segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A PROPÓSITO DA VELOCIDADE «TÁTICO-TÉCNICA COLETIVA» NO FUTEBOL...


"O jogo em que o jogador se posicionava para receber a bola, depois observava, pensava e agia, faz pouco sentido no contexto actual. As marcações são cada vez mais pressionantes, a velocidade de jogo cada vez mais elevada, o tempo para agir cada vez mais curto, pelo que cada vez é mais premente a necessidade de realizar a antecipação mental e motora."


GARGANTA - 1999


Giuliano, exemplo da velocidade do indivíduo para o todo, porém o todo não é veloz para com o indivíduo..



Não gosto de assistir a jogos nacionais na TV. Por um simples motivo, na maioria das vezes o ângulo de filmagem é pouco amplo, e a velocidade do jogo me engana, fico sempre com a impressão de que o futebol apresentado é lento, e realmente, é. Porque minha TV é a mesma quando vejo Barcelona x Chelsea, e o futebol apresentado é muito mais dinâmico.


Mas o futebol brasileiro não é lento em termos físicos convencionais (basta analisar a equipe do Inter, que tem como coordenador de preparação física o Mestre Élio Carravetta, ao qual tive o prazer de ser aluno na Universidade em mais de uma cadeira, e hoje acho que temos alguns dos melhores Preparadores Físicos do mundo atuando em nossas equipes), mas sim em termos da velocidade de deslocamento, velocidade de reação, num sentido perceptivo/cognitivo, em termos coletivos. Essa lentidão é clássica do futebol cadenciado brasileiro, que continua privilegiando a ação individual como solução dos problemas (analise o gol do Inter), e isso torna o jogo muito chato, como foi este Gre-Nal.



O Grêmio ainda tenta ter uma organização coletiva que possa automatizar (no sentido positivo da palavra) movimentos coletivos, gerados pela capacidade metodológica do Autuori, mas vai de encontro à qualidade dos jogadores, que é baixa, e não permite hoje assimilar e executar o modelo de jogo que ele propõe, mas poderia ser coletivamente mais rápida à equipe do Grêmio.

Esta falta de velocidade coletiva gera o problema que a equipe tem hoje, ela propõe o jogo, porém não consegue finalizar, e isto são princípios de jogo, a Mobilidade Ofensiva tem que ocorrer (e hoje a velocidade de deslocamento dos jogadores do Grêmio é de média intensidade, e de pouca continuidade, o time é estático em Organização Ofensiva), para haver profundidade / amplitude, ai a escalação tem que ser congruente com o modelo, e não foi. Pois jogar com Peréa como único atacante de centro, de inicio, e depois retirando Douglas Costa, opção de amplitude, colocando Herrera, para mim foi um erro estratégico, aliás, como vários que eu mesmo já cometi (sem comparações de níveis), faz parte, mas faltou ousadia, como disse Túlio ao final do jogo. Quem propõe o jogo, tem que ousar.



O Grêmio hoje é uma equipe taticamente muito bem arrumada, tem mecanismos setoriais e intersetoriais (Talvez a única equipe do Brasil que consegue ter uma organização tática além do Corinthians, não quero ser injusto com o Vitória, mas acho que em bom nível, só estes dois), mas como o próprio Autuori disse em entrevista a rádio gaúcha, não consegue se eficiente no último terço do campo, ou seja, a zona de finalização, exatamente porque a Mobilidade dos jogadores é baixa demais, o que permite muito poucas oportunidades geradas de forma consciente, como um Modelo de ORGANIZAÇÃO, como o que o Grêmio quer, basta olhar as chances de gol do Gre-Nal. Acho que com Tcheco e Max Lopes não seria muito diferente. Um jogador lento pode ser rápido, se executar o que o modelo pede de forma rápida, passes, lançamentos, infiltrações, ocupações de espaço, etc...





Quanto ao Inter, chega a ser engraçado, mas respeito à metodologia de treino do Mário Sérgio, até por que, tudo que sei, vai de reportagens antigas e atuais, repassadas na mídia, mas neste caso, não existe Modelo de Jogo. Nitidamente não existe.



A equipe pode entrar com qualquer sistema no jogo, pensando que, isto vai gerar grande stress no adversário, sendo que todos que trabalham com o futebol, neste nível, já prevêem todas as situações possíveis, e ainda mais jogando como a equipe do Grêmio joga que não tem a preocupação de se encaixar ao adversário, pois tem um Modelo definido. Ou seja, as adaptações que vão ocorrer em virtude do posicionamento, são eliminadas em 5 ou 10 minutos no máximo. Mas voltando ao Mário Sérgio, o que mais me espanta, no que tenho ouvido em rádio e jornais, é a capacidade cognitiva dos jogadores, por isso volto ao início do post, o futebol brasileiro é lento por quê? Porque não é específico. E quando digo isso, digo o Treino.



Relato do jogador Giuliano do Internacional: O professor testou vários sistemas e posicionamentos na equipe no COLETIVO, e em determinado momento um deu certo, e foi com esse que viemos para o jogo (não foi com estas palavras), ou seja, só por aí, quem conhece e entende a Metodologia do Treinamento Desportivo de Alto Rendimento já sabe que, não pode haver velocidade coletiva, não pode haver mecanismos, não pode haver antecipação do ato se não houver uma meta a ser seguida, um modelo a ser atingido, por quê? Porque o jogador não tem uma cultura a seguir, pela falta de continuidade no processo específico de treino, repare que, não estou criticando o lado estratégico de anular ou não determinados pontos do adversário, colocando determinado jogador em determinada função, mas o de ter um modelo de jogo, e acreditar nisso, o Inter não tem, ele varia de Modelos, ou será que o Modelo de jogo do Inter é o Variar Modelos, mas então se é como conseguir uma qualidade de jogo maior, partindo do princípio de que tem o material humano suficiente para isso? (Áh se o Autuori estivesse no Inter...).

Além da mobilidade ofensiva a qual já citei, o Internacional nesta troca constante de sistema, acaba por não ter velocidade coletiva por que em níveis de terreno de jogo, não há possibilidades geometricamente falando de prever uma ação, pois não é o mesmo antecipar o ato em um 4.4.2, e em um 3.6.1, não é. Por isso depende da Improvisação, o que é diferente da Criatividade.

Vale lembrar que, tudo que falei acima é relacionado à Organização Ofensiva, neste momento e na Transição Ofensiva é que se fazem gols, além das BP, portanto, atacar é muito mais difícil que defender uma equipe minimamente treinada e bem posicionada, anula facilmente um ataque de muita qualidade, se esse for estático. Por isso eu digo que para atingir os Gols, a qualidade de jogo de passes, intercalando com um jogo de lances individuais como é a cultura brasileira, tem que haver velocidade coletiva, velocidade de antecipação, velocidade de reação, deslocamentos constantes, e tudo isto previsto por um modelo de jogo. Então, chego à conclusão de que no futebol brasileiro, sobra "Boleiragem", e falta Teoria.


ALGUMAS EVIDÊNCIAS IMPORTANTES... PARA O ENTENDIMENTO DA VELOCIDADE NO JOGO DE FUTEBOL


UMA VISÃO CLÁSSICA


Definição: "Capacidade que um indivíduo apresenta para realizar ações motoras em um tempo mínimo e com máxima eficácia."


"A velocidade é Sub-dividida em: Velocidade de Reação
Velocidade de aceleração, Velocidade Máxima e
Resistênciade Velocidade."


GOMES e SOUZA (2008, Página. 138)

E ainda segundo GOMES e SOUZA(2008, Página 138) tem a Rapidez, que é dividida em Rapidez da reação motora e rapidez dos movimentos.. E segundo o mesmo GOMES e SOUZA (2008, Página 138) a velocidade / rapidez é manifestada por um todo complexo que envolve outras capacidades como força, flexibilidade, coordenação...dentre outras variações de sub-divisão da velocidade.


EM UMA VISÃO SISTÊMICA


"No contexto desportivo, a velocidade tem sido entendida como uma capacidade motora cujo desenvolvimento é fortemente determinado pela faceta genética, o que lhe confere um reduzido potencial de treinabilidade. Contudo, se bem que seja comum dizer-se que já se nasce velocista, para nós é claro que nos jogos desportivos é possível ser-se rápido sem que se disponha das características de um corredor de velocidade ou de um saltador.... nos jogos desportivos colectivos não existe uma, mas várias velocidades, cuja lógica de expressão e desenvolvimento implica uma subordinação às exigências particulares da actividade desenvolvida durante o jogo. Neste sentido, é avançada uma perspectiva centrada na interligação das valências perceptivas, decisionais e motoras, e cuja configuração contempla o entrelaçamento da velocidade com os factores de natureza técnica e táctica."


GARGANTA (1999, Página 01)


"Os jogos desportivos colectivos (JDC) constituem modalidades que se caracterizam por complexas relações de oposição e de cooperação que decorrem dos objectivos dos jogadores e das equipas em confronto e do conhecimento que estes possuem do jogo, de si próprios e do adversário (Garganta & Oliveira, 1996). Dado que, neste contexto, a dimensão estratégico-táctica assume um papel determinante, o conceito de velocidade transcende claramente a concepção clássica que a define como a capacidade de executar acções motoras no mais breve tempo possível."

Weineck (1994) e Gambetta et al. (1998) ilustram bem este facto, no âmbito do Futebol, ao considerarem a coexistência de sete formas:

a velocidade de percepção - relacionada com a habilidade para processar estímulos auditivos e visuais e tomar decisões a partir de uma variedade de escolhas dependentes de uma situação particular;
• a velocidade de antecipação - relacionada com a habilidade para prever as probabilidades de evolução das linhas de força de uma situação;
a velocidade de decisão - relacionada com a habilidade para, após ter analisado uma situação, decidir o que fazer;
• a velocidade de reacção - relacionada com a habilidade para reagir a uma acção ou estímulo prévio;
a velocidade de movimento sem bola - relacionada com a habilidade para executar acções sem bola (desmarcações, tackles, marcações, saltos, mudanças de direcção e outras);
• a velocidade de acção com bola - relacionada com a habilidade para executar as habilidades técnicas específicas, na relação com o móbil do jogo;
a velocidade de acção de jogo - relacionada com a habilidade para tomar decisões durante o jogo e executá-las em relação com as condicionantes técnicas e tácticas, i.e., para agir correctamente, no tempo certo.

GARGANTA (1999, Página 03)




O TREINO DA VELOCIDADE NOS JDC


Nos JDC há que considerar:

(1) o treino da velocidade relacionado com as acções explosivas efectuadas em espaço reduzido, tais como saltos, travagens, mudanças de direcção, passes, remates, e outras actividades acíclicas;

(2) o treino da velocidade de repetição, mais relacionado com as acções cíclicas, produzidas num espaço mais amplo, como por exemplo a corrida, com e sem bola.


Dado que a prestação efectiva dos jogadores numa partida se prolonga por um período de tempo considerável, não basta ser rápido. É necessário sê-lo muitas vezes, sem perder eficácia. Deste modo uma das preocupações ao nível do treino é predispor o jogador para repetir a realização de acções rápidas, ao longo do jogo, sem que a sua velocidade de realização baixe drasticamente por aparecimento da fadiga. À capacidade que permite fazer face a este condicionamento dá-se o nome de velocidaderesistência.

O treino desta capacidade é muito esgotante, tanto física como mentalmente, o que nos previne para a parcimónia com que deve ser abordado. Normalmente é usado em jogadores de elite, devendo evitar-se a sua aplicação a indivíduos com idade inferior a 16 anos (Bangsbo, 1994).


PRECEITOS FUNDAMENTAIS


"Como já o referimos, o treino da velocidade no contexto dos JDC deve ser equacionado de forma a que haja um casamento óptimo entre a solicitação das valências perceptivas, decisionais e neuromusculares. Há, portanto, que reconhecer que os benefícios do treino da designada velocidade funcional, que integra os ingredientes do jogo, são bem mais significativos do que o treino formal de velocidade, este habitualmente associado aos sprints lineares realizados sem bola (Bangsbo, 1994). Nesta linha de raciocínio, para que o desenvolvimento da velocidade seja eficaz, nos JDC, parece-nos importante atender aos seguintes preceitos:


* Gerar esforços de intensidade maximal

Para que se consiga uma adaptação efectiva é imprescindível exigir-se ao executante elevada concentração e máximo empenhamento na tarefa a realizar. O respeito por esta exigência é fundamental, dado que o exercício apenas induz a adaptação desejada se provocar a solicitação de um número significativo de unidades motoras, o que, por sua vez, reclama intensidade maximal na sua execução.

Tal implica o respeito pelas seguintes condições:

• é conveniente realizar o treino de velocidade no início das sessões, após um adequado aquecimento (Bangsbo, 1994). O desenvolvimento da velocidade deve ter lugar em condições de relativa frescura nervosa e muscular (Dick, 1989; Verkhoshansky, 1996a).

Quando a fadiga começa a instalar-se a excitabilidade do sistema neuromuscular diminui, provocando também uma redução da coordenação intra e intermuscular e, com ela, uma diminuição da eficiência dos movimentos. Neste caso o efeito de treino orientar-se-á, sobretudo, para a velocidade-resistência;

• os exercícios devem ser realizados durante períodos de tempo curtos, até 10 segundos;

• os períodos de recuperação devem ser longos, com duração superior a cinco vezes o tempo de duração do exercício, de forma a permitir uma recuperação completa, e assim se criarem condições aos sistemas implicados para nova repetição ou série em regime de intensidade máxima.

Para o caso particular da velocidade-resistência, pode ter-se como referência exercícios realizados com intensidade quase máxima, com uma duração entre 20 e 40 segundos e intervalos de recuperação entre três e cinco vezes a duração do exercício. Os intervalos devem incluir actividades de repouso activo que acelerem a recuperação, como por exemplo corrida lenta.


* Estabilizar o contexto de treino

Importa criar um contexto de treino no qual as experiências motoras favoreçam a identificação de uma regularidade de certos efeitos. Isto permite que o praticante seleccione os aspectos fundamentais e que o treinador disponha de condições para o informar acerca da maior ou menor justeza dos seus comportamentos e dos aspectos sobre os quais deve actuar para ser eficaz. No âmbito energético-funcional, um dos aspectos a considerar é a realização de um volume de trabalho suficiente para provocar uma adaptação positiva. Dependendo embora da estrutura interna do exercício, do grau de motivação dos atletas e do seu estado de treino, para o desenvolvimento da velocidade parece razoável tomar-se como referência a execução de 2 a 10 séries de 2 a 10 repetições (Bangsbo, 1994).

* Desenvolver o complexo velocidade-precisão

A procura da conjugação velocidade-precisão, aquando do treino das habilidades técnicas, é um aspecto importante a ter em conta, no sentido do aperfeiçoamento do controlo da alternância da contracção e descontracção dos músculos esqueléticos, i.e., da coordenação intra e intermuscular (Israel & Buhl, 1982), em função dos padrões de movimento típicos da modalidade e também da adaptabilidade na realização de movimentos atípicos.

Não obstante pesquisas, efectuadas no âmbito da Psicologia do Trabalho, tenham demonstrado que toda a aprendizagem é acompanhada de um aumento de velocidade de realização do sujeito para a tarefa considerada (Leplat, 1970 cit. Jalabert, 1998), sabe-se que existe um limiar de velocidade abaixo e acima do qual o desenvolvimento da velocidade não se faz sentir. Enquanto que no primeiro caso a precisão das acções raramente é perturbada, no segundo ela torna-se praticamente inacessível (Jalabert, 1998).

Assim, impõe-se a adopção de uma velocidade crítica que viabilize a relação optimal entre a velocidade e a precisão, não ignorando que a mesma varia, entre outros aspectos, com a complexidade da tarefa a realizar e com o nível do praticante. Para que o desenvolvimento do complexo velocidade-precisão não fique comprometido, o jogador deve ter assimilado e estabilizado o estereótipo dinâmico motor relativo aos requisitos fundamentais das habilidades técnicas. As habilidades técnicas devem ser aprendidas e estabilizadas a velocidades relativamente baixas. Contudo, é ao experimentar acções executadas a velocidades superiores, que o praticante adquire a correspondente imagem sensório-motora do movimento (Verkhoshansky, 1996a). Por essa razão e também porque o transfere da técnica aprendida a baixa velocidade para exigências de alta velocidade é extraordinariamente complexo (Dick, 1989), o atleta deve ser encorajado a consolidar a técnica acelerando, aumentando a intensidade. Neste sentido, preconiza-se a realização de exercícios de velocidade funcional (Bangsbo, 1994), os quais devem reproduzir, não só o padrão estrutural dos movimentos a adoptar, mas também a velocidade crítica com que os mesmos devem ser executados (Verkhoshansky, 1996b).

É óbvio que ao pretender-se desenvolver a velocidade funcional, deve garantir-se que os atletas assegurem a continuidade das acções, o que implica, por exemplo, que saibam receber a bola e passá-la em condições de ser jogada, ou conduzi-la em progressão sem perder o seu controlo. Se os atletas estiverem constantemente a perder o controlo da bola, a continuidade e a ligação das acções ficará comprometida e, por consequência, estará também comprometido o desenvolvimento da velocidade.

* Desenvolver a velocidade em contextos de interferência táctico-técnica

O desenvolvimento da velocidade em contextos de interferência táctico-técnica revela-se muito importante. Neste domínio a procura da individualização da carga e da diferenciação do conteúdo, em função do estatuto posicional e das características dos jogadores (Morth, 1998), são aspectos a considerar.

Para dar resposta a esta intenção torna-se muito importante o recurso a "complexos tácticotécnicos", entendidos como conjuntos de exercícios que, inspirados na matriz do modelo de jogo a perseguir, induzem um desenvolvimento motor específico do sistema funcional dos jogadores e da equipa. É conveniente, por exemplo, adoptar exercícios rítmicos que levem o jogador e a equipa a reagirem, o mais rapidamente e o melhor possível, à situação de perda ou conquista do móbil do jogo (bola, ...), com o intuito de criar desequilíbrios súbitos no balanço ataquedefesa ou defesa-ataque e surpreender o adversário.

* Dar uma intenção funcional à acção a desenvolver

Um jogador que leia ou interprete o jogo duma forma deficiente, mesmo que seja rápido na execução de acções individuais, não consegue, habitualmente, adoptar soluções proveitosas para a equipa. Sabendo que o projecto de intenção, relativo a uma determinada acção, guia já essa mesma acção no plano perceptivo (Jeannerod, 1985), deve procurar-se que as intenções de acção resultem duma análise funcional do movimento adaptado às competências reais do executante e aos requisitos próprios do jogo. Neste sentido elas favorecem a selecção, a ligação das informações e induzem ganhos na velocidade de realização.

* Atender à especificidade do contexto

No treino da velocidade deve adoptar-se formas e situações similares às do jogo, perseguindo o denominado treino da velocidade funcional (Bangsbo, 1994).

Tenha-se em consideração, no entanto, que os tipos de solicitações de um jogo de Futebol são diferentes das reclamadas por um jogo de Basquetebol e estas diferem das exigências típicas de um jogo de Hóquei em Patins. Este facto torna imprescindível a necessidade de perfilar a especificidade (o bilhete de identidade) da modalidade desportiva em questão.

CONCLUSÕES

O que interessa aos JDC não é o desenvolvimento de capacidades absolutas-máximas, mas de capacidades relativas-optimais que permitam ao jogador ser eficaz em relação às configurações de jogo com que depara. Por isso, a velocidade, como qualquer outra capacidade configurada a partir da dimensão energético-funcional, não é, nos JDC, uma faculdade substantiva, mas uma capacidade subsidiária do rendimento, a qual adquire sentido quando perspectivada em função do contexto que justifica a sua expressão.

Considerando este pressuposto, a organização do processo de treino deve partir, antes de mais, do modelo de actividade que se pretende que os jogadores desenvolvam, para dar resposta ao modelo de jogo preconizado pelo treinador, embora se possa acentuar a valência muscular ou informacional, em função de aspectos como, por exemplo, o momento do treino (sessão de treino, microciclo, mesociclo) e as características dos atletas
(idade, anos de treino, perfil fisiológico, etc.).

Este entendimento implica que o treino da velocidade seja perspectivado duma forma integrada e aplicada, na qual o protagonismo excessivo do condicionamento atlético dá lugar à solicitação conjugada da(s) velocidade(s) de percepção, decisão e realização, consubstanciada em sequências rítmica de comportamentos táctico-técnicos que traduzem a velocidade de jogo.

GARGANTA (1999)

Em resumo, existe uma linha tênue qualitativa que separa a especificidade contextualizada, e a não-contextualizada. A partir daí, defina o seu modelo de jogo, e treine a velocidade de forma específica, e aí surgirá a VELOCIDADE COLETIVA..ou seja (voltando ao Gre-Nal) a "culpa" pela nossa lentidão disfarçada em "cadência de jogo da - cultura - do futebol brasileiro" (ou seja, a lentidão do nosso jogo já é cultural, e a história já nos mostrou que, em 70 tivemos que nos renovar para ganhar novamente, pois só o futebol arte não bastava) nada mais é do que a nossa forma de treino que ainda é, em sua grande maior,a a mesma de sempre....quarta coletivo...quinta físico-técnico....sexta apronto... **

Ao professor Antonio Carlos Gomes - Desculpe o reducionismo injusto de informações acima citados, teria muito mais informações a colocar...

Ao professor Júlio Garganta - Desculpe o quase plágio de informações citadas acima, mas o tempo é reduzido para fazer uma interpretação qualificada, a nível de ser entendida neste espaço.

** - Vale dizer que, mais importante que o nome que o exercício leve, o importante é as adaptações que ele gera, ai é que está o perigo...
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Aliás, genial a coluna diária do Paulo Roberto Falcão nesse domingo, vale a pena procurar, ele tem toda a razão, por isso não leve muito em consideração o que leu acima, afinal, como diria alguns treinadores que tive na minha esdrúxula e curta carreira no futebol de base, isso tudo é bobagem, pega a bola e joga... mas pelo menos joga mais rápido.



Um abraço
Luis Esteves
la_futeboll@hotmail.com


Obs: Se quiser uma análise mais específica da dimensão tática, dá uma olhada no blog do professor Bazilio Amaral, mestre na arte da avaliação tática.

ai esta:



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA



GARGANTA, Júlio; O desenvolvimento da velocidade nos Jogos Desportivos Coletivos. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física - Universidade do Porto - Artigo Publicado na revista Treino Desportivo, nº 6. Porto – Portugal. 1999. 13 páginas.


GOMES, Antonio Carlos, SOUZA, Juvenilson; Futebol: Treinamento Desportivo de Alto rendimento / Editora: Artimed. Porto Alegre - RS. 2008. 256 páginas.


2 comentários:

João Henrique disse...

Opa, Luís, bom post. Não tenho conhecimento para me aprofundar no assunto, mas fiquei com uma dúvida, independente do Inter jogar no 4-4-2, 3-6-1 ou qualquer outro sistema, é possivel que ele mantenha um mesmo modelo de jogo, ou estou errado?
Por exemplo, independente do esquema do Barcelona, a equipe poderá manter o mesmo modelo de jogo que você abordou num post passado.
Talvez o que possa ocorrer, acredito, é que determinado esquema facilite a circulação da bola ou determinada coisa que afete diretamente o modelo de jogo.
Abraço!

Luis Esteves disse...

Fala João
é possível sim, portanto alguns sistemas se adequam melhor a alguns modelos...como vc mesmo disse, facilita, pq estratégicamente se tem uma estrutura construida no campo que favorece determinado princípio.

Abraço