domingo, 20 de fevereiro de 2011

A COMPLEXIDADE DOS MODELOS DE JOGO

Mesmo tendo ficado dois anos a frente do FC Internazionale, o modelo de jogo da Inter nos jogos de alto nível era normalmente um modelo mais rígido, pra não dizer simples. O placar, embora não seja um indicativo claro, nos possibilita ver que a Inter tinha um nível baixo de gols marcados.

Mensagem pós-postagem: Ao iniciar esta postagem falar apenas sobre a complexidade dos modelos, mas logo entrei na parte estratégica e depois até a arte da guerra entrou na história, então peço desculpas pela confusão.

COMPLEXIDADE

Vamos então ao conceito  para percebermos o que se considera complexo:
 
" O que é complexidade? A primeira vista é um fenômeno quantitativo, a extrema quantidade de interações e de interferências em um número muito grande de unidades. De fato, todo o sistema auto-organizador (vivo), mesmo o mais simples, combinam um número muito grande de unidades da ordem de bilhões, seja de moléculas numa célula, seja de células no organismo (mais de 10 bilhões de células no cérebro human, mais de 30 bilhões para o organismo).

Mas complexidade não compreende apenas quantidades de unidades em interações que desafiam nossa possibilidade de cálculo: ela compreende também incertezas, indeterminações, fenômenos aleatórios. A complexidade em certo sentido sempre tem relação com o acaso."

Morin
2007 
Pela citação de Morin, percebemos então que a complexidade surge das interações dos elementos de um sistema em seus diferentes níveis de organização, porém mais do que isso também a relação destas organizações perante outras organizações, geradores de incertezas e situações aleatórias, que geram uma nova organização, novas relações e interações.

A COMPLEXIDADE DO MODELO DE JOGO

Torna-se importante então verificar que a complexidade que queremos que o modelo se origine nasce da relação que estabelecemos entre os elementos que compôem determinado sistema. Acredito que muitas variáveis são importantes para que isso seja influenciado, vou tentar citar algumas delas:

1 - Cultura do clube;
2 - Momento do clube;
3 - Jogadores disponíveis;
4 - Estrutura disponível;
5 - Competição a jogar;
6 - Capacidade dos adversários;
7 - Conhecimento do treinador;
8 - Densidade competitiva;

FC INTERNAZIONALE X FC BARCELONA - 2010
  
"O guerreiro vence os combates não cometendo erros. Não cometer erros é o que dá a certeza da vitória, pois significa conquistar um inimigo já derrotado".

Sun Tzu
 O JOGO

 " A rapidez é a essência da guerra. Tire partido da falta de preparação do inimigo, marche por caminhos onde não é esperado e ataque pontos desprotegidos."
Sun Tzu
Em um jogo de equipes deste nível é difícil apontar um favorito. Embora o FC Barcelona tenha entrado com um leve favoritismo pela fase anterior todos sabiam que a Internazionale era melhor do que na 1ª fase e historicamente equipes que vencem antes, normalmente perdem depois.
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Porém o que importa são os modelos em questão e suas complexidades. Ví neste jogo a aposta de José Mourinho em um modelo de jogo muito menos complexo do que suas antigas equipes do FC Porto e do Chelsea. Menos complexa por não valorizar tanto a circulação e a procura pelo passe. 90% das bolas recebidas neste jogo no setor de meio campo eram lançadas verticalmente para Milito.
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Era um automatismo. Nitidamente a função ofensiva de Cambiasso era o lançamento em profundidade para Milito, que de tão acionado aos 24 minutos do 2º tempo já acusava cãibras, acho que este foi um dos pontos de desequilíbrio embora os passes fundamentais terem sido no 2º e 3º gol de Pandev e Motta. Acho que a função ofensiva de Cambiasso foi fundamental e não teve a procupação do Barcelona em anular este detalhe, derrepente por não ter tempo para isso já que os lances eram de extrema velocidade.
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José Mourinho sempre disse que suas equipes possuem transições muito fortes, e de fato esse para mim foi o ponto fundamental do Modelo da Internazionale, as transições. Foi até abaixo da média do alto nível europeu a "quantidade" de circulação de Inter (quantidade máxima de 6 passes, contra lances de 23 passes do Barcelona), porém a qualidade foi fundamental no resultado.
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ESTRATÉGIA DO JOGO - PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS DA ARTE DA GUERRA

"O guerreiro inteligente impõe a sua vontade ao inimigo, porém não permite que ele lhe imponha a sua. Mantendo a vantagem sobre ele, pode levar o inimigo a um acordo, ou, infligindo perdas, pode tornar impossível o inimigo chegar perto. No primeiro caso, você deve atraí-lo com um engodo; no segundo caso, deve atacar num ponto importante, que o inimigo será obrigado a defender."
Sun Tzu

Estratégicamente também a Inter foi perfeita, outro ponto fundamental do modelo de Mourinho. Uma simples ocupação de espaço originada por Sneijder nas costas de Daniel Alves gerou dois gols. Qualquer analista de jogo percebe que Daniel Alves é um Foco de organização ofensiva do Barcelona, Pedro abre o espaço entrando em diagonal pelo meio e Daniel entra como um ponta. Pandev anulou isso e seu desgaste era nítido quando saiu para entrar Stankovic. Pandev anulava a subida de Daniel pressionando-o e evitandio que recebesse bolas em profundidade, coisa que o Barcelona não teve nesse jogo, bolas em profundidade.

A Transição defensiva da Inter retirava a profundidade do Barcelona e obrigava-o a circular a bola para zonas favoráveis, é o controle do jogo. Ao mesmo tempo com bola Sneijder ocupava as costas de Daniel, ficando muitas vezes 2x1 nesta zona, o primeiro gol da Inter foi assim, uma indefinição de Daniel Alves que saiu de posição para acompanhar Pandev acabou deixando Sneijder livre. Não foi coincidência.

"O guerreiro inteligente procura o efeito da energia combinada e não exige muito dos indivíduos. Leva em conta o talento de cada um e utiliza cada homem de acordo com sua capacidade. Não exige perfeição dos sem talento".
Sun Tzu
Estratégicamente a Inter foi muito superior, até porque o FC Barcelona não parece ter essa preocupação, sabem os pontos fortes do adversário, lógico, não consigo ver uma equipe de top sem esse elemento, mas, acredito que a crença no próprio modelo é tanta que não se adaptam a nada.
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O Barcelona fez seu jogo de sempre, o jogo que encanta muita gente hoje, inclusive eu. Porém era nítido a dificuldade em ser preciso em determinados momentos, parecia que os jogadores exitavam, talvez pela importância do jogo, ou talvez não. Mais uma vez acredito que foi uma questão estratégica:

Guardiola em entrevista a UEFA após o jogo declarou:

Josep Guardiola, treinador do Barcelona
"Não temos desculpas. Eles procuraram sempre aparecer nas nossas costas e têm avançados muito rápidos. Jogaram no seu estilo, enquanto nós não fomos tão eficazes quanto noutros encontros. O relvado fazia com que a bola corresse muito rápida e demos o nosso melhor. Eles não facilitaram em nada a nossa missão.


Apesar de termos aberto o activo não fomos suficientemente eficientes na primeira parte. Claro que tivemos uma longa viagem, mas a vontade de chegar à final supera tudo. Temos uma nova hipótese no jogo da segunda mão e vamos dar tudo que temos. Vamos tentar jogar ao ataque como é nosso hábito em casa e trocar a bola com maior velocidade do que fizemos neste jogo."
Ou seja, acredito que Mourinho condicionou a circulação do Barcelona a um jogo mais lento do que o normal, exatamente pela velocidade que o gramado imprimia a bola. Os passes então acabavam por ser mais lentos, o primeiro toque na bola em gramados molhados é mais dificil, necessita de maior atenção, atenção essa retirada do próximo pensamento, do próximo passe, dando maior tempo a recompactação da Inter e até mesmo aos mecanismos de dobra, principalmente em Messi. Para o Barcelona isso pesou muito.

XAVI


Xavi é o termómetro do risco do Barcelona. E quando Iniesta não joga acaba sendo ainda mais. Sem seus passes em profundidade o Barcelona acaba dependendo demais do jogo combinado em tabelas em frente a área, coisa que nesse jogo dificilmente iria acontecer, pois a inter controlava o Barcelona, que por sua vez tinha um dominio superficial, mas tinha.
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MESSI
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Teve que sair do bloco da Inter, e acabou ficando longe do gol. O bloco do FC Internazionale foi tão coeso que acabou expelindo Messi e Xavi, e fizeram com que os dois acabassem jogando praticamente na linha do Busquets.


Quando Messi conseguia receber a bola dentro do espaço interior da Inter ou pelos lados, a marcação era sem tentativas de desarme em 1x1, normalmente Zanetti (Pelos lados) ou Cambiasso e Motta (pelo meio) acabavam sempre levando vantagem pois no momento em que um cercava, outro imediatamente fazia uma dobra por tráz, e uma segunda dobra surgia pelas costas de Messi, normalmente com Eto´o ou Sneijder muitas vezes.


Em resumo a bola era espantada e não roubada de Messi.


MILITO


É repetitivo, mas acredito ser fundamental citar a utilização de Milito de uma forma adequada. Se Milito jogasse no Barcelona, talvez fosse reserva pois é um atacante com dificuldades no 1º toque, porém, é um artilheiro nato. Neste jogo em especial teve uma atuação fora do normal em termos de mobilidade. Durante todo o jogo foi acionado, ora em lançamentos em profundidade, ora em tiros de meta onde notodamente era a referência de primeira bola. Saiu para a entrada de Baloteli que modificou a caracteristica do ataque, que passou a reter mais a bola, acredito que esta substituição já era prevista.


SNEIJDER


Melhor jogador da Liga dos Campeões mais uma vez foi fundamental, porém de uma forma diferente, já que normalmente era ele que dava as assistências a Milito e Eto´o. Neste jogo foi um atacante, e Cambiasso ficou com a responsabilidade de dar os passes em profundidade.


CAMBIASSO


Fundamental junto com Motta e depois Stankovic em primeiro evitar os passes verticais do Barcelona, o que acabou afastando a circulação dos mesmos próximo ao gol da Inter. Quando tinha a bola de imediato lançava Milito, na maioria das vezes perdia a bola, porém, nitidamente o objetivo era esse: Profundidade e transições rápidas.


MOTIVO DOS COMPORTAMENTOS




Ví esse jogo da Inter como uma espécie de antídoto para os comportamentos do Barcelona. Primeiro acredito que José Mouinho assumiu que sua equipe era inferior.


Mourinho percebeu os pontos fortes do Barcelona:


- Posse e circulação, principalmente atraindo o adversário em um jogo entre linhas em que Messi recebe de frente


- Daniel Alves recebe pelo lado após Pedro atrair o jogo pro meio. Usou um contra veneno que foi gerar um 2x1 nessa zona, já que Busquets não acompanhava Sneijder, acabavam ficando Pandev e Sneijder contra Daniel Alves. Figura abaixo:

- Xavi verticaliza e aprofunda o jogo quando recebe no segundo terço do campo, principalmente se estiver sem pressão na intermediária ofensiva.


- Transição Defensiva alta, rápida para recuperar logo a bola desde o momento da perda.


Estes são os pontos mais fortes do Barcelona. Mourinho percebendo isso conseguiu para mim duas coisas que definiram o resultado:




1 - Conseguiu retirar a zona pressionante do Barcelona através da transição rápida com jogo direto em profundidade, o que acabava não dando tempo do Barcelona pressionar no campo da Inter. Foi o jogo dos 3 passes.


2 - Conseguiu controlar e retirar de dentro do bloco Messi e Xavi, o que reduziu muito as possibilidades de finalização. Mourinho acabou eliminando a 3ª fase de organização ofensiva do Barcelona, ou seja, eles Organizavam, Criavam espaços, mas não conseguiam finalizar.




ANÁLISE DOS GOLS - FC INTERNAZIONALE 3 X 1 FC BARCELONA


GOL DO FC BARCELONA


O LANCE

O gol do FC Barcelona surgiu de um erro individual da defesa da Internazionale, Lúcio em um momento de indefinição ao ser pressionado deu um passe fora do contexto e acabou facilitando o desarme de Keita, que rapidamente valorizou a posse e iniciou uma circulação de 10 passes, com muita participação de Xavi, aliás neste lance a transição defensiva da Inter foi boa, porém a organização defensiva cometeu novamente um erro individual com Maicon e em uma jogada individual Maxwell conseguiu um lance de fundo e com facilidade cruzou para uma linha de trás, Pedro pelo centro finalizou.

O MODELO

O interessante neste lance é que se coloca em prática a ideia de futebol do FC Barcelona de uma forma bem nítida. O lance poderia ter sido muito mais rápido se Keitá tivesse aproveitado o fundo ao interceptar a bola de Lúcio, porém preferiu a valorização (estava no campo de ataque e por isso não tinha muita profundidade, mas tinha o lado livre se quisesse). O passe para Xavi temporizou a organização ofensiva do Barcelona, e também a transição defensiva da Inter. Mesmo assim trocaram 10 passes antes de entrar pelo lado em uma clássica abertura de espaço de Keitá para a ocupação de Maxwell quando a defesa da Inter já estava totalmente reposta. Chamo a atenção pela participação dos jogadores Maxwell, Xavi, Keitá e Messi. 

Curiosidades: Dos quatro semi-finalistas o Bayern de Munique e FC Barcelona eram os únicos com posse acima de 50% nos jogos.
 
Aos 20 minutos do primeiro tempo a UEFA apontava:


Distância percorrida: Internazionale 29 Km Barcelona 31.5 Km
Posse de bola: Internazionale 37% contra 63% do Barcelona


Aos 35:00 do segundo marcavam:


33% de Posse para a Internazionale de Milão
67% de Posse para o FC Barcelona


GOL DA FC INTERNAZIONALE
 

O LANCE

Dos gols que a Internazionale fez neste jogo este foi o mais circulado. Porém mesmo assim foi um gol que procurou valorizar a transição ofensiva, e utilizou apenas 6 passes. Após uma falta lateral próxima ao meio, Motta cobra curto para Sneijder que vira uma bola longa para Eto´o que escora, Maicon recebe, temporiza e novamente passa a Eto´o, que cruza de forma errada, porém cai no pé de Milito, que visualiza a entrada de Sneijder pelo lado, onde Pandev saiu e atraiu consigo Daniel Alves. Figura:



O MODELO

Visualização da zona de pressão, retirada da pressão e entrada pelo lado fraco. Méritos para Milito que identificou a entrada do Sneijder. Mais uma vez o lado estratégico foi fundamental, tenho certeza que isso foi treinado especificamente, o que levou Milito a não finalizar e sim passar a bola a um jogador melhor colocado.
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O LANCE

Resultado de um desarme rápido, ou seja, Zanetti desarmou passando e imprimiu velocidade a transição como foi durante todo o jogo. O Barcelona não conseguiu transitar defensivamente de forma eficiente como costumeiramente faz, pois Pandev vence o 1x1 e conseguiu conduzir a bola para uma zona vazia, já que o bloco de meio do FC Barcelona se encontrava todo proximo a bola. Após isso conseguiu um passe em pro para Milito, em diagonal para fora, que conduziu para a área e cruzou fraco para trás onde Maicon estratégicamente entrou para finalizar.
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O MODELO

O modelo do FC Barcelona é tão complexo que por vezes necessita de um feeling muito grande do jogador para perceber a situação, é uma rede de relações muito grande que acontece e isso pode gerar uma confusão momentânea. Neste gol acredito que deveria haver uma escala melhor no setor de meio, para evitar que em um lance de vantagem em 1x1 o jogador da Inter não se livrasse de todos os jogadores de meio do Barcelona. Porém neste jogo o mais costumeiro foi ver Busquets como meia e Xavi como Volante, o que acabava por vezes deixando todos muito próximos muito a frente ou muito atrás.

Quando tiveram que fazer a transição defensiva para pressionar Pandev, não conseguiram exatamente por estarem perto demais e não terem dobras as costas para um possível fracasso no 1x1, mérito para a Inter que conseguiu expelir o Xavi de dentro do seu bloco através da pressão de Motta e Cambiasso.

Legítimo gol do modelo. em 3 passes Maicon fez o gol, transição rápida e eficaz. Quanto ao Barcelona, não tiveram tempo.
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O LANCE

Motta interceptou com um carrinho um passe, e rapidamente ligou ao ataque com Eto´o. Este por sua vez cruzou e Sneijder escorou para Milito que finalizou.

O MODELO

Mais uma vez a transição ganha o lance. Primeiro na pressão (rara neste jogo) alta no momento do desarme do Motta. O automatismo simples do lance acabou gerando um gol muito ´rápido, mais uma vez em três passes.


FINAL - INTERNAZIONALE X BAYERN
OUTRO JOGO
PORÉM OS MESMOS COMPORTAMENTOS

No vídeo acima dá pra ver facilmente como é objetiva a circulação da Internazionale, portanto necessita de menos opções, é um jogo direto apoiado. Como citei no inicio da postagem, o professor Rodrigo Vicenzi nos colocou que acreditava que José Mourinho escolhera esse modelo pois proporcionava uma facilitação na recuperação mental e fisica dos atletas. Olhando a equipe da Inter jogar notamos que tem outro ponto fundamental diferente das outras de José Mourinho, ela não pressiona alto. Primeiro por que isso retiraria a profundidade do campo, o que dificultaria a transição ofensiva em profundidade com Milito, Eto´o e Pandev.

Segundo, isso iria fadigar a equipe, pois o jogo seria alucinante demais se pressionasse alto, e logo saísse em profundidade novamente. Não seria possível fazer isso nem mesmo por um tempo completo. Ou se pressiona alto, recupera-se a bola e se descansa com ela, ou se descansa, recupera-se a bola e transita rápido, é necessário contínuas reposições energéticas, descansos em meio ao jogo, caso contrário o organismo da equipe entra em  curto circuito.

Entao é uma lógica seguida, abriu-se mão da complexidade do jogo estético, para que o jogo de resultados entrasse em evidência e fosse eficaz.

INDÍCIOS DA COMPLEXIDADE DOS MODELOS


 Avaliando o quadro acima percebemos que as ações do Barcelona pela maior alternância de passes e participação, necessita uma maior percepção espaço-temporal dos lances. Com uma média de 5 passes por lance o Barcelona tem a tendência de construir o ataque a partir do ataque organizado, o que necessita interações mais complexas.

Já a Inter, com uma média de 3 passes gera seus ataques pelas transições ofensivas, aproveitando sempre o momento ofensivo do Barcelona. Basicamente a transição é elaborada em 3 rápidos momentos:

1 - Desarme se possível passando;

2 - Escora (pontes de ligação - jogo frente costas) deixando a bola no feitio para o lançamento;

3 - lançamento.
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No quadro acima nota-se q quantidade de passes das duas equipes, na maior parte do jogo o FC Barcelona foi superior, porém, na maior parte do jogo o FC Internazionale esteve ganhando o jogo. Quantidade de passes em termos de posse, volume de posse podem ser considerados um indicativo de complexidade de um modelo?


Média de passes por numero de ações coletivas. A coerência a proposta marcou a equipe da Inter, que teve pouca alternância no jogo, já o Barcelona teve alternâncias bruscas de comportamento, muitas vezes entrou no jogo de transições da Inter. Será então que a complexidade do modelo esta relacionada a possibilidade de impor este ao adversário? Quanto mais complexo, mais difícil de impor o modelo?


Concluimos então que (ou não):

A complexidade do modelo de jogo esta diretamente relacionada com a possibilidades de escolha que o jogador tem em determinado lance, quanto mais variável, mais desgastante mentalmente pois necessita de uma maior percepção e velocidade decisional, pois se tenho 3 opções e analiso e escolho, demoro mais que se tiver apenas 2, ou 1.

Logo se preciso pensar para escolher 3 opções, preciso pensar muito mais rápido pois o número de variáveis é maior, o que me leva am desgaste maior para as escolhas do jogo.


Grande abraço
Luis Esteves

9 comentários:

Anônimo disse...

Grande post professor, hehe gostaria de levantar alguns aspectos se me permite.

1º) Em relação ao primeiro gol, quando li "O porque de tantas vitórias" os autores citam de acordo com Damásio dois tipos de intenção, a intenção prévia e a intenção em ação. Penso que o Daniel Alves agiu daquela maneira devido uma intenção em ação, por ter estado muito tempo habituado em sua vida futebolista a marcar individualmente por setor ao invés de ter fechado os espaço direito em função da bola e o posicionamento do Puyol (pre requisito basico pra defesa a zona) acompanhou Pandev. Intenção em ação explorada por Mourinho, e a mesma tendência por exemplo do Robben entrar no espaço interior em diagonal. Creio também que pelas caracteristicas do MdeJ do Barcelona que não privilegiam habitualmente um organização mais defensiva devido ao alto pressing realizado no campo adversário não houve tempo para mudar ou conceber tais habitos ao nosso lateral. Que é nada mais do que uma cultura zonal, não digo que ele é ruim defensivamente muito pelo contrário suas capacidades tecnicas defensivas são muito boas.

2) É irônico ter visto o 3º gol da Inter, pois ocorre numa roubada de bola to Tiago Motta em cima do Messi, bem no início da transição ofensiva do time catalão, próximo a sua área - muitos dos gols do Barça ocorrem dessa forma.

3) Igual o professor Garganta salientou no Seminário do pessoal do CDD, o Barcelona é tão viciado no seu MJ que esquece de responder as necessidades estratégico/comportamentais dos jogos, responder aquilo que o professor Rodrigo Leitão chama de Lógica do Jogo (tema que venho tentando entender melhor). Muitas das alterações que vejo no Barcelona respondem e contribuem para a manutenção do seu modelo e muitas vezes não são direcionadas para aquilo que deve ser o "ganhar" ou seja o cumprimento de tal lógica. Por isso não acredito que o MdeJ da Inter é menos complexo apenas reconheceu determinadas caracteristicas do Barça e tentou cumprir a lógica que permitia-lhe vencer. A Inter ao longo daquele ano, jogou de diferentes formas estratégicas, como jogos de posse e circulação tb contra adversários mais fracos no calcio por exemplo, o modelo dela era tão complexo quanto o do Barcelona só que penso que o time milanês respondia melhor estrategicamente as partidas claro fielmente as suas diretrizes comportamentais a nivel setorial,coletivo e intersetorial.

R. Galeiras disse...

vou ler com mais pormenor!
como fazes os campos com as rodinhas e com os nomes por baixo?
algum programa especifico??


abraço

Luis Esteves disse...

Marcelo:

Primeiramente obrigado.

Agradeço seu comentário. Quando digo que é menos complexo, me refiro as relações que o modelo proporciona. Por exemplo, o FC Barcelona tem por caracteristica impor seu modelo a todas as ouras equipes, e não se modelar a elas em nenhum momento, jogando um futebol plastico, agradável, e que ainda assim ganha, tanto é que no ano anterior ganhou 6 titulos em 6 competições.

Quando tenta-se jogar assim, com muitos mecanismos, muitas possibilidades, o numero de relaç~eos aumenta e consequentemente a imprevisibilidade também, o que exige uma capacidade de percepção maior.

Este ano tive lógico que em proporções muito inferiores) a possibilidade de utilizar estas duas ideias. Tive jogos em que a minha equipe teve muita posse, circulou de diversas formas, com muitos detalhes acontecendo, uma variação grande de mecanismos de acordo com situações etc. Neste tipo de jogo parte-se de uma ideia ofensiva, ou seja a organização nasce da organização ofensiva pois as ideias levam a isso, dominio, propor o jogo de uma forma ativa.

E tivemos jogos em que fizemos o contrário, controlamos o jogo com diferentes zonas de pressão, e utilizamos referências muito menos complexas que acabavam por acelerar o nosso jogo de forma a aproveitar as transições ofensivas. Quando tu retira possibilidades automaticamente tornas a escolha mais rápida, e nisso o modelo do barcelona sem duvida é mais complexo do que o da inter, exatamente pela raiz que o barcelona tem de mais de 20 anos fazendo isso.

Jogar como a Inter jogou esse jogo é muito mais fácil, digo isos pq já fiz isso contra equipes maiores e ganhei. E jogar como o Barcelona, com essa proposta e com essa organização é muito mais dificil, digo isso pq já fiz isso e perdi.

Portanto é uma questão de valores, de situação, de objetivos, mas não me resta duvidas que pela complexidade dos modelos, o do Barcelona é mais complexo. Só que é válido lembrar que os jogadores do barcelona são beneficiados pelas posturas da maior parte das equipes que jogam contra, portanto o desgaste é diferente, quero dizer que se a Inter tivesse tido uma posse de 50% x 50% o desgaste do barcelona seria outro, e a recuperação também, pois o jogo também pode ter diferentes complexidades dependendo de como se constitui as posturas dos modelos no confronto.

Lembro do que disse o Garganta, mas não vejo o Barcelona viciado.

Vejo o Barcelona respeitando uma cultura, pode ate ser considerado errado, mas acho que é um caminho a ser seguido. O mais importante [e ganhar, mesmo que tenha que passar por cima dos seus próprios principios, conceitos sobre o jogo?

O Mourinho diz que todos os jogos são para ganhar, mas levou 5x0 do mesmo Barcelona, com a mesma ideia de jogo lá do Meazza. Se ele sabia como ganhar do Barcelona, porque não repetiu a estratégia? pelo fato do Real ter conceitos que não devem ser violentados nem mesmo para ganhar a qualquer custo, mas lógico que há adaptações hoje o Real tem transições muito rápidas, diferente daquela equipe do ZIdane que tinha uma posse muito mais em condução, mas o Real precisa respeitar uma identidade que ate foi se perdendo eu acho por algumas razões.

Acho que o Barcelona também não é cego, pois querem muito ganhar também, mas querem ganhar com o seu jogo.

Lembro daquela jogada do gol de empate do Pedro contra o estudientes. lembra quem escorou a bola? Piqué, naquele momento se não me engano eles ja estavam em um 1.4.2.4 e foi assim que empataram, ate modaram um pouco a morfologia mas não deixaram de ser o Barcelona.

Grande abraço Marcelo

Ricardo:

Faço essas imagens todas no Excell, a maioria no meu programa, outras em planilhas anexas.

O excel é muito maleável.

Grande abraço



Isso vai da nossa hierarquia de importâncias.

Anônimo disse...

Entendo sua óptica professor, muito enriquecedora. Gostaria de lhe dizer que ainda sou aluno de 4º periodo no curso de E.F da UFMG tenho me dedicado todos os dias a estudar o futebol e o senhor tem contribuido muito para minha formação, é um imenso prazer debater sobre seu topico e ler seu blog. Não sei se lembra de mim, conversei contigo no seminário até falei das revistas do Futbol Tactico.

Por isso não penso que a inter ao controlar e dominar o Barcelona fez o mais fácil ou demonstrou um MJ inferior, até porque o MJ segundo vários autores é singular, único, complexo. Penso que a qualidade do jogo do Barcelona não seria a mesma sem o trio Xavi, Iniesta e Messi, deixando-o no mesmo patamar de outros times do alto nível europeu (e quado falo da qualidade do jogo não falo da complexidade do MJ).

Em relação ao que me disse, sem duvida que o modelo do Barcelona é muito rico é uma equipa ainda que conta com muita qualidade individual (teve 3 jogadores de extrema qualidade, quase alienígena, formados ainda sob essa rica cultura blauglariana concorrendo a bola de ouro). Só queria dizer que pelo que vi em uma das colunas do professor Leitão e em uma das suas próprias postagens o fato do Barcelona impor seu MdeJ não significa que ele controle o adversário ou domine o jogo, por mais que isso ocorra na maioria das vezes. E de acordo com o professor Leitão " o (dominar o jogo) representa compreender as variáveis técnico-tático-físico-mentais predominantes e determinantes do jogo para poder interferir nelas, de tal forma que seja possível manipular o jogo, transformando-o em um futebol diferente daquele compreendido pelo adversário, minimizando ao máximo suas possibilidades de reação e maximizando as próprias chances de vitória. Acredito que os patamares técnico-tático-físico-mentais da Inter e do Real Madrid são bem distindo devido a influencia de determinadas circunstancias como o tempo de construção do MdeJ (Real com 6 meses, Inter com 2 anos), experiencia (média de idade dos jogadores da inter > jogadores do Real a propria cultura italiana divergente da espanhola, além da cultura dos clubes).

Anônimo disse...

Além do mais, para mim sem querer reduzir o assunto e peço desculpas caso o faça, os 5-0 foram frutos de uma falta de maturidade emocional do Real Madrid, diferença brusca do nível de desenvolvimento do MJ e um estado de de aquisição alcançado pelo Barcelona após o nível de propensão gerado pelo enfrentamento contra os nerazurri, tornando-os mais complexos e mesmo ocorreu com a inter apos o jogo da primeira fase e provavelmente o mesmo ocorra com o real. Ou seja o Barcelona detinha o controle sobre todas as variáveis do jogo. E isto não era equivalente quando enfretou a Inter (a inter que também ganhou 6 titulos em um ano).
Diante do Estudiantes para mim também foi um exemplo no qual o Barcelona também foi direncionado a fazer aquilo que o time de La Plata queria (um MJ sobrepondo o outro apesar da aparete "imposição" do sobreposto) na maior parte de todo o espaço temporal do jogo. Como o Sr mesmo salientou e o proprio professor Rodrigo em uma das colunas disse o time argetino sucumbiu a uma "pequena mudança de postura catalã" que possibilitou a vitória. Gostaria de entender melhor o que ocorreu, creio que ainda não tenho o oculos certo para enchegar o ocorrido.

E na minha opnião, principalmente tratando-se de alto rendimento a vitória é o mais importante e responder as circunstâncias que o jogo pede (claro que sob uma organização que possa auxiliar a lidar com os diversos desequilibrios - M.J) e não a manutenção qualitativa do mesmo (MJ) por si só. E o comentário do professor Garganta embasa isso quando disse que mesmo precisando de um jogo mais direto o Barcelona se manteve fiel a sua cultura. Penso que é muito bonito essa questão do Barcelona, acho lindo, romântico é uma questão de filosofia e deve ser respeitado! E também não se pode dizer que uma mudança de postura poderia ter dado a classificação culé, mas partindo do pressuposto que o futebol é um esporte complexo e que se adotarmos um olhar transdiscplinar, as ciências exatas que diante da imprevisibilidade dos fenômenos recorrem a ciência estatística e relacionarmos isso com o tipo de comportamento em dado momento que estatisticamente seria mais conveniente ali naquele caso contra a inter de milão talves tivesse sido melhor atender aquilo que o "Jogo pedia", uma transição mais vertical um jogo mais direto o que foi ratificado pelo Garganta.

Mas uma vez não gostaria de reduzir o assunto e caso o tenha o feito por favor me desculpe, e digo o que retiro das leituras que faço tento relacionar com o que vejo sem meramente reproduzir alguma idéia.
Grande abraço professor.

Luis Esteves disse...

Marcelo

É claro que me lembro.

Quero mais uma vez lhe agradecer a participação aqui, e espero que continue se manifestando dessa forma em todas as postagens que quiser. Fico muito contente quando debatemos algumas coisas desse tipo, muito mesmo pois nosso conhecimento é construido assim, debatendo, discutindo.

Bom, vamos por parte pois a tua colocação é complexa:

Veja bem, concordo com você sobre a singularidade dos modelos, porém acredito que você também concorde comigo que existem modelos mais e menos evoluidos, porém isso depende dos olhos de quem vê certo?

Então entramos em um conceito sobre futebol, qual o tipo de futebol que é evoluido pra você? Para mim é o futebol do Barcelona, pois é o mais plastico, o mais artistico, o mais raro.

Então partindo desse conceito, vemos esses tipos de futebol e o que possui mais variáveis em interação, é o do Barcelona, afinal em 3 passes a Inter chega no gol, é uma Organização Ofensiva fugaz como dizia o Mourinho quando assumiu o Leiria.

Concordo que a individualidade dos elementos, em interação provoca determinado comportamento, e a troca de um destes elementos modifica o comportamento da equipe, é o caso do Xavi, do Iniesta, porém estes são jogadores irreparáveis?

Posso ser até cretino agora, mas eu acredito que não. O Messi sim, pelas caracteristicas morfológicas, o tipo de mobilidade que possui com a bola, é muito dificil de ver no futebol de campo, o Messi é um jogador de futsal no campo se tu reparar bem, observa os jogadores de futsal (os grandes jogadores) e observa o Messi. Porém o Xavi e o Iniesta são jogadores forjados, claro que possuem caracteristicas muito importantes, mas eu acredito que a capacidade maior deles foi desenvolvida pela metodologia e pela cultura do Barcelona, o que torna possivel de ser repetido. Mas lógico que se retira-los hoje da equipe vai haver uma queda de rendimento sobre o que eles se propoem a fazer, deu pra ver isso no ultimo jogo contra o Arsenal sem o Pujol.

Para mim a relação controle / domínio tem a ver com o seguinte, de forma prática a qual pude ja verificar algumas vezes em campo e inclusive fiz uma postagem aqui sobre isso:

Dominar é jogar e fazer o adversário jogar o seu jogo, é jogar no campo do adversário, porém existe uma variável ai, você pode dominar e ser controlado. Foi isso que aconteceu lá no Camp Nou.
Controlar é pra mim manter um adversário sob controle, em zonas favoráveis, muitas vezes usando deteminada estratégia para vencer o jogo assim, controlando.

Pelo conceito do Leitão citado acima, a Inter dominou o jogo no Meazza, eu ja acho que o jogo nesse não foi dominado por ninguém, foi um jogo sem dono, de transições derrepente pela força das duas equipes.

Quanto aos tempos de Inter e Real não tenho duvida, o Real é muito inconstante ainda, deu pra ver pelo jogo de hoje com o Lyon. A Inter tinha quase que dois modelos, uma coisa que eu considero interessante pois tive que fazer a mesma coisa aqui na minha equipe, ja que disputava duas competições de niveis muito diferentes: Na mais forte usava as transições como ponto forte, na mais fraca usava a organização ofensiva como ponto forte, porém isso vai meio contra a ideia de ter um modelo de jogo e acreditar nele como faz o barcelona, porém ai entramos na ideia da qualidade individual e todas aquelas variáveis que fazem alguns clubes maiores que outros.

Quanto a situação da vitória: Isso é um ponto forte de discussão, eu acho que a vitória é importante é nosso querer ganhar, agora pouco mesmo fui jogar um futebol de varzea e eu queria ganhar, e não gosto de perder, mas será que se você se preocupar em ganhar não estará pulando o processo até a vitória? tudo o que ocorre até lá?

Luis Esteves disse...

Já reparou que algumas equipes não jogam o jogo? Não vivem o jogo, a Inter nesse jogo foi assim um pouco, os caras não jogaram o jogo, eles apenas aproveitaram as falhas do barcelona pra ganhar, isso que me pareceu e isso me incomoda um pouco, pois isso do resultado é uma questão social nossa, perceba os segmentos da sociedade e vai ver que o importante são os resultados, mas ai esta o erro pois essa valorização, essa hieraquização acaba sendo negativa, pois gera uma cultura individualista.

Professor, pulei algumas colocações pois a tua postagem foi longa, porém vamos conversando sobre esse tema que é muito interessante, gosto muito de refletir sobre alguns assuntos, e quando vejo algumas citações do professor Vitor Frade por exemplo, fico ate meio chateado pois temos muito caminho ainda para trilhar e muitas discussões ainda pra fazer e a profundidade disso vem apenas com os erros, com os equívocos e com as devidas correções para criarmis um conhecimento mais expecífico e mais global com as coisas que o futebol nos proporciona.

Grande abraço e poste novamente

Anônimo disse...

Eu tenho estudado muito o MdJ do Barcelona mas muitos colocam como algo perfeito e nós sabemos que isso é incalcável, as vezes acho que essa sobrevalorização se dá apenas pelo lado estético. Alguns estudos e análises que tive acesso quem vem sendo apontados demonstram até existir uma fórmula para explorar o jogo do Barcelona que fico com a impressão de algo plástico vem se tornando uma coisa rígida que em jogos muito importantes tem encontrado dificuldades, e que apesar de ser tido como "perfeito" não consegue muitas vezes responder aquilo que o jogo pede e vencer sempre (apesar de vencer muito!), ok o desporto é o futebol e é imprevisivel e não se ganha sempre e há também questão filosófica. Por mais que o jogo do barça seja atrativo e ele consegue vencer quase sempre. Os times que não tem uma cultura tão atrativa e enraizada (o que eu vejo proximo disso é o arsenal) só tem a segunda opção como escolha.
Li uma vez um texto de um jornalista chamado Jonathan Wilson do Guardian onde ele citava os diferentes tipos de pressing (enfim um relato historico sobre o pressing) e dizia como que o jogo do Barça apresenta sobrecarga emocional absurda. Onde o transição ofensiva (com aquele pressing destrutivo com um bloco alto) do time catalão junto a sua organizaçao ofensiva de manutenção total da posse e circulação durante maior parte do tempo afetava de tal forma o emocional dos jogadores adversários que até em um passe simples de poucos metros apresenta uma incidência grande de erros. E eu achei muito coerente com o que observo dos jogos. Tendo como base essas afirmações e outros conceitos relativos como por exemplo desse texto que li http://www.futebolportugal.com/2010/04/barca-messi-e-o-paradigma-guardiola/ , sim, chego a conclusão e me rendo em relação a majoritária complexidade do MJ do Barça. Mas penso também que os Modelos de jogo são muito específicos e que comparar um com outro não tem lógica… a estrutura interista era para mim tão complexa quanto a do barcelona respeitando suas respectivas especificidades e nas masi diversas variaveis do jogo. Como salientei para mim pesa o pensamento estético, as vezes para uns ver uma boa defesa é tão atrativo para uns do que ver um bom ataque para mim o jogo o no na segunda mao da semi finais foi mto bonito quanto para a maioria foi anti futebol.
Será mesmo que jogar em organização ofensiva é mais difícil/complexo e requer mais densidade fisico-tecnica-tatico-emocional? Quais fatores contribuem com isso ? É a impressão que tenho…
Acho que sou um do contra sem causa … hehe.
Abraço e obrigado pelo suporte professor .

Luis Esteves disse...

Marcelo

A lógica da comparação esta na escolha após fazer esta comparação.

Quando comparo estes dois modelos, não tenho o objetivo de qualificar esse ou aquele como melhor, mas sim como mais ou menos complexo.

Como tu citou, o desgaste que os jogadores sofrem ao jogar com o Barcelona é grande, e o dos jogadores do Barcelona também é, é um jogo muito pensado, depende de muita percepção, feeling.

O da Inter não depende tanto, pois basta a bola entrar no cambiasso numa transição que certamente ele colocará no Milito e o milito parte pro 1x1 ou finaliza ou cruza pro Eto´o ou Sneijder, pelo menos foi nesse jogo.

Ou seja, pelas possibilidades de relação a grosso modo, pois embora tenha essa tend~encia não é linear.

Os modelos de jogo partem dos conceitos sobre o futebol dentre outras variáveis, por isso a origem da postagem, quando tu assumir uma equipe, vai partir de que complexidade? Afinal para começar uma equipe é necessário partir de algum lugar, no teu primeiro treino tu precisa já buscar isso, ai a importância de haver uma progressão complexa das coisas.

Eu acredito que atacar é mais dificil que defender por alguns motivos:

É mais dificil propor o jogo com a bola, é mais fácil reagir a uma ação, pelo menos pra mim me parece. Se você ver a maior parte dos grandes lutadores eles agem em contra golpes, pois no momento que você ataca, precisa expor algo, precisa sacrificar algo.

Inclusive coloquei alguns principios estratégicos da Arte da Guerra que podemos perceber a maleabilidade da estratégia. Uma equipe que quer propor o jogo com a bola, necessariamente tem que assumir o risco, e isso leva junto uma seria de sub-principios que tornam isos possivel, ajustavel.

Acho que criar é mais dificil do que destruir, isso relacionado a mecanismos de criação do cérebro, o jogo que tu citou por exemplo, foi dedicado quase todo a destruição, de fato é mais fácil, exige grande concentração em uma série de sub-principios também, mas acredito que seja mais fácil até pelo ladro estratégico que permite que tu antecipe muitas ações.

Grande abraço Marcelo