. Todos nós somos natureza e cultura, memória e profecia. Isaac Newton afirmou a um seu admirador: “Se consegui ver mais longe, foi porque me coloquei sobre os ombros de gigantes”. Mas é evidente que, no gênio (como você é, enquanto treinador de futebol) os paradigmas tradicionais, por todos aceitos, rapidamente envelhecem, para despontar, no lugar do normal e do habitual, o que o ser humano em movimento intencional tem de insólito, de perpetuamente renovado, de imortalmente juvenil.

Nenhum gênio vê as coisas, como normal e habitualmente, se veem. Se assim fosse, ele deixaria de ser gênio. Se assim fosse, não haveria nele as sementes do futuro.

Há, de fato, um futebol, antes e depois de José Mourinho. E por quê? Porque todos os treinadores que o precederam e que fizeram escola não sabiam de futebol? De modo nenhum! Alguns deles até sabem mais de futebol do que o meu amigo. Só que, ao saberem só de futebol, descambam no erro da especialização, ao jeito do cartesianismo e do positivismo, e ficam a saber pouco de futebol.

O treino, que o meu amigo repudiou e em que Matveev pontificava, traz-me à lembrança o Herberto Helder de Photomaton & Vox, onde pode ler-se: “Vou contar uma história. Havia uma rapariga que era maior de um lado que do outro. Cortaram-lhe um bocado do lado maior: foi de mais. Ficou maior do lado que era dantes menor. Cortaram. Ficou de novo maior do lado que era primitivamente maior. Tornaram a cortar. Foram cortando e cortando. O objetivo era este: criar um ser normal. Não conseguiam. A rapariga acabou por desaparecer, de tão cortada nos dois lados. Só algumas pessoas compreenderam”.

Era no físico, no biológico, no somático, que o treino tradicional investia, sobre o mais. E o meu amigo, logo desde o primeiro ano na universidade, como Luís Lourenço o sublinhou, na sua tese de mestrado, era à luz do paradigma da complexidade que pretendia orientar o treino dos seus jogadores e, por isso, num jogador de futebol, como pessoa, ou numa equipe de futebol, como totalidade, é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, bem como conhecer o todo sem conhecer as partes.

Por outro lado, o José Mourinho sabia (sabe) também que, de um ponto de vista sistêmico-organizacional, o todo é maior do que a soma das partes, ou seja, a operacionalização do futebol faz-se com o individual contextualizado num todo, onde cabem a equipe, os jogadores que a compõem, os treinadores e os seus métodos, o clube e a sociedade donde o clube emerge. É porque tudo tem a ver com tudo que o diálogo é transversal ao todo. E assim o jogador faz-se, evolui, como pensamento em ato, onde movimento significa o que eu sou como pensamento da equipe. Cada jogador, numa equipe, é a expressão corporal do pensamento de um todo.

José Gil, a propósito do teatro-dança de Pina Bausch, no livro Movimento total – o corpo e a dança, fala-nos de uma “géstica do pensamento”. Numa equipe de futebol, percebe-se o que pensam os jogadores, através da sua motricidade. A Inter (de Milão) eliminou da Champions League o famoso Barcelona de Guardiola, de Xavi e de Messi. Para mim, hoje, o Xavi e o Messi não temem cotejo com o que de melhor o mundo do futebol apresenta. Só que o meu amigo é o melhor treinador do mundo. E, assim como os gênios Picasso, Dali, Miró inventaram novas linguagens plásticas, também o meu amigo inventou a linguagem onde os seus jogadores se transformam na expressão corporal do gênio do seu treinador. E desta forma nasce a compreensão de uma inesperada cultura tática, a consciência de um grupo, a certeza de uma solidariedade... inabaláveis!

Nietzsche, no seu livro Para além do bem e do mal, refere que há uma relação inseparável entre a linguagem e a experiência – é que só se sabe aquilo que se vive! Os seus jogadores seguem-no, o pensamento do José Mourinho paira por sobre a sua motricidade, porque eles sabem que, mesmo não correndo, nem saltando, nem rematando com eles, o meu amigo vive tão intensamente o que fazem, em campo, que tem dos seus atos uma experiência física e orgânica.

No fim dos jogos é manifesto, ao contemplar o seu cansaço, que teve do jogo uma tensa e intensa experiência corporal. A fadiga, no meu amigo, é outra forma de sentir a sua equipe.

Estou certo de que, neste momento, a alegria dos jogadores da Inter, a sua abnegação, a sua grandeza de ânimo, decorre também da admiração que nutrem pelo gênio do seu treinador. Porque são treinados por José Mourinho.

Há neles o culto, não de uma arrogância truculenta e agressiva, mas de um futebol que é sinal de inteligência e de vontade e de criatividade. Afinal, um futebol que não é só atividade física, nem é só educação física, mas o ímpeto da luta, o ardor do ideal – em suma, educação integral.

A Inter vai ser campeã da Europa! Dou-lhe os parabéns, por isso. “Mas (dir-me-ão) o jogo final ainda está por disputar”. O Bayern de Munique é, de fato, adversário dificílimo. Mas a Inter tem uma vantagem: os seus atletas não são adestrados só para repetir, mas convidados também para sofrer e para criar. O futebol é uma imaginação com regras. A diferença entre as várias equipes, para além dos aspectos econômico-financeiros, situa-se, na qualidade dos jogadores, capazes de repetir com imaginação (há quem só repita, sem imaginação). E na qualidade do treinador que orienta a repetição e estimula a imaginação.

É que no futebol jogado há mais caosalidade (de caos) do que causalidade (de causa). Diante do caos, a imaginação é essencial – a imaginação do Doutor José Mourinho. Por isso, eu ousar antecipar a vitória do seu clube, no campeonato europeu de futebol.

Saber mais é ser mais, não é repetir o que está nos livros. Dizia o Padre António Vieira: “isso não é saber, é lembrar-se”.

E termino, adiantando que o vejo como remédio seguro às patologias que afligem o Real Madrid...


Ex corde

Manuel Sérgio
manuelsergio@universidadedofutebol.com.br
Fonte:

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Equipe Junior do E.C.Cruzeiro
2009
Tive o privilégio de comandar esta equipe na 2ª e 3ª fase do campeonato estadual de juniores, sendo que fomos eliminados somente na última rodada da terceira e penúltima fase, a qual dependiamos de uma vitória nossa em São Leopoldo, e de uma vitória do Internacional no Beira rio, ganhamos, o Inter não. Classificaram para a fase semi-final: SC Internacional, GE Garibaldi, CA Cerâmica e EC Juventude.

Terminamos em 5º lugar no estado.

Alguns resultados importantes:

E.C.Cruzeiro 1x1 SC Internacional
EC Novo Hamburgo 0x2 EC Cruzeiro
EC São Luiz 1x6 EC Cruzeiro
EC Cruzeiro 3x2 CE Aimoré
CE Aimoré 0x4 EC Cruzeiro


Grande abraço
Luis Esteves