domingo, 28 de novembro de 2010

ENCONTRO DE PAIS DA CATEGORIA SUB-15

Noticia pode ser vista em:

O sábado foi bastante movimentado para os pais dos atletas da categoria sub-15 do Grêmio. Organizado pelo setor biopsicossocial das Categorias de Base, o encontro iniciou no Salão Nobre Patrono Fernando Kroeff do Conselho Deliberativo, no Estádio Olímpico.

O encontro abordou temas como a filosofia das Categorias de Base do Grêmio, a relação de comportamento dos atletas, os hábitos alimentares dos jogadores, o papel da fisiologia na formação esportiva, análises de desempenho, táticas, questões jurídicas e médicas.

O evento foi prestigiado pelo assessor do Departamento de Futebol para as Categorias de Base, Cel. Élvio Pires, e os coordenadores Edson Aguiar e Mauro Rocha.

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OPINIÃO PESSOAL

Me chamou atenção esta notícia do site do Grêmio FBPA sobre uma reunião de pais, na qual foram abordados muitos assuntos relacionados a formação dos atletas acredito eu. Não vou me apegar muito a esta reunião pois eu não estava presente, mas o que me espanta é um clube do tamanho do Grêmio se preocupar em fazer esse tipo de reunião, porém me espanta de uma forma muito positiva (e posso estar exagerando, pois derrepente isto é uma coisa normal no clube) já que eu particularmente sempre apoiei e utilizei deste método para um maior entendimento dos pais sobre o processo em que seus filhos participam.

Digo que me espanta pois me lembro do meu início de carreira, quando assumi uma equipe e um jogador me falou sobre uma preleção de um treinador de um clube grande aqui do estado, e o treinador dizia "Não quero saber de pais falando comigo, eu odeio pais" para mim era engraçado mas eu entendia que por estar no topo do processo este treinador não necessitava da participação direta dos pais no processo de evolução do jogador, mas os tempos mudaram.

Este tipo de reunião é muito costumeira em clubes pequenos, que não tem possibilidades financeiras maiores, e que "precisam" dos pais no processo de formação do jogador, já que costumeiramente precisam fazer eventos para comprar bolas, pagar aluguél de campo, comprar fardamentos, ajudar em diversos outros assuntos, essa é uma realidade comum a maior parte dos clubes pequenos que são a formação da formação pois dali muitos atletas acabam saindo para outros clubes maiores entrando em um circuito mais competitivo.

Muitos clubes de ponta, os que tem o poder estrutural e cultural, acabaram com o passar dos anos e com a evolução empresarial do futebol gerando uma ruptura com os pais dos atletas, já que não existia mais a preocupação de perder jogadores, principalmente quando se está no topo, o que dispensa a participação dos pais, e os remete a meros torcedores nos jogos, sem nenhuma participação (como se isso fosse possível) no processo de formação. Esta falta de participação, o medo de dispensas, um certo desconhecimento dos pais sobre as fases e o processo de crescimento do jogador, esta falta de contato ou este contato muito limitado acabaram gerando um novo elemento no sistema, os "empresários" nas categorias de base.

Como diz o professor Vitor Frade, "Toda a generalização é perigosa, inclusive esta" é dificil generalizar esta classe, pois como em tudo existem os bons e ruins, porém hoje a maior parte dos que se dizem "empresários" na verdade são apenas exploradores de menores com o objetivo de conseguir dinheiro fácil em futuras negociações, e isso acaba gerando um grande problema no futebol.

Equipes do nível do Grêmio FBPA, São paulo FC, SC Internacional tem uma cultura muito rica, muito tradicional, o que exige mais do que um simples jogo de futebol, quando se joga num time destes é preciso jogar o futebol desta equipe, como dizem os portugueses sobre o FC Porto um futebol "Á Porto", pois cada equipe tem a sua identificação, a sua forma de jogar, e muitas vezes em meio ao processo de formação a aquisição deste comportamento é quebrada exatamente pelos empresários (não esquecendo que existem pais empresários também).

São quebradas a cada constrangimento (natural) que aparece em meio ao processo. Um jogador por exemplo quando é destaque em certas categorias menores acaba muitas vezes por motivos maturacionais tendo um destaque menor em anos seguintes, indo parar na reserva da equipe, sendo que com o acompanhamento necessário e o tempo correto, acabará por retornar a níveis altos, porém lá esta o empresário para simplesmente pegar o jogador e levar para outra equipe na qual ele irá supostamente ter destaque, ou por uma oferta material mais interessante, o que acaba tornando os clubes hoje verdadeiros clubes de aluguél, clubes de leilão, gerando no final jogadores sem nenhuma cultura futebolística.

A alguns meses o SC Internacional chegou a publicar que não participaria mais de competições de certo porte na base pois os empresários acabavam aliciando os jogadores para futuras transferências, o que acaba prejudicando todo o processo de formação pois a competição é algo fundamental para o rendimento e para a educação do jogador no sucesso e no insucesso.

Por isso mais uma vez venho parabenizar a iniciativa (talves não tão nova) do Grêmio FBPA na figura dos coordenadores Mauro Rocha e Edson Aguiar e o setor Biopsicosocial do clube, sobre esta aproximação e educação dos pais na base. Se houver uma aproximação, esclarecimento, planejamento, trocas de informação de forma clara, certamente o papel dos empresários será reduzido apenas ao setor profissional, onde apenas os verdadeiros empresários terão acesso a negociações em que o clube seja devidamente pago pelo desenvolvimento do jogador no decorrer de todos os anos de formação, acabando com esta palhaçada que vem se tornando as categorias de base.

Um Grande abraço
Luis Esteves

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