quinta-feira, 30 de setembro de 2010

EXERCÍCIO

EXERCÍCIO
INTERSETORIAL
COLETIVO



Exercício em que pode-se valorizar qualquer princípio ou sub-princípio de um modelo de jogo que valorize posse, circulação, pressão, retirada da pressão e seus sub-princípios.

Jogo: 10 x 5

1º Momento:

A equipe com 10 circula a bola buscando as goleiras pequenas ( geração de uma melhora na 1ª Fase da Organização Ofensiva - Organização) , ou se preferir a goleira grande (geração da 2ª e 3ª Fase da Organização Ofensiva - Criãção e Finalização, neste caso irá ocorrer isso no 2º momento do exercício).

A Equipe com 5 (Intersetorial) tenta defender as goleiras pequenas, e em caso de desarme, fazer o gol na goleira de cones, rapidamente. Naturalmente em caso de perda, a equipe com 10 deverá fazer uma rápida pressão afim de evitar esse ponto dentro do seu espaço interior.

É importante salientar que os campos dividem a equipe verticalmente, com o propósito de:

1 - Identificar zonas de Pressão e dobras posicionais;
2 - Identificar os lados de atuação;
3 - Identificar as possibilidades e mecanismos de retirada da Pressão;
4 - Os jogadores amarelos são Jogadores Centrais da equipe, ou seja, Volante e Atacante de Centro, portanto estes tem passagem livre pelos dois quadrados.

2º Momento:

Após pontuar, a equipe com 10, passa para uma 2ª Fase de O.O. e ocupa o outro campo, em posse, buscando criar situações previamente treinadas para finalizar.

A equipe com 5 também entra neste campo, e passa a defender a goleira, e em caso de desarme, tenta passar a linha de meio com posse dominada.
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Este exercício valoriza muito a posse dos 10, e fisiológicamente desgasta demais os jogadores com 5 pelo princípio da retirada da pressão, portanto deve-se recuperar internamente, na figura existe outra equipe com 5 na espera.

Pode-se organizar da seguinte forma a aquisição recuperação das equipes:

- 2 grupos de 10;
- divide-se a equipe em dois de 5;
- jogam então 5 x 10, e um de 5 recupera;
Após determinado tempo, trocam as equipes, que estava em 10, passa a estar em 5;
- Os tempos variam de acordo com o propósito e o dia no morfociclo;

Grande Abraço
Luis Esteves

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A ESPECIFICIDADE DO EXERCÍCIO


Carlos Campos: A repetição sistemática dos princípios assenta em três pilares fundamentais: o princípio da progressão complexa, o princípio da alternância horizontal em especificidade e o princípio das propensões. De acordo com a sua experiência concorda que este último é o mais complexo, o que exige melhor conhecimento do jogo, o que contribui de forma mais efectiva para o “jogar” específico que pretende?

Mestre Guilherme Oliveira: Penso que não! Penso que a complexidade surge da interacção que tem que haver entre os três princípios. Penso que a maior dificuldade e a maior complexidade surge dessa interacção uma vez que são os três extremamente importantes em termos de evolução do jogo, tanto em termos colectivos como em termos individuais e, quando se treina como nós treinamos há a necessidade de ter os três permanentemente em consideração, caso contrário poderá haver alguns problemas. Se nós, por exemplo, dermos grande importância ao princípio das propensões e não estivermos a dar tanta importância ao princípio da alternância horizontal, aquilo que pode acontecer é ter jogadores lesionados, ter a equipa cansada e a equipa não estar a jogar com os comportamentos que nós desejamos por um cansaço acumulado. Se nós não dermos alternância por exemplo ao princípio da progressão, aquilo que acontece muitas vezes é quase que um acomodar a nível de comportamentos, não existe depois, por parte da equipa e dos jogadores, uma evolução em termos de determinado comportamento geral.

Muitas das vezes aquilo que acontece é nós apresentarmos as nossas ideias aos nossos jogadores, eles assimilarem algumas das nossas ideias e nós não aproveitarmos a interacção entre aquilo que são as nossas ideias e aquilo que são as capacidades, características e recriação dessas nossas ideias e depois não existe muito a noção que nós podemos aproveitar essa interacção entre jogador e ideias do treinador. Por isso o que acho é que todos esses princípios metodológicos são de extrema importância para o jogar como nós pretendemos e não há uns mais complexos que outros. A complexidade surge da interacção dos três e temos de os ter permanentemente em consideração.

CAMPOS (2007)



Dentro do processo competitivo já é consenso que a preparação modela a participação de equipes no quadro competitivo, portanto torna-se muito importante a figura do treino. Quanto maior o nível de exigência, menor é a diferenciação qualitativa, e mais importância assuma o elemento "detalhe". O detalhe na preparação faz a diferença, porém acredito que isso ocorra em todas as categorias, quando se tem em mãos os detalhes e o conhecimento para utiliza-los, a vantagem é muito grande.

Um detalhe fundamental é a "especificidade" no treino. Normalmente confundida com a especificidade do desporto, esse princípio assume em metodologias e métodos atuais o principal norteador da formatação dos exercícios.

Sabe-se segundo Mourinho, Garganta, Frade, José Guilherme Oliveira, Carvalhal, Marisa Gomes, Rui Faria, etc... que a especificidade do desporto não significa ser específico, para isso é necessário evidenciar uma contextualização a uma forma de jogo específica, no caso um modelo.

Deste modo, torna-se fundamental ter este modelo em teoria definido, saber retira-lo do vago, saber operacionaliza-lo. Ai entra os detalhes do exercício.

Os exercícios apresentam muitos tipos de configuração, muitas variedades e objetivos, porém, podem existir exercícios ótimos para um modelo, e o mesmo exercício não ter nenhuma congruência a outro modelo, mantendo exatamente as mesmas formatações.

José Guilherme aponta que os exercícios são apenas potencialmente específicos, porém precisam ser ajustados, entendidos e guiados conforme a intervenção pontual do treinador quando este achar pertinente faze-la, num processo que o Mourinho chama de "Descoberta Guiada", que nada mais é do que fazer os jogadores chegarem a determinada conclusão, em conjunto comissão-exercício-jogadores, sobre o melhor, dentro da ideia do modelo, facilitando assim o processo de aprendizagem, partindo do princípio que só é possível aprender algo (realmente) quando se tem a noção exata de pra que isso serve no momento aprendido, porém, aprender apenas algo fisicamente falando, não significa que isso será realmente habituado pelo jogador, ele precisa aprender e aprender para que serve e qual a importância disso no processo do modelo, ai entra (uma das) a importância do treinador na preparação da equipe e dos exercícios dentro de um morfociclo semanal, ou seja é diferente do processo de ensino tradicional emissor-receptor, havendo participação ativa do jogador no processo de evolução da equipe, envolvendo assim emocionalmente os jogadores, provocando uma verdadeira aprendizagem, pois a participação do processo torna o mesmo muito mais marcante. Poucos conseguem aprender seguindo ordens, reproduzindo ideias, portanto é fundamental a personalidade e a identidade do jogador na realização das ações, produzindo, porém não deixando de ter uma ordem nessa desordem, a ordem essa chamada Modelo de Jogo.

MODELO, MORFOCICLO E O EXERCÍCIO

Quando monto um exercício basicamente penso no princípio que quero treinar, para isso já tenho um Morfociclo padrão e nele encaixo determinados tipos de exercício.

Atualmente me guio por esse Morfociclo, periodicamente vou mudando conforme minha ideia sobre futebol muda, porém, nada muito brusco, apenas tiro ou coloco um detalhe. Acho importante a preparação jogo á jogo e não acredito em preparação a longo prazo visando metas longas, pode até funcionar, porém, semana à semana eu acho muito mais válido, pois é na semana que vemos os verdadeiros problemas, podendo agir imediatamente na resolução dos mesmos.


Morfociclo - Sub14 - EC Cruzeiro - Luis Esteves

O princípio esta já previamente pré-disposto no Modelo, visualizado antes quando surge um conceito de futebol, a ideia de jogadores e depois o Modelo que se pode atingir (inatingível, e constantemente mutável) em determinado momento. O Modelo pra mim pode vir de dois caminhos opostos:

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    Modelo - Sub-14 - EC Cruzeiro - Luis Esteves
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    Sub-princípios relacionados ao Modelo nos quatro grandes princípios - um por momento
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  • Primeiro caminho, o de clubes menores, neste Modelo primeiro vem a ideia do "que se tem" para depois gerar um modelo realista e possível de ser praticado em jogos oficiais.


  • Depois temos o caminho do "que se quer" que é diferente e esta subjugado a clubes com maior poder aquisitivo que podem escolher os jogadores que se adaptam mais a um conceito de jogo ideal para o treinador.


Como esse segundo caminho é possível de ser seguido por um percentual muito baixo da população do futebol mundial, precisamos ser realistas e saber como treinar e escolher um Modelo de Jogo. Para isso é fundamental ter um determinado conhecimento de futebol, história do mesmo, estruturas, coisas que já foram feitas e a origem delas, saber o porquê determinados comportamentos surgem em virtude do que, e com qual objetivo, quais jogadores se tem e como usa-los em uma estrutura que potencialize o que os mesmos tem de melhor, é necessário saber o que eles tem de melhor, o que tem de pior , esconder isso, enfim, o Modelo é uma ideia vaga, como diria Vitor Frade, porém precisa existir, e depois disso precisa ser operacionalizado corretamente.

Neste momento entram os exercícios. Aqui durante minha experiência pessoal e vendo outros profissionais identifiquei alguns problemas. A escolha dos exercícios, em sua maioria, muitas vezes não seguem um contexto, ou são exercícios que não trazem a ideia do treinador, isto é, muitos exercícios são apenas cópias.


Isso não quer dizer que por ser cópia o exercício não possua qualidade. Possui, porém talvez não esteja especificamente contextualizado ao modelo do treinador. Então chegamos a conclusão que antes de se usar, copiar ou inventar um exercício, deve-se ter em mente um modelo de jogo mais definido possível, para somente depois buscar os comportamentos que se quer nesse modelo nos respectivos exercícios.


A CRIAÇÃO E A CONFIGURAÇÃO DOS EXERCÍCIOS ATRAVÉS DOS PRINCÍPIOS - PROPENSÃO

 A criação dos exercícios, após a identificação de um modelo de jogo é relativamente simples. Os exercícios seguem, em um Morfociclo Padrão, uma ordem fundamentada pelos princípios metodológicos da periodização tática. Portanto estes princípios devem ser conhecidos e entendidos afim de facilitar a densidade das diferentes dimensões afim de não gerar um treino não aquisitivo em termos de forma desportiva (Não confundir com a recuperação) , e nem um sobretreinamento, que seria o oposto em termos de densidade.

Os princípios metodológicos da periodização tática já foram aqui citados diversas vezes, são eles:

PRINCÍPIO DAS PROPENSÕES;


Irá regular a valorização de determinado princípio / comportamento dentro do exercício, ou seja, isso tem que acontecer muitas vezes, com mais ou menos sucesso para ser vivenciado e posteriormente virar um hábito.
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PRINCÍPIO DA PROGRESSÃO COMPLEXA


Irá regular os níveis de desgaste emocional de cada dia, ou seja, para determinado dia existem complexidades em termos táticos e princípios, e níveis de esforço em termos fisiológicos. É a fragmentação do modelo, a Des(integração) de princípios.


Também esta relacionado com a progressão da equipe, dos princípios em termos de acréscimos de novos elementos, valorização de comportamentos mais difíceis, isso ocorre graças a aquisição do que antes era mais importante, e agora já é hábito.


A progressão complexa também esta relacionada a progressão que os exercícios devem tomar, nas sessões e na temporada, em termos de dificuldade, podem gerar diferentes tipos de emoções e sentimentos, é necessário tentar regular isso afim de atingir diferentes objetivos.
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PRINCÍPIO DA ALTERNÂNCIA HORIZONTAL;

Alternância de complexidade de princípios de forma individual, setorial, intersetorial e coletiva, havendo uma relação direta com a progressão complexa, pois evita desgastes fora de lugar. Fisiologicamente permite uma variação de tipos de contração, como já foi citado aqui em postagens anteriores, baseados em Tensão, Duração e Velocidade de Contração.

 
PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE;

Princípio relacionado ao Modelo, diferente do conceito padrão de especificidade, que esta ligado ao desporto, somente exercícios de futebol não são o suficientes para serem específicos, é preciso uma contextualização muito íntima com o modelo de jogo.

A CONFIGURAÇÃO DOS EXERCÍCIOS

"Os Exercícios devem ser Fractais do Jogo que pretendemos."

Guilherme Oliveira

A configuração dos exercícios então deve levar em conta todos os princípios guiados pela especificidade do modelo.  Como apontou Campos (2007) citando Guilherme Oliveira, a complexidade dos princípios esta exatamente na relação entre eles no desenvolvimento dos exercícios.

É fundamental entender os parâmetros de regulação de densidade de comportamentos:


Segundo Guilherme Oliveira (2004) a modelação dos exercícios devem estar relacionados com:

- O Modelo de Jogo da equipa;

- Os princípios, sub-princípios e sub-princípios dos sub-princípios;

- Os diferentes momentos do jogo;

- Organização estrutural e funcional da equipa;

- O padrão semanal de esforço e de recuperação.


Segundo Guilherme Oliveira (2004), o cumprimento do Princípio da Especificidade só é atingido em toda a sua magnitude quando durante o treino:

- Os atletas entenderem os objectivos e as finalidades da situação;

- Os atletas mantiverem um elevado nível de concentração durante toda a situação;

- O treinador intervier adequada e atempadamente perante a situação.
 
COMPLEXIDADE TÁTICA DOS EXERCÍCIOS PROPOSTA POR GUILHERME OLIVEIRA (SEM DATA)
 
- Complexidade do ou dos Princípios;
- Complexidade da Dinâmica;
- Quantidade de Jogadores;
- Espaço de Jogo;
- Tempo de Duração dos Exercícios;
 
Estes elementos interagem entre sí, e naturalmente causam influência direta e indireta no objetivo do exercício:
 
 

Proposta de Interatividade que os exercícios devem proporcionar.


EXEMPLO DE CRIAÇÃO DE EXERCÍCIO





Exemplo de um exercício criado por mim para melhora da posse e circulação e pressão. Inevitavelmente este exercício carrega todos os grandes princípios. O que pode torna-lo mais ou menos complexo é as possibilidades de interação. Como são 6 x 3 reduz em muito a possibilidade de tomada de decisão, e a relação com a setorização. Embora seja interessante a setorização, ela também é um gerador de complexidade, principalmente quando existem funções relacionadas a posição incluídas.

 A modificação / valorização de determinado elemento que esta dentro do contexto do exercício automaticamente irá gerar influências em outros elementos, abaixo cito o exemplo que Sá (2001) verificou através de Bangsboo. Neste exemplo foi realizado um exercício em meio campo, com 7x7, e quando houve a modificação de "apenas 2 toques por jogador" ocorreu um acréscimo de 11 batimentos por minuto, ou seja, através de um elemento técnico foi registrado uma influência fisiológica significativa.




SÁ (2001) Cita acréscimo de 11 batimentos cardíacos por minuto em um mesmo exercício com variação de número de toques na bola.


EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DA DINÂMICA
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A dinâmica ( movimentação, regras e objetivos ) tem uma influência muito grande na propensão que o exercício irá proporcionar. Um exercício de 6x6 em jogo normal, com delimitação de espaço, tem grande diferença se for, por exemplo, retirado o desarme, buscando apenas interceptações, então, a dinâmica do exercício é muito importante.


EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DO ESPAÇO DE JOGO


O espaço de jogo afeta diretamente a propensão de determinado comportamento. Por exemplo, o mesmo exercício acima foi realizado em espaços diferentes, isso ajustado a determinados outros elementos como o tempo, e a algum princípio, pode gerar diferentes tipos de esforço, pois a participação do jogador é totalmente influenciada, junto com os outros elementos.

EXEMPLO DA DESINTEGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO  DOS PRINCÍPIOS E SEUS SUB-PRINCÍPIOS








É fundamental, pois o mais importante é sempre o Modelo de Jogo. Portanto não se deve super valorizar tempos e espaços, ou outros elementos colocando-os acima dos princípios do Modelo de Jogo. O mais importante é que exista uma fragmentação e que em diferentes dias da semana os jogadores vivenciem diferentes fragmentos do Modelo chegando de forma crescente aos mais complexo no meio da semana.

É muito importante que assim seja, pois a diferença entre o treino Integrado e a Periodização Tática esta justamente ai, ou seja, no que valorizar. Não adianta ser extremamente preocupado com os tempos de aquisição e recuperação se não houver a presença do Modelo de Jogo de forma concentrada no exercício, a preocupação fisiológica esta totalmente inserida no comportamento tático, ou seja, um jogador desconcentrado automaticamente não irá criar linha, ao criar linhas ele precisa de determinada movimentação espacial, que irá lhe gerar determinada ativação metabólica e determinado tipo de contração muscular em maior quantidade, junto com elementos relacionados com a tomada de decisão, colocação espacial, interação com outros jogadores em termos posicionais, setoriais e intersetoriais etc... ou seja, esta subjugado ao Modelo o esforço que o jogador irá realizar, porém, se não estiver concentrado e participativo, ele não terá aquisições suficientes para se habituar a determinado nível de rendimento, o que no jogo lhe colocará em um patamar abaixo de atletas melhor treinados.

EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DA QUANTIDADE DE JOGADORES


Ao modificar a quantidade de jogadores aumenta-se ou diminui-se a interação entre eles. Essa interação pode ser apenas comportamental (Individual) ou pode ser setorial, intersetorial ou coletiva, quanto mais jogadores, de forma mais setorizada, mais complexo é o exercício, pois aumentam as relações entre elementos do sistema. Além da dimensão física que é afetada juntamente com o manuseio do espaço e duração.
A duração influencia diretamente na concentração que o jogador deverá despender para realizar o exercício com sucesso. Quanto mais tempo ele precisar fazer isso, maior será o desgaste em termos de fadiga mental. Mentalmente o jogador pode ter um desgaste maior, e fisicamente não, depende do ambiente em que esta inserido. Portanto a duração do exercício esta intimamente ligada a complexidade do dia, e a sub-dinâmica fisiológica que diz respeito a valorização de um determinado tipo de contração, no caso, quinta-feira, será um dia de desgaste físico não tão grande, com poucas recuperações, porém que exigirá um comportamento tático muito grande, com isso se traz por arrasto uma série de componentes mentais que geram uma fadiga diferente da fadiga de quarta-feira por exemplo, que em termos fisiológicos será mais aguda. Portanto o tempo de quinta-feira em exercícios é maior, e tem uma incidência mais aeróbia do que anaeróbia. É o que eu chamo de resistência ao modelo, pois gera-se uma resistência específica dentro do contexto do modelo de jogo.

EXEMPLO DA INFLUÊNCIA DA DURAÇÃO DO EXERCÍCIO




É importante lembrar que, não é por ter um tempo pré-definido de 3 minutos de exercício, que isso ocorrerá de forma mecânica. Vão existir exercícios que em 30 segundos terão que ser parados e terá que haver uma intervenção pois os princípios idealizados não estão sendo atingidos e não há uma tendência para que isso ocorra, aí entra a intervenção do treinador, de preferência de forma a estimular a descoberta dos jogadores, através de comportamentos da dinâmica, não através de informações mastigadas. Na base algumas vezes os jogadores, por não terem ainda um repertório mental grande de situações vivenciadas não sabem descobrir soluções, isso é possível através da Lógica ( Ciência que estuda as leis do raciocínio, coerência BUENO, 2000), ou seja, qual a coisa mais lógica a fazer para resolver determinado constrangimento, após isso novos caminhos surgirão através do conhecimento adquirido.
Carlos Campos: A repetição sistemática dos princípios assenta em três pilares fundamentais: o princípio da progressão complexa, o princípio da alternância horizontal em especificidade e o princípio das propensões. De acordo com a sua experiência concorda que este último é o mais complexo, o que exige melhor conhecimento do jogo, o que contribui de forma mais efectiva para o "jogar" específico que pretende? 
Rui Faria: É fundamental perceber a relação que existe entre os três bem como a complexidade do exercício que se cria. No exercício vão aparecer determinados princípios e sub-princípios que queremos evidenciar porque são parte da nossa forma de jogar mas há que ter em conta que não podemos nem queremos isolar esses aspectos de outros que surgem por inerência. O importante é perceber a complexidade daquilo que se pede e enquadrar isso numa lógica de trabalho semanal que permita que a aquisição seja facilitada. Portanto, não podemos exigir a evidenciação de determinados princípios com grande complexidade quando os jogadores estão ainda em processo de recuperação mental e emocional, ou seja, é decisivo que a exigência do que queremos seja feita em função da relação que existe entre o desempenho e a recuperação. Não podemos pensar num desses três princípios sem pensar nos outros uma vez que o padrão de exigências tem que ser enquadrado na sua organização semanal no melhor momento para que haja sucesso na aquisição desse mesmo princípio.
CAMPOS (2007)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


SÁ, Pedro João Ramos Amorim (2001); Exercícios Complexos de Treino: Influência das variáveis espaço, tempo e número de jogadores na intensidade do esforço de um exercício de treino - Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre em Ciências de Desporto, na área de especialização de Treino em Alto Rendimento, realizada sob a orientação do Professor Doutor António Natal (FCDEF-UP).

CAMPOS, Carlos (2007); A Singularidade da Intervenção do Treinador como a sua «Impressão Digital» na… Justificação da Periodização Táctica como uma «fenomenotécnica». Porto: C. Campos. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Sob orientação do Professor Doutor Vitor Frade.

BUENO, Silveira (2000); Minidicionário da língua portuguesa. Edição revista e atualizada. Editora FTD- São Paulo - SP.

OLIVEIRA, José Guilherme (2004); Uma concepção de treino: Periodização Tática. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física - Universidade do Porto - Gabinete de Futebol - Mestradode Alto RendimentoDesportivo.

Grande Abraço

Luis Esteves

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O ALONGAMENTO ANTES, DURANTE E DEPOIS DO TREINO


Caderno de Educação Física, Estudos e Reflexões, v.3, n.2, p.67-78, 2001
"O alongamento feito antes do treinamento de força, juntamente com o aquecimento, prepara o corpo para qualquer atividade em seguida, podendo prevenir lesões, tanto musculares como articulares. No entanto, o treinamento de flexibilidade excessivo, realizado antes do treinamento de força máxima e de resistência, pode causar uma diminuição da força, prejudicando o treinamento. Os exercícios de alongamento também podem ser feitos durante o treinamento de força, como intermédio entre um exercício e outro, conforme a sua necessidade (recuperação metabólica ou relaxamento). Do mesmo modo, durante o treinamento, a flexibilidade pode ser trabalhada, através de exercícios com pré-estiramento ou por meio de trabalho excêntrico."

EXERCÍCIOS DE ALONGAMENTO E AS SUAS IMPLICAÇÕES NO TREINAMENTO DE FORÇA
Jociane de Carvalho
Gustavo A. Borges


Futuramente pretendo fazer uma postagem somente sobre alongamento, flexibilidade e coisas afins, eu utilizo alongamento antes e depois do treino, e em determinado tipo de treino durante os exercícios nas trocas de um exercício para outro, com fins como ditos acima, de recuperação metabólica e relaxamento, dependendo do dia do morfociclo, com mais ou menos enfase, e em alguns treinos, valorizamos a flexibilidade de forma mais acentuada. O alongamento no caso citado é o ativo não balístico, e também o balístico que utilizamos através de movimentos coordenativos.

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EXERCÍCIO

COLETIVO
11X11
GRANDES PRINCÍPIOS
RESISTÊNCIA AO MODELO


Demarcação de 3 setores do campo, em que deve-se dar uma maior valorização de determinado tipo de passe em algum deles, ou ter determinado tipo de comportamento em algum deles, exemplo: no setor central os jogadores devem constantemente retirar a bola da pressão, de preferência em diagonal para o último terço do campo.

Neste desenho existe uma limitação de espaços, nas extremidades existe uma situação de 2x1 (dois defensores x 1 atacante) dá pra inveter, 2 atacantes contra 1 defensor, para facilitar a vida dos atacantes, quando a equipe conseguir fazer essa ligação intersetorial, que é o objetivo maior desse exercício.

EXERCÍCIO

INDIVIDUAL
SUB-SUB-PRINCÍPIOS
VELOCIDADE COMPLEXA


EXERCÍCIO

INDIVIDUAL
SUB-SUB-PRINCÍPIOS
VELOCIDADE COMPLEXA


Exercícios que visam a precisão dos fundamentos específicos do jogo em alta velocidade, porém com extrema precisão, ou seja, não adianta ter velocidade sem precisão, portanto deve-se evitar a pressa, buscando a máxima eficiência e eficácia nas ações.
As setas e informativos definem as ações no exercício.

EXERCÍCIOS

FC INTERNAZIONALE
4X2 - VELOCIDADE DE CIRCULAÇÃO + MECANISMO DE PRESSÃO E COBERTURAS

FC BARCELONA
VELOCIDADE COMPLEXA COM FUNDAMENTOS ESPECÍFICOS

video


ORGANIZAÇÃO DE JOGO

BAYERN DE MUNIQUE
LIGA DOS CAMPEÕES 2010
OITAVAS DE FINAL


Resolvi postar essa foto pela possibilidade de visualização da equipe toda (menos o goleiro) em transição defensiva. Ví a equipe do Bayern jogando em duas linhas de 4, porém ao olhar esse jogo cheguei a conclusão de que não eram duas linhas de 4, e sim, um 4.5.1 escalonado com o Tomas Muller entrando nas costas do Mário Gomez, como um segundo atacante, formando com bola um 4.2.4, em transição defensiva já recupera a posição de meia, e forma um 4.1.4.1 ou um 4.2.1.2.1. É interessante ver a compactação em relação ao espaço e a bola da equipe.

Grande abraço
e beijo Bia.
Luis Esteves

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

AYRTON SENNA

"Face ao jogo, o problema primeiro é de natureza táctica, isto é, o praticante deve saber o que fazer, para poder resolver o problema subsequente, o como fazer, seleccionando e utilizando a resposta motora mais adequada. Tal exige, então, que os praticantes possuam uma adequada capacidade de decisão, que decorre duma ajustada leitura do jogo, para poderem materializar a acção através de recursos motores específicos, genericamente designados por técnica."

Garganta
 2002
MENSAGEM PESSOAL


video

Nos momentos difíceis, continue trabalhando firme.

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EXERCÍCIO
TÁTICO-TÉCNICO

CIRCULAÇÃO EM CONTEXTOS DIAGONAIS E VERTICAIS


O objetivo desse tipo de exercício é habituar um tipo de circulação de forma pouco complexa, já que as interações que ele proporciona são poucas, porém exige uma grande concentração no tipo de passe, na precisão, na criação de uma nova linha, no direcionamento da bola, jogo frente-costas, conexões intersetoriais, coisas que compõem o princípio da posse e circulação, para ter uma boa posse é necessário dominar estes sub e sub-sub princípios.

Neste quadro existem 4 tipos, a circulação exigida é praticamente idêntica a circulação setorial e intersetorial que ocorrerá no jogo, basta avaliar.

Terça-Feira como exercício de recuperação, sexta-feira com a utilização do 1 toque e maior velocidade e nos outros dias como aquecimento ajuda bastante a habituação destes comportamentos.

Grande abraço
Luis Esteves

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

EXERCÍCIO


“ Meu Deus, agradeço por me dar forças e convicção para cumprir a tarefa que me confiou.
Obrigado por me guiar sem hesitar através de muitos obstáculos em meu caminho e por me manter determinado quando o mundo parecia perdido.

Agradeço sua proteção e seus sinais ao longo do caminho.

Obrigado pelo bem que eu possa ter feito e lamento muito pelo mal.

Combati o bom combate, terminei a corrida, mantive a fé!”

Tomóteo, II carta - Capítulo 4 Versículo 7.

“A fé é a minha flor de luz no campo da escuridão, o que me dá forças para seguir em frente”
O livro de Eli

EXERCÍCIO
TÁTICO-TÉCNICO
Criei este exercício baseado na dinâmica do 1.4.3.3 que utilizo e ele demonstrou potencializar um tipo de circulação que gosto nas minhas equipes, foi interessante o treino dele.

Gerou inicialmente uma sensação de facilidade, pois é fácil, só que ao trocar de cone, junto com a circulação da bola muitos atletas se perdem, e ai iniciam conflitos. Foi bem interessante ver a reação dos jogadores ao aparecimento desses problemas, como tentavam corrigir, foi muito parecido com conflitos que surgem em jogos, e que muitas vezes eles não conseguem resolver sozinhos, pois estão acostumados com a intervenção podadora (podadora porquê no momento em que o jogador começa a pensar na solução o treinador intervem e faz isso por ele, instintivamente, pois quer sempre acertar, fazendo do jogador um simples reprodutor de técnicas, e não um produtor de jogo de futebol) do treinador que resolve todos os problemas, ou seja, se o exercício não esta funcionando, logo o treinador para, e pensa pelos atletas, não gerando assim nenhuma autonomia na resolução dos problemas. Intervir é bom, aliás no treino é talves uma das principais funções do treinador, porém, pode ser um vício, o vício de querer controlar tudo e que tudo aconteça como o planejado, isso não vai acontecer. O planejado ja deve levar em conta as possibilidades de variáveis que nem foram pensadas e quando isso ocorrer é necessário criatividade para solucionar o problema. Existem sim os princípios que geram o comportamento da nossa equipe, mas este comportamento tem muitas formas de acontecer, é ai que esta a capacidade de tomada de decisão e resolução que o jogador precisa ter e desenvolver. Que não se confunda isso com a intervenção para atingir determinado princípio ou comportamento que não esteja ocorrendo ou que ocorra com muita frequência em qualquer dimensão, as vezes o jogador não percebe, neste momento de alguma forma o treinador precisa fazer com que ele perceba, de preferência por sí só, o erro que esta cometendo e o que isso esta gerando para a equipe.

Portanto determinados exercícios vão gerar o erro, o insucesso, o fracasso perante uma situação, ai cabe ao treinador deixar que os atletas percebam isso, percebam o porque erraram e como podem fazer para atingir determinado comportamento que queremos para a equipe. Isso vai de encontro aos treinadores que, ao ter determinado insucesso no treino terminam chateados porque o treino não deu certo, dependendo do estágio de desenvolvimento que a equipe esta esse é o melhor treino.

O jogo esta ai para quem quiser entender, e por sí só o futebol é um grande problema, muitos problemas aparecem e precisam ser rapidamente solucionados, as vezes pelo treinador em termos estratégicos, mas principalmente pelos jogadores, no aqui e agora do jogo.

Bom, Exercício de baixa complexidade para habituação de tipo e direções de passe. Nele estão presentes passes diagonais, e pode-se fazer uma variação com um passe frontal, basta não cruzar o passe entre o circúito.

Exercício interessante para a variação de passe curto e longo., tensão e principalmente PRECISÃO do passe, quem quer ter posse de bola precisa ter um passe muito preciso, rápido e tenso, de preferência com um bom primeiro toque, ai esta o tal fundamento do jogo.

Grande abraço
Luis Esteves

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

CONVERSAS DE FUTEBOL

Entrevista - Professor Rui Faria




(Ex-treinador adjunto do F. C. do Porto, do Chelsea F. C; do Internazionale de Milão e atualmente no Real Madrid)

Entrevista feita na época em que se encontrava no Chelsea FC

Carlos Campos: A repetição sistemática dos princípios assenta em três pilares fundamentais: o princípio da progressão complexa, o princípio da alternância horizontal em especificidade e o princípio das propensões. De acordo com a sua experiência concorda que este último é o mais complexo, o que exige melhor conhecimento do jogo, o que contribui de forma mais efectiva para o “jogar” específico que pretende?

Rui Faria: É fundamental perceber a relação que existe entre os três bem como a complexidade do exercício que se cria. No exercício vão aparecer determinados princípios e sub-princípios que queremos evidenciar porque são parte da nossa forma de jogar mas há que ter em conta que não podemos nem queremos isolar esses aspectos de outros que surgem por inerência. O importante é perceber a complexidade daquilo que se pede e enquadrar isso numa lógica de trabalho semanal que permita que a aquisição seja facilitada. Portanto, não podemos exigir a evidenciação de determinados princípios com grande complexidade quando os jogadores estão ainda em processo de recuperação mental e emocional, ou seja, é decisivo que a exigência do que queremos seja feita em função da relação que existe entre o desempenho e a recuperação. Não podemos pensar num desses três princípios sem pensar nos outros uma vez que o padrão de exigências tem que ser enquadrado na sua organização semanal no melhor momento para que haja sucesso na aquisição desse mesmo princípio.

P: Tomando sempre a acção como primordial naquilo que é a aquisição de hábitos que queremos implementar, que importância dá à identificação teórica com os princípios de jogo?

R: Penso que isso está intimamente relacionado com a complexidade daquilo que pretendemos pois quanto mais complexa for a informação que queremos transmitir mais importante se torna o apoio teórico. Quando estamos perante um grupo novo e queremos implementar um determinado tipo de comportamentos, torna-se decisivo apoiar aquilo que pretendemos com imagens e outros recursos teóricos. Também se pode tornar importante quando vemos que acontece algo que não é congruente com o que pretendemos e que, em consequência disso, tem que ser corrigido para não se repetir, isto é, quando na prática não se consegue resolver é uma possibilidade recorrer a um apoio visual que facilite o aparecimento daquilo que pretendemos.

P: Sabendo que os sujeitos da aprendizagem têm que estar conscientes dos comportamentos em causa nas situações de aprendizagem (exercícios) para poderem direccionar o “foco” do seu cérebro, como toma isto em consideração na operacionalização do treino?

R: Fundamentalmente temos que perceber que o exercício quando surge já tem que estar configurado de modo a que os comportamentos que pretendemos em termos de princípio, de objectivo, se evidenciem, ou seja quando o estruturamos já críamos condições para que o que pretendemos surja com frequência. Isto é o mais importante, é a Especificidade do exercício e nós como treinadores, em função das nossas necessidades é que vamos elaborar o exercício de acordo com determinado objectivo.

Durante a execução do exercício, a intervenção em função da relação jogador-exercício-treinador, faz que por vezes sintamos a necessidade de criar ainda mais qualquer acrescento para que o que pretendemos se manifeste de forma ainda mais vincada e este tipo de intervenção é apenas possível se soubermos muito bem onde estamos e para onde queremos ir, isto é, exige-se um conhecimento muito bem estruturado do Modelo de Jogo que nos permita reajustar a intervenção sempre no sentido de um direccionamento específico. Quando criamos exercícios novos há a necessidade de os experimentar de ver como resultam na prática e aí é frequente procedermos a correcções de pequenos detalhes mas o fundamental é sabermos exactamente o que queremos e criar o exercício mais adequado possível a essa necessidade de forma a que quando o colocamos aos jogadores eles experimentem os comportamentos e objectivos que queremos.

P: Um dos objectivos do treino é contrariar a lentidão do cérebro através do desenvolvimento da capacidade de antecipação. Que configuração dá á prática para que isto surja com a maior brevidade possível?

R: A Especificidade em relação ao Modelo de Jogo é fundamental e a partir dai temos que criar condições para que o jogador se confronte com o máximo de situações possível para que consiga antecipar-se promovendo um aparecimento natural das coisas sem que haja necessidade de um processamento demorado da informação, ou seja, tem que haver uma lógica de resolução dos problemas que seja subconsciente. A Especificidade que colocamos no treino vai permitir que o jogador se adapte a uma determinada forma de jogar e que, em consequência disso, na competição ele se antecipe num conjunto de situações permitindo uma resposta bastante mais rápida. Naturalmente que isto é também um processo de habituação e a progressão do menos complexo para o mais complexo é crucial para facilitar a aprendizagem.

A experimentação dos comportamentos desejados vai fazer com que se tornem cada vez mais naturais e devido a isso vai decrescendo a necessidade de pensarmos muito sobre eles, as coisas acontecem de uma forma simplificada porque a partir da criação do hábito que é adquirido a partir experimentação das realidades que pretendemos, o jogador não tem problemas em encontrar a resposta pois é uma experiência já adquirida.

P: A obtenção de sucesso para que algo seja aprendido mais facilmente é um dado adquirido. Na operacionalização do treino como encontra o equilíbrio entre a promoção do sucesso como facilitador da aprendizagem e a criação de exercícios com um grau de dificuldade adequado?

R: Tocamos novamente no princípio da progressão do menos complexo para o mais complexo. A necessidade de ir maturando cada vez mais os nossos princípios e sub-princípios é uma evidência. No início temos que reduzir a complexidade para que, numa primeira fase, a repetição sistemática dos princípios ocorra com sem grandes entraves e depois, numa fase mais avançada quando sabemos que esses princípios já se consubstanciaram em hábito, a complexidade do exercício é maior e como tal devemos centrar a nossa preocupação em perceber de que forma é possível aumentar a qualidade do nosso jogo partindo de patamares de complexidade cada vez maiores.

P: Aquilo que é aprendido tem que ficar de alguma forma retido para poder ser evocado no devido contexto. Na operacionalização do treino que diferenças descreve entre os exercícios maioritariamente de aprendizagem e aqueles mais direccionados para a manutenção de algum princípio?

R: Em primeiro lugar temos que perceber em que nível nos encontramos. É decisivo percebermos o que é a cultura individual dos jogadores em termos do jogo, é fundamental perceber as qualidades dos jogadores e perceber isso em função do que se pretende. Se pretendemos que haja sucesso em termos do que fazemos no treino e queremos que isso se constitua como uma aprendizagem em termos de cultura de jogo, em termos de comportamentos colectivos é necessário que se compreenda esta evolução em termos de complexidade. Isto é decisivo, mas também é decisivo fazer uma avaliação do que é a nossa equipa, os nossos jogadores e do que é o conhecimento do jogo por parte da equipa e portanto a antecipação é tão mais facilitada quanto maior for a cultura de jogo da equipa. Fazemos uma avaliação que, pela introdução dos sub-principios e dos princípios, pela complexidade dos exercícios que se criam, por vezes, como é um processo e como foi referido anteriormente, nós estamos constantemente a criar novos exercícios embora os objectivos por vezes se mantenham, criamos exercícios para que haja uma mudança, uma evolução de algo que crie algum estorvo, à execução de um determinado princípio para que haja uma readaptação estrutural e mental para que não seja um processo sempre idêntico, para que exista um enriquecimento em termos de trabalho.

A par da a necessidade que temos de evoluir para novos exercícios, também ficamos na expectativa de como irá ser a reacção dos jogadores no que se refere á relação com exercício, com as regras e com os princípios que queremos implementar. Sente-se a necessidade mesmo durante o próprio exercício de o readaptar, reajustar para que a complexidade seja maior ou menor, para que o objectivo que pretendemos, aconteça. Isto no fundo é um trabalho muito importante por parte do treinador, pela necessidade e pela relação que ele tem que ter com o próprio exercício no sentido de perceber o nível dos jogadores, da equipa e da compreensão dos princípios e sub-principios e o nível de cultura dos jogadores em termos de grupo para perceber se a aquisição e o sucesso em termos de exercícios e a aquisição do princípio está a acontecer. A partir daqui, cria-se a maior ou menor complexidade do exercício e reajusta-se nesse sentido para que as coisas aconteçam com sucesso e, naturalmente, se a situação for muito facilitada também não tiramos o melhor rendimento, porque percebemos facilmente que os jogadores executaram com a maior das facilidades e, por outro lado, se for muito complexo não é importante porque a aquisição do que pretendemos também não está a acontecer. É este equilíbrio que é fundamental mesmo na nossa relação directa com os exercícios e com a nossa intervenção na liderança do próprio trabalho, o que é necessário perceber é: temos de partir de uma menor complexidade para uma maior complexidade, identificar claramente qual é a cultura dos jogadores e o nível de jogo da equipa e a partir daqui criar exercícios no sentido de se ajustar ao máximo de sucesso na aquisição de objectivos. Não podemos é trabalhar nos extremos, nem na maior complexidade nem na menor complexidade porque não existe estorvo no processamento do trabalho, do que se pretende à acção, também não existe evolução, temos de criar situações em que o jogador tenha que se reajustar, readaptar a algo novo para que essa evolução possa acontecer.

P: É sabido que na codificação da informação, o pré-conhecimento da matriz é facilitador da aprendizagem pois apenas há a necessidade de re-codificar aquilo que muda relativamente àquilo que já era conhecido. Como lida com este facto na prática sabendo que existem diferentes ritmos de aprendizagem para diferentes indivíduos, que há jogadores que chegam de novo e têm que codificar todo um conjunto de informação que a maioria já domina?

R: É tão mais fundamental apoio teórico quanto maior é o desconhecimento do jogador ou da equipa em relação a um determinado tipo de comportamentos que se pretende para a equipa, e quando se particulariza um jogador que é novo na equipa e que precisamos de o introduzir numa cultura grupal para ele jogar como queremos. Em primeiro lugar nós já o seleccionamos para ele fazer parte da equipa porque ele tinha características que interessavam no sentido do que se perspectiva (em termos de jogo), depois existem comportamentos que são necessários e fundamentais dentro da linguagem da equipa e normalmente o que nós fazemos aos jogadores novos é criar condições facilitadas para que, sem prejudicar o grupo, eles possam ter presente um conjunto de experiências que lhes permitam adquirir mais rapidamente o conhecimento do que é a equipa. Por vezes, se lhe podermos chamar assim, podia dizer que é feita uma “lavagem cerebral” no sentido de dar apoio visual e teórico com que o jogador acompanha as reuniões individuais e colectivas, em exercícios tentamos criar situações onde ele possa ter experiências ao nível do que nós pretendemos dele, mas é obvio que há necessidade de uma maior intervenção e particularização dos comportamentos em relação a este individuo especifico mas sem que isto prejudique o contexto do que é a informação e a complexidade a que os outros estão habituados, no fundo temos de encontrar um equilíbrio de forma a que se identifique o jogador com os comportamentos, linguagem grupal e cultura de jogo da equipa, e tentar fazê-lo como a melhor forma de facilitar a compreensão da informação dada, seja teórica ou visual e ao mesmo tempo fazer experimentação prática de um conjunto de exercícios que permitam que ele vivencie esses mesmos comportamentos de jogo que pretendemos. Naturalmente, temos de perceber que ele próprio necessita de uma evolução em termos de complexidade e que é tanto maior quanto maior for a evolução e a progressão do jogador. Depende muito do jogador, depende da inteligência dele e da sua própria cultura de jogo para perceber mais rapidamente quais são as ideias do treinador, quais sãos os comportamentos que o treinador pretende para ele enquanto elemento de equipa e qual é a liberdade que ele tem dentro da equipa.

Por vezes há necessidade, em termos de equipa, de reajustar comportamentos de alguns jogadores em função da qualidade do jogador. Podemos dar o exemplo de um jogador ala ou extremo em que se sabe que é um jogador extremamente forte no um contra um, temos então de criar mecanismos de equilíbrio na equipa para que no momento em que se sabe que apesar dos comportamentos dele estarem subordinados àquilo que é o colectivo temos de encontrar um equilíbrio comportamental dentro da equipa para que estejamos preparados para quando o insucesso acontecer. No fundo isto são os pequenos reajustes comportamentais em termos de equipa de acordo com aquilo que é a realidade de um novo elemento que é introduzido e que vem fazer parte do grupo. São pequenos reajustes mas nunca é uma alteração drástica da forma de jogar, são reajustes específicos em função, por vezes de um plano estratégico, e isto acontece frequentemente, é um processo também evolutivo e, por vezes com o pequeno detalhe fazemos a diferença e também a própria forma do jogador, que é importante para nós, e a própria forma de estar deste jogador faz com que nós criemos mecanismos para fomentar o sucesso em jogo. Por vezes temos de encontrar soluções comportamentais noutros elementos do grupo que não prejudiquem a linguagem comum da equipa mas que permitam facilitar o sucesso do elemento em si. Há um conjunto de detalhes que não só ocorrem quando o elemento é novo mas também durante a própria época e são fundamentais para que o sucesso em termos de grupo aconteça.

P: Conhecendo a sua forma de perspectivar o treino sabemos que a sua acção se direcciona mormente para o condicionamento do plano macro do “jogar”. Quais os traços gerais das características da sua intervenção no plano micro?

R: É tão mais importante quanto mais perturbador for para a resolução do jogo para o sucesso da equipa. É tão mais importante a intervenção quanto maior for o prejuízo da nossa forma de jogar pois apesar de ser micro, ou como lhe quisermos chamar, é importante na medida em que pensamos que há necessidade de intervenção em função do que isso possa influenciar a equipa em termos de jogo. Portanto, essa intervenção por vezes pode ser feita porque percebemos que algo acontece, mas podemos fazer uma intervenção quando se faz a pausa do exercício e se chama à atenção de aspectos que são importantes para o exercício, chamando à atenção particularmente para a questão que é micro mas que pode ter alguma perturbação. Por vezes sentimos a necessidade, durante o próprio exercício, de o interromper para que esse comportamento ou esse detalhe em termos de comportamento não se repita ou não aconteça, é tão maior a nossa intervenção imediata para parar um exercício no sentido de interromper o que está a acontecer quanto maior for a perturbação desse micro no macro do jogo. Podemos dar do exemplo do lateral que perde a bola, do ala que perde bola, do pivot que perde bola ou o médio interior que perde bola, é tanto maior a intervenção quando nós percebemos que é mais prejudicial para a nossa equipa é esse comportamento. Tudo é subordinado ao macro, o individual está sujeito àquilo que é a linguagem comportamental comum, o individual tem que estar identificado com isto, quando o erro ocorre e quando um determinado detalhe, sob o ponto de vista individual, vai prejudicar o comportamento colectivo, esses equilíbrios colectivos da equipa têm que se ajustar de imediato. Então é tão mais importante a nossa intervenção quanto mais isso prejudicar a nossa equipa. Se tivermos que fazer essa intervenção e parar imediatamente o exercício para fazer perceber claramente que algo é errado, que algo não está correcto ou que algo pode ser importante, também não é só quando as coisas acontecem de negativo é também quando elas acontecem de positivo porque quando elaboramos um exercício elaboramos um princípio que não é um fim. Não é um fim porque permitimos que a partir dali as coisas evoluam em função da criatividade dos jogadores subordinado àquilo que nós pretendemos em termos globais do grupo, mas damos também liberdade de um mecanismo não mecânico, isto é, no fundo nós atribuímos o principio, organizamos esse principio mas ele não se esgota naquilo que nós estabelecemos no cumprimento do objectivo que queremos que aconteça, mas a partir dai temos que perceber que tudo tem uma evolução e essa evolução também faz pensar em novas coisas.

P: Admitindo uma equipa como um conjunto de jogadores com diferentes funções que condicionam as propriedades do todo, é esse todo que baliza a consecução ou não dos comportamentos pretendidos. Porém, a evolução desse todo assenta na melhoria individual de cada um dos seus constituintes, melhoria essa sobre-condicionada a referências eminentemente colectivas. Sendo dada total primazia a esse objectivo colectivo, como trata na prática casos individuais que por algum motivo não atingem esses referenciais colectivos impedindo a sua melhoria contextualizada?

R: Em primeiro lugar temos de perceber que a equipa é mais importante que o individual e se percebemos que há um jogador que tem qualidades e que essas qualidades também podem ser importantes para nós, por vezes acontece que as suas características apesar de serem interessantes e de nós até achamos que podem contribuir de forma positiva para a equipa ele não se insere na nossa forma de jogar. Há pouco falamos um pouco disto, podemos encontrar mecanismos dentro da própria equipa de forma a que possamos suportar estas características individuais, porém não podemos fazer com que essas características individuais sejam um estorvo àquilo que é a nossa forma de jogar. Temos de encontrar um ponto de equilíbrio e também temos de acreditar que é possível encontrá-lo dentro da equipa. Em nenhum momento devemos fazer com que ele prejudique a nossa equipa e temos de tentar encontrar o equilíbrio, o que também depende da inteligência dos jogadores. O jogador também tem de perceber, na perspectiva do que é a equipa, e a equipa tem que conhecer o jogador para permitir a sua integração, agora é fundamental entender que às vezes os jogadores, por muito que queiramos, não têm cultura nem inteligência táctica suficiente para poderem perceber o nosso jogo, por vezes têm características individuais extremamente interessantes mas não tem condições para jogar na nossa equipa. O nosso trabalho é criar condições para inserir um jogador no contexto de grupo sem que ele prejudique a nossa dinâmica colectiva pois em nenhum momento ele pode criar perturbação à dinâmica colectiva e para isso nós promovemos a criação de alguns mecanismos de forma a que ele seja suportado pela equipa e isto é decisivo, tem que ser é bem estruturado de forma a que consigamos perceber que por vezes os jogadores vêm habituados a uma determinada posição e as suas características fazem com que se pense nele em posições diferentes onde se possa explorar melhor certas capacidades e essas características do jogador numa outra posição que não aquela a que o jogador está habituado. Podemos dar o exemplo em que tivemos vários jogadores, no último clube onde estivemos, que estavam referenciados para determinada posição no terreno e que nós percebemos que, na nossa forma de jogar, esse jogador não era o mais indicado ou não tinha as características mais indicadas para aquilo que pretendíamos e encontramos soluções posicionais diferentes para esses jogadores. Um exemplo concreto foi o Geremi que estava referenciado como um jogador de meio campo onde podia jogar em qualquer uma das posições desse sector, isto é, pivot, interior direito ou médio interior esquerdo e que jogou imensas vezes a lateral, chegou a jogar a ala, portanto em função da necessidade e em função das características de outros jogadores que estavam no terreno nós conseguimos criar um suporte de forma a que este jogador pudesse dar uma contribuição à equipa. Temos de conhecer muito bem os jogadores e é com o tempo que isso também acontece, e assim conseguimos criar condições para que ele possa ser importante dentro da equipa.

P: Os desvios criadores, os desequilíbrios, surgem-nos como algo que de alguma forma tem que estar ligado ao MJ. Como os perspectiva na dimensão macro, isto é, como os potencia sabendo que dizem respeito a uma ordem oculta?

R: Nós não somos inibidores de criatividade. Temos uma linguagem comum que é um ponto de partida pois o Jogo é uma dinâmica onde constantemente surgem coisas novas que criam dificuldades aos jogadores e criam constantemente a necessidade do jogador responder com sucesso a essas situações. Neste sentido, é importante percebermos que a linguagem que introduzimos é um guia mas depois esse guia de organização colectiva permite que a criatividade e a individualidade contextualizada surja sustentada nessa linguagem comum. Em termos individuais as características de um jogador fazem com que tu cries mecanismos de suporte a esse jogador de forma a que o sucesso seja mais facilmente alcançado. Por exemplo os jogadores que são muito fortes no 1x1 “exigem” que se criem formas de equilibrar a equipa quando ocorre o insucesso. Digamos que é fundamental não inibir a criatividade mas é fulcral que isso esteja inserido na perspectiva do todo pois tem que existir sempre esse suporte, isto é, não pode ser aleatória nem desinserida de um contexto pois aí estamos a desequilibrar a nossa equipa em vez de desequilibrar o adversário. O jogador tem que ser inteligente para perceber quando pode dar azo à sua criatividade e tem que existir essa sensibilidade caso contrário a equipa pode sentir efeitos negativos pondo-se em causa o sucesso da equipa, portanto tem que existir este ponto de equilíbrio e isto é tão mais possível quanto melhor os jogadores conhecerem a dinâmica comportamental da equipa!

P: Admite como potencialmente importantes para a consecução do Modelo de Jogo outras coisas que não a repetição sistemática em especificidade dos Princípios de Jogo, isto tendo em conta a sua vasta experiência a top? (musculação, personal-training, piscina…)

R: Eu não vejo outra possibilidade que não seja essa repetição sistemática em especificidade dos Princípios de Jogo porque é FUNDAMENTAL perceber que a organização é o sucesso e quanto mais organizada for a equipa mais probabilidade de sucesso haverá. Numa época extremamente competitiva onde por vezes a falta de tempo para treinar obriga-nos a fazê-lo numa supra-especificidade relativamente ao Modelo, a única preocupação que temos é treinar comportamentos de jogo, é treinar princípios, é atender ao lado estratégico em função do adversário numa perspectiva de antecipar o que vai acontecer no próximo jogo, corrigir comportamentos do jogo anterior, ou seja, temos que rentabilizar ao máximo o tempo que temos para treinar, para potenciar ao máximo o padrão comportamental que queremos e não pensamos em mais nada!

P: Mas estando a top, onde qualquer detalhe é decisivo, não sente necessidade de uma individualização do treino com recurso a máquinas de musculação, piscina, personal-training… Insisto nisto porque somos confrontados diversas vezes, mesmo dentro da nossa Faculdade, com o facto de vocês no Chelsea, utilizarem este tipo de recursos? Confirma isso? Em que moldes o faz?

R: Só por idiotice e falta de rigor científico se pode afirmar uma coisa dessas porque a necessidade em termos de evolução do jogo é de tal ordem que não temos tempo para pensar nesse tipo de particularizações e nessas questões. A nossa perspectiva de trabalho não fomenta isso porque não acredita que isso se possa privilegiar em termos de rendimento e como o que nós queremos é rendimento e isso passa por organização é de uma extrema idiotice por em causa ou dizer-se - e eu não sei onde se foi buscar essa ideia- que temos personal-trainers ou fazemos musculação. É uma falta de rigor científico enorme fazer-se comentários desse género pois quando nós não temos tempo para treinar aquilo que é fundamental para nós, quanto mais para treinar coisas que não fazem parte da nossa forma de pensar o treino, portanto elas não fazem parte da nossa natureza mesmo que tivéssemos tempo e que fique bem claro que elas não existem na nossa forma de treinar! Volto a repetir que só por idiotice e por falta de rigor científico é que as pessoas podem dizer que nós tínhamos personal-training ou que fazíamos treinos na piscina! Aliás queria-te pedir para que, quando fosses novamente confrontado com essas afirmações, convidasses essas pessoas a fazer um estágio connosco para saber qual é a nossa realidade e para terem maior rigor quando fazem esse tipo de observações. Nós não temos que provar nada a ninguém nem temos necessidade de dizer que fazemos coisas que depois na realidade não fazemos, portanto até me dá vontade de rir quando me dizes que ouves isso. O principal responsável era o treinador e em seguida era eu e como segundo responsável da estrutura técnica afirmo que é ridículo pessoas dizerem que fazemos um determinado tipo de coisas que na realidade não fazemos! Quem não acreditar pode vir observar e constatar o que estou a dizer.



É fácil perceber que durante um processo de reabilitação médica, existam jogadores que tenham, pela forma como o departamento médico se organiza, responsáveis pelo seu processo de reabilitação, de superação da lesão, e estes jogadores eram entregues a elementos do departamento médico que tinham em determinadas horas o cuidado de tratar deles e actividades para fazer com os jogadores sendo que aí sim, utilizavam os meios que eles consideravam serem importantes para a sua recuperação mas aqui os jogadores não estavam a trabalhar no terreno, não estavam entregues à equipa técnica pois estamos a falar do processo de recuperação onde iam ao ginásio, faziam hidroginástica mas numa perspectiva de recuperação funcional e biomecânica. A partir do momento em que os jogadores estavam recuperados funcionalmente e voltavam para o terreno, todo o trabalho era progressivamente específico em termos de modalidade e Modelo de Jogo. Não temos necessidade de provar nada a ninguém, até pelo trajecto que temos feito, nem temos necessidade de dizer que fazemos uma coisa e fazermos outra só porque nos lembramos de dizer que somos diferentes. Nós somos efectivamente diferentes e para as pessoas que não conseguem perceber essa realidade é-lhes mais fácil dizer que nós somos iguais a eles do que dizerem que trabalhamos duma forma diferente porque nós sabemos como eles treinam mas eles desconhecem completamente a nossa forma de operacionalizar o treino.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
Campos, C. (2007). A Singularidade da Intervenção do Treinador como a sua «Impressão Digital» na… Justificação da Periodização Táctica como uma «fenomenotécnica». Porto: C. Campos. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
 
Monografia de Licenciatura realizada no âmbito da disciplina de Seminário do 5º ano da licenciatura em Desporto e Educação Física, na opção de Futebol, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
 
Orientador: Professor Vítor Frade


Autor: Carlos César Araújo Campos