sexta-feira, 30 de abril de 2010

HÁBITOS

"Lá preparacíón física no existe."

Paco Seirulo
Preparador desportivo do FC Barcelona




Hábitos, segundo o Professor José Guilherme Oliveira:

Os Hábitos são atalhos criados pelo cérebro através de estruturas especializadas, gânglios basais. Essas estruturas conseguem dar respostas imediatas, perante determinadas situações, assim que determinado tipo de sensações comecem a despertar essas estruturas. Esta forma de funcionamento do cérebro, cujo objectivo principal é poupar tempo, só funciona quando o cérebro já experimentou essa ou semelhante situação e a gravou com Hábito.

McCrone, 2002

Os Hábitos resultam de conhecimentos que foram criados através das experiências que ficaram gravadas nas memórias e que vão ser utilizadas para se decidir e reagir rapidamente perante determinada situação.
Damásio,2000

Os trabalhos de Haggard (2000) demonstram que o cérebro se prepara para executar os movimentos muito antes de sentir conscientemente vontade de executar o movimento. Através dos hábitos o tempo de decisão e respectivas reacções podem ser reduzidas de 500 para 200 milésimos de segundo.

McCrone, 2002

Como referem vários autores (Libet, 2000; Haggard, 2000; Gasaniga, 2000; Damásio, 2000; Greenfield, 2000; McCrone, 2002) as acções e as decisões que se tomam diariamente, que até parecem ser conscientes e instantâneas, são na realidade o resultado de processos subconscientes ocorridos no cérebro.

Como criamos os hábitos?

Com exercícios específicos, que vão ao encontro do modelo de jogo, tornando pequenos gestos e decisões em determinados momentos, hábitos.

Exemplo de exercício, gerador de hábitos relacionados a criação de linhas, passe diagonal e frontal:


video



A "repetição sistemática" dos conteúdos, sejam eles de que escala forem, promove hábitos relativos à identificação do «jogar» pretendido pelo treinador, nos diferentes momentos do jogo. O jogador, ao adquirir determinado comportamento, pela habituação, ou se preferirmos, familiarização com o que se está a suceder, vai proporcionar a criação de um "saber sobre um saber fazer, que se adquire na acção" (Frade, 2004). Sendo que, o "saber fazer" é do domínio inconsciente e este "saber sobre o saber fazer" é emergente de um processo de aprendizagem consciente, resultante de um hábito que se adquire através da prática – o «treinar» (Gaiteiro, 2006).

Sousa, 2007

Os processos inconscientes dimanantes da aquisição de hábitos resultam num factor de economia do cérebro e prontidão para a resposta.«Como a esfera fundamental do saber fazer é de domínio não consciente e ohábito é um saber fazer que se adquire na acção, o treinar – a aprendizagempela repetição – é um processo de construção do ser capaz de jogar em que osaber adquirido é dominantemente património do não consciente» (Resende etal., 2006, 129). Uma repetição sistemática dos princípios organizadores dejogo, em jogo ou situações que sejam da mesma família, que possibilitem a emergência de padrões de jogo reconhecíveis pelos jogadores e quepromovam a transferência e organização do conhecimento em imagens mentais adaptadas de foro não consciente.

Talvez empiricamente ou não, Mourinho sabe que a educação táctica dos seus jogadores é o elemento mais importante para a sua equipa ter sucesso. Tem as suas ideias sobre a forma como os jogadores devem evoluir no terreno, mas é necessário que cada um saiba desempenhar as suas funções e tarefas de “olhos fechados”, isto é, de forma não consciente, regulare circunscrita numa dinâmica de grupo congruente. Após a aquisição destes hábitos tudo é mais fácil!

Gaiteiro, 2006

Os hábitos são os grandes geradores da velocidade coletiva, que nada mais é do que a velocidade da bola, por isso não se deve perder tempo com exercícios que criam apenas adaptações fisiológicas. Pois estes irão gerar outro tipo de hábitos, um deles, por exemplo, é o de querer correr mais que a bola...

São Pedro - SP  e Três Coroas - RS - 2005

Grande abraço

Luis Esteves


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SOUSA, T. M. T. (2007). Paredes ou pontes. A solidão ou a boa companhia… A vitalidade do(s) princípio(s) metodológico(s) da “Periodização Táctica”. Porto: T. Sousa. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

SANTOS, J. M. (2009). A Intervenção do Treinador no Futebol de Formação. Estudo de Caso com a Professora Marisa Gomes nos escalões de Escolas e Infantis no FC da Foz. Dissertação de Licenciatura. Porto: FADE-UP.

GAITEIRO, Bruno RIcardo Valente Nunes; A Ciência oculta do sucesso: Mourinho aos olhos da ciência. Trabalho monográfico realizado no âmbito da disciplina de Seminário, ministrada no 5.º ano daLicenciatura em Desporto e Educação Física, opção de Futebol da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, sob orientação do Dr. Vítor Frade.

OLIVEIRA; José guilherme; Periodização Táctica - Um modelo de treino - Universidade do Porto - Porto - Portugal. Sem data.

sábado, 24 de abril de 2010

PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS - PROGRESSÃO COMPLEXA

PROGRESSÃO COMPLEXA

trata-se da fragmentação dos princípios do modelo de jogo para treina-los de forma mais propensa a determinado objetivo. José Guilherme Oliveira coloca: “Montagem” e “Desmontagem” dos Princípios e dos Subprincípios e sua Hierarquização durante o Padrão Semanal e ao longo dos Padrões Semanais, consoante a evolução da equipa. É a Periodização da Dimensão Táctica.

Ainda por José Guilherme Oliveira é considerada de duas formas:

Curto-Prazo: Jogo á Jogo ( Á mais importante )
Médio e Longo Prazo: Competições

Alguns fatores devem ser levados em conta, em termos de progressão, na semana, relacionados ao desgasdte emocional:


O desgaste emocional de determinado exercício/jogo esta diretamente relacionado a intensidade de concentração que o jogador deve desprender para conseguir ter sucesso no objetivo proposto. Quanto mais complexa for a situação, mais desgaste mental/decisional será desprendido, consequentemente maior será a fadiga do SNC interrelacionada a fadiga fisiológica pós-exercício/jogo.

Considerações Pessoais:

Outra situação que considero pertinente e relacionada a Progressão Complexa é a complexidade dos princípios. Alguns princípios são mais complexo do que outros, e se interligam, por exemplo:

Zona pressionante - consiste em pressionar o homem da bola e as opções próximas formando dobras de pressão, para recuperar a posse da bola e circula-la novamente o mais rápido possível.

Ou seja, não adianta eu pressionar muito bem, se não consigo ter posse de bola após este desarme, vou viver em transições e isso desgasta muito, portanto derrepente seria melhor mudar de modelo.

Outro exemplo:

- Retirada da pressão: Consiste em retirar a bola de uma zona pressionada pelo adversário, a fim de encontrar um novo espaço menos ocupado para progredir em segurança.

Para retirar a bola da pressão, preciso de amplitude e de um bom jogo posicional, portanto se não tiver estes princípios, não terei sucesso nos outros.

Portanto acredito que, ao se iniciar a temporada, deva-se se apegar em poucos princípios, e sub-princípios, para que, depois vá os tornando mais complexo, de acordo com a aquisição dos hábitos por parte dos jogadores.

Princípios fundamentais seriam:

- Posse e circulação

- Abertura - Transições ofensivas rápidas

- Compactação - Transições defensivas rápidas

Alguns sub-princípios inicialmente importantes distribuidos em diversos princípios:

- Passe - Fundamental na circulação e valorização da posse:
Tipo de Passe: Curto / Longo
Direção de passe: frontal / Diagonal / frente / Costas
Velocidade do passe: Rápido e forte
Altura: Rasteiros / Altos

- Primeiro toque - fundamental na manutenção da posse e na velocidade coletiva:
Para dominar
Para passar

- Criação de linhas Diagonais - Fundamental na circulação da bola:
Sentido de direção
Ocupação de espaços vazior entre linhas

- Momentos de finalização - Fundamental na finalização de jogadas de ataque:
Criação do espaço
Visualização do espaço
Passe no espaço
Tipo de finalização

Quando se escolhe um princípios, sub-princípio, etc.. deve-se ser lógico entre eles, pois é comum existir conflitos entre princípios, ou seja, quero posse de bola, porém meus zagueiros treinam dando balões para o setor de ataque, ou seja, esta indo um princípio contra o outro, cobro uma coisa, mas realizo outra, e isso é ruim.

Fatores que influenciam o desgaste emocional - progressão complexa:

Complexidade do ou dos Princípios
Complexidade da Dinâmica
Quantidade de Jogadores
Espaço de Jogo
Tempo de duração dos exercícios

Estes fatores se relacionam diretamente, e na montagem do exercício todos devem ser levados em consideração ao mesmo tempo, pois afetará diretamente o desgaste emocional.

Exemplos:

Complexidade do ou dos princípios:

Esta diretamente relacionado a intensidade de concentração que o jogador deve dar a um, dois ou mais princípios, ou sub-princípios, quanto mais complexo, mais concentração.

Complexidade da dinâmica:

Esta ligado as regras e objetivos do exercício, quanto maior o número de regras, mais concentração exige e mais complexo se torna, muitas vezes o excesso de regras torna o exercício desfocado dos princípais objetivos que é a melhora de determinado princípio.




Quantidade de Jogadores:

Esta diretamente relacionado as variáveis de tomada de decisão, quanto maior o número de jogadores, em termos coletivos e setoriais, maior será a complexidade no desenvolvimento dos grandes princípios.


 Espaço de jogo:

Esta relacionado a velocidade de decisão do jogador, condicionada por outros fatores como a presença ou não de desarme. também condiciona a sub-dimensão fisiológica, pois quanto menor o espaço, maior a solicitação de participação do jogador dentro de determinado objetivo, se houver igualdade, um leve superioridade em espaços reduzidos o índice de deslocamentos aumenta, consequentemente aumenta a quantidade de contrações excêntricas. Esta também diretamente relacionado ao tempo de exercício.


Tempo de jogo:

Esta relacionado ao tipo de exercício, numero de jogadores e principalmente ao princípio que se irá treinar. Quanto mais coletivo for este princípio, maior é o espaço, quanto mais individual for este sub-sub princípio, menor é o espaço, porém, pode-se treinar sub-subprincípios em espaço grande, por estarem inseridos hierarquicamente dentro dos grandes princípios, mas recomendo que o foco principal sejam os princípios maiores.


E para finalizar este post, fiz um gráfico que representa a relação Progressão complexa e Alternãncia horizontal em especiificidade, que será o próximo post sobre este assunto:


Acredito que o mais importante, além de entender o que significa cada princípio metodológico, deve-se entender que eles se relacionam diretamente.

Grande Abraço
Luis Esteves

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

OLIVEIRA; José guilherme; Periodização Táctica - Um modelo de treino - Universidade do Porto - Porto - Portugal. Sem data.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

EXERCÍCIO - PRESSÃO

“Quando vemos os avançados a correr tanto,
a disputar cada bola como eles o fizeram,
isso levou-nos a dar o nosso melhor também” 
Esteban Cambiasso
Após o jogo - FC Internacionale 3x1  FC Barcelona

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EXERCÍCIO - PRESSÃO


Consiste em deixar a defesa da equipe verde sair jogando, e assim que o primeiro toque do goleiro for dado deve-se pressionar todos os jogadores na zona do QUADRADO em que se encontra a bola. Princípios Importantes:

Organização Defensiva: Pressão zonal alta
Transição Ofensiva: Retirada da pressão com abertura máxima no campo
Organização Ofensiva: Posse e Circulação buscando espaços para finalização
Transição Defensiva: Reconpactação rápida

A equipe Verde, com 6 jogadores pode sofrer variações com o aumento da complexidade, de 6 para 8, 9, ou 10, depende da progressão que se deseja para a equipe, ou do nível que se encontra a equipe.

Grande abraço
Luis Esteves

domingo, 18 de abril de 2010

PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS - PROPENSÕES

"Todos são fundamentais, porém ninguém é insubstituível"

Princípio relacionado ao modelo de equipe do
Modelo de Formação do FC Porto



Bom, estava eu pensando no jogo de hoje, nas situações ocorridas para a montagem da próxima semana de treinos, e percebi que até hoje, em meio a diversos assuntos, nunca falei sobre os princípios metodológicos que guiam a Periodização Tática dentro do Morfociclo Padrão.

Eles não são novidades:

Princípio da Especificidade
Princípio da Montagem e desmontagem dos Princípios do Modelo de Jogo
Princípio da Alternância Horizontal
Princípio da Progressão Complexa
Princípio das Propensões

É de certa forma errado nunca ter falado disso, pois não se pode operacionalizar bem uma semana de treinos sem dominar o conceito destes princípios.

Não vou seguir a ordem acima e vou começar falando sobre o PRINCÍPIO DAS PROPENSÔES:

Propensão segundo alguns dicionários significa estar inclinado, ter uma tendência, e é exatamente isso que este princípio vai buscar na semana de treinos e nos exercícios.

Jogamos hoje, e segundo uma avaliação qualitativa chegamos a seguinte conclusão:



Bom, após esta avaliação escolhemos dentro da semana dias mais propícios a determinados princípios, sub-princípios e sub-sub-princípios, por exemplo:

Posso treinar as dobras de pressão  através dos seguintes exercícios:

- As dobras consistem em se formar triangulos em relação ao homem que porta a bola, para que logo haja uma pressão ao homem da bola e logo atrás uma pressão as opções de passe próximas. também pode ser uma pressão vinda do lado oposto ao jogador que tem a bola, prensando o mesmo nas duas direções, frente e costas. É um sub-princípio da ZONA PRESSIONANTE.

Bom, podemos solicitar este comportamento de forma individual, setorizada, intersetorizada e coletiva. Antes de mais nada é válido lembrar que todos os princípios atual junto ao mesmo tempo e não tem sentido em separado, por exemplo, quando se cria situações de propensão a determinado comportamento se leva em consideração a propensão fisica, técnica e psicológica, além da alternãncia horizontal, que irá refletir os estímulos de intensidade de concentração e contração muscular solicitada, que por sua vez serão influenciadas pela progressão complexa, que será determinante para a escolha dos exercícios e dos objetivos em todas as sub-dimensões, por fim, todos estes princípios só tem sentido se zentes com a especificidade do modelo de jogo.

Quando se cria um exercício visando o princípio das propensões, deve-se pensar que o objetivo é tentar fazer que determinado comportamento que queira ser treinado ocorra muitas vezes neste exercício para que a vivencia seja absorvida pelo jogador, ou seja se quero melhorar as dobras de pressão, devo fazer com que isso ocorra muitas vezes, e que as intervenções ocorram sempre levando a este objetivo, lógico que outros sub-princípios irão ocorrer ao mesmo tempo, porém a atenção deve ser canalizada ao que a propensão idealiza.


Terça-feira

Exemplo de um exercício em que posso exigir dobras de pressão de forma a gerar um comportamento individual.

1 contra 1, 2 contra 2 em espaço reduzido


Exercícios de tempo médio/curto ( ações menores que 30/60 segundos), podendo ser com apenas aproximações sem desarme, ou desarmando apenas na interceptação, com preocupações mais relacionadas ao comportamento individual.

Recuperação ativa, ou seja, exercício bem travado, com pausas de recuperação dentro do exercício e intervalos de recuperação com alongamento ou hidratação. Poucas contrações excêntricas, baixa velocidade, duração e tensão de contrações.


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Quarta-Feira

Exemplo de um exercício intersetorizado que posso provocar a ocorrencia de muitas dobras de pressão, dentre outros Sub-princípios e Princípios.

4 contra 4 ou 5 contra 5 em espaço reduzido

Maior complexidade em termos de densidade de princípios = maior preocupação com a inter-relação aos companheiros, setor, função.

Maior quantidade de contrações excêntricas (tensão de contração) = maior desgaste fisiológico pelo espaço reduzido com médio número de jogadores, ou seja, alta solicitação do jogador em curtos espaços = muitas mudanças de direção, travagens e comportamentos de choque corpo a corpo.


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Quinta-Feira

Exemplo de exercício complexo em que posso exigir o mesmo comportamento, de forma coletiva:

10 contra 7, 10 contra, 8, 10 contra 10 em espaços grandes

Com solicitação de grandes princípios do modelo de jogo, dando propensão as dobras de pressão dentro da zona pressionante. Maior solicitação de duração de contração , tempos de exercício maiores, cerca de 10 a 20 minutos, com uma organização coletiva presente, buscando grandes comportamentos soncronizados pelo modelo.


Sexta-feira

Exercícios de aquisição de comportamentos individuais, ou setorizado:

5 contra 1, com pressão a circulação da bola, podendo fazer de diferentes formas 5x3, 6x3, 6x2..

Exercício em alta velocidade de contração e tempos de exercício bem travados = descontínuos. Poucas contrações excêntricas comparado a quarta-feira, e visando a recuperação do jogo do fim de semana.


Exemplo de divisão de Princípios e sub-princípios na semana, relacionados com a sua complexidade:


Quanto mais complexo for o princípio, mais para o meio da semana deve ficar, pois o desgaste emocional é maior, e isso é mais dificil de recuperar, podendo afetar diretamente o desempenho no jogo, por isso é importante colocar os sub-princípios e micro-princípios nas extremidades da semana, pois estes são mentalmente e fisiologicamente mais fáceis de recuperar.

Bom, continuarei falando dos outros princípios na sequência, acredito que este deva ter ficado mais claro.

Grande abraço
Luis Esteves

quarta-feira, 14 de abril de 2010

RETIRADA DA BOLA DA ZONA DE PRESSÃO - UM EXERCÍCIO ESPECÍFICO?

Visto que muitos são os princípios que podemos seguir, para a criação de um modelo de jogo, vamos a retirada da bola da zona de pressão, exemplificando um exercício que realizei hoje mesmo.

A retirada da pressão pode seguir o conceito:

- Princípio que visa valorizar a posse, evitando perder a bola imediatamente após a sua recuperação, ou em meio a posse e circulação, evitando em determinadas zonas, o confronto direto, procurando sempre um jogador nosso em espaço vazio para a manutenção da posse.

EXERCÍCIO

VAMOS BASEAR EM 4 MOMENTOS O OBJETIVO DO EXERCÍCIO:

1º MOMENTO- O MICRO-CONFRONTO:


Como disse o professor Cícero, amigo do grupo de estudos do CDD, em uma palestra sobre Periodização Tática a algum tempo, o futebol não deixa de ser um jogo de Micro-confrontos, dentro de um macro-confronto, vão sempre ocorrer duelos de diversos números 1x1, 2x2, 3x1, 3x5, etc...

Aproveitamos este princípio do jogo, o da Inferioridade numérica para criar uma situação de inferioridade da equipe principal, que possui 10 jogadores. Dois jogadores desta equipe, jogam contra 6 jogadores de uma equipe adversária, que posteriormente irá defender a goleira, estes 6 jogadores tem o objetivo de trocar 10 passes, afim de fechar 1 ponto. Já os dois jogadores titulares( Amarelo no campo), devem o mais rápido possivel, desarmar a equipe de 6 (Azul no campo). Neste momento podemos trabalhar pequenos sub ou micro princípios que nos interessem, tipo dobras, pressão em conjunto, dentre outras coisas setoriais.


2º MOMENTO - OPÇÕES DEVEM SER CRIADAS COM PEQUENOS DESLOCAMENTOS DIAGONAIS - CRIAÇÃO DE LINHAS DE PASSE

Baseado no conceito do prncípio, devemos ter, para manter a posse, opções estratégicas de passe circundando os jogadores na pressão, afim de que ao roubar esta bola, estes jogadores possam retira-la da pressão em segurança. No campo todos devem ser opções, algumas com mais outras com menos risco, porém todos devem ser opções. Neste caso, o jogador dependendo da zona entra em outro Micro-princípio da manutenção da posse: O tipo de passe - Seguro ou de risco? depende do treinador...




3º MOMENTO - RETIRADA DA PRESSÃO - VALORIZANDO A POSSE

Após o desarme, e as opções criadas, por fim o jogador tira essa bola da zona pressionante, e a partir daí a equipe abre mais, ocupando o máximo de campo e circulando até chegar ao gol adversário, repare que os 6 jogadores  adversários que estavam no campo pequeno, acabam se posicionando a frente da área, ou onde o treinador quiser, depende do que quiser treinar - Princípio das Propensões.



4º MOMENTO - MANUTENÇÃO, CIRCULAÇÃO E FINALIZAÇÃO

A circulação acontece, dentro dos mecanismos ofensivos, e movimentações, até a finalização. Bom este é um exercício específico senhores...ao meu modelo de jogo.

Variantes:

- Colocar o goleiro para circular quando colocar os zagueiros no micro-confronto.
- Colocar 3 ou mais jogadores no micro-confronto
- Variar o adversário com 6 para uma coluna verticar com 2 - 2 - 2 para dificultar mais a circulação horizontal da equipe, e ter uma pressão maior a circulação nos zagueiros.
- Aumentar para 7, 8 , 9 ou 10 Oponentes no exercício.
- Limitar o número de passes.
- Aumentar o tamanho do campo de micro-confronto ( maior desgaste da dupla de pressão)

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GRANDE ABRAÇO.
LUIS ESTEVES

domingo, 11 de abril de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINAMENTOS - SEXTA-FEIRA

"Nos hemos vuelto a convencer de que
el camino es ayudarnos unos a otros.
Hay mucho esfuerzo y mucha gente
detrás del partido de Messi.
Defendemos todos y atacamos todos.
Todos hacemos todo.
 Si hay uno que no defiende no juega,
y si uno no ataca, tampoco"

 Pep Guardiola





TREINO 5: 17/03/06 – SEXTA-FEIRA



POSTAGEM FINAL SOBRE A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINAMENTOS - COM NARRAÇÃO DE BRUNO PIVETTI:

Dado que no final de semana não haverá jogo, o treino de hoje foi um misto de tensão e velocidade de contracção específicas. Em um microciclo semanal padrão, o treino de hoje deveria estar condicionado para a recuperação activa em um contexto de introdução à competição, porém como haveria folga ao fim de semana, o trabalho foi em regime de esforço elevado, primando para os esforços que requerem uma alta tensão e velocidade de contracção muscular.


Os exercícios foram todos eles focados no regime táctico, no sistema e modelo de jogo proposto pelo treinador. As 16:07 chegaram ao relvado os componentes da comissão técnica e os jogadores.



Aquecimento:

O processo de aquecimento foi dividido em duas partes. A primeira consistiu em uma actividade em que três ou quatro jogadores ficavam dispostos em círculo e estes passavam a bola pelo alto ao companheiro de modo que ninguém poderia deixá-la cair ao chão. O exercício dificultava na medida que o jogador que passava a bola ordenava o número de toques a serem dados pelo companheiro antes deste passar a bola a outro jogador.

Na segunda parte do aquecimento, os jogadores foram divididos em dois grupos e dispostos em duas linhas paralelas, de modo que um ficasse de frente para o outro à distância de cerca de dez metros. Em seguida, Raul Costa conduziu diversos exercícios de aquecimento, como:


• Rotação no plano lateral e medial da articulação coxo-femoral;

• Corrida lateral;

• Deslocamentos em diagonal;

• Acelerações e desacelerações;

• Skipping alto;

• Acelerações com mudança de direcção;

• Corrida de costas.


Flexibilidade:

Neste dia o treino de flexibilidade inicial foi realizado como parte do aquecimento. Os grupos musculares trabalhados foram: adutores, quadríceps, posteriores de coxa e tríceps sural. O aquecimento durou no total cerca de dez minutos.


Observação: Enquanto os jogadores de linha realizavam o aquecimento e o treino de flexibilidade, os guarda-redes faziam exercícios específicos em separado.


Orientação:

Após o aquecimento os jogadores se reuniram com o treinador para que este pudesse dar as instruções a respeito do primeiro exercício executado nesta sessão de treino. Duração: aproximadamente dois minutos.




Primeiro Exercício:





O primeiro exercício era de carácter posicional, ou seja, primava pela organização da equipa em terreno de jogo e a movimentação, as trocas posicionais inerentes a cada jogador. Basicamente foi realizado um 10X1, ou seja, dez jogadores de linha contra o guarda-redes. O plantel de jogadores foi dividido em dois, sendo cada metade disposta em uma metade do campo. O objectivo principal era a aquisição hierarquizada da organização ofensiva em posse de bola que o modelo de jogo do treinador requeria.


Uma equipa foi coordenada por Raul Costa e a outra por Paulinho Santos, sendo função destes proporcionar o feedback a cada jogador pelos erros e acertos cometidos. O professor Guilherme observava as duas equipas realizando incursões verbais relativas ao desempenho dos jogadores. O exercício teve a duração de seis minutos, sendo realizada uma troca de lado de jogo nas equipas, quando se deu três minutos de realização do exercício. Com a virada de campo, o professor Guilherme trocou alguns jogadores de equipa.




Foi sempre incentivada a penetração pelas laterais e finalizações a partir de cruzamentos. A qualidade era sempre requerida pela comissão técnica, e esta incentivava sempre as tomadas de decisão realizadas pela capacidade táctica dos jogadores, desde que a resposta motriz estivesse de acordo com a sistematização de jogo concebida pela equipa. Este determinado exercício pode ser enquadrado como tendo elevada velocidade de contracção muscular, dada a enorme quantidade de mudanças de direcção executadas através das trocas posicionais constantes. A tensão era também elevada porém não era máxima devido a ausência de oponência, fazendo com que o número e a intensidade das contracções excêntricas fossem menores.

Flexibilidade:


Alguns exercícios de alongamento foram propostos durante o tempo de recuperação entre um exercício e outro.

Orientação:


Dada a complexidade do exercício seguinte foram gastos dois minutos para a orientação dos jogadores a cerca do que teriam de realizar. Ainda, o plantel de jogadores foi dividido em três equipas de cinco jogadores.


Segundo Exercício:


Esta actividade pode ser caracterizada como um esforço de alta tensão muscular específica, já que os jogadores que não detinham a posse de bola eram incumbidos de marcar o adversário através da marcação pressão alta e os jogadores em posse eram obrigados a circular a bola de modo que não a perdessem. Sendo assim, foi verificado um alto número de travagens, deslocamentos curtos em alta velocidade, mudanças de direcção, acelerações e desacelerações constantes, o que evidencia o alto número de contracções excêntricas inerentes a este trabalho.

O objectivo do trabalho era a tensão de contracção muscular máxima realizada através de esforços altamente específicos ao contexto de jogo proposto pelo treinador como supra princípio de treino. Deste modo os jogadores foram divididos em três equipas de cinco jogadores que se revezaram no terreno de jogo, sendo que sempre uma estava a descansar enquanto outras duas se confrontavam. O campo de jogo era reduzido formando um rectângulo de cerca de vinte metros de largura por cinquenta metros de comprimento.

As regras de jogo também eram adaptadas, de modo que a equipa que saia com a bola teria de fazer um número mínimo de passes no campo defensivo para poder atacar a meta adversária e a equipa adversária teria que procurar retomar a posse de bola através da marcação pressão alta executada com três jogadores. No caso, se uma equipa retomasse a bola esta poderia reiniciar o jogo em seu campo defensivo tendo agora que realizar o número de toques mínimos para poder atacar. Desta forma, em situação de retomada de posse de bola, haviam três jogadores responsáveis pelo pressing alto zonal, dois jogadores na sobra e um jogador essencialmente fixo no terreno defensivo. Em necessidade de se manter a posse, o jogador fixo atrás tinha a função de distribuir adequadamente o jogo e a equipe jogava aberta de modo a facilitar a circulação de bola e dificultar a acção do adversário aumentando-se o tamanho da zona para se marcar.



O estímulo (um jogo) tinha duração aproximada de dois minutos e as equipas se revezavam em terreno de jogo, sendo que um grupo não fazia mais de dois jogos seguidos. O intervalo entre cada jogo era de trinta segundos. O esforço era bastante intenso do ponto de vista físico, porém podia-se notar o carácter descontínuo desta unidade de treino, dada a necessidade de obedecer a recuperação necessária dos esforços de tensão específica, para a aquisição adequada da força técnica. Foram realizadas cinco séries de jogo e o exercício teve duração total de cerca de quinze minutos.

Recuperação:

Nesta altura os jogadores foram liberados para realizar hidratação, dada as características intensas do trabalho realizado.

Terceiro Exercício:

O exercício consistia em jogo reduzido com uma só baliza a ser objectivada. Assim, uma equipa era responsável em defender a baliza e o outro grupo de jogadores tinha por função marcar golos. O treinador dividiu os atletas em três equipas de seis jogadores. Enquanto duas equipas se confrontavam em terreno de jogo o outro grupo de jogadores descansava, com a excepção de dois jogadores que actuavam como apoio nas laterais do campo.


As funções dos apoios laterais esquerdo e direito era repor rapidamente a bola em jogo e actuar como jogador da equipa que detinha a posse de bola. O treinador sempre intensificava a exigência pela qualidade do passe e circulação constante de bola.

Realizaram-se seis jogos de dois minutos e trinta segundos com trinta segundos de intervalo entre os jogos. As equipas se revezavam em terreno de jogo de modo que o número de jogos consecutivos não fosse nunca superior a dois.
Recuperação:

Nesta altura os jogadores foram liberados para realizar hidratação, dada as características intensas do trabalho realizado.

Quarto Exercício:


O grupo de jogadores foi dividido em duas equipas (azul e verde) de nove jogadores de linha e jogaram em um campo reduzido medindo cerca de quarenta metros de comprimento por trinta metros de largura. As duas balizas eram oficiais e tinham a presença dos guarda-redes para defender a meta. O sistema de jogo utilizado era o 1-4-4-1 com um losango formado no meio de campo. A circulação de bola era sempre preconizada quando a equipa estava em posse da bola e esta sempre jogava de forma aberta com o intuito de aumentar o espaço de marcação do adversário. Agora, em situação de retomada de posse de bola, a equipa se fechava tanto quanto possível e marcava a alta pressão por zona do campo.


O exercício teve a duração de 15 minutos, sendo fragmentado em dois tempos de sete minutos com um minuto de intervalo entre cada tempo de jogo.

OBSERVAÇÕES:
- OCASIONALMENTE ESTA S EMANA DE TREINOS NÃO TEVE JOGOS, POR ISSO A ALTERAÇÃO MORFOLÓGICA DA SEXTA-FEIRA (SÁBADO EM OUTROS MORFOCICLOS), PORTANTO NÃO SEGUIU A LÓGICA DO QUADRO INICIAL.

- INICIALMENTE FOI UTILIZADO UM EXERCÍCIO DE ORGANIZAÇÃO TÁTICA GERAL, COM ÊNFASE EM POSIÇÕES, FUNÇÕES, E OUTROS DETALHES DO MODELO DE JOGO COM PREOCUPAÇÕES COLETIVAS. MAIOR NA DURAÇÃO DA CONTRAÇÃO, E NA RESISTÊNCIA ESPECÍFICA.

- APÓS ISSO HOUVE UM EXERCÍCIO EM QUE A TENSÃO DE CONTRAÇÃO ERA GRANDE, ESPAÇOS REDUZIDOS E SUB-PRINCÍPIOSEN FATIZADOS.

- TERMINANDO COM UM EXERCÍCIO EM QUE A ORGANIZAÇÃO GERAL MAIS UMA VEZ FOI SOLICITADA, PORÉM EM DINÃMICA DE VELOCIDADE ESPECÍFICA.

- PODE-SE DIZER QUE NESTA SESSÃO HOUVERAM PARTICIPAÇÃO DOS 3 DIAS DE PRINCIPAL AQUISIÇÃO, QUARTA = MÉDIA COMPLEXIDADE E FORÇA ESPECÍFICA, QUINTA = PEXIDADE E RESISTENCIA ESPECÍFICA, E SEXTA = BAIXA COMPLEXIDADE E VELOCIDADE ESPECÍFICA DE CONTRAÇÃO.

TERMINA AQUI A SÉRIE DE POSTAGENS SOBRE A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS, EM BREVE FAÇO OUTRA, DE MINHA PRÓPRIA AUTORIA. O OBJETIVO DESTA SÉRIE DE POSTAGENS FOI O DE DIDATICAMENTE REPASSAR AOS TREINADORES E ESTUDANTES DESTA METODOLOGIA, UM HORIZONTE QO QUAL POSSAM UTILIZAR PARA O PLANEJAMENTO DE SUA SEMANA DE TREINOS, PORÉM, LEMBRO QUE, APENAS COPIAR ISSO E APLICAR, PODERÁ GANHAR ALGUNS JOGOS, MAS DIFICILMENTE SE MANTERÁ EM TERMOS QUALITATIVOS, POIS É PRECISO TER UM MODELO PRÓPRIO, SER CONGRUÊNTE A ELE EM TERMOS DE CRIAÇÃO DE EXERCÍCIOS, E RESPEITAR OS PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS, COM PLANEJAMENTO E FELLING.


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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


PIVETTI, Bruno rques Fernandes; RELATÓRIO DE ESTÁGIO NOS JUNIORES DO FC PORTO - ESCALÃO SUB-19. - Ministrado pelo Professor José Guilherme Oliveira. Porto - PT. 2006.
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Grande Abraço
Luis Esteves
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GERENCIADOR - LA.FUTEBOLL

Aproveitando para responder a pergunta de alguns professores, o programa que utilizo para a criação dos exercícios deste blog, é criado e comercializado por mim. É na verdade uma planilha complexa, composta por diversas funções, dentre elas a criação de exercícios e o arquivamento deles.



Esta é uma das funções do gerenciador, que dentre outras ainda possui:
- Cadastro de atletas por nome e posição;
- Cadastro de profissionais;
- Planilhas de AValiação, Faulkner, Saltos, RAST, VO² dentre outras;
- Relatórios para avaliação de jogo;
- Fichas de atletas, Planilha de Organização de posições, Microciclo, Mesociclo;
- Possibilidade de criação de alguma planilha pessoal - consultar.
Maiorres informações, solicite um PDF informativo pelo e-mail:
Grande Abraço
Luis Esteves

quinta-feira, 8 de abril de 2010

EXERCÍCIO - CONEXÃO ENTRE LOSANGOS

" O segredo do futebol é fazer extremamente bem as coisas simples"
Bobby Moore


Exercício para a potencialização da circulação através da criação de losangos, em que o objetivo é a troca de passes dentro de um losango, a passagem deste losango ao da frente, primeiramente no mesmo corredor, depois mudando o corredor. Dependendo da progressão e do dia, pode-se colocar adversários em inferioridade para dificultar a circulação intersetorial.

Grande Abraço
Luis Esteves

terça-feira, 6 de abril de 2010

A MONTAGEM DA SEMANA DE TREINAMENTO - QUINTA-FEIRA

CONTINUAÇÃO DA SÉRIE - MONTAGEM DA SEMANA DE TREINOS - NARRAÇÃO BRUNO PIVETTI - PENÚLTIMA POSTAGEM:


TREINO 4: 16/03/06 - QUINTA-FEIRA


Segundo o microciclo semanal de treino, este dia estava reservado para os propósitos em regime de elevada velocidade de contracção muscular. Assim sendo, os exercícios seleccionados para este dia preconizavam a velocidade máxima, a curta duração e a tensão não máxima das contracções musculares. Vale ressaltar, que este treino de elevada velocidade de contracção, tem por objectivo reduzir a densidade de contracções excêntricas, fazendo com que se diminua a tensão de contracção das fibras musculares. Esta unidade de treino pode ser caracterizada como descontínua, porém não pode ser comparada em termos de descontinuidade com o treino de tensão específica, sendo este um treino bem mais fragmentado.


As densidades das acções de locomoção foram muito intensas, e incidiram sobre a velocidade de execução dos gestos motores, sem atentar muito à tomada de decisão para um determinado movimento. Podemos dizer que esta unidade de treino requeria um alto dinamismo para solução motriz e nem tanto para o processo táctico de tomada de decisão. Esta estratégia se justificava pelo intuito de poupar o estado mental-emocional, já que este fora altamente exigido na unidade de treino anterior (dinâmica específica).

Aquecimento:


O aquecimento teve início às 16:05 e terminou às 16:12. Foi conduzido pelo adjunto Raul. O treino inicial de flexibilidade foi incorporado ao aquecimento, sendo realizado em simultâneo. Exercícios:



• Rotação da articulação coxo-femoral de modo externo e interno;
• Alongamento dos posteriores da coxa e tríceps sural;
• Alongamento do músculo quadríceps;
• Elevação frontal do membro inferior de forma dinâmica;
• Elevação lateral do membro inferior de forma dinâmica;
• Alongamento dos abdutores da coxa;
• Novamente, alongamento do quadríceps


Orientação inicial:

Dados introdutórios sobre o conteúdo do treino aos jogadores e orientação a cerca dos primeiros exercícios a serem efectuados. Esta orientação durou cerca de um minuto.


Flexibilidade:


Após a execução do primeiro exercício, os jogadores tinham dentre do período de recuperação, aproximadamente dois minutos, de executar exercícios de flexibilidade. Grupos musculares alongados:

• Adutores da coxa;
• Posterior da coxa;
• Tríceps sural;
• Quadríceps.



Segundo Exercício:




Exercício em nada diferente do primeiro, com a excepção de agora os jogadores terem limitado para um o número de toques a serem dados na bola. Este exercício teve a duração de quatro minutos.

Flexibilidade:

Após a execução do primeiro exercício, os jogadores tinham dentre do período de recuperação, aproximadamente dois minutos, de executar exercícios de flexibilidade. Grupos musculares alongados:

• Adutores da coxa;
• Posterior da coxa;

Orientação:
Durou cerca de um minuto e tinha por objectivo a orientação do treinador com relação a segunda parte do treino.

Observação: Enquanto os jogadores de linha trabalhavam e eram orientados pelo Professor Guilherme e pelos adjuntos Raul e Paulinho Santos, os guarda-redes realizavam um trabalho paralelo com o preparador de guarda-redes.
 

Terceiro Exercício:


Existiam oitos estações ao redor de uma metade do campo com o intuito de se treinar a organização ofensiva. Podemos dizer que era um 10x1, objectivando um treino posicional de sincronismo da equipa e tendo como sub-princípios o treino de finalização e de infiltração dos adversários pela lateral do campo. O sistema de jogo utilizado neste exercício era o 1-4-4-2 com o meio de campo formando a figura de um losango. Este treino teve a duração aproximada de 20 minutos. Todas as jogadas eram iniciadas ora na esquerda, ora na direita do campo de jogo.

A jogada se iniciava no meio campo com os jogadores defensivos da equipa, estes ora passavam a bola para os laterais, ora para os pivôs e ora para o ponta de lança. Aos jogadores que recebiam a bola dos defesas cabia a organização do ataque, estes deveriam passar a bola com o intuito de uma jogada de infiltração ser realizada. Quando a bola chegava à linha de fundo era cruzada para área ora pelos extremos, ora pelos laterais (dependendo da arquitectura da jogada trabalhada). Três jogadores penetravam na área, os atacantes deveriam entrar em diagonal e o meio deveria entrar em paralelo. Quando a bola era passada directamente aos ponta de lança, estes eram instruídos a ir de encontro com a bola, nunca esperar estaticamente que esta chegasse em seus pés.

Após a conclusão de uma jogada, Raul e Paulinho Santos que estavam posicionados atrás da baliza, rolavam a bola para que os jogadores do meio pudessem finalizar. Assim, chamavam o nome do jogador e lhes enviava a bola.

Em seguida, ao invés da jogada começar no meio de campo com os defesas, esta começava com os laterais em situação de tiro de canto (lateral). Foram treinadas diversas jogadas inerentes a esta situação de jogo.



Orientação:
Orientação rápida (um minuto) a respeito do quarto exercício a ser efectuado neste treino e divisão do grupo de jogadores em duas equipas.

Quarto Exercício:



Actividade relativa a jogadas específicas de tiros de canto. O plantel de jogadores foi dividido em duas equipas de dez jogadores e, em situação de tiro de canto, uma tinha por objectivo defender a meta e a outra finalizar à meta. Assim, primeiramente, a equipa amarela cobrava o tiro de canto e a azul defendia a meta. Após sete minutos, trocava-se a equipe que cobrava o tiro de canto.

Quando a equipa que defendia a meta recuperava a posse de bola, esta deveria sair para o jogo e executar, se possível, a finalização a meta oposta adversária posicionada no meio campo de jogo. Assim a equipa que em um primeiro momento detinha a posse de bola, quando à perdia, deveria realizar pressão alta zonal à bola. Este exercício teve duração de quinze minutos e os tiros de canto ora eram executados da esquerda do campo de jogo, ora da direita.


Quinto Exercício:



O último exercício desta unidade de treino era de jogo reduzido 10X10, em um terreno de jogo de aproximadamente 400 m2. A equipa que detinha a posse de bola permanecia sempre aberta e circulava a bola a todo momento. Contrariamente, a equipa que visava retomar a posse de bola jogava de modo fechado, realizando pressão zonal alta à bola.


As equipas estavam organizadas no sistema 1-4-4-2 com o meio de campo formando um losango. O Professor Guilherme coordenava o jogo, estipulando aonde seria o local de saída de bola, quando esta saia pela lateral ou pela meta. O jogo teve dois tempos de 5 minutos, com um minuto de recuperação entre cada tempo.



A equipa azul venceu o jogo por dois golos a zero e coube a equipa amarela desmontar o terreno de jogo.


Observação: O treino terminou às 17:15, deste horário, até às 17:30, os jogadores realizaram à volta à calma.


Parte Final:


Treino de flexibilidade. Execução de alongamentos passivos, através do auxílio dos companheiros. Trabalho de abdominal (recto e oblíquo) e de lombar. Alguns jogadores também executaram flexão de braço.

OBSERVAÇÕES:

- Dia de situações em velocidade de raciocínio e movimento, mental e fisiologicamente o jogador tem que ser rápido.

- Participações curtas, sem desgaste fisiológico alto.

- Valorização baixa das contrações excêntricas, não deve ter muitas mudanças de direção, saltos ou qualquer impecilho ao movimento.


Abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFIGA

PIVETTI, Bruno Marques Fernandes; RELATÓRIO DE ESTÁGIO NOS JUNIORES DO FC PORTO - ESCALÃO SUB 20-A - Ministrado pelo treinador José Guilherme Oliveira. Porto - Portugal. 2006